sábado, maio 03, 2008

Apatologia


"We don't stop playing because we grow old; we grow old because we stop playing." - George Bernard Shaw

"Anyone who stops learning is old, whether at twenty or eighty. Anyone who keeps learning stays young. The greatest thing in life is to keep your mind young." - Henry Ford

"[Quando morrer] são capazes de me mandar para o inferno. Dizem tanto mal daquilo que eu quero ver se posso chegar à porta e dizer cá para baixo: 'E esta, hem?'." - Fernando Pessa

«Toward the end of World War II, before the July 1945 election that would lose, The Times (London) prepared an editorial suggesting that Churchill campaign as a non-partisan world leader and retire gracefully soon afterward. The editor kindly informed Churchill that he was going to make these two points.

"Mr. Editor," Churchill replied to the first point, "I fight for my corner."

And, to the second: "Mr. Editor, I leave when the pub closes."»

—May 1945. H.A.Grunwald, Churchill: The Life Triumphant(American Heritage, 1965)


Nas bandas desenhadas da Marvel Comics, editora da qual, até há bem pouco tempo, era cliente assíduo, existia um grupo de vilões imortais que deviam a sua longa vida a obssessões. As ocupações que tinham consumiam-lhes de tal forma o tempo, que não morriam. Mas se se deixassem cair em apatia, era o seu fim.

Sempre ouvi dizer que qualquer mentira tem um fundo de verdade. Também sempre achei a apatia o pior dos pecados. Por isso deixei aqui o testemunho de quatro homens que toda a sua vida perseguiram o seu interesse. Nunca pararam.

Nota final:

- George Bernard Shaw e Henry Ford morreram ambos com 84 anos
- Churchill morreu com 90 anos, tendo sido Deputado da Câmara dos Comuns até aos 89
- Fernando Pessa reformou-se aos 93 anos e morreu poucos dias depois de soprar 100 velas

9 comentários:

José Pedro Salgado disse...

E o homem da imagem é Buster Martin, o mais velho trabalhador britânico, com 101 anos.

Participou na meia maratona de Roding Valley, a 3 de Março, cortando a meta em cinco horas e treze minutos. Teria feito melhor tempo se não tivesse parado a meio para beber uma cerveja e fumar um cigarro.

E no dia a seguir estava no emprego, na Pimlico Plumbers, onde lava camionetas.

Paulo Colaço disse...

Subscrevo!
Parar é morrer.
Ceder à preguiça é uma ofensa a nós mesmos.

Nélson Faria disse...

Até vos digo mais:

Perder o impulso não é apenas parar, é cair

Do sempiterno Churchill!

Mas que destino terá a nossa 3ª Idade? O que é isso do envelhecimento activo?

José Pedro Salgado disse...

Envelhecimento activo é uma mistura entre o que defendia Ford e o que Buster Martin faz.

BM recomeçou a trabalhar há 3 anos porque se sentia aborrecido. Ford defendeu uma aprendizagem constante. Em ambos casos existe um claro apagamento da ideia de falta de contributo para a sociedade, de marginalização.

Envelhecimento activo, diria eu, passa precisamente por recusar aceitar essa marginalização, por querer (e poder) continuar a participar e intervir no mundo que nos rodeia.

xana disse...

Vejo pelo meu pai, que no momento que se reformou começou a trabalhar!

Há quem diga que devia ter feito certos projectos 20 anos mais cedo, mas de facto parar é morrer.
É muito importante continuar activo. Não percebo porque se tem que abrandar o ritmo quando se chega a uma certa idade. Isso não tem qualquer lógica.

A hora chega quando tem que chegar. Enquanto cá andamos, é bom aproveitar porque a vida é mesmo curta!

Paulo Colaço disse...

Pergunto-me mesmo:
com esta estranha pirâmide etária que temos, será que faz sentido falar tanto de políticas de juventude e tão pouco em políticas de "velhice".

Os "novos velhos" são cada vez mais. Precisam de actividades, precisam de ocupação.

Que fazer?

Tânia Martins disse...

Um à parte mas que até tem algum interesse (penso eu):

Vejo em Torres Vedras uns senhores com os seus quase 80 anos se não os tiverem mesmo, em frente a uma escola primária a "controlar" as passadeiras da estrada, com o fim de parar os carros para as crianças passarem ou mesmo adultos que queiram atravessar a passadeira. Acho bonito que lhes encarreguem de fazer algo do género, porque vê-se perfeitamente nas suas caras a satisfação com que concretizam essa tarefa. Acredito que se sintam dessa forma por não estarem na vida monótona que muitos idosos têm e também por se sentirem (ainda) úteis na sociedade!

A vida só pára mesmo quando acaba e é essencial viver de forma activa, seja lá com o que for. Se não nem se trata de viver, mas sim de vaguear pelo mundo até que a morte "lhes bata à porta"!

Tenho um exemplo disso em casa, o meu avô mesmo reformado e já com quase 80 anos não pára, sempre a cuidar das suas cultivações que tanto estima!

Colaço, que fazer? Penso que o primeiro passo é mostrar aos mais "velhos" que não são nenhum peso na sociedade!

Inês Rocheta Cassiano disse...

Tânia, concordoo plenamente contigo quando dizes que tem que acabar o estigma de que os idosos são um peso demasiado árduo de carregar na nossa sociedade.
Recordo-me de um skecth do Gato Fedorento chamado o Velhão. Infelizmente essa é a nossa dura e crua realidade.
É constrangedor entrar num lar de idosos e ver as pessoas a cair pelos cantos, sem lhes ser reconhecido o verdadeiro valor. São pessoas, têm dignidade, devem ser tratadas como tal. E há que saber lidar com isto, em Portugal a maioria da população irá ser idosa com o envelhecimento populacional que se tem verificado. Não podemos ignorar o problema.
Os idosos são fonte de sabedoria, de cultura, de experiência. Saibamos reconhecer isso.

Paulo Colaço disse...

Quando fui a Moscovo, visitei imensos museus.
Uma coisa a que achava piada era ver, em cada sala de cada museu, um idoso(a) a velar pelo espaço, dar informações ou manter o respeito.

Não sei se ganhavam salário, se era "voluntariado", mão-de-obra barata ou mero programa de ocupação de "tempos livres", ou se eram funcionários públicos no activo, imprestáveis para outras funções.

Sei é que lá estavam e cumpriam zelosamente as suas funções.