sábado, julho 05, 2008

Hitler e a Borracha


Um homem de 41 anos foi hoje detido por arrancar a cabeça da figura de cera de Adolf Hitler no Museu Tussauds de Berlim.

Terá sido um acto simbólico de desagrado mas leva-me a um ponto diferente. Preservar a memória histórica é essencial, do meu ponto de vista. Alguma opinião pública alemã criticou a presença de Hitler no recentemente inaugurado Museu Tussauds de Berlim. Eu pergunto: mas Hitler terá sido um produto da nossa imaginação? Não terá existido mesmo?

E se amanhã demolirmos o Castelo de Lisboa por ter sido construído por "ocupantes árabes"?

11 comentários:

Paulo Colaço disse...

Estaline apagava das fotos oficiais dirigentes russos para que não mais se falasse deles.
A opinião pública alemã quer fazer o mesmo com Hitler?

É com memória que se combatem os erros do passado.

Cláudia Elias disse...

Na minha opinião, o acontecido não é sinal de que a opinião pública alemã queira apagar a história. Trata-se de um indivíduo, não de um movimento de vários indivíduos, sequer de uma atitude da sociedade.
Aliás, os alemães lidam com muita prudência (i.é, com muito silêncio e algum alheamento) com o seu passado recente. É um fardo que carregam com a sua própria identidade nacional. É um embaraço. E poucos gostarão de invocar os seus próprios embaraços.

Paulo Colaço disse...

Cara Claudia, obrigado pelo seu comentário e seja bem-vinda ao Psico.

Reconheço que a sociedade alemã seja prudente neste campo mas o artigo do Público refere que "a presença da figura do ditador germânico [no museu] tinha já gerado duras críticas antes da inauguração".

Não sei de onde vieram as críticas mas para serem citados, será que vieram de sectores irrelevantes da opinião pública?

Luís Nogueira disse...

Este episódio faz-me lembrar os protestos em Sta Comba Dão, de que com a construção de um museu se estaria a pretender reescrever a história, fazendo uma espécie de apologia ao fascismo e ao mesmo tempo, santificando um ex. governante.
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Discordo destes argumentos. Aqui como em Berlim, trata-se apenas de caracterizar fielmente a História, apesar do medo, dos fantasmas e da intolerância que caracterizam a mente de muitas pessoas.
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Concordo absolutamente com o que dizes Colaço, pois a memória da História é um forte inibidor de possiveis erros no presente.
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PS(D)Welcome Cláudia :)

Paulo Colaço disse...

Exacto.
Os nosso filhos deverão saber tudo sobre a nossa História. Dos feitos de Vasco da Gama aos poemas de Camões, passando pela ignomínia do tráfico negreiro e pelo retrocesso do Estado Novo.

Cláudia Elias disse...

Tenho verificado que os Alemães, perante o seu passado sombrio, ficam silenciosos. E a atitude congruente com esta tendência será nem reagir a estímulos como o do museu. Não estou a ver a opinião pública alemã a esconder o Hitler. Em Hitler não se mexe, nem para bem nem para mal. Muitos Alemães ainda estão a tentar acomodar nas suas estruturas mentais o sucedido nas décadas de 1930' e 1940'. Ainda estão a tentar perceber como foi possível apoiar histericamente o regime. Esforçam-se para encaixar Hitler na sua história. Não porque tenham dúvidas sobre a validade do regime mas porque não sabem como explicar a sua participação no sucedido. Por isto têm dificuldade em pronunciar-se sobre assuntos relativos ao ditador. É que se se esconde, o que é que o mundo vai pensar? E se se exibe em solo Alemão?

Cidália disse...

Inscrever Hitler na História, claro que sim.
Viveu uma época e marcou-a, por isso, acho que os Alemães têm obrigação de não deixar que o mundo o esqueça.
Podem, inclusivé completar a estátua dele com duas ou trÊs de judeus escanzelados ou então, para quem goste de grandes superficies, pôr um enorme comboio a rebentar de esqueletos ou uma enorme camara de gás com seres aterrorizados.
Os Alemães podem e devem dar Hitler a conhecer ao mundo para que não se volte a cair na tentação de defender nacionalismos exacerbados.
Concordo com a Cláudia no que respeita à atitude dos Alemães, tÊm sabido gerir a imagem apesar do lamentavel exemplo.

Nélson Faria disse...

Eu acho a fobia alemã contra os Nazis pouco saudável. E uma aberração condenar alguém a penas de prisão por negar o Holocausto ou professar a "ideologia" nacional-socialista.

Hitler foi um monstro. E está inscrito na história como um monstro.

É aceitar a figura com tranquilidade. Vigilantes, mas tranquilamente.

Manuel Monterroso disse...

Estou de acordo com o Colaço e com o Luís Nogueira.
É preciso recordar o passado para que as histórias tristes da nossa sociedade não continuem a repetir-se constantemente.
Não devemos nem podemos ficar indiferentes a Hitlers, Mussolinis ou a ditadores carniceiros mais recentes como Mugabas..
Ninguém está a prestar a homenagem aos monstros do passado mas antes dar a conhecer os rostos de doentes políticos que devastaram o mundo com as suas políticas e loucuras...
Tenho dito.

Tânia Martins disse...

Com pouco tempo para escrever quero deixar três notas (apesar de muitos terem dito o mesmo) :

1. A História existe e não pode ser apagada, os factos são para ser contados, afinal o que fortalece o futuro é o passado.

2. Adoro a ideia da Cidália de completar a estátua, até porque seria uma forma de concretizar os factos (estar atrás de uma secretária é coisa que todos os governantes fazem). Acho que os alemães a deveriam adaptar, quiçá a ler o psico de lembrem disso ;).

3. Por mais que as pessoas tenham sofrido no seio de regimes autoritários, não têm o direito de fazer com que este caia no esquecimento das pessoas, mas pelo contrário, têm o dever de relatar e testemunhar a realidade desses factos.

Margarida Balseiro Lopes disse...

Uma professora da minha mãe definia a História como: a sucessão de sucessos que sucedem sucessivamente sem cessar."

Apagar a história é aumentar exponencialente as possibilidade de ela se voltar a repetir, com efeitos mais devastadores.

Recordo-me da polémica do Museu Salazar que ainda subsiste). Não é difícil explicar a vitória de Salazar no concurso dos Melhores Portugueses...