quinta-feira, agosto 28, 2008

A Europa da Hipocrisia

E está nomeado o primeiro candidato Negro do partido Democrata Americano.
É um momento histórico para todo o mundo. Queiramos ou não, são os Estados Unidos que marcam pontos no que toca à tolerância e representatividade da sua população nos seus órgãos representativos, legislativos e de soberania Nacional.
E não nós. Na hipócrita Europa, que com desdém e superioridade moral olhamos para os Estados Unidos da América.
Este post não é sobre as eleições, mas sim sobre uma lição para o Mundo da Democracia Ocidental. Para o Mundo da hipocrisia. Para o Mundo do racismo. Para o Mundo que teima em aceitar as diferenças, comemorando-as, não esbatendo-as. A Europa convive com um grande Elefante em cada Parlamento, em cada Tribunal, em cada Ministério em cada órgão representativo... E esse invisível Elefante, incomodativo, é a noção de que somos todos representados, que não há raças, que não há credos que não os dominantes. Não há discriminação positiva porque somos moralmente maiores que isso, não há discriminação negativa porque temos história de tolerância...
Será assim?

45 comentários:

Nélson Faria disse...

A nível de tolerância, a Europa tem pouco a ensinar aos EUA.
Quer religiosa, quer política. Nós pregamos e pouco fazemos; quando os EUA começaram a pregar, fizeram ;)

Mas não podemos deixar de considerar o que conduziu os EUA até aqui:

- o conflito racial é muito maior nos EUA por terem verdadeiramente uma grande comunidade negra desde a sua fundação;

- o peso dos "pecados": até à década de 60 houve Estados em que um negro não ia à mesma loja, ao mesmo barbeiro, ao mesmo cinema, ao mesmo teatro, não bebia no mesmo bebedouro nem se podia sentar nos mesmos lugares que um branco.

Ainda assim, parabéns aos EUA!

Luis Melo disse...

Nos EUA, existem representantes políticos africanos, hispanicos, asiáticos e muitos outros (na Europa não).

Isto porque, as suas comunidades são de facto tão grandes como qualquer outra (o que não se passa na Europa).

Ainda assim, penso que vem com muito atraso, esta candidatura de um "african-american" á presidência.

Na minha opinião, até há bem pouco tempo, os hipócritas foram os americanos. Isto porque "deixaram" os não-brancos terem cargos menores, mas nunca os "deixaram" chegar "lá acima".

Por isso não lhes reconheço pioneirismo nenhum neste campo.

Nélson Faria disse...

Eles vão ter o primeiro candidato afro-americano a Presidente dos EUA. Vão ser os primeiros do mundo ocidental a ter não-caucasiano a disputar sériamente o cargo mais elevado da sua Nação Luis. Com todos os erros que cometeram e com todas as variáveis que condicionam tal escolha: eles foram os primeiros.

E é um candidato notável.

Nélson Faria disse...

Entretanto, os democratas acabam a convenção com azar:

The Commerce Department reported Thursday that gross domestic product, or GDP, increased at a 3.3 percent annual rate in the April-June quarter. The revised reading was much better than the government’s initial estimate of a 1.9 percent pace and exceeded economists’ expectations for a 2.7 percent growth rate.

http://www.msnbc.msn.com/id/26436824/

Com a crise da Geórgia a ameaçar evoluir para um plano de tensão internacional e com a economia a dar sinais de recobro, a balança poderá pender para os republicanos. Isto é, o terreno fica mais propício para o campo republicano que democrata.

jfd disse...

Para quem diz isto;

Isto porque, as suas comunidades são de facto tão grandes como qualquer outra (o que não se passa na Europa).

É óbvio que chegue a esta conclusão;

Por isso não lhes reconheço pioneirismo nenhum neste campo.

O meu post não se esgota nos PRETOS. Tem que ver com as COMUNIDADES, que edificam essa Europa fora. 1ªs gerações de emigrantes, mas seguintes de nacionais. Não falo de todo o espectro da sociologia da coisa, mas sim da REPRESENTATIVIDADE POLÍTICA. Quantos muculmanos estão no poder em França, Alemanha e Inglaterra? Porque teimamos que não têm que estar só porque a sua comunidade é grande?

Luis Melo disse...

jfd,

O meu comentário também não se esgota nos de origem africana.

Deixa-me recordar-te que temos emigrantes portugueses em cargos representativos em França, por exemplo.

A comunidade portuguesa em frança é grande, mas não é tão grande como a hispanica nos EUA, por exemplo.

jfd disse...

Luis Melo,

Outro tiro ao lado.
Falas de uma realidade perfeitamente enquadrada na realidade uma União Europeia. Qual é a maior comunidade de emigrantes em França? Qual é a sua representatividade?

Nélson Faria disse...

Ambos têm razão: penso que perdem um pouco quando pensam num absoluto.

- Os EUA são de facto pioneiros, por não se ver isto em nenhuma outra potência ocidental;

- a Europa tem de facto grandes comunidades, mas não com a mesma presença nem com a mesma história que as norte-americanas, daí a sua "sub-representação";

Mas falar muito disto minimiza o facto mais relevante: Obama está onde está porque é um grande político, um grande líder e um grande homem. E fez da sua côr de pele um pormenor nesta corrida.

Não façamos da sua côr de pele a questão mais importante deste momento.

Diogo Agostinho disse...

Completamente de acordo com o Né, neste comentário.

Obama é o fenómeno que é, por ser ele próprio um grande político, excelente orador e galvanizar as pessoas à sua volta. Se é branco, verde ou às pintinhas, não me parece relevante. Quem assume lugares de topo deve ser competente e deve ser tocado com o "dom" de liderar. O resto não me parece relevante.

Adorava ter a Condi Rice como candidata, não por ser negra ou mulher, mas porque seria a meu ver uma mais valia.

Obama tem o dom.

O problema é que na Europa os líderes falam, falam, gozam o Presidente dos EUA, mas são bem inferiores ao actual.

Não existem políticos de outras raças porque não querem. Ou não estão para aí virados, ou não têm o "dom".

jfd disse...

Lá está.
O negro chega ao último degrau antes do poder, e ainda por cima o primeiro e por amor de Deus...
Não falemos da sua cor, pois não teve nada que ver com isso.
Nem as margens de 90%+ de votação nas comunidades com a mesma cor de pele que ele.

Realmente, nada tem que ver com cor... Enfim...

Mas não queria falar de Obama, queria falar da Europa. É esse o titulo do post
Quero falar da hipocrisia da Europa. Ainda estou a reunir as estatísticas. Mas ainda ninguém me avançou com números....

Quantos Muçulmanos são Euro-deputados?
Quantos Africanos são Euro-deputados?

Só o desdém pelas questões já diz muito...

jfd disse...

Não existem políticos de outras raças porque não querem. Ou não estão para aí virados, ou não têm o "dom".

E pronto;
Aqui está perfeitamente ilustrado aquilo que está tão profundamente enraizado na nossa cultura e forma de estar, que, pôr isto em causa faria de mim um reaccionário...
Com todo o respeito; perfeito disparate.

Diogo Agostinho disse...

Eu falei em raças, como poderia falar em sexos diferentes. Para mim argumento de coitadinhos e de quotas não pega.

Não percebo onde está o disparate. Eu olho pela qualidade e capacidade. O resto interessa? Estatísticas? São números. Quero pessoas e pessoas com vontade, vocação e devoção. Onde está o disparate?

Mas o mundo deve ser dividido em comunidades??? Acho que deve ser dividido em nações. Ponto. E cada nação escolhe o seu caminho. Deixem as estatísticas aos marketeers.

jfd disse...

Essas comunidades TÊM de ser representadas. Vivemos em Democracias Representativas. E não estou aqui para ensinar a Missa ao Padre...

Para mim argumento de coitadinhos (...)

Isto desgosta-me. Isto é a nossa mentalidade. ARGH!

E até eu, sou contra as quotas de género, mas reconheço que tem de haver representatividade a outro nível social a bem da paz social.

A demografia muda. Não seremos sempre o mesmo País. A mesma Europa. Se não houver "escape" legitimo para as justas pretensões de quem escolhe os nossos países para fazer a vida, como será que vão fazer para se fazer ouvir?

Isto para mim é claro.
Isto para mim é ter uma visão de longo prazo. É ser um cidadão do mundo.

Nélson Faria disse...

jfd,

estás novamente a querer extremar posições. Eu não disse que é irrelevante a sua côr.

Acho é que a sua vitória é muito superior a isso. E tendo acompanhado o início da corrida, sabes que Obama teve imensos problemas para merecer a confiança dos afro-americanos. Ganhou-a naturalmente, depois de ter mostrado a sua competência.

O Diogo, tendo também extremado a posição, levanta uma questão pertinente: porque não se envolvem mais as minorias?

Porque é que não vejo mais não-caucasianos a militar em partidos políticos para mudar o que se passa?

Obama está onde está porque foi além do universo afro-americano, porque foi audaz e realmente fez aquilo que todos dizem: não interessa a côr da pele, eu não faço política segmentária.

Outros grandes líderes negros nos EUA tiveram, noutras alturas, de lutar pela igualdade. Obama, agarrando na sua herança, trabalhando sobre o trabalho dos outros, começa a lançar um panorama em que podemos acreditar que tal é possível.

Se vencer as eleições, prova que é mesmo possível; se sair derrotado, a gestão da sua candidatura marcará o que ficará para a história.

Tiago Sousa Dias disse...

Ó Jorge honestamente não sei se concordo contigo. Vejamos os 3 Estados mais poderosos da Europa França - Presidente de origem hungara; Alemanhã - Chanceler femenina; Reino Unido - Mayor comediante... :) Queres mais variedade? No parlamento europeu tens até muçulmanos britânicos, liberais, conservadores, fascistas, comunistas, brancos, negros, etc. Não acho que os EUA sejam um exemplo até porque só agora tal acontece. Estamos a falar de um país em que a magistratura popular existe (tribunais de júri) e se permite a exclusão de membros em função da côr ou religião.

Tiago Sousa Dias disse...

Só mais uma coisa Né:
Os EUA não têm negros desde o ínicio. A chegada dos negros aos EUA deu-se já na sociedade consolidade com as grandes familias a "adopta-los" como escravos.

jfd disse...

Mas que mania.
Não é extremar posições. É ter posição. Assim como o Diogo tem a dele. Não há problema. Estamos a debater.

Porque não há minorias nos partidos? Diz-me lá tu. Quantos estrangeiros habitam na tua secção? Quando estão no PSD da tua secção? Na minha não sei, inscritos ZERO. Nunca nos preocupamos com eles, nem em saber as suas necessidades. Como voto valem zero. É por isso que não há mais.
Mas em jantares de campanha é ver as periferias da cidade encher pavilhões com etnias que nunca sonhamos no nosso partido. Porquê? Porque dá jeito.

Hipocrisia... Faça-me o favor!

jfd disse...

Tiago apresentas o contraponto. Nada de injusto nisso.

O que me irritou foi o périplo de Obama pela Europa, foi usado para gozar com a Europa pelos Americanos.

Nós olhamos para lá de cima para baixo. Aplaudimos Obama como o salvador da América. Mas na nossa casa? Um preto? Cruzes canhoto.

Margarida Balseiro Lopes disse...

"Essas comunidades TÊM de ser representadas."

ó Jorge, este é o argumento dos socialistas para defenderem as quotas para as mulheres. Deveria existir também quotas para muçulmanos, pretos, gays, louros ou hemofílicos no parlamento europeu?

Claro que não. Isso é repudiar o mérito e a vontade. Tomemos o exemplo de Obama.

jfd disse...

Margarida és mais inteligente que isso, e até já me disseste que gostas de ler o que escrevo (idem!).

Eu enquadrei essa afirmação num contexto que dá sentido ao rumo que incuto no post.

Decidiste fazer esse destaque e dar-lhe esse sentido, não me merecerá mais, e tristemente, que esta resposta.

Margarida Balseiro Lopes disse...

É esse o sentido que dás ao texto. Aliás o título é "a Europa da Hipocrisia". Perguntas repetidamente por que razão não estão as minorias representadas. É esta a minha leitura.

Não me aborreço se não tiveres nenhuma resposta para me dar. ;)

jfd disse...

Um dos meus últimos comentários;


E até eu, sou contra as quotas de género, mas reconheço que tem de haver representatividade a outro nível social a bem da paz social.

A demografia muda. Não seremos sempre o mesmo País. A mesma Europa. Se não houver "escape" legitimo para as justas pretensões de quem escolhe os nossos países para fazer a vida, como será que vão fazer para se fazer ouvir?

Isto para mim é claro.
Isto para mim é ter uma visão de longo prazo. É ser um cidadão do mundo.

jfd disse...

Mas Margarida serei da mesma forma justo e abrangente e aberto à discusão da próxima vez que propuseres um tema. Obrigado.

André Barata disse...

Branco, Preto, todos somos Homens. E neste caso, o verdadeiro racismo parte de Obama, e é por ele aproveitado para se capitalizar em votos a seu favor. Tolerância, integração, etc etc são tudo armas para jogar com o paradigma actualmente existente no que toca ao racismo.

Sinceramente, um marco histórico para mim não é o candidato ser preto, branco, cor de rosa às bolinhas verdes; o que é realmente importante para ficar na história, é ser escolhido o melhor candidato existente em determinado momento. Porque a competência se deve sobrepor a todas estas "artimanhas sociais".

jfd disse...

E neste caso, o verdadeiro racismo parte de Obama, e é por ele aproveitado para se capitalizar em votos a seu favor.

Como assim?!?!?!!?

Nélson Faria disse...

Tiago,

The first record of African slavery in Colonial America occurred in 1619.

http://en.wikipedia.org/wiki/Slavery_in_the_United_States

Os EUA só são fundados um século mais tarde.

jfd,

uma coisa é discutir. Outra é colocar absolutos em cada ponto que se tenta fazer.

Porque não se inscrevem não-caucasianos em partidos políticos? Porque não são activos? Se querem mudar o mundo têm de fazer parte dele.

A Margarida tirou a conclusão óbvia das tuas palavras. A não ser que tu nos queiras explicar outra forma de as pessoas estarem representadas sem criarmos quotas ou as obrigarmos a serem militantes dos partidos.

Nélson Faria disse...

LAPSO: os EUA são fundados mais de um século e meio depois.

Os EUA já foram criados numa sociedade esclavagista.

jfd disse...

A Margarida tirou a conclusão óbvia das tuas palavras. A não ser que tu nos queiras explicar outra forma de as pessoas estarem representadas sem criarmos quotas ou as obrigarmos a serem militantes dos partidos.

Quem sou eu para explicar a pessoas que vivem na política há muito mais que eu como fazer as coisas.
E além disso sou só um, e se por ventura já reparaste, eu estou a fazer a minha parte.

José Pedro Salgado disse...

Na Europa da hipocrisia (que não acho que seja) é preciso lembrar uma coisa: já tivemos imensos líderes de governos que eram mulheres - o que foi uma grande novidade nos EUA.

Tiago Sousa Dias disse...

Né uma rectificação à interpretação que tu fizeste do que eu disse. Eu disse que os negros foram levados para a escravatura muito depois da sociedade consolidada, não depois da constituição americana.
Uma rectificação ao que tu dizes: os EUA não nasceram apenas DEPOIS da escravatura ter aparecido mas (também) por causa da escravatura. Pena é que esse instinto não tenha sido no sentido de a eliminar mas por causa da arrogância dos direitos sobre os escravos.
;)

Tiago Sousa Dias disse...

Link por link:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Imigra%C3%A7%C3%A3o_nos_Estados_Unidos_da_Am%C3%A9rica

jfd disse...

Daí não questionar as quotas em relação ao género.
O primeiro passo foi dado. O ónus já está do lado dos indivíduos.
Obrigado pela contribuição.

Nélson Faria disse...

Tiago,

Os EUA não têm negros desde o ínicio.

Têm sim. Os EUA só são "criados", salvo seja lol, com a declaração da independência (no mínimo).

Os negros foram levados para lá quando ainda eram colónias.

jorge,

eu reparei que tu fazes para marcar a diferença. Mas não podemos dizer apenas que os partidos são hipócritas.

Eu não quero quotas. E muitas vezes digo que o PSD comete um grande erro em não adoptar uma política de integração como bandeira. Mas nem vou obrigar minorias a estar representadas, nem vou defender quotas.

Podemos sempre ficar pela inócua "devem criar-se as condições para que eles tenham vontade de ir". Nessa óptica, eu colocaria um PSD a falar de integração. Mas poucos são os que identificam aí um "nicho de mercado" lol

jfd disse...

Pessoal estão sentados?!?!?!?!

Né concordo contigo!
E gostaria de contigo explorar, a sério, e aproveitando a tua experiência, a ideia de integração para uma futura apresentação a quem de direito.

Porque, by God, como gostei da forma como escreveste a coisa... !
Inócua? Poderá ser mais que isso não achas?

Nélson Faria disse...

Disse inócua porque normalmente a conversa fica ali, cheia de "wishful thinking".

Ah e tal devíamos fazer isto... e depois chapéu!

Por mim a 100%. Só vou é poder dar atenção séria ao tema lá para os finais de setembro provavelmente. Mas pode-se trocar umas ideias.

Neste caso seria mais eu com interesse e tu com experiência lol

jfd disse...

Experiência para lá do óbvio não tenho nenhuma. E sim depois de Setembro.

xana disse...

"o verdadeiro racismo parte de Obama, e é por ele aproveitado para se capitalizar em votos a seu favor"

Acho isto um enorme disparate! Infelizmente, os negros na América têm mesmo a vida difícil. Mais do que na Europa!

Obama cresceu longe dessa dificuldade. Estudou num colégio com brancos e viveu afastado das suas raízes africanas. Foi um adolescente que procurou o sentido da sua raça e da luta que Martin Luther King Jr. travou pelos direitos civis dos negros. Assim, 50 anos volvidos, ainda muita coisa tem que mudar, e aqui está um candidato negro que se pode vir a tornar no Presidente dos EUA.

Ele não capitaliza coisa nenhuma, até porque os políticos brancos não precisam de clamar que são brancos e que os da sua raça votem neles. O mesmo acontece com os negros. A grande diferença é esta: os negros tendem a unir-se porque sabem que têm que lutar ainda por muita coisa, especialmente pelo facto de uma segmento da comunidade negra nos EUA ser altamente relacionada ao crime urbano e muitos há que são "metidos no mesmo saco".

É uma grande injustiça acusar Obama de capitalizar o voto negro! Ele falou das questões raciais como ninguém e sim, porque é negro! Os brancos até hoje não se preocuparam nunca com isso! Bem haja Obama. Mais, é prefeitamente normal que os negros votem nele, mas mesmo assim, ele toda a sua vida política activa foi acusado de não ser "suficientemente negro". Não será assim tão líquido, mas gostava de ler motivos porque os negros não haveriam de votar no 1.º negro com possibilidade de liderar o país mais poderoso do Mundo.

Nélson Faria disse...

Concordo com os 3º e 4º parágrafos da Xana.

Não com o último:

- não é injusto dizer que ele capitaliza porque ele, de facto capitaliza... apesar dos problemas iniciais por ser, como disseste, "demasiado branco";

- ele falou das questões raciais porque foi encostado à parede por causa do Rev. Wright - não foi porque quis, mas porque teve de o fazer;

Eu encontro-te um grande motivo para os negros não votarem no 1º negro candidato: se for só por causa disso é uma estupidez insensata lol votar em alguém porque é de determinada raça ou de determinada idade não é sectarismo, é falta de critério político.

Também é injusto dizer que os brancos nunca fizeram nada pelos negros norte-americanos: assim sem investigar lembro-me de Kennedy, Lindon Johnson e Clinton. Todos reconhecidos por políticas de integração. E muitos mais haverá...

Filipe de Arede Nunes disse...

Provavelmente a culpa é minha, mas não consegui perceber nem o post nem as largas dezenas de comentários que lhe seguiram!

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

jfd disse...

Claro que percebeste ;)

Já agora andei pela tua faculdade e chamaram-me atenção para a tua posição no ranking; parabéns!

xana disse...

Claro que é injusto dizer que nenhum branco fez algo pela comunidade negra. Tens toda a razão e citaste grandes homens, mas o que é facto é que nenhum tocou nessa questão como Obama o fez. E se Obama não perder a sua "quest" da juventude, como Presidente dos EUA pode muito bem fazer muityo mais pela comunidade afro-americana e perceber afinal o que os separa tanto ou tão pouco dos brancos.

Tenho que rabater o teu motivo_ um negro nucna votaria em Obama por este ser negro apenas. Iluória ou não, esse negro teria a garantia que Obama ia olhar para a sua comunidade como mais ninguém teve capacidade de olhar.

Mas também te digo, Obama não é o negro que se queria para esse entendimento a 100%. Ele de facto não é "suficientemente negro" para isso. Mas terá uma muçher ao lado que o é e que tem uma história de vida bastante interessante do ponto de vista das oportunidades do negros na América.

Já sabem que por trás de um grande homem... lol

Filipe de Arede Nunes disse...

JFD,

No ranking?

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

xana disse...

Queria só dar uma achega a uma coisa que o Né disse. Quando dizes que os negros não votariam em Obama só por este ser negro porque seria falta de critério político, deixo-te uma pergunta: será que as pessoas procuram esse critério político? Não estaram as pessoas fartas desse mesmo critério político?

Obama terá, a meu ver, essa capacidade de chegar às pessoas e deixá-las perceber que a política pode ser muito mais do que um poço de interesses e verdadeiramente ser exercida com humanidade.

Nélson Faria disse...

Xana,

acho que falamos de coisas diferentes: o que eu tentei dizer foi que votar, ou deixar de votar, numa pessoa por ser negro ou branco, ocidental ou oriental, alto ou baixo, gordo ou magro, é a total ausência de um critério político. Nenhuma destas características é relevante quando falamos de Política.

Os negros não votam em Obama porque ele é negro... e ainda bem. Eles votam nele porque é um bom candidato.

Daí ele ter precisado de tempo para os convencer que ele traria a agenda que mais lhes convinha, que ele era capaz de fazer melhor do que Hillary.

É óbvio que sendo negro haverá uma identificação mais forte com o candidato. Mas nada mais que isso.

jfd disse...

Na tua escola Filipe ;)