quarta-feira, abril 16, 2008

O júri disse...



"Tendo em consideração uma tão rica e vasta actividade de tradutor, que contribuiu de forma especial para a divulgação, em Portugal e nos países lusófonos, das mais marcantes obras da literatura italiana, em versões de alta qualidade estética e de escrupuloso respeito pelos originais, o júri decidiu conferir unanimemente a Vasco Graça Moura o Prémio Nacional 2007"

14 comentários:

Tiago Sousa Dias disse...

Este prémio á atribuído anualmente por uma Comissão especial, presidida pelo Ministro da Cultura italiano e composta por peritos do sector, para premiar tradutores e editores estrangeiros que tenham dado contributos importantes à valorização da pesquisa científica e da cultura italiana no estrangeiro.
Vasco Graça Moura foi votado por unânimidade.
Imaginem agora se as traduções tiverem que ser actualizadas segundo o "acordo" ortográfico...

jfd disse...

Um grande bem haja ao maior poeta vivo Português .
E muito generoso homem de cultura e Eurodeputado, como podem constatar todos os que têm, e tiveram, a feliz honra e oportunidade de com ele privar.

Paulo Colaço disse...

Extraordinário!

Este prémio é um orgulho!

Sublime!

Diogo Agostinho disse...

Um grande Senhor da Cultura. Uma voz respeitada!

Merecido o prémio!

Margarida Balseiro Lopes disse...

Com o mesmo deleite com que o ouvi a tergiversar sobre Camões na UV, recebo a notícia deste prémio.

É uma honra para Portugal.

E, porque Graça Moura para além de tradutor também é autor de poemas verdadeiramente sublimes, aqui fica um:


poema de combate

indecente rimar, uma criança
a esbugalhar os olhos de pavor.
uma cidade a arder. a governança
do mundo a esquivar-se: a sua dança
rima obscenamente com timor.

indecente rimar. lua assassina.
uma rajada e outra. um estertor.
um uivo, um corpo, um morto em cada esquina.
honra do mundo que se contamina
no arame farpado de timor.

indecente rimar sândalo e vândalo.
sacode a noite apenas o tambor
das sombras acossadas. tens o escândalo
que te invadiu a alma, mas comanda-lo?
onde te leva o grito por timor?

indecente rimar pois também rimam
temor, tremor, terror e invasor
por mais hipocrisias que se exprimam
enquanto de hora a hora se dizimam
os restos do que resta de timor.

indecente rimar: mas nas florestas
nunca rimaram tanta raiva e dor
a às vezes são precisas rimas destas,
bumerangue de sangue com arestas
da própria carne viva de timor.

Vasco Graça Moura

Luís Nogueira disse...

Deixo aqui os meus parabéns a Vasco Graça Moura por este prémio e pela forma como se bateu, pela defesa da lingua portuguesa no último prós e contras!
Um Gentleman. Tenho dito.

Anónimo disse...

Este era o tal que o Dr. Menezes dizia que vivia à custa do Partido !!!!

Segue abaixo a lista de prémios só sobre obras italianas....mas o homen traduz de alemão, francês, inglês...

Pela tradução de obras italianas (Dante: Divina Commedia, Vita Nova; Petrarca: Rime, Trionfi) recebeu:
– “Prémio Pessoa”, em 1995, pela tradução da Divina Commedia e da Vita Nova;
– “Grande Prémio de Tradução do PEN Club”, 1996, pela versão da Vita Nova;
– sob proposta da Società Dantesca Italiana, em 1998, foi investido com a "Medalha de ouro da Cidade de Florença";
– Prémio Internacional “La Cultura del Mare” (San Felice Circeo, 2002)
– Prémio Internacional “Diego Valeri”, Monselice 2004 (trad. Rime de Petrarca)
– -Prémio de tradução “Paulo Quintela”, da Faculdade de Letras de Coimbra, atribuído à sua tradução de Rime de Petrarca, 2006;

Tânia Martins disse...

Tal como o Paulo diz:

Um orgulho!

José Baptista disse...

Este prémio honra o País por ter Vasco Graça Moura como filho!

Vamos ver se começamos a fazer as vénias necessárias aos nossos portugueses de Valor, enquanto os mesmos podem usufruir delas!

Parabéns!

Margarida Balseiro Lopes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Margarida Balseiro Lopes disse...

E porque o Tiago, tenuemente, aborda o controverso acordo ortográfico, deixo aqui um texto muito interessante de Diogo Morais, do blogue http://camaradecomuns.blogs.sapo.pt:


"O Acordo Ortográfico
Eu também tive oportunidade, como o meu caríssimo colega de Blog, de ver a edição dos Prós e contras. Infelizmente, a minha crítica não pode ser positiva. Foi claramente dos programas mais infelizes desta nobre série que acompanho semanalmente.

Os intervenientes do debate estavam excessivamente crispados para que o debate fosse construtivo. Mais: o nível de arrogância patenteado por sua Excelência (como deve gostar de ser tratado), o Reitor da Universidade Nova, sinceramente, já não se usa.

A linguagem utilizada e o nível do debate redundou frequentemente no ridículo e em argumentos falaciosos.

Gostaria de deixar algumas sugestões para que se possa reflectir sobre esta questão:
1º Os países africanos tiveram uma participação muito fraca neste processo, o que é muito mau para o futuro do acordo ortográfico e da difusão do português por estes países;

2º Como tenho a felicidade de leccionar diariamente a alunos africanos, não vai ser este acordo que vai facilitar a aprendizagem correcta do português ou solucionar as suas dificuldades mais prementes, que se aprendem acima de tudo com a desadequação da linguagem verbal versus a linguagem escrita;

3º Este acordo existe para servir economicamente os países que o assinam, nomeadamente, Portugal e o Brasil. Não vale a pena estar com rodeios e deve assumir-se que Portugal e Brasil podem vir a beneficiar e muito, em termos económicos, deste acordo;

4º A língua portuguesa é património, não apenas de Portugal, mas de todos os PALOP;

5º O Brasil nunca poderá servir de exemplo para o exercício do rígor na língua de Camões; Basta observar a facilidade com que o Brasil descaracteriza a nossa língua com a introdução de adaptações do inglês (descaracterização não é plasticidade);

6º Não há razão nenhuma para existirem várias formas de se escrever a mesma palavra. Já que se faz um acordo ortográfico, que este exclua estas situações Ou então, não se faça acordo nenhum, e todos .

Acima de tudo, gostaria que este assunto fosse discutido de uma forma clara, objectiva, e sem rodeios. Mais: os interveninetes neste tipo de discussões, fundamentais para este país, têm de deixar de encarar a participação nestes foruns como uma forma de auto-promoção ou de massajar os egozinhos patéticos. A facilidade com que estas discussões assumem um carácter "pseudo intelectualóide" não ajudam em nada a um profícuo esclarecimento dos portugueses.

E é essa a razão de tanto medo. É preciso explicar às pessoas as verdadeiras razões do A.O. e colocar, preto no branco, as consequências positivas que daí possam advir.

Por tudo isto, acho que os intervenientes no Prós e contras prestaram um mau serviço aos país e, ao contrário do que possam pensar, a si próprios."

João Marques disse...

Já antes o considerava uma dos maiores personalidades portuguesas, não só da cultura como do pensamento portugueses.
Custou-me muito ver Menezes referir-se a um homem da estatura dele da forma como o fez, no entanto, a um a história há-de esquecer rapidamente, ao outro ela agarrar-se-á como se se agarrasse a si própria pois que ele é história viva.

Como já tive a oportunidade de comentar com o Tiago, para mim Graça Moura é como um Ent. Para quem leu ou viu a trilogia do Senhor dos Anéis facilmente se lembrarão porquê. Um ano para ele é como um segundo para nós.

Ainda que podendo discordar das suas posições e opiniões casualmente, há algo que se não pode negar, a sua superior dimensão de Humanista.

Nélson Faria disse...

Belíssimo João: um Ent!

Mesmo que não tenham lido o Senhor dos Anéis aos dezasseis (como aconselha Rui Reininho na música Sub-16), para quem viu o filme (O II episódio - As Duas Torres) lembra-se decerto dos pastores de árvores, aquelas árvores que falavam, que não sabiam onde estavam as suas esposas... e declamavam poesia com aquela voz troante, tal como fala Graça Moura.

Nada tenho contra o acordo ortográfico mas respeito Graça Moura e as pessoas que são contra.

José Pedro Salgado disse...

Um homem, acima de tudo, de uma polivalência invejável. E que empresta à política um contacto com uma certa faceta que ela corre cada vez mais risco de perder.

Prémio mais que merecido.