quinta-feira, junho 05, 2008

Esquerda Unida

Manuel Alegre está em rota de colisão com o PS. Depois de Helena Roseta, Alegre ameaça deixar o partido. Adianta ainda uma união à esquerda, para reforçar a contestação social.
Este para mim é um perigoso indício de um expressivo resultado da “esquerda”, nas próximas eleições legislativas.
O descontentamento é evidente. As esquerdas unem-se com um único objectivo: aproveitar a fragilidade sócio-económica em que o país se encontra e fazer frente ao PS em 2009.

O PSD, desde sábado, está em contra-relógio para reverter esta situação.

11 comentários:

PVF disse...

Aproveito para dar conta de um post que coloquei no blog da minha secção sob o título de:

Abalos de um sismo anúnciado

Ontem assistimos ao que há muito era latente: O início da convulsão da “esquerda” em Portugal.

Muito bem protegida por uma comunicação social demasiado conivente com este sector político, os abalos que têm ocorrido nos últimos anos são criteriosamente mantidos nas fronteiras internas. Recordo alguns episódios que apenas mereceram algumas referências nos media:

1- Movimento Cívico de Manuel Alegre no seguimento da sua candidatura à presidência. Têm reunido com regularidade e as movimentações apontavam para duas soluções: a criação de um novo Partido ou delinear uma estratégia para o pós-socrates no PS.


2- Saída de comunistas de cargos públicos: a deputada Luísa Mesquita da Assembleia da República e o presidente da Câmara Municipal de Setúbal Carlos Sousa. Mostra a reacção da estrutura ortodoxa a movimentos internos mais independentes do comité central.


3- A candidatura de Helena Roseta à CML com saída em ruptura do PS.


4- As guerras internas no BE aquando da última reunião magna do partido, no Fórum Lisboa.


5- As abstenções de Manuel Alegre em algumas votações no parlamento.


6- A carta de Mário Soares

Estes são alguns exemplos de acontecimentos que mereceram pouco aproveitamento mediático se compararmos com os factos e as polémicas que se criam entorno da vida do PSD, julgo que será perceptível a diferença.

Mas estes “pequenos abalos” apenas são o prenúncio do grande terramoto que vai acontecer na dita “esquerda”.

Como quando acontecem este fenómenos naturais lá bem longe de Portugal o nosso comportamento é de algum alheamento e de observação à distância.

O problema é que a qualquer momento pode acontecer connosco.

Esta luta à “esquerda” pode não ficar tão distante do PSD como se imagina. Se podemos visionar uma impulsão de uma parte do PS ao mesmo tempo temos que entender que, a acontecer, vai provocar um acantonamento da actual classe dominante no PS ao Centro-esquerda e Centro-Social-democrata. Ou seja o PS tenderá a querer instalar-se no chamado centrão.

Assim sendo, para além dos perigos sempre latentes de a grande base de apoio do PSD poder entrar também em “abalo sísmico” de grande intensidade, torna-se urgente ao PSD preparar-se para a redefinição dos posicionamentos à esquerda.

Como venho alertando ao longo dos últimos 5 anos, o PSD precisa de deixar de ser um partido de multitendências assente numa matriz que vem de outros tempos e contextos.

Falar-se de “Esquerda” ou “direita” vindas dos pensadores do séc. XIX, com mais ou menos recauchutagem é perder-se tempo.

O mundo actual exige clarificações ideológicas que permitam diferenciar as diferentes propostas de governo.

Agora, com a chegada da paz interna, volto a defender a criação de uma task force exclusiva para redefinir e modernizar o ideário político do partido, para que a partir de 2009 possamos saber o que somos e o que nos diferencia dos restantes adversários políticos aos olhos dos portugueses.

Paulo Colaço disse...

Alegre quer ser Presidente da República, com o apoio e alavancagem da esquerda à esquerda do PS.
Talvez se tenha rebelado cedo demasiado cedo.
Porquê? Porque Cavaco tem mais um mandato à sua frente.

Se o seu objectivo é apenas criar um Partido (ou mudar para o BE) para se manter deputado enquanto aguarda a "reforma" de Cavaco, então a altura parece-me a ideal.

Aliás, Alegre não podia adiar mais o rumo de transição para nao dar a idea de agarranço ao Poder quando o PS fizer a purga nas suas listas de deputados...

Quanto a José Lello, faz o que lhe mandam. Ou, mais grave, faz o que acha que agrada a quem manda.

João Marques disse...

Quanto à esquerda, acho que estes são sinais de problemas de longo prazo, este acantonamento extremista de algumas das principais figuras do PS revela aquilo que meio mundo já sibilava, o actual governo é tudo menos socialista. Mas ainda bem, o que se passa politicamente é que provavelmente o PCP e o Bloco terão melhorias marginais nos seus resultados (quando chega a hora de votar ver uma foice ou um martelo assusta e lembrar o que o BE verdadeiramente representa também não ajuda), sendo que esta melhoria será sempre à custa do PS. Há um sem número de eleitores que estão descontentes com Sócrates e que nem por sombras se aproximariam dum espectro da extrema esquerda, para esses há só um caminho, o PSD, desde que, claro está, retomemos a imagem de credibilidade e reformismo que sempre nos marcou.

A proliferação de movimentos e figuras à esquerda e extrema esquerda não é um sinónimo de força, mas de fraqueza. Sendo que o PP não pode aspirar a mais do que um resultado na linha dos 4-6%, isso representa outro trunfo para o PSD, o voto útil.

Finalmente boas notícias para o nosso partido.

Anónimo disse...

Sinceramente: Socrátes será 1ºministro em 2009. Com mta pena minha, mas será! Não temos oposição. Sou realista, não temos oposição!

polvo disse...

Caro João não posso discordar mais da tua análise. Parece-me que ao contrário do que dizes nem os aumentos do Bloco e PCP serão tão marginais nem a margem do PP se situa nos 4 a 6%.

Quanto ao PP é o erro histórico das sondagens. Quase nunca o PP teve um resultado inferior ao que lhe dão as sondagens. Na hora da verdade muita gente de direita revê-se na oposição combativa e intransigente do PP.

Por outro lado, neste momento, o PSD ainda não se oferece como alternativa. Como resultado muita gente descontente com o Governo e o PS tenderá a depositar o seu voto numa força política que se tem mostrado, embora só na aparência, moderada, e que é o Bloco de Esquerda.

Mais, boa parte da esquerda socialista não se revê no actual Governo. Isso vai abrir uma vez mais portas a bloquistas e comunistas. Aí terá muito peso e impacto a posição de Manuel Alegre caso decida afastar-se do PS.

Parece-me que é evidente que o PS vai perder a maioria absoluta. Resta saber se o PSD será o grande beneficiado dessas perdas. Espero que sim mas, por ora, a minha esperança ainda é ténue.

Com cumprimentos de um POLVO perseguido pela ASAE.

João Marques disse...

Não me vou repetir, mas mantenho a minha análise, os portugueses não votarão extrema-esquerda.E com uma oposição reforçada, como penso ser a nossa, os votos irão cumprir o calendário bipartidário e regressarão ao PSD. Isto não é menorizar a capacidade de mudança (de que tanto se fala) das pessoas, mas é a constatação de que Portugal é um país com uma democracia estabilizada e onde as derivas populistas têm custos controlados, nunca fazendo mossa de relevo.

A moderação do Bloco não é a sua força, dado que é por aí que se enfraquece a imagem de marca do movimento/partido, a sua irreverência (ou irresponsabilidade).
O PP tem o mesmo problema que o PSD teria com Santana Lopes, pode tratar-se um animal político, mas "os cavalos também se abatem" e parece-me que é desta que Portas fechará o seu ciclo.

Pode ser que me engane tanto como o Prof. Marcelo nas escolhas da Eurovisão, mas tenho para mim que os resultados se distribuirão desta forma.

Tiago Mendonça disse...

O que se está a passar é normal. Sócrates deslocou-se para a direita para esvaziar o PSD(consegui-o durante a liderança de Marques Mendes), e deixou um espaço à esquerda, que congregou a ala mais à esquerda dos eleitores do Partido Socialista e os seus próprios votos. Mais, juntou ainda, a isto tudo, o facto de ter sido a única oposição a Sócrates aquando Marques Mendes e Ribeiro e Castro eram a oposição á direita de Sócrates.

De qualquer forma não creio que os Partidos de Esquerda juntos, possam alcançar os 20%, mas acredito num resultado na casa dos 17 ou 18% no somatório dos dois partidos. Acho difícil (e desde Sábado ainda mais) que o CDS não consiga pelo menos 5 ou 6% dos votos. Temos então mais ou menos 25% dos votos distribuidos.

Mais 5% entre brancos e outros partidos, mais ou menos 30% distribuidos.

Os restantes 70% serão distribuidos pelos dois partidos. Espero que o PSD ganhe e acho possível que isso aconteça, aliás é para isso que vou trabalhando.

Duas advertências : Manuela Ferreira Leite terá que descolar do Partido Socialista, e não acho que necessariamente o tenha que fazer deslocando-se para a direita. Por outro lado, a existir um Bloco Central, aí sim, teríamos claramente o PCP e o BE a aumentarem e muito os seus scores eleitorais.

Tiago Mendonça disse...

Já agora,http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/339048

Uma sondagem do expresso : 21% do somatório do PCP e do BE (valor em que não acredito, como disse julgo que ficarão perto, mas não chegarão aos 20%), um PP perto dos 7%, aproveitando a pretensa crise no PSD, o PSD com 25%(4% abaixo do tão horrível resultado nas legislativas de 2005;)) e o PS, mais longe da maioria absoluta com 41,8%. A sondagem foi feita entre 28 de Maio e 3 de Junho, mas espero que a mesma ainda não reflicta, como aliás é dito na legenda da sondagem, a eleição de MFL. Espero que na sondagem do próximo mês a Salvadora da Pátria consiga colocar o PSD um pouquinho mais acima. 29% já não era mau...para começar.

Luís Nogueira disse...

"Este para mim é um perigoso indício de um expressivo resultado da “esquerda”, nas próximas eleições legislativas." Achas mesmo?
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Não sei, mas algo me diz que as sondagens devem andar um pouco distorcidas. Principalmente aquelas que têm "uma mão invisivel"... Vou esperar para ver as da UCP. No entanto acho bom que a "esquerda caviar" e os "sociais fascistas" estejam a crescer um pouco à esquerda, roubando algum eleitorado ao PS.
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Resta agora ao PPD/PSD ocupar o seu espaço tradicional de centro-direita, agarrar o eleitorado flutuante e apostar forte nas alternativas às políticas económicas de Sócrates. É que depois do Euro, volta a dura realidade e infelizmente segundo alguns, a crise vai agravar :(

José Pedro Salgado disse...

Espero que seja um sinal de uma viragem à esquerda do PS.

A democracia portuguesa precisa tanto de um PSD como de um PS "à séria".

Margarida Balseiro Lopes disse...

Luís,

Estou mesmo apreensiva e preocupada com o crescimento que o PCP e o BE têm tido nas sondagens. Creio que é reflexo do espaço que o PS de Sócrates deixou de ocupar. O agravamento a crise social, a falta de opções que o PSD tem revelado também contribuem.

Tenho confiança na actual líder do PSD: com credibilidade, os portugueses começarão novamente a ver no PSD uma alternativa ao Governo socialista.