quinta-feira, julho 31, 2008

Preso por ter cão...

Bush autorizou o cumprimento de uma sentença de morte a um soldado condenado por homicídios e violações várias.
É uma prerrogativa presidencial para casos de penas de morte a aplicar a militares.
O último Presidente norte-americano que autorizou uma execução nestes termos foi Eisenhower, em 1957.
Kennedy foi o último Presidente que teve nas mãos a vida de um militar, tendo optado pela prisão perpétua.

Não gosto da pena de morte. Devia ser universalmente abolida.Mas a pergunta impõe-se: se Bush tivesse comutado a pena ao soldado não seria acusado de proteger os senhores da farda?

12 comentários:

Paulo Colaço disse...

Tenho três argumentos para ser contra a pena de morte:
1 - Só em legítima defesa aceito que se tire a vida a outro ser humano.
2 - Citando D. Manuel II, não podemos tirar a uma pessoa aquilo que depois não conseguimos restituir.
3 - Devemos educar o povo no sentido do respeito pela vida dos outros. É a melhor forma de termos um mundo mais harmonioso.

Eu teria tomado uma posição semelhante à de Kennedy mas já vejo alguma esquerda dizer: "lá está o facínora a perdoar tipos iguais a ele".
A mesma esquerda que virá dizer: "lá está ele novamente a fazer correr sangue. Nem aos dele perdoa"...

Bruno disse...

Claro que seria acusado! Mas quem se importa com isso??? Bush não, certamete. Se há característica que o homem tem é de não ser influenciado pela repercussão que as suas decisões terão na opinião pública.

E é como dizes, Colaço: com alguma gente bacoca nem vale a pena preocuparmo-nos porque eles arranjam sempre maneira de criticar. Coerência não é palavra que lhes apareça no diccionário. Precisavam era de uma lei tipo "Sei o que disseste no comentário passado"!

Tenho apenas um argumento contra a pena de morte: a sua irreversibilidade. Ou seja, estou com D. Manuel II. Compreendo os outros 2 argumentos que o Colaço fala e mais alguns que costumam ser mencionados nestas discussões. Mas compreendo ainda mais que a Lei tem tanta mais força quanto peso têm as sanções que prevê.

Luís Nogueira disse...

Se a lei é igual para todos, que seja cumprida nos EUA. Apesar de tudo acho que Bush já demonstrou não ser susceptivel de quaisquer remorsos, ou "whatever"...

Eu também sou contra a pena de morte. No entanto defendo a ideia de que, mesmo sendo obrigados, estes reclusos de longa duração teriam de trabalhar em prole da comunidade ou da instituição prisional. Não faz sentido estar 20 anos numa cela, a ver tv, "a comer pipocas" e a pensar no dia de amanhã...

Cidália disse...

Luis Nogueira, pensar no dia de amanhã é coisa que os reclusos do corredor da morte não devem fazer, o "amanhã" só pode ser pior que o "hoje".
Sou contra a pena de morte! por tudo, por todos, sou contra a pena de morte.
Não encontro uma razão que seja para duvidar da minha posição:
Pena de morte como punição -
Pune quem, o infractor? A prisão perpétua não é mais punitiva? Estar 20 anos privado de liberdade não é mais doloroso do que 3 minutos na cadeira electrica? Agora vejam o preverso, preocupados com o sofrimento do condenado aboliram a cadeira electrica e adoptaram a injecção letal???
Pena de morte como dissuasora -
Um estudo já revelou que nos Estados onde se aplica a pena de morte, o crime não diminuiu
A prisão tem uma tripla função:
punir, educar e reintegrar.
Qual destas três funções se consegue com a pena de morte?
Sou mesmo contra.

Anónimo disse...

Pouco mais posso acrescentar à discussão. Para uns a morte é uma forma de libertação, para outros uma sentença, enfim.
Não há nexo lógico em punir um criminoso com a pena de morte, tendo este morto alguém. Não faz qualquer tipo de sentido.
Os crimes por alguém praticados podem ser hediondos, de uma selvajaria pura e por isso devem ser punidos duramente. Tal como diz a Cidália e bem, a prisão perpétua é bem mais punitiva.
Neste caso particular, para mim, é o que menos importa se Bush é acusado de defender a ala militar.

A vida humana é inviolável.

Inês Rocheta Cassiano disse...

Ups, esqueci-me de assinar mas o comentário anónimo é meu.

Paulo Colaço disse...

Uma pergunta provocatória para a Cidália:
- Acha que todos os reclusos são "reintegráveis"?

Fui-me ;)

Tânia Martins disse...

Eu sou contra a pena de morte também, nem vale a pena expor aqui argumentos porque haveria uma repetição infinita dos vossos. O direito à vida não se deve, nem pode, submeter a qualquer outro.

Subscrevo integralmente o comentário da Inês!

Bruno disse...

Tânia Martins disse...
O direito à vida não se deve, nem pode, submeter a qualquer outro.

Ai, ai, ai! Tenho mesmo de dizer isto: estranho comentário para quem defende o direito de uma mulher a abortar apenas por opção...

Cidália disse...

Paulo Colaço, respondo com outra pergunta: e a reintegração enquanto serviço institucional só faz sentido se o resultado for 100%?

Não sei qual a percentagem de sucesso do IRS mas sei que existem casos dramáticos onde reintegrar não é possível. Há casos que não são trabalhaveis de tão dramáticos. Existem reclusos que quando acabam de cumprir a pena têm que sair da prisão. O sistema não os pode deter mais do que o tempo a que foram condenados e para onde vão? - Sem casa, sem meios, sem empregos, a família e os amigos há muito que os esqueceram e querem é vÊ-los longe - vão para onde? o que faz o IRS nestes casos???
A solução muitas vezes é voltar a reincidir no crime.....

Tânia Martins disse...

Bruno:

isso é uma questão de entender o conceito: como já te disse muitas vezes, para mim só morre quem nasce!

Mas há outro exemplo, defendo a eutanásia, porquê? Porque se trata de uma opção da pessoa em causa, em abolir o sofrimento terminal!

Quando afirmo que o direito à vida não se deve, nem pode, submeter a qualquer outro, falo no sentido de ninguém estar no direito de retirar a vida a ninguém. Nem mesmo do pior serial killer que tenha existido! Como já disseram a prisão traz sofrimento e pode trazer também uma limpeza de consciência que acabará pela tentativa de reingresso na sociedade! Por isso: pena de morte, não!

Bruno disse...

Tanucha, claro que o meu comentário foi uma provocaçãozinha ;)

Se bem que não creio que devas ser tão taxativa como foste na frase que escreveste quando existem excepções na tua mente. E até aceito que não consideres o aborto uma excepção por considerares que não há vida nesse caso. Não concordo mas aceito que penses assim.