sexta-feira, maio 09, 2008

O sumo da laranja


Ontem, em Setúbal, ouvi a Dra. Manuel Ferreira Leite.
Num curtíssimo resumo eis quatro dos tópicos que deixou:


A Pessoa Humana
A pessoa humana é a razão de ser de toda a actividade social, nomeadamente da acção política. O primado da pessoa humana não pode jamais ser posto em causa.

A Família
É a célula essencial da sociedade, o repositório dos seus valores e tradições e a primeira escola da solidariedade entre gerações.

A Sociedade Civil
O Estado não deve chamar a si aquilo que os indivíduos estão vocacionados para fazer. Deve dar espaço de liberdade à iniciativa e criatividade das organizações da sociedade civil.
Ao Estado compete a fixação das regras de funcionamento que enquadrem o mercado, garantam o desenvolvimento económico e assegurem a justiça e a solidariedade.

Partido Interclassista
O PSD representa todas as categorias da população portuguesa.
Falar em barões e militantes de base é uma linguagem que só nos divide e fragiliza.


Se lermos o nosso Programa, estas palavras e conceitos já constam!
A ideia é clara: para superar esta fase de menor crédito junto dos portugueses, não há nada de que o PSD precise que não seja já pertença do PSD.
Podemos apaixonar-nos por discursos mas, se apenas mudar a forma, prefiro o conteúdo de quem me dá mais garantias de credibilidade: MFL!

32 comentários:

Paulo Colaço disse...

Só não posso dizer que estou cada vez mais convicto na opção Manuela Ferreira Leite porque quando lhe expressei pela primeira vez o meu apoio, fi-lo já com a convicção máxima!

jfd disse...

Sendo que a tua opinião sobre a sua Grande Entrevista é?

Paulo Colaço disse...

Na RTP?
Não assisti. Estava nesse momento a ir para Torres Novas.
Os feed-backs que tenho são todos muito positivos.

jfd disse...

Eu vi, gostei qb.
Mas exactamente como o teu post, muito fraquinho no que toca às coisas que agora me interessam, que é o virar para fora do partido!
Tou cansado de catarses, e temos 3 eleições para o ano.
Que pretende fazer Manuela Ferreira Leite como Presidente do partido? Como Primeira Ministra? Que estratégia para as Autárquicas? Quem será a sua comissão Política?
Porque elegeu ela o IMI como questão mais importante no momento para os casais Portugueses?

Para terminar, quando se fala tanto de Credibilidade, ela é-lhe exclusiva?
É a sua única plataforma de campanha (de tanto repetir parece que sim)? Os de antes, e os seus companheiros de campanha, não a têm? Há que clarificar ;)

A.Costa disse...

A propósito de um comentário que fiz a um post:
"1 - MFL: não é a pessoa dura que se pensa; a sua imagem ficou muito colada à de uma "Dama de Ferro" mas não é assim como pessoa. Garanto-o." - Domingo, 27 Abril, 2008
Este Post e outras notícias que vão dando conta da actividade política de MFL na campanha interna para a eleição do líder do PPD/PSD mostram que esta digna militante está muito bem colocada para alcançar os seus objectivos.
Fico feliz pelo post do Paulo Colaço uma vez que esta imagem vinda de pessoas mais jovens mostra que o todo trabalho de descredibilização feito pelos órgãos de comunicação social quando ocupou a pasta da Educação e das Finanças não teve o efeito desejado (pelo menos em todos os cidadãos).
Uma outra observação:
Sinto que o PPD/PSD caminha pelo trilho da verdadeira política pois nesta campanha temos assistido (com algumas manobras de diversão, como é normal no "circo" de uma campanha)a uma apresentação de propostas, a uma discussão elevada sobre alguns dos problemas de Portugal e um fenómeno que me deixa acima de tudo agradavelmente surpreendido: os ataques pessoais (que tiveram algum relevo no turbilhão de há umas semanas atrás) vão desaparecendo. Ainda bem!
Para o bem da democracia interna do PPD/PSD e para a promoção dos valores Republicanos e Democráticos no país é urgente que o partido se constitua como uma verdadeira oposição.
Apesar da nula experiência governativa de Pedro Passos Coelho penso que está a mostrar internamente e externamente a qualidade da formação política nas juventudes partidárias e a sua campanha só credibiliza todos os militantes da JSD uma vez que esse foi o seu berço.
Cumprimentos,
A. Costa

Filipe de Arede Nunes disse...

Colaço,
Subcrevo a tua análise por completo.
Foi um prazer ter estado ontem em Setúbal a ouvir a Dra. Ferreira Leite e é com redrobada convicção que votarei nela no próximo dia 31 de Maio.
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Mendonça disse...

VAZIO! De princípios doutrinários estou eu farto!

Desculpa Colaço, ainda não lhe vi uma única ideia para o país. Só a de mexer no IMI, um erro que foi dela!

xana disse...

Bem a Grande Entrevista foi mais do mesmo: a "jornalista" Judite de Sousa a entrevistar um social-democrata dá sempre naquilo... ja é hábito.

Ainda assim, MFL não esteve mal a defender-se dos ataques. E o resto?

Pois, aí é que está o problema. Passou quase o tempo todo a defender-se da actuação como ministra, especialmente na última incursão no governo com Durão. Ou então a defender-se da imagem que tem.

E o resto?

Tânia Martins disse...

Quanto mais ouço a MFL mais respeito tenho por ela e ainda mais credibilidade me dá! O seu humanismo e a sua sinceridade é o que me leva a crer que seja um futuro para Portugal!

Esteve brilhante em Setúbal, assim como na F! Tem a postura que Portugal (e o PSD) precisa para não cair no abismo!

jfd disse...

Xana disse:
Ainda assim, MFL não esteve mal a defender-se dos ataques.

Concordo, e acrescento; alturas houve em que até me deu um certo gostinho, sabe bem ver uma pessoa assim. ;)

Mas tenho de pedir emprestado à Xana; e o resto?

Nélson Faria disse...

Não sei quantos fãs de comunicação eleitoral por aqui passam. Tenho algum interesse na matéria e apresento esta análise simplista do que me parece ser a estratégia MFL:

Na primeira semana de campanha só falava do que era importante para o partido, na sua opinião.

Colou de tal forma que é quase impossível não ler e ouvir na imprensa os jornalistas, e mais extraordinariamente os seus detractores, a repetir a sua mensagem.

Vendo que colou iniciou uma segunda fase: falar desabridamente do que fez e alguma coisa do que quer fazer. E fê-lo em prime-time na televisão pública.

Prevejo que quando todos assimilarem o novo conteúdo, novidades virão.

Paulo Colaço disse...

Ouvi dizer que há um candidato dos 3 "grandes" que diz que as oposições internas perdedoras devem ser convidadas para integrar os orgãos dos vencedores ou outras honrarias similares.

É verdade?

jfd disse...

Nelson folgo em ver interessante alteração de discurso. Muito mais ponderado e rendido à evidência, tentando justificar, a real falta de ideias concretas.

Esperemos então pacientemente pelas moções estratégicas, como me aconselhava ontem um sábio amigo :)


Colaço, pergunta armadilhada ;)
Vamos ler o Expresso e já falamos, pode ser? :)

Nélson Faria disse...

Já que a vista Jorge, importas-te de me apontar onde está a mudança de discurso?

Ou eu alguma vez disse que MFL apresentou ideias?

MFL não precisa porque as pessoas sabem o que ela simboliza, não é uma desconhecida para ter de se apresentar.

Pode preocupar-se só com a mensagem que quer passar.

Nélson Faria disse...

A "Associação-Construir uma Alternativa" do PPC é afinal "Associação Ajudem o PPC a ter lugar na lista de deputados".

Eu quero o Patinha Antão... disse logo ao que vinha!

Nélson Faria disse...

Após a brincadeira fácil uma reflexão: não é estranho que a "principal" candidata não tenha apoios da estrutura? (ver Expresso)

Não é estranho que a preferida dos portugueses não tenha apoio da estrutura?

O que terá acontecido ao instinto de sobrevivência do aparelho? Ou saberá o "aparelho" onde pode sobreviver?

Cada vez mais certo que decidi bem.

jfd disse...

Colaço, será que esta pergunta/resposta, ajudam ao esclarecimento das intenções?

Se ganhar, conta com eles?


Ser líder não é ser dono do PSD e não tenciono fazer do partido o meu clube de amigos. À partida toda a gente faz falta, desde que venha por bem. Por menor que tivesse sido a votação de MFL ou PSL, eu seria o primeiro a garantir-lhes lugar no Grupo Parlamentar.

Hugz!

jfd disse...

A fonte é a entrevista a PPC no Expresso. Esqueci-me ;)

Paulo Colaço disse...

Jorge,

O PPC quer ser líder do PSD. Tem legitimidade para isso. Quer ser deputado. Tem legitimidade para querer.
Se perder, quer ser convidado para deputado. Agora que queira imprimir como regra que cada militante que se candidate a líder tenha, ipso facto, lugar no parlamento, já é um descrédito. Para ele e para o Partido.
Até os Partidos precisam de ter uma votação mínima para acederem a subvenções estatais. Senão, ser deputado estaria à distância de um punhado de assinaturas.
Se PPC quer oferecer a última bancada do PSD em S. Bento a qualquer um, será com ele. Que ele tente "obrigar" os outros a fazerem o mesmo já me parece errado...

A liderança de Menezes, quando chegou, esteve seis meses em ajustes de contas internos. Tentou meter os seus em todo o lado.
Um dos casos paradigmáticos foi o Porto, em que Agostinho Branquinho, uma pessoa respeitada, cedeu lugar a Marco António Costa.
No meu distrito, um dos candidatos à liderança distrital referia abertamente o nome de Menezes como se isso o fizesse ganhar votos.

Pedro Passos parece enveredar pelo percurso inverso: em vez de fazer guerra aos adversários, diz que os adversários devem ter lugar no Parlamento. E nas distritais? Ou nas secções? Um qualquer adversário numa secção, que perca, pode reivindicar um lugar na lista da vereação?
Onde fica a ideia dos vencedores escolherem livremente, a suas equipas?

Eu já aqui tinha criticado Patinha Antão por ter atalhado por aí. Nunca pensei foi que Pedro Passos também o fizesse…

jfd disse...

Para mim, qualquer pessoa que vá a eleições e que tenha votos expressivos (há-que definir o que isto é, não o sei de momento), representa militantes. O partido não é de quem ganha, é de todos os militantes. Não querem democracia? Vivam com ela!

Esse ajuste de conta de que falas, foi errado, horrível e muito triste.

Nélson Faria disse...

Não é uma democracia melhor por se dar um lugar porque alguém é candidato.

MFL e PSL, muito naturalmente, merecem um lugar na lista. PPC também.

Mas não há lugares cativos em política. Nem deve.

jfd disse...


Para mim, qualquer pessoa que vá a eleições e que tenha votos expressivos (há-que definir o que isto é, não o sei de momento), representa militantes. O partido não é de quem ganha, é de todos os militantes


Se Democracia te faz comichão, junta-lhe representativa e lembra-te que são as nossas segundas directas e que estamos todos a experimentar terreno novo.

Nélson Faria disse...

Democracia é muito mais que eleições e resultados eleitorais Jorge.

Não deve haver uma fórmula aritmética de atribuição de lugares de deputados.

Falemos de que País e de que Partido queremos, sejamos maiores que a luta de lugares.

jfd disse...

Falemos de que País e de que Partido queremos, sejamos maiores que a luta de lugares.

Ouviste Colaço?

Paulo Colaço disse...

Ouvi Jorge.
Diz isso ao PPC ehehe


Deixem-me que acrescente algo que me esqueci de referir há pouco.

Ao longo dos tempos, os adversários perdedores foram tendo lugar nas principais listas.
Ninguém, com expressividade, foi saneado.
Nogueira ganhou mas não "expulsou" Santana nem Durão: os seus adversários.
Bem pelo contrário.

E os apoiantes de cada qual foram tendo lugares: os nomes de topo das "alas" internas não são esquecidos, embora nunca haja lugar para todos.

O que eu nunca ouvi foi a tese de oficializar o lugar dos perdedores.
Estes devem fazer-se valer por eles mesmos, sem o dizerem.

Lembram-se do desastre que foi Menezes dizer que queria alguém do PSD na administração da Caixa Geral de Depósitos? Há coisas que são naturais: não precisamos de bradar aos céus com elas.

É claro que PPC tem lugar no Parlamento.
É um grande quadro do PSD, embora não seja (quanto a mim) o líder que o Partido precisa nesta fase.

EM disse...

Em Setúbal o Hotel Esperança esteve cheio, pelo que me contaram. Para ganhar o PSD, Manuela vai ter que pôr mais em cima da mesa do que a sua suposta credibilidade.

Eu não nutro simpatia por ela. Avançou com a reforma das propinas - e eu combati activamente contra isso na universidade. Foi contra o choque fiscal de Miguel Frasquilho - e eu apoiei-o.

O que a "turbe" que apoia a Manuela acredita pode-se resumir a isto: Querem voltar ao passado e às grandes vitórias, cientes que grande parte dos fundadores do PSD estão com a Manuela e portanto, a vitória está próxima.

Eu acho isto uma idiotice, até me rio, é como pensar que a solução da crise política actual está uma ou duas décadas atrás. Depois das europeias, vamos voltar todos à estaca zero.

Mas também não me ponho a vociferar que é um escândalo ela não admitir publicamente que tenha votado no PSD nas últimas legislativas (portanto, em Pedro Santana Lopes) porque "quem ama o PSD vota obrigatoriamente nele independentemente de quem seja o líder". AARRGGHHHHh.

Quem o disse foi Nuno Dele Rue. Acho isto obsceno (!) e é um dos motivos que me faz "odiar" Pedro Santana Lopes e os seus seguidores. São uns fanáticos. Este tipo de gente devia ser "corrida" democraticamente do PSD.

EM disse...

PPC não disse o mesmo que Patinha Antão.

Patinha Antão afirmou que os opositores internos têm direito a cargos políticos como se fossem "direitos adquiridos" só por fazerem oposição interna ao líder.

Passos Coelho "elogiou" os seus adversários e assegurou que com ele, teriam sempre um cargo político. Não pedinchou nada. Não disse que tinha direito a isto ou aquilo. Essa é a diferença de nível que me faz acreditar na sua liderança.

Passos já começa a ganhar os apoios dos autarcas do PSD. E vai a caminho do 2º lugar nas sondagens. Seria espectacular o PSL perder e ficar-se pelo 3º. Aí já ficava contente. Mas ficava mais se ele ganhasse as directas.

EM disse...

Ele, entenda-se, Pedro Passos Coelho!

Diogo Agostinho disse...

São uns fanáticos. Este tipo de gente devia ser "corrida" democraticamente do PSD.

E depois corria com quem? Com o Marcelo? Com o Cavaco? Com o Durão? Com o Pacheco? Com qualquer militante que não pensasse da mesma maneira? Ou que apenas e só falasse?

Nélson Faria disse...

Às vezes voltar ao ponto de partida não é mau para sabermos qual o caminho a seguir.

Quem se mete por atalhos, mete-se em trabalhos ;)

EM disse...

Com o Marcelo ou com o Pacheco? Isso era o que Santana queria, mas não lhe fizeram a vontade! Ainda bem!

E depois do que o Santana fez à Manuela, mostra bem o tipo de gente que o tipo é. Virá a altura que os militantes se fartam dessas novelas. Já é hora de terem juizo. Juizinho, Agostinho.

Diogo Agostinho disse...

Sempre juizo!

Por isso me filiei no PSD! Por gosto das divergências, por achar que os nossos congressos eram apaixonantes! Por achar que no momento de eleições, todos lutavam por Portugal!

Para pedir juízo, já basta o Grande Louçã, no seu ar paroquial!