domingo, agosto 17, 2008

RIP - Reflexão, Inspiração, Pensamento III


We live in a world of nuclear giants and ethical infants, in a world that has achieved brilliance without wisdom, power without conscience. We have solved the mystery of the atom and forgotten the lessons of the Sermon on The Mount. We know more about war than we know about peace, more about dying than we know about living.
General Omar Nelson Bradley

Ontem à noite um jovem foi morto por um grupo na sua própria casa, após este a ter invadido. Isto vai para além de uma crise de segurança: é a sociedade e a vivência em sociedade o que está em causa nestas últimas semanas.

8 comentários:

Nélson Faria disse...

Não vou transcrever o Sermão da Montanha, mas fica o link para a wikipedia para que todos compreendam os seus ensinamentos, cristãos ou não.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Serm%C3%A3o_da_Montanha

Paulo Colaço disse...

"é a sociedade e a vivência em sociedade o que está em causa nestas últimas semanas"
Subscrevo.

O policiamento não resolve tudo. É a sociedade que deve ser analisada.

jfd disse...

As situações serão novas ou os nossos olhos é que estão a ser abertos?

jfd disse...

Loures, Lisboa, 17 Ago (Lusa) - O jovem que perdeu a vida hoje de madrugada na Quinta do Mocho, em Loures, foi morto dentro de casa por "um grupo" que trancou a família no interior durante o assalto, descreveu à Lusa a mãe da vítima.

O tiroteio causou ainda cinco feridos, segundo fonte policial.

Destes, dois foram internados no hospital Santa Maria, enquanto outros dois estão em observação no bloco de cirurgia no Curry Cabral, em Lisboa, tendo um quinto ferido tido alta ao início da manhã deste hospital.

"Eles vieram aqui, partiram os estores e a janela da sala à pedrada e entraram para dentro de casa e mataram o meu filho. Não sei se com pedras se com tiros", disse Bemvinda Semedo Pereira, 47 anos, natural de Cabo Verde.

O jovem de 20 anos que morreu hoje de madrugada era o segundo de quatro filhos, todos rapazes, com idades entre os 21 e os 11 anos.

A vítima e um dos seus irmãos residem em França com o pai, encontrando-se em Portugal temporariamente, há cerca de mês e meio, para renovar documentação

Bemvinda Pereira relatou que o filho acabara de chegar a casa, na Urbanização do Terraço da Ponte, lote 2, quando o grupo iniciou o ataque, tendo-a trancado num quarto juntamente com o seu pai, acamado, e a um outro filho, acompanhado por um primo, numa outra divisão da habitação.

O grupo, que Bemvinda Pereira afirma ser composto por cerca de dez pessoas , terá "cercado" o jovem, agredindo-o na cozinha e "partindo as coisas todas" nesta divisão e também na sala.

No interior da casa, são visíveis os sinais de brutalidade e agressão, como a porta da cozinha arrancada, vidros partidos e caixas de ovos com as cascas quebradas e espalhadas pelo chão e móveis, constatou a Lusa no local.

No exterior, vêem-se marcas de balas no caixilho da janela e na parede do prédio.

A mãe da vítima relata que o grupo vinha de uma festa na rua Agostinho Neto, onde já teriam disparado alguns tiros.

A PSP de Lisboa adiantou à Lusa que os disparos que atingiram os cinco feridos também vítimas do tiroteio foram feitos a partir de dois carros em movimento, enquanto passavam junto a um grupo onde estava a decorrer uma festa.

O mesmo grupo, adiantou fonte do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa, terá disparado "mais uns tiros, dez a quinze minutos" mais tarde no bairro da Bugalheira.

"Começaram a dar os tiros e vieram acabar aqui", contou Bemvinda Pereira, acrescentando que o filho não se encontrava nesta festa, mas numa outra, em Fetais, igualmente no concelho de Loures.

A família ainda chamou a polícia e uma ambulância, que não chegaram entretanto, pelo que o filho acabou por ser transportado para o hospital num carro de um vizinho.

As situações de agressões e insegurança são frequentes no bairro, afirmou a mãe da vítima.

"Esta é uma 'brincadeira' de todos os dias. A polícia nunca cá vem nem as ambulâncias", relatou, recordando que "ainda há pouco tempo foi morto um angolano aqui perto".

Bemvinda referiu ainda que o seu filho mais novo, de 11 anos, contou hoje à polícia que no sábado de manhã ouvira um grupo a dizer que iria assaltar a casa da mãe, mas na altura a criança apenas transmitiu essa informação aos irmãos, omitindo-a de Bemvinda.

Junto à casa da vítima, vivem-se momentos de grande angústia e tristeza, com muitas pessoas, entre familiares e amigos, a chorar.

Vizinhos de outros bairros deslocaram-se também ao local para prestar apoio e solidariedade à família.

JMG/JH.

Lusa/fim

Paulo Colaço disse...

"As situações serão novas ou os nossos olhos é que estão a ser abertos?"

Um pouco das duas coisas, acho eu, Jorge.
Assistimos hoje à rotina quase diária de muita gente (a violência sofrida e infligida), mas em escala muito maior.
Ou, pelo menos, com mais "audácia" de o fazer repetidas vezes, debaixo do foco da atenção pública.

Nélson Faria disse...

Um pouco dos dois jorge, um pouco dos dois.

Como costumo ler o CM ;) não são situações novas para mim, mas a velocidade a que se acumulam e a cadência confrontacional dentro dos próprios bairros é estranha.

Há um total descrédito e desconfiança da autoridade do Estado, o que está nos está a conduzir da "regular" impunidade criminosa em pequenos delitos dentro de determinadas comunidades ou áreas territoriais para um verdadeiro "Oeste selvagem".

Se pensarmos já que estas são as exteriorizações de um problema maior, podemos evitar confrontos posteriores.

Luís Nogueira disse...

Estes problemas de segurança já existem há muito nos subúrbios de Lisboa, do Porto, de Coimbra, de Setubal, de Braga... Neste momento os media estão a focar este tipo de ocorrência e por isso estamos mais atentos a ela.

Lembro-me que aqui há um ano, falavamos da segurança no interior do país, em que os velhotes eram assaltados. O que é que se fez desde então, para acabar com essa situação?

Não basta o MAI vir "regurgitar" uma série de palavras de solidariedade para com as vítimas da falta de segurança e de apelos à competência, abnegação e heroísmo das forças de Segurança.

Tudo isto passa por uma profunda mudança societal, sob pena do país "dos brandos costumes" se transformar em algo semelhante a todos os outros.

Tânia Martins disse...

No meio de isto tudo, o que mais me custa a crer é que o tal rapaz podia ter sobrevivido se a ambulância pudesse ter entrado no bairro.

Não entendo como é que as nossas autoridades não se impõem!