sexta-feira, agosto 29, 2008

Arrepiante e emocionante


Foi ontem e foi arrepiante!
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Obama, discursou num estádio para 75 mil pessoas eufóricas. Isto é política. Não é espectáculo, cinema, inventem o que quiserem, mas isto é política pura, pessoas que acreditam nos seus candidatos e demonstram-no.
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Para quando em Portugal alguém que nos faça acreditar? Alguém que não se deixe ficar por Novas Fronteiras, UVs ou Congressos monótonos para meia dúzia de gatos pingados e toque o coração das pessoas? Que não tenha medo de estar com as pessoas.
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É urgente voltarmos a acreditar e ter fé. Urgente!

18 comentários:

Luis Melo disse...

Diogo,

Eu sou novo, tenho apenas 29 anos, mas estou envolvido na política desde que me lembro.

Desde que me lembro que ia a comicios, festas e outros eventos. De bandeira em punho, cachecol, fitas e bonés na cabeça, t-shirt, autocolantes por tudo o que era lado.

Tenho recordações desde as campanhas com Cavaco em 85 e 87. Lembro-me até de campanhas com o Freitas do Amaral(AD).

Nesses tempos, enchia-se qualquer espaço. Não havia medo de fazer comícios em Estádios, Pavilhões ou Praças enormes. As pessoas acreditavam nos políticos e por isso aderiam a estas acções.

Desde há uns tempos para cá (e posso até precisar, foi desde 1999) isso acabou. Acabaram os comicios e acabou a confiança e a crença que se tinha nos políticos.

Na minha opinião, isto deveu-se á falta de qualidade e falta de nível da maioria dos governantes nos governos de Guterres. E nos seguintes também.

Lembro-me uma vez que regressava de uma rentrée do PSD em Ílhavo com dois "velhos militantes" Fernando Alberto Ribeiro Da Silva e Eurico de Melo. Fernando Alberto que já há muito não participava em comícios, dizia: "este comicio não tinha ninguém... viram como colocaram aquela bancada por trás do palco, cheio de jovens, para dar a entender na TV que estava cheio de gente?". Eurico de Melo respondeu em tom de brincadeira: "A tradição já não é o que era".

Infelizmente, eu sei e ele também sabe. O problema não é a tradição...

jfd disse...

Ainda bem Diogo, que foste tu quem fez a posta.
É claramente a tua marca ;)

Foi mesmo arrepiante e emocionante.
Haja mais gente como tu, a dizer as coisas como elas são.

(...)Para quando em Portugal alguém que nos faça acreditar? Alguém que não se deixe ficar por Novas Fronteiras, UVs ou Congressos monótonos para meia dúzia de gatos pingados e toque o coração das pessoas? Que não tenha medo de estar com as pessoas. .(...)

Quero ver agora o que vêm dizer, os do custume.

E realmente, eu que já olhei com desdém para esta faceta da coisa, que mal tem o carisma? Que mal tem a paixão? Que mal tem saber incendiar?

Nélson Faria disse...

Eu vou um bocado mais atrás que o Luis: acho que o descrédito na nossa política cimentou-se na segunda maioria absoluta de Cavaco Silva.

O final do cavaquismo foram alturas muito complicadas. Guterres vendeu uma ilusão não concretizada. Durão agarrou o partido que lhe caiu no colo, o país que lhe caiu no colo e a Europa que fez para que lhe caísse no colo...

Sócrates também teve uma benção dos céus.

Nós teremos novamente alguém que empolgue quando ela aparecer. Estes candidatos messiânicos não se fazem: surgem.

Há é que ir fazendo a diferença e trabalhar, pois enquanto estamos de braços cruzados decerto que não ajudamos.

Nélson Faria disse...

ERRATA: o final do cavaquismo foi uma altura muito complicada

jfd disse...

(...)Estes candidatos messiânicos não se fazem: surgem.

Eu não sei... Começo a acreditar que há receitas para tudo. Mas é claro que após o impacto inicial tem de haver substância que sustente a receita.
Agora geração espontânea? Duvido...
A sociedade é demasiado cínica para isso.

Paulo Colaço disse...

A paixão é importante em política.
A paixão pela causa pública, a paixão pelo estudo dos problemas do País, a paixão pelo trabalho sério.

Sei que Portugal terá brevemente razões para recuperar a esperança. Não sei se encheremos um estádio assim tão grande mas acredito que encheremos os Portugueses de esperança.

Com mais ou menos emotividade, com Congressos mais ou menos cheios, com feiras ou beijinhos, estou certo que o País reconhecerá em Manuela Ferreira Leite a paixão de governar com cérebro, respeitabilidade e sensatez.

Os mesmos cérebro, respeitabilidade e sensatez que vejo tão incompatíveis com o pão e circo que já deu derrotas a outros com mais aura.

jfd disse...

Aqui está o discurso
http://www.youtube.com/user/BarackObamadotcom

45 minutos.

Frederico Carvalho disse...

Obama é fantástico.

O espaço onde decorreu este discurso é quase arrepiante.
Juntamente com a excelente oratória emotiva, séria e equilibrada, Obama no seguimento daquilo que tem vindo a ser a sua postura nos diferentes discursos e comícios pelo País, consegue agarrar um eleitorado simpatizante já de si firme, e quem sabe indecisos que tenham ouvido.

Embora, um pouco extenso, gostei bastante.

TAF disse...

não faz sentido depois de se ouvir Barack Obama proclamar "we are the ones we are looking for", vir dizer que "o PSD tem que encontrar o seu Obama.".

Escrito n'O futuro é agora.

TAF disse...

Ainda a propósito de Obama, escrevi há pouco:
"A «Política 2.0»"

Frederico Carvalho disse...

Ao reler o texto de entrada do Diogo "Alguém que não se deixe ficar por Novas Fronteiras, UVs ou Congressos monótonos para meia dúzia de gatos pingados", embora agressiva, percebo a forma expressiva na escrita, porque depois de se ver um discurso destes, sente-se um vazio nacional interno muito grande, é verdade.

Mas sinceramente, acho que esses meios de concentração de pessoas que se tentam criar, embora sejam para poucos quanto gostariamos, vão relacionando interesses, vão criando uma rede de contactos, que acredito sinceramente que venha a dar uma dinâmica ao aparecimento de pessoas com valor acrescentado, em particular em lideres que saibam representar o interesse de pessoas e o seu bem estar.

A minha interpretação é que Portugal vivia num tampão muito grande na sequência do 25 de Abril. E a geração que foi lider, gerou-se dos interesses e da unidade por uma grande causa nesse tempo.
Em dias como hoje, em que se gerou um clima tão exigente de Competição, Interesses premiscuo e corrupção, iniciativas como as Novas Fronteiras, Uvs e outros encontros partidários, vão criando um elo de ligação e uma forma de estabelecimento de contactos que em épocas passadas, permitia o enriquecimento e a partilha de conhecimento entre um grupo maior de pessoas.
Até o banal contacto de conversa de café perdeu-se de moda.

E aludindo ao comentário do Luis, “De bandeira em punho, cachecol, fitas e bonés na cabeça, t-shirt, autocolantes por tudo o que era lado.”
Eu ainda não vivi em grande esse tempo.
Quando foi a eleição de Menezes, senti-me tentado a dizer, na apresentação da ultima moção sobre comunicação, que nem uma bandeira do PSD havia no palco. E era mesmo verdade, nem no espaço do Congresso vi uma.

No 34º Aniversário da JSD, haviam cerca de 700 e tal bandeiras JSD/PSD disponiveis, e como há mto não se via, todas estavam no Ar, criando uma dinâmica muito bonita, quer pelo aspecto laranja ao longe quer pela alegria das pessoas.

A verdade é que as grandes mudanças e revoluções vieram da força jovem, unida.

Um líder político que saiba alicerçar a dinâmica da juventude com a sabedoria de muita experiência, conjugada com um perfil honesto, humilde e trabalhador, pode vir a dar:
Como está na moda nos dias de hoje dizer: “Um Obama Português”
:)

jfd disse...

A minha interpretação é que Portugal vivia num tampão muito grande na sequência do 25 de Abril. E a geração que foi lider, gerou-se dos interesses e da unidade por uma grande causa nesse tempo.


MIL POR CENTO DE ACORDO.
Resume-se a: SEMPRE OS MESMOS até hoje.

E na questão das bandeiras é verdade. Falámos nisso há muito tempo. Parece que há vergonha em empunhar a bandeira e gritar bem alto sou PSD carago!

xana disse...

"Novas Fronteiras, UVs ou Congressos monótonos para meia dúzia de gatos pingados"

O que o Diogo quis dizer é que os partidos têm que parar de se virar pra dentro com encontros por vezes elitistas e que marginalizam até parte dos seus militantes, e virar-se para a população que é por ela que faz sentido a existência dos partidos políticos!

Concordo inteiramente.

A ocorrência de uma coisa não invalida a outra.

Luis Salgueiro disse...

Primeiro que tudo, dou-vos os meus sinceros parabéns pelo trabalho que tem desenvolvido sobre a sigla PsicoLaranja. Já vi que a participação no vosso blog é forte.
Sobre os EUA e o Barack Obama, gostaria apenas de dizer algumas coisas.
Primeiro que tudo, discordo com o que é dito no texto do blog.
O que se passou nesta Convenção do Partido Democrata em Denver, não foi politica, longe disso, foi um espectáculo preparado até ao mais ínfimo pormenor, ao exemplo do que acontece em tudo nos EUA. Não é que discorde, acho que é uma maneira diferente de encarar a vida.
A verdade é que nós os Portugueses temos uma personalidade muito particular, por norma fatalista (o tal fado), e por norma não acreditamos nas nossas potencialidades e esperamos sempre que exista alguém (ex: um líder politico) ou alguma coisa (ex: a selecção de futebol), que seja a salvação da pátria e que de preferência decida por nós! Deve ser consequência de muitos anos de ditadura. Só assim se explica que os Portugueses continuem a preferir o “Eng.º” José Sócrates para continuar a frente dos destinos do nosso País em 2009. De facto, se há coisa que devo-lhe dar o mérito, é que ele decide e não costuma hesitar, mesmo quando decide mal, sendo mesmo muitas vezes arrogante nas suas posições (é disto que nós gostamos, não tenham dúvidas).
Voltando ao fenómeno Obama, acho que vivemos um momento de êxtase desvairado, que resulta do facto da economia mundial estar em crise crescente desde do início do século. Nestes momentos de desespero, as pessoas tem tendência a deificar e enfatizar determinadas pessoas e acontecimentos. Veja-se o nosso caso, podemos não ter dinheiro para comer e onde trabalhar, mas se a nossa selecção de futebol ganhar, então somos pessoas felizes.
Com o Obama, passa-se o mesmo, as pessoas querem acreditar que ele vai ser a salvação da Pátria e vêm nele a sua única hipótese para alterar o actual estado de coisas, no fundo acreditam num salvador. Quando assisti àquela Convenção, fiquei na dúvida se estava a assistir a um evento religioso (as pessoas choravam!). Esta convenção foi para além de um acto de fé, um acto de emancipação da raça negra - pelo menos muitos o vêem assim, quando acho que o não deviam fazer, somos todos iguais, e o que nos devia diferenciar, deveriam ser as ideias, mas claramente nos EUA não é assim que se pensa, dado que trata-se de um país com um nível de racismo bastante acentuado.
As Convenções e Congressos, deviam ser locais de discussão de ideias, mas nós estamos mal habituados, pois gostamos mais do espectáculo, a discussão de ideias enfadonha-nos (que chatice! dêem-nos coisas básicas, que é disso que o povo gosta).
Obviamente que não digo que não gosto de ver espectáculos, mas cada macaco no seu galho, a politica devia ser um acto nobre e de dedicação e não o espectáculo que costumamos assistir. Por outro lado, em vez de estarmos sempre a queixar-nos dos nossos políticos e à espera de um salvador da pátria (como o Obama), devíamos era acreditar mais nas nossas potencialidades pessoais, pois é isso que faz a diferença nos diferentes Países.
Por outro lado, nunca vi os Europeus tão interessados e entusiasmados com as eleições nos EUA como agora!? Se calhar esquecemo-nos que vivemos na Europa!? Se colocassem todo esse entusiasmo na Europa que estamos a construir, se calhar podíamos ter mesmo um futuro melhor. Muitos pensam que se Obama ganhar que a Europa sairá beneficiada!? Em certa medida até poderá ser, mas não nos podemos esquecer que neste período de crise, no qual o EUA foi bastante afectado, a Europa beneficiou e muito, da valorização do euro face ao dólar, facto que minorou bastante o impacto da subida dos combustíveis. Portanto a lógica, é se os EUA saírem da crise, o dólar vai valorizar, e o preço de petróleo vai-se avolumar e nós os Europeus, mais preocupados com os problemas dos outros (o que também é legitimo), vamos nos afundar ainda mais.
Por outro lado, começa-se a sentir que a adormecida Rússia quer impor a sua voz e o seu poder no mundo, e a Geórgia poderá ter sido o primeiro (espero que o último) passo para uma crise mundial bem mais grave e com consequências que não prevejo muito animadoras. Será que Obama conseguirá dissuadir o crescente anseio de Vladimir Putin de impor a Rússia como potência militar mundial!?
Mas haja espectáculo, vamos vibrar com Obama, que nós gostamos e vamos ter “fé” que tenha resultados positivos.

Luis Salgueiro

jfd disse...

Obrigado Luis pela participação.

Tens razão. O Expresso de hoje apelida-a de Circo. E é-o. Um Circo que é estudado calculado e do qual se espera retorno. Assim como o que começará na Segunda feira. Mas diferente, com um McCain que tem de ler das folhas, que não incentiva a nã ser a dormir.
As ideias? Isso não interessa nada. Eles já sabem que ou ganha um ou ganha outro ;)

Daniel Geraldes disse...

Caro Diogo,

belo post o teu, só que a fé, tem de ser em ti,e na mudança que queres preconizar, não naqueles que sempre comungaram e fizeram parte do sistema, e que de 2 em 2 anos por substituição aparecem em eleições, refiro-me obviamente ao pequeno meio que a JSD.

Se queres começar a ter fé, no proximo congresso, evitar qualquer aproximação a esta malta e vai dizê-lo no palanque, pode ser que aí, eu começe a ter fé naquilo que dizes e como eu tambem queres.

Cumprimentos,

SocialDemocraciaPT disse...

O discurso é muito esclarecedor do panorama que se vive na EUA. As pessoas querem esperança, um futuro, empregos, saúde, segurança, serem felizes. Obama quer representar esse espírito.

Não é por uma questão de fé que os USA vão lá, mas com muito trabalho, planeamento, organização, "commitment".

Quanto ao PSD, acho que este partido está completamente esfrangalhado.

Nos Açores os seus militantes acreditam mais nas potencialidades do líder açoriano do PS do que nos seus "caciques". Na Madeira, é público o espírito separatista a nível político do PSD e nós por cá achamos que só passa de uma brincadeira e não ligamos. No Norte já temos o movimento de recolha de assinaturas para um congresso extraordinário. No Sul, temos Mendes Bota a liderar o movimento regionalista. Por cá em Lisboa anda tudo entretido a ver se asseguram o poleiro para o próximo ano.

Nem me vou dar ao trabalho de comparar MFLeite com HBObama. Minuto 35 do vídeo.

jfd disse...

Cyndi McCain está ofendida com o discurso de Obama... Com a parte em que ele falou da riqueza da sua familia... Ora leiam... (ou oiçam nos podcasts da ABC)

ABC News' George Stephanopoulos reports: Democrats' attacks on her family's wealth are unfair and offensive, Cindy McCain said today in an interview airing tomorrow on "This Week with George Stephanopoulos."

For nearly two weeks, Democrats have repeatedly hit Sen. John McCain, R-Ariz., for saying he is unaware of how many houses he owns, calling the presumptive Republican presidential nominee out of touch with everyday Americans. In his acceptance speech at the Democratic convention on Thursday, Democratic nominee Barack Obama turned up the heat on McCain, saying he "doesn't know" about the lives of middle-class Americans.

"I'm offended by Barack Obama saying that about my husband," said McCain's wife Cindy.
When asked if Obama went too far in his criticism of McCain, Cindy responded, "I do. I do. I really do."

McCain also said beer the distributorship her father built, which is the source of much her family's wealth, typifies the American Dream.

"My father had nothing. He and my mother sold everything they had to raise $10,000," she said. "I'm proud of what my dad and my mother did and what they built and left me. And I intend to carry their legacy as long as I can."

More of the exclusive interview with Cindy McCain airs tomorrow on "This Week."

UPDATE: The Obama campaign is not backing down. "The fact that John McCain does not know how many houses he owns when millions are struggling to stay in the only house they have shows he's out of touch with the lives of real Americans," said Obama spokeswoman Linda Douglass Saturday afternoon. "McCain is promising to double down on the economic policies of George W. Bush which have benefited corporations and CEO's while leaving middle-class families behind. John McCain just doesn't get it."

Douglass later added that "the issue here isn't the wealth of the McCain family, it's that Senator McCain is out of touch when he says that the fundamentals of our economy are strong' and that the Bush economy has ‘made great progress' when most Americans are actually losing ground."

ABC News' Sunlen Miller contributed to this report.