sábado, março 01, 2008

«Meu Deus, meu Deus; porque me abandonaste?»

Há já 1975 anos que o Homem se debate com esta questão. Não é sequer preciso ir tão longe, Eça de Queiroz, nomeadamente na sua obra “Os Maias”, dirigia críticas ferozes ao modelo de educação português, baseado no medo e na opressão. Porque temos nós de pairar em extremos? Porque é que a educação não consegue atingir um ponto de equilíbrio, e ora reprimimos e castigamos, ora tudo permitimos e deixamos que a educação se torne num crescimento descontrolado?

Desde o Estado Novo que o modelo educacional português se encaminha para a desresponsabilização atroz que temos vindo a sentir, concretamente com o Novo Estatuto do Aluno.

O aluno que falta sucessivamente fica à frente do bom aluno que atende de maneira assídua às aulas. E porquê? Porque pode remarcar o teste como lhe convém, e não tem aulas “a que ir” para lhe ocupar o tempo (tão precioso tempo a encher-se de nadas). Valerá mesmo a pena ir às aulas?
Com seis meses de teletrabalho e portfolios consegue-se o equivalente ao 12.º ano. E aqueles que estão 3 anos no secundário, valerá a pena o esforço? A escolha cabe à consciência de cada um – o problema é que, quando sem princípios por onde se reger, ela não existe.

Logo, como criar uma consciência sem nenhuma linha de condutora? Peço desculpa pela alusão à botânica, mas a grande diferença entre as plantas selvagens e o comum arbusto doméstico é a seguinte: as primeiras desenvolvem-se sem qualquer intervenção, enquanto que qualquer planta necessita da devida poda, para se conseguir mostrar em todo o seu esplendor. E nós vivemos na estufa da nossa sociedade.

Aonde pára? Aonde é que a liberdade deixa de ter sentido, e se transforma num nada? Afinal, o que é a educação?


21 comentários:

Francisca Soromenho disse...

Cara amiga,
A sua opinião está extremamente bem fundamentada - e o pormenor botânico é delicioso.
Não percebo apenas um detalhe: como é que pode colocar a educação pré-iluminista no mesmo panorama em que cita Jesus Cristo na cruz, como título do post. Não estará aqui presente um baralhar de raciocínio?
Evoca duas mentalidades totalmente distintas (e nem falo no contexto histórico, mas apenas quanto às linhas basilares da educação): a primeira, claro está, restrita - tanto em termos de acesso como quanto à pedagogia - e a última, baseada na liberdade do aluno, protegendo os seus interesses pessoais, opondo-se contra a aprendizagem a medo. Uma que seguiu ao longo de 18 séculos de história, e outra que culminou na sua falada "educação irresponsável e selvagem".

Quanto ao resto, nada tenho a acrescentar. Apenas duas outras questões para por, ligadas a este assunto: poderemos nós exigir que a vera Educação seja entregue às mãos burocrática de um Estado (e de uma ministra à qual não farei comentários), para que infunda nos nossos filhos, nos chefes do futuro, o conhecimento suficiente para o liderar da melhor maneira? Dar aos professores este cargo na íntegra?
Como então, simultaneamente, os desrespeitamos - dando a crianças esse direito (e quase um dever, nos tempos que correm): tenho, como professor, de educar filhos que não são meus, não só no nível da minha disciplina, quando é permitido que eles nem sequer compareçam às aulas, e posso também ser insultada e agredida fisicamente sem me proteger de qualquer forma? Aonde está a justiça?
O que aconteceu à hierarquia Mestre-aluno, e à participação dos pais na vida dos filhos? Até que ponto é que os encarregados de educação se podem desligar do seu nobre tíulo, e conferir o cargo primordial aos pessoal docente?

Quais os limites?

Margarida Balseiro Lopes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Margarida Balseiro Lopes disse...

Quanto ao Novo Estatuto do Aluno, não é exacto que os alunos menos aplicados e absentes sejam beneficiados ou ultrapassem os que são assíduos e interessados. O diploma final e que foi aprovado (depois de um recuo do ministério, é certo) contempla a exclusão por faltas. Para além disso, nos critérios de avaliação da esmagadora maioria das escolas está contemplado o domínio sócio-afectivo, que tem em consideração aspectos que vão muito para além das médias aritméticas.

Margarida Balseiro Lopes disse...

Nota 1: Extraordinário texto, Inês!

Nota 2: Muito bem-vinda Francisca a este espaço (tal como foste à FDL ;));

Há um ditado chinês que nos diz que “se um homem tem fome não lhe dês um peixe, ensina-o a pescar”. Quanto a mim, deve ser este o axioma para a Educação, mormente, no ensino secundário que já pressupõe um elevado grau de maturidade dos alunos. Disciplinas recentes como formação cívica, estudo acompanhado, área de projecto são alguns dos exemplos que pretendem consciencializar os nossos jovens para a sua cada vez maior liberdade e, simultaneamente, responsabilidade.

Liberdade e Responsabilidade. São as duas palavras que, para mim, devem andar de mãos dadas ao longo do nosso percurso escolar. A Educação é um processo vivo e dinâmico de aprendizagem. Será melhor aluno, o que vive exclusivamente da assiduidade? Ou o aluno que se envolve no movimento associativo e que por vezes falta? Inês, será a Educação sinónimo de frequência das aulas? O melhor exemplo para uma resposta negativa a esta pergunta: és tu!

Concordo inteiramente contigo quando questionas: por que não encontramos um ponto de equilíbrio para a Educação? As inúmeras reformas que se operam sempre que há uma “dança de cadeiras” ministerial são perniciosas, comprometem o futuro do país. Um exemplo: antigamente havia, no secundário, o agrupamento de Humanidades. Há, sensivelmente, 4 anos dividiu-se em Ciências Sociais e Humanas (que perdia o Latim e o Português A) e as Línguas e Literaturas (que perdia a História, Geografia e Métodos Quantitativos). Esta divisão foi um tremendo disparate, e voltaram formar um só agrupamento este ano. Por que não um pacto de regime?

“Como é possível que, sendo as criancinhas tão inteligentes, a maioria das pessoas sejam tão tolas? A educação deve ter algo a ver com isso!” Dumas dixit!

Baia disse...

Concordo com a Francisca tanto na confusão em seguir a linha de raciocinio do post original como na análise e questões que coloca sobre este tema. é absurdo a forma como os professores e a educação estão a ser tratados pelo actual governo (estou à vontade para criticar porque apoiei este mesmo governo nas eleições). Não se admite que um professor seja avaliado mediante os bons ou maus resultados que ele mesmo atribui aos seus alunos?! Toca a dar nota máxima a todos!:) É a politica do facilitismo e nem me venham falar em novas oportunidades que dá-me mais azia do que ver o Makukula a jogar pelo benfica. É oferecendo habilitações que iremos aumentar a competitividade do país?que vamos formar mais e melhores engenheiros?mais médicos? É inacreditável que seja possivel tirar o 12º ano fazendo um mero trabalho, que pode ser feito por qualquer outra pessoa e automaticamente estão no mesmo patamar dos restantes alunos que frequentaram os 3 anos. Para quê?!para que possamos estar ao mesmo nivel de qualificação dos restantes paises membros da união?!Quem estamos a enganar!?
Quanto aos alunos aplicados não encaro de forma tão linear. Assumo que sempre fui o paradigma do "baldas" e raras foram as vezes que marquei presença em salas de aulas, no entanto isso não impediu de estar no meu ultimo ano de Engenharia sem ter comprometido o meu rendimento. Defendo que acima de tudo, cada um de nós tem o seu método de estudo e não é por assistir a uma aula que um aluno deve ser beneficiado em detrimento de um baldas. Se analisarmos o aluno que falta constantemente está a correr um risco e a colocar-se em desvantagem perante os seus colegas.

Nélson Faria disse...

Eu não tenho a certeza, mas se estamos a chamar ao Estado Deus vou ficar muito chateado: o meu osso liberal não permite isso.

Mas a discussão mais relevante parte em duas direcções distintas: leveza das Novas Oportunidades; desautorização constante do papel do professor e da escola na formação.

O programa "Novas Oportunidades" é muito útil, principalmente no que toca a indicadores estatísticos; não me entendam mal, a todos deveremos assegurar mais formação, mas mais formação não se adquire com um diploma entregue ao fim de 6 meses. Este programa servirá para aumentar as qualificações dos portugueses, mas temo que seja só no papel, nos números dados à UE e proclamados como arma eleitoral.

Eu costumo dizer que a Educação é a melhor forma de armar as gerações: o "Novas Oportunidades" dá-lhes cartuchos de pólvora seca.

Sou um grande defensor da Liberdade e Responsabilidade. Mas só com grande rigor podemos formar os nossos cidadãos. Acho inadmissível o no Estatuto do Aluno. O aluno que falta por ser dirigente associativo fá-lo por dedicação à causa; ninguém o obrigou a candidatar-se. Poderá haver alguma tolerância, mas não mais que isso.

P.S. Na faculdade não vou às aulas: como penalidade não tinha hipótese de dispensar orais. É uma escolha. Na faculdade fui dirigente associativo: nunca usei a época especial. São escolhas.

Anónimo disse...

Olá!
Esta discussão permite que se formule um número infinito de teses de doutoramento. Logo como é vulgar também tenho a minha opinião em relação a estes assuntos.
Mais importante que a minha opinião gostaria que alguém me respondesse, se souber:
- o que fazer aos 80% dos empresários nacionais que só possuem 9 anos de escolaridade ou menos?
- muitos deles são exemplos de boas práticas; aceito e é comprovável; no entanto a maioria deles é a responsável por termos um tecido de jovens altamente qualificados (os tais que acreditam que a formação é o caminho - eu também acredito) que não conseguem empregos nas nossas empresas ou, quando o conseguem são remunerados a 400, 500, 600 euros sem qualquer estabilidade?
Cumprimentos!
António Costa

Anónimo disse...

Perdão!
Faltou-me a última observação:
- será que é mesmo esta a intenção, manter Portugal um país competitivo à escala europeia através da boa qualidade dos recursos humanos mas com baixos salários? Se é, estamos no caminho certo!
Cumprimentos e desculpem a mensagem anterior incompleta!
António Costa

Vermouth disse...

Inês quando dizes que "desde o Estado Novo que o modelo educacional português se encaminha para a desresponsabilização atroz que temos vindo a sentir, concretamente com o Novo Estatuto do Aluno", tens de ter em conta o longo percurso feito, nestes 34 anos de Democracia e que começaram com a celebre reforma Veiga Simão, senão estou em erro. Tenho de te dar razão quando falas em desresponsabilização. Mas o que acontece é que essa caracteristica, já há muito que deixou os bancos da escola, para passar a ser implementada no seio da sociedade portuguesa, onde se cultivam uma série de direitos e onde os deveres ficam literalmente, na gaveta!
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Quanto ao ponto do "aluno que falta sucessivamente fica à frente do bom aluno que atende de maneira assídua às aulas. E porquê? Porque pode remarcar o teste como lhe convém, e não tem aulas “a que ir” para lhe ocupar o tempo (tão precioso tempo a encher-se de nadas). Valerá mesmo a pena ir às aulas?" ; acho que esta tua observação é muito pertinente e pode ser aplicada a todos os niveis de educação, ou seja, será que deveremos apenas contar como método de avaliação, o que o aluno escreve no exame? Até ao secundário existia a avaliação continua. Já na universidade é extremamente complicado implantares esse mecanismo de ir às aulas, excepto se forem aulas práticas, onde as presenças contam na maioria dos casos. Pessoalmente concordo contigo, pois tanto a presença como o produto final da aprendizagem deveriam ser contados na avaliação final...
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Por último, quando falas dos "seis meses de teletrabalho e portfolios consegue-se o equivalente ao 12.º ano. E aqueles que estão 3 anos no secundário, valerá a pena o esforço?" - colocas talvez, a questão fundamental do novo programa socialista das "Novas Oportunidades". Pois o que se está a gerar é uma tremenda injustiça do ponto de vista do mérito. Até aos 20 anos tens de alinhar com 3 anos de ensino, exames, trabalhos...No entanto, pessoas que deixaram de estudar, em meia dúzia de meses ficam com o 12º ano feito e teóricamente, com as mesmas capacidades de competirem com os demais no mercado de trabalho.
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Acho que assim se prova, que o Governo socialista apenas se preocupa com números. Números de desenvolvimento educacional, mas que em nada traduzem a qualidade e a realidade do país, onde se penaliza o esforço e o mérito, beneficiando o facilitismo e a mera propaganda política...

José Pedro Salgado disse...

Pessoalmente estou em crer que os princípios abstractos que presidem a esta reforma estão correctos.

O problema é o mesmo da larga maioria das reformas feitas em Portugal: começa-se a fazer a casa pelo telhado.

A ideia de responsabilização que preside a uma maior liberdade é sempre o caminho a seguir. Mas achar que se consegue formatar as pessoas a determinados comportamentos por cada vez que sai uma lei é ingénuo, para dizer um mínimo.

E é isto que me preocupa: já nem na educação se acredita na reforma pelas mentalidades.

Francisca Soromenho disse...

Temos todos doravante presentificada a representação imagética da Margarida, da Responsabilidade de mãos-dadas com a Liberdade. Mas de facto existe uma hierarquização, tendo efectivamente a primeira que anteceder a última. E deparamo-nos com uma das questões fundamentais da humanidade, entre direitos e deveres - que uns que não podem existir sem os outros (facto que, tristemente, nem sempre se comprova), e mais que isso, se haverá alguma ordem entre os dois.
Passámos de épocas sobrecarregadas com deveres e obrigações, para esta modernidade ociosa em que defendemos os direitos com unhas e dentes e em que nos calamos, (remoendo pesarosamente e em silêncio), quando há uma entidade preocupada que nos relembra os nossos deveres. O que vem primeiro? Os humanistas férreos decerto que me querem neste momento matar, mas ainda que concorde com a existência e defesa dos direitos naturais e fundamentais do Homem, não há, contudo, um pressuposto inegável e obrigatório por essa mesma defesa e pela nossa vivência em sociedade que dita que, para que nós, cidadãos, nos possamos dar normalmente, temos de cumprir regras básicas? De leis estabelecidas a normas consuetudinárias (caso da chamada etiqueta), tem sempre de haver um mínimo indispensável que permita o nosso convívio social.
"A ideia de responsabilização que preside a uma maior liberdade é sempre o caminho a seguir."
Na continuação da linha de pensamento do José Pedro, este crescendo de liberdades conferidas aos alunos (que, relembrando, ALUNOS = geralmente novos, crianças, mas sempre em formação!), está a avançar de maneira rápida e ineficaz. O ensino pertence ao domínio (e, se quiserem, é mesmo a base) das mentalidades, sendo estas, por sua vez, a faceta humana que mais tempo demora a moldar. Qual a pressa para toda esta "modernidade" em Portugal?
Com tantos direitos e novas liberdades, e um baixar de nível tão habitual na nossa pátria, (como se a burocracia, os números aqui referidos, de quem é formado e tem o secundário concluído fosse mais importante do que ter cidadãos aptos e bem preparados, o prevalecer da quantidade face à qualidade), esquecemo-nos também do factor de responsabilidade!
Vermouth; por mais que goste de cascar na oposição, não é um problema do Governo socialista. É um problema em larga escala, dos filhos de um século que foram embalados e crescendo num sofismo dogmático, em que se valoriza a forma em detrimento do conteúdo. Não é um problema partidário isolado. É um problema de todos.
Abaixo ao facilitismo, ao comodismo, à cultura da imagem.

As reformas do Novo Estatudo do Aluno e o programa Novas Oportunidades são importantíssimas, não digo que não o sejam. Agora também não devemos esperar que tenham um efeito imediato. A actuação deveria era ser feita de maneira mais demorada e profunda, tendo em vista o futuro. Tomemos por exemplo a Irlanda, que em vez de investir a curto prazo e no que é visível (as auto-estradas construídas em Portugal com fundos europeus - não digo que não sejam importantes), valorizou o ensino - no longo prazo, esquecendo a propaganda política, e se calhar negligenciando as necessidades do momento. Os resultados estão hoje à vista. Se calhar não se fizeram auto-estradas óptimas no momento, mas hoje têm engenheiros formados que as possam fazer ainda melhor.
"Think about it."

Já agora, obrigada Margarida. Tenho de facto sido muito bem introduzida e recebida :D.

jfd disse...

Inês, excelente reflexão.

Francisca, este seu último comentário tem o que digo a mim próprio quando quero ter esperança no futuro do meu país
(...)Tomemos por exemplo a Irlanda, que em vez de investir a curto prazo e no que é visível (as auto-estradas construídas em Portugal com fundos europeus - não digo que não sejam importantes), valorizou o ensino - no longo prazo, esquecendo a propaganda política, e se calhar negligenciando as necessidades do momento. Os resultados estão hoje à vista.(...)

O curto prazo realmente é apaziguador, mas o longo prazo é cimentador! Temos de olhar para lá da satisfação do momento.
Educação e produtividade.
As nossas únicas saídas!

Inês Rocheta Cassiano disse...

Francisca, como não consigo desligar-me das minhas raízes, incoporo-as em tudo quanto posso e por esse motivo, simplesmente recorri a um recurso estilístico para servir de título ao post.
A dimensão religiosa que evoca não tem qualquer relevância para este assunto, simplesmente foi utilizada como uma metáfora, nada mais.

Margarida, chegaste ao cerne da questão. Liberdade e responsabilidade. Um bom aluno não se deve restringir às aulas. Um bom aluno é aquele que fortalece as suas relações interpessoais, contactando com o mundo fora das paredes da escola. Pois se isto não acontece, temos grandes génios intelectualmente, mas que se desvirtuam por não saberem conviver, coexistir.

Né, como disse acima, não estou a comparar o Estado a Deus. Foi somente um recurso estilístico.

Eu sou uma defensora acérrima da qualificação e formação. E causa-me urticária quando este Governo em vez de proporcionar educação convergente com as reais necessidades do mundo do trabalho, se limite a facilitar a obtenção de diplomas do Secundário.
Mas alguém consegue acreditar que um empregador, estando perante dois currículos, em que um deles tem realizado o Secundário "normal" e outro concluiu o 12º com o programa Novas Oportunidades, vai escolher este último? O Governo que tenha olhos na cara!

As Novas Oportunidades deveriam ser consideradas um ultraje. Assim, vou desistir do Secundário e não tenho mais preocupações. Em 6 meses tenho um diploma equivalente.

Vergonha!

jfd disse...

As Novas Oportunidades deveriam ser consideradas um ultraje. Assim, vou desistir do Secundário e não tenho mais preocupações. Em 6 meses tenho um diploma equivalente.

Inês, sou forçado a pensar que as coisas não podem ser assim tão lineares...
Já falei muito mal destas novas oportunidades... Mas tenho levado com tanta injecção de inovação, produtividade, educação, opções do plano etc. e tal... que... penso duas ou mesmo três vezes; antes de desfechar uma análise tão seca e final do meu altivo passado educativo privilegiado, penso naqueles que não tiveram metade das minhas oportunidades, e agora têm, as suas Novas oportunidades.
Seja em que forma forem, melhor que não as terem.
É complicado. Tem uma dimensão para lá daquele a que eu reduzia esta questão. Tudo tem desvios.
Neste caso penso que estamos perante o mal menos.

E o pior de tudo é que quando me refiro a passado educativo priveligiado, refiro-me a algo normal; andar na escola, com condições para tal!

Inês Rocheta Cassiano disse...

Posso estar errada, mas penso que o ensino, a educação e o acesso ao mercado de trabalho estão a ser banalizados. O intuito podem ser os melhores. Porém, os números não mentem e o desemprego continua a subir.

De que servirá cursos superiores, diplomas de Novas Oportunidades se o mercado de trabalho não absorve tamanha oferta?

jfd disse...

Banalizados como assim, minha querida Inês ?

Inês Rocheta Cassiano disse...

A sacralização do Novo Estatuto do Aluno, um Secundário feito em 6 meses recorrendo a portefólios...

A política da Ministra da Educação é descupabilizar o aluno.
A irresponsabilidade pode ser total, e no entanto, tens um exame para garantir que o aluno passa de ano. Isto é vergonhoso!

Pode passar-se, faltando. Porém, indo às aulas por vezes chumba-se.

jfd disse...

Se assim for, e para todos os alunos. Então volto à minha postura anterior...
Mas mesmo assim, se com isso, o novo "diplomado" prosseguir estudos, ou carreira técnica, ficamos a ganhar... Ou não?

Nélson Faria disse...

A discussão vai longa mas tenho alguns reparos:

- Liberdade com Responsabilidade ou Responsabilidade com Liberdade: indiscutivelmente a primeira. Nós agimos enquanto seres livres, temos é de ser responsáveis. Não é uma questão de somenos hierarquizações em que a Liberdade e a Dignidade não são valores cimeiros ;)

- Gostava que não se confundisse o novo estatuto do aluno com liberdade: não é liberdade é arbitrariedade na gestão do percurso escolar;

- Exemplo Irlandês: tantas vezes essa discussão. Não existe desenvolvimento irlandês sem investimento na educação, isso é certo, mas sabem onde levou o investimeno keynesiano da Irlanda na Educação: a dívida pública na casa dos 110%. Uma enormidade!

Donde vem o milagre irlandês, o célebre tigre celta? Redução drástica na despesa pública, choque fiscal e o factor condessa.

Educação só por si nada garante.

jfd disse...

factor condessa
O que é?

Nélson Faria disse...

Esqueci-me de responder ao Jorge: eu tomei conhecimento do factor condessa num artigo de opinião no Expresso, da autoria de Jorge Fiel.

A ideia é simples: no século XIX um industrial investiu uns valentes contos de réis numa fábrica na zona da Covilhã, penso que de lanifícios.

Porque o mercado estava em expansão? Porque era um industrial da área têxtil? Porque viu um nicho de mercado sub-explorado? Não: porque vivia uma condessa na zona por quem ele tinha uma enfatuation e ele tinha a necessidade de estar mais próximo da senhora lol

No caso da Irlanda é a língua e os descendentes de irlandeses norte-americanos que, tomando lugares de chefia, têm uma predilecção pela terra de seus pais, avós ou bisavós.