sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Luta de Galos



Um destes homens vai ser Presidente do Governo Espanhol. Isso é certo mas nada mais!

Estas eleições encerram uma imprevisibilidade absoluta. A sociedade espanhola continua dividida desde 13 de Março de 2004 quando se realizaram as últimas eleições, dois dias depois dos atentados na Estação de “Atocha”. Uma legislatura conturbada e de rupturas também não ajudou à pacificação da vida política.

Os temas quentes da campanha são a mostra de uma profunda divisão na sociedade espanhola. A ilegalização da ANV (braço político da ETA que substituiu o Batasuna), os direitos dos homossexuais, a desagregação da nação espanhola pela concessão de maiores atribuições às regiões autónomas são só alguns deles. De resto, ultimamente, surgiu na agenda o comportamento da economia espanhola que foi inferior às expectativas nos últimos tempos. Prova do fosso que nos afasta de Espanha é o facto de este tema estar a dar a volta às eleições quando a economia espanhola cresce o dobro da nossa!

O PP, congénere espanhol do PSD, tem vindo a recuperar nas sondagens apesar de estar atolado numa crise interna que lhe pode custar a vitória. Até dia 9 de Março muito haverá a dizer. Neste momento as sondagens apontam para uma diferença nunca superior a 3% nas intenções de voto.

Aceitem este jacto de um Polvo importado de Espanha.
(Tiago Milito)

41 comentários:

Nélson Faria disse...

Hei-de comentar com mais substância que isto, mas para terem noção da loucura espanhola eis um dado curioso:

Ontem o debate entre solbes (psoe) e pizarro (pp), ministro da economia e o tipo que lhe quer o lugar, teve uma audiência média de 5 milhões. No minuto mais visto (22.39 - espantoso o que se sabe hoje) estavam mais de 6 milhões de pessoas a ver o debate.

Não é só nos EUA que há loucuras pelas eleições... e é escusado explicar que as espanholas são muito importantes para nós.

Nélson Faria disse...

As espanholas entenda-se... as eleições espanholas ;)

diogo agostinho disse...

"Em Espanha, anteontem, foi inaugurada a ligação Madrid- -Barcelona em TGV. Duas horas e meia para cada lado, 17 comboios diários em cada sentido. Sem paragens intermédias, obviamente, já que falamos de alta velocidade. Ninguém se apresentou para inauguração oficial, ao que parece por causa das eleições. Ninguém da Oposição apareceu a criticar isto ou aquilo, apesar das eleições. Tão próximos e tão diferentes, não é?"
by José Leite Pereira

Não resisti em colocar aqui este exemplo de "nuestros hermanos".

Paulo Colaço disse...

Este é um texto da responsabilidade do Psico-Amigo, e agora Psico-Convidado, Tiago Milito.

Obrigado Tiago pelo teu texto e pelas informações que nos darás sobre este tema.

Puxa por nós: Espanha está demasiado próximo para nos darmos ao luxo de saber pouco do que se passa por lá.

Caro Diogo: somos de facto diferentes!

jfd disse...

Obrigado Tiago aka Polvo :)

Realmente Espanha é tema central!
É vital o que por lá se passa. Muitas das nossas trocas comerciais são com Espanha. Um tema destas eleições será certamente a economia. A coisa caminha para tempos incertos... A par da Grã-Bretanha, o mercado do imobiliário poderá prejudicar grandemente a mesma.

O Govervo socialista portou-se à altura de um Governo que se formou de surpresa. Agora esperemos por próximos capítulos.

Nélson Faria disse...

Coisas giras de se ver:

o especial do El Mundo para as eleições de 9 de Março

http://www.elmundo.es/elmundo/eleccionesgenerales.html

o site do Partido Popular (transformado na muito interessante plataforma de candidatura de Rajoy)

http://www.pp.es/marianorajoy/index.htm

o site especial do PSOE para Zapatero

http://www.lamiradapositiva.es/

Marco Santos disse...

Tendo a noção que a Espanha será fortemente afectada pela crise imobiliária que esta a sugir, e que Portugal anda muito dependende do mercado Ibérico (Lê-se Espanha) devo dizer que na minha opinião POrtugal estaria melhor servido com um governo do PSOE.

Calma... não me batam... É que sinceramente não estou a ver o actual PP conseguir acordos com os demais partidos do parlamento e o PSOE (com o Zapatero) teve esta experiência nos últimos 4 anos. Assim espero uma ESpanha estável com políticas mais fortes num período de crise do que a bagunça parlamentar.

Se Portugal já dá a tanga da crise mundial para explicar as políticas do PS, imaginem se a crise for dos nossos vizinhos? Então ninguém segura as desculpas do SR. Engenheiro Primeiro-Ministro José Sócrates (ouviste GNR??? Disse o nome direitinho, nada de invadirem a minha casa LOL)

Nélson Faria disse...

Eu não concordo muito com o Marco: na primeira maioria de Aznar a coligação com a CiU fez a Espanha funcionar. E Mariano Rajoy esteve bem por dentro do processo.

Uma sondagem (Centro de Investigaciones Sociológicas) relativa ao mês de Janeira dava 40,2% ao PSOE e 38,7% ao PP. O que com esta margem e irrelevante, pois pode acontecer um Bush v. Gore em Espanha: um partido ter a maioria dos votos mas, com uma vantagem tão diminuta, não ter a maioria dos lugares no Congresso.

Por preguiça não vou buscar os números mas no ensaio geral para estas eleições (as autonómicas) ganhou o PP com uma maioria muito parca.

Nélson Faria disse...

E se todos concordamos que a economia será o grande tema podemos dizer que o PP tem uma saída em falso: as sondagens são unânimes dando vitória a Solbes sobre Pizarro no tal debate que falei no primeiro comentário.

Vejam as propostas dos candidatos em:

http://www.elmundo.es/especiales/2008/02/espana/elecciones2008/promesas/promesas.html

Nélson Faria disse...

Se ontem critiquei o PSOE por ser muito pesado tenho agora que lhes fazer um enorme elogio. Vão a

http://www.lamiradapositiva.es/programa-personalizado

respondam a cinco perguntas e eles dão-vos o programa com as propostas deles para as áreas que mais nos dizem respeito. Com o perfil traçado eles dizem quais as propostas que directamente nos interessam.

Eu gosto de ler os programas eleitorais, mas isto é óptimo como forma de aproximar as pessoas dos partidos.

Paulo Colaço disse...

Marco, um abraço para ti pela presença no psico.
Espero que voltes mais vezes!

Inês Rocheta Cassiano disse...

Ora cá está um tema em que vou ter que contar com o Psico para estar bem informada.
Obrigada Polvo!

EM disse...

Bom trabalho de pesquisa do Nélson.

Os partidos estão a ter programas eleitorais de elevado valor. Puxam pelas pessoas. Estão a "atirar" números. Penso que estão a tentar dar uma impressão ao eleitor que se votarem neles, esses números serão alcançados.

A diferença de atitude é notória entre os partidos portugueses e espanhóis.

Lembro-me que o PSOE perdeu o poder devido a escândalos financeiros e corrupção que envolviam altas figuras do PSOE. Por sua vez, o PP aproveitou para lançar a economia nacional, recuperando lentamente o elevado desemprego que se sentia na altura. Com o 11 MAR, as coisas alteraram-se.

Há alguns anos atrás, o Zapatero afirmou que iria expulsar do PSOE todos aqueles que estavam envolvidos em casos de corrupção.
Para recuperar a credibilidade de um partido. Queria acabar com a ideia de compadrio que minava a confiança do eleitorado no PSOE. Deu o exemplo de uma liderança forte.

Não estou a ver isso acontecer em Portugal.

Vermouth disse...

Para mim, estas eleições em Espanha ficam marcadas por algo muito singular: a posição da Igreja em todo o processo, defendendo claramente "a moral e os valores da familia", e dando suavemente, uma indicação de voto a todos os católicos espanhois, ou seja, para votarem no PP...

Nélson Faria disse...

É verdade... não agradeci ao Milito pela sua contribuição para a nossa psicose: muito obrigado Polvo.

Obrigado EM, mas a parte mais difícil fica por fazer: é irem todos lá para que, juntos, consigamos bater umas bolas e trocar ideias ;)

Marques Mendes começou esse trabalho de limpeza... o problema é que das suspeitas às acusações (e então às condenações) vai muito tempo...

Nélson Faria disse...

Vermouth,

O envolvimento da igreja é singular até ver: os meus amigos de esquerda estão constantemente a falar dessa influência que a igreja tem no portugal rural nortenho. E costuma ser para nós :(

Vermouth disse...

Ao verificarmos um cada vez maior afastamento por parte dos portugueses face à Igreja e ao contarmos que o interior e particularmente no Nordeste, está cada vez mais desertificado, facilmente rebate-mos esse argumento da esquerda. Um bom paralelismo, poderia ser feito com o referendo ao aborto, onde a Igreja se empenhou a 100% e não obteve o melhor resultado. No entanto e pela mesma ordem de ideias, ao assumirem que os padres no norte rural fazem discursos a "orientar" os votos para o centro-direita, que dizer de algumas pessoas presentes quer nas universidades, como até no "sul rural", que campanha fazem por outros ideais? Mas assumir que a Igreja em Portugal, pode dar uma orientação mais de centro-direita, não me choca rigorosamente nada ;)

Paulo Colaço disse...

Este assunto merece comentários mais certeiros que aqueles que consigo produzir de momento.
Voltarei!

José Pedro Salgado disse...

Tenho uma dúvida para os experts: quais são os triunfos, do ponto de vista humano, dos candidatos? Ou de outra forma, e pegando um pouco no post do João Marques, a quem é que cada um apela?

Nélson Faria disse...

Na minha qualidade de não-expert em Espanha:

Rajoy apela aos self-made men, aos que subiram a pulso e se afirmaram, aos que acreditam numa Espanha nação e não manta de retalhos, não obstante com comunidades autónomas fortes; Zapatero apela ao lado caridoso de cada um, dos coitadinhos, do perdão, de uma Espanha com força pela soma das suas partes.

Eu sei, a análise é enviesada pela minha afinidade com o PP espanhol... é a vida! ;)

Nélson Faria disse...

Para verem em primeira pessoa: usem este link e atentem na importância que léxicos\temas têm nos discursos de Rajoy e Zapatero.

http://www.elmundo.es/especiales/2008/02/espana/elecciones2008/quedicen/quedicen.html

Nélson Faria disse...

Hoje (segunda) é o debate Zapatero Rajoy. Quem tiver TvCabo pode acompanhar na TVE Internacional o especial que vai começar a ser emitido às 19h30 (hora portuguesa). O debate começará às 21h de Lisboa ;)

Usem e abusem desta infografia... dá-nos não só a que horas chegam os protagonistas mas também quem cronometra, a que horas falam de que tema e durante quanto tempo.

http://www.elmundo.es/especiales/2008/02/espana/elecciones2008/graficos/debate.html

Não são só os americanos que levam a política a sério.

jfd disse...

Estou orgulhoso deste novo Né ;)))

polvo disse...

Caros companheiros desculpem o atraso.

Hoje realiza-se o debate mais esperado. Parece que estamos perante um jogo de futebol: Zapatero vs Rajoy, é anúncio em todos os meios de comunicação social. É o primeiro debate entre candidatos desde há 15 anos e a expectativa está nos píncaros com as sondagens a dar uma diferença de 1,55% nas intenções de voto.

No fim de semana um e outro candidato tiveram autênticos banhos de multidão (nomeadamente na Andaluzia onde também se disputam eleições autonómicas) em que chegaram a ter 10.000 pessoas por comício.

Respondendo à questão de a quem apela um e outro:

Rajoy - apela aos que acreditam na nação espanhola, sem desagregações resultantes dos movimentos autonomistas, aos que desejam expurgar a ETA do mapa, aos valores familiares e religiosos e ultimamente tem tido um discurso muito apelativo em relação à perda do poder de compra.

Zapatero - apela aos que acreditam no diálogo e nas políticas sociais para fazer face aos problemas. Apresenta, tal como o PP, um forte programa de redução de impostos.

A grande questão está não só no resultado das duas formações mas também na governabilidade. Os dois candidatos assumiram um pacto segundo o qual deve governar quem tiver mais votos. A questão está que não vai haver maiorias absolutas e os partidos minoritários (nacionalistas e autonomistas em grande medida) vão jogar uma vez mais uma cartada decisiva. E aí o PSOE de Zapatero faz muitas mais pontes que o PP que se opôs durante a legislatura às reformas dos estatutos autonómicos que, na sua opinião, conduzirão, mais tarde ou mais cedo, à desagregação de Espanha.

Eu já cá volto.

Abraços/beijinhos e muito obrigado ao Psicolaranja por me ter convidado para postar sobre este tema.

Vermouth disse...

Nélson muito obrigada pela informação!!! Vou ver agora o debate ;)

jfd disse...

Zapatero e Rajoy em duelo televisivo

O presidente do Governo e líder socialista espanhol, José Luís Rodríguez Zapatero, e o dirigente da Oposição conservadora, Mariano Rajoy, mediram ontem forças, frente a frente, no primeiro debate televisivo da presente campanha eleitoral e, também, o primeiro debate desta natureza havido em Espanha desde 1993.

Com as sondagens de opinião (realizadas simultaneamente ao debate, por vários órgãos da Imprensa) a revelarem um "empate técnico", os dois candidatos sabiam que jogavam muito (senão tudo) neste primeiro frente a frente.

O debate, promovido pela Academia das Ciências e as Artes de Televisão (ACAT), decorreu nas instalações da Feira de Madrid (IFEMA), utilizando 18 câmaras. O frente a frente foi moderado por Manuel Campo Vidal, presidente da ACAT.

Estruturado em cinco blocos temáticos - Política Económica, Assuntos Sociais, Política Externa e de Segurança, Política Institucional e Desafios do Futuro -, o debate entre Zapatero e Rajoy foi dominado por questões da imigração e do terrorismo. Além disso, o confronto de ideias subiu de tom na segunda parte, tendo ambos os candidatos à presidência do Governo espanhol feito interrupções mútuas, frequentes, sobretudo Zapatero em relação a Rajoy.

O dirigente do Partido Popular (PP), Mariano Rajoy, foi o primeiro a chegar às instalações da IFEMA, às 21.15 horas locais (20.15 horas em Portugal). Dez minutos depois, chegou o líder do PSOE, Rodríguez Zapatero. O debate começou pouco depois das 22 horas. Às 23 horas, houve um intervalo de cinco minutos para publicidade, tendo o frente a frente terminado às 23.45 horas.

Os custos do debate poderão fazê-lo passar à história. Segundo os cálculos dos organizadores, os custos ascenderam a cerca de um milhão de euros, cabendo à ACAT repartir as despesas por todos os meios de comunicação que o transmitiram, televisões (30), rádios e Internet. Estava tudo programado em pormenor. Até a temperatura no estúdio - 21 graus centígrados -, que não impediu que Zapatero e Rajoy elevassem a temperatura do diálogo, pontuado de críticas mútuas.

Há 15 anos, Felipe González, então chefe do Governo, e o conservador José María Aznar conseguiran reunir junto dos receptores de televisão mais de 10 milhões de pessoas. Ontem, estima-se que Zapatero e Rajoy tenham atraído 15 milhões, ou seja, cerca de metade dos espanhóis com direito a votar no próximo dia 9 de Março.

Todos os espanhóis conheciam as ideias que Zapatero e Rajoy levavam para o debate, mas "Rajoy esteve bem na forma" e "Zapatero sabia que a melhor defesa era o ataque", como sintetizaram os apresentadores do debate na Televisão Espanhola (TVE)

http://jn.sapo.pt/2008/02/26/primeiro_plano/zapatero_e_rajoy_duelo_televisivo.html

jfd disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
jfd disse...

Penso que este será o primeiro comentário / press release na língua de nuestros hermanos :)
Deixo esta info aqui só por curiosidade. O mega debate foi mais visto na TVE, mas transmitido por vários canais. Ficam aqui os números da TVE para termos a noção de grandeza;


Ganó La 1: más de 8 millones de espectadores (36,4%) siguieron en TVE el cara a cara más visto


• El debate entre Zapatero y Rajoy, con 13 millones de espectadores totales, ha sido uno de los cinco programas más visto desde que se miden las audiencias en España

• El minuto de oro se registró a las 22:35. En ese momento sintonizaban La 1 un total de 9.447.000 espectadores

Los españoles eligieron La 1 (6 de cada 10) para ver el debate. El cara a cara entre José Luis Rodríguez Zapatero y Mariano Rajoy se convirtió ayer en uno de los programas más vistos de la historia de la televisión en España: 13 millones de espectadores siguieron el debate entre el Presidente del Gobierno y el líder de la oposición. La audiencia, que tenía como opción elegir entre una treintena de canales televisivos, se decantó claramente por TVE. Sólo en La 1, vieron el cara a cara 8.017.000 (36,4% de share). La Corporación RTVE difundió también el debate en el Canal Internacional, Canal 24 Horas, Radio Nacional de España y rtve.es

TVE ofreció una programación especial antes del debate, con un Telediario 2 especial con Ana Blanco y Lorenzo Milá (líder en su franja con 4,1 millones) y un análisis posterior en una edición extraordinaria de “59 segundos”, presentada por Ana Pastor (2.148.000 y 21,5%).

La 1 ofrecerá el próximo jueves, a las 22:00, un gran debate a siete entre representantes del PSOE, PP, IU, ERC, CiU y Coalición Canaria. El lunes 3 de marzo se emitirá el segundo cara a cara entre Zapatero y Rajoy.

http://www.tve.es/FRONT_SALA_PRENSA

polvo disse...

Caros amigos o debate foi fantástico!

Para quem, como eu, acompanha assiduamente a realidade política espanhola, ouvir Mariano Rajoy ontem foi uma muito agradável surpresa. Pensava que iria baquear mas nada disso. Pode não ser tido como vencedor inquestionável do debate, mas foi ele quem marcou o ritmo da discussão e esteve melhor na forma de transmitir a mensagem.

Atacou Zapatero em todas as matérias em que aquele não se sentia à vontade: política anti-terrorista, educação, imigração, política de habitação etc.

Os jornais espanhóis acordaram hoje com capas completamente díspares consoante a sua colocação no espectro político espanhol. Aqui ao lado a comunicação social é parcial e assume-o. Não como cá...

Viscosamente.

jfd disse...

Começando pelo fim, por cá têm de ter cuidado para não chatear os anunciantes... vide polémica Marcelo na TVI vs PRISA.

No que toca ao debate do que li hoje, e plo teu comentário tou cheio de vontade de o ver... Haverá algum sitio online onde o possa ver polvo?

Saudações Ibéricas!!!

Nélson Faria disse...

É verdade que foi Rajoy que marcou o ritmo e, para quem o conhece, ele foi uma agradável surpresa.

Encostou várias vezes Zapatero às cordas mas era nesses momentos que se via a habilidade política superior do Presidente do Conselho. Não que Zapatero seja um grande político, mas tem um à vontade distinto do de Rajoy.

Achei a história da menina que tem de ter uma casa e pais com emprego de Rajoy no final muito boa... só lhe falta fazer a alegoria sem estar a ler um papel (?!).

Lembram-se do debate Ferro v. Durão em 2002? Durão só foi considerado o vencedor porque tinha a resposta final ensaiada e estava preparado para a debitar.

Nélson Faria disse...

Para quem duvidar da importância destas eleições, para além de Espanha ser o nosso melhor cliente, eis mais uns dados que fui recuperar ao fundo do baú:

há 1050 empresas em Portugal com capital espanhol;

300 participações maioritárias;

8 das PSI20 têm participação espanhola;

presença em 28 sectores diferentes;

€14 mil milhões de facturação/ano;

10% PIB português em 2005.

polvo disse...

Podes ver vários excertos, bem longos em:

www.elpais.com

www.elmundo.es

e claro, tudo, mas mesmo tudo, em www.tve.es

Abraço viscoso

polvo disse...

Rajoy foi brilhante quando comparado com o habitual. Não se lhe podia exigir mais. O facto de ter lido a primeira e última declaração não foi bom, mas passou um pouco em claro. A tradição de debates em Espanha também é muito mais fraca que a nossa.

A festa final e as reações ensaiadas mostram o profissionalismo da organização. Em Espanha trabalha-se a sério o marketing eleitoral. O nosso PSD bem podia pôr os olhos ali ao lado..

jfd disse...

Polvo a minha curiosidade já me tinha lá levado... ficam as tuas dicas para quem tiver mais curiosidade.

Falas bem que levam aquilo a sério. Custou 1 milhão de euros o debate, dizia a noticia!!! Imagina isso por cá! O escândalo...

jfd disse...

Curiosidade

O www.sapo.pt tem uma votação na sua homepage com o seguinte:

Realiza-se hoje em Espanha o segundo debate televisivo entre Zapatero e Rajoy. Qual dos candidatos às legislativas prefere?

José Luís Zapatero (PSOE): 768(70%)
Mariano Rajoy (PP): 188(17%)
Outro: 136(12%)

jfd disse...

Zapatero triunfa no segundo debate

Zapatero cerrou as mãos, marcou as palavras com contundência (no primeiro debate pareceu aborrecido, como se não quisesse estar ali) e começou apresentando um livro branco, com todos os dados numéricos que iria mencionar, e que estará hoje disponível na internet: "Quero a verdade primeiro. E por escrito".

Rajoy começou pior na forma (mais uma vez desviou o olhar da câmara), escolhendo como conteúdo a humanização da economia: "Quando falamos de desemprego falamos de pessoas que têm sentimentos, que têm filhos".

O primeiro debate, na semana passada, batera o recorde de audiência na história da televisão em Espanha - 22,5 milhões de espectadores, destronando a final da Operação Triunfo. Mas havia um sentimento de desilusão. Durante os últimos dias, ouviram-se as queixas do público: respostas demasiado preparadas, como se fossem monólogos; eram precisas mais propostas para o futuro e menos confronto sobre o passado. E parece que os dois candidatos tiveram em conta as suas prestações superficiais do primeiro debate, tal como a necessidade de falar de propostas para o futuro - ambos apresentaram medidas concretas.

Mais que uma vez, os candidatos confrontaram dados e citações. E quase sempre Zapatero saiu-se melhor, conseguindo encostar Rajoy às cordas, ao ponto do líder do PP, em jeito de ironia, embora tenha soado a fuga, ter dito: "O senhor está brilhante".

Mas não foi apenas o futuro que marcou o debate - regressou-se ao passado com a guerra no Iraque. Mais uma vez trazida por Zapatero. Rajoy esperava esse momento. De imediato sacou de um papel, e disse que o seu adversário, depois de retirar as tropas do Iraque, tinha, na ONU, apelado ao apoio militar de mais países para resolver conflito. Zapatero não respondeu à acusação, mas ripostou tão depressa - "Não me diga que ainda é a favor da invasão do Iraque?" - que Rajoy não soube reagir.

Nem sempre os candidatos responderam ao que lhes era perguntado. Nem sempre foram cavalheiros de correcção intocável. Mas neste debate estiveram mais assertivos, consistentes, animados e esclarecedores.

Quem quer que surja como vencedor, este segundo debate poderá ter resolvido a distância de quatro pontos que separa o PSOE do PP nas sondagens mais recentes.

http://dn.sapo.pt/2008/03/04/internacional/zapatero_triunfa_segundo_debate.html

Paulo Colaço disse...

Rajoy será menos acutilante que Zapatero, mas acredito que seja mais capaz e competente.

A sorte é que em Espanha, se os políticos não fizerem muita asneirada, "le monde va de lui même".

Espanha tem uma sociedade civil forte, resistente, empreendedora, com faro.
Não fica à espera das ajudas do Estado, nem o Estado pensa que a adormece ou controla.

É com base nisso que Zapatero pensa manter-se: andou estes anos a não mexer muito para que ninguém pudesse dizer "este tipo é muito mau, vamos apeá-lo..."

José Pedro Salgado disse...

E que tal a nova polémica de estimação da política espanhola, os pequenos partidos?

O combate PP/PSOE não é só um contra o outro. Os pequenos partidos espanhóis, pouco representativos que sejam, podem deter (ou conquistar) os lugares necessários a uma muito ambicionada maioria que pode ser, para o vencedor, um grande acréscimo de estabilidade.

Como exemplo temos a Unión Progreso y Democracia, da qual uma das caras é o filósofo Fernando Savater que, não obstante o pouco tempo de existência, conseguiu angariar candidatos por toda a Espanha.

Até agora os 2 grandes parecem querer ignorar os pequenos, mas a Espanha não é um sistema bi-partidário (embora o pareça).

jfd disse...

Olha sobre esse assunto não sei nada! Elabora mais!!!

Mas mal li o nome, lembrei-me da recomendação do Magnífico Reitor: Ética para um Jovem :))) Está ali :)

José Pedro Salgado disse...

Não existe muito mais a dizer. Os lugares que os pequenos partidos possuem em Espanha são marginais, mas podem fazer a diferença numa eleição onde se adivinha que a margem de vitória não seja substancialmente alta para dar a qualquer um dos lados uma legitimidade (não só política) que desejariam.

Entretanto o PSOE tem uma nova dor de cabeça: o novo presidente da Conferência Episcopal Espanhola.
O Arcebispo de Madrid Antonio Maria Rouco Varela é um dos maiores críticos do governo socialistas e promete não dar tréguas.