segunda-feira, julho 14, 2008

Capitalismo nacionalizado...

A Meca do Capitalismo, da Mão Invisível e do Liberalismo Económico, nacionaliza hoje o IndyMac Bank, como consequência da sua impossibilidade para cumprir as obrigações junto dos seus clientes. O Banco reabrirá como IndyMac Federal Bank. É a crise do sub-prime. Nos Estados Unidos, e após a Crise de 29, foi criada a Federal Deposit Insurance Corp. (FDIC). Uma entidade Federal que segura parte dos depósitos dos clientes dos Bancos que para ela contribuem com prémios chorudos.
Ora, o sistema está em colapso. Já foi um, temem-se outros. E se forem realmente mais? Onde está a essência da América? A sua capacidade fria e calculista de separar o trigo do joio?
Há cerca de 6 anos que a América económica anda muito mal. E anda com mixed signals... Os grandes brincam com o dinheiros dos pequenos. Aqueles safam-se, estes lixam-se. O Mundo sofre. E depois livra-se tudo com taxas de juro baixas, irrealistas.
Este Neo-Conservadorismo (os neo-Cons de Bush e Cheney) que assola a América, está a penhorar o nosso futuro...
O Mercado não está a funcionar e as consequências vão ser catastróficas. Para todos nós, e é por isso que este assunto nos interessa.

91 comentários:

jfd disse...

Entretanto o Secretário do Tesouro, Henry Paulson, pediu ao Congresso que lhe fosse dada autoridade para auxiliar as companhias Fannie Mae e Freddie Mac que detêm quase metade dos $12 triliões das hipotecas Américas.
Com esta autorização, estas empresas recorrem directamente ao crédito central.
Isto é uma aberração.
Mas também, como se poderia resolver este problema? Era deixar as duas entrar em falência? Deixar o País viver a crise e ela alastrar-se ao Mundo e esperar que fosse rápida?

Eu prefiro sempre tirar o penso rapidamente, do que o ir tirando aos poucos...

Paulo Colaço disse...

Tirar o penso rapidamente pode danificar os tecidos mais agarrados a ele, Jorge.

Aqui não há leis científicas.

A corrida aos bancos é um dos pesadelos da uma sociedade que começa a entrar em colapso. Não me choca que o Governo entre em acção nestes casos. Põe-me é doente que haja essa necessidade.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Este Neo-Conservadorismo (os neo-Cons de Bush e Cheney) que assola a América, está a penhorar o nosso futuro...

Já percebi que tu não gostas mesmo nada desta "corrente", mas a ser franco a culpa não é deles [embora tenham as costas larguissimas ;)]

Se queres culpar alguém podes começar pelo Alan Greenspan. Depois se quiseres mais alguém para a festa podes juntar Bernanke - actual governador da Reserva Federal - que deu cobertura académica a uma fraude económica. E se quiseres uma "corrente" para pregar à parede aqui vai uma sugestão: Novos Keynesianos [Não confundir com Neo Keynesianos, que isso é outra escola ;)] e o "fabulastico" modelo que inventaram e pelo qual se regem na Fed - Dynamic Stochastic General Equilibrium... dinheiro, moeda, crédito e mercados financeiros não interessam. Logo, não tens de te preocupar com bolhas criadas com baixas taxas de juro.

A Indy Mac nem é o verdadeiro problema: não é uma nacionalização per si. É mais a passagem a gestão administrativa do governo federal, para liquidação ordenada de activos, reorganização e venda posterior. Relembre-se que a Indy Mac foi uma criação da já infame Countrywide FInancial para vender as hipotecas grandes demais para entregar à Fannie Mae (FNM) e à Freddy Mac (FRE). E aqui reside o problema: Government Sponsered Entities (GSE).

Estas duas foram criadas no New Deal, depois de 1929, para injectar dinheiro no mercado imobiliário. Era necessário na altura. Em troca, estas duas empresas receberam uma garantia implicita: em caso de default, o governo federal entraria. Comprar divída GSE era quase equivalente a comprar divida publica norte-americana. Entretanto o governo engordou, consideravelmente - salvo breve interregno com Reagan - e vive muito acima das posses. E a FNM e a FRE também engordaram: um portfolio de 6 biliões de dólares [o triliao deles é o nosso bilião... 12 zeros] à conta de uma "jogada" simples: endividavam-se à taxa de juro sem risco, emprestavam à taxa de juro de mercado, ficavam com o spread. Isto praticamente sem grande esforço. Porquê? Devido à garantia implicita!! E agora essa garantia vai ser testada...

O Mercado não está a funcionar e as consequências vão ser catastróficas. Para todos nós, e é por isso que este assunto nos interessa.

Este é o problema meu caro: o mercado está a FUNCIONAR. Não está é a ir para o lado onde queremos. Durante quase 20 anos, correram deficits gemeos, taxas de juro reais negativas, criaram bolhas e levaram a taxa de poupança a zero. Isto pagasse... caro.

O mercado está a funcionar: já não aceitam obrigaçoes estruturadas de hipotecas falidas com ratings iguais a estados. Está a funcionar ao forçar bancos a desalavancar balanços, consumidores a retrair, familias a poupar... e está a funcionar quando o mercado de default swaps - uma especie de seguro para obrigaçoes - está a preçar a perda do rating AAA por parte dos EUA, nesta questão das GSE...

No meio disto tudo, Bush e os Neo Cons tiveram um problema de timing: surgiram no momento errado ...

jfd disse...

Colaço, errado, há leis cientificas! As das ciências Económicas ;)

Guilherme,
é sempre um gosto ler esses teus comentários.
Acredito que o mercado não está a funcionar, porque as decisões tomadas baseiam-se naquilo que aqui nos reportas. Num modelo que ainda não terá amadurecido o suficiente para dar provas de eficácia. Não têm realmente em conta as bolhas, mas e as ondas de choque? Afinal, onde entra a globalização nesse modelo?

Estão todos contentes nos EUA com a quantidade de empregos que estão a voltar, graças ao dólar fraco. Mas há modelos que perduram no tempo, e se o emprego aumenta nos EUA, mais tarde ou mais cedo a moeda volta ao lugar...

Estes são os pressupostos dum mercado que tu dizes funcionar.
Compreende o meu ponto de vista, de algo que não considero que esteja a funcionar! Também percebi o teu, e acredita fiquei com uma visão bem mais abrangente.

Não conhecia esse DSGE, e já fiquei muito curioso, vou ler isto http://www.house.gov/jct/x-52-06.pdf .
Assim como vou investigar esses Novos Keynesianos, mas permite-me que te pergunte desde já a diferença entre estes e os Neo Keynesianos.

Quanto às GSE, faziam sentido na altura. Ainda farão?
Repara que, e dizes tu muito bem, aquele Estado emagreceu aquando de Reagan, tendo ficado com um super avit com Clinton, e agora com um major deficit presente e futuro com W.Bush.
Ora, onde cresceu o Estado? Cresceu com eficiência? Não! É que nem a Guerra está a ser paga directamente dos cofres do Estado senão me engano! O dinheiro está a ser utilizado ineficazmente.

Então no caso das GSE e no momento em que nos encontramos, para mim, faria muito mais sentido, deixar cair as empresas, e pegar no dinheirão que se vai gastar e minimizar as questões sociais.
É que estes senhores, são muito auxiliadores do Big fish e não auxiliam os pequenos, os que são realmente prejudicados. E eu sou Social Democrata caramba!
Por isso é que só por ignorância é que alguém ainda pode continuar a dizer que esta administração tem feito um bom trabalho nos Estados Unidos.

É bem feito que os bancos tenham resultados negativos e que os Americanos deixem de utilizar as casas como Multibanco. Mete-me raiva como é que isso me está a afectar. E também graças às opções do Governo, mas isso é outra conversa.
Como se justifica, pedir um empréstimo num quiosque sem se ter rendimentos justificáveis, e depois esse e muitos outros chegarem à Europa em forma de produto estruturado para investidores e com excelentes ratings das melhores casas?
Onde estão os esforços dos Neo-Cons para perseguir e encarcerar os culpados?
É por isto que o Presidente e o seu sanguinário e manipulador Vice são os culpados.

No meio disto tudo, eles nem deveriam era ter sido eleitos, e o mundo seria um local muito melhor. E quem não acredito nesta frase está em profunda negação.

Paulo Colaço disse...

O Marx tambem falava em comunismo científico, Jorge...

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Ora bem, por ordem:
A diferença entre os Neo e os Novos é uma questão de idade e "expectativas" ;) Sucintamente, o modelo original não previa estagflação, esta aconteceu. A malta voltou à "sala de aula", o modelo foi refeito com expectativas [adaptativas] e a permitir choques de oferta [o modelo keynesiano original quase não faz mensão ao lado da oferta]. Estes são os Neo Keynesianos. Os Novos Keynesianos vão mais longe, criam um modelo (DSGE) parecido com o modelo neo classico com expectativas racionais - o modelo keyesiano e neo keynesiano tinha varios defeitos, um deles erros sistematicos dos agentes - e uma diferença: sim são racionais mas os preços são "pegajosos", aka demoram a ajustar. Normalmente a moeda e crédito são exogenos e mercados financeiros são irrelevantes - pelo menos no mundinho deles...

Quanto às GSE, são neste momento too big to fail e não apenas um problema económico mas um problema de negócios estrangeiros.

As GSE fazem sentido? Fazem no modelo que deu origem ao subprime: faz hipoteca, financia a hipoteca quase sem risco, securitiza a hipoteca, estrutura a hipoteca numa pool, vende hipoteca ao juro de mercado, fica com o spread. O problema é que isto já não cola, e os bancos estão a reavaliar tudo de volta para os seus balanços - crescimnento involuntario.

Mas tem em atençao que ainda existe imenso papel - CDOs, ABCPs, Cubed CDOs e outros estruturados - que têm como garantia hipotecas.... e advinha lá quem garante 1/2 do mercado imobiliário norte-americano? As GSE! Se aquela roda sai do sitio tens uma desalavancagem e um repreçar de imensos activos que por ai andam... e muito banco vai ter mais perdas.

Depois surge a questão da divida das GSE: Agency Paper, como são conhecidos. Para quem não sabe, um pequeno 101 sobre taxas de juro e obrigações: são feitos à base de premios de risco sobre um activo sem risco. Por exemplo, cá na europa - o benchmark é a Bund alemã (OT a 30 anos). Depois é somado um premio de risco pelos investidores. Se fores um estado é pequeno - portugal por exemplo tem um premio de risco de 0,20 por cento, que pode aumentar via nosso endividamento. As empresas têm prémios de risco superiores como é obvio.

Excepto nas GSE: a garantia implicita do governo federal baixou artificialmente o premio de risco duma empresa que teria tido um premio muito maior - e nunca poderia ter feito o jogo endividamento barato e vender hipotecas caras. De facto, Agency Paper é praticamente equiparado a divida publica (implicita).

Queres advinhar quem é que tem toneladas daquele papel?

Japão - 150 mil milhões - 3% do PIB deles
China - 600 mil milhões - 10% do PIB deles
Russia - 250 mil milhões - 10% do PIB deles... the goes on!

Agora, se a garantia for colocada em questão, e no limite os EUA incluirem aquele papel na divida publica - ou seja, agency paper torna-se tresuries - a China fica com por exemplo 25% do seu PIB emprestado ao governo dos EUA...

Existe um ditado de quem trabalha em mercados financeiros:
"Deves 100 mil ao banco - ele é teu dono... Deves 100 milhões ao banco, tu és dono do banco"...

E a questão é: se os EUA fazem o bailout, aquilo torna-se divida publica mas o mercado vai vender as tresuries que têm, aumentando os spreads - os EUA na pratica duplicam a divida publica - e causando imensas perdas no grupinho China/Japão/Russia/Golfo e um aumento das taxas de juro lá...

Se não fazem o bailout então alguns paises arriscam-se a perder uma grande parte do seu PIB da noite para o dia ... too big to fail

Quanto às culpas:
A verdadeira culpa é da politica dos últimos 25 anos de não deixar os investidores e empresas bater na trave. Isso está estudado: risco moral Se eu sei que vou ter um bailout com dinheiro publico se as coisas correrem mal, mas quando corre bem eu fico com o dinheiro, eu vou correr riscos desproporcionais.

A economia de mercado funciona pelo factor "dor": o cerebro humano aprende por tentativa e erro e a dor introduz um factor de aprendizagem. Se retirares a dor, retiras os incentivos para ser prudente, e passas a ir de bolha e bolha... e isto não é culpa dos neo con

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

PS: nunca pensei dar por mim a defender os Neo Con ;) LOL

Quanto às leis económicas, às vezes não são assim tão certas e cientificas como se pensa... o problema é quando se confunde o modelo com a realidade ou se sucumbe à tentação de "martelar" o modelo para que ele produza a resposta que os politicos querem dar às populações...

jfd disse...

Colaço pois é ;) Mas vamos falando e logo se vê. Mas em tempos difíceis tenho de me refugiar em algo que não seja tão arbitrário como a minha vontade

Guilherme, essa culpa de facto não é dos Neo Cons. Mas a culpa de descaradamente massificar o bailout fazendo disso quase uma instituição , não lhes podes tirar. E agora não posso ser exaustivo, mas repara que, os riscos só se tomam em ambientes propícios a tal!

Excepto nas GSE: a garantia implícita do governo federal baixou artificialmente o premio de risco duma empresa que teria tido um premio muito maior - e nunca poderia ter feito o jogo endividamento barato e vender hipotecas caras.

Logo, fica justificado o meu ponto de vista de o mercado não funcionar! Sobre uma base sólida, edificam-se produtos com alicerces fajutos e betão desarmado, e no fim vem uma agência e dá-lhes um AAA e pronto, siga para Bingo.
E lá vai o mundo inteiro investir com a segurança e confiança de quem aprova impunemente.

Continuam sem culpas no cartório?
Partilho de muita da tua visão das coisas, mas depois há um grande choque Guilherme. Penso que falhas um pouco na responsabilização. Teimas em responsabilizar quem de direito. E se fizeres o caminho para trás podes fazer o pin point de onde está o problema. E os Americanos são exímios nisso. Agora, quem começa esse caminho? É quem está lá agora, e não começando, para mim é responsável pela continuação. O passado já lá vai, só o presente pode influenciar o futuro.

PS - Guilherme não assustes pela defesa aos NCs, a conversa tá interessante!

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Logo, fica justificado o meu ponto de vista de o mercado não funcionar! Sobre uma base sólida, edificam-se produtos com alicerces fajutos e betão desarmado, e no fim vem uma agência e dá-lhes um AAA e pronto, siga para Bingo.
E lá vai o mundo inteiro investir com a segurança e confiança de quem aprova impunemente.


Estás a falar de dois problemas distintos: no caso da GSE, o mercado correctamente preçou a garantia dos EUA. Nunca o governo federal vai deixar falhar uma das peças de Bretton Woods II [o sistema em que a poupança asiatica é canalizada para os EUA permitindo este correr deficits cronicos com garantias de valor esperado igual a zero].

No caso do papel AAA, tiveste um problema classico de informação assimétrica: os originadores sabiam algo que os investidores não, e estes confiaram a valor facil. Não fizeram a due dilligence. Agora engulem as perdas!! Sejam bancos, hedge funds, fundos de investimento. É esse o mecanismo de responsabilização: tomaram risco a mais, assumam as perdas e desalavanquem balanços!

No inicio da década de 90, o banco mais antigo do mundo - Barings, que esteve envolvido por exemplo no financiamento da venda do Louisiana - abriu uma sucursal em Singapura. O objectivo da sucursal era fazer trading de derivados - instrumentos novos na altura - e puseram à frente um senhor chamado Nick Leeson. Gestão de risco zero. Perdas de 8 mil milhões levaram o banco ao chão. O Banco de Inglaterra pegou no banco, liquidou contas - entre elas as contas da casa real, que lá estavam - e vendeu o banco por 1 Libra. A familia Barings foi para à falencia... e não é que seis meses depois todos tinham implementado sistemas de controlo de risco e divisão de back offices? Não foi preciso regulamentação, acordos de Basileia ou outras brincadeiras... todos perceberam a mensagem do Banco de Inglaterra: não estamos a dormir...e não interessa quem são, são vendidos por 1 Libra, se for preciso.

Let the chips fall were they may...

Quanto aos actuais responsáveis, não tenho duvidas que quando a poeira acentar vai haver muito apontar de dedo. Atrevo-me mesmo a fazer um pouco de futurologia: as empresas de rating vão ser as auditoras desta decada. Resta saber quem vai tomar o papel de Arthur Andersen, e ser mandada à trave para dar o exemplo ...

Paulo Colaço disse...

O Guilherme disse: "PS: nunca pensei dar por mim a defender os Neo Con"

Tá tudo louco. Daqui a pouco veremos o Salgado, o Né e o João Marques virão defender o maoísmo...

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Essa quase que pagava para ver ;)

LOOOOL

jfd disse...

Ó Guilherme, falando da Arthur Andersen...
Os castigos e remédios foram proporcionais aos estragos?
Duvido... Mas no entanto foi tudo muito contido.

Agora temos um problema transnacional. E a porcaria dos EUA não abdicam da jurisdição para nada. Havia de ser criada uma estrutura transnacional para julgar crimes económicos e financeiros Mundiais.
Prisão perpétua. Bandidos.

O caso do Barings foi realmente uma marca histórica. Mas o que teria acontecido se a sua sede fosse em Wall Street?

Um saltinho rápido para o caso Português.
O caso do BCP. Fiquei parvo com o que li na imprensa de sexta e de fim de semana. Com a contabilidade que por ai anda. Acabei o curso, tenho tudo fresco na cabeça, mas alguém deve ter acabado o curso há muito tempo. Pois desmobilizar provisões, às contas de activos que ainda são garantias... Talk about magic E quem fala em BCP fala em BPN e fala em muitas outras coisas.

Sinto-me roubado por exemplo.
Fui um dos idiotas atrasados mentais que foi na conversa do Mexia e da CEO da EDP Renováveis. E agora? Agora chucho no dedo. Comprei caro o que podia ter comprado barato. Onde estão os reguladores? Quem supervisiona?
Onde estão os analistas? Para onde rolam as cabeças que nunca vi nenhuma pousar no chão? Como é coberto de risco o meu fundo de pensões particular?
Palhaçada!

Mas também, usam-se das pessoas. Não é por acaso que uma das manchetes de hoje é;
Um terço dos portugueses que investe em mercados financeiros é reformado ou desempregado, só tem a 4ª classe ou menos e admite que tem pouco conhecimento sobre a bolsa.

http://dn.sapo.pt/2008/07/14/economia/cmvm_preocupada_ignorancia_investido.html

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Oh JFD, regra número 1, não se compram acções em Ofertas Públicas quando está dependente de rateios e estás sujeito aos flippers - não, não é golfinho ;) é a malta que compra no rateio e vende na abertura da secção, fazendo a arbitragem. As OPVs vem sempre por cima. E porquê? Porque numa OPV a intenção de quem a faz é financiar o seu negócio. E é perfeitamente legitimo e desejável que assim se faça. Financiar negócios em bolsa aumenta a liquidez e a informação no mercado, obriga as empresas a maior corporate governance.

Agora, e não me leves a mal o que te vou dizer:
Se compraste EDP Renováveis por que o Mexia disse que era bom, então desculpa lá mas se calhar o melhor que tens a fazer é entregar o teu dinheiro a um fundo de investimento.

Repara bem: uma simples volta ao prospecto e a umas quantas análises e vias que a EDP-R ia com multiplos altos para a bolsa. A avaliação da empresa era de 8 mil milhões, o preço do rateio fazia avaliação a 7,8 mil milhões - não há grande espaço no curto prazo.

Agora, outra questão que tens de ter em mente é que investimento em acções é para o longo prazo! Nem seis meses passaram meu caro...

Isto para não te dizer que tecnicamente nem tens que acertar na "direcção" do mercado - até pode ser entradas estilo moeda ao ar - que o essencial é a gestão do dinheiro, diversificação e da alavancagem, para gerar "expectativa matemática positiva", mas é para isso que servem os gestores de fundos de investimento! Se te queres aventurar sozinho então tens de fazer muito bem os trabalhos de casa, e não podes dps dizer: "fui na conversa do CEO". A conversa do CEO é sempre para subir as acções! E mais importante: os reguladores aqui não têm nada que se meter... quem investe fora do ambiente dum fundo de investimento arrisca-se!

Com o BCP já é outra conversa: começa a ser um claro caso de fraude, que deve ser punido com a maior das forças...

jfd disse...

Guilherme, vi isso tudo, mas claro com o meu olho e ponto de vista muito pessoais ;)
E é claro que estava à espera da easy ride, mas pronto, o que eu queria de curto, passou a longo. Aguardo a alavancagem do capital disponível na EDP-R. A ver se serão bons investimentos e com bons retornos.

Mas discordo de ti.
O regulador, aliás, o supervisor tem muito que dizer.
Quando, durante o IPO, o CFO vem dizer que o único problema da empresa pode ser a falta de vento, está claramente a fazer de burros os investidores.
E quando a imprensa, dia após dia, divulga os números de rateios e mais não sei quê como se fosse a chegada do primeiro canário falante à lua, é muito estranho.
E depois ainda recomendações disto, daquilo e tudo e tudo, e agora ninguém diz nada!
Onde estão as recomendações que eram feitas? Os especialistas? Os artigos no DE no JNegocios e afins? Afinal a empresa morreu? Desapareceu?
Os supervisores têm muito que fazer sim.

Essa gentinha anda toda muito mal habituada!

Sorry Guilherme ;)

jfd disse...

Quanto ao BCP estaremos cá todos para ver com quantas pessoas e de que hierarquia será escrita essa sentença!

A montanha vai parir 3 ratos.
Aposto!

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Mal habituados?

Andam sim... habituados a que os reguladores façam o trabalho que é dos investidores: Due Dilligence! O mesmo problema do sub prime - estava tudo à espera que o regulador fizesse o trabalho que era deles: confirmar o que raio estava por detrás do estruturado e perceber de onde vinha o dinheiro!

Regra cardinal de investimento: nunca invista num negócio que não percebes!

Se não percebes muito de negócios então dá o teu dinheiro a quem perceba.

Eu "trabalho" no mundo dos fundos de investimento: atenção ao que o CFO diz? Nenhuma. Eles são vendedores, e fazem tudo para vestir a menina. É tua função enquanto investidor confirmar isso, ler o balanço, as demonstrações de resultados, procurar análises, ver os riscos do negócio - e não estar à espera de almoços gratis!

Comprar acções porque o Diario Economico diz? Mas estás louco?

E dirás: então e quem compra com base nisso? E eu respondo: quem compra arrisca-se a uma perda e aprende a lição - responsabilidade pelas acções proprias. Para a próxima já sabe onde não pisar! Aprendizagem... é um processo complexo.

O problema é que não: estão sp à espera sempre que seja o regulador a fazer esse trabalho. Falas de responsabilidade, então ai a tens: és responsavel pelo teu dinheiro e se te arriscas fora da tua área para o investir a responsabilidade de perderes por te deixares levar pelo "vendedor" é tua.

jfd disse...

Atenção meu caro.
Já não estamos a falar de mim!
Porque as minhas aventuras faço-as eu e com a consciência do risco que tomo. E das loucuras que cometo.
Responsabilização. Não uso o termo só quando me convém ;)


Mas tu és esperto ;)
Fica tudo nas mãos de quem investe.
Ora aí está o capitalismo liberal. A sobrevivência do mais forte. E quem é o mais forte? É o mais informado!

Pois mais uma vez divergimos.
Os senhores supervisores têm de intervir sim senhor.
Têm de por tento na língua do senhor CFO e do senhor CEO que não estão na praça a regatear e têm de ser consequentes com as afirmações que dizem, assim como os jornais com as imprimem, assim como os analistas e researchers com o que divulgam.

A entrevista de sexta feita do senhor Supervisor/Regulador (só neste país mesmo!) é muito interessante! Aliás, extremamente lúcida. Quando todos julgamos que a bolsa está em saldo ele vem alertar que nada disso. Afinal o PER está longe se ser equilibrado e realista.

As empresas empolaram os seus ganhos financeiramente nos últimos anos por ocasião de reestruturações ocasionadas pelas crises e poupanças em larga escala, e estruturalmente? Onde está a sustentação dos fluxos? Nem ver!
Porque já perdeu milhões e milhões em capitalização por exemplo o grupo Sonae? Está a ir para o preço justo, ou em descida?

Vê-se isto e similares tratado seriamente em alguma imprensa?

O supervisor haveria de andar com uma corda ao pescoço de cada um dos players, sempre pronto a dar o esticão se necessário.
É esta a minha visão.
Liberdade total, mas dentro das regras!

Guilherme Diaz-Bérrio disse...


A entrevista de sexta feita do senhor Supervisor/Regulador (só neste país mesmo!) é muito interessante! Aliás, extremamente lúcida. Quando todos julgamos que a bolsa está em saldo ele vem alertar que nada disso. Afinal o PER está longe se ser equilibrado e realista.


E quem estiver disposto a pagar o "premio" para deter acções faça favor. PER alto significa que o tempo de retorno para o investimento é maior. Se estás disposto a correr o risco, o mercado está lá! Só falta dizeres que o Estado deve ditar a banda de flutuação do PER por decreto administrativo, não? [para quem não sabe: PER é o Price to Earnings Ratio, ou seja, Preço da acção a dividir por Resultados por acção] Quanto ao quase todos acham que o mercado está a saldo, nem todos... mas nem todos os investidores se dão ao trabalho de abrir o excel e fazer contas com informação publica

Quem decide preços justos é o mercado, não um regulamento administrativo da CMVM. Quem investe sozinho em acções está a fazer trapézio sem rede, e é bom que tenha consciencia disso!

O que o regulador deve intervir é na divulgação da informação: os investidores devem ter toda a informação disponivel, de modo a não surgirem casos de informação assimétrica. Punir casos de inside trading e uso de informação priveligiada que levam a momentos de selecção adversa num mercado. O resto é risco do investidor e este deve ter consciencia disso.

Se eu tenho um problema com a televisão não a vou abrir e meter os dedos lá dentro! Se o fizer arrisco-me a fazer pior e ter de comprar outra... já agora os fornecedores de TV deviam regulados e dar formação de concerto de TVs ao publico? Claro que não... levas a TV a quem sabe.

Se tens um problema juridico vais-te defender sozinho, correndo riscos de não saberes nada do que estás a fazer? Claro que não! Vais telefonar a um advogado, a alguém que saiba o que faz!

O mesmo com os investimentos em bolsa... é uma questão de especialização: todos temos a nossa ;)

jfd disse...

LOLOL
Claro que defendes a tua "dama" ;)
A minha opinião / visão sobre este assunto é aquela que escrevi ;)

Não falei em nada próximo da leitura que te gera este comentário:
Quem decide preços justos é o mercado, não um regulamento administrativo da CMVM.

O mesmo com os investimentos em bolsa... é uma questão de especialização: todos temos a nossa ;)

És um snob ó PCL ;)

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Está-me a escapar o significado de PCL LOL

Quanto à visão da coisa: a tua visão é que o regulador deve proteger o investidor das suas perdas. A minha é de que quanto muito o regulador deve é promover acções de formação onde explique os riscos envolvidos para aqueles que não têm o bom senso para o perceber...

Finanças pessoais no curriculo das escolas, por exemplo... o resto são perdas da tua responsabilidade

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

esquece: PCL - Porco Capitalista Liberal

Com muito orgulho ;)

jfd disse...

LOL ;))))))))))))) Já lá chegaste ;)))))

Quanto à visão da coisa: a tua visão é que o regulador deve proteger o investidor das suas perdas.

Não seja precipitado nem tendencioso caro Guilherme!
Escrevo assim tão mal que foi essa a percepção que passei?

Os senhores supervisores têm de intervir sim senhor.
Têm de por tento na língua do senhor CFO e do senhor CEO que não estão na praça a regatear e têm de ser consequentes com as afirmações que dizem, assim como os jornais com as imprimem, assim como os analistas e researchers com o que divulgam.



O supervisor haveria de andar com uma corda ao pescoço de cada um dos players, sempre pronto a dar o esticão se necessário.
É esta a minha visão.
Liberdade total, mas dentro das regras!


Afinal parece que me expliquei bem...
Tu é que não te livras do teu bias ;)))))

Filipe de Arede Nunes disse...

Gosto muito desta temática, mas os especialistas não me permitem acompanhar o assunto... É tudo desmasiado técnico!

Ainda assim, obrigado.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Daniel Geraldes disse...

Só um maluco comprava a EDP Renovaveis com um PER de 69, só um maluco comprava EDP com os niveis de endividamento que eles têm, alias eles só cotaram a EDPR porque precisavam muito de dinheiro e venderam-na no intervalo mais barato, quem vir o Grafico da Iberdrola Renovaveis e o grafico da EDF Nouvelles vê que a primeira já perdeu 30% do seu valor desde que se estreou em bolsa e a segunda perdeu 1/3 do valor tambem.

Bastava ter olhado para a Martifer que cota na nossa praça para perceber que nem tudo o que luz é ouro, porque o marketing da Martifer tambem era o seu fantastico negocio na Alemanha com a compra Repower Systems que era produtor de turbinas eolicos.

Um conselho de alguem que tem uma muito boa formação em AT, sigam sempre o mercado,se o mercado tá a descer vendam, se o mercado tá a subir comprem, e para vos dizer isto é porque já ganhei e perdi muito dinheiro e nuncam negoceiem Warrants senão vão á falencia.

Querem ganhar dinheiro, comprem activos que sirvam para se refugiar da inflação como por exemplo ouro.

E já agora vejam o que o Jim Rogers diz na Bloomberg:

http://www.bloomberg.com/index.html?Intro=intro3

Cumprimentos

EM disse...

Gostei do post. Toca num ponto fundamental, a nossa suposta independência do mercado USA.

Acho que o mercado está a funcionar. Numa perspectiva macro, as coisas não estão más. Está a haver uma compensação natural, como resposta do mercado - e incluo a acção regularizadora do Estado como um agente do mercado - com vista a manter o sistema económico actual e não entrar em ruptura.

A grande diferença é que os bancos deixaram de ter aquela aura de instituição inatingível. Nunca passaria pela cabeça de ninguém um empresário da banca declarar que o seu negócio faliu. Sim, empresário, porque eles também correm riscos.

E subscrevo a opinião do Guilherme-diaz Bérrio.

Assinado:
Mais um Porco Capitalista Liberal, e cliente do BigOnline...uii..o que eu estou a ganhar com os futuros e depósitos indexados à Euribor...

EM disse...

atenção ao que o CFO diz? Nenhuma. Eles são vendedores, e fazem tudo para vestir a menina. É tua função enquanto investidor confirmar isso, ler o balanço, as demonstrações de resultados, procurar análises, ver os riscos do negócio - e não estar à espera de almoços gratis!

Comprar acções porque o Diario Economico diz? Mas estás louco?


Right!

Ora aí está o capitalismo liberal. A sobrevivência do mais forte. E quem é o mais forte? É o mais informado!

Almost right! Who has the cash has the ball!

Que saudades do GMC...

Quanto aos conselhos de quando comprar e quando vender...guardo-os para mim. :-)

jfd disse...

Lol Daniel, já me penitenciei o suficiente ;)

EM, gostei dessa dos futuros, quanto às recomendações, egoísta ;)))


Dois assuntos:

Ontem só li o DE quando cheguei a casa, muito tarde.
E tinha uma interessante tradução dum artigo de opinião do Joseph E. Stiglitz (Nóbel de Economia).
Podem ler em http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1145657.html
Destaco isto, dedicando aos PCL's ;);
O mundo não tem poupado o neo-liberalismo, esse amálgama de ideias que tem por base a noção fundamentalista de que os mercados se auto-corrigem, aplicam recursos de forma eficiente e servem devidamente os interesses do público. Foi este fundamentalismo de mercado que esteve na génese do “thatcherismo”, da “reaganomics” e do chamado “Consenso de Washington”, que privilegiou a privatização, a liberalização e os bancos centrais independentes focalizados apenas na inflação.
(...)
Uma das poucas virtudes da administração Bush será, talvez, o reduzido “fosso” entre a retórica e a realidade, comparando com os anos de governo de Ronald Reagan. A retórica de livre comércio de Reagan era acompanhada pela imposição de restrições ao comércio, entre as quais as conhecidas restrições “voluntárias” às exportações de veículos automóveis.
As políticas de Bush foram ainda piores, na medida em que se limitaram a servir os interesses da indústria militar norte-americana.
(...)
Actualmente, existe uma grande disparidade entre os retornos sociais e os retornos privados. Se não forem alinhados, o sistema de mercado nunca poderá funcionar bem. O neo-liberalismo foi sempre uma doutrina política ao serviço de certos interesses e nunca se fundamentou em teorias económicas. Tal como, sabemo-lo hoje, não é fundamentado em experiências históricas. Se aprendermos esta lição, talvez se faça luz ao fundo do túnel.


Muito bom!


Aquilo que eu dizia ontem, vê-se de novo hoje!
Tanto no DE como no JNegócios, chamadas de capa para o baixo preço da EDP-R, e potencial fantástico de subida. Isto é brincar com a estupidez do mercado. E não é marginal a taxa dos afectados por estas noticias. É aqui que a supervisão e regulação tem de atacar. De onde vêm estas notícias e que profundidade têm?
Não acuso nada nem ninguém, mas desde quando é que os jornais se transformaram em panfletos promocionais dos produtos das empresas?
Hum?
Ou talvez não, não sei. Quem souber que me explique!

Nélson Faria disse...

Duas notas:

1 - Stiglitz está ultrapassado. Já há algum tempo que lhe falta lucidez económica, tão empenhado está em ser um agente político.

2 - A primeira bolha a rebentar foi a das dot.com, em Março de 2001. Bush tomou posse em Janeiro de 2001. Terá sido a governação Clinton exímia, ou à semelhança de Guterres terá empurrado os problemas para a frente com a sua barriguinha?

jfd disse...

;)
A tua primeira nota ainda passa porque é uma opinião!

Quanto à segunda, para a perceber, gostaria de perceber duas coisas; porque dizas que as .com foram a 1ª bolha a rebentar, e porque dizes que a Admin Clinton empurrou os problemas com a barriga (que problemas?)?

Nélson Faria disse...

Para mim, marca o início real de uma crise económica. Houve um abrandamento entre '99 e '00, que ganha corpo com a bolha das dot.com em Março de 2001.

Eu não disse nada sobre Clinton, eu perguntei ;)

jfd disse...

Tamos quites, eu também perguntei ;)
Pois isso já não sei, teria de ir estudar. Mas o Guilherme há-de vir dar sua sentença. Aguardemos ;)

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Bem, na primeira nota concordo:
Stiglitz dobra bastante a economia para se adaptar à sua "politica" ... lembro de uma coluna dele recente, onde ele bate nos bancos centrais dizendo que não devia fazer target à inflação pq esta era externa, esquecendo-se do mecanismo das taxas de cambio - obvio e ensinado a alunos de 2º ano...

Quanto ao Clinton:
Bem a ser honesto tem tanta culpa como o Bush ;)
Ou seja, é uma questão de timing. Clinton teve sorte de ter um ciclo favoravel na economia mundial. Teve uma politica de juros muito favoravel para os EUA. Teve a ilusão dum acrescimo de poupança no mundo, que permitiu à Fed descer as taxas de juro para níveis (imcompreensivelmente) baixos. Greenspan ajudou e muito Stiglitz - para quem não sabe Stiglitz era o Chief Economist da Casa Branca de Clinton.

Bush tem o mesmo problema de timing: preside a uma economia a trajectória descendente. E sim, a primeira bolha recente a estoirar depois da Fed de Volcker [Governador que parte a espinha à inflação dos anos 70 e permite que os EUA possam crescer nas duas décadas seguintes] é a bolha dot.com. Tens o pré-aviso na crise asiatica/falencia russia-argentina de 1998, mas a crise só bate mesmo à porta dos EUA em 2000. Mas nessa altura Greenspan abre os cordões à bolsa: a solução para o rebentar de uma bolha foi criar outra bolha, e fomentar consumo com dívida. Depois paga-se... Bush começa em 2001, em fase descendente da Economia que só em 2002 começa a recuperar - curiosamente em parte devido ao esforço de reconstrução dos estragos do Katrina no ano anterior que puseram a economia em andamento de um modo algo artificial - Em suma: timing ;)

jfd disse...

Vais-me dizer qual é o Economista imparcial! A sério que não sei ;)

jfd disse...

Quanto ao Volcker , conta-nos quais foram as suas medidas, assim por alto, e as suas externalidades negativas ;)

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Externalidades negativas? Estás com a história trocada...

No primeiro choque petrolifero os EUA assumem uma politica parecida com a actual: sacrificar inflação em nome do crescimento e fazer cortes agressivos.

Resultado prático fez-se sentir no fim da década: economia estagnada, inflação nos 14 por cento ao ano e as expectativas inflaccionárias estavam tão enraisados que qualquer ganho de produtividade era "comido" pelos aumentos dos preços e/ou salarios para acompanhar a perda de poder de compra...

As suas medidas? Muito simples: de '79 a '80 subiu as taxas de juro de 4 para 16%. Doeu bastante - desemprego mais alto desde a grande depressão. Teve inclusé manifs de agricultores com os seus tractores e forquilhas à porta da Fed - mesmo à porta, em Washington.

Externalidades negativas? Nenhuma. O desemprego resultante não foi uma externalidade negativa, foi uma consequencia lógica de uma politica monetária muito restritiva mas necessária - externalidades são coisas que acontecem "sem querer" ou porque determinado efeito não é "internalizado" no sistema de preços ;)

Externalidade positiva: a psicologia de inflação dos anos 70 terminou - dai a celebre expressão "O homem que partiu a espinha à inflação" - e a Fed recuperou a sua credibilidade. Na década seguinte o banco central pode descer as taxas de juro com uma inflação decrescente - de 79 a 83 a inflação passa de 14% para 3% - e assim se estabeleceu as bases para o periodo de crescimento das décadas seguintes...

Dá vontade de dizer: volta Volcker, estás perdoado ;)

jfd disse...

Claro PCL ;)
Porque esse desemprego alto encerrou em si próprio a única consequência.
Nada mais alastrou à sociedade? :)

Agora imagina que perguntava a outra pessoa como funcionou Volcker. A explicação poderia ter sido completamente diferente, mas exacta como a tua.

Hence, afirmar que Stiglitz condimenta a Economia com os seus temperos, é dizer o que todos fazem.
Gotcha!:)))

Voltando à vaca fria;
Fiquei sem saber a tua reação ao meu segundo ponto de há pouco, caso tenhas tido oportunidade de o ler...

Aquilo que eu dizia ontem, vê-se de novo hoje!
Tanto no DE como no JNegócios, chamadas de capa para o baixo preço da EDP-R, e potencial fantástico de subida. Isto é brincar com a estupidez do mercado. E não é marginal a taxa dos afectados por estas noticias. É aqui que a supervisão e regulação tem de atacar. De onde vêm estas notícias e que profundidade têm?
Não acuso nada nem ninguém, mas desde quando é que os jornais se transformaram em panfletos promocionais dos produtos das empresas?
Hum?
Ou talvez não, não sei. Quem souber que me explique!

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Acho que nem o Stiglitz discorda da boa actuação de Volker...mas posso estar enganado.

Quando ao DE:
Não gosta não compre ;) Li a noticia. Eles fazem o resumo de várias casas de investimento, da SocGen/BBVA/Santander/JP Morgan... e aqui temos dois problemas:
1. Não posso criticar as análises porque não as tenho na mão...não sei quais os múltiplos que estão a usar para avaliar e descontar a EDP-R. A queda da EDP-R tem muito de "tecnico" e conjuntural - vendas generalizadas na maior parte dos mercados - e pode ser mesmo uma boa oportunidade de comprar para reduzir preço médio...
2. Sabes que os analistas são optimistas exactamente por causa dos reguladores? ;)
Passo a explicar: é verdade que os analistas têm uma tendencia para não antecipar grandes momentos de viragem de ciclo de bolsa - os downgrades vão sendo feitos a reboque do ciclo, e não em antecipação. Também é verdade que se um analista disser "não gosto deste titulo/empresa e o preço não reflecte o valor fundamental" vai apanhar com os reguladores em cima.

Porquê? Existe um "estigma" contra a venda por parte dos reguladores. Bancos que aconcelham vendas estão a "manipular o mercado" e é pois preciso "regular e apertar a goela". Se diz aconselha comprar está a incentivar poupança. É o problema quando começas a regular o que à partida não tinha necessidade.

Chegou-se ao seguinte ridiculo: a FSA [A CMVM britanica] anda a punir severamente que "espalhe rumores negativos sobre bancos" - e quer mesmo uma moldura penal.

Se eu disser: banco XYZ está demasiado alavancado e vai incorrer em muitas perdas, sou investigado pelo regulador. Se eu disse que banco XYZ vai ser comprado por mega-investidor XYZ, sou o maior!

Outra questão é que existem analistas que vos explicam as coisas - vocês refiro-me aos investidores particulares - mas preferem não ouvir. Meredith Witney, analista canadiana anda à um ano a dizer "favor não tocar em bancos"! Na Bloomberg, na Reuters, onde quiserem ouvi-la. Basta estar atenta. Alguém liga? Claro que não... "velhos do restelo... está tudo barato pq tenho 'feeling'".

Já perdi a conta às discussões em bares, cafés e mesmo na secção em que o tópico é sempre o mesmo: eu a avisar para não a andarem a comprar acções X, Y, Z e a resposta que tenho é "tá barato pq já desceu muito". Os investidores só aprendem com perdas... so be it!

Vai perguntar a quem tenha passado pela última baixa de mercado de 2000/2003 [quem comprou Pararede a 20 Eur e hoje vale 0,20 Eur] se andaram a comprar feitos malucos... claro que não! Aprenderam e ganharam juizo...

Se o DE diz que tem 23 por cento de valorização só tens de confirmar. Não confirmas o erro é teu, não do analista nem do DE...

Daniel Geraldes disse...

Têm de ter cuidado com os mercados começam a descer, são perigosos e ferem a auto-estima de uma pessoa, porque uma pessoa sente-se estupida quando perde dinheiro.

No outro dia tava a ver a Bloomberg e vê uma analista da UBS dizer que o Ouro este ano já tinha acabado o seu rally, depois de ele ter dito isso o ouro já subiu 30 dollars. Como vêm os analistas as vezes enganam-se de proposito.

E mais uma coisa desconfiem sempre que o Estado vá vender uma acção, lembrem-se da 3º fase de privatização da EDP, que o estado inflacionou as acções, vendeu-as e depois veio pelo regulador ERSE restringir o aumento da electricidade, fazendo cair as acções. Desconfiem sempre do Estado.

José Pedro Salgado disse...

A questão, na minha humilde opinião, passa por perversões na lei de mercado introduzidas por aqueles que com elas ganham.

O mercado não funciona porque parece estar a funcionar e não se apercebe que isso é só uma ilusão.

É como o HAL 9000 no "2001: Odisseia no espaço". A incapacidade de detectar falhas numa máquina que será teoricamente imperfeita leva a que essas falhas se agravem até um ponto de colapso.

jfd disse...

És engraçado tu! Assim tipo eu, pegas na cena e falas só do que te interessa ;) É bem, é bem ;)

Mas repara falei no DE e o JNegócios.
Esta tua visão do regulador é peculiar;
Porquê? Existe um "estigma" contra a venda por parte dos reguladores. Bancos que aconselham vendas estão a "manipular o mercado" e é pois preciso "regular e apertar a goela". Se diz aconselha comprar está a incentivar poupança. É o problema quando começas a regular o que à partida não tinha necessidade.

A minha pergunta para os experts é se isto é assim relativamente ao regular de Portugal.

Que cada um tem de fazer uma decisão informada já sabemos Guilherme. E que cada um é responsável ÚNICO pelas suas decisões e aventuras na bolsa também já sabemos. E que só compra quem quer também já sabemos. Repara onde estou eu centrei a conversa! E eu acredito que o regulador tem de garantir que a informação que anda por aí é fidedigna.
Ao que percebo tu dizes que a info que anda por aí pode ser verdadeira ou falsa, cabe às pessoas pesquisarem?

Isso para mim é uma grande treta!
Pois assim, só quem tem grandes recursos é que poderá garantir a tal simetria de informação. Pois para mim, Social Democrata, tenho que é o Estado quem a tem de garantir. E lê o que escrevo e não o que não estou a escrever.

Tu queres o capitalismo selvagem e dos que podem (faço leitura correcta?), eu quero o capitalismo responsável acessível a todos; bem regulado e com regras claras, quem se lixar paciência, não terá sido por falta de informação ou CONFIANÇA no mercado e seus players.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Meu caro, o que tu queres é que o regulador faça os trabalhos de casa por ti.

Eu nunca disse que a informação pode ser falsa. Alias os jornais já estão regulados nesse aspecto. O DE reproduz price targets de analistas. Cabe-te a ti acreditares ou não.

Quanto à minha visão do regulador, não é só minha. Desde de Agosto de 2007 que a posição dos Reguladores é "o mercado é que está errado, a culpa é de quem vende...é preciso prende-los já".

Em Janeiro surgiram rumores sobre a boa saude financeira da HBOS - banco inglês - houve logo uma investigação por parte do regulador. Mas ninguém mandou investigar quando se espalhou o rumor que o Warren Buffet andava a comprar bancos à 6 meses: isso fez o mercado subir... se isto não é "enviesamento regulatório" não sei o que é.

Eu não defendo capitalismo selvagem. Onde for preciso regular regule-se. Garanta-se que as empresas cotadas em bolsa são obrigadas a publicar a informação, relatorios, e que os jornais publiquem as fontes e as confirmem. A partir dai não peças que o regulador faça o teu trabalho!

Existem regras claras... pode é não gostar delas e achar que complicam um pouco a vida - eu sei que é chato ler um relatorio e contas mas quem queira investir ou aprende a ler um ou vá nadar para outra piscina!

Pois assim, só quem tem grandes recursos é que poderá garantir a tal simetria de informação.

Isto é incorrecto. Além das fontes do costume - Bloomberg/Reuters/FT/Alphaville - tens uma excelente fonte de informação fidedigna junto de blogs de referencia financeiros (Big Picture, Naked Capitalism, FT Alphaville,...) e toda a informação financeira pode ser encontrada nos sites das cotadas e nos sites dos reguladores.

Cada vez mais deixa de ser preciso grandes meios para estar bem informado nos investimentos!

jfd disse...

LOL
Continuas a falar do que queres, assim como eu.
Falo de Portugal e tu de fora.

Mas pronto, obrigado pela conversa, e espero que tenha sido útil.

E gostei do que disse o Salgado ;)

Voltando ao assunto do post

A coisa está mal nos EUA, ou não?
O GRANDE Bush vai-se explicar perante a imprensa! Não o faz desde 29 de Abril. Vamos ver o que virá dessa conferência ;)



WASHINGTON (AP) - President Bush is preparing to hold a news conference, his first full-blown meeting with reporters at the White House since April 29.
The news conference Tuesday comes amid troubling developments in Afghanistan, where U.S. deaths have exceeded casualties in Iraq over the last two months. There also is turmoil in the financial markets where the government has been forced to throw a lifeline to mortgage giants Fannie Mae and Freddie Mac.

White House press secretary Dana Perino said Bush would open with a statement about steps to help stabilize the housing and financial markets and his lifting of the executive ban on offshore oil drilling. He'll also call on lawmakers to pass long-stalled spending bills.


http://www.drudgereport.com/

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Digo-te que o mercado não está à procura de grande coisa dessa conferencia do Bush... o foco hoje está no Bernanke que vai ao congresso "explicar-se".

Quanto a estar mal, não estão muito famosas e está tudo na expectativa de como será feito o bailout à FNM e à FRE - não se coloca em questão deixa-las falhar, muito menos em ano de eleições.

E acredito que a Russia, China, Japão e Golfo estarão a fazer alguma pressão. Todos têm muito a perder com o colapso destas duas meninas.

De notar também que a Fed tentou reafirmar um foco na inflação depois de o indice de preços de produtor ter saido acima do esperado.

Ido um pouco mais à frente da poeira: NMHO os EUA vão adoptar uma politica japonesa de bailout dos sectores em risco. Como preço a pagar poderão passar a proxima década em regime de estagnação económica, a marcar passo, tal como o Japão o fez.

A opção alternativa seria deixar falhar quem tem de falhar, apoiar socialmente quem precisa, e deixar fazer o ajuste - vide, Coreia do Sul 1998/1999, Suécia 1995, UK inicio dos anos 90, Espanha final dos anos 80 - paises que deixaram que a economia corrigisse, nalguns casos violentamente, e usaram os respectivos Orçamentos de Estado para apoiar as camadas mais frageis da sociedade... em média o ajustamento demorou 3 anso do topo ao fundo - Havia um paper recente sobre isso, mas não me lembro por onde anda...

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Também é curioso que meio mundo está a dar um voto de "não confiança" na boa fé dos EUA:
Seja na venda do US Dollar - que está a descer contra tudo o que é divisa - em especial o Euro, que está a começar a assumir um papel "alternativo" curioso;
Seja na venda de US Tresuries - em tempos o activo mais seguro do mundo;
Seja na venda de acções do mercado americano;
Seja na compra de "seguros" contra as obrigações emitidas pelos EUA;

jfd disse...

A conferência de Bush será a parte de entretenimento da coisa ;)

Eu escolheria a segunda hipotese, como já tinha afirmado antes.

Isto é muito interessante:
E acredito que a Russia, China, Japão e Golfo estarão a fazer alguma pressão. Todos têm muito a perder com o colapso destas duas meninas.

E muita gente não tem noção que os Estados Unidos estão na mão de quem lhes detém a divida externa...

jfd disse...

LOL Guilherme ia tentar falar do câmbio mas tu foste mais rapido e muito mais preciso do que eu seria ;)

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

E muita gente não tem noção que os Estados Unidos estão na mão de quem lhes detém a divida externa...

Acho que a questão não é tão simples, dados os valores envolvidos [basicamente os dados da Fed mostram que têm sido os Bancos Centrais do mundo a financiar aquele deficit]...

É a teoria que te falei acima:
Se deves 100 mil ao banco, ele tem-te na mão. Se deves 100 mil milhões ao banco, tu é que tens o banco na mão ;)

jfd disse...

Exacto! Há esse twist...
Ou seja é win-win para os gajos ;)
Que situação marada!

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Existe uma piada em Wall Street que corre mais ou menos assim:
"- Boss, the sky is falling on us...what do we do?
- Simple, short sky"

É uma crise complexa? É verdade, mas o mundo não vai acabar amanhã ;)

[Para quem não sabe "short(ar)" é o acto de pedir emprestado uma acção e vende-la, ganhando com a descida]

jfd disse...

Tradução para não PCLs :

Para quem não sabe, shortar
é ganhar dinheiro à custa da desgraça dos outros, enquanto eles se desgraçam ainda mais, esperando exactamente que isso vá acontecer!. Tudo depende da efetivação da desgraça. Pois se o desgraçado vê a vida a sorrir, o especulador é que se lixa ;)

Como sempre digo, vejam o filme Ricos e Pobres ;)

E para perceberem a essência de um PCL vejam o genial Wall Street ;)

Daniel Geraldes disse...

Então vai de shortar petroleo que ja ganhou um tectou nos 146 dollars e vêm para os 122 dollars.

Carlos disse...

"Quanto aos actuais responsáveis, não tenho duvidas que quando a poeira acentar vai haver muito apontar de dedo. Atrevo-me mesmo a fazer um pouco de futurologia: as empresas de rating vão ser as auditoras desta decada. Resta saber quem vai tomar o papel de Arthur Andersen, e ser mandada à trave para dar o exemplo ..."

Não Guilherme, não vão ser as agências de rating os bodes expiatórios. Isto porque, como disseste e bem, a informação é assimétrica. Existe alguma confusão no papel de uma agência de rating no mundo financeiro. Essa confusão é de alguma maneira introduzida nos media de forma propositada, para tentar culpar as agências do credit crunch. Quem trabalha na área sabe perfeitamente o papel da agência de rating. As próprias agências são monitorizadas pelos reguladores e são um exemplo de transparência. Repara, que a maior parte da culpa é exclusiva dos brokers americanos (na sua maioria da Califórnia) que venderam empréstimos a quem não deviam. Os mercados financeiros sempre foram dominados por dois conceitos "fear and greed".

Carlos,
numa agencia de rating,
Asset backed Securities-EMEA- London, UK

jfd disse...

Então vai de shortar petroleo que ja ganhou um tectou nos 146 dollars e vêm para os 122 dollars.

Daniel e uma explicação for dummies?

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Txi, que exagero JFD...

Já agora, a culpa do mercado a descer é dos "short sellers" queres ver?

É a mesma teoria dos especuladores nos futuros de crude - que até o "nosso amigo" Bernanke acabou agora de dizer no congresso que que não são relevantes ;)

jfd disse...

Carlos, obrigado pela contribuição ;)

Isto é importante.
A visão de mais um player:

(...)Repara, que a maior parte da culpa é exclusiva dos brokers americanos (na sua maioria da Califórnia) que venderam empréstimos a quem não deviam. Os mercados financeiros sempre foram dominados por dois conceitos "fear and greed".

O negrito é meu, e vem tão a calhar com a minha referência ao filme Wall Street ;)

jfd disse...

LOL Guilherme!!!
Não foi isso que eu disse! Lá estás tu! Eu referi-me ao m.o., e não à situação actual. E aquilo é de facto oq ue faz a especulação em modo short, ou estou errado?

Claro que o "nosso amigo" não ia referir culpas!
Entretanto tá linda a bolsa por esses lados, vai acima, vai abaixo, vai acima...

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

JFD, ele está a fazer analise tecnica ao preço do crude:
Pela forma do grafico ele vê um topo nos 146, e o movimento actual pode implicar uma descida até aos 122 - que será para ele um suporte...

É uma escola de investimento: assumindo que está tudo incorporado no preço, ignora análises fundamentais, o passado repetesse e está tudo no gráfico. Não é uma discussão pacifica no campo de investimentos.

Carlos,
Correcto, mas e os ratings AAA dados a estruturados com base em pressupostos e series de dados com 10 anos?
E os pressupostos usados - por exemplo 5 por cento de ratio de não pagamento - e os já infames modelos de mean reversion para avaliação desses activos?
E quando as agencias de ratings mantiveram, e ainda mantém em alguns casos, ratings de AAA/AA em asset backed securities com ratios de "não pagamento" acima dos 30 por cento?
E quando fizeram novas escalas e começaram a diferenciar um papel AAA de um estado e um papel AAA dum blue chip e um papel AAA de uma mortgage back security?

Problema de informação assimétrica? Sim existiu. E as agencias estiveram no centro: vocês - presumo pela tua assinatura que trabalhas numa - tinham a informação do estruturado e o modelo de negócio foi ser pago pelo originador [o banco] para dar o rating...

Mas nem precisamos de ir aos instrumentos mais complexos:
As agencias por exemplo mantiveram o rating AAA à MBIA e à MBAC por razõe politicas quando estas duas estavam praticamente falidas e não tinha capital para fazer face às contigencias...

Daniel Geraldes disse...

Vais levar uma explicação baseada em Analise Tecnica :) que é o que percebo e me dá dinheiro a ganhar, os PER, os ROE, os cash flow isso ficam para os fundos:

Primeiro o petroleo tá a sustentado sobre uma linha de suporte quê vêm desde Fevereiro,segundo as projecções de Fibonaci tocou exactamente no seu objectivo de 147,60 dollars e veio para trás no mesmo dia fechando nos 144 dollars, depois andou o dia todo a andar de lado e hoje já esta nos 138 dollars estando a fazer relativamente uma dark Cloud Cover, dependendo do olho do observador se bem que tambem lhe podes chamar uma evening star que são figuras bearish.

E o suporte no grafico Diario no contrato de QMQ8 está nos 131 dollars e logo a seguir nos 122 dollars. Por isso dentro de algum tempo prai 3 a 4 semanas a meu ver terás o petroleo nos 122 dollars, e depois nos mercados financeiros existe a teoria da opinião contraria, qdo toda a gente sabe que o petroleo vai chegar aos 150 dollars, a malta começa a vender pouco antes para se posicionar.

Ou seja, o que não falta são teorias, e amanha sai a inflação nos EUA e acredito que a malta tá a sair e a ficar á espera dos dados de amanha. Mas eu tou short no petroleo.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Não quero ser chato, mas acho que o resto da malta ficou a apanhar bonés, Daniel...;)

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Lançando mais uma acha para a fogueira [aka antes que o JFD vá a correr comprar um livro de Análise Tecnica]:
Sendo mesmo mesmo picuinhas, posso argumentar - e provar entenda-se - que entradas aleatórias [de moeda ao ar, por exemplo] com uma gestão de perdas conveniente dá retorno positivo consistente ;)

Quanto ao estado dos EUA, um pequeno resumo do que se passou no US congress hoje, na audiencia de Bernanke:
Foi dizer que mesmo que as GSE falhem, o rating norte-americano não sofre;
Não existem riscos sistémicos ao sector bancário;
Os bancos estão de boa saúde, embora a recuperar de uma pancada violenta;
Os EUA poderão ter um problema com a inflação;
Os especuladores - especificamente short sellers de acções e "especuladores" no mercado de bens alimentares e energeticos - não são culpados pelos actuais preços.

jfd disse...

Eu gostei ó Daniel!
Não percebi, mas gostei!
Mas hei-de perceber LOL
Dá-me mais um ano ;))

José Pedro Salgado disse...

De maneira nenhuma Guilherme.

Nesta discussão já estou a apanhar bonés há muito tempo.

Carlos disse...

Guilherme começo pelo fim, porque estou à vontade. A minha agência, até foi a primeira a cortar no rating da MBIA, Ambac, FGIC, XL Capital, ... e eu, cortei o mesmo rating nas transacções do meu portfolio até ao nível underlying dos mesmos, ou seja até ao nível que inicialmente teria se não fossem garantidas pelas seguradoras. Repara, que o problema das Bond guarantors, foi a dimensão da crise per si e não o modelo de negócio. Agora, num mercado em que tens três agências, se uma corta no rating e as outras têm duvidas relativamente à metodologia do corte (por razões políticas talvez, admito) torna-se complicado para o mercado interpretar tal informação e prefere não se desfazer das obrigações garantidas pelas empresas com problemas. Mas o grande problema da Ambac e da MBIA, está em garantirem 90% das obrigações municipais nos USA. Sem essa garantia, os municipios vão à falência e com isso a derrocada total da economia mundial. O que as agências exigiram foi o aumento da liquidez dentro dessas instituições de forma a que pudessem fazer face às obrigações, e com isto impedido o colapso total do sistema.

Mas o core da discussão é a informação. Em primeiro lugar é preciso perceber que isto é um negócio, um banco emite títulos garantidos por um colateral qq, para retirar risco dos seus livros e para lucrar (na sua maioria por via das swap de juros). Ora, o banco (arranger) faz em primeiro lugar a estrutura do produto que prentende apresentar à agência. Conhecedores dos modelos de avaliação das agências, eles simplesmente fazem um hedging a esses próprios modelos de modo a obterem o rating desejado. Os bancos têm toda a informação, o que me chega a mim, é a composição do colateral e a estrutura. De uma maneira simplista, o que eu faço é stressar o colateral que me é apresentado e prever (com base nas séries de dados históricos) os níveis de default. A partir daí, obtem-se um rating. Como é obvio, um rating é uma probabilidade de falência de um determinado título. Um AAA não é, nem nunca vai ser um investimento risk free. Como é óbvio, o AAA da General Electric tem mais risco do que o AAA dos Estados Unidos.

Relativamente aos ratings dados a CDO's baseados em séries de 10 anos, vêm do facto de este produto ser recente. No entanto, aqui concordo contigo, foram aqui que os modelos das agências falharam. No entanto, não sei se haverá um modelo que consiga traduzir o nível de alavancagem que um cdo tem, e a partir daí extrair-se um rating adequado.

Em suma, as agências pecam, pelo facto de não terem a mesma informação que os bancos, e ao mesmo tempo por serem pagas por estes, não conseguirem traduzir a isenção que o mercado procurava quando olhava para elas. No entanto, não me parece que os investidores queiram pagar o rating, e certamente para fiscalizar a relação existem a FSA e a SEC.

cumprimentos

jfd disse...

Ó Guilherme dizer que eles são responsaveis é uma tremenda irresponsabilidade. Isso é coisas de BE e PCP. Mas que ajudam à festa ajudam. E não negues.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Sim, a base do problema é informação e a retirada dos balanços de vários activos.

Julgo que voltaremos a ver, no sector bancário, um regresso ao modelo antigo - cria hipoteca e fica com ela no balanço, dada a falta de vontade dos mercados secundários de aceitarem esse tipo de estruturados.

Quando aos bond insurers e os municipios norte-americanos, se é verdade que a grande maioria deles emitiu obrigações municipais com protecção, e que o fim dessa protecção implica maiores taxas de juro, a verdade é que da perspectiva de um investidor - hedge fund, pension fund, etc - municipal bonds estão com yields bastantes apeteciveis, e a compensar o risco adicional.

Julgo que quando a poeira acentar deverás voltar a ver compradores nesse mercado mesmo sem os bond insureres a dar a garantia.

Quanto ao problema de informação: completamente de acordo. Existiu um problema grave de informação - os bancos sabiam algo que mais ninguem sabia - e aqui os reguladores falharam. Nunca deviam ter deixado que existisse a proliferação de intrumentos Over The Counter [derivados cotados fora das "bolsas" tradicionais] ou que o clearing não fosse centralizado... este problema de clearing de contratos descentralizado já tinha acontecido nos anos 70...

Quanto ao ajudar:
O efeito liquido desse tipo de "investidores" é acelerar ajustamentos. No limite somos os nossos maiores inimigos: se estamos todos a julgar que o valor de empresa A é 1 quando ela cota a 10 e estamos todos a vender, ela vai eventualmente cotar a 1. O short selling apenas acelarou o processo de convergencia do mercado.

No médio prazo este tipo de investimentos que procura ineficiencias tende a acelerar o processo de maior eficiencia dos mercados...

jfd disse...

Mas ó Guilherme, tu que já me conheces a conversa faz algum tempo, podias traduzir isto que disseste, que me parece deveras interessante;
Sendo mesmo mesmo picuinhas, posso argumentar - e provar entenda-se - que entradas aleatórias [de moeda ao ar, por exemplo] com uma gestão de perdas conveniente dá retorno positivo consistente ;)

jfd disse...

No médio prazo este tipo de investimentos que procura ineficiencias tende a acelerar o processo de maior eficiencia dos mercados...

Ó gente bondosa!!! ;)

Mas i get your point ...

Diogo Agostinho disse...

E no longo prazo estamos todos mortos...

Daniel Geraldes disse...

Oh Guilherme por curiosidade visto que dominas a tematica,aonde é que invistias o teu dinheiro hoje?

jfd disse...

Muito bom Diogo, LOL!

Olha o Daniel, quer uma free ride ;)
Queres a minha opinião? De leigo?
Eu poria aqui os meus ovos Fidelity Funds - Target TM 2035 (Euro) Fund A Acc Euro, na perspectiva de longo prazo, obviamente. Porquê? Porque tá barato ;) E parece-me que de confiança. LOL

5 maiores posições %
E.ON 3.0
Vodafone Grp 1.9
Roche Holding Ltd 1.9
Israel Chemicals Ltd 1.5
Gazprom OAO (EDR) 1.4

Asset Allocation
Acções 91.6
Obrigações 4.5
Tesouraria 2.1
Outros 1.9
Dados a 31/05/2008

Daniel Geraldes disse...

Eu acho que um fundo de investimento que investisse em empresas de agua, é capaz de vir a ser uma mina de ouro, mas por acaso não conheço nenhum.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

LOOL Ora ai está. O imortal Keynes - ele próprio especulador de bolsa e gestor do fundo de investimento da universidade de cambridge :P

Quanto à moeda ao ar, JFD:
É uma questão do ratio de ganho médio sobre perda média. Se garantires que esse ratio é superior a 1, então a única variavel que tens de controlar é a percentagem de capital afecta a cada investimento individual. Por exemplo: uma moeda ao ar, que em que recebas 2 euros se sair cara e pagues 1 euro se sair coroa, baste que mantenhas cada a aposta fixa em 0,25 do teu capital e terás retorno positivo [Já desenvolvi mesmo sistemas em que a taxa de acerto é inferior a 40% mas em que o ganho médio é superior 2, logo o sistema é lucrativo enquanto veiculo de investimento]. Chama-se a isto "Money Management".

André:
Hoje? Aqui vai o almoço gratis - longo futuros S&P500, Short tresuries e (infelizmente) longo energy.

Quanto a investimentos em água, aconselho o Pictet Water ;)

jfd disse...

Cool!
E o que achas da minha escolha de fundo para o longo prazo?

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Os Target? São bons... são feitos à base da seguinte teoria:
No longo prazo o mais seguro e com maior rendimento são acções com grande capitalização, mas à medida que se aproxima o prazo de maturidade deve-se optar por portfolios mais seguros no curto prazo, com rendimento fixo.

Logo, a Fidelity tem computadores a correr modelos em que, consoante a data até à maturidade do Target vão rodando o portfolio: à medida que vai passando o tempo o peso de acções desce e o dinheiro circula para obrigações de baixo risco.

É uma gestão dinâmica engraçada e que no longo prazo funciona muito bem ;)

jfd disse...

weeeeeee
Top pick by JFD LOl
Mas mesmo assim, rendibilidade de 1ano tá muito mal ;=)

Se possivel fosse, punha aí 30% do que vai pra minha reforma (!) :P

E os similares do BCP ? Acho que são qualquer coisa objectivo 20XX?

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Ui este post virou consultório? ;)

LOL Confesso que não conheço os fundos "objectivo" do BCP - nem sabia que agora tinham. Embora a gestora do BCP seja a britanica F&C [eles, BCP, fazem outsourcing desse negócio ;)].

Gestoras nacionais prefiro o BPI Gestão de Activos: BPI Reestruturações por exemplo...

jfd disse...

Olha olha :P
Eu sou um turista, mas acho que os nacionais cobram dinheiro a mais :P

Fecha a loja então.

Voltamos ao assunto:

NEW YORK (AP) - Wall Street recouped its steep early losses and traded mixed Tuesday as oil dropped by more than $7 a barrel, giving investors hope that lower energy prices could help revive the flagging economy.
Fears of escalating instability in the financial sector have kept the market trading erratically, however. The market opened sharply lower on investors' increasing uneasiness about the ongoing mortgage criss. Sobering comments from Federal Reserve Chairman Ben Bernanke, who told Congress the U.S. economy is faced with "numerous difficulties," took stocks down further.

Bernanke's comments come only days after the Fed and the Treasury said they would lend financial support to mortgage financiers Fannie Mae and Freddie Mac if necessary. Shares of Fannie and Freddie—which together hold or back nearly half of all the nation's mortgages—tumbled again Tuesday.

But as oil retreated from its near-record levels, bargain hunters entered the market and the Dow Jones industrial average, down more than 200 points in early trading, rebounded. If oil prices stabilize or retreat, consumers might feel more comfortable spending on discretionary items, and in turn help the economy(...)

http://www.breitbart.com/article.php?id=D91UDTKO0&show_article=1

Daniel Geraldes disse...

Para isso,ou o Dow Jones que tá farto de levar porrada ou então as Small Caps do Russel, mas isto depende do ritmo de cada trader, e short em ouro assim que chegar perto dos 1000 dollars e petroleo até aos 122 dollars, se não surgirem imprevistos, até la ter atenção aos dados da inflação dos USA que saem à 13h30 hora nacional e as 15h30 saem os inventarios de crude.

E vamos lá a investir para ganharmos dinheiro!!!

jfd disse...

Pois é...
Parece que a CMVM anda a reboque do JFD :) Pena que com alguns dias de atraso :P


Supervisão
CMVM quer saber quem anda a ganhar com a queda da bolsa
O empréstimo de acções para beneficiar com a desvalorização dos títulos generalizou-se em todo o mundo.

O empréstimo de acções para beneficiar com a desvalorização dos títulos generalizou-se em todo o mundo.

A CMVM quer saber o peso desta prática em Portugal, tendo pedido informação sobre prática de “short-selling” aos bancos, mas nega estar a preparar alterações às regras, como já fez o Reino Unido.

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=324696

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

A minha primeira reacção:

"Oh Por amor de Deus!"! COnfesso que esta caça às bruxas já começa a irritar um pouco... primeiro a culpa era dos "especuladores" do petroleo, como essa não colou, tenta-se agora os "short sellers" ...

Quanto ao Short Selling em Portugal, é praticamente impossivel pela nossa regulação. Isso é para "inglês ver" !!!

jfd disse...

Meu caro eu gostava de saber quem ganha com isso.
Simplesmente.
Que seja publico.
Sendo legal, que se saiba quem está ostensivamente a ganhar com a desgraça dos outros.

Nada mais. Não é caça. É transparência!

Ora essa!

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Quem ganha com o short selling? Hum deixa ver que é dificil... talvez a pessoa que "shortou"? [Isto se acertar com a tendencia, com os stops, com a volatidade do mercado e conseguir evitar o squeeze posterior], a corretora [que sempre ganha algumas comissões] e o mercado em geral porque ALGUEM ganhou [psicologia pura... se ninguém ganha quem é que vai reinvestir quando está tudo escaldado dum mercado descendente e com medo, se não ganhar ninguém]

Quanto à desgraça dos outros:
Mas tu estás a gozar comigo!?

Uma empresa é mal gerida, merece ser vendida! Eu pessoalmente ando a vender curto tudo quando seja banco nos EUA. E ando a faze-lo desde à 6 meses para cá. Porquê? Porque estão pouco capitalizados, porque estão a mentir ao mercado, porque têm balanços que é uma miséria. E dado que as admins têm salários indexados ao mercado é uma forma de colocar a gestão a mexer-se.

A Bear Stearns por exemplo não foi à falência por causa dos "short sellers" [e eram bastantes, eu incluido]. Foi à falencia porque era uma empresa gerida como um hedge fund, com uma alavancagem de 1:50 sobre os capitais próprios. Qualquer variação de 2 por cento nos activos que suportam aquilo rebentam com um balanço desses!

E não venhas com a conversa da desgraça dos outros: não há vitimas na Bolsa. Todos sabem ao que vão e os riscos que correm. Os que não sabem, aprendem!

Carlos disse...

Guilherme,

não podia estar mais de acordo! Aliás se pudesse investir na bolsa, entrava curto em muitos títulos!!

cumprimentos!

jfd disse...

Bem Guilherme,
Ainda não percebeste o meu alcance da coisa...

Eu quero lá saber de quem perde ou ganha dinheiro na Bolsa legitimamente.
Eu quero é saber de quem, fazendo-se utilizar de posição dominante, quer em termos de quotas de mercado e/ou detenção de informação, recorre a subterfúgios, mesmo que legais, para induzir clientes inocentes em erro. Fazendo com que entrem em negócios que não entrariam, se não fossem em conversas de jovens sem escrúpulos em balcões de bancos de porcaria que apenas querem cumprir os seus objectivos comerciais sem olhar a meios e a métodos.

Não estamos a falar da banca privada. Estamos a falar da normal banca comercial.
E estamos a falar no contexto enquadrado pelas noticias das últimas semanas que relatavam o nível de escolaridade da maior parte dos pequenos investidores da bolsa.

É simples o que aqui digo. Não tentes fazer outra coisa do que está aqui escrito.

E não me venhas com tretas de só entra quem quer.
Repito, sou Social Democrata.
Preocupa-me o que se passa.
Live with it

jfd disse...

Ainda bem Carlos!
Toca a desejar que o mercado desça ainda mais!
É só boa gente !

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Tu chamas-lhe social democracia, eu chamo-lhe paternalismo...

Quanto ao desejar que o mercado desça mais:
Exactamente. Espero que desça mais. Os activos não sobem nem descem na vertical. Correcções e descidas de bolsa são boas: corrigem excessos e ensinam lições.

Alias o problema é quando um mercado não deixa de subir, e é para isso incentivado por influencia regulamentar: geram-se euforias, é facil ganhar. É o equivalente a atirar barro à parede. É claro que quando perdem, a culpa é dos especuladores, do mercado, ou do comercial do banco.

Sabes o que me faz ainda mais alergia que o paternalismo desse teu raciocinio? A total desresponsabilização do individuo pelas suas acções.

Sobre endividou-se? Coitado, foi enganado pelo BCE e pelos bancos... pobre coitado não sabia fazer contas e não achou que colocar o dinheiro todo em prestações faria mal.

Perdeu dinheiro na bolsa? Coitado, foi enganado pelo banco e pelos especuladores... pobre coitado não sabia que tinha que fazer contas e olhar para essa coisa estranha dos balanços.

And the list goes on and on: o Estado é hoje desculpa para a total desresponsabilização do cidadão. Pergunto-me se nos dias que correm alguém é responsavel por alguma coisa que seja, sem que venha alguém pedir que um regulador "intervenha" ...

jfd disse...

Well temos duas posições bem demarcadas e distintas de como lidar com o mercado de capitais. Eu caracterizo a minha, tu enxovalhas a minha. Não caracterizas é a tua ;) Engraçado!

Paternalismo?
Falas assim com essa distância e essa frieza do maior problema que atravessa a nossa sociedade? E achas mesmo que o Estado não tem uma palavra a dizer sobre o assunto? Nada a regular? Nada a corrigir do que foi regulado e permitido dos maravilhosos anos Rosa-Guterres?

Que vergonha. E nada em linha com uma campanha recente...

Engraçado saber que eu é que estava do lado dos "liberais" e tu do lado dos "pobrezinhos"

HA!

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Não mistures alhos com bugalhos:
A conversa começou com a tua defesa da necessidade de regular toda a gente porque tu foste na conversa do Mexia e do DE em vez de fazeres o trabalho de casa - que sendo de gestão tens inclusivé a bagagem teorica para o fazer com competencia.

A minha posição? Sou contra o capitalismo popular. Acho que não deve ser sequer incentivado. O que deve ser incentivado é que existam ao dispor do público os mecanismos de modo a que eles possam afectar a sua poupança nas mãos de quem sabe: fundos de investimento. Se se arriscam sozinhos, então não venham depois a correr ao regulador a pedir "ajuda".

Tu não falas de regular o mercado de capitais. Tu falas de uma caça às bruxas e de uma caixa que a CMVM deu ao negócios e tu engoliste: short selling em Portugal? Não o podes sequer fazer sem ter as acções na tua conta - o que tecnicamente não conta como short selling.

É parecido com a discussão do "preço especulativo" do mercado de petroleo: A culpa não de questões estruturais de procura e oferta mas sim dos fundos de investimento. O facto de todos os meses esses fundos terem de vender os contratos que têm para não irem buscar 10 toneladas de combustivel ao Oklahoma é irrelevante.

É preciso pregar alguém à parede.

Agora a necessidade regulamentar é nos short sellers. Porquê? Porque fazem descer o mercado pois está claro. Não é o facto de a economia estar numa fase descendente e muitas não destas empresas terem business models que dependem de dinheiro barato e são mal geridos. Não, pois claro que não. A culpa é dos "short sellers" e de quem quer que o mercado desca.

Regule-se! O mercado não pode descer! Excepto as commodities: ai regule-se! O mercado não pode subir! Isto não é liberalismo, social liberalismo ou social democracia portuguesa, é quase-socialismo: o mercado deve ir para onde é mais conveniente à altura.

Sou frio? Talvez. Se um investidor baseia as suas decisões no DE ou no Negócios então vai perder. Deve perder! E perderá até aprender várias lições e se tornar um melhor investidor. Ou então perceber que isto não é um casino nem é tão facil assim, afasta-se e deixa o dinheiro a um fundo.

Eu perdi durante o primeiro ano que tive de bolsa. E ainda bem!!! Fez de mim um investidor consciente.

Explica-me lá onde é preciso regular ainda mais o assunto e onde é que entra a "social democracia" no que é da esfera individual de acção de cada um?

jfd disse...

A conversa começou com a tua defesa da necessidade de regular toda a gente porque tu foste na conversa do Mexia e do DE em vez de fazeres o trabalho de casa - que sendo de gestão tens inclusive a bagagem teórica para o fazer com competência.

Muito gostas tu de separar o trigo do joio. Pois meu caro, também o separei. Isso foi um exemplo do que lá está escrito. Passa à frente! Com competência ou não é a minha escolha. Vai lá ler contra o que em insurgi. Era o que me faltava agora, “obedecer” a CEOs e CFOs só porque abrem as suas milionárias bocas.

A minha posição? Sou contra o capitalismo popular. Acho que não deve ser sequer incentivado. (...)

Totalmente nos antípodas desta opção. O mercado de capitais, tal como agora, deveria estar acessível só a alguns. LOL
“Capitalocratas”? Poupa-me!
Isso demonstra um desrespeito pelo pequeno investidor, um snobismo financeiro que me irrita. Prepotência. A não ser que haja mais argumentos que aqueles aqui expostos.

Tu não falas de regular o mercado de capitais. Tu falas de uma caça às bruxas e de uma caixa que a CMVM deu ao negócios e tu engoliste: short selling em Portugal? Não o podes sequer fazer sem ter as acções na tua conta - o que tecnicamente não conta como short selling.

Ou seja, a CMVM não sabe do que fala?
Eu claramente vejo o assunto de fora, o que não me tira nenhuma legitimidade para o abordar. Aliás, o meu ponto de vista até é o comum :P
Mas de novo, fico espantado por a CMVM não saber o que fala. Mais razão me dás, além de necessitar haver mais regulação neste país, continuamos com reguladores que pouco passam (ou não) da maioridade, e que não têm o mínimo de maturidade.

Tu não falas de regular o mercado de capitais. Tu falas de uma caça às bruxas e de uma caixa que a CMVM deu ao negócios e tu engoliste (...)

Tens toda a razão Guilherme, hoje, que este assunto saiu no Jornal de Negócios, foi a primeira vez que falei no mesmo... Paciência!

Regule-se! O mercado não pode descer! Excepto as commodities: ai regule-se! O mercado não pode subir! Isto não é liberalismo, social liberalismo ou social democracia portuguesa, é quase-socialismo: o mercado deve ir para onde é mais conveniente à altura.

Esses são os teus fantasmas!
São as tuas afirmações.
Tu não discutes estes temas. Atacas com uns chavões. Esse parágrafo é um exemplo.

(...)Se um investidor baseia as suas decisões no DE ou no Negócios então vai perder.(...)

Continuas a bater na mesma tecla...

Explica-me lá onde é preciso regular ainda mais o assunto(...)

Repito, sem me permites, o que já escrevi:

“(...)Pois assim, só quem tem grandes recursos é que poderá garantir a tal simetria de informação. Pois para mim, Social Democrata, tenho que é o Estado quem a tem de garantir. E lê o que escrevo e não o que não estou a escrever.

(...), eu quero o capitalismo responsável acessível a todos; bem regulado e com regras claras, quem se lixar paciência, não terá sido por falta de informação ou CONFIANÇA no mercado e seus players.

(...)onde é que entra a "social democracia" no que é da esfera individual de acção de cada um?

Recordo 3 dos 10 valores da campanha de PPC (os bold são de minha autoria);

Autoridade - Defendo que o exercício do poder democrático deve ser claro e determinado na defesa do bem comum. Rejeito, sem hesitar, todo e qualquer autoritarismo, mas considero que a democracia e a liberdade não podem sobreviver sem uma justiça que o seja de pleno e sem o respaldo de uma autoridade legítima e respeitada. É meu propósito reconstruir essa autoridade legítima e respeitada do Estado, sem tibiezas nem complexos.

Oportunidade – Ambiciono que Portugal seja uma terra de justas oportunidades para todos. O PSD vai criar condições para que a diversidade e a igualdade de oportunidades sejam uma realidade e não meras declarações de intenções. A diversidade de oportunidades é essencial para a realização das aspirações de cada um. É o ponto de partida para o aproveitamento colectivo dos benefícios da iniciativa individual. Uma oportunidade disponível é um passo para uma realização pessoal e ninguém pode ser impedido de a concretizar. Entendo que na diversidade de escolhas se constrói uma sociedade mais coesa, mais tolerante, mais livre, mais plural, mais responsável.

Liberdade –A liberdade é o valor que nos une e de que não abdicamos em nome de qualquer interesse de ocasião. Quero uma liberdade responsável, onde cada um possa viver com a consequência das suas decisões. Esta candidatura vai falar de liberdade, com liberdade. Quero mais liberdade no espaço público, mais liberdade na actividade económica, mais liberdade na vida privada, mais liberdade no exercício pleno da cidadania. A liberdade não se garante pela mera proclamação. A liberdade constrói-se, dia a dia, num processo de conquista permanente em que o PSD deverá empenhar-se cada vez mais.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Eu defendo o livre acesso ao mercado de capitais da mesma forma que defendo o livre acesso de alguém a uma piscina.

Não venham é depois queixarem-se ao Estado para regular o dono da piscina para fazer uma mais "baixa", por terem ido para a uma zona sem pé sem saberem nadar...

Quanto ao que te insurgiste-te:
As declarações do Mexia. Live with it. Aprende a distinguir e a interpretar e a perceber o que eles dizem. Não sabes? Deixa quem sabe. Eu não me ponho a inventar quando tenho problemas juridicos: falo com um advogado. Se isto é ser "capitalistocrata" ou "elitista", seja... orgulhosamente! Acredito na especialização.

Quanto à CMVM não saber o que fala, é igual à SEC:
20 acções foram interditas de "naked short-selling", ou seja, vender curto sem primeiro garantir que as pediste emprestadas. Pequena notinha: o volume de naked short selling é não só marginal mas apenas feito pelo pequeno investidores. Os grandes Hedge Funds não podiam faze-lo - nenhum prime broker o deixaria.

A isto chamo poeira atirada para os olhos. A CMVM não é diferente.

Mas adoro o raciocinio: o que este mais precisa é de mais regulação.

Já não basta a regulação que já existe no mercado, ou o facto de os tribunais hoje decidirem o que passa na grelha da RTP. O problema de portugal é falta de ainda mais regulação.

Se isto é o "liberalismo" de PPC então só digo: graça a deus que votei MFL

Pobre nação de vitimas à beira mar plantados...


(...), eu quero o capitalismo responsável acessível a todos; bem regulado e com regras claras, quem se lixar paciência, não terá sido por falta de informação ou CONFIANÇA no mercado e seus players.”


Não meu caro, o que tu propões só vai imunizar o individuo daquilo que o responsabiliza pelas suas acções - o risco. E ai começam os problemas que deram inicio a este post: quando o estado imuniza o risco dos intervenientes no mercado, por ser social democrata.

Mas fica lá com a bicicleta: o mais que me pode acontecer é emigrar eventualmente, até que suas excelencias paternalistas, erm, "social democratas", percebam os limites que devem existir na acção do estado.

jfd disse...

LOL
Fantástico.

Eu defendo o livre acesso ao mercado de capitais da mesma forma que defendo o livre acesso de alguém a uma piscina.

Não venham é depois queixarem-se ao Estado para regular o dono da piscina para fazer uma mais "baixa", por terem ido para a uma zona sem pé sem saberem nadar...


Pegando na tua paródia simplista da conversa, e sendo a piscina de acesso público, o Estado apenas a deveria obrigar (pela via da regulação claro está) a tornar bem claro para os utentes quais as diferentes zonas de utilização, quem as deveria utilizar e em que condições.
Sendo a piscina de acesso privado, o Estado apenas deveria regular até ao limite do fim do domínio público.

Isto é o que te tenho vindo a dizer, mas tu teimas em interpretar o que te digo de outra forma.
Pegando até numa quote do que digo, tu fazes uma livre interpretação do meu pensamento! Obrigado, mas está errada.

É porque quando dizes que eu proponho imunizar o individuo, estás-me a chamar socialista, ou algo dessas latitudes, e isso não por favor!

E eu represento a minha opinião, tão e somente.

E eu não quero a bicicleta, quero é conversa :)