quinta-feira, agosto 07, 2008

Um ano depois...

Faz mais ou menos um ano que começou a crise do sub-prime
As ondas de choque rapidamente se propagaram desde o epicentro, os EUA, até ao resto do Mundo. Já muito se falou sobre o assunto. Todos estamos a sofrer as suas causas. Todos vamos sofrer ainda mais.
E assistimos ao risco do paradoxo do aumento da inflação a par de muito débil crescimento económico; Estagflação (simplisticamente falando! – peço ao Economista de serviço que dê as achegas necessárias). Isto leva-nos a uma injusta e incompreendida luta contra a inflação (mas mais que necessária!); com a subsequente subida dos juros e consequências que todos conhecemos. É assim a vida na União Europeia...

Neste momento, e para além do acima descrito, o que mais me preocupa é o facto de os países não tocados por esta crise continuarem com as suas inflações galopantes, acompanhadas de grande crescimento económico, altamente viciante! Ora, esses deveriam ter juízo e perceber que estão na melhor altura das suas vidas de controlar a inflação. Porque me preocupam? Porque certamente, quando tivermos a respirar um pouco de alívio, daqui a algum/muito tempo, os problemas que surgirão nesses países iram-nos puxar de novo para baixo da linha de água. Ou será que estou a ser pessimista? Muitos economista de renome acreditam no decoupling da economia Mundial. E a sua maior prova é exactamente esta crise. Uns estão no buraco, outros para lá caminham e outros estão na boa. Eu estou com a outra corrente; os que acreditam que isto é apenas temporário, e que Globalização é, de facto, Globalização, para o bom e para o mau!

E vocês? Também acreditam no Better safe then sorrow?

25 comentários:

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

A teoria do decoupling: confesso que nunca engoli essa muito bem - quanto mais globalização menos "decoupling" mas adiante...

Esses paises que falas são dois blocos: os emergentes - notavelmente China, India, Russia - e os países do Golfo.

O problema é um desajuste de politicas monetárias, ou visto de uma forma diferente, "shadow monetary policy": tantos os emergentes como os países do golfo estão a "importar" a politica monetária da Fed, a pior possivel para paises em "sobre-aquecimento" e estão, para todos os efeitos a fazer os erros que nós, OCDE, fizemos nos anos 70.

Os paises do Golfo têm "pegs" ao US Dollar, ou seja, cambios fixos. Ora, cambios fixos são muito uteis quando se transaciona produtos na moeda a que estamos fixados - US Dollar no caso em questão - mas retiram todo o poder à politica monetária. As autoridades monetárias de paises com "pegs" são forçadas a imitar a politica monetária com banco central ao qual fixaram as respectivas moedas.

Quando não o fazem, e alguns paises do golfo não o fizeram, têm um segundo problema: dado que estão a seguir um rumo diferente ao Banco Central de referencia, gera-se um diferencial positivo de taxas de juro e dado que a moeda não mexe - vide o euro, que sempre que o BCE sobe os juros ele sobe - geram-se os chamados Carry Trades: de uma forma simplista capital entra de forma exponencial para tomar partido do diferencial, com consequencias nos sistemas de preços.

Ou seja, caso façam "shadow policy" ou decidam ser autonomos, o resultado é sempre o mesmo: inflação, em alguns casos a dois digitos.

Nos BRIC a situação é igual mas por razões diferentes: os pegs são feitos para manter a competitivade de exportações - quase toda a Asia tem pegs formais ou informais [Japão] - e a maior parte deles é dependente dessas mesmas exportações. Isto cria vários problemas:
1. Bolhas, seja por entrada excessiva de reservas, seja por fuga de poupanças por moedas desvalorizadas - e é um grande problema quando um banco central tem "responsabilidades" em moeda estrangeira [impede-o de no limite expandir o seu balanço para salvar a economia];
2. Inflação a dois digitos;
3. Crescimento anormal.

O resultado não irá ser bonito: No limite, estes meninos vão cair na mesma armadilha que nós nos anos 70 - estagflação [as expectativas de inflação tornam-se "endogenas", ou sejam, passam a fazer parte das negociações de investimento, salario enquanto a economia estagna...e para dai sair só um choque monetário no sentido de redução da massa monetária.]

O único pais que tem (algumas) vantagens em seguir esta politica é o Japão:
É credor liquido, financia-se em Yenes [logo o Banco do Japao não tem responsabilidades em moeda estrangeira], estão loucos para ter inflação e têm um mercado interno com capacidade para aguentar a economia numa revalorização do Yene...

jfd disse...

Obrigado Guilherme.
Considero que fazes serviço de psicose ao mais alto nivel, quando trazes economia a estas caixas do Psico ;)

Quem se arrisca a entrar na conversa? ;)

Aqui têm um bom local com recursos explicativos;
http://www.ft.com/bigfreeze

E agora Guilherme, quando tiveres tempo e não tiveres a discutir o Plano Marshal, falta a tua opinião... Será que esses dois blocos serão a nossa desgraça, num cenário em que teremos ultrapassado a crise?

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

A minha opinião?

O bloco do Golfo está com o problema (obvio) de inflação e bolhas [covenhamos que fazer campos de ski no meio do deserto é um daqueles indicadores óbvios de que algo está errado ;)]. O problema é que abandonar os pegs não é uma opção viavel - no dia em que o golfo anunciar que diz adeus ao cambio fixo ao dollar vais ver o dollar a cavar um buraco até à China. Esses estão entre a espada e a parede - embora exista a solução proposta de constituirem uma "moeda única" para a região e depois referencia-la a um cabaz de moedas, mas as rivalidades regionais têm mantido esse plano na gaveta.

A Asia já é outra história. Vai abrandar? Sim, vai. A começar pela China - como sabes não sou crente na teoria de que a China vai continuar o seu "milagroso" crescimento sem pelo menos uma correcção - mas têm poupança suficiente para aguentar o choque de forma conveniente [da mesma forma que o Japão teve poupança para aguentar a sua depressão]. Existirá alguma deslocalização industrial para outros paises - por exemplo, para o vietname - mas com algum esforço recuperam. A India não vai perder os seus engenheiros, a China não vai perder a tecnologia que já possui.

Do outro lado do espectro tens paises com algum bom senso - curiosamente aqueles que mais sofreram durante a crise asiatica - com o notavel exemplo da Coreia do Sul e outros paises de media dimensão que estão a seguir o caminho do combate à inflação. As excepções são os maiores credores dos EUA que sabem o efeito que essa politica terá no dollar - uma dica: não vai subir ;)

Veja-se a crise asiatica de 1998: o mundo não parou de girar. Algusn paises tiveram ajustamentes complexos - a Coreia do Sul por exemplo optou por deixar o mercado funcionar e seguiu 2 anos de ajuste um pouco violento. Aprenderam grandes lições e não é à toa que não tens bancos envolvidos no subprime na Asia: a empresa média asiatica tem balanços de fazer corar de inveja muito boa empresa americana e europeia.

Este abrandamento vai ser bom por um lado: vai retirar muita da pressão sobre as commodities pela via da diminuição da procura - que já se faz sentir nos preços. O que por sua vez é bom para nós se mantivermos os olhos no big picture e não tentarmos esconder a crise para debaixo do tapete.

A minha opinião é que vais ter ajustes dos dois lados (OCDE e emergentes) mas que daqui a 2 a 3 anos a coisa equilibra.

Obviamente que existe um "worst case cenario": continuar com o "martelar" de taxas de juro e cambio para tentar "fugir" ao ajustamento. Ai a bola está na Reserva Federal [Embora a presença de um BCE e de um bloco europeu ajuda a amenizar a questão: começa a existir uma opção aos EUA, em termos de mercados]...

Daniel Geraldes disse...

Novo Blog de Discussão Politica, Geração de Oitenta!!

jfd disse...

Senhor Geraldes e o valor acrescentado do seu comentário? :P

Nuno Gonçalo Poças disse...

Faço pior...

http://geracaodeoitenta.blogspot.com

Com isenção... ;)

jfd disse...

Quid pro quo...

Filipe de Arede Nunes disse...

Não me meto nisto.

É muita areia para uma camioneta que não tenho.

Mas gosto de ler.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

PS: Já agora passem lá pela link que o Poças deixou!

jfd disse...

Obrigado Filipe.
Olha, passei mal a mensagem. Como vês tu a crise? Como te afecta? Como vês o futuro?
Neste camioneta estamos todos ;)

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Uma pequena cronologia para leigos:

FT Short View

Filipe de Arede Nunes disse...

JFD,

Não é para a minha camioneta a discussão técnica do Guilherme.

O mercado está claramente a abrandar e eu vejo isso também no escritório de advogados onde trabalho. Uma vez que a maioria das coisas que faço é para sociedades estrangeiras, consigo dizer-te que existem menos aquisições, menos fusões, menos negócios no geral.

A mim em concreto afecta-me pouco: vivo sozinho e não pago renda; ganho o suficiente para os gastos e ainda consigo poupar; não pago prestação do carro; não tenho gastos desnecessários.

Quando ao futuro: negro. Sou um pessimista em questões económicas. Acho que existem várias bolhas que têm sustentado o mercado global e que não são sustentáveis a longo prazo.

O Guilherme dizia que ainda há quem defenda aquela ideia mercantilista de que para uns ganharem, outros têm de perder. Pois, eu sou um desses tipos.

De resto, não tenho conhecimentos de macro e micro economia suficientes para discutir profundamente este assunto convosco.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Filipe,
Não me leves a mal, mas eu começo a achar que és um pessimista crónico ;)

Repare-se que esta crise não nem nova nem diferente de todas as outras dos últimos 50 anos. E tal como as outras vai esvaziar e corrigir e nós ainda cá andaremos.

Quanto ao mercantilismo, a única resposta que tenho para ti é que desde do Sec XIX, quando David Ricardo demonstrou as vantagens comparativas que sabemos que a Economia não é um jogo de soma nula. Para alguém ganhar não quer dizer que alguém tenha de perder: vidé o Plano Marshall, em que não discutindo motivações, ambos ganharam; vidé comercio internacional em que cada pais se especializa no que sabe fazer melhor e globalmente ganhamos todos.

Quanto às "questões tecnicas", terei todo o prazer em esclarecer dúvidas :)

Nuno Gonçalo Poças disse...

"Acho que existem várias bolhas que têm sustentado o mercado global e que não são sustentáveis a longo prazo."

Filipe,

não sendo essas bolhas sustentáveis a longo prazo, outras serão criadas. Tem sido assim ao longo dos tempos.

A crise actual é grave, não restam dúvidas, julgo eu. Contudo, ainda consigo olhar o futuro com algum optimismo. Só não consigo vislumbrar alternativas. E era isso que gostava que me explicassem: de que forma se pode contornar a situação?

José Pedro Salgado disse...

Então deixa-me colocar-te uma questão muito directa:

A partir do momento em que todo o dinheiro agora é de valor relativo, e portanto andamos todos a transaccionar com títulos cujo valor é "acordado", mas que em termos concretos não têm valor intrínseco. não te preocupa a possibilidade de, surgindo uma crise realmente grave (como o fim do petróleo, desculpem lá qualquer coisinha), quando a humanidade se aperceber que todo o investimento que fizeram num determinado rumo a tomar não é sustentável, que todo o sistema venha a colapsar?

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

O sistema é auto-correctivo e esse é exactamente o problema que algumas autoridades estão a tentar evitar (a correcção é sempre desagradavel entenda-se... em especial em anos de eleições).

As moedas têm valor: o valor das suas respectivas economias e respectivos "balanços".

Não andas a transacionar activos com valores acordados, anda a transacionar activos em que em última analise o seu preço reflecte a "saude" do pais de origem. O dolar desce porque o mercado vê hoje a economia americana como mais arriscada e menos produtiva. Mas se não manipulares o sistema ele é autocorrectivo, embora o problema é que a solução passa não por "evitar a crise" mas sim "enfrenta-la" e "lidar" com ela.

Isso implica que os bancos assumam as perdas que estão a ter, em vez de - com patrocinio de bancos centrais - os esconderem, por exemplo. Implica que as pessoas consumam menos e poupem mais, em vez de se estenderem em mais créditos...

Se tu continuares a manipular cambios, taxas e outros preços [ou adoptares medidas de desvalorização competitiva para tentar safares-te, como aconteceu em 1998 na Asia] como o tens feito até agora, sim... acontece o mesmo que aconteceu em 1929...

Pensa na economia actual como uma banda elastica, vais alargando até que ela se solta do teu dedo e volta à posição original e voltas a esticar e por ai adiante. São os ciclos... investimentos são feitos, economias crescem, geram-se algumas euforias, desiquilibrios geram-se, a economia contrai e corrige até à posição inicial (seja qual for o padrão monetário, moeda fiduciária como temos agora, ou padrão ouro). Mas se tens alguem a ajudar a segurar o elastico e a incentivar-te a estica-lo ai arriscas-te a ter um problema: rompes o mesmo...

Esse alguém é o banco central (não querendo dizer que ele é a origem de todos os males... mas que têm alguma responsabilidade aqui).

Nota que os valores das moedas não são "acordados".

A malta não se reúne de manha e diz "bem, hoje o dollar vale x, o euro vale y". É uma questão de preços relativos, de performance económica, de risco de credito e de taxas de juro. Se uma moeda dá mais juros que outra, então este vale mais. [Sendo mais tecnico, a economia funciona segundo um principio de zero arbitragens: os preços equilibram-se tendo em contra outros preços, em n mercados relaccionados e de modo a não providenciar "almoços gratis"].

Como sair? Como disse: assumir perdas, reconhecer alavancagem e reduzi-la, recompor balanços, assumir nova gestão de risco e, no caso dos derivados OTC, mudar alguma regulamentação.

José Pedro Salgado disse...

Acho que percebeste mal a questão.

Primeiro, quando falei em valores acordados, não queria dizer que a quantidade de valor era acordado. O que era acordado era o facto de terem valor, uma vez que não têm valor intrínseco.

E o problema reside precisamente no facto do valor das moedas se traduzirem no valor das suas economias. É que se tiveres uma crise verdadeiramente global pode acontecer um descontrolo tal, que os títulos com que negoceias percam qualquer confiança, mesmo os emitidos pelo Estado.

Isso é que me preocupa.

jfd disse...

Este último parágrafo do Guilherme é muito pragmático. É aquilo que temos de enfrentar, encarar...

Porque é boa esta crise do sub-prime e também a crise petrolífera???
Já falamos muito sobre isto em vários posts. E esta ideia de autocorrecção, de ter noção das coisas, de travar fundo e ver a realidade é muito boa. Temos, como humanidade, de equacionar onde estamos e para onde vamos, e mais que tudo, como vamos lá chegar. E só assim caro Salgado, teremos as respostas àquilo que tanto anseias ver respondido...
Acredita que se tudo continuasse adormecido, ébrio com ganhos e mais ganhos em negócios com pés de barro, estaríamos a caminhar vertiginosamente para uma maior desgraça mundial! Aí o Filipe pareceria o maior optimista do mundo!

Estas duas crises dão-me esperança numa coisa! No génio Humano! Movido a algo que nunca desaparecerá: ganância! ;)))

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Salgado,
Sim, funciona à base de confiança e foi isso em ultima analise que começou isto: o mercado "perdeu" confiança nos derivados de crédito e na capacidade dos bancos de gerirem os seus riscos de forma competente.

Assegurando o risco de liquidez - e essa é a função do Banco Central, que o BCE tem feito de forma exemplar acrescente-se - a questão da falencia do sistema não se coloca. É uma simples questão de novos preços que reflitam as novas condições (algo que alguns bancos não querem fazer porque arriscam falencia por questões de falencia, pro-ciclicidade de balanços exacerbada por regulações "feitas com os pés").

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Errata:
(algo que alguns bancos não querem fazer porque arriscam falencia por questões de gestão de risco, em muitos casos derivada da crença de que os governos salvaram empresas, pro-ciclicidade de balanços exacerbada por regulações "feitas com os pés")

Nélson Faria disse...

Britain's housing bust is bringing down the economy

http://www.iht.com/articles/2008/08/07/business/pound.php?WT.mc_id=newsalert

jfd disse...

Uk e Espanha.
Os mais "perigosos" na UE...
O que vale é que têm rede de segurança. Pena é que nos levem todos atrás :P

Nélson Faria disse...

Portugal tem 200 mil imóveis usados que estão sobreavaliados e não encontram comprador

http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1338116&idCanal=57

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

No entanto não temos nada que se pareça com uma bolha.

A nossa rebentou mais cedo - 2000/2002 - e foi à nossa medida: pequena no global. Nada que se compare às bolhas - a rebentar - em Espanha, Irlanda e Reino Unido.

Paulo Colaço disse...

O Jorge pergunta: "Quem se arrisca a entrar na conversa?"

Respondo: "eu não!"

Mas, tal como o Filipe, gosto de vos ler.

jfd disse...

Banco do Japão mostra-se pessimista quanto à evolução económica

O Banco do Japão (BoJ) mostrou-se mais pessimista quanto à evolução económica e manteve a taxa de juro inalterada no valor mais baixo entre os países industrializados.O crescimento económico tem sofrido com «os elevados preços da energia e dos metais e com o enfraquecimento das exportações» afirmou o governador do BoJ Masaaki Shirakawa em comunicado, segundo a Bloomberg.Estas declarações seguiram-se à manutenção da taxa de juro nos 0,5%, a mais baixa entre os países industrializados.O governador da autoridade monetária acrescentou no comunicado que «enquanto o crescimento deverá manter-se preguiçoso durante o presente, espera-se que regresse gradualmente a um padrão de crescimento moderado com os preços das matérias-primas a aliviarem e a economia global a recuperar.»A segunda maior economia do mundo sofreu uma contracção anual de 2,4% no segundo trimestre do ano, arrastada por um forte recuo das exportações e pela inflação elevada que reduziu o poder de compra dos consumidores. Caso os números referentes ao terceiro trimestre mostrem a mesma tendência, a economia japonesa enfrenta as possibilidades de entrar em recessão, a primeira em seis anos.Hiroaki Muto, economista da Sumitomo Mitsui Asset afirmou, citado pela agência noticiosa norte-americana, que «não é provável que a economia recupere antes de 2010, e as taxas de juro não deverão subir antes dessa altura.»

2008/08/19 - 08:30
Fonte: Canal de Negócios