segunda-feira, maio 19, 2008

Quem tem medo do Lobo Mau?

Sondagem Intercampus\TVI: 51% do eleitorado PSD prefere Manuela Ferreira Leite.

Sondagem SIC\EXPRESSO\RR: Manuela Ferreira Leite obtém o melhor resultado contra Sócrates (PSD com 38% dos votos, a apenas 6% do PS)

Sondagem CM: 40% do eleitorado PSD sugere Manuela Ferreira Leite como a melhor candidata; 64% do eleitorado PSD entende que Manuela Ferreira Leite é a que está melhor candidata para derrotar Sócrates.

A "estrutura" prefere os outros candidatos e foge desta.

Porque será?

27 comentários:

Nélson Faria disse...

1. Não percam o nosso debate na próxima 4ª feira, às 21h, na Sede Nacional. Talvez se faça luz sobre o tema ;)

2. O "Capuchinho Vermelho" será, provavelmente, a primeira foto tendencialmente lasciva publicada no Psico. É a Monica Bellucci, só faz bem aos olhos ;)

Nélson Faria disse...

Voltando ao tema:

Porque foge a pragmática e sempre sedenta de vitórias e de bons resultados eleitorais "estrutura" da candidata que melhores condições oferece para assegurar essas duas coisas?

Será que ganhou coração ou sabe que, caso MFL ganhe, a música será diferente?

Paulo Colaço disse...

A última vez que isso aconteceu foi no Coliseu, na sucessão da Cavaco.
Foi o meu primeiro Congresso.

A estrutura preferiu Fernando Nogueira, o País preferia Barroso.

Resultado: derrota contra Guterres!

Anti-Hipocrisias disse...

Estatutos Psicolaranja.

Artigo 4º
Isenção e responsabilidade

1 – Sem prejuízo da livre opinião, o blog não é uma arma de arremesso para lutas internas no seio da família social-democrata. Pretende-se um espaço para combate político aos adversários do PSD, da JSD, de Portugal e dos valores e princípios que fundam a nossa democracia.

Publicidade?

Nélson Faria disse...

Estatutos Psicolaranja.

Artigo 4º
Isenção e responsabilidade

1 – Sem prejuízo da livre opinião (...)

Opinião caro anti-hipocrisias, opinião livre. Não fosse por ela e decerto não nos visitaria.

João Marques disse...

Ainda estou a pensar na foto...
Hei-de cá voltar quando tiver acabado a reflexão...

Paulo Veiga da Fonseca disse...

As sondagens dizem respeito a uma análise assente num período de tempo bastante definido e numa grelha de análise previamente definida e apresentada aos inquiridos. A amostra tendencialmente poderá reflectir o universo eleitoral. Apesar das teorias de análise estatística, dos intervalos de confiança, erros de amostra, etc. Tenho muitas dúvidas de que 605 entrevista sejam uma amostra credível.

Por outro lado, julgo que uma sondagem realizada entre 7 e 9 de Maio (ou algo parecido) não se replica 15 dias depois de um processo eleitoral.

Por último, se começamos agora a colocar como factor decisivo das nossas escolhas e estratégias os estudos de opinião, os barómetros, as sondagens telefónicas… bom estaremos por um lado, a ser dirigidos de fora para dentro abrindo precedentes difíceis de parar e por outro, deixamos de poder criticar os socialistas os grandes consumidores da Euroexpansão e da Eurosondagem de governarem conforme o resultado da sondagem da semana.

De resto Fernando Nogueira teve um grande resultado perante a realidade eleitoral que teve que enfrentar. O que terá levado Fernando Nogueira a abandonar a política activa? Provavelmente as causas internas que não permitiram que ele pudesse ter um outro resultado, não? Não é possível dizer que Durão na altura teria feito muito melhor, aliás basta ver as eleições de 2002, em que contra um PS altamente fragilizado, mais uma semana de campanha e os 3% de vantagens tinham-se esfumado.

Portanto as sondagens valem o que valem, porque estarão sempre dependentes dos factores que acima coloquei. Que o digam os grandes especialistas da Gallup nas primárias Democratas!

Citador disse...

Eu tambem sei citar os estatutos do psicolarnja:

Artigo 2º
Pluralidade e Conteúdos

O blog é democrático não só na amplitude de ideias dos seus diversos membros, adiante Psicóticos, como no respeito pela opinião dos comentadores.

Artigo 3º
Linha editorial

1 – Os textos publicados respeitarão sempre a dignidade das pessoas e instituições a que se reportem, sem prejuízo da liberdade de expressão e do estilo contundente, vigoroso, humorístico ou apaixonado de que possam ser revestidos.
3 – Os Psicóticos não terão quaisquer limitações, quer no conteúdo quer na forma.

Artigo 4º
Isenção e responsabilidade

2 - Cada Psicótico responde individualmente pelos seus textos.

Margarida Balseiro Lopes disse...

Roubaram-me o título de um post meu sobre as anteriores directas!!! ;p

Bruno disse...

Pois é Guida, parece que as directas combinam com histórias infantis, hehe!

Eu não tenho medo do lobo mau e muito menos desta Capuchinho Vermelho ;)

Sobre a questão do Né, deixem-me dizer que eu não gosto muito da palavra "estrutura". O PSD, tal como a JSD (não falo dos TSD porque não conheço) é bem mais do que a "estrutura".

E isso ficou provado nas últimas directas em que a "estrutura" estava com Mendes mas ganhou Menezes. E isso ficou provado noutras altura quando por exemplo teve que se acabar com a AD que Marcelo, artificialmente, queria impor ao partido.

Neste caso eu não sei o que é que a "estrutura" quer. Eu quero Manuela Ferreira Leite como Presidente do PSD e como Primeira-Ministra em 2009! Quero porque sei que é a melhor e mais preparada. É melhor do que Santana e Pedro Passos e melhor ainda do que José Sócrates que, para mim é pior que qualquer um dos outros dois (PPC pode ainda não ter provado muita coisa mas não o tenho como mentiroso...).

E estou certo que, queira lá "a estrutura" o que quiser, o partido vai querer Manuela Ferreira Leite.

Anti-Hipocrisias disse...
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Paulo Colaço disse...

Caro Paulo Veiga da Fonseca,
Obrigado pela interessante reflexão que nos deixa.
Não sei como foram feitas as sondagens mas desconfio de como são feitas as sondagens. Todas. Haverá umas credíveis, outras nem tanto. Eu é que não sei distinguir umas de outras.
Mais: umas haverá que, sendo credíveis no momento em que são feitas, e sérias no tratamento dos dados pelos seus responsáveis, acabam por sair ao lado porque, não só a vontade humana é volátil como nem sempre um universo de entrevistas é representativo.

Também é verdade que uma sondagem feita “ontem” não traz, necessariamente, os mesmos resultados que uma feita “hoje”.

Quanto a Fernando Nogueira, creio que foi no Psico que já me expressei seu admirador. Embora estivesse, na altura, com Barroso, achei muito correcta toda a sua postura. Mais: sendo Ministro da Defesa, foi o primeiro líder do PSD que aceitou a proposta da JSD para extinção do SMO.

Se teve um grande resultado é que não sei. Grande resultado é a vitória. O resto é gestão de danos. E se saiu da política terá sido por dois motivos: perceber as culpas da sua imagem no resultado e perceber que nem sempre o nosso partido é de “companheiros”.

Quanto a Durão, ele foi mau líder de oposição, é certo, mas lutou sempre contra um PM em estado de graça. Em 2002 foi muito “ajudado” por problemas fora da campanha (nomeadamente no Porto, com a guerra movida a Rui Rio por Pinto da Costa).
Em todo o caso, não comparemos 2002 com 1995. Em 1995 Barroso estava, ele sim, em estado de graça. Um Ministro muito jovem, com excelente imagem, levava ao peito as medalhas de Bicesse e outros atributos (que veio a comprovar como PM).
Ele era a esperança do PSD. A rua dizia-o. Mas a rua raramente mandou nas opções do PSD…

jfd disse...

Aconteca o que acontecer dia 31, PPC é para mim um vencedor. Está igual a si próprio desde o momento zero. Reforço o para MIM ;)

Dos comentários anteriores, destaco o João Marques, pela valente gargalhada que me arrancou.

A conversa das sondagens, até faz sentido e encaixa naquilo que eu queria que fosse verdade. Mas como tou farto de ler "genial!", "sublime!", "exactamente!", tão somente porque se encaixam na nossa opinião, não trazendo nada de novo à discussão, abstenho-me de comentar :P

Fiz um comentário num outro post que mais não passou que um paste duma opinião abrupta do Pacheco acerca destas sondagens...Passou despercebido, ou não tinha interesse.
Mas pronto, junte-se-lhe um par de mamas e já passa a ter interesse...
ENFIM.

Aqui fica de novo


(...)existem dois mundos, um o dos eleitores do PSD e dos portugueses, outro o de alguns responsáveis de estruturas do PSD. Quando Marco António diz que os militantes da sua Distrital preferem "esmagadoramente" Passos Coelho, Carreiras aponta Jardim como o "melhor candidato", Bota afirma que o PSD só vence com Santana Lopes, que mundo interior é este tão distanciado do mundo exterior? Este ecrã, esta intermediação entre os militantes e a realidade nacional é um dos factores de crise do PSD. Obedecem a lógicas muito diferentes: uma, uma lógica pessoal de preservação dos pequenos poderes e influências internas (falar em nome do PSD, escolher pessoas para os lugares, defender "espaços" políticos próprios, influenciar as escolhas, impulsionar a sua própria carreira política de profissionais partidários); outra, uma lógica exterior de políticas e métodos reconhecidos como meritórios pelos portugueses.

Escrevi um livro sobre isto, não preciso de me repetir. O divórcio entre estes dois mundos começou no tempo de Cavaco Silva, mas acelerou-se nos últimos cinco anos, e conheceu o seu momento mais grave em 2005, numa corrida ao abismo anunciado, previsto, inevitável, que todos menos os unanimistas que num Congresso deram uma votação albanesa a Santana Lopes, quiseram ver. Repetiu-se em 2007, e, se não for travado, repetir-se-á em 2008. É só isto que está em causa nestas eleições cruciais e só isto que explica tanta acrimónia, tanto afã, tanto desespero, porque para muitos é uma espécie de despedimento colectivo.

É exactamente por isso que, como se diz no Expresso de hoje, todas as quatro candidaturas são hoje "menezistas" nos seus apoios e todas são contra Manuela Ferreira Leite. A questão está em saber até que ponto existe ou não voto livre no PSD, até que ponto o militante trazido às urnas pela diligência ímpar de um cacique e que lhe diz pelo caminho, "sem dúvida que vou votar no Passos Coelho, ou no Santana Lopes" chega lá e vota Manuela Ferreira Leite, em consonância com o país e com os eleitores do PSD.

Nélson Faria disse...

Amigo Paulo,

As sondagens valem o que valem. São um bom indicativo, mas não devem ser determinantes. Devem sempre ser avaliadas e tidas em conta.

Quanto ao Anti-Hipocrisias,

É a pluralidade que marca o Psico que nos permite escrever textos livremente. É um espaço de opinião livre e exercemo-la... como já foi feito no passado para PPC.

O que o partido quer saberemos no dia 31 de Maio.

Quanto ao Bruno,

Eu tenho reservas quanto à palavra "aparelho". Quanto à "estrutura" não tenho qualquer problema ;)

Continuemos a exercer a liberdade que tanto nos apraz companheiro :)

so what disse...

Artigo 1º
Definição

O Psicolaranja, adiante Psico, é um blog criado para debater os temas da actualidade, com especial pendor para a política nacional.


big deal!

Nélson Faria disse...

[Nem me lembrava do teu post Margarida :( Era para ter um título diferente, mas já há algum tempo que queria usar esta imagem ;) O Bruno é minha testemunha eheh]

Nélson Faria disse...

Diz lá que não é uma boa foto jorge? :)

Há que ter uma mensagem cuidada para que ela passe eheh

jfd disse...

As sondagens valem o que valem. São um bom indicativo, mas não devem ser determinantes.(...)

Daí baseares um post inteiro no assunto, e para colmatar os pés de barro, juntas umas mamas?

(...)como já foi feito no passado para PPC.

Esta frase tem muito que se lhe diga. Mas como não sei quem é o teu interlocutor, não merece!

Eu tenho reservas quanto à palavra "aparelho".

Tens tu, e pelos vistos a candidata que apoias também ;) Afinal de contas, conta com ele pela calada, não o mostrando em público! Será vergonha?

Já estrutura somos todos nós! Concordas?

Já fazia falta um thread assim :P

jfd disse...

Diz lá que não é uma boa foto jorge? :)

Há que ter uma mensagem cuidada para que ela passe eheh


O João Marques disse tudo!!!!! ;)))

João Marques disse...

Não querendo dar demasiada importância às sondagens, até porque a última pessoa que o fez abandonou a liderança do partido da forma que todos conhecemos, há no entanto um facto interessante, MFL consegue (aparentemente) uma abrangência notável e uma diferença para os restantes candidatos surpreendente (para mim pelo menos).

Estas eleições têm sido muitíssimo disputadas. Há, quanto a mim, bons candidatos e acho que é isso que devemos relevar de quando em vez, até porque se trata de uma prova de vitalidade do PSD e a certeza de que continuamos, como continuaremos sempre, a ser o melhor partido português. Esta é a prova de que devemos deixar de pensar na irreverência ideológica como um mal endémico, ela tem sido a principal força motora da vivacidade do partido. Desde que em limites aceitáveis esta flexibilidade programática torna-se uma vantagem, uma verdadeira marca de um partido moderno.

Se repararem bem, para o bem e para o mal está-se a fazer o que muitos ansiavam há anos. Finalmente há transparência de posicionamentos. Ideologicamente a discussão tem sido riquíssima, mas, na minha modesta opinião, nada revolucionária e mesmo pouco evolucionária. Vejo da parte de duas candidaturas, a de MFL e a de PPC um genuíno esforço de credibilidade e responsabilidade. Continuo a achar que MFL é a melhor aposta, mas não deixo por isso de ter prazer em ver Passos Coelho bater-se galhardamente, quanto a PSL, esse sim parece-me mais do mesmo, ainda que lhe deva o mesmíssimo respeito que aos outros dois (apesar de já ter sugerido que pode vir a criar um novo partido, caso o resultado destas eleições não lhe agrade).

Tenho, por tudo isto, a firme convicção (em homenagem à firmeza da menina da fote) de que o PSD sairá mais forte destas eleições. Voltaremos a encontrar o caminho da credibilidade e respeitabilidade o que, em conjunto com a reabilitação da imagem de partido de poder encetada, só poderá resultar numa mobilização recorde em 2009.

Ele há males que vêm por bem e este não foi diferente...

EM disse...

E eu pensava que o Santana Lopes era o único que ia à Bruxa. Têm tantos seguidores este Santana por aqui :-) Já agora, também sabem quais são os números que saem no próximo Euromilhões? Agradecido.

Pedro Passos Coelho nem de longe se assemelha a Fernando Nogueira, nem Manuela Ferreira Leite se compara a Durão Barroso. É claro que o Santana vai ficar em 3º e ainda bem, por isso já estou contente.

Mas o que está a dar é mandar vivas à Manuela. É preciso arrumar a casa. E sem a Manuela, ninguém arruma a casa.

jfd disse...

Bem João, esse teu periodo de reflexão saiu-te muito bem, perspicaz e sobrio. Subscrevo-te, com as devidas nuances, a 80% :)

Gostei especialmente de:
Vejo da parte de duas candidaturas, a de MFL e a de PPC um genuíno esforço de credibilidade e responsabilidade.

E recordarei para sempre:
Esta é a prova de que devemos deixar de pensar na irreverência ideológica como um mal endémico, ela tem sido a principal força motora da vivacidade do partido. Desde que em limites aceitáveis esta flexibilidade programática torna-se uma vantagem, uma verdadeira marca de um partido moderno.

O que faz um bom par de... ideias :)
Boa Né! LOL

Nélson Faria disse...

Não acho que estrutura sejamos todos nós: eu vejo a "estrutura" como esqueleto do partido, os vários órgãos que o compõem, principalmente os executivos.

Os militantes dão o corpo, salvo seja ;)

Já disse o que acho das sondagens: indicativas mas não determinantes. O que óbviamente implica que sejam analisadas.

E analisadas também as reacções: quem não viu PPC e "entourage" vangloriar-se da sondagem Expresso? Agora não comenta. Curioso.

Como tenho dito: cara nova, velhos hábitos :)

Parece que toquei num nervo sensível com este post. Serviu o seu propósito.

Kokas disse...

Vale o que vale. Cuidado para não se transformarem nos tipicos militantes do PCP: "Eu não acredito em sondagens... mas que as há... há". E é tão bom quando há mesmo ao sabor dos nossos desejos não é?

Bruno disse...

No meu primeiro comentário acabei por passar o tempo a falar da "estrutura" e agora não queria fazer o mesmo. Mas só para esclarecer: que não gosto muito da expressão porque para mim ela representa exactamente o "aparelho".

O próprio Né que as diferenciou acabou por dizer que a estrutura são os orgãos do partido. E o que eu não gosto é exactamente da mania que alguns titulares desses órgão têm de falar por todos os militantes da sua Secção, Distrital ou Regional.

São maus vícios de um tempo em que éramos obrigados a decidir tudo por interposta pessoa, em que votávamos para eleger Congressistas que iam depois eleger o Presidente do Partido. Logo, tínhamos que pesar, para além de quem queríamos que fosse Presidente coisas como a dinâmica interna da nossa Secção, do nosso Distrito, etc, etc.

Bruno disse...

Voltando ao tema, e lendo com atenção o que disse o Colaço (a rua raramente mandou nas opções do PSD), mas afinal nós existimos por quem e para quem?

É que eu começo a ficar um pouco farto disto, confesso. Não posso falar do tempo de Sá Carneiro. Mas falo da sucessão de Cavaco. Barroso estava cheio de energia. As pessoas conheciam-no, tinham esperança nele, acreditavam que era competente. Demo-lhes Nogueira! Um cinzentão em quem elas reviam o pior do Cavaquismo: os amiguismos, os aparelhismos, os jobs for the boys. Era injusto! Nogueira era melhor do que isso. Mas o mal já estava feito porque sempre cuidámos muito mal da nossa imagem...

Depois Nogueira saiu e Barroso hesitou. Tinha questões pessoais que o impediam de tomar conta do partido. O partido todo hesitou. A malta cá fora ficou a pensar "mas que raio!?!?. Afinal o PSD quer ou não ser alternativa a Guterres? Afinal o PSD é ou não um partido de coragem?". E o que fez o PSD: apresentou Marcelo que tinha dito que não seria candidato nem que Cristo descesse à terra...

Resultado: confundimos as pessoas (pelo menos aquelas que não se tinham cruzado com Cristo por aí...). 6 meses antes havia 3 homens que avançavam. Um deles ganhou e perdeu. Depois perdeu também as Presidenciais e saiu. É natural. O que fizeram os outros dois? Um saiu de cena e o outro viu a porta fechar-se-lhe pelo "aparelho".

Tal como viu a porta voltar a fechar-se quando o tal que se cruzou com Cristo e por isso se candidatou e ganhou também resolveu "por-se a mexer". Aí, a "estrutura", o "aparelho" e toda a "democracia representativa" do partido apresentou Durão. o problema é que lhe tinha acontecido qualquer coisa. Parecia estranho, faltava-lhe energia, aquela garra de 95, aquela segurança de Bicesse...

A assim continuou até que a sua imagem foi caindo cada vez mais ao ponto de o obrigar a procurar refúgio numa Comissão Europeia que é o "himalaia" da democracia representativa. Ali o povo não manda e por isso homens como Durão não precisam de se preocupar muito em mostrarem às pessoas que podem confiar neles. Que são bons, fortes, seguros, líderes!

E o que fez o Partido? Abriu a porta ao outro. Sim, aquele a quem sempre a tínhamos fechado... Inda por cima nem o obrigámos a ir a eleições. Não o obrigamos a fazer campanha, a discursar, a lançar uns quantos sound-bytes em que era especialista...

Ora, claro, a malta resolveu achar que este partido era muito estranho. E eu pergunto: e não é?

Paulo Veiga da Fonseca disse...

O Erro de Pacheco!


Sempre que posso oiço o meu companheiro Pacheco Pereira (PP). Não faço parte da massa humana militante, não creio que seja de grande dimensão mas que existe e cada vez mais activa, dirigida por um conjunto de destacados militantes que vêem nas intervenções de PP a grande causa dos problemas internos do PSD. Oiço PP para poder enriquecer a minha reflexão sobre o partido, o país e o modo como o partido se deve colocar ao dispor dos portugueses.

Deste modo, sinto-me livre para reforçar as minhas convicções e dar conta das minhas posições, de simples militante, nas diferentes actividades do partido, concordando ou discordando de outros companheiros, mesmo dos que usam o palco mediático para emitir as suas opiniões tão válidas como as de qualquer um de nós.

No que respeita a estas directas nunca tivemos dúvidas sobre o posicionamento de PP, nem quanto à possibilidade do usufruto da sua condição de comentador na Quadratura do Circulo no apoio à companheira que apoia. Contudo, ontem a meu ver PP perdeu o pé na análise que efectuou sobre o processo das directas do Partido.

Agarrou-se a uma sondagem, que já foi escalpelizada por vários fóruns, tentando com ela justificar a eleição de Manuela Ferreira Leite (MFL), em detrimento de Pedro Passos Coelho (PPC) e Santana Lopes (SL). A meu ver PP cometeu um erro de demagogia impensável e que ficará marcado no seu património de doutrina política.

Vejamos:

O dado mais importante deste estudo de opinião reporta ao período do trabalho de campo: entre 7 e 9 Maio. A meu ver completamente desfasado da realidade que o processo eleitoral cria. Com os candidatos a apresentarem-se ao colégio eleitoral, com a cobertura do Média (fraco e que por acaso PP nem critica porque quando menos cobertura melhor para MFL atendendo aos níveis de notoriedade imediatos relativamente a PPC por exemplo) e com a sua ida para o terreno no debate com os militantes estes dados são substancialmente alterados. Isto só aconteceu com maior intensidade depois do período a que reporta a sondagem.

Mas com esta posição PP refuta os seus próprios posicionamentos recentes. Uma das suas preocupações é o afastamento do partido relativamente ao eleitorado. Bom, é sempre interessante fazer uma análise mais aprofundada sobre o que se passava há 8 meses atrás: Uma sondagem realizada pela Marketest em Setembro de 2007 (http://www.clipping.mediamonitor.pt/pdfTemp/etn_4247278_527_0.pdf) dava como resultado que Menezes era o favorito do eleitorado do país mas que Mendes seria o desejado pelos militantes do partido (com o “Aparelho” como sempre se disse que Mendes dominava). Como sabemos, a oposição de PP a Menezes já era bastante agressiva (no sentido político), mas na altura as justificações para que o partido não fosse atrás da opinião pública prendiam-se com o populismo que era indesejável, com as chegadas sebastianinas e contra os “notáveis” que não saiam do silêncio comprometedor com um “bloco central” da sociedade (quantos estarão agora ao seu lado), etc.


Com a vitória de Menezes os discursos de PP são os que se conhecem. Estou perfeitamente à vontade sobre este assunto porque votei Mendes e em caso algum participei em acções do partido durante a vigência da última direcção.

Esta posição de PP agrava-se porque ela abre-se ao paradoxo de deixar o partido nas mãos da opinião pública. E quando isto acontece, entramos no limiar do populismo, deixando que o partido seja gerido de fora para dentro, algo impensável na doutrina de PP. Então para que serve o Partido? Porque não fazemos umas directas à americana, em que o colégio eleitoral se inscreve para o efeito independentemente de serem militantes ou não?

Não se pode criticar uma “aparelho” assente nas estruturas constituídas por militantes que fazem a sua actividade política diariamente, concordo que muitas vezes com o objectivo de serem recompensados com cargos ou lugares políticos remunerados – não que isto seja totalmente imoral mas seria outra análise - mas sobretudo em momentos eleitorais em que sair à rua , colar cartazes ir a comícios é cada vez mais um frete para muito “notável”. Não se pode tratar os militantes do PSD como por vezes PP o faz. Se tal “aparelho” não fosse um elemento importante para o partido e para os candidatos então não assistíamos à necessidade de MFL colocar no seu site os apoios que tem do “aparelho”, já para não falar de um ou outro que lhe estão mais próximos especialistas em call centre e “sindicatos de voto”, aliás que o próprio PP já referiu como sendo o exemplo do que de mau existe no PSD. Portanto, é muito perigoso PP vir defender que se MFL vencesse teria sido “a liberdade de voto do militante”, contrapondo a vitória de PPC como a vitória do tal “aparelho”.

Sejamos claros. A convicção dos nossos apoios está inerente aos valores e à visão que cada candidato per se transmite ao partido e daí partilha com a sociedade criando, desta forma, uma alternativa sustentada e credível à governação.

Colar os candidatos a quem os apoia, em quem está próximo, é redundar o debate e menosprezar o cerne do confronto político: os projectos de cada um para Portugal.

Para terminar, vejo neste confuso momento de PP, um novo posicionamento para os dias seguintes às eleições de 31 de Maio. Ao descolar para esta deriva de diluir a estratégia do partido na vontade popular, culpando a militância – certamente cega e acéfala – pelo insucesso eleitoral de MFL para a liderança do partido, PP coloca-se na primeira linha dos que colocarão em cheque a nova liderança ao primeiro deslize.

A credibilidade do partido começa em cada um de nós. No dia seguinte ao voto dos militantes gostaria que PP estivesse na primeira linha unida em defesa do partido nos próximos embates eleitorais, tal e qual como eu, militante de base, estaria se MFL vencesse. A alternativa é um compromisso de silêncio público e uma obrigação de debate nos foruns internos.