terça-feira, agosto 05, 2008

De trepar às paredes


Obama e McCain começaram um novo debate: energia.


Debatem quem recebeu mais das companhias petrolíferas, qual a melhor estratégia para diminuir a dependência dos EUA do petróleo estrangeiro - nomeadamente o chamado offshore drilling (i.e. a prefuração em busca de reservas de petróleo localizadas em águas profundas, em zonas próximas da linha costeira) - etc., etc.


Como não podia deixar de ser, o debate sobre energias alternativas assume um carácter pouco mais do que marginal.


Assim pergunto eu:


Com previsões sérias de que o petróleo total existente no mundo hoje em dia só dá para mais 37 anos, com a ideia consolidada de que grande parte desse petróleo não é rentável de explorar, e tendo em conta que a actual procura pelo ouro negro não pára de aumentar, não deviam os candidatos a um país responsável por 25% do consumo de petróleo mundial centrar o seu debate noutro lado (sobretudo se tivermos em conta que cerca de 60% do petróleo que resta se encontra em zonas que não morrem de amores pelos Estados Unidos)?

38 comentários:

José Pedro Salgado disse...

Para quem não sabe, a imagem representa o chamado pico de Hubbert.

Hubbert foi um geofísico norte-americano que se baseou nos actuais ritmos de extracção do petróleo, na frequência com que se encontram novas fontes (bem como o tamanho das mesmas) para calcular quanto petróleo restaria, primeiro nos EUA (como o gráfico representa) e depois no mundo.

Assim, podemos vêr que o pico dos EUA foi algures entre 1970/75 (algo a que não é alheio a crise económica da altura).

José Pedro Salgado disse...

Só mais uma achega:

As estimativas do pico mundial de petróleo situam-se cerca de 2000/2010. Isto acontece devido ao chamado efeito retrovisor de Hubbert.

Essencialmente a ideia é a de que as teorias referentes a estes picos só são confirmáveis em retrospectiva, ao se verificar uma diminuição constante nas variáveis acima referidas.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Bem, tecnicamente toda a teoria tem um efeito "retrovisor" - só a verificas à posteriori ao se verificarem a evolução das variaveis ;)

Quanto ao peak oil:
Estima que o pico seja em 2010 - estimativas conservadoras, pois os mais radicais apontam para o pico em 2005, e a verdade é que a produção mundial não tem aumentado desde então.

A somar ao peak oil tens uma teoria chamada Export Land Model: sucintamente a juntar ao decrescimo de produção mundial - o México, um dos maiores produtores não OPEC, por exemplo tem a produção a decrescer a um ritmo de 9 por cento ao ano - tens o aumento de consumo nos paises produtores [mais ricos consomem mais a preços muito baratos ou subsidiados em alguns casos]. O consumo de paises OPEC cresce a 8 por cento ao ano, e a este ritmo vão estar a consumir o equivalente à produção da Arabia Saudita daqui a 20 anos - e muitos deles serão importadores liquidos antes dessa marca...

Os candidatos americanos estão a brincar com um tema sério. Os dois, entenda-se.

McCain e o Off-shore drilling [nota: offshore drilling é em águas profundas no off-shore no Golf Of Mexico, porque On-shore já tens bastantes buracos... note-se também que é mais caro - por exemplo a necessidade de aço nas tubagens não segue linearmente à distancia perfurada, segue exponencialmente. Duplica a distancia, quadriplica a necessidade de aço por questões de pressão]: Assumindo que se retira efectivamente todo o crude que lá está - são apenas estimativas, a confirmar por perfurações, um processo que pode demorar 10 anos, e atente-se ao track record do US Geo Survey, que nestas matérias não é dos melhores - estamos a falar de 0,2 por cento da produção mundial... uma gota no oceano.

Quanto ao sr. Obama, também não fica melhor na figura:
Os 1000USD de rebate a serem financiados com uma "taxa robin dos bosques" sobre os lucros das petroliferas. Faz sentido: quando uma matéria-prima escasseia, vamos subsidiar os consumidores e aumentar a procura e vamos taxar os produtores, diminuindo a oferta. Certo, economics 101.

E parece que agora quer usar os barris na reserva estrategica para vender no mercado e forçar o preço a descer. Certo, Financial markets 101.

De trepar às paredes...

José Pedro Salgado disse...

Tens razão Guilherme, expressei-me mal. O que eu queria dizer é que as prefurações de petróleo na offshore drilling se localizam perto da linha costeira ou mesmo em lagos, por exemplo (e não necessariamente em águas pouco profundas). Vou alterar isso no post, ficando aqui o mea culpa

I stand corrected!

Filipe de Arede Nunes disse...

Confesso que me estou a marimbar para as ideias dos candidatos à presidência dos EUA, compreendendo no entanto o facto de serem estes tipos - com pouco mais de 300 milhões de habitantes - responsáveis por 25% do consumo mundial de petróleo. Se estes tipos conseguiram criar a sociedade que mais depende do petróleo e não estão dispostos a abdicar do estilo de vida que têm, então que sofram as consequências dos seus erros.

O problema do petróleo e do pico de Hubbert - até agora parece que o tipo está mesmo correcto, apesar das mais recentes descobertas de novos poços de petróleo - é que afecta globalmente o mundo.

Por isso, o problema é transversal a todos os países - incluindo os produtores - porque um dia, este precioso liquido vai acabar e mesmo antes de acabar, a sua extracção vai deixar de ser rentável, sendo previsível que esses 37 anos sejam mesmo uma visão bastante animadora.

No entanto, e ainda que fossem mesmo os 37 anos, ou até mesmo 50 anos, a verdade é que é urgentemente necessário aumentar a substituição do petróleo por outro género de energias, o que inclui naturalmente o recurso à energia nuclear e às energias renováveis.

Infelizmente, parece-me que apesar de todas as melhorias a que temos assistido nos últimos anos, estas não vão ser suficientes. O mundo está à beira de um colapso que vai ficar para a história da humanidade e o facto responsável prende-se com o fim das reservas de petróleo.

Não vou entrar na teoria económica que o Guilherme expôs. Não me sinto capaz de a discutir.

Apesar de tudo, quero chamar à atenção para o facto de que os factos que o Guilherme apresenta não serem capazes de responder e resolver o problema base.

O tema é interessante e acho que a questão da energia deve efectivamente estar na ordem do dia.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

dalmata disse...

Zé, o comentário andava embruxado, desculpa, já lá está. É que ontem despareceu!

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Confesso que não partilho da tua visão do apocalipse já ao virar da esquina.

A Idade da Pedra não acabou por falta de pedras, a idade do petróleo não vai acabar por falta dele.

As questões que eu referia - e já não é a primeira vez que me bato por isto quando a discussão surge no psico - prende-se com, por exemplo, os subsidios, que impedem que as pessoas sintam na pele e mudem de hábitos.

Não tenho dúvidas que por exemplo, o parque automóvel será progressivamente substituido por carros mais eficientes, ou electricos [ou outra tecnologia que se mostre rentavel]. O reduzir das reservas só vai acelerar esse processo - tornando competitivas tecnologias que à 10 anos não o eram...

Relembre-se por exemplo o século XIX, quando o carvão estava a acabar: A idade do carvão não acabou por falta de carvão. 100 anos depois ainda cá temos disso - fruto da redução de consumo. Porquê? Porque ele se tornou tão caro que foi progressivamente sendo substituido por outras formas de energia e tecnologia - gás natural e petroleo para ser exacto e motores de combustão interna, entre outras coisas inventadas.

Não partilho do teu fatalismo, Filipe - é alias nestas alturas de crise que este animal chamado homem se torna mais engenhoso ;)

José Pedro Salgado disse...

Confesso que gosto muito do espirituoso dito que o Guilherme aqui reproduz, sendo que, infelizmente, não consigo concordar com ele.

O problema que se esconde nos exemplos que a História nos dá quanto a matérias análogas será sempre imperfeito na perspectiva em que nunca houve uma dependência de tal forma elevada de nada na História da Humanidade como do petróleo.

Olhem à vossa volta enquanto lêem isto e digam-me quantas coisas estariam aí se não hovesse petróleo (i.e. quantas estarão quando deixar de haver).

Tendo dito isto, não sou pessimista nem tão pouco apocalítico. Acho que o Homem se vai adaptar ao que o espera, mas não sem mudar profundamente alguns profundos paradigmas e dogmas da era "moderna".

Espero que a Era do Petróleo não acabe quando acabar o petróleo. Pelo nosso bem, espero que acabe o quanto antes.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Tendo dito isto, não sou pessimista nem tão pouco apocalítico. Acho que o Homem se vai adaptar ao que o espera, mas não sem mudar profundamente alguns profundos paradigmas e dogmas da era "moderna".

Nunca disse o contrário. Apenas que o mundo não vai acabar amanhã, e que com algum esforço vamos chegar lá...

O "dito" era para contrapôr isto:
O mundo está à beira de um colapso que vai ficar para a história da humanidade e o facto responsável prende-se com o fim das reservas de petróleo.

Estamos bastante longe do colapso - económico, financeiro, energético.

Esta maneira de ver as coisas - o suposto "colapso da civilização" face a petróleo a 120 USD - faz-me lembrar as reportagens sobre as "grandes dificuldades" do povo português. Noticiava a SIC Noticias que estes pobres coitados, face à enorme crise económica que o país vive, tem de ir passar férias ao Algarve, não podendo ir para o estrangeiro, isto um mês depois de uma sondagem que dava 80 por cento do povo português vai passar férias pelo menos 1 vez por ano... é preciso cuidado a usar as palavras "crise" e "colapso"!

José Pedro Salgado disse...

Mas calma. Tendo dito o que disse, continuo a achar que vamos passar por períodos de grandes dificuldades.

Os nossos estilos de vida, em qualquer ponto do globo, estão enraizados profundamente em práticas que dependem do petróleo e o seu fim terá consequências políticas económicas e sociais muito graves que, só a uma distância de muitos anos poderá ser esquecida.

Diria mesmo mais: vamo-nos arrepender profundamente de muitos comportamentos que adoptámos durante a era do petróleo. Um exemplo clássico é a deslocalização das pessoas nas grandes metrópoles. A separação que hoje em dia opera entre zonas residenciais, zonas de serviços, zonas industriais será possível durante muito tempo numa era sem transportes rápidos e baratos?

Nélson Faria disse...

É indiscutível que temos de mudar de vida. A questão é: para onde?

Nem Obama, nem McCain têm a resposta. E ambos fogem do tema ANWAR e do biodiesel do Iowa. E não digo que aqui esteja a solução, mas simplesmente escondem-se por ser uma "loose-loose situation".

Não virá dos candidatos aos EUA a solução para os nossos problemas, mas sim da sabedoria e bom senso (esperemos) do establishment. Só o apurado instinto de sobrevivência do mundo empresarial poderá "salvar-nos" (lol) do apocalipse.

Os políticos são uns meninos ;)

José Pedro Salgado disse...

Pode ser que sim, mas confesso que tenho certas dúvidas.

As petrolíferas são as pessoas melhor colocadas para deterem informações sobre a condição do petróleo e para agirem quanto a isso ( quiça com lucro). Têm os melhores especialistas das áreas na folha de pagamentos.

Ainda assim, continuam a inflacionar os seus relatórios no que toca às reservas estimadas de petróleo, com medo do que umas projecções mais realistas fariam às acções.

In extremis podemos mesmo dizer que o comportamento nada tem de chocante. Os executivos dessas empresas estão a fazer o que a sua função lhes exige, e de qualquer maneira, a maioria já estará a fazer tijolo quando a questão se tornar um verdadeiro problema.

Mas acima de tudo, o que eu acho que reina é uma grande assobiar-para-o-ar-ite aguda. O problema é grave demais para se conceber, por isso não o façamos. Afinal (e como o Guilherme muito bem sublinhou) a História mostra-nos que há sempre alguém que se lembra de alguma coisa. O que se torna grave quando a doença afecta a todos, de cima a baixo na pirâmide social.

jfd disse...

O assunto é interessante.
Mas mais ainda, é ver o Gangue do Campo Pequeno (gostam??) quando discordam ;)
É só pezinhos de lã ;)))
hihihihihihihihihihihihiiihihihihhih
hugz

jfd disse...

E mais interessante ainda é eu concordar com o que disse o chefe do Gangue ;)

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

O Gangue do Campo Pequeno? LOOOOOOOOL

Quanto às reservas:
Os dados mais fidedignos sobre as reservas vêm exactamente das petroliferas. Do outro extremo temos a OPEC que é conhecida por manipular os seus valores - quanto mais reservas apresentarem maior a quota de produção de cada país e em alguns países é mesmo "segredo de estado". Por exemplo, ninguém sabe se o número que os árabes apresentam é verdadeiro.

Quanto ao apocalipse:
Sinceramente onde uns vêm crise outros irão ver uma oportunidade. As mudanças de "paradigma" não acontecem do dia para a noite, mas não acho que vá ser muito doloroso... e ai subscrevo o "lider do Gangue" :P

jfd disse...

Apoiado ;))))

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Já agora, para quem dizia que as petroliferas em geral e a Galp em particular estava a ir ao bolso da malta [até no congresso tive direito a esta discussão :P], resultados do primeiro semestre:

resultado líquido da Galp ajustado a efeitos de stock foi de 214 milhões de euros, menos 25,1% do que em igual período do ano passado. (...)

Fonte: Jornal de Negócios

jfd disse...

LOLOL
Foram os resultados do ano passado que tiveram inflacionados, ou os deste ano que são reais?

A que tipo de resultados nos referimos? Com que pressupostos?

Nunca imaginei facilitismos desse género da sua parte ó Guilherme ;)))

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Vontade de complicar JFD...

Apenas ilustra o que disse em posts anteriores: maiores preços de crude não são bons para petroliferas que vendam gasolina porque lhes esmaga as margens [em alguns casos para valores negativos], quando eles aumentam os preços não é por má vontade [é para manter margens e refinanciar stocks] e a taxa robin dos bosques que o governo aprovou parte de um pressuposto errado - que a Galp ganha com os stocks.

Está ai a prova: no primeiro semestre de 2008 a Galp perdeu dinheiro face a igual periodo de 2007, quando o crude subiu em igual periodo...

[aka as petroliferas não são os vilões que estão a puxar os preços para cima ;)]

jfd disse...

LOL
Ligas o descomplicometro porque te convém!
Mas fiz perguntas legítimas. Não sei as respostas mesmo! Os 25% reflectem-se em resultados operacionais, financeiros e/ou extraordinários?
Claro que isto é importante.

Mas o teu ponto de vista é lógico. Mas que ninguém gosta desse tipo de empresa, além dos accionistas e do Estado, ninguém gosta.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

É preciso sempre um "mau da fita" ;)

Quanto aos resultados são liquidos, no entanto, ligando o complicometro:
EBITDA: -10% YOY, EBIT -17% YOY, ou seja, quebra operacional e financeira.

O efeito taxa robin dos bosques ainda não se deve sentir, mas na pratica é um "adiantamento de impostos", pelo que se vai fazer sentir também a nivel operacional...

Mais feliz? ;)

jfd disse...

Sim. Mas muito mais ficaria, se agora comentasses para leigos, tendo em conta a minha pressão ;)
Assim se verá nem tanto ao mar nem tanto à terra, como dizia!
LOL
;))

jfd, o justo

hiihihihihihihihihihihihi

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

EBITDA - Resultados antes de impostos, juros, amortizações e apreciações, aka, resultados operacionais;

EBIT - Resultados antes de impostos e amortizações, aka, resultados financeiros;

YOY - Year on Year, aka, face a igual periodo do ano passado.

Better, caro JFD, o justo? :P

O meu comentário já foi feito, e estás nos resultados: as margens de refinação - aka o que a Galp ganha com cada litro que refina de gasolina - desceram 50 por cento face ao ano passado. Ou seja, não ganharam dinheiro com a alta dos combustiveis, pelo contrário, perderam se comparado com o que tinham feito o ano passado. E os "lucros com stocks" que tanto se falava são mito.

José Pedro Salgado disse...

Já agora pergunto aos utópicos aqui presentes:

Qual é, então a solução mágica que vamos encontrar quando acabar o petróleo?

O gás natural? Hidrogénio? Carvão? Hidroelécrtica? Solar? Eólica? Petróleo Sintético? Despolimerização termal? Biomassa? Hidratos de Metano? ZPE? Nuclear?

Todas estas formas de energia têm uma falha brutal como potenciais substitutas do petróleo: é que grande parte dos pressupostos em que residem a sua utilização massificada pressupõe uma fonte de energia barata e abundante - a.k.a. petróleo (não é por acaso que são denominadas de energias "alternativas").

Como disse, acho que vamos sobreviver, mas no próximo século estou em crer que o "desenvolvimento" humano levará uma valente machadada.

E já agora, JFD:

A malta do Gang do Campo Pequeno anda sempre a discordar uma da outra. É por fomentarmos discussões inteligentes que temos tão altos quadros. ;)

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Reposta da praxe:
É por ninguém ter as respostas universais a algumas perguntas que criamos o mercado ;)

Por exemplo, o teu exemplo do Hidrogénio: a matéria mais ambundante no Universo - se a minha fisica elementar não me atraiçoa - resta aperfeiçoar a questão da combustão e armazenamento...

Não sei a resposta a essa pergunta, mas sei que os que souberem essa resposta vão-se chegar à frente com a sua proposta com vista a tomarem a oportunidade.

Ou vamos começar a pensar como no inicio do sec. XX que podemos fechar o dep. de patentes porque já não à mais nada para inventar?!

Quando ao Gang, só tenho a acrescentar: grandes noites de bar ;) [em especial para alguém como eu que não é de direito e não foi agraciado com a santo dom da palavra ... bons treinos ;)]

José Pedro Salgado disse...

Por exemplo, o teu exemplo do Hidrogénio: a matéria mais ambundante no Universo - se a minha fisica elementar não me atraiçoa - resta aperfeiçoar a questão da combustão e armazenamento..."

Oh Guilherme, com o devido respeito, isto é quase como dizeres "Já descobrimos a cura para a Sida, resta aperfeiçoar a questão das pessoas adoecerem e morrerem."

Essa questão é uma gigante questão. E temos menos de 30-e-tal anos para a resolver.

Digo mesmo mais. Preocupa-me a ideia de optimismo que me parece reinar em algumas pessoas (sobretudo as que podem fazer algo por isso) de que à última hora surgirá algo de mágico que nos vai safar.

Parece-me a mim que esta sociedade é consubstanciada pelos seus rendimentos marginais decrescentes, e uma entropia que nos vai sair muito cara, mais tarde ou mais cedo.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Em 1998 alguém acreditaria que já tinhas uma short list de opções - muitas delas viaveis?

Alguém acreditaria que já tens carros 100% electricos e viaveis prontos para a produção em massa? [e tens alguns fabricantes a faze-lo em 2009!]. Não estou a dizer que é a solução (além de que já disse que nem acredito na "solução providencial", mas sim num mix de soluções) mas é a evolução a funcionar.

Roma e Pavia não se fizeram num dia...

Ainda temos um caminho a percorrer? Obviamente que sim, mas a solução não vai aparecer amanhã. Vai sendo feito progressivamente nos próximos 30 anos tal como noutros sectores foi feita progressivamente ao longo de anos/décadas...

O "mundo não vai acabar amanhã às tantas horas", Salgado!

jfd disse...

Salgado, a solução estará onde estiver o Euro ;) No modelo de negócio que render. Tem calma e vais ver, ainda no nosso tempo de vida... O que aconteceu com os transístores e com os chips acontecerá com tanta tecnologia ligada a estes anseios...

Quanto ao Gangue, são boa gente. Mas discordam com tantos "não me toques" que até dá vontade de vomitar ;))

E Guilherme não tendo tu o dom da palavra, mas tendo o gosto pelo que realmente interessa (e partilho contigo), serves mais que julgas a esse Gangue. Pois é a ti que correm a pedir explicações quando o dom da palavra não serve para explicar o básico e o simples do que se passa no dia a dia :P


LOL


jfd- Economia é tudo, o resto é consequência;)-o espirituoso

José Pedro Salgado disse...

Guilherme:

O problema é que estamos a ficar sem tempo, e rápido.

E já agora, os carros eléctricos não andam a petróleo, mas as peças necessitam de petróleo para serem feitas e transportadas, a fábrica precisa de petróleo para ter energia e montar o carro, e outras tantas coisas - in extremis os trabalhadores da fábrica precisam de petróleo para lá chegarem.

Isto sem falar da impossibilidade real que é converter uma rede viária mundial (que, já agora, tem derivados de petróleo na sua constituição), nomeadamente no que toca a postos de abastecimento, e outras coisas que tais, para carros eléctricos, no espaço de 30 anos, E SEM PETRÓLEO!!

JFD:

A essas reles provocações eu respondo-te com a minha agenda para hoje (e, já agora, para a semana toda):

13h - Acordar/Almoçar
13.30/20h - Férias
20h - Jantar
20.30h - Férias
Horas indecentes - Deitar

jfd disse...

Salgado...

Esse foi dos ataques mais baixo e mesquinho que já assisti neste blogue!
Claramente uma falha na proporção do argumento.

Isso não é humano. Não se faz!

;)

José Pedro Salgado disse...

Dirias, então, que te atirei com uma bomba nuclear?

jfd disse...

Hummmm
Para isso terias de ter falado na piscina.
E a isso me poupaste!
Haja caridade!

José Pedro Salgado disse...

Não quer dizer que não passe lá o dia de molho, mas se dissesse tudo não deixava espaço nenhum para a imaginação.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Um pequeno exemplo:
According to John Turner, a research fellow at the National Renewable Energy Laboratory in Golden, Colo., who was not involved in the research, the discovery could reduce the need for platinum in a conventional electrolyzer. He believes it could also play a role in a future large-scale hydrogen generator, which would collect the energy from sunlight in huge fields and then run that electric current through water to produce vast amounts of hydrogen to meet, for example, the demand from a future fleet of hydrogen-powered vehicles. "That's what his advance is pointing towards," he says, "finding an alternative catalyst that will allow us to do oxygen evolution (breaking the bonds of water or H2O and forming oxygen) in concert with hydrogen" on a grand scale.
Apparently Nocera believes that this technology could become widespread within a decade. Check this out: "In a future hydrogen economy, he imagines, a house would function much like a leaf does, using the sun to power household electricity and to break down water into fuel—a sort of artificial photosynthesis."
Bottom line: I think research into alternative energy technology is moving ahead way faster than the Washington politicians realize. (But we still need to exploit oil and coal and nuclear to bridge the gap from a hydrocarbon to post-hydrocarbon economy.)
And it is all happening without spending trillions of dollars in taxpayer money for energy-themed Manhattan Projects or Apollo programs. This possible breakthrough came from MIT's Solar Revolution Project, which was funded to the tune of $10 million by telecommunications entrepreneur Arunas Chesonis. Heroic capitalism strikes again.

Scientific American

jfd disse...

Lá está!
A salvação está no que der maior retorno! AHhahahaHahahahha

Heroic capitalism strikes again.


;)))

José Pedro Salgado disse...

Tenho a noção que um copo que está meio vazio está simultaneamente meio cheio, e estou plenamente ciente da hipótese de estar errado.

O problema é que vejo as pessoas a meterem os ovos todos no mesmo cesto, e a não haver preparação para o caso de a coisa der para o torto.

Sem falar que o discurso aqui reproduzido continua a ser cheio de "se's".

Paulo Colaço disse...

"A Idade da Pedra não acabou por falta de pedras, a idade do petróleo não vai acabar por falta dele.", disse o Guilherme.

De facto, a Idade da Pedra não acabou por falta de pedras. Mas acabou. A causa foi a mudança de paradigma.

Essa terá de ser a solução. Mudar-se de paradigma. Para qual não sei.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

By MARGARET HARDING, Associated Press Writer Sun Aug 10, 3:21 PM ET

WARREN, Mich. - The stinky, steaming air that escapes from a car's tailpipe could help us use less gas.

Researchers are competing to meet a challenge from the U.S. Department of Energy: Improve fuel economy 10 percent by converting wasted exhaust heat into energy that can help power the vehicle.

General Motors Corp. is close to reaching the goal, as is a BMW AG supplier working with Ohio State University. Their research into thermoelectrics — the science of using temperature differences to create electricity — couldn't come at a better time as high gas prices accelerate efforts to make vehicles as efficient as possible.

GM researcher Jihui Yang said a metal-plated device that surrounds an exhaust pipe could increase fuel economy in a Chevrolet Suburban by about 5 percent, a 1-mile-per-gallon improvement that would be even greater in a smaller vehicle.

Reaching the goal of a 10 percent improvement would save more than 100 million gallons of fuel per year in GM vehicles in the U.S. alone.

"The take-home message here is: It's a big deal," Yang said.

The DOE, which is partially funding the auto industry research, helped develop a thermoelectric generator for a heavy duty diesel truck and tested it for the equivalent of 550,000 miles about 12 years ago.

John Fairbanks, the department's thermoelectrics technology development manager, said the success of that generator justified the competitive search in 2004 for a device that could augment or replace a vehicle's alternator. Three teams were selected to participate in the program, with GM and thermoelectrics manufacturer BSST separately working on cars and a team from Michigan State University focusing on heavy-duty trucks.

Fairbanks said thermoelectric generators should be on the verge of production in about three years.

"It's probably the biggest impact in the shortest time that I can think of," he said.

The technology is similar to what NASA uses to power deep space probes, a perk being it doesn't seem to be susceptible to wear. Probes have used a thermoelectric setup for about 30 years.

Thermoelectric devices can work in two ways — using electricity to provide heating or cooling, or using temperature differences to create electricity.

The second method is Yang's focus, and for good reason.

In an internal combustion engine, only about a quarter of the total energy from gasoline is used to actually turn the wheels, while 40 percent is lost in exhaust heat and 30 percent is lost through cooling the engine. That means about 70 percent of the available energy is wasted, according to GM.

"If I can use some of that heat energy and convert it to electricity, you can improve the overall efficiency," Yang said.

A Suburban produces 15 kilowatts of exhaust heat energy during city driving, which is enough to power three or four air conditioners simultaneously.

But it's not possible to harness all the exhaust heat a vehicle produces, so when the Suburban is cruising between 50 and 60 mph, the generator can produce about 800 watts of power, Yang said. That electricity could go to accessories such as a GPS device, DVD player, radio and possibly the vehicle's water pumps.

Yang's prototype device is to be tested in a Suburban next year. A similar prototype created by Ohio State scientists and BSST should be tested in a BMW in 2009.

The thermoelectric generator works when one side of its metallic material is heated, and excited electrons move to the cold side. The movement creates a current, which electrodes collect and convert to electricity.

While it's not clear how much the device would add to the price of a vehicle, the whole point of the research is to make it cost-effective, Yang said.

"There are several other steps that are required to commercialize the material, but we're cautiously optimistic that these steps can be carried out successfully," said Lon Bell, president of BSST, a subsidiary of Northville-based thermoelectrics supplier Amerigon Inc.

BSST also is working with Ford Motor Co. to develop climate control systems based on thermoelectrics.

Ford wants a system that would target a person's extremities when it's cold or the back of the neck in summer heat, rather than blow out a lot of air to change the temperature of the entire vehicle.

"We think we can make people feel cooler more quickly, feel comfortable more quickly, and that will translate into less power in the central AC system," said Clay Maranville, a Ford senior research scientist.

Honda Motor Co. also has supported university research into thermoelectrics, but a spokesman said the automaker doesn't have its own research program.


Pesquisa-se novas formas e pesquisa-se formas de ganhar tempo para as primeiras... private money at work ;)