sexta-feira, março 28, 2008

Casamento para sempre Vs. Divórcio na hora


Uma das medidas previstas pelo actual Governo é o "Divórcio na Hora", questionando-se ou não se pode vir a integrar o pacote Simplex.
O projecto-lei que o PS pretende apresentar à Assembleia consiste na simplificação do processo de obtenção do divórcio, isto é, até aqui os casais que pretendiam divorciar-se litigiosamente tinham que provar em tribunal a violação dos deveres legais por um dos cônjuges (fidelidade, cooperação e cohabitação) ou que se encontravam separados de facto há três anos consecutivos. Agora, o PS quer alterar este estatuto e os casais que se pretendem divorciar litigiosamente basta que o requeiram ao tribunal, comprovando com testemunhas que estão separados de facto há um ano (ou talvez menos).
Este projecto-lei conduz a várias questões, que merecem reflexão. Cada vez mais o divórcio é encarado como algo muito natural. O conceito de casamento que deve ser realizado para toda a vida, é agora encarado como um contrato a termo certo. Mais uma vez, são os valores da família e da estabilidade que são completamente abalados. Por arrastamento, a fragilidade do conceito da família reflecte-se em todos os planos da sociedade. Os filhos, quando existem, são as primeiras e os principais alvos das discórdia dos pais. Daí a alimentarmos famílias destruturadas a assistirmos ao crescimento de adolescentes sem referências familiares, é um pequeno passo.
O conceito de família é cada vez mais atípico e isso constitui o primeiro elemento perturbador na estabilidade do seio familiar.
O que é feito dos casamentos para sempre? São uma memória romântica do século passado ou é algo em que ainda se pode apostar?

30 comentários:

jfd disse...


Mais uma vez, são os valores da família e da estabilidade que são completamente abalados.


Minha querida Inês, demagogias à parte, o que tem o Estado que ver com isto?
Ou melhor, para não parecer mal; não percebi a essência do teu post... Percebo que existe da tua parte uma tristeza pelo facto de os casamentos não serem como antes eram. Não referes culpado! Ou será que referes?

Inês Rocheta Cassiano disse...

Meu querido Jorge,
com todo o respeito eu não estou a personalizar situações de falência familiar, pretendi reflectir sobre o facilitismo que se quer conceder ao processo de divórcio, sobre a cada vez mais frágil estrutura familiar (em termos gerais e abstratctos) e apenas teci algumas considerações sobre as consequências, que para mim, podem advir nesta celeridade do divórcio litigioso.
O que é que o Estado tem a ver com isto? Não é o próprio Governo que quer facilitar o processo? Não será ele o maior implicado?

Filipe de Arede Nunes disse...

Bem. É importante que sejamos intelectualmente honesto o suficiente para reconhecermos quando concordamos com as propostas apresentadas por este Governo PS.
No que a esta diz respeito, acredito que não poderia concordar mais.
É preciso diferenciar as crenças religiosas e as convições morais das leis. O divorcio sem que exista necessidade de provar a violação dos deveres conjugais é uma excelente noticia, em particular para todos os que se encontram na situação de pré-divórcio.
Temos de encarar o casamento como um contrato, tal como definido pelo Código Civil - apesar de no meu entender ser um contrato atipico - e se uma das partes quer resolver esse contrato - a razão não é importante - então deve ter esse direito, aceitando - caso existam - as cominações previstas na lei.
Não podemos permitir que o conservadorismo moralista emanado pelas igrejas tolde o nosso raciocinio.
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Cara Inês,
Sinceramente não discordo da ideia nem vejo grande questão nela.

A única questão que vejo de algum relevo é a questão dos filhos no processo... mas ai desculpa que te diga, às vezes os filhos ficam melhor com o divorcio dos Pais!

Sou "filho de um divorcio" e sinceramente, graças a deus que o fizeram! E não tive grandes problemas durante o processo: a questão não está no divorcio em si, mas na gestão que os pais fazem dele - e isso nada tem a ver com a maior ou menor facilidade do divorcio.

E acho que posso dizer que sai minimamente "estavel" do processo ;)

Quando um casamento não resulta, então se calhar é melhor para todos, a criança incluida, acabar com o mesmo em vez de manter uma "paz podre", essa sim prejudicial à estabilidade mental de cada um dos envolvidos...

jfd disse...

Inês minha querida ;)
Obrigado pla rápida resposta.
Pegando na tua resposta e nas do Filipe e Guilherme (que concordo a 100%), o Governo, a meu ver, acaba e bem, com uma agonia, facilitando a catarse.

Também sou filho de um divórcio. E a burocracia das coisas em nada ajudou. Volvidos não sei quantos anos, está tudo ok. Mas a saga da coisa foi um mal desnecessário, que poderia ter danos para lá do seu âmbito! E que infelizmente, muitas vezes tem.
E para que eu seja claro; temos mesmo de nos deixar de toldar pelos nossos moralismos neste tipo de questões. Pragmatismo é a ordem do dia. E é inevitável.

As instituição religiosas, espirituais ou quaisquer que sejam, que paralelamente à constituição do casamento civil, o constituíram de facto , é que se deverão ocupar da carga que está implícita no teu post [penso eu de que].

O Estado, tal e qual como o concebo e o imagino, nada tem, e Deus nos livre, nada terá, que ver com este assunto. NUNCA! :)

Boa resposta Guilherme, e é um prazer concordar contigo Filipe :)

Inês Rocheta Cassiano disse...

Meus caros Filipe, Guilherme e JFD,

começando pela honestidade intelectual, não me parece que por ser crítica em relação a esta proposta do Governo eu esteja a ser intelectualmente desonesta.

Ninguém aqui me viu referir ou fazer derrapar esta discussão para a sua essência religiosa, espiritual ou outra. Casamento? Há só um. Civil ou religioso, os seus efeitos jurídicos são os mesmos. Já a consciência íntima com que cada contratante celebra o casamento é totalmente do seu foro pessoal.

Talvez por estar toldada pelo "conservadorismo moralista emanado pelas Igrejas", não consigo raciocinar, e logo perceber, o que são as convicções morais das leis.
Concordo que há casamentos que são penosos e exercícios de permanente sacrifício, pelo que considero que quem se sente desconfortável numa relação familiar e defraudado no espírito com que contraiu casamento, tenha ao seu dispôr um instrumento jurídico que lhe permita extinguir esse vínculo (mas digo eu, se estivesse assim tão "toldada", se calhar nem considerava esta hipótese, mas cada vez mais me convenço que qualquer coisa que eu diga, vai ser sempre levada para o campo religioso e além do mais, se fôssemos todos iguais, isto não tinha graça nenhuma).

Mas há mais. Não esqueçamos que existe o divórcio por mútuo consentimento e que sempre que existe consenso nesta matéria, ambas as partes podem obter rápida dissolução do seu casamento.

Apesar de terem referido que em situações pessoais ultrapassaram o divórcio, infelizmente essa não é a regra, é a excepção. Por que é que tenho esta convicção? Porque através da experiência profissional do meu pai, tenho algum conhecimento, embora indirecto, de famílias destruturadas e das consequências que isso teve no crescimento e desenvolvimento dos filhos. O que parece é que a sociedade deveria evoluir da regra para a excepção e não o contrário.

Como sempre sinto-me a remar contra a maré, mas enquanto estiver convicta da congruência das minhas posições, cada vez mais me sinto motivada a lutar por elas.

Filipe de Arede Nunes disse...

Cara Inês,
Quando me referi à importancia da honestidade intelectual estava a pensar no meu caso!
Quanto à citação que aproveitas no meu comentário, deverias lê-la cum granu salis e utilizar os argumentos que do JFD e do Guilherme Diaz-Bérrio para compreender - se estiveres nessa disponibilidade - todo o seu sentido.
Dentro de um determinado relativismo social, cada um tem direito às suas ideias e a manifesta-las de forma democrática, ordeira e saudável, e embora ache as posições das igrejas sobre estes e outros assuntos conceptualmente retrógradas e profundamente moralistas, aceito de bom grado quem me venha demonstrar o contrário do que digo.
JFD,
Alguma vez haveriamos de concordar...
Declaração de interesses: também eu sou filho de pais divorciados e tal como o Guilherme, também agradeço - mas não a deus! - o facto de terem optado por esse caminho.
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Paulo Colaço disse...

(Comecei a escrever este comentário há horas. Só agora o consegui completar! As sextas-feiras deviam ser mais calmas do que esta está a ser… Ufffaaa!)

Inês, o teu post aborda, pelo menos, dois temas: o casamento para sempre e as facilidades de divórcio. Dão pano para mangas, como qualquer tema social.

Antigamente quase tudo era para sempre.
A mulher/marido, a casa, o emprego.
Até os livros da escola serviam gerações.
Essa estabilidade, muitas vezes, escondia falta de coragem para dizer basta ou pouco arrojo em dar um “salto no escuro” visando um mundo novo.

Hoje assistimos ao esbatimento do medo e a uma maior exteriorização de estados de alma.

Eu também acho que há coisas que devem ser para sempre. Quando me casar quero que seja para sempre, mas mais importante que ficar casado é ser feliz. Ou, tão importante, deixar de ser infeliz. Nem sempre a felicidade passa por manter um casamento.

Segundo tema: as facilidades em “descasar”.
Concordo. O casamento e o divórcio não devem ser tomado de ânimo leve, concordamos com isso, mas não devem exigir mais que a mera vontade. Há divórcios cujo processo é mais penoso que a sua causa!
Fará sentido?

Tânia Martins disse...

Os tempos mudaram (graças a Deus) e a ideia de casamento para sempre alterou-se. Antigamente era proibido o divórcio; mais tarde começou a ser permitido por lei mas renunciado pela Igreja e ainda hoje se verifica essa renúncia, tendo eles ainda o desplante de afirmar que, perante um divórcio civil, continuam casados aos olhos de Deus. Mais uma vez a Igreja entra nas questões sociais de forma autoritária.

Mas passando isso, acho muito bem que simplifiquem os divórcios. Existe um processo extensíssimo e chato para se requerer um divórcio, o que não tem lógica. Não há necessidade de adiar o inadiável.

Inês, não é por se encarar o divórcio de forma natural que os valores da família estão abalados. Se houver filhos o pai continua a ser pai, a mãe continua a ser mãe e o filho continua a ser filho, simplesmente não moram todos juntos mas continua a existir família, são da mesma família na mesma. Apenas se separaram duas pessoas porque não tinham uma convivência estável.

Não sou filha de pais separados, por isso não sei o que é. Mas confesso que, caso fosse um casamento de atritos, preferia também a separação ao “aturar” situações conflituosas todos os dias. E partilho da opinião que toda gente assim o preferia.

Quanto à tua última questão Inês, achei piada (no bom sentido). Os casamentos para sempre muitas vezes foram uma farsa. Muita gente mantinha-se casada porque era obrigada e vivia infeliz, logo o “corte” nos casamentos não é actual, apenas é mais directo actualmente. Pode-se apostar sim num casamento enquanto viveres feliz, só não poderás chegar ao ponto de alimentar algo falso.

Filipe, Guilherme e JFD, estou plenamente de acordo com o que dizem!

Margarida Balseiro Lopes disse...

Quando ouvi na rádio a intenção do PS em aprovar esta lei, tive precisamente a mesma reacção que a Inês, apesar de não ser católica. Questionei-me até que ponto esta “simplex” forma de divórcio, à semelhança do “casamento na hora”, não iria contribuir para a descredibilização da instituição do casamento.

Porém, concluo que esta é uma lei necessária. Pelas razões que o Jorge ou o Guilherme, por exemplo, aqui enumeraram. O Estado não deve ter um papel castrador: esta agilização do processo de divórcio vem ao encontro da vontade de cada indivíduo.

Não deixo de me preocupar com a desagregação da estrutura familiar, mas são consequências dos novos tempos.

Nélson Faria disse...

Olá, o meu nome é Nélson, tenho 26 anos, sou heterossexual, benfiquista, bom rapaz e NÃO sou filho de um divórcio.

Todos centraram a atenção na lei... e também eu estaria disposto a comentar numa linha distinta do tom em que a Inês escreveu o texto.

Mas o remate dela no post levanta a verdadeira questão: não é tanto o Estado reconhecer o problema na sociedade e simplificar o processo que deve ser o debate (na minha humilde opinião). É a crise de valores que levou o Estado a agir naquele sentido.

A iniciativa do Governo é um reflexo de uma necessidade da sociedade. Concordo... mas, nas palavras da minha wife to be (lol):

O que é feito dos casamentos para sempre? São uma memória romântica do século passado ou é algo em que ainda se pode apostar?

As pessoas hoje já não se casam para sair de casa dos pais, mas parece-me haver mais paixão hoje do que amor. Vivemos tão depressa e tão ao sabor da própria vontade que nos esquecemos que uma relação necessita de esforço, dedicação e paciência de parte a parte.

Que discussões e discordâncias virão, mas temos que saber ultrapassá-las. É óbvio que há casamentos que nunca funcionaram e que há casamentos que inevitavelmente dão em divórcio... mas penso também que hoje as pessoas pouco lutam pelo casamento e sentem-se mais atraídas por ir à sua vida e procurar outra onda.

P.S. Falo de cor, não percebo nada disto. Nunca me esforcei numa relação: falta a rapariga por quem eu entenda que valha o esforço.

P.S.S. Sim, eu sei, sou arrogante e convencido e trinta por uma linha! E então? ;)

Nélson Faria disse...

Grande picture Inês.

E já que mais ninguém disse serei eu o mau da fita: (cenas da malta de direito) é coabitação que se escreve e não cohabitação ;)

A não ser que com o achordo hortogrháfico as coias tenham mudado lol

Marta Rocha disse...

A minha primeira reacção a esta notícia foi: "Se não se prova a culpa, com que base é que se vai destinar a casa de morada de família, os bens do casal, (naturalmente deixa de haver alimentos para os cônjuges)?...".

(Fria e tecnocrata)

A minha segunda reacção foi: "Já não se fazem legisladores como antigamente. Dizem que acabam com o recurso de Agravo e depois metem-no disfarçado de alíneas no artigo da Apelação. Agora diz que já não é preciso provar a culpa! É o fim do mundo a aproximar-se. (Hehehe)"

(Céptica e tecnocrata... Hehehe)

Não imagino como isto pode funcionar na prática.
Sei que a discussão que introduziste não é tanto de ordem técnica, Inês, mas parece-me importante dar nota do seguinte: o PS pretende a todo o custo fazer reformas, umas por fazer, outras para tratar de forma igual aquilo que não lhe convém que seja tratado de forma diferente. Penso que todos estamos de acordo que terminar um casamento não é o mesmo que terminar um contrato de trabalho, por exemplo. Não é igual, porque o Casamento diz respeito ao estado das pessoas. Mas não podemos esquecer de que se trata de um contrato, como tal, bilateral e que para ser resolvido é preciso que as partes estejam de acordo em determinados parâmetros. O divórcio Litigioso acontece quando não existe esse acordo e é um processo moroso, difícil, por vezes humilhante, mas de certa forma imprescindível, para resolver as questões que os 2cônjuges não conseguem resolver sózinhos e que não é tanto ter ou não ter o título de "divorciado", mas antes de regular o poder paternal, definir pensão de alimentos, distribuir os bens comuns e destinar a casa da família.

Não creio que se abalem os valores da família, porque esses, para quem os tem, só serão abalados eventualmente pela própria e não pelo Estado.

Mas claramente, o Governo trata cada vez mais o Casamento como um capricho infantil e menos como uma Instituição.

Entendo isto como uma medida de esquerda, para agradar ao eleitorado, a quem o líder do PSD anda a piscar o olho.

Cidália disse...

Grande Nelson!
Estava eu a ler os comentários e a pensar: a Inês deve estar a sentir-se muito sózinha porque acho que ainda não foi compreendida. Eis que o Nelson entra na discussão direitinho ao cerne da questão.
O divórcio é um problema para os católicos. Sem dúvida, ponto final!
È e bem. Estamos a falar de FÉ, ponto final! A FÉ não é discutível, acredita-se ou não!
Neste caso, FÉ porquÊ? Porque o livro sagrado dos católicos, a Biblia, diz: NÃO SEPARE O HOMEM O QUE DEUS UNIU.
E quando é que Deus uniu?
Quando duas pessoas pediram perante um representante de Deus a união pelo sagrado sacramento do matrimónio.
Ou se é católico se acredita e se é coerente, ou não se acredita mas respeitamos e damos liberdade religiosa.
È por isso, Tâniazinha (o sufixo inha é autenticamente carinhoso), que a Igreja não tem "desplante" nem é "autoritária" neste assunto, simplesmente, defende aquilo em que acredita e que está no livro sagrado.
A Inês sensatamente não pegou neste assunto por este lado.
O casamento e o divórcio têm que ser discutidos e, na minha opinião, a discussão não pode ficar pela forma, é necessário ir bem fundo do problema.
Deverá o Estado facilitar estes processos?
À boleia de facilitar a vida aos cidadãos não se cairá numa certa leviandade?
Será que quando um casal entra em rotura não há mais nada a fazer do que facilitar-lhes a separação?
O Estado não deveria, da mesma forma intervir no sentido de resolver alguns conflitos ajudando os casais a ultrapassar algumas crises?
Não! Não estou a ser Naif ou demagôga. Há muito a fazer porque com a separação há muito a perder.
Se o casamento/vivência foi um projecto sério, as pessoas investiram, acreditaram, o que falhou para que o projecto não possa ser levado até ao fim? O que pode ser feito nestes casos para que os casais se possam recolocar nesse que foi um projecto? Muitos casaia terminam sem saber onde falhou, quem os ajuda a reflectir? Os psicólogos? Sai muito caro. O Estado não pode fazer nada?
O Nelson é sublime ao referir que os casais deixaram de lutar pelo seu casamento. Fácilmente se terminam e recomeçam relacionamentos. As pessoas não cedem mas exigem; Os ganhos e as perdas com o casamento/relacionamento estão sempre presentes e sempre a ser medidos.
Se o projecto de uma união a dois foi sério,(claro que não estou a falar do casamento da Britney ou da p--a escritora, como ela gosta de se intitular, Maria Porto), mas se o projecto foi sério, o rompimento é doloroso para o casal, para os filhos, familiares
e até mesmo para os amigos.
Quando muito foi feito e, muitas vezes é feito muito, e, as relações não melhoraram pode sentir-se alivio com a separação, mas até mesmo aí estará sempre a dor de não ter resultado. Mais vezes ainda, a separação se traduz em perdas irreparáveis para todos sendo necessário fazer lutos
verdadeiros.

Cidália filha de divorciados ela própria divorciada, desfechos inquestionaveis.

Tânia Martins disse...

Cidália:

Compreendo o que diz! Mas na minha opinião a Igreja é autoritária em muitas questões sociais (só não aplica essa autoridade porque não lhe é possível), Acho muito bem que defendam aquilo em que acreditam, só não acho correcto que ainda falem como se houvesse uma religião oficial nos Estados (nomeadamente em Portugal).
Mas também concordo que só se submete ao casamento religioso quem quer! Sou crente em Deus, somente não acredito na instituição! Talvez por isso as minhas expressões transmitam, por vezes, algum exagero!

Um beijinho para si!

Cidália disse...

Tânia,
A igreja é de facto muito interventiva na sociedade.
Eu sou de opinião que, principalmente os padres, deveriam rezar mais e levar mais a mensagem de Deus em vez de intervir. Mas quando olho para as Instituições de solideriedade social e verifico que quase sempre por trás tem a igreja católica esta minha opinião fica menos firme.
Mas discutir agora este assunto é fugir um bocadinho ao tema.
Beijinho para ti tamém

jfd disse...

Interessante conversa que se seguiu por aqui :)

Fica aqui o meu claro e inequívoco ponto de vista. O Estado nada tem que ver com o núcleo basilar da sociedade: a família.
É assim que o concebo!
Poderá regulamentar eventuais estruturas de apoio no sentido do que a Cidália fala.
Mas nunca ter como fim, a intervenção familiar.

A Inês disse
Casamento? Há só um. Civil ou religioso, os seus efeitos jurídicos são os mesmos.

E eu pergunto,
O casamento religioso tem vínculo legal?

e disse também
Mas há mais. Não esqueçamos que existe o divórcio por mútuo consentimento e que sempre que existe consenso nesta matéria, ambas as partes podem obter rápida dissolução do seu casamento.

E eu respondo, do que percebi da tua posta, o que se propõe agora, é simplificar quando as coisas estão em litigio. Não é?

e remata com;
Como sempre sinto-me a remar contra a maré, mas enquanto estiver convicta da congruência das minhas posições, cada vez mais me sinto motivada a lutar por elas.

junta-te a mim! Tenho aqui um lugar para ti, queres pipocas doces ou salgadas? :)))

Nélson Faria disse...

Estou embasbacado... tantos elogios da Cidália deixaram-me sem palavras :)

Relancem a discussão sff... ;)

jfd disse...

Já estava relançada narciso, escusavas de ter dito isso... :)

Paulo Colaço disse...

Começou com fel e acabou com mel.
Este Psico tem cada coisa!!!

Deixem-me voltar a dizer isto: é inaceitável que o divórcio possa ser mais penoso que a sua causa.

Facilitar processos: sim. Até porque, de entre todos os contratos, sendo o que mais responsabilidade e consciência implica, é dos que mais levianamente é assinado.

Diogo Agostinho disse...

Esta posição de Divórcio na hora é devastadora para a melhor instituição do mundo que é a Família!

Parece-me claro com os testemunhos que passaram aqui anteriormente que se as pessoas se querem divorciar e se sentem um clima de tensão tal, devem fazê-lo de sua livre e espontanêa vontade! Porém, a possibilidade de hoje acordar virado para a Esquerda e apetecer separar porque sim, não me parece correcto.

O casamento é um passo fundamental na vida de uma pessoa e deve ser encarado como uma única vez! Se queremos curtir a vida, ok! Troquem de namoradas de amantes, mas não se casem! Quando nos casamos deve haver um minimo de tentativa de fortalecimento da família e se fôr impossível, que se separem!

Isto tudo na hora e no minuto é exagero por demais!

Cidália disse...

JFD disse:

"O Estado nada tem que ver com o núcleo basilar da sociedade: a família.
É assim que o concebo!
Poderá regulamentar eventuais estruturas de apoio no sentido do que a Cidália fala.
Mas nunca ter como fim, a intervenção familiar."

Pergunto se o Estado teve esta mesma preocupação, a da não intervenção familiar, relativamente à questão do aborto. Como sabemos, não só regulamentaram como criaram condições para...

Paulo Colaço disse:
"Facilitar processos: sim. Até porque, de entre todos os contratos, sendo o que mais responsabilidade e consciência implica, é dos que mais levianamente é assinado."
parece-me haver nesta afirmação algum paradoxo, ou então não entendi.
Se os contratos já são assinados levianamente, apesar da importância que deveriam ter, porquê facilitar? A preocupação não deveria ser no sentido de inverter esta leviandade? Com tanta facilidade casamento e divórcio não se tornarão ainda mais banais? Pergunto....

jfd disse...

Cidália:)
O aborto!
O aborto a mim não me diz nada. Sou homem e não sou casado.
Nada tenho que opinar.
Simples não é? :)))

Mónica Rosa disse...

Sobre este tema tenho uma palavra a dizer: PATETICE!!!

Não concordo! Não concordo em nada!!! Temos a mania de querer facilitar tudo e parece-me que facilitismos não ligam aqui, quando está em questão algo tão importante na vida como é a família e o peso que representa na vida de cada um.

O casamento é um passo em que devem estar presentes as responsabilidades que lhe estão subjacentes e deverá ser encarado como único. A meu ver esta patetice só resultará na descrença da instituição do casamento e da família como um porto seguro para as adversidades.

Um dia destes, também nos livramos dos filhos na hora!! É o que falta!!

Cidália disse...

JFD,
Se para se engravidar tivesse que ser casado haveria por aí muitos filhos e muitos abortos de milagres....
Por ser homem e não ter direito a decidir não tem pena?

Cumprimentos

jfd disse...

Cidália, não precisa ser tão literal:)

Pena? Não. A minha posição, agora, é a de que não tenho de dar palpites num assunto que vai influênciar a vida de mulheres.
Na altura da discussão; já tinha dado o meu voto a quem haveria de decidir isso por mim.

Paulo Colaço disse...

Duas notas:

1 - Não estaremos a confundir "família" com "casamento"?

Os mais velhos lembrar-se-ão do polémica Murphy Brown e da sua "guerra" com o vice-presidente americano Dan Quayle.
Murphy, personagem duma série televisiva, era mãe solteira e o vice do Bush pai dizia que ela e o filho não constituiam uma família.

Perdoem-me: que disparate.

Volto a perguntar: não estaremos a confundir "casamento" com "família".

2 - Talvez me tenha apanhado em contra-pé mas deixe ver se componho o ramalhete.
O casamento é um contrato que deve ser assinado com sentido de responsabilidade. É, sem dúvida, aquele que maior consciência deve implicar.
Porém, paradoxalmente, é talvez o que menos se assina com consciência dos pressupostos.

Não raro, vemos no altar noivos e noivas com cara de divórcio.

Claro que facilitar os divórcios é encorajar os casamentos precipitados (eis onde me apanhou em contra-pé) mas aí temos de fazer escolhas. Será que queremos casamentos infelizes mas com desfechos que levam anos?

Anónimo disse...

Na 'Obra' o valor da familia é o maior de todos os valores. E com muita razão porque uma sociedade não pode prosperar se não existirem bases sólidas e criteriosas para se poderem definir caminhos e traçar objectivos.

O que me deixa desolado é que em politica o que interessa é o voto e o partido! E tudo o resto se vende inclusivé a própria dignidade! E isso vê-se também neste blogue porque estou certo, e a História pode-mo confirmar, que caso este Governo fosse PSD e tomasse exactamente as mesmas medidas todos vocês estariam aqui a aplaudir e a encontrar as boas razões de todas elas. Aliás, basta ver os blogues do lado oposto! Mas um caminho novo está para chegar a este país...

Quanto a ti Inês, FORÇA... Estou certo que um dia qualquer encontrar-nos-emos por este mundo!
PARA MUDAR O MEU PORTUGAL!

João Monteiro Silva

José Pedro Salgado disse...

Pessoalmente estou em querer que em bom rigor o mal está na outra ponta do telescópio.

Porque há tantos divórcios hoje em dia? Será que existe uma crise de valores que a isto leva, ou é um sinal de valores que sempre estiveram presentes, não obstante amordaçados? E, em qualquer dos casos, qual a liberdade que temos em impor entraves a duas pessoas que (seja porque motivo fôr)já não querem estar juntas?

Aliás, até atiraria uma acha maior para a fogueira: será que a instituição do casamento, nos moldes actuais e com tudo o que ele obriga, ainda faz sentido?

Anónimo disse...

Este é um tema à "Inês", mas acho que poucos terão percebido o alcance do post.
É um tema controverso, como todos os assuntos que tratam de pessoas e particualramente da familia.
Pessoalmente discordo frontalmente deste projecto de lei do governo.
Mais, considero decadente que se facilite o divórcio litigioso. Porquê?
Em 1º lugar porque se ambos estão de acordo no divórcio, têm a figura do divórcio por mútuo consentimento e com esse acordo arrumarão tudo o que houver para arrumar.
Em 2º lugar, se uma das partes não concorda com o divórcio, aí há que determinar a culpa da falência do casamento. Com o casamento geram-se direitos e deveres recíprocos.
Se o casamento falha e não há consenso na separação e ou no divórcio, há que determinar qual dos conjuges deu origem a esse falhanço. E a determinação da culpa é mesmo muito importante. Para quê? Para definir por exemplo a partilha dos bens (não esqucer que o casamento não deve ser um meio de enriquecimento)e mais importante para regular o exercício do poder paternal dos filhos, quando os há.
Claro que na origem deste facilitismo todo está a decadência dos valores da moderna sociedade que afecta as matrizes morais e éticas do próprio ser humano e se estende à célula base de toda a vida social que é a família.
Numa sociedade em que os abortos são gratuitos, mas em que a adopção é paga, em que os alunos agridem os professores e estes não são capazes de impor a sua autoridade, só posso concluir que a sociedade e os seus valores estão moribundos. E quem tem responsabilidade na matéria ( o governo) faz tudo para ajudar a este estado de coisas e quem pode e deve ( a oposição) contrariar este sentido de desagregação de valores, pura e simplesmente nada faz.
Ou seja, estamos mal e o pior é que estamos sem alternativas...