segunda-feira, março 10, 2008

Zapatero renova vitória em Espanha


Eleições. Os dois grandes partidos nacionais reforçaram ontem a sua presença no Parlamento espanhol, à custa da Izquierda Unida e das pequenas formações nacionalistas. Uma participação maciça dos eleitores deu nova vitória ao PSOE e a José Luis Zapatero um novo mandato como chefe do Governo

17 comentários:

Nélson Faria disse...

Ganhou o PSOE e a glória vai toda para o seu líder.

Mas advieram óptimos sinais das eleições de ontem: redução da expressão eleitoral dos nacionalistas\regionalistas e reforço do PP.

O resultado foi melhor que aquele que algumas sondagens vinham a prever e o PP e PSOE juntos têm cerca de 90% dos deputados.

xana disse...

Bem, em Espanha os socialistas têm categoria.

E gosto do Zapatero. Admiro muito a sua postura em relaçõ à cultura. Sinal de um país desenvolvido não acham?

Depois de Aznar, ter Rajoy é, simplesmente, triste.

Paulo Colaço disse...

Conseguiu chegar perto, impediu a absoluta do PSOE mas não ganhou. Se acontece aos melhores, facilmente aconteceria a Rajoy.

Os espanhois preferiram Zapatero e o líder do PP deverá passar a pasta. Pode não ser já, talvez seja conveniente que não seja já.

Deve permitir que o PP se reorganize, deve blindar o acesso aos populistas internos e ser o garante de uma luta interna pela qualidade.

Os nacionalistas (e restantes mais pequenos) fraquejaram: não perderam força, apenas o voto útil foi mais forte que o voto de protesto.

Kokas disse...

Pela primeira vez, ontem, festejei uma vitória socialista. Porquê?

Porque foi a derrota da direita que cheira a mofo. Da direita que parou no tempo. Da direita que se acha no direito de limitar as liberdades individuais em função de um conjunto de esqueletos que tem presos no armário.

A derrota do PP e de Rajoy é a vitória dos progressistas, dos que não ficam presos às bolas de naftalina que têm no baú lá de casa. O ataque que Rajoy fez aos direitos dos homossexuais e dos imigrantes faz lembrar os discursos de Mahmoud Ahmadinejad, o tal senhor do Irão.

A derrota deste PP é um aviso para a direita europeia. Para o CDS/PP e para o PSD – que de manhã é conservador, à tarde liberal e à noite social-democrata. As sociedades evoluem. Os eleitores actualizam-se e não perdoam que as forças políticas continuem pressas a amarras ancestrais.

Viva Zapatero! Viva o progressimo. A direita, assim, tem os dias contados e ainda bem! Quanto a RAjoy, pode ser que a tão amiga igreja católica lhe guarde um lugar num convento!

"E VIVA ESPAÑA!!"

Daniel Geraldes disse...

O que é curioso, é que enquanto a Europa está toda a virar á direita,a Peninsula Iberica continua agarrada á esquerda,vejamos a Alemanha de Merkel, a França de Sarkozy, a Italia que vai a eleições e as sondagens dão a vitoria a Berlusconi e dentro de pouco tempo o Reino Unido de um politico bastante interessante que é o David Cameron.

O Zapatero infelizmente vai se tornar o Guterres Espanhol, mas o seu a seu dono.

Nélson Faria disse...

Zapatero é um medíocre que chegou a PM. Rajoy era o mordomo do reino que perdeu as chaves.

Era um embate com um final destinado à partida... havia apenas a esperança da surpresa.

A Espanha está mais fraca com o PSOE onde o Governo faz a diferença: na educação estagnou as reformas de aznar; a economia encontra-se ao abandono; a crise da construção não encontra resposta; a ETA reorganizou-se quando estava práticamente desmembrada em 2004.

A direita ainda tem o melhor discurso para a imigração. A máxima que mais gosto é de (ou pelo menos ouvi-a pela primeira vez) Paulo Portas: rigor na entrada, humanismo na integração.

Rajoy sugeriu a criação de um contrato de integração: cumprir as leis; aprender a língua; respeitar os costumes espanhóis; pagar impostos; esforçar-se por se integrar; regressar ao seu país se não encontrar emprego.

Quanto à força progressista do PSOE: nada tenho contra direitos de minorias, mas há que respeitar os que não concordam connosco. Ninguém se torna melhor pessoa só porque defende o casamento entre homosexuais.

José Alfredo Oliveira disse...

Europa à direita, Península Ibérica à esquerda...atrevia-me a dizer que "é mais do mesmo, sempre atrás!".

Mas se assim o é, podemos dizer que a nossa direita, conforme Hoje vemos e conhecemos está preparada para governar?

Se assim é, poderia-se tomar o exemplo da tão atractiva Eurora da direita de Merkel, de Sarkozy ou mesmo de David Cameron(embora seja um pouco de modas passadas, recorde-se PSD2005 - youtube.com/watch?v=j-Ps7fJm7rk) para ter como meta ou forma de!?

Isto numa altura em que os próprios partidos se "estudam" internamente, e reformam as suas linhas orientadoras/programáticas, muitas vezes acabando com as grandes diferenças que os caracterizam.

Se assim continuar, atender-se-a cada vez mais ao candidato, ao seu perfil/génio e não ao Partido(à semelhança das nossas eleições autárquicas onde se atende exclusivamente ao candidato, esquencendo-se o partido que o sustenta).

polvo disse...

Parece-me que esta vitória do PSOE significou uma Espanha tri-polarizada: a direita, a esquerda e os nacionalistas.

A esquerda agregou os votos em Zapatero, o Presidente mais à Esquerda da União Europeia, e baixaram claramente formações como a Izquierda Unida e a Esquerra Republicana per Catalunya, que viram a sua representação reduzida a metade.

A direita, por sua vez, manteve-se firme no apoio a Rajoy e ao PP. Aumentou o nº de votos e de deputados e conseguiu resultados históricos em Madrid, Murcia e Comunitat Valenciana.

A grande questão está nos nacionalismos. E sobretudo na sua quebra a favor de Zapatero. No País Vasco a política laxista, territorial e no combate à ETA, de Zapatero deu resultados e o PSOE venceu o PNV. Com um referendo de auto-determinação convocado para Outubro sem oposição firme de Zapatero o PSOE viu a sua votação reforçada. Veremos se não vamos ter um novo Kosovo aqui ao lado.

Na Catalunya o golpe fatal. Vejam que a diferença no total de deputados foi de 16 e só na Catalunya atinge os 18!!!

A política de confrontação territorial do PP, de defesa da unidade de Espanha não teve resultados. Pelo contrário o PSOE reforçou imenso as suas votações nos sítios em que, com uma reforma estatutária perfeitamente inconsciente, abriu caminho à criação definitiva de uma Espanha federal.

Zapatero abriu feridas que tardarão a sarar. Ao longo desta legislatura as pressões nacionalistas tenderão a intensificar-se e ou Zapatero cede ou não conseguirá governar.

polvo disse...

Hoje reúne o Conselho Nacional do PP! A dúvida passa por saber se Rajoy continua ou não. Os líderes regionais defendem a continuidade de Rajoy apostando que, tal como Aznar, vencerá à terceira.

Do outro lado começam a saltar nomes para a sucessão: Esperanza Aguirre, Presidente da Comunidad de Madrid e Alberto Ruiz Gallardon, Presidente da Câmara de Madrid são os melhor posicionados.

Não são, contudo, de descurar os nomes de Eduardo Zaplana (porta-voz no Congresso), Esteban Gonzalez Pons (figura emergente que derrotou estrepitosamente a Vice-Presidente do Governo) e Francisco Camps (Presidente da Comunitat Valenciana).

Nélson Faria disse...

Grande jacto de tinta polvo! ;)

Eu nutro uma grande simpatia por Rajoy mas penso que lhe falta o carisma de grande líder.

Gosto de Aguirre, mas não tenho a certeza se será a melhor solução para o PP. Tenho de ir ver uns discursos da menina que tão aclamada foi no domingo à noite quando partilhava a varanda da sede do PP com Rajoy.

Kokas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kokas disse...

Continuo a achar que há aqui uma grande confusão. Que estranho! Sociais-democratas assumidos a defenderem o PP mais conservador dos últimos 20 anos! Quando é que entendem que a social-democracia é reformista, progressista e, claro está, anti-forças conservadoras?

Parece-me que há aqui uma grande confusão ideológica que deviam tentar esclarecer. Aliás, permitam-me que assuma: é por confusões como estas que o PSD continua e vai continuar à deriva! Parem e pensem naquilo que pensam ouque, afinal, gostavam de pensar!

Um abraço!

Inês Rocheta Cassiano disse...

Mendonça,
diz-me apenas uma coisa, como é que defines um conservador, como alguém parado no tempo?

"O conservadorismo é uma corrente político-filosófica que defende que as melhores instituições não são aquelas que resultam de projectos feitos a partir do nada, mas sim de uma evolução gradual ao longo dos séculos"

Apenas uma nota, eu quero acreditar que quem está no PSD tem alguma ideia do que é a social democracia. Agora vais dizer-me que há apenas liberais no PSD? Que este não é um partido eclético? Estás a dizer-me que, por exemplo, Alberto João Jardim e Manuela Ferreira Leite enganaram-se no partido?

(Peço desculpa por desviar-me do tema do post Diogo, mas não resisti)

Paulo Colaço disse...

Creio que o apoio que aqui, e noutros foruns ligados ao PSD, se declara a Rajoy, tem que ver com a ligação "irmanada" PSD-PPEspanhol.

Sendo partidos congéneres, existe uma propensão para o apoio, simpatia.

Eu gosto de Rajoy, não por simpatia de proximidade, mas porque reconheço nele a pessoa que segurou o barco de Aznar quando este se fartou de ser Presidente do Governo e começou a querer ser senhor dos tabus.

Zapatero representa, para mim, a rapariguinha virgem que recebeu em casa um teste de gravidez positivo.

Chegou ao Poder da mesma forma que Menezes ao PSD (o voto de descontentamento face ao anterior titular) e encontrou, tal como Guterres, um país com a casa arrumada.

Mas mérito ninguém lho tira: até para ser sofrível é preciso capacidade.

Em todo o caso, ganhou e deseja-se-lhe boa sorte.

Diogo Agostinho disse...

PPD-PSD é o Partido mais português de todos! Porquê?

Porque tem de tudo, de estratos sociais a níveis de literacia, passando por patrões a trabalhadores. E sim conservadores, a liberais! Tem uma dinâmica diferente!

Apoiar Zapatero nunca! Socialista, e não vejo grandes feitos nos seus 4 anos, resumem-se a aprovar o casamento homossexual! Sou contra e não vejo como isso signifique um bom mandato.

A Espanha já não é aquela economia pujante e forte de Aznar! Pena que Rajoy não chegou para vencer, era pouco carismático e demonstra que os líderes não devem ser tecnocratas, mas sim pessoas que galvanizem e levem o povo a sonhar!

Mais 4 anos, e o futuro dirá que daqui a 4 anos virá o PP recuperar Espanha!

Nélson Faria disse...

Só tenho uma coisa a dizer: não sou social-democrata e quem mo chamar ofende-me ;)

Quanto muito faço parte da social democracia portuguesa que sá carneiro delineou.

Uma direita liberal tendencialmente conservadora. O PP serve melhor Espanha que o PSOE, por muito progressista que este seja: o meu apoio e concordância não se prende com causas avulsas.

Mendonça disse...

Compreendo os conservadores. Compreendo estas justificações. Compreendo que a história faça cócegas. É sempre assim quando as nossas convicções tropeçam na força dos tempos.

Daniel,
Devo ter entendido mal, com toda a certeza, mas a tua intenção era comparar Merkel e Sarkozy a Rajoy? Não creio.

Nélson,
Um ponto prévio. Concordamos que comparar Aznar a Zapatero é uma brincadeira de crianças. Até aqui, mas o ponto do fundamental da discussão é, mais uma vez ideológico. Basta ter acompanhado a campanha eleitoral em Espanha para perceber que este PP encostou-se todo à direita. Aliás, veja-se a colagem da igreja católica. Nunca, mas nunca, com Aznar se assistiu a algo semelhante.

Quanto à imigração, a diferença de discurso entre estes dois PP é fascinante. Foi com Aznar que se assitiu, até hoje, à maior vaga de legalizações de estrangeiros em Espanha. Não entendo como é que se marcha ao lado dos bispos – Rajoy –e depois afunila-se o discurso em relação aos imigrantes.

Em relação ao casamento homossexual, não quero entrar por aí. Simplesmente porque nesse caso nem falo em humanismo, nem em liberdade. Falo em civilização Diogo. Civilização. E quem não entende isto deve, de facto, encostar-se à direita de Rajoy. Posso discordar de ti em quase tudo, mas admiro a coerência. O teu último comentário disse tudo. CONSERVADOR, pois claro!

Este blog começa a ser um case-study. Aqui está o PSD de hoje e de ontem. Estará aqui o de amanhã? Duvido! Mas estão aqui muitas das razões que justificam a minha ideia: este PSD, assim, não tem futuro como partido uno. Chegou a hora das tendências assumirem os seu cami nho. Hoje, mais do que nunca, conciliar conservadores que marcham com bispos e liberais que pedem "progresso e respeito pela diferença", é praticamente impossível.

PS- Inês, deves perceber porque é que entre nós não há mais discussão possível. É demasiado estruturante aquilo que nos distingue. Sem que olhes para esta frase como um juízo de valor. Isso não cabe no discurso de um liberal!