sábado, julho 19, 2008

Paredes feitas de dinheiro...


Diante de um menú de degustação de fusão japonês-mediterrânico, tive uma interessante conversa com um grupo de espanhóis. A crise está instalada. Só o Governo ainda teima em fugir à expressão. Quem tem muito dinheiro, continua a tê-lo, mas quem pouco tinha, mal está.
Em Espanha, ter o dinheiro no banco significa ter o seu saldo médio trimestral acima de determinado valor reportado directamente ao fisco. Para se fugir, fazem-se casas, compram-se casas, enchem-se paredes de dinheiro. Esta pequena história leva-me a pensar... Por mais forte e eficaz que seja a máquina fiscal, o mercado paralelo há-de sempre vingar?

15 comentários:

Paulo Colaço disse...

Vê-se mesmo que estás em Espanha...
Como está a correr Madrid?

jfd disse...

Obrigado pela ajuda!
Correu bem! Acabei de voltar. Muito trabalho, muito cansado.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Se calhar o problema é que a maioria dos Estados europeus cobra impostos a mais? ;)

jfd disse...

Talvez seja caro Guilherme... Talvez seja... Ou então porque ainda não se descobriu como taxar o mercado paralelo. Digo eu ;)

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

When in doubt tax?

Em vez de pensar em taxar o mercado paralelo que tal pensar porque é que ele surgiu?

O europeu em média paga uma enorme fatia do seu rendimento em impostos, mais taxas e outras "manias". E ao contrário dos Nórdicos não temos Estados de qualidade - em especial o Clube Med, com estados pesados e lentos.

Mas ai está a diferença fundamental entre as nossas maneiras de pensar JFD:
Eu vejo o problema como taxação excessiva, tu vês o problema como falha de taxação ;)

jfd disse...

;)
Será que é?
O que vês tu como taxação excessiva, eu vejo como falha de taxação. É verdade. Falha no sentido em que pagam sempre os mesmos, e não todos os que deveriam pagar.
Solução? Para ti, baixar impostos, para mim brutal fundamentalismo fiscal sem ter pena de ninguém.
Pois é, somos diferentes ;)

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

O único problema que eu vejo com essa forma de pensar [que admito me faz alguma alergia] é o pressuposto base de que não somos excessivamente taxados ou que a taxação não é algo intrinsecamente "mau"... um mal necessário mas que deve ser tomado com conta peso e medida.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Num exemplo mais prático:

O meu consumo é taxado, o meu rendimento auferido é taxado [se tiver a infeliz ideia de criar uma empresa então o meu rendimento é taxado depois de o rendimento do meu negócio ser taxado com os mais variados impostos], a minha poupança é taxada. Depois de tudo isto o que sobrar para os meus filhos depois da minha morte, também irá ser taxado antes de lhes chegar às mãos.

Solução - taxar "economia paralela"? ;)

jfd disse...

Solução taxar todos os que têm de o ser.
E depois logo se vê onde cortar.

Mas só depois de o Estado ter a máquina fiscal tão funcional que não sobra um cêntimo por taxar.

(deves ter tremido ao imaginar este cenário LOL)

É muito fácil ser demagogo com este assunto, com essas estórias da carochinha republicana :)

A economia paralela que não conseguimos evitar, porque não a combatemos com os mecanismos que tornam legítima a sua irmã? Só assim as duas se irão aproximar, fazendo com que a primeira deixe de fazer menos e menos sentido...
É uma ideia pouco trabalhada, mas com sentido.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

LOL "Carochinha Republicana"

Portanto a tua solução para resolver o problema da fuga para uma "economia paralela" causado por excesso de taxação é aumentar a taxação e a coercividade da mesma... faz sentido ;)

E sim, a minha espinha PCL treme a imaginar esses cenários ;)

jfd disse...

Tu és dificil pá! ;))))

Nélson Faria disse...

O mercado paralelo surge por força das falhas de mercado, muitas vezes criadas pela intervenção estatal: às vezes por pressão fiscal, outras vezes para responder à procura de produtos "proibidos".

Marco Mendes disse...

Saindo do "tema" do mercado paralelo, não percebo.

Eu, funcionário de uma multinacional em Portugal, estou a trabalhar em Espanha. Estive 2 meses nas Asturias, passei mais um mês em Madrid, e agora estou, e estarei, em Sevilha por mais 6 meses.

O que vejo? Vejo um nível de vida que não tenho em Portugal. Vejo benefícios fiscais em determinadas situações que não vejo em Portugal. Vejo preços de venda ao público que não vejo em PT. Vejo muito, que tirando a TV espanhola toda dobrada, não vejo absolutamente nada que me faça voltar a PT.

Tudo bem, por estar em Espanha tanto tempo, tenho mais benefícios financeiros !!! E terei mais se ficar em Espanha. Tirando o preço das casas mais elevado (muito mais) que em PT, estou seriamente tentado a ficar por cá.

E que há em PT que "nuestros hermanos" não nos possam dar? No meu caso, em que a referida multinacional me paga mais cada vez que estou em Espanha, e em que, inclusive, já me ofereceram praticamente o que quero auferir para me mudar de país, porque não devo fazê-lo? Volto sempre que quero, mantenho a minha casa em PT sem grandes encargos e levo uma vida muito melhor aqui?

Se calhar ganho bem ... eu penso que não, não o suficiente para a minha ambição, mas que te digo, "en España se esta bien ... " Está!

Comentários para os meus contra-argumentos ?!?!?!?

Un Saludo

Marco Mendes

... e mais uma vez, um abraço ao Bruno ;

jfd disse...

Oh Marco eu nem peguei por ai, pois que me matavam por aqui ;)

Eu sou um Ibérico.
Quem me dera ser um deslocado profissional em terras de nuestros hermanos. Ter o melhor da Iberia.
Tu tens, aproveita!

Mas que é verdade que a crise se aloja em Espanha, e que os Espanhóis não têm problemas em a assumir é verdade. Ou discordas?

Marco Mendes disse...

"Mas que é verdade que a crise se aloja em Espanha, e que os Espanhóis não têm problemas em a assumir é verdade. Ou discordas?"

De todo. E estão certos! Se não assumes que tens um problema, como podes lidar com ele?