quarta-feira, maio 28, 2008

28 de Maio de 1926


Faz hoje 82 anos que se colocou fim à Primeira República com o golpe militar de 28 de Maio de 1926. Este deu origem ao período da Ditadura Militar. Suspendeu-se a Constituição de 1911, deixando o país num interregno constitucional.

Os motivos que levaram a este golpe foram essencialmente a instabilidade política, com a consequente queda dos órgãos eleitos; a crise financeira da época; e a participação na I Guerra Mundial.

A ditadura que se instaurou foi um passo para a ascensão do Professor Oliveira Salazar, que apareceu como salvador da pátria, enquanto Ministro das Finanças, ao resolver a crise financeira até então instaurada em Portugal. A sua ascensão levou o país ao conhecido período do Estado Novo, a uma reforma Constitucional radical, com a Constituição de 1933, autoritária e repressiva (seguindo modelos fascistas), à criação do partido único, a União Nacional, símbolo desse autoritarismo, assim como à criação de uma polícia política, negando a participação democrática dos cidadãos.

Ouve-se por aí “deviamos voltar à época de Salazar”!

Será?

13 comentários:

Paulo Colaço disse...

Excelente efeméride.

Já cá volto para um comentário mais demorado mas deixo esta nota:
a I República trouxe ao país o perfume de alguns direitos sociais mas os seus mentores arruinaram-na.

Nunca foi tão dificil duas pessoas trabalharem em conjunto como na I República.

Em 16 anos tivemos cerca de 50 Governos. Uma calamidade!

Era caso para muitos pensarem: se a República é isto, que volte o Rei...

Foi esse o mote para a mais duradoira ditadura da Europa.

Filipe de Arede Nunes disse...

Respondendo directamente à questão: NUNCA!
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Bruno disse...

Ia começar mais ou menos como o Filipe: para responder à questão digo claramente NÃO! Agora, isso não implica que se possam reconhcer méritos a Salazar se bem que isso possa provocar alguma azia...

A verdade é que o facto de se ouvir dizer que "Salazar é que era!" ou que "ele não era assim tão mau" só mostra que o estado a que chegámos é preocupante.

Como disse o Colaço, os tempos da 1ª República foram calamitosos (por acaso acho que os Governos foram precisamente 48 em 16 anos... fiz um trabalho de História no 9º ano sobre isso e este nº está-me para aqui guardado na memória mas não tenho a certeza).

Os tempos que se seguiram foram de alguma recuperação a nível financeiro mas de perda de direitos sociais e individuais, bem como de grande desrespeito pelos Direitos Humanos.

O pós 25 de Abril trouxe-nos até onde estamos hoje. Por isso já tantos falam numa 4ª República...

Nélson Faria disse...

Subscrevo a resposta de todos os que me antecederam.

Mas temo pelos dias que vêem. Não que exista algum perigoso proto-ditador na nossa soleira - no entanto, é sempre assim que eles entram porta dentro - mas porque os tempos instáveis em que vivemos, conta-nos a história, acabam por resultar em autoritarismo.

A desigualdade social é gritante, a crispação é notória e a crise prolonga-se anos e anos.

Costumo ser um optimista moderado, mas os tempos não são fáceis. Não estamos próximos de uma usurpação de poder, mas há muito que é notório que a classe política, e isto a nível mundial, não tem respostas para o que está a acontecer, foram ultrapassados pelos tempos em que vivem.

Como será o amanhã?

xana disse...

Basta ligar a televisão.

O desespero começa a apoderar-se das pessoas, e é precisamente assim que aparecem posições mais extremadas que bebem desse desespero para ascenderem.

Portugal está a atravessar uma crise gravíssima, e não se vê melhoras, nem em quem confiar para melhorar.

Percebo bem quando dizem que nos tempos de Salazar é que era! As pessoas viviam, de facto, melhor.

Ganha-se umas coisas, perdem-se outras. Mas a estabilidade é fundamental e a democracia existe com responsabilidade. Os governantes têm de ser responsáveis, tantos os portugueses, como os europeus.

Ainda estou à espera de eco às declarações de Sarkozy. Para bem de todos, espero que se faça alguma coisa de positivo e não fechem os olhos ao que se está a passar.

Já chega desta democracia autista.

PVF disse...

Desculpem lá mas este post tem alguma mensagem sublimar?

Para ir ao encontro desta opinião dogmatica:
“O Público” de 25.05.08
“… Manuela Ferreira Leite representa o que há de mais genuíno e profundo no partido: a tradição autoritária que vem de Salazar e Marcelo e que Sá Carneiro e depois Cavaco manifestamente receberam.”

VASCO PULIDO VALENTE

;)
Abraço

PVF

Filipe de Arede Nunes disse...

Há quem diga que se vivia melhor antes do 25 de Abril do que se vive agora, mas são naturalmente pessoas que não tem qualquer noção da realidade!
O pós 25 de Abril não trouxe apenas a liberdade e a democracia, trouxe também muito desenvolvimento económico, que faz com que hoje - apesar das imensas e profundas dificuldades que a maioria de nós também sente - se viva incomparavelmente melhor do que há 35 anos atrás.
Esse saudosismo conservador e mesquinho que alguns sentem não reside na qualidade de vida de se tinha nessa altura. É antes fruto de uma concepção anti-democrática e azeda da sociedade que muitos ainda têm!
Apesar de tudo, naturalmente que também reconheço o desespero que grassa entre os portugueses. Agora, não podemos é confundir o que não tem confusão possível. Os problemas que vivemos não são resultado exclusivo do poder político que nos tem governado nas últimas três décadas. Está também, e muito mais do que se diz e pensa, com a concepção estrutural que os portugueses têm da vida em sociedade, do trabalho, do esforço, da dedicação e da vida. São, portanto, problemas culturais que nos conduzem a um caminho que inevitavelmente vai dar a um precipício.
Ou alteramos a forma como queremos estar no mundo, ou então não há nada nem ninguém que nos salve!
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Nélson Faria disse...

Afinal não é só o jorge: a malta do passos tem mesmo a mania da perseguição ;)

Subscrevo o Filipe em tudo. O que é preocupante lol

xana disse...

Percebo a energia do Filipe na última opinião, mas não vale a pena dissecar dessa maneira o sentimento de tantas e tantas pessoas quando diziam que antes viviam melhor!

Eu não vivi essa época, mas tenho a humildade suficiente para aceitar essas palavras como verdadeiras. Claro que se ganhou tanta coisa importante, e de certeza que isso é valorizado mesmo pelos que chamas saudosistas (que existem).
Mas este sentimento que temos um país a ir ao fundo e ninguém faz nada, naturalmente, desperta em muitos a necessidade de alguma autoridade, que depois é confundida.
Penso que é essa confusão que referes.

Não chamaria mesquinhez a quem diz que preferia Salazar, chamo-lhe antes desespero...

Tânia Martins disse...

Também não concordo quando dizem que a época de Salazar era melhor do que a "nossa vida", actualmente. São períodos diferentes a nível social e cultural. O que antes era, hoje já não o é; o que antes correu bem (segundo eles), hoje pode já não correr. São realidades diferentes!

O 25 de Abril trouxe mais vantagens do que desvantagens para o país. A liberdade é o bem mais precioso que se pode ter, as garantias do homem são o pilar para uma sociedade estável. Resta então moldar governantes que saibam colocar em prática o que nos trouxe a democracia.

No entanto o post era mais para constatar factos históricos e não deixar à margem esta data importante da nossa história. O final foi mesmo uma pequena provocação ;)

Bruno disse...

Eu percebo que a Xana acredite em quem lhe diz que se vivia melhor. Mas se calhar é melhor perguntar a quem lhe diz isso: melhor em quê e porquê...

Eu acho que não se vivia melhor. Acho que havia mais pobres, menos pessoas com instrução, menos acesso à saúde (e menos tecnologia nos tratamentos também mas isso não é culpa de Salazar), menos acesso à habitação própria, menos acesso à educação (menos universidades e escolas, logo menos possibilidades de as frequentar pelo que vou escrever a seguir), piores acessos e piores transportes...

A única razão que encontro para que o país fosse mais feliz é mesmo o facto de o Benfica ganhar mais vezes ;) Mas até isso não foi exclusivo do Estado Novo (ao contrário do que os lagartos e os seguidores do presidente-suspenso gostam de dizer) porque na década de 70 e 80 ainda houve muita vitória encarnada!

Francisco Castelo Branco disse...

Se existe esse saudosismo em relação a Salazar é porque a democracia não resolveu os problemas
Pelo contrário, agravou-os

Quando os democratas em 74 prometeram mais liberdade, melhor nivel de vida, tudo e mais alguma coisa.
As pessoas defraudaram-se e veêm na nossa democracia outros males que são bem piores do que aqueles que existiam na ditadura

Mas como nao ha sistemas perfeitos.....

Margarida Balseiro Lopes disse...

Grande Post, Tânia.

Um golpe de estado que teve como prelúdio 16 anos de instabilidade política. Culminou com a instauração do Estado Novo, com um corporativismo que estagnou o país, com a austeridade própria de um Regime asfixiante.

A importância deste período, não a nego. O (pouco) que se fez para o desenvolvimento do país, também reconheço. Mas provoca-me urticária ouvir quem aluda a este tempo com nostalgia ou tentando restaurar o impensável. Talvez por ter crescido na Marinha Grande e por ser filha de jornalista, a liberdade de expressão afigura-se como uma das principais conquistas do 25 de Abril. O livre acesso a jornais, revistas ou livros que antes eram absolutamente proibidos acentua o meu respeito pelos que pugnaram por uma Democracia, onde imperasse a liberdade e a participação de todos. Só quem desconhece a história ou ignora o que muitos, como Sá Carneiro, fizeram para implementar um regime democrático pode dizer tamanha estultícia.

A maioria das pessoas que manifestam esse “saudosismo conservador e mesquinho”, como qualifica o Filipe, nem sequer eram nascidas em 1974. E as que eram, como diz o Bruno, dizem-no irreflectidamente, sem talvez saberem o porquê.

Utilizar o argumento da qualidade de vida é, no mínimo, desconcertante. Na Educação? Tempos em que o ensino não estava democratizado! Em que poucas eram as mulheres que tinham acesso às universidades? Em que uma brilhante professora da minha faculdade, Isabel Magalhães Colaço, esteve 20 anos a dar aulas sem ser remunerada, pelo simples facto de ser mulher?

Ou será na Saúde, em que os meios tecnológicos eram poucos e manifestamente incapazes de dar resposta às necessidades dos doentes?

Por isso, respondendo à pergunta da Tânia: não, obrigada!