segunda-feira, agosto 11, 2008

Projecto Imperial

Neste alarmante conflito, a Rússia não se limita a querer controlar a Ossétia do Sul: já entrou pela Geórgia dentro. É mesmo muito grave!
Enquanto apoiava os movimentos separatistas (na Ossétia e na Abecásia) ninguém dizia nada...

52 comentários:

jfd disse...

Paulo não percebi...
Falavas em outro comentário sobre o antigamente; aquando dos Jogos, paravam-se guerras... Ora desta vez a imprudente Georgia decidiu avançar para algo que à partida não iria vencer, aproveitou os jogos para começar a Guerra.
O que se lhes passou pela cabeça?
Como escalou tanto este conflito?
Como morreram tantas pessoas entretanto?
Quem é que está a fazer limpeza étnica afinal?
O que espera a Georgia de uns Estados Unidos desfalcados de homens? Intervenção da NATO? Da UE?
É a loucura?

Ou será que eu percebi tudo ao contrário?

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Este conflito mostra a frieza da politica externa Russa - ou deverei dizer, a frieza do seu "primeiro-ministro" aka Czar Putin.

Recuemos a Abril: Ucrania e Georgia pretendem entrar para a NATO. A sua entrada é temporariamente recusada. A razão? A resolução dos problemas regionais com a Abkhazia e a Ossétia do Sul, respectivamente.
Primeiro estabilizem os vossos paises, depois podem entrar, foi mais ou menos a mensagem.

Alguém acredita que o Putin quer, ou vai deixar, ter dois estados fronteiriços como membros da NATO?

Mas a verdade é que a Rússia não tinha desculpa. Podia apoiar os respectivos movimentos separatistas, mas não podia apoiar militarmente uma cisão. Podia sendo a operative word, tempo verbal passado.

Nós, NATO, demos a desculpa/precedente internacional que Putin precisava: Kosovo!!!

Não podemos alegar, como Bush tentou agora, a favor da "integridade territorial do estado soberano Georgia" quando apoiamos a declaração unilateral de independencia de um "pseudo-estado" com base em "unidade etnica face à Servia". Os russos vão usar isso como desculpa: tal como os EUA apoiaram o Kosovo para defender a sua unidade etnica do "mau da fita de serviço", leia-se a Servia, os Russos vão defender os "pobres dos ossetianos" contra os maus da fita de serviços, leia-se a Georgia. [Já para não falar que a maioria dos ossetianos do sul têm passaportes russos, e querem-se juntar aos seus "irmãos" da Ossétia do Norte, membros da Federação Russa]

E pior é que a Georgia, na sua "furia" de "estabilizar" aquela zona separatista, deu aos russos a desculpa que estes precisavam... uma total falta de calculo por parte dos georgianos...

Não é à toa que os campeões de xadrez são quase sempre russos... guess what: estão a joga-lo. Com paises!

jfd disse...

A 16 de Julho, JFD comentava no post do Dr Salgado, And So It Starts;

Continuo receoso...
Ainda não sei o que o futuro nos reserva. Estamos muito longe da realidade Kosovar pós "independência"...

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

E mais uma notinha de rodapé:
A Georgia [e o seu presidente megalomano] têm sido apoiados pelo ocidente porque a Georgia é parte do "corredor de gás natural" para o mediterrâneo [gás natural do Azarbeijão, região muito rica e alternativa à Russia]. O grande pipeline da região está a uns meros 100 km da Ossétia do Sul...

Need I say more?

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Eu sempre achei que os russos nos iam fazer pagar [o mais caro possivel de preferencia] a vergonha que os fizemos passar com o Kosovo.

E sinceramente acho foi daqueles erros que ainda nos vai morder mais umas vezes.

jfd disse...

«Moscovo deve parar já», diz Bruxelas
Hoje às 14:01
A Comunidade Europeia pediu, esta segunda-feira à Rússia, um cessar-fogo imediato no conflito com a Geórgia. Bruxelas considera que Moscovo é responsável pela dimensão deste conflito, por ter ultrapassado as fronteiras da Geórgia.
Bruxelas afirmou hoje que Moscovo deve parar imediatamente com todas as acções militares em território georgiano.

A Comunidade Europeia considera que Moscovo é responsável pela dimensão deste conflito, por ter ultrapassado as fronteiras da Geórgia.

Por sua vez, Moscovo nega que tenha ultrapassado tais fronteiras, dizendo que, por princípio, os soldados russos mantêm-se nos limites do território da Ossétia do Sul.

Contra a Rússia há outra acusação, a de que tem tanques dentro da Geórgia e portanto, longe da Ossétia do Sul.

A proposta de cessar-fogo, que contêm as principais medidas de paz apoiadas pela ONU, foi já assinada pelo presidente da Geórgia, e enviada para Moscovo.

A Rússia mostra-se, no momento, indisponível para aceitar qualquer proposta de cessar-fogo, e justifica esta recusa com o facto da Geórgia continuar a usar a sua força militar em território da Ossétia do Sul.

O presidente gaulês, Nicolas Sarkozy chega amanhã a Moscovo, e, num esforço diplomático, o G8 reúne-se esta tarde para aumentar a pressão sobre a Rússia.

http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=978238

Daniel Geraldes disse...

Eu só sei que este conflito tem algo romântico, os russos a invadirem um pequeno país que nem um jogador de futebol talentoso têm.

Mas mesmo assim estou a favor da Georgia, e acho que é altura de a União Europeia ter um exercitozinho "just in case"

jfd disse...

?!!??!!?

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Quase que advinho a resposta russa:
Apenas ultrapassamos as fronteiras da Georgia para atacar Gori - onde está o centro das forças militares georgianas no ataque à Ossétia do Sul, que derrubado retirará à Georgia a capacidade ofensiva contra a Ossétia do Sul.

Nós atamos as mãos com um misto de ingenuidade e má politica externa. Que é que vamos alegar? Direitos Humanos? Os russos podem alegar - com bastante razão - que o presidente georgiano estava a fazer limpeza etnica - até os proprios georgianos não gostam dele...e a última manifestação de desagrado foi esmagada pela policia. Literalmente, esmagada.

Ou vamos alegar que a Rússia estando na Ossétia do Sul violou o Estado Soberano da Georgia? É que levamos com uma palavrinha apenas: KOSOVO! Os Ossétianos do Sul são uma minoria etnica na Georgia, atacada repetidamente por um "despota da Georgia", a maior parte deles portadores de passaporte russo e irmãos da Ossétia do Norte, parte da federação russa.

Os russos foram pacientes e agora fecharam-nos os argumentos com a nossa própria "retorica". A única coisa que poderia ter dado alguma garantia era um "acordo previo NATO-Georgia" - que presumo a última achou implicito, mas que a NATO vai assobiar para o lado.

Se queriamos aquela região segura por interesse então deviamos te-los deixado entrar. Se não o fizemos, então vamos ter de engulir as nossas próprias palavras.

E volto a frizar: precedente é o Kosovo...essa é a desculpa!!

Ingenuidade e má politica externa...

jfd disse...

Ossétianos do Sul - dizia o Sena Santos no seu podcast ser uma zona de maus, governados por piores. Sendo o mais importante deles, um gestor de casinos quase analfabeto!

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Não vamos por ai: o Kosovo é um território governado por mafias cujo principal lucro é o trafico de mulheres....

Não há inocentes neste filme. O meu ponto é: a Russia tem "desculpa" que precisava [As mesmas que nós nos entretivemos a usar na Servia], o botão do gás natural para a Europa e o veto na ONU.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

E uma última nota, sobre como nos atámos a nós próprios:
Desde os anos 90 que a retórica UE/EUA/NATO para os paises da ex-União Sovietica foi: "Não se preocupem com a Rússia. Vocês não precisam dela. Serão protegidos".

Estavamos à espera do quê? O senhor não se chama Yeltsin e não bebe uma garrafa de vodka por dia!

Luís Nogueira disse...
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Luís Nogueira disse...
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Guilherme Diaz-Bérrio disse...
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Luís Nogueira disse...

Guilherme, concordo com quase tudo o que escreves-te. No entanto, temos que fazer aqui uma ressalva.

Quando dizes que: "Nós, NATO, demos a desculpa/precedente internacional que Putin precisava: Kosovo!!!" e que ele sai legitimado para esta intervenção, não te esqueças que como em tudo na vida, há prós e contras. (agora está de férias lol)

Quero com isto dizer, que os Russos podem também pagar caro o apoio a estes rebeldes! Olha o caso da Tchechénia entre outras zonas russas, com movimentos pró independentistas. E se quiserem ser independentes? Não ganharão mais ânimo para continuar a lutar? Se uns querem e podem ser russos, outros almejam ser o contrário.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Compreendo o teu argumento mas não acho que se aplique aqui:
A Techténia não é russa. É maioritariamente islamica.

Por outro lado, a Ossétia do Sul é maioritáriamente populada por etnias russas, com cultura russa... e há muito que esse é o desejo dos separatistas: juntarem-se à "mãe russia", ao contrário de outros movimentos "pro-independentistas" que tinham na sua base outras etnias que não a russa...

Mas, às vezes acho que aquela malta não joga com o baralho todo... por isso é de esperar tudo!

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Já agora, para quem não sabe qual o pipeline que me estava a referir acima, é o Baku-Tbilisi-Ceyhan pipeline (BTC para os "amigos"), que parte do Azarbeijão e vai desembocar na Turquia - e que foi um dia antes do ataque à Georgia atacado pelo PKK.

É o único grande pipeline de crude e gás natural que os Russos não controlam na região, e está a uns km de Gori [100km da Ossétia do Sul, entenda-se]

frederico carvalho disse...

Isto é muito triste.

Estamos a ver uma nação, a ser invadida em territorio próprio por uma potencia mundial.

À frente dos olhos do Mundo e com noticias em tempo real.

ver noticias abaixo
"O conflito entre forças russas e georgianas não está a ser travado apenas na geografia do Cáucaso. O governo de Tbilissi acusou Moscovo, esta segunda-feira, de utilizar piratas informáticos para sabotar os seus sítios na Internet.

«Vários sites governamentais estão em baixo desde que os ataques de hackers começaram na sexta-feira», disse um porta-voz governamental à agência Reuters. Estes actos de sabotagem electrónica foram descritos como «uma campanha de cyber guerra».

Perante a impossibilidade de utilizar os sítios oficiais, o executivo georgiano decidiu criar um blogue onde tem veiculado parte dos seus comunicados e informação oficiais, alojado no seguinte endereço: http://georgiamfa.blogspot.com "

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Se me permitem ser mauzinho [e advogado do diabo ;)]:

Mudem lá os nomes aos intervenientes. Vamos chamar à Georgia um nome parecido com Servia, chamemos à Ossétia do Sul algo como Kosovo e apelidemos a Russia [a potencia mundial] de EUA...

Muda um pouco o "big picture" não muda?

Deixemo-nos de ingenuidades ... essas pagam-se muito caro em política externa.

frederico carvalho disse...

http://noticias.sapo.pt/multimedia/infografias/georgiaptl0908.html

Guilherme Diaz-Bérrio disse...


MOSCOW, Russia (CNN) -- Russian President Dmitry Medvedev announced Tuesday that he has ordered an end to military operations against Georgia.
CNN International

frederico carvalho disse...

Parou para reforçar as posições.
A ver vamos se volta para trás.

Se a Georgia pertencesse à Nato... uiii

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Os russos não são bebados estupidos [ou talvez sejam governados por um que não é nem uma coisa nem outra]: se a Georgia fizesse parte da NATO nada disto teria acontecido.

E esse foi um dos meus pontos: se era para garantir a segurança da Georgia deviamos te-los deixado entrar. Se não os deixamos então demos a abertura para a Rússia usar a desculpa da Ossétia do Sul - comparavel ao Kosovo - para não só resolver os seus assuntos com a Georgia, mostrar que não vê com bons olhos alternativas energéticas no seu quintal e um aviso a toda a republica da ex-URSS que se queira "ocidentalizar". Point taken [e os vizinhos perceberam a "dica" russa], agora podem retirar com todos os objectivos cumpridos.

Sendo muito muito frio, a operação ficou pouco aquém do brilhante do ponto de vista de estratégia [antes de baterem: não estou a defender a Russia]. Infelizmente os georgianos serviram de exemplo para vários "grupos" [muito por culpa do seu demagogo presidente que substimou, e de que maneira, a reacção russa a uma oportunidade destas e sobreestimou a reacção "ocidental"].

Frederico Carvalho disse...

Eu percebo a ideia de comparar o Kosovo à Georgia, na questão do principio de militares estrangeiros em território devidamente tificado como de outra nação.

Mas eu vou deixar já esse assunto arrumado porque no caso concreto, o local é diferente, as razões são completamente dispares e os interesses envolvidos não são comparaveis.

1)A marioneta do Presidente russo, Dmitri Medvedev, disse que Rússia ficou «profundamente desapontada» com as potenciais ocidentais pelo seu posicionamento durante o conflito.

a) Viu-se pressionado com a ida de Sarkozy à Russia.

b) com uma posição oficial da Nato descrita como «Desproporcional» relativamente ao uso da força por parte da Rússia contra a Geórgia, condenando as suas acções.

c) Com a afirmação de Bush relativamente «A Rússia invadiu um Estado vizinho soberano e ameaça um governo democrático eleito pelo povo. Esta acção é inaceitável no século XXI»

Ora o Sr.Dmitri quis mostrar que tem expressão militar e estamos a falar numa altura muito importante, em que a brincadeira de os EUA instalarem misseis à borda da fronteira, em que a venda de material para a exploração de uranio no irão é extremamente lucrativa aos russos e em que o domínio dos EUA é cada vez mais alargado no Mundo.


Bom, mas afinal que interesses têm a Russia alem da Ossétia do Sul e afins existem na Georgia !?

- oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan (BTC) - que transporta petróleo desde o Azerbaijão até à Turquia, através da Geórgia.
- É um conflito que dura há muitos anos sobre os direitos do Mar Cáspio, de onde o petróleo é extraído há mais de cem anos.
Rússia, Azerbaijão, Turquemenistão, Cazaquistão e Irão lutam por este petróleo há muitos anos.
Este oleoduto gerou muita discussão porque seria muito mais económico construir um que passasse pela Arménia, pois seria mais curto. Por razões políticas e de segurança, decidiu-se que passaria pela Geórgia, mas a solução pelos vistos não foi a melhor.

A Europa Ocidental tem de estar com olhos bem atentos na guerra entre a Geórgia e a Rússia: Todos os países têm de estar interessados, porque a intenção da construção deste oleoduto foi depender menos do Médio Oriente em termos de petróleo

- E há também um gasoduto que transporta gás natural para a Europa, sendo que precisamente na Geórgia é paralelo ao oleoduto

Não podemos dizer que o petróleo é a principal razão desta guerra, mas devemos ter consciência que estamos perante um problema muito complexo.

Há muitos interesses em jogo.

A atenção que eu cheira-me que isto pode piorar.
Li á pouco no site da CNN que os E.U.A vieram dizer que vão certificar-se que os Russos vão sair rapidamente de território Georgiano.

E o Presidente da Georgia já veio dizer que vai sair da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), aliança das ex-repúblicas soviéticas.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Sendo muito cinico:

Da mesma forma que nunca a Russia atacaria uma Georgia membro da NATO, achas mesmo que a NATO atacaria a Russia na Georgia, arriscando o inevitavel escalar do conflito? [aka, as palavras da NATO são mais relações públicas para não perder a "face" do que uma ameaça credivel]

Vais querer vender que o senhor Vladimir Putin - o de facto governante daquela terra - tem medo do Sarkozy?
Que é que este ia fazer? Não comprar gás natural? Espera não podem... não deixar que a Total ajudasse os russos do pretoleo? espera já lá não estão...

O Sarkozy não tinha "leverage" nenhum para ameaçar a Russia sem arriscar ser acusado de escalar o conflito. Credivel entenda-se, porque dizer "Façam o favor de retirar já" também eu posso fazer... mas ninguém me liga!

PS: eu nunca disse que um dos motivos não era o oleoduto BTC. Mas é um dos motivos. Outro foi mandar "recados" para os membros da CEI... ou achas que algum deles se vai arriscar a ajudar um "ocidentalizado" ou a "ocidentalizar-se" depois disto?
Outro motivo é dar um pré-aviso à Ucrânia...ou achas que isto não provou que esta também está em risco por também não estar na NATO, e que por isso talvez tenha que reequacionar a sua politica "anti-moscovo"? [e antes de saltarem à goela ao Bush, este tentou colocar os dois paises na NATO mas a Alemanha convenceu o bloco europeu a recusar para não "hostilizar a Russia"]

Ingenuidades!

Anónimo disse...

Tens uma escrita muito expressiva :)
Gosto.

Isto tem uma teoria practica, interessante.
Os Estados Unidos, com a politica de interesses que tem e claro o dinheirinho, foram demarcando a sua influencia ali, ajudando financeiramente acolá, e investindo sempre que possivel para sedimentar dolar americano.
Quando foi a altura de atacar, ou beliscar algum pais, houveram alguns que deram os berrozinhos, mas nada de alarmante.

A Russia, com uma politica bem mais fechada e centralizada nela mesma, nem à volta tem grandes amigos.
E este ataque a um pais em tudo, veio demonstrar isso.

Quanto ao Sarkozy, fizeste uma análise perfeita. Ele foi à Russia beber umas vodkas e dizer aquilo que já se esperava. «É perfeitamente normal que a Rússia pretenda defender os seus interesses e os dos russófonos na Rússia e dos russófonos fora da Rússia».

Mas ter um elemento da União Europeia credivel e de um estado forte, é sempre representativo de uma diplomacia atenta.

E no post acima só fiz uma passagem da ida de Sarkozy à Russia.
Não tem importancia para mais, mas é significativo.

Quanto a novos desenvolvimentos, estou curioso em saber:
1) Quando é que a Russia vai sair das cidades Georgianas.
2) Se vai sair da Ossésia do Sul (porque supostamente é da Georgia) ou vai resguardar a zona controlada pelos separatistas
3) Se a ONU vai enviar capacetes azuis

Frederico Carvalho disse...

assinado acima

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Quanto à saida da Ossétia do Sul, tecnicamente a Russia tem um mandato da ONU para lá estar e proteger os "ossetianos"...por isso tecnicamente não têm de sair

Frederico Carvalho disse...

hoje de manhã já ouvi da rádio que Sarkozy propõs uma força europeia para garantir a estabilidade e a paz na Georgia.

periogoso... muito perigoso

Bruno disse...

Belo debate que por aqui se gerou! Começando pelo título do post, devo dizer que gosto mais de cerveja do que de outras coisas imperiais :P

Em relação a este conflito há algo que não percebo: os russos têm uma boa desculpa por causa do Kosovo para "ajudarem os pobrezinhos da Ossétia do Sul" onde até há muitos russos e que querem todos juntar-se à Federação Russa. Então e a Ossétia do Norte? Não foi lá que aqui há uns tempos um grupo separatista se barricou numa escola num triste incidente que veio a provocar a morte de crianças inocentes? Estarão os russos em condições de ter o seu território controlado depois desta "brincadeira"? Já para não voltar a falar da Tchetchénia...

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Beslan, Ossétia do Norte - 2004

Mas não era separatistas da Ossétia do Norte, mas sim separatistas da Tchetchenia a tentar trazer a sua "luta" para outras provincias russas, e tentar forçar os russos.

Infelizmente se a politica anglo-americana é não negociar com terroristas a politica russa é ainda pior: nem se fala com eles, mesmo com refens...um terço deles morreram nesse incidente.

Isso deu a desculpa ao Putin para reforçar o poder do Kremlin e retirar poderes aos "governadores das provincias", e o "apoio popular" para simplesmente esmagar a Tchetchenia com todo o peso da maquina militar russa.

Bruno disse...

Segundo o Sol: uma coluna militar russa deixou a cidade de Gori, na Geórgia, e está a dirigir-se para a capital do país, Tbilissi, afirmam os jornalistas no local (http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=105349).

Com o Kosovo como desculpa ou não, estes russos já mereciam levar na tromba!

Guilherme Diaz-Bérrio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Mais importante do que "dar na tromba" aos russos na Georgia é saber o que fazer no após.

Segurar a Georgia agora é proximo do impossivel... mas a Ucrania continua a ser uma peça em cima da mesa (e já demonstrou o seu "desconforto" com a iniciativa russa/resposta EUA).

A melhor maneira de dar nas "trombas" à Russia era aprovar a entrada na NATO da Ucrania - ou minimo, dado que a reunião é em Dezembro, fazer um "contrato promessa" - mas existe um risco: o leste da Ucrania é populado maioritariamente por russos - votantes nos partidos de oposição pró-russos - que já deixaram a ameaça velada de cisão...

E note-se que a Ucrania é ainda mais dependente da Russia que a Georgia: Gás Natural vem todo pelos pipelines russos e já não é a primeira vez que cortam o fornecimento com desculpas de "problemas tecnicos"

E também há a questão da Abcasia, que também foi alvo de "libertação russa", que tem um importante porto para o mediterraneo e fica a um tirinho de Sebastopol - base naval ucraniana alugada aos russos.

The plot thickens, as they say...

Bruno disse...

Pois Guilherme, é como dizes: um complicado tabuleiro de xadrez. Isto apesar de a oposição russa ser liderada por um ex-campeão e ele não andar a ter lá muita sorte ;)

Quando eu falei em "dar nas trombas" aos russo não estava a referir-me a uma acção bélica e vejo que me interpretaste correctamente.

Concordo contigo em relação à entrada para a NATO. Também acho que perdermos já uma oportunidade de o fazer. Mas isso não será nunca um ponto final nos problemas naquela região. E por isso também concordo que os países da aliança atlântica devam por-se de acordo quanto ao que fazer. O problema parece ser que continua a haver velhos do restelo um pouco por toda a parte...

O que dirá Obama sobre isto??? Alguém já leu?

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Julgo que Obama continuou no tópico "lala wonderland, vamos dar-nos todos bem" - o advisor dele comparou Putin a Hitler.

McCain também não fez melhor: só ficou aquém - pouco - de dizer "para a Georgia já!", de preferencia com a NATO toda. Mas o foreign policy advisor deste além de ex-banqueiro é "amigo" do presidente da Georgia e o grande "lobbyer" para os interesses deste nos EUA...

Overall, acho que falharam os dois o teste

jfd disse...

Ai era um teste?
E eu a pensar que era uma guerra :P

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Não te faças de desentendido, que percebeste muito bem o que eu quis dizer ;)

jfd disse...

O que eu sei é que eu já tinha falado do Edwards há muito tempo na lista do psico, e só Sexta é que a América despertou para o facto de ele ter pulado a cerca!

Diz a ouvinte do programa que oiço "Então, mas nós estamos a assistir a uma guerra na Georgia e toda a gente abre com o Edwards por ter encornado a mulher que tem cancro?", responde o talk show host; "Ninguém se interessa pela Georgia ou pela Russia, este assunto tem muito mais interesse". - isto na Sexta passada.

Convenientemente corre pela Direita Americana que Obama fugiu de férias para não ter de comentar. Quando as suas férias estavam planeadas faz algum tempo. Agora ele vai estar caladinho sem nada dizer.

jfd disse...

Geórgia/Ossétia: Rússia "respeitará compromissos assumidos" - Presidência francesa
14 de Agosto de 2008, 03:06

Paris, 14 Ago (Lusa) - O presidente francês Nicolas Sarkozy "recebeu do presidente russo Medvedev a garantia de que a Rússia vai respeitar os compromissos assumidos"no âmbito do acordo de seis pontos estabelecido terça-feira pelas autoridades russas e georgianas.

"O presidenta da República falou longamente ao telefone com o presidente russo Dmitri Medvedev devido à aplicação do acordo de seis pontos, conseguido ontem (quarta-feira) pelas mais altas autoridades russas e gerogianas", indicou o Eliseu num comunicado divulgado quarta-feira.

"Relativamente às inquietações relacionadas com a efectividade da cessação das hostilidades, o presidente da República recebeu do presidente Medvedev a garantia de que a Rússia vai respeitar os compromissos assumidos", disse.

O Eliseu anunciou igualmente que hoje será realizado um encontro entre Sarkozy e a secretária de Estado norte-americana, no Fort de Brégançon (Var), para discutir a crise russo-georgiana.

LMP

Lusa/fim

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

A diplomacia do Kremlin acusou as autoridades ucranianas de adoptarem “graves medidas anti-russas” ao imporem restrições à movimentação da Frota russa do Mar Negro, com base em Sebastopol, Crimeia.(…)

“Os dirigentes ucranianos voltaram a adoptar uma grave medida anti-russa”, acusou num comunicado o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov.(…)

O presidente ucraniano pró-ocidental, Viktor Iuchtchenko - que substituiu o pró-russo Leonid Kutchma em 2004, na Revolução Laranja -, decretou hoje que os navios e aviação de guerra russa só podem deixar, ou regressar à base de Sebastopol mediante um aviso prévio de 72 horas dado a Kiev.

“Se esta decisão não for acatada, os navios e aviões russos infractores serão instados a abandonar imediatamente território ucraniano”, diz o decreto presidencial.

Anteriormente, o Ministério da Justiça ucraniano - citado pela agência russa Interfax - acusou Moscovo de violar o acordo para estacionamento da Frota do Mar Negro em Sebastopol (1997).

Um tratado de amizade entre a Ucrânia e a Geórgia proíbe a utilização de cada um dos territórios para agressões ao outro.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

"Saber como alguém pensa e o que fará em determinada circunstancia é o principio do exito" - Poirot (Agatha Christie)

Será que a Ucrânia poderia ser mais previsivel e provocar mais os russos?

Chamem-me realista ou cinico mas esta não me parece a melhor altura para a Ucrânia andar a provocar os russos à conta da base de Sebastopol...

Frederico Carvalho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Frederico Carvalho disse...

guilherme...

ai não que não é!

Então o Sarkozy propõe a ida de militares europeus para garantir a paz na georgia

Os E.U.A dizem que vão prestar ajuda humanitaria e levam 2 porta-aviões :)

E a Georgia vê-se bem vista perante a europa e amigos vizinhos que disponibilizaram ajuda.

Quer dizer, se há altura para mandar bocas é esta, em que os Russos vão voltar para a terrinha deles e ficam mal vistos por terem entrado em territorio extra-ossesia.

Se eles tivessem a infeliz ideia de o repetir noutro pais...

uiiiiii

Frederico Carvalho disse...

a verna CNN, quinta às 21h

Exclusive: Mikhail Gorbachev

http://edition.cnn.com/CNN/Programs/larry.king.live/

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Mandas dois porta-aviões...sim sr.

Põe-te na pele de um russo: vais olhar para aqueles porta-aviões e ver uma ameaça ou uma manobra de relações públicas?

E já agora defender o quê? O atacante? [podemos criticar os russos de muitas coisas, mas uma não podemos: foram pacientes! A Georgia ataca primeiro... chama-lhe impulso, provocação ou estupidez, mas para efeitos praticos são o atacante].

Os russos voltam para casa mal vistos? Por terem entrado na Georgia? Ahem, can you say "Estávamos a desmilitarizar a capacidade ofensiva da Georgia de modo a garantir que não acontece outra investida que mate 1500 ossetianos"?

O problema deste tipo de argumentos - que muito "bem" têm resultado para Ocidente - uma vez abertos também funcionam para o lado "deles"...

Já para não falar que agora o carissimo presidente da Georgia agora vai ter que explicar ao seu povo porque é que atacou, deu a desculpa aos russos, perdeu duas provincias [ou acreditas que aquilo continua a ser "de facto" Georgia?] e a maior parte do seu exercito num único golpe...

Quanto à retorica Ucraniana: relembra-te que aquele pais está dividido em dois. O "oeste" pro-ocidental e o leste ucraniano "pro-russo", são dependentes dos gás natural russo e não têm o escudo formal "NATO/UE".

De nada serve porta-aviões e retórica se o teu adversário sabe de antemão que não vais concretizar!

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Andrew Kramer, The New York Times, Tbilisi

Rússia exigiu que suas tropas tivessem permissão para atuar como ?força de paz? fora de regiões separatistas

Eram quase 2 horas de terça para quarta-feira em Tbilisi quando o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que acabara de chegar de Moscou, anunciou ter conseguido o que parecia impossível: persuadir o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, e o da Rússia, Dimitri Medvedev, a aceitar um cessar-fogo. Apertos de mão e felicitações foram enviados de todas as partes, mas, quando o sol nasceu, tanques russos voltaram a avançar, tomando posições na cidade de Gori, no centro da Geórgia.

Logo ficou claro que o cessar-fogo de seis pontos proposto por Sarkozy não apenas tinha fracassado, mas dava a Moscou ferramentas para entrar ainda mais na Geórgia usando como pretexto as chamadas “medidas de segurança adicionais” incluídas no acordo.

Segundo um alto funcionário do governo da Geórgia, Sarkozy também fracassou ao tentar convencer os russos a aceitar um prazo para o fim das operações militares.


Moscou usa termos do acordo para justificar ação militar

Será que podemos ser mais ingénuos ou posso promover Sarkozy a desilusão politica do ano!?

Paulo Colaço disse...

Concordo!

Frederico Carvalho disse...

A frase que gostei mais até agora sobre o acordo de cessar-fogo foi:
«As tropas russas começaram a retirar e as forças de manutenção da paz russas a chegar»

Bom, eu acho que isto tem uma dimensão política muito grande.
1) Porque tem envolvido os mais altos representantes das nações (EUA, UE, Rússia, França, Alemanha, etc...)

2) Já envolveu a Nato, a ONU vai começar em força, e as organização humanitárias também vão começar a aparecer nos media.
ATENÇÃO QUE A ANGELA MERKEL, ja veio a publico dizer que a Geórgia "será membro da NATO, a curto prazo"!

3) Depois da via política e das agressões com declarações azedas, eu espero que isto não desencadeie algo mais perigoso.

Mas do Sarkozy...
Sim, apreciei bastante a rapidez com que um elemento europeu se deslocou à Rússia para resolver a bem pela via diplomática.
Sim, foi bom ter conseguido que a Rússia assina-se o cessar-fogo, uma vez que é um documento oficial formal que compromete a Rússia a algo, e não cumprindo, é terrível para a imagem do Pais e do Governo.

Mas depois, dizer que os russos estão autorizados a patrulhar «alguns quilómetros» para lá da fronteira da Ossétia do Norte, ou seja, dentro do território da Geórgia, já considero um disparate.
A Russia esperta, assina, acena para o lado, e diz SIM SIM, CLARO! E depois gere o tempo a seu belo prazer.

Bom, os jornalistas dizem ter visto tropas russas a apenas 35kms da capital da Geórgia, Tbilissi.
Em Gori, ao que dizem, há menos presença russa, mas ainda se vê a sua bandeira e alguns soldados no centro da cidade.

O Sr. Dmitry diz que as tropas vão sair Segunda-Feira, de território georgiano.
Todos sabemos que ele não sai de um dia para o outro, da mesma forma como entrou. Vai querer sair devagarinho, género parada militar, com ar de gozo.
Aí acho que Bush teve bem. "Russia needs to honor the agreement and withdraw its forces and of course end military operations." Alias ele disse que a comunidade internacional reconhecia a Ossecia do Sul e Abkhazia como parte da Georgia e que os EUA iam certificar-se que a Rússia percebia o significado disso.

A Rússia vai basear-se no argumento de quem muitos dos separatistas tem cidadania russa, por isso como diz o Sarkozy a «Russia tem direito a proteger os russofonos»

Maneira que até eu já estou confuso.
Afinal a Europa anda ao som de que batuta?

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

E lá continuamos nós a priveligiar retorica sobre os actos.

Foi precisamente o acordo - e não vamos confundir celeridade com ser eficiente - que deu mais uns pretextos aos russos para lá ficarem...

Na pressa de construir uma retorica para "apresentar trabalho" caimos em mais uma jogada russa. Agora podem lá ficar: pretexto da "segurança" previsto no acordo...

Reconhecer a Georgia do Sul e Abkazia como Georgia é cristalizar uma posição quando deviamos manter-mo-nos flexiveis... uma situação tatica inflexivel só beneficia a Russia, não a UE.

Paz sim, mas em termos que não benificiem os russos se faz favor...

Quanto a quantas vozes falam a europa: até a propria França foi lá tratar dos seus proprios interesses. E só há uma coisa em que concordamos - a Russia é forte e grande - mas discordamos no essencial: a velha europa prefere uma politica de apaziguamento enquanto que a "nova" europa - o leste europeu - prefere uma politica mais agressiva que contenha a Rússia...

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Só mais uma axega:
Foi precisamente a "inflexibilização" tatica e o cristalizar de posições - e consequente extremar - que nos colocou no caminho definitivo para a 1º Grande Guerra [O que começa como um conflito regional entre a Servia e a Austria alastra devido à inflexibilidade do mecanismo de Alianças da altura]...

Agir com principios: sempre [estrategia e seu tronco]. Perder a flexibilidade tatica é que nunca pode acontecer. Leva sempre a um extremar de posições!