segunda-feira, fevereiro 25, 2008

O poder de uma SMS

Será que o SMS veio do PPD/PSD????

No momento em que se fala na criação de uma Associação Nacional de Professores em Defesa da Educação, os Docentes saem à rua em manifestações organizadas por SMS.

O Eng. Sócrates, repudia manifs e levanta a questão de organizações partidárias por detrás destas manifs.

Será este um novo modelo de fazer política?

As novas tecnologias podem ditar agora o fim de medidas para uma legislatura e provocar uma deriva governamental ao minuto?

26 comentários:

Tiago Sousa Dias disse...

Este post daria tanto que falar... Se é por SMS ou MMS, não sei, mas que de facto hoje a politica se faz de telemóvel numa mão e chávena de café na outra... sem dúvida.
No interior dos partidos então... Apresentam-se candidaturas, anunciam-se debates. Há a vantagem de tornar a politica mais acessível ao cidadão comum aproximando-o de onde-quase-tudo-se-passa. Mas tem a desvantagem de tornar a politica ainda mais cacicável (esta palavra é nova muitos de vós ainda não a conhecem lolol).

jfd disse...

Sim!

Não por existirem, mas sim pela forma como transportam a mensagem; é viral se necessário:)

Case studie:
Eleição de Zapatero.
Após o atentado em Madrid, os desaires de Aznar, os SMS fizeram reunir o descontentamento em vários locais de Espanha. Não fizeram cair o governo, mas mudaram drasticamente, e com a sua mensagem, o desenrolar de umas eleições gerais daí a uns dias...

Tânia Martins disse...

É normal utilizar um telemóvel ou um computador para se fazer política, assim como utilizar a televisão ou a rádio, são apenas formas de passar mensagem e fazer com que esta chegue a todos; umas formas são mais pessoais e as outras revelam um conteúdo geral. É sem dúvida um novo método de fazer política. Eu não repugno esta nova forma de “combinar as coisas”.

Vermouth disse...

Caro colega e amigo. Eu não daria assim tanto crédito ao "poder das sms", ainda que por trás destas possam estar os sindicatos, ou até mesmo partidos políticos. Mas demonstram a vitalidade que ainda existe na sociedade civil, para reivindicar os seus objectivos. Sócrates convive mal com manif´s?? Temos pena. As pessoas podem e devem manifestar-se livremente. Só é triste, termos agentes da PSP personificando a antiga "DGS", a identificarem os manifestantes...O MAI deveria imediatamente acabar com tal prática.

Nélson Faria disse...

É a nova tecnologia: depois fabrico artesanal veio a produção em massa... o século XXI é do atendimento personalizado, do falar pessoa a pessoa de forma a que lhe consigamos chegar.

Só me aborrece em campanhas receber TANTAS mensagens. Estraga todo o efeito. Já cheguei a ter pessoas a quererem desfiliar-se para não terem que aturar a central de comunicação do partido.

A revolução SMS do 11 de Março é o melhor exemplo... e não se esqueçam que também houve uma manifestação convocada assim para os jardins de Belém para protestar contra o governo Santana Lopes.

Paulo Colaço disse...

E também houve uma para apoiar Santana.

Tem havido de tudo: e isso é mau?

É a concretização do "quem não tem cão caça com gato". Neste caso ém mais: "se tens cão e gato, caça com ambos".

Devemos usar todas as formas de actuação (legal e ética) que estiverem ao nosso alcance. Ou somos tontos!

Mas o Diogo levanta outra questão: será "lícita" esta pressão constante sobre os governantes? Não será prejudicial para a própria actuação dos visados?

?

Diogo Agostinho disse...

Exactamente!

E é essa uma das futuras problemáticas da Democracia.

Estas constantes avaliações ao segundo, em portais e em opiniões através de telefonemas, mensagens, de e-mails pode levar à tentação de medidas serem divulgadas e os governantes não cederem pernate tentação de após movimentos contra(entenda-se maus resultados) retirarem ou alterarem as suas medidas.

Este avanço tecnológico vem alterar a lógica de legislatura. Em que um Governo era sufragado passado 4 anos e aí sim avaliado.

Neste momento está ao alcance de um click!
É sufragado ao minuto!

A Democracia está preparada para este avanço?

É esta a questão que paira...

Paulo Colaço disse...

A minha resposta é sim, está preparada para isso. Há anos que o escrutínio público se faz ao segundo.
Com 4 canais generalistas, um canal de notícias 24 horas, tantos jornais (pagos, on-line e gratuitos), blogs, internet, e-mails que viajam à velocidade da luz, sms, tudo é conhecido, comentado e respondido num ápice.

Mas a minha contra-pergunta, Diogo, é esta: será correcto? Elegemos pessoas por quatro anos, não por dois ou três.
Será sério sujeitarmos ao stress da crítica (pessoal ou política) a meio de um trabalho?

Pessoalmente nunca me doeu o stres, a pressão, a crítica constante mas nem todos têm o mesmo gosto pela "guerra".

Sérgio Pontes disse...

Sinais dos tempos que correm, meu caro!

Um abraço

Nélson Faria disse...

Eu penso que a nossa classe política não tem o endurance psicológico para aguentar esta constante monitorização da sua actividade (política e profissional). Mas são eles que têm de mudar.

Exercer funções é ser constantemente avaliado, quer pela acção quer por omissão. Quem não conseguir jogar o jogo tem de se afastar pois a alternativa é o público não saber o que se faz.

P.S. Colaço, não é um canal de notícias 24h, são dois: a RTPN, apesar das madrugadas euronews, também dá umas notícias ;)

Margarida Balseiro Lopes disse...

Respondendo à tua pergunta, Diogo: claro que sim!

Tal como refere o Tiago, o "café" e o telemóvel são a forma mais eficaz e moderna de se fazer política. (Des)Fazem-se listas à mesa do café e pulverizam-se debates por mensagens escritas.

O impacto de uma SMS pode ser verdadeiramente devastador. Veja-se o caso aqui avançado. No entanto, não nos esqueçamos que, tendo em conta o descontentamento entre o pessoal docente, era mais do que provável que a SMS fosse uma espécie de SOS. Esperemos que não haja retaliações para com os manifestantes.

Leandro Esteves disse...

Cara Margarida

Os professores que se manifestaram no Porto no passado sábado foram alvo de retaliações por parte da PSP a mando do Governo Civil. O sindicato dos Professores do Norte pediu autorização para a realização da manifestação, mas o Governador Civil decidiu indeferir o pedido uma vez que segundo aquele não era, a mesma, "oportuna" (perdoem-me a ligeireza).

OS supostos organizadores da manifestação foram identificados e foram remetidos os seus nomes ao Governo Civil para tomar as diligências necessárias.

Infelizmente, a PSP diz que se limitou a cumprir ordens superiores e que a sua atitude foi normal, já os manifestantes dizem que é uma limitação ao seu direito de reunião e manifestação.

Caminha-mos para uma espécie de Estado de Direito Democratico( ou falta dele)em que as pessoas, ao que parece, têm de se reunir na clandestinidade...

Tiago Sousa Dias disse...

Leandro sabes de algum link para uma eventual noticia sobre essa "identificação"? Ou foi abafado?

Leandro Esteves disse...

Caro e Prezado Tiago

Ouvi na TSF ontem à noite a noticia que referia aquilo que escrevi. mas envio-te uns "links".


http://www.saladosprofessores.com/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=690

http://dn.sapo.pt/2008/02/24/sociedade/professores_rua_protesto_espontaneo.html

Tiago Sousa Dias disse...

Vergonhoso...

Margarida Balseiro Lopes disse...

Se se tratou de uma artimanha para sinalizar manifestantes, então mais do que vergonhoso, é atentatório à nossa Democracia.

No entanto, pelo que li do link que me enviaste, a manifestação não tendo partido de nenhum sindicato, careceu de uma autorização do governo civil. Nesta situação, a identificação dos manifestantes foi um procedimento absolutamente normal.

Mas mais importante do que tudo isto são as legítimas reivindicações dos professores, como tive oportunidade de ver ontem no "Prós e Contras": tomemos o exemplo da discricionária escolha dos coordenadores, feita pelos directores, que posteriormente avaliarão os seus pares, e o malfadado estatuto da carreira docente. Enquanto houver estrada para andar, os professores certamente irão continuar!

Tiago Sousa Dias disse...

No entanto, pelo que li do link que me enviaste, a manifestação não tendo partido de nenhum sindicato, careceu de uma autorização do governo civil. Nesta situação, a identificação dos manifestantes foi um procedimento absolutamente normal.


Maggie esta parte é verdade, mas diz lá... perante os casos passados não achas que a "info" terá o devido tratamento?

jfd disse...

Margarida, tendo em conta legítimas reivindicações , posso-te desafiar para um (outro) post em que clarifiques este assunto?

A mim parece-me tudo muito estranho... Fiquei revoltado com o que vi no Prós e Contras... Ontem ia fazer o seguinte comentário aqui, mas não fiz, mas faço hoje. Para que percebas de onde eu venho, e me elucides, para que eu possa argumentar de facto.

Comentário enraivecido de jfd:

Se eu fosse aluno do secundário fazia uma manif contra os professores. Contra o espectáculo vergonhoso cujo fim vi ontem na TV.
A ministra da Educação é uma senhora! Um oásis num deserto de Governo.
Há problemas. É verdade. Mas um lado está com mais vontade de os resolver que outro, e por acaso esse mesmo lado tem por fim último os ALUNOS!

É claro que não são todos iguais...
Mas paciência, façam-se representar melhor.

Ouvi UM professor ontem falar dos seus alunos com paixão. O professor de Matemática revoltado. Jovem, revoltado. Mais um que perde toda a razão e que desce do mais alto pódio que os educadores da nossa Noção devem manter, para personalizar e ofender a Ministra.

Ajudei a fazer cair dois Ministros da Educação.
Agora cresci e vejo como fui manipulado. Vejo as coisas como elas são, ou como quero ver.

Manifestem-se à vontade.
Vamos continuar sem saber fazer contas, escrever correctamente e consequentemente, na cauda da produtividade da Europa.

Desculpem o desabafo

Nélson Faria disse...

Fui acompanhando os comentários mas não tive tempo de postar o meu: o que a polícia fez é o normal numa manifestação ilegal - isto é, não autorizada.

Interessante é saber, havendo um pedido ao Governo Civil para se manifestarem, porque recusou o Governo Civil.

Se o fundamento fôr não existir uma associação que dê cobertura à manif é uma situação ridícula e que limita os direitos liberdade e garantias.

Não há um dever de associação, há um direito de associação

Margarida Balseiro Lopes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Margarida Balseiro Lopes disse...

Jorge:

Percebo parte da tua indignação. Mas são duas questões distintas.

Como todos sabemos, por vezes, os professores, tal como os alunos, os notários, os polícias, etc, são instrumentalizados politicamente para atacar ministros, para fazer a oposição que deveria ser feita pelos partidos. Também acontece manifestarem-se e, cada um de nós entender que são inócuas e ilegítimas as suas reivindicações.

Porém, julgo que não se trata de nenhuma destas situações. O Novo Estatuto da Carreira Docente, e o seu novo sistema de avaliação, materializam o total descrédito da classe docente. Se por um lado agora há os professores “titulares” e os meros professores, o que instaurou generalizados climas beligerantes entre colegas, a avaliação curricular das carreiras não abona muito a favor da argúcia e sensatez da ministra Maria de Lurdes Rodrigues. Já aqui referi, num texto intitulado “Querido Sócrates encolhi-lhes as carreiras”, que serão apenas contabilizados os últimos 7 anos de serviço. Pasme-se, a carreira de um docente “simplexficada” desta forma.

Os critérios de classificação desta análise curricular também têm merecido um forte coro de protestos por parte dos docentes. O que mais dignifica e distingue um professor, o exercício do magistério, é relegado para último plano em detrimento de cargos de gestão e afins.

Verificaram-se situações de profunda injustiça no resultado final dos concursos: docentes que passaram à frente de outros apesar de terem pontuações inferiores.

Também o novo modelo de gestão escolar deixa no ar algumas dúvidas e merece dos docentes total discordância quanto à importância e poder exacerbados dados ao director escolar.

Perdoa-me a extensão do comentário, mas não conseguiria fazê-lo de forma mais abreviada.

jfd disse...

Margarida, obrigado pela tua atenção e tempo dispendido.

Talvez neste assunto eu esteja formatado para a demagogia pura e funcional;
Mais uma vez nem uma palavra sobre os alunos!
É só isso que consigo pensar quando penso neste assunto.

Sorry

Margarida Balseiro Lopes disse...

Jorge:

Compreendo o que dizes, e não o considero demagogia.
Como me tinhas lançado o repto de te falar das "legítimas reivindicações" dos docentes, fi-lo. A não referência aos alunos, afigura-se-me de lógica: sem professores motivados e competentes, a aprendizagem do aluno será deficitária.

O sistema de ensino tem de estar vocacionado para o aluno, é a pedra basilar da Educação. Mas esse objectivo será difícil atingir com tantos professores desmotivados. Situações como as que vieram a público em Agosto, sobre professores inabilitados que eram obrigados a dar aulas, são indecorosas.

Em todo o caso, é preciso referir que o Novo Estatuto do Aluno é a prova de que nem mesmo os alunos são prioridade para este governo.

jfd disse...

Tens razão!
A não referência não é tua, é do (se é que lhe posso chamar assim) sistema. Da situação instalada!

Esgotei-me.
Queria argumentar sem fim, mas n estou habilitado!

Apenas refiro que no que toca às situações caricatas do Verão, todos os sistemas têm erros, o que os torna mais capazes é a forma como lidam com o que sai fora do normal funcionamento dos mesmos. Não é justo pegar nas falhas marginais e fazer com que sejam vistas como o todo.

José Pedro Salgado disse...

Acho que foi Arqimedes que disse:

"Dêem-me uma alavanca grande o suficiente e um ponto de apoio adequado e moverei o mundo."

Eu diria que o ponto de apoio de hoje em dia é o telemóvel e que a alavanca é a lista de contactos.
Aliás, no que toca a "medições de importância", pode-se dizer muito sobre o estatuto de uma pessoa no âmbito de uma determinada instituição pela relação entre as chamadas que recebe versus as que faz.

Finalmente, não resisto a colocar aqui uma pequena anedota:

O pai telefona ao filho:

Pai - Filho, quero que você se case com uma moça que eu escolhi.

Filho - Mas pai, eu quero escolher a minha mulher.

Pai - Meu filho, ela é filha do Bill Gates.

Filho - Bem neste caso eu aceito.

Então o pai negociador telefona ao Bill Gates.

Pai - Bill, eu tenho o marido para sua filha.

Bill Gates - Mas a minha filha é muito jovem para casar.

Pai - Mas esse jovem é vice-presidente do Banco Mundial.

Bill Gates - Neste caso tudo bem.

Finalmente o pai negociador telefona ao Presidente do Banco Mundial.

Pai - Sr. presidente, eu tenho um jovem que é recomendado para ser
vice-presidente do Banco Mundial.

Pres Banco Mundial - Mas eu já tenho muitos vice-presidentes, inclusive mais do que o necessário.

Pai - Mas Sr, este jovem é genro do Bill Gates.

Pres Banco Mundial - Neste caso ele está contratado.

Paulo Colaço disse...

:)