quinta-feira, abril 03, 2008

Jorge Coelho novo Presidente da Mota-Engil

O herói das bases do PS troca política por negócios.

Aquele que foi durante anos o Grande senhor do Partido Socialista, coordenador de todas as campanhas, actividades e contactos, avançou para a Presidência da Construtora Mota-Engil.

Em declarações aos órgãos de comunicação social, assume que não é rico!

Que benefícios terá a Mota-Engil com esta nomeação? Será Jorge Coelho um visionário em Obras e Construção Civil? Não foi Jorge Coelho o Ministro à data da queda da Ponte de Entre-os-rios?

Ou será que os contactos do seu telemóvel valem ouro?

20 comentários:

Paulo Colaço disse...

Lembram-se quando Celeste Cardona foi nomeada pela a Caixa Geral de Depósitos?
O que a imprensa não nos bombardeou...

Carlos Carvalho disse...

Pelos elos familiares, nem deveria comentar este assunto, mas permitam-me esclarecer que existem cargos dentro de uma SGPS que podem suscitar este tipo de dúvidas.

Jorge Coelho foi contratado, via empresa de consultoria para que trabalha, para produzir trabalho em termos de plano estratégico da empresa para os próximos 5/6 anos.

As noticias que agora surgem prendem-se com a vontade de contar com o trabalho de Jorge Coelho de forma mais próxima, devido aos benefícios que pode levar à construtora.

Devemosvter consciência de que lá porque se é, ou foi pol+itico, se podem exercer cargos de direcção, sem qualquer tipo de suspeitas.

Mal seria se os políticos, só por o serem, não tivessem capacidades intelectuais.

Carlos Carvalho disse...

Mais pode ser lido em:

http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=314490

Filipe de Arede Nunes disse...

É natural, e desejavem, que os políticos tenham capacidades intelectuais. É também desejavel é que as tenham também antes de chegar à política.
Não conheço o percurso profissional do Jorge Coelho pelo que comentários sobre as suas capacidades para ocupar este cargo seriam a meu ver de mau gosto.
Creio que a Teixeira Duarte é uma empresa de capitais maioritariamente privados (corrijam-me por favor se eu estiver enganado), pelo que acho perfeitamente natural que contratem quem querem. Se o homem tem contacto... Ainda bem para ele. Quem é que não gostaria de os ter?
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Filipe de Arede Nunes disse...

Além dos vários lapsos calami, naturalmente que me referia à Mota-Engil e não à Teixeira Duarte. Creio que para o efeito será indiferente.
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Vermouth disse...

Estejamos atentos aos concursos públicos que a Mota-Engil irá ganhar daqui para a frente. Temos a construção das linhas do TGV e do novo Aeroporto, sem contar com todo um conjunto de infraestruturas adiccionais...
Não quero dizer que poderá haver um qualquer favorecimento. Mas não vou acreditar em coincidências!

Paulo Colaço disse...

Há políticos que têm e políticos que não têm capacidades intelectuais.

Há políticos com e sem ética.

Há políticos cujas contratações por privados são "limpas" e há casos suspeitos.

Há contratações que cheiram a nomeação e outras que são puro pragmatismo de quem contrata.

Desconheço os contornos deste caso. Nem sequer sei se é um caso. Mas se fosse um ex-ministro do PSD, já teria metido polícia...

Nélson Faria disse...

Jorge Coelho é um animal político com um faro ultra-apurado: é um caceteiro e há muito que digo que todos os partidos necessitavam de um tipo daqueles, uma voz que debitasse aquilo que o Partido quer.

Se não me engano, Jorge Coelho delineou um plano estratégico não pela firma em que trabalha mas pela firma de consultoria em que é sócio. E se polémica há, e foi desenvolvida neste blog, pela presidência da LUSOPONTE de Ferreira do Amaral, com toda uma vida dedicada a esta área, é indiscutível que esta situação deve ser devidamente escrutinada no olhar público.

Não coloco em causa a mais valia que Jorge Coelho poderá trazer, nem vejo o Sr. Mota-Engil (como lhe chamou Avelino Ferreira Torres) a entregar a empresa só por favorecimentos contratuais... mas não deixa de ser curioso o que acontece um pouco por todo o lado: Tribunal de Contas, CGD, Millenium, Media Capital (dona da TVI entre outras).

Banca, informação e agora o sector mais dinâmico em Portugal: a construção.

Eu não acredito em bruxas mas é uma situação pouco transparente.

P.S. Reafirmo que um político não é menor que qualquer outro cidadão e convidado não deve recusar só pelo que fez. Mas deve estar preparado para ver o seu currículo e percurso sériamente escrutinado.

João Paulo Torres disse...

Bem vistas as coisas.. e com algum humor negro à mistura... este Sr. pode não ser um visionário... mas ... a ponte que ele deixou cair bem poderia ser uma oportunidade para a Mota-Engil ir lá fazer uma nova!! Se começarem a cair pontes... irão perceber certamente que aquele telemóvel funcionou!! E um dia desses iremos ouvir algo da boca deste Sr.: "Deixa cair que nós construímos outra"!!

Quanto ás capacidades do Sr. em causa aqui referidas... escusamo-nos a comentar...

A.Costa disse...

Olá!
Em relação a este tipo de discussões tenho sempre uma posição de princípio, um político deve ser um cidadão com os mesmos direitos e deveres que os demais:
- deve ter direito à sua vida privada;
- deve ter o dever de se reger pelas leis vigentes;
- deve ter o direito a exercer actividade profissional sem qualquer tipo de perseguição ideológica ou partidária;
- deve ter o dever de respeitar os outros ao nível da diversidade de multiplicidade de opiniões;
- (...)
Esta pequena listagem apenas para referir que Jorge Coelho, Armando Vara,... e tantos outros de todos os quadrantes políticos, têm o direito a prosseguir os seus interesses particulares mas devem acautelar que eles sejam prosseguidos dentro daquilo que se considera "de correcção - ética ideológica e de actuação", ou seja de submissão às leis e respeito pela autoridade - ética constituída.
Se assim aconteceu e acontecer nada há a apontar.
Cumprimentos,
António Costa

palafass disse...

Acredito que o essencial desta questão gravita em torno da nomeação e não a nomeação em si. Claro que sim , os políticos tem direito a uma vida profissional e privada e sim o ónus recai na forma como este exercerá essa actividade (inocente até prova em contrário) agora o que não poderemos deixar de considerar o clima de suspeição decorrente da eventual cumplicidade entre as suas interessantes relações políticas (quem escolhe) e as suas novas responsabilidade. Pouco ético, pouco responsável e muito promíscuo para o meu gosto.

E a imprensa olha para o tecto.

antónio pessoa disse...

É caso para dizer que agora quem se mete com a Mota Engil leva...

Nélson Faria disse...

Grande malha António.

Só para rectificar: Jorge Coelho foi escolhido e não nomeado. Ainda são os accionistas da Mota-Engil quem escolhe o seu CEO.

As razões que levaram a escolher Jorge Coelho `e que poderao ser menos claras

José Pedro Salgado disse...

Não tenho muito a comentar. Só uma pergunta:

Quem leu o Expresso desta semana?

Humm...

Paulo Colaço disse...

Eu nao.
Conta lá!

José Pedro Salgado disse...

Segundo noticia o Expresso (e apesar de sublinhar que não existem ilegalidades envolvidas), Jorge Coelho esteve envolvido na negociação dos contratos (mais) milionários das SCUT que foram para a Mota-Engil.


"Jorge Coelho está a dias de se tornar presidente da maior construtora portuguesa, empresa com que negociou, enquanto ministro, concessões superiores a mil milhões de euros. João Cravinho, também ex-ministro das Obras Públicas do PS, sem querer particularizar o caso, considera intolerável que quem define parcerias com privadas vá depois gerir esses interesses."

E agora pergunto: até que ponto estará errado (não do ponto de vista factual, mas do ponto de vista moral) o velho brocardo que postula que o que é bom não é ser ministro, é ser ex-ministro?

Paulo Colaço disse...

Depois de ler esta giga do Zé Pedro, e de ter lanchado sobre assunto, eis que vos digo:
Se ter sido Ministro é proveitoso para alguns, que tal passarmos a escolher melhor os futuros ex-Ministros?

José Pedro Salgado disse...

E agora pergunto eu: quereremos alguém como ministro que mais ninguém quer nem como ex-ministro?

O problema da questão é que as pessoas vêem sempre o lado mau. O lado que diz "aquele gajo só foi para o governo para arranjar tacho depois".

O problema é que nem sempre é assim. Gosto de pensar que o fenómeno ex-ministro pode-se dever, pelo menos numa quota parte, ao mérito dos governantes que tivémos.

E, mesmo admitindo que o namoro com o poder passasse por um esquema de reforma mais vantajoso, não nos esqueçamos que essa ambição também pode ser um incentivo a demonstrar mérito (e não apenas a fazer passar coisas pela porta do cavalo).

Paulo Colaço disse...

Vai um psico-debate sobre este tema?

jfd disse...

Olha Paulo eu acho que sim, e foi nesse sentido o meu voto.
Em Portugal temos o grave problema da impunidade aliado aos assuntos tabus.
O efeito halo de certos políticos é algo de extraordinário.
A promiscuidade é no mínimo interessante.
Os políticos têm de perceber que ao assumir um cargo publico PERDEM DE FACTO acesso à vida privada nos meios directa ou indirectamente ligados aos cargos. Se assim não é, assim deveria ser. Se não é para sempre que haja um período de nojo com relevância. Não basta sermos sérios, temos de o ser.
Que mania do politicamente correcto, nunca falar profundamente destes assuntos. Todos temos telhados do mais reles vidro, no que toca a partidos.
Vamos ser sérios e encarar o problema de frente?

As empresas são privadas escolhem quem quiserem. Mas de um bolo de quem está disponível. A culpa não é da empresa. É de quem aceita. Pois quem aceita, tem consciência de como funcionam as coisas.
Não falo do caso concreto pois não conheço nem me interessa. Mas podemo-nos precaver para situações futuras.
Ainda ontem foi debate quinzenal. Assembleia cheia nos momentos dos directos. E o resto do tempo? Nos assuntos das Comissões Parlamentares? Nos corredores? Nos gabinetes? Nas suas empresas? Nos seus empregos? O que é a AR? E o que é a vida do pós Governante? Que estatuto deverá ter? Até quando poderá ou deverá responder por algo que se venha a verificar que não tenha sido feito pelo bem estar da Nação?
Argh!

Ética para um Jovem, recomendou o Magnifico Reitor. Aqui estamos nós para a fazer valer...