segunda-feira, abril 14, 2008

Com Solene se faz favor!


O Presidente da República aterrou hoje no Funchal para uma visita à Região Autónoma da Madeira. A visita serve não só para dar voz aqueles que a procuram mas também, nas palavras de Cavaco, salientar o apreço pelas autonomias regionais e os casos de indiscutível sucesso.

Depois das grandes disputas de 85-95 sobre autonomia regional e finanças públicas, depois de em 2005 Alberto João Jardim ter sugerido a abertura de um processo disciplinar ao Sr. Silva e a sua expulsão, depois da campanha "Portugal Maior" que levou Cavaco à Presidência, tudo parece correr bem.

Mas a visita não podia deixar de ter uma pequena polémica: de forma um tanto trapalhona foi desmarcada, melhor, não foi sequer marcada apesar de ter sido agendada pela Presidência da República, a Sessão Solene na Assembleia Legislativa Regional. Tudo para proteger a integridade do Presidente da República dos impropérios da oposição.

O objectivo de AJJ é claro e compreensível: não quer dar palco à sua oposição. Mas será legítimo? E deveria, ou não, o Presidente da República insistir em ser recebido na Assembleia Legislativa Regional?

AJJ é livre de não querer dar palco à oposição, mas neste caso penso que deveria ter sido magnânime. Cavaco Silva portou-se à altura do cargo que representa: não deve criar um caso político maior intrometendo-se na política regional. Mas devia deixar um recadinho antes de levantar voo em direcção a Portugal Continental...

33 comentários:

jfd disse...

Eu adorei a explicação e justificação do AJJ. Cavaco, certamente sorriu por dentro. Muito engraçado. Boa posta ;)

João Prazeres de Matos disse...

Este país começa a tornar-se monótono... Assustadoramente monótono.

Eu, que sempre me considerei algo conservador, nada favorável a revoluções, começo finalmente a sentir-me incomodado com este estado catatónico do país.

AJJ já não vocifera aquelas palavras que nos cortam a compostura, como se de lâmina romba e enferrujada de há 6 séculos se tratasse.

Silencia a oposição orientando conjuntamente com o PR a agenda deste último.

O Prof. Cavaco Silva, conivente, actua como tem sido seu apanágio enquanto PR: mais discreto e irrelevante, que uma garrafa de licor de maracujá, numa qualquer lojinha do Funchal.

Não que devesse querer mostrar trabalho, pois sabemos que quando os PRs o fazem, dá certamente asneirada da grossa... Mas eu cá desconfio de umas quantas vezes em que o senhor professor se esqueceu dos poderes e deveres que a CRP lhe atribui.

Vamos mas é pôr os olhos neste senhor que se segue e sonhar com os "bons velhos tempos"... (yuck!)

http://www.youtube.com/watch?v=6DB42QUJYSM

Nélson Faria disse...

Adoro o final desse vídeo:

Essa dos padeiros com certeza... sim, talvez, e daí talvez. Talvez a frequência das manifestações tivesse, no subconsciente dos ministros, levantado esse problema. Tem razão, olhe não me lembrava da dos padeiros. E eu agora... epah vou almoçar pá.

Belíssimo, grande Pinheiro de Azevedo. Outra clássica dele:

Granadas? Não... Isto é só fumaça. Calma que o Povo é sereno! O Povo é sereno!.

Diogo Agostinho disse...

«Uma péssima imagem da Madeira mostrar o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa Regional».

Jardim considera que «o fascista do PND, o padre Egdar (do PCP) e aqueles tipos do PS» iam dar «uma imagem péssima da Madeira e ia ter repercussões negativas no Turismo e na própria qualidade do Ambiente».

«Eu não apresento aquela gente a ninguém».

Acho que Alberto João foi claro, quis poupar o Senhor Presidente da República de se dar com más influências!

Paulo Colaço disse...

E nunca se sabe o tipo de doenças que se pode apanhar nas cerimónias de aperto de mão!

Acho que AJJ fez muito bem: Cavaco faz falta ao país e a sua saúde é-nos cara.

Paulo Colaço disse...

Tirando Alberto João Jardim já não há entrevistados políticos com tanta pinta.

Nélson Faria disse...

in Público

Com a autonomia consagrada na nova Constituição da República, Ramalho Eanes é o primeiro Presidente da República a dirigir-se, a 23 de Outubro de 1976, à Assembleia Regional da Madeira, pela primeira vez eleita por sufrágio directo e livre nesse ano.

No Dia da Região, a 1 de Julho de 1986, Mário Soares lembra que “sem o 25 de Abril não haveria autonomia”, ao presidir à sessão parlamentar comemorativa do décimo aniversário de autonomia. A 4 de Dezembro de 1987 inaugura as novas instalações do parlamento.

Também Jorge Sampaio esteve por duas vezes no parlamento madeirense, ouvindo igualmente intervenções de todos os partidos. No discurso feito a 22 de Março de 1998, defendeu o pluralismo e a alternância do poder como formas de defesa da democracia, tendo recebido delegações das forças políticas com representação parlamentar e visitado bairros sociais problemáticos.

A 1 de Julho de 2001, Sampaio foi o convidado de honra das “bodas de prata” da autonomia.

Durante a sessão parlamentar em que defendeu uma “autonomia de cooperação”, os deputados do PSD, de forma muito pouco serena, reagiram às críticas das oposições ao exercício de um “poder absoluto e autocrático” na Madeira, e o líder da bancada social-democrata, Jaime Ramos, atacou directamente o ministro da República, entre os convidados, deixando atónitos o Presidente da República e o visado.

Paulo Colaço disse...

(isto era em resposta ao link aqui colocado pelo João)

Nélson Faria disse...

Não faz sentido que o Presidente da República se desloque à Madeira abdicando de ser recebido pela Assembleia Legislativa, que é o primeiro órgão do governo próprio da Região Autónoma.
É uma forma de transigência inesperada com afirmações do Presidente do Governo Regional que ofendem a Assembleia Legislativa, o Presidente da República e o Estado de Direito Democrático.


Eu concordo com Manuel Alegre... mas deverá mesmo o PR afrontar AJJ? Não será uma intromissão destabilizadora da Região? Ou estou com ataque de "partidarite"?

jfd disse...

LOL Né!
Eu penso que tu estás, como muitos nós, dividido entre o que seria coerente e correcto, e o que tem graça e nos faz ficar com um sorrisinho malandro.
AJJ é AJJ. E não o será para sempre. Porque não o deixar ser perto do fim (Salvo Seja! [Do mandato quero eu dizer])? Qual o sentido? ;)

Lisete Rodrigues disse...

Mas quem é que fez a agenda da visita do PR à Madeira?!? Há 2 semanas que temos assessores a percorrer calçada por calçada para que tudo estivesse bem definido...
Exagerando, AJJ aproveitou a oportunidade para mais uma vez ser o protagonista...em vez do PR. Gostando ou não, com críticas ou sem elas, AJJ é um verdadeiro «animal político» e um estratega de primeira! E em comunicação, não deve nada...

Filipe de Arede Nunes disse...

Atitutude muito triste, numa linha sempre coerente de Alberto João!
Eu fico preocupado da forma como a democracia acontece na Madeira. Serei o único?
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

jfd disse...

Bem uma vez divaguei neste fórum imenso sobre a Madeira.
A minha posição é simples.
A Madeira está bem e recomenda-se!
Esse género de preocupações pertencem aos seus muy nobres residentes!
Nós temos muito mais com que nos preocupar ;)
Com todo o respeito!

Diogo Agostinho disse...

A forma como a Democracia acontece?

Mas na Madeira não há eleições? Uma urna fechada, em que o eleitor com um bilhete de identificação recebe um boletim de voto e de entre vários nomes no papelinho faz um risco e vota?

Alberto João Jardim ganha eleições...não percebo o que vai mal naquela Democracia...

Filipe de Arede Nunes disse...

JFD!
A última vez que vi, no mapa de Portugal ainda aparece a Madeira. O que lá acontece preocupa-me tal como o o que acontece em qualquer local de Portugal continental.
Diogo Agostinho!
O que vai mal na democracia da Madeira? Está tudo louco, ou quê? Então ninguém ouve as declarações do Alberto João e dos restantes dirigentes políticos? Acham normal dizer-se que os tipos do Parlamento Regional são loucos?
É que eu não acho normal e questiono-me sobre a vitalidade do conceito de democracia naquele ponto de Portugal!
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Diogo,
Numa de advogado do diabo:
No Zimbabwe também às urnas fechadas onde se mete uma cruzinha num papel com vários nomes no papelinho ;)
Curioso, na Rússia também... isso faz dos dois democracias? :P

[Não estou a dizer que a Madeira não é uma democracia, mas justificar isso com base na existencia de urnas com papeis com nomes é complexo ;)]

Margarida Balseiro Lopes disse...

Eu partilho, em parte, das preocupações do Filipe. Aprecio a vitalidade de AJJ e o desenvolvimento que operou na Madeira, ao longo de 30 anos.

No entanto, oiço relatos verdadeiramente preocupantes sobre o conceito de democracia na Madeira. E, como é óbvio, se me preocupo com fenómenos, tão fisicamente longínquos, como os que se passam no Zimbabué, mal seria se o que se passa no meu próprio país não me inquietasse.

Por muito que seja inteligente a estratégia comunicativa de AJJ, esta tem de se coadunar com princípios e valores inerentes à Democracia. Menorizar e achincalhar a oposição não será certamente um deles. Por muito medíocre que esta seja.

Margarida Balseiro Lopes disse...

Asseguro que fiz o meu comentário antes de ler o comentário do Guilherme e de ver esta notícia ;) :

"O líder do PS Madeira, João Carlos Gouveia, afirmou hoje que "a Madeira é o Zimbabwe da Europa", pois os direitos constitucionais dos habitantes da região estão a ser limitados pela Constituição." in Público

dalmata disse...

Concordarão comigo se vos disser que não há ninguém que me faça dar gargalhadas como o AJJ. Eu percebo-o, eu também não apresento certas pessoas a ninguém...:-)

Paulo Colaço disse...

Grande Dálmata!
ehehehe, bela farpa!

Diogo Agostinho disse...

De facto tambem existe...mas convenhamos que lá nesses países, assistes a votações esmagadoras, ou a mortes pós votação, a perseguições! Na Madeira, não tenho conhecimento dessas situações.

Sei que é uma ilha, com tudo o que isso implica, e a explicação é clara! Quem os defende eles defendem! Até ao fim! Com um sentimento de alegria e de veneração! Não vassalagem! Tanto que alguns loucos ainda conseguem ser eleitos.

Eu gostaria de ver Alberto João no Continente...e se calhar um dia ser recebeido na Assembleia Regional da Madeira noutro papel!

Nélson Faria disse...

Eu aprecio bastante AJJ mas há limites para o que se faz: ele é Presidente do Governo Regional, não é rei da ilha.

Tento tazer uma reflexão há já algum tempo mas sem nunca chegar a uma conclusão: se AJJ não fosse PSD, será que gostaria dele?

Diogo Agostinho disse...

Ele diz o que sente e o que pensa!

Para mim é a melhor estratégia de comunicação possível!

por isso sou contra aquelas elites políticas que medem ao milimetro o que dizem, que não são verdadeiros no contacto com o povo.

Alberto João é!
E não é por ser do PPD/PSD que gosto dele, é pela capacidade de trabalho e desenvolvimento, pela obra feita, pela capacidade de ser verdadeiro e autêntico! Pela capacidade de fazer um discurso sem o uso do Nim!

jfd disse...

Neste caso, atenção! (LOL), 100% com o Agostinho ;)

AJJ é mais perto do real que se pode ter. Para o bom e/ou para o mal!

Filipe não é questão de ser ou não Portugal. É questão de AJJ ser um eleito pelos Madeirenses, na Madeira. Que temos nós com isso? :P

Paulo Colaço disse...

Oh Jorge, os casos de pedofilia de que falas no post anterior também são nos Estados Unidos e, por alguma razão, tu achas que é contigo.

O facto de se tratar de um "tema madeirense" não nos exclui da discussão.

Quanto à interrogação do Né: claro que gostarias do AJJ. Ou não te conhecesse eu!

Nós gostamos sempre destas personagens. Quanto mais não seja porque algumas dizem o que outras não se atrevem sequer a pensar!

Nélson Faria disse...

Diogo,

Não é por se ser desbocado que se é mais verdadeiro, nem por se dizer tudo o que vem à cabeça que se é melhor.

Paulo,

Não sei se gostaria. Iria achar piada, mas não sei se gostaria.

jfd disse...

Oh Paulo!
Alhos com Bugalhos!
Aqui falamos de Democracia, ali falamos de Religião.
A Democracia daqui é restrita ao voto Regional, a Religião dali é Universal.

Não nos exclui é verdade, mas não é preciso estarmos com tantos problemas com o assunto, ou vamos mudar o sentido de voto dos Madeirenses?

É só este o meu ponto de vista!
Nada de transcende ;)

Paulo Colaço disse...

Alhos com bugalhos não.
É apenas um exemplo para veres que tudo é do nosso interesse.
Tudo é passível de discórdia e opinião.
O “who cares” tem no psico uma resposta simples: “someone cares”.

jfd disse...

Claro que sim tudo é passível de discórdia e opinião.

Assim como discordar que tudo seja do nosso interesse.

Aqui o meu ponto de vista é simples. Queremos "domesticar" a Madeira e os madeirenses quando queremos que o AJJ se comporte como achamos que se deva comportar. Não há na Madeira quem vote nele vezes e vezes sem conta? Então que tenho eu de por em causa o voto dessas pessoas?
Falo de "eu" não falo de mais ninguém.
:P

Alhos com bugalhos sim!
Este assunto não toca a minha esfera. O outro sim.

Filipe de Arede Nunes disse...

JFD,
O teu argumento, por falta de lógica, é impossível de rebater...
É obvio que eu estou interessado com o que se passa na Madeira. Tal como estou interessado com o que se passa em Lisboa, no Porto, Coimbra, Viana do Castelo e no Seixal, que é onde voto!
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

jfd disse...

Na boa Filipe:)

Lisete Rodrigues disse...

Porque sou suspeita para tecer muitos comentários sobre este assunto, venho aqui só dizer ao Filipe que já vi muito bom mapa de Portugal, incluindo em documentos oficiais do Governo Central ou da República (como preferirem), sem o Arquipélago da Madeira...

Mas para que conste que não queremos a independência, sempre que isso acontece, pois é coisa frequente, nós reclamamos e gritamos para "Lisboa". :)

José Pedro Salgado disse...

Apesar deste episódio que foi, no mínimo, um pouco mal gerido, a verdade é que Cavaco se encontrou com os diferentes partidos.

E no que toca a utilidade de reuniões, acho esta uma melhor solução. Afinal, ser solene diz-nos que é mesmo isso, uma questão de forma.