terça-feira, agosto 26, 2008

Cadê as nossas crianças?

Que a União Europeia tem uma pirâmide etária envelhecida não é novidade para ninguém. Que o crescimento natural dos países é cada vez mais diminuto ou negativo também já não nos surpreende. Ao tomar conhecimento do recente estudo do Eurostat é ainda mais angustiante e preocupante perceber o rumo que as sociedades seguem.

Segundo o Instituto de Estatística Europeu, no ano de 2035, cerca de um quarto da população europeia terá idade superior a 65 anos e daqui a uns meros 7 anos, a mortalidade ultrapassará a natalidade.

São dados de pura mentalidade de países ditos desenvolvidos que deviam apostar em medidas natalistas. Os filhos tornaram-se fonte de despesa, ao invés do que se passava há umas décadas atrás em que os filhos eram encarados como outra fonte de receita para o orçamento familiar.

Como iremos travar e inverter a nossa pirâmide populacional? Somente à custa de subsídios no período pré e pós natal? Não serão necessários mais sistemas de apoio? Ou estaremos nós no caminho certo? E ainda dizem que o melhor do mundo são as crianças...

14 comentários:

Luis Melo disse...

Em relação ao post: Uma coisa eu sei, hoje em dia dá-se mais importância ao dinheiro do que ao amor. As prioridades estão trocadas na sociedade de hoje.

Uma info: Depois de vários anos com algumas em conjunto, vou iniciar uma "aventura" sozinho... vejam, participem e divulguem:

http://mudaportugal.blogspot.com/

Luís Nogueira disse...

Este é um dos temas que mais gosto de debater e por isso, obrigado pela posta Inês :)

Como dizes, não é novidade para ninguém que a piramide etária europeia, encontra-se numa situação critica. A pergunta coloca-se: porque chegamos aqui?

Certamente já todos ouvimos a velha história, de que com a maior independência laboral e financeira por parte das mulheres, estas deixaram de sentir tanto a vocação maternal e que por isso, nascem menos crianças.

Penso que tal poderá contribuir, mas é apenas uma parte da equação. Claro que a sociedade não se resume apenas a questões meramente económicas, mas é certo que o tipo de sociedade em que vivemos, que cultiva permanentemente um conjunto de valores, muitas vezes contrários à formação de uma base familiar, acaba por condicionar todo esse processo.

As pessoas acabam assim por adiar a decisão de terem filhos, ou em virtude da carreira profissional ou porque outros projectos pessoais estão em primeiro lugar, ou simplesmente porque, enquanto são mais jovens não têm condições económicas para tal.

"Como iremos travar e inverter a nossa pirâmide populacional? Somente à custa de subsídios no período pré e pós natal? Não serão necessários mais sistemas de apoio? Ou estaremos nós no caminho certo?": Acho que fazes aqui as perguntas certas.

No entanto, não acho que os subsídios sejam a solução mais indicada, como se fossem uma ou a única solução perfeita, pois como já se viu nos EUA no sec XX, acabam por criar umas excessiva dependência e passamos a ter familias que se reproduzem em nome de mais apoio estatal.

Penso que a solução passará por uma mudança profunda na mentalidade de alguns empresários, que pelo efeito dominó, acabarão por arrastar os outros, e por conseguinte, o próprio modelo económico, não discriminando muitas vezes as mulheres nas suas progressões laborais, apenas pelo facto de poderem ficar grávidas, bem como permitirem um nível de salários e de carga horária de trabalho semanal, que permitam quer às mães ou aos pais, poderem dedicar algum tempo mais às suas crianças.

(para primeira análise ficamos por aqui, time to sleep...)

jfd disse...

Emigração... Foi apontada como solução pelo relatório.

Nélson Faria disse...

Grande Inês,

grande posta. Tal como o Luís, este é um dos meus temas de eleição.

As crianças não podem ser considerados um estorvo ou uma despesa: claro que a chegada de uma criança a uma família implicará sempre um aumento de despesas.

O Estado não precisa tanto de ajudar como de garantir que não seja tão difícil a educação e sustento de uma criança. O governo tem aumentado os subsídios. Faz muito bem.

A questão imigração é outro dos meus temas de eleição Jorge. E o Filipe Daniel invoca-a sempre como uma solução.

O meu problema, salvo seja, com essa solução é que está limitada no tempo: funcionará durante uma geração, depois os emigrantes rapidamente adquirirão o nosso modus vivendi.

Num outro post com este tema disse a brincar que o futuro talvez esteja na importação de crianças vindas da Ásia ou de África, locais com excesso populacional e carestia de vida. Será África e Ásia o nosso futuro berçario?

Nélson Faria disse...


(...)
The document did not spell out these likely shifts, but they could include reduced funding for schools, heavy burdens on welfare and social security systems, and perhaps even a political push for much larger immigration, which is currently deeply out of favor with most European voters.
(...)
But for Europeans the economic implications of an aging population are stark. The Eurostat report says that in 2008, in the EU's 27 nations, "there are four persons of working age (15-64 years old) for every person aged 65 years or over." In 2060 "the ratio is expected to be two to one."


http://www.iht.com/articles/2008/08/26/europe/population.php?WT.mc_id=newsalert

Diogo Agostinho disse...

Este tema é deveras interessante.

Primeiro vivemos tempos de crise. Em que afecta sobretudo os recém licenciados. A média de ordenados é de um nível que os pais nunca tiveram. O emprego já não é seguro, logo a faixa etária dos 20 30 anos, está a tornar-se egoísta e individualista.

Cada vez mais essa faixa etária chega mais tarde a casa, sem cabeça para cozinhar, quanto mais educar uma criança. E falo de mulheres e homens.

O caminho de uma sociedade individualista é perigoso, e os apelos para o aumento da taxa de natalidade devem ser reais. O Presidente Cavaco disse e bem. É um tema que nos vai afectar, como o post bem demonstra.

Por isso, o apelo da nossa Presidente de Partido está correcto. Procriem.

Que bom ainda é abrir a Tabu, revista do Sol e nas páginas centrais dar de caras com Famílias numerosas. Que bom é ver pais com 4, 5 crianças. Deve ser estimulante, um orgulho colocar no mundo tantos descendentes.

Haja saúde, dinheiro e sobretudo carinho para dar.

Nélson Faria disse...

Bem lembrado Diogo! É capaz de ser das rubricas mais úteis nas nossas revistas. Mostra como vivem e que dificuldades têm de superar. E não é uma peça episódica: é um trabalho continuado.

Eu e a minha esposa Inês já chegámos a uma conclusão: só paramos de procriar no sétimo!

lolololololololol

jfd disse...

Diogo haja dinheiro realmente!

André Barata disse...

A solução para este problema não passa pela imigração, passa sim por defender politicas a favor da natalidade. Onde se gastam verbas em clinicas de aborto, deviam-se gastar verbas em maternidades; onde se divulga a possibilidade do aborto, devia-se divulgar o planeamento familiar; onde se gastam verbas para apoio ao imigrante, podiam-se gastar a favor de recem-nascidos; onde se gastam verbas para a integração dos imigrantes no mercado de trabalho, devia-se investir na estabilidade financeira e laboral dos casais que decidem ter filhos.

A solução pode, e deve, na realidade, passar por um aumento da natalidade. O que o impede são apenas os interesses de alguns, para os quais apenas esta cultura de morte e de destruição da família interessa. Qual a solução que nos é apresentada? A imigração. Rumo à desfiguração do país!

Inês Rocheta Cassiano disse...

É verdade, eu e o meu putativo esposo vamos contribuir para o aumento da natalidade (diz-se que para aumentar a natalidade em Portugal é preciso ter mais de 2,5 filhos). Eh eh

Eu queria focar um ponto que o André Barata abordou, a questão do aborto (sabem que eu sou doidinha por este tema). A interrupção voluntária da gravidez é claramente uma medida anti-natalista. Será que nesta actual conjuntura fará sentido? Não quero entrar de novo na discussão das razões que colocam cada um de nós com a sua própria decisão, mas que é uma politíca antagónica ao que se pretende, isso é um facto.

O Né tem muita razão quando diz que um filho não deve ser encarado como uma fonte de despesa. De forma a tentar minorar os efeitos no orçamento familiar com a chegada de um filho, saúdo com muito agrado um sistema já implantado na empresa Google (creio não estar a cometer nenhuma incorrecção). Na própria infra-estrutura da empresa, existe a possibilidade dos filhos ficarem num espaço fornecido pela empresa. Penso que serão, também mas não só, atitudes como esta que podem ajudar a inverter esta perigosa tendência.

Estamos a falar da nossa descendência, do assegurar da continuidade. E é preciso não descurar este assunto.

Bruno disse...

Ainda há dias o post da Guida falava de um problema que contribui para esta situação. A verdade é que o Estado português - e, ao que vemos, a maioria dos nossos parceiros europeus - n
ao tem dado reais condições aos cidadãos para que estes possam construir a sua vida assente na constituição de uma família com filhos.

Uma das perguntas da Inês é de fácil resposta. Quando perguntas se estamos no caminho certo é óbvio que percebemos facilmente que não! Olhando para a tendência, se por absurdo nada for feito ou se alterar a população europeia extingue-se...

A discussão "Natalidade vs. Imigração" tem muito sumo e leva a várias questões mas eu não acredito que a imigração possa ser uma solução em si mesma. Será apenas um adiar do problema e uma forma de olhar para as pessoas como meros números. É natural que o Filipe Daniel o faça mas eu não vejo o problema assim.

Afinal - bolas! - estamos a falar de dizer a alguém: olha, não é preciso teres filhos porque nós vamos mandar vir uns da Ucrânia que até já sabem trabalhar e vão logo começar a pagar impostos e tudo. Mas que raio! O problema é este?!?!? Claro que não! O problema é que as pessoas querem constituir família, ter filhos, assegurarem a sua descendência e não têm condições para isso.

Depois sim é que vêm as consequências deste problema (leia-se: envelhecimento da população, falência da segurança social, etc.). Mas o principal problema é as pessoas não sentirem que o seu país é um bom local com futuro para os seus filhos.

Bruno disse...

Apesar dos desabafos do meu comentário noto que não aponto muitas soluções.

Em primeiro lugar, garantir que temos um país seguro, com uma economia dinâmica, com bom funcionamento das instituições e uma educação de qualidade. Depois, em alturas de crise - como a actual - reforçar a aposta em apoios monetários (cheques educação, subsídio de família, etc.). Não é fácil de fazer, pois não? Qual o caminho? Pois... eu também não sei. Mas também não sou governante... só tenho algumas ideias ;)

Ah! Oh Né, vê lá se agora já deixou de ser tua putativa para passar a ser "esposa". É que ainda não me pagaste o "dote" :P

Nélson Faria disse...

Pensava que passar a ser eu a ter de aturá-la já era dote suficiente.

lololololololol

Bruno disse...

Não, Né! Por esse facto tens que pagar uma compensação aos senhores que a criam ;) A mim é o dote, mesmo, hehe!