segunda-feira, março 31, 2008

Morte na Hora


Depois da Empresa na Hora, Procuração na Hora, Associação na Hora, Advogado na Hora e, agora, Divórcio na Hora, há uma “injustiça” que urge reparar.

Debate sobre eutanásia já!

57 comentários:

Margarida Balseiro Lopes disse...

Este tema é mais do que controverso, é explosivo. Exige um comentários mais extenso. Voltarei mais logo.

Mas não posso deixar de dizer que a imagem está extraordinária. Muito boa!

jfd disse...

O que há a debater?
O Estado que regule.
A Ordem dos Médicos que se deixe de comportar como pudicas e sonsas virgens.
E a dignidade dos doentes terminais e das famílias que seja reposta.
Quem não tem nada que ver directamente com o assunto, que fique calado.
O problema nestes assuntos é o ruído.
Há muito que foi aberta a caixa de Pandora. Arquemos com as consequências da nossa existência.

Tété disse...

Concordo tanto com o jfd!!!

Só acrescentaria que é uma tremenda falta de respeito para com a dignidade desses doentes e familiares, para com quem sofre na pele de uma forma diária, angustiante e "prepétua".

Paulo Colaço disse...

Com pouquíssimo tempo agora, mas aproveito para dizer o seguinte: a imagem que postei indica que nem sempre a morte é uma agressão.
Por vezes é um consolo.

Relembro o verso de Bocage: "A morte para os tristes é ventura"

Filipe de Arede Nunes disse...

Incoerentemente defendo a eutanásia. Existem situações nas quais preferiria não viver.
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Tânia Martins disse...

Concordo! A eutanásia poderia acabar com muito sofrimento! Sou a favor, até porque só seria aplicada por vontade própria da pessoa em causa!

Que tema fantástico! Mas eu também voltarei mais tarde para desenvolver!

Diogo Agostinho disse...

Sou contra! A vida é um bem essencial! Apesar de ter fé que existe vida para além do momento em que fechamos os olhos! Custa-me ver casos de doenças terríveis! Mas penso na dificil tarefa de acabar com uma vida! Viver é tão bom, ter esperança numa melhoria pode ser um acto de loucura, deve viver dentro de todos nós!

Paulo Colaço disse...

Concordo em absoluto: a vida é um bem essencial.
O leite também também é um bem essencial mas se eu não gostar de leite ninguém me obriga a beber... :)

Diogo Agostinho disse...

Mas se não tiveres vida, garanto te que não o vais beber!

Diogo Agostinho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
antónio pessoa disse...

muito bom tema.
quem nos diz que o leite que, com vida, bebemos com dores, não será um "deleite" na vida futura?

De que vale beber leite ajudado por uma enfermeira?

Diogo Agostinho disse...

Ao menos terá o conforto de uma enfermeira, de médicos e se Deus quiser de uma família. Prefiro gastar milhões em hospitais e pessoal de apoio do que em simples remédios que nos levam embora!

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

E se for o desejo de um doente terminal, em plena posse das suas capacidades, acabar com o seu sofrimento e morrer da forma que escolher? Não tem direito a essa liberdade e dignidade?

Será esta uma questão para o Estado - mais uma vez - andar a meter a mão ou pertencerá ao nosso dominio individual?!

Por mim, sou perfeitamente a favor!

Vermouth disse...

Concordo com a Margarida, quando diz que é um tema explosivo. Pessoalmente e por convicção religiosa sou contra a eutanásia. Enquanto há vida há esperança e a ciência surpreende-nos a cada dia. Contudo esta minha visão esbarra com a vontade pessoal de cada um... Éticamente é um assunto que ainda precisa de maior debate e reflexão na sociedade portuguesa.

Tiago Mendonça disse...

Caros Psicóticos,

Um tema bem lançado! Um dos temas fracturantes da nossa sociedade e que merece a reflexão de todos.

Será, de certeza absoluta, a nossa geração, a decidir qual o enquadramento a dar a esta controversa questão.

Eu sou contra. Por uma razão muito simples : É Deus que me dá a vida e é Deus, que quando entender, me chamará para junto de si. Eu sou um mero administrador, não podendo dispor, alienar a minha vida ou decidir quando a mesma acaba.

Será Deus a decidir como é que vou viver os meus dias. Decidiu sobre os primeiros e decidirá sobre os últimos.

Um abraço e boa discussão.

Tânia Martins disse...

Com referi no meu comentário anterior, venho agora desenvolver a minha posição face a este tema:

Se alguém estiver em fase terminal, se essa fase for de extremo sofrimento, quer para o doente (refiro-me a um sofrimento físico e moral) quer para a própria família, não vejo o porquê de, sendo uma opção baseada na vontade da própria pessoa, se adiar o inadiável. Uns dias, umas semanas só irão aumentar o sofrimento das pessoas envolvidas nessa atmosfera. Tendo em consideração que só se recorreria a este meio sendo uma deliberação da própria pessoa a quem seria aplicada, não vejo porque retirar essa opção a ela própria. Muitas até optam por tratar elas próprias disso e colocar uma corda ao pescoço (peço desculpa mas é real).

Não envolvo Deus nessa questão. Eu acredito num Deus que nos deu o livre arbítrio. Ao colocar-nos no mundo deixou-nos “tomar conta” de nós próprios. Por isso não digo que seja Ele que tem o direito de me “levar” (até porque não acredito num Deus cruel que se divirta a matar pessoas), mas acredito que quando terei de ir é pela simples razão de já não pertencer aqui.(Tiago Mendonça, isto não é nenhuma crítica, apenas peguei no que disseste para deixar aqui a minha opinião).

A nível legal, pelo que aprendi (acho eu), esta questão é inconstitucional. Daí que se a eutanásia alguma vez for aceite pela lei, terá de haver uma revisão constitucional. (Isto foi só para colocar os meus conhecimentos à prova eheh).

Bmm disse...

Na minha opinião a eutanásia é uma questão de consciência individual e não colectiva.

É um claro exemplo de como a moralidade colectiva tenta impor-se à liberdade individual de cada um daqueles que contemplam tal hipótese (por muito que tentemos não conseguiremos compreender o nível de sofrimento físico e/ou mental dos enfermos nessas situações limite).

Aquele que de livre e consciente vontade entendem pôr termo à sua vida e que se vêem condicionados pela sua própria condição física para concretizar esse desejo deverão poder ser alvo do altruísmo de um gesto não de assassínio mas sim de compaixão.

Meu caro Diogo, viver é bom quando podemos sentir o toque de quem amamos, o vento na cara quando corremos, a resposta de quem interpelamos ou temos a liberdade para fazermos aquilo que desejamos (com o devido respeito pela liberdade do próximo) e não uma existência atormentada pela dor e pelo sofrimento.

jfd disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
jfd disse...

Há quem fale com a leveza de quem nunca, provavelmente, sofreu na pele o que é ver um ente querido morrer lentamente, todos os dias.
E eu como, felizmente, nunca me aconteceu também, não me arrogo a comentar dessa forma.

Deus é sempre chamado ao assunto como [e quando] convém, e com respeito pelos intervenientes, remeto-vos para o mesmo grupo em que coloquei os senhores Médicos que são do contra.

Tiago Mendonça disse...

Não gostei do teu comentário JFD. Acredita que não falo de Deus só quando me convém. Muito injusto esse comentário.

Mas já percebi, que como num namoro que acabou com grande discussão, é melhor dar um tempo.

Até um dia!

Tânia Martins disse...

Tiago sem me que querer intrometer, mas já o fazendo. Acho que o comentário não tinha um sentido particular mas geral.

Ninguém aqui terminou nenhum namoro, cada um apenas dá a sua opinião assim como tu destes a tua! O JFD tem o direito de achar que Deus é chamado ao assunto como convém e tu o direito de achar que só Deus te tira a vida.

É para isso que aqui estamos, para debater opiniões!

Manuel_Nina disse...

Sou totalmente a favor da eutanásia.

Acompanhei de perto bastantes historias de degradação da vida humana até niveis que se tornam desumanos, e onde os corpos acamados daqueles que antes eram nossos entes queridos não passam de involcros de carne de onde a lucidez à muito partiu.

Quer sejam doentes terminais, quer pessoas que por infinitos motivos perderam a vontade de viver (e foram devidamente acompanhadas psiquatricamente), então quem é o estado para lhes dizer se pode ou não pode terminar a sua existência de um modo digno e indolor.

Se há opções para doação de orgãos para transplantes e do corpo à ciencia, eu quero um cartão que diga "se não se verificar actividade neuronal, nao desejo estar ligado a suportes de vida artificiais".

E não me digam que um sorriso na cara de uma pessoa vegetativa à 20 anos alimentada unicamente por uma sonda naso-gástrica não é mais do que uma contracção involuntaria de musculos. Se querem pegar no argumento Divino, não foi Deus que criou os ventiladores e os estabilizadores de ritmo cardiaco, e um corpo cujo cerebro não tem actividade não passa disso mesmo: de um corpo (a Alma, para quem acredita, já foi despejada e mora noutra freguesia).

A que leva este tabu retrogado da sociedade? Suicidio, tentativas falhadas de suicidio e 13'000 certidões de obito "inconclusivas" só em 2007 (certo, não foram todas derivadas de suicidio ou morte assistida...).

Manuel_Nina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Sobre o tema só tenho uma coisa a dizer, aliás duas ou trÊs:
dúvidas;
dúvidas e dúvidas;
dúvidas,dúvidas e dúvidas.
Por muita reflexão que faça, e acreditem que não é a primeira vez que o faço, não consigo estar a favor nem contra.
A favor da eutanásia? Eu que faço um voluntariado no sentido de preservar o bem mais sagrado, a VIDA?
Mas ser contra não é deixar de compreender e de certo modo julgar aqueles que sem coragem para continuar puseram fim a uma tortura? Não sou capaz de julgar.

Deixo em aberto algumas reflexões para quem quiser ajudar-me:

A decisão da eutanásia tomada pelo próprio, surge em estados muito perturbados causados por um problema normalmente de saúde e limitação fisica. Acontece no período imediatamente a seguir a essa alteração.
Todos nós conhecemos casos de pessoas que aprenderam a lidar com essa limitação e que confessam que no inicio só queriam era morrer...
que só não se mataram porque não tinham os meios à mão...
e se alguém lhes tivesse feito esse "favor"? já não estariam cá para nos darem o testemunho de coragem e de conquista que pauta o dia a dia dessas pessoas.
Quem sabe qual é o limite de cada um? O próprio?
Em "História do Suicidio" de Georges de Minois houve uma frase que me marcou: "O suicida de hoje, passado que é o momento(entenda-se momento em que pensa em matar-se) pode ser feliz amanhã.
A morte é um estado irreversível e por isso tem que ser tão respeitada como a vida.
A morte assistida é muitas vezes defendida por questões de dignidade. Dignidade na hora da morte. Mas viver numa cama é indigno?

E os familiares, pese embora o esforço fisico, monetário a angústia de não saberem se eles (que tratam) morrerem quem vai tratar do dependente, pese embora todas estas condicionantes não tÊm encetado lutas para dar à vida do doente um sentido.
Lembro-me do fime: MAR ADENTRO com o tão agora falado Xavier Bardem. A familia travou uma luta juridica durante anos para apurar quem tinha ajudado o familiar a morrer;
Lembro-me de alguém que teve o marido durante 4 anos numa cama, de quem nem o conforto de a conhecer tinha, e, que me disse, que nunca pediu a Deus que o levasse pediu sempre que lhe desse forças para tratar dele.
Vi há dias um programa na televisão que se chamava: "prisões domiciliárias", gente completamente dependente de outros, esses outros nunca lhe fiseram sentir que eram fardos.Havia uma menina, não me lembro quantos anos tinha mas que à nascença os médicos lhe tinham dado 2 meses. A mãe vivia para ela não se queixava e não me pareceu uma mãe torturada...
Estes exemplos não são exemplos de vida com dignidade?

As minhas reflexões vão sempre na direcção de encontrar um sentido para a vida, talvez por força desta, mas intranquiliza-me por pensar que não estou a ser justa com aqueles que decidem desistir.......

Cidália disse...

O comentário anterior é meu, só não está identificado por me ter esquecido.
Mesmo sem certezas gosto de dar a cara

Cidália disse...

O comentário anterior é meu, só não está identificado por me ter esquecido.
Mesmo sem certezas gosto de dar a cara

Paulo Colaço disse...

Um comentário em três tempos…

1. Duas notas minhas:

Apoio a eutanásia porque não aceito que o Estado me obrigue a viver!

2. Um poema integral de Bocage:

Quem se vê maltratado, e combatido
Pelas cruéis angústias da indigência
Quem sofre de inimigos a violência,
Quem geme de tiranos oprimido:

Quem não pode ultrajado, e perseguido
Achar nos céus, ou nos mortais clemência,
Quem chora finalmente a dura ausência
De um bem, que para sempre está perdido:

Folgará de viver, quando não passa
Nem um momento em paz, quando a amargura
O coração lhe arranca e despedaça,
«A morte para os tristes é ventura.»

3. Um elemento estranho:

Não acredito em deus. É por isso que me sinto incapaz de esgrimir argumentos quando a outra parte o invoca. Eu li o “Suave Milagre” queirosiano suficientemente tarde para saber que quando se abre a porta para entrar o “divino”, abriu-se a janela para sair o “material”.

Com o devido respeito a quem acredita em qualquer representação do “divino”, tenho de fazer algumas perguntas para poder comentar para além da parte 1 desta trilogia.

Se é deus quem dá a vida e só ele a pode tirar, será que os medicamentos que tomamos são intromissões no seu trabalho?
Mais: que direito temos em ligar pessoas a máquinas que mais não fazem que impedir o sucesso dos planos imediatos de deus?
Se a nossa vida está nas mãos de deus, qual o motivo que nos leva a aceitar transfusões de sangue?
Há um grupo religioso que rejeita as transfusões de sangue, e houve necessidade de criar uma lei que autoriza o médico a administrar sangue a crianças, mesmo contra vontade dos pais. Quem está certo? O pai que quer ver feita a “vontade de deus” ou o médico que quer negar a fatalidade?

São assuntos muito íntimos e subjectivos… Não quero parecer provocador mas poderá a Fé de uns condicionar a vida de outros?

Mónica Rosa disse...

Apesar de achar que a vida é um bem essencial e que todos temos direito a ela, não posso deixar de dizer que em alguns casos sou a favor da eutanásia.

Já fui contra. Já achei absurdo haver alguém com vontade, coragem e acima de tudo consciência tranquila para conseguir levar uma "missão" dessas até ao fim.

Contudo, a vida prega-nos partidas e o sofrimento que certas situações nos proporcionam faz-nos pensar em acabar com tudo.

No meu caso, até me achei egoista, ao pensar que acabando com o sofrimento de alguém, acabaria com o meu. Hoje, sei ver, apesar de me doer e doer para sempre, que a morte foi a melhor solução e acredito que esse alguém agora está melhor e mais feliz.

Mudei de opinião... sou a favor! A favor quando não há alternativa, quando não há esperança, nem salvação.
Apesar disto, apenas uma dúvida se me coloca...quem terá coragem para o fazer? Quem conseguirá viver sem peso na consciência por ter "carregado no botão do off"?

Paulo Colaço disse...

Olá Mónica: fico muito contente com o teu primeiro comentário no Psico.

Já eras uma visitante assídua, espero que te tornes psico-comentadora.

Saudações!

EM disse...

Retirar a vida a outra pessoa não é um acto nobre e não deve ser encorajado pela sociedade. Não quero que o Estado Português autorize (muito menos obrigue) uma pessoa a tirar a vida a outra para acabar com o sofrimento desta, por mais compaixão que isso desperte. Não deve haver lugar a eutanásia por ordem judicial ou por autorização de qualquer administração hospitalar. Não sou religioso, mas tenho mais crença na humanidade do que muitos que andam por aí a prometer 72 virgens no céu para os que morrerem a lutar pelos seus ideais. E essa "fé" leva-me a carregar um "peso" na consciência.

Se nos deixarmos guiar pelas nossas emoções, seremos assim mais humanos?

Não sou a favor da legalização da eutanásia por uma questão de princípio.

jfd disse...

Tiago, temos que assumir o que dizemos. Era para ti e para o Diogo e todos os que para aqui vierem invocar a fé e o Catolicismo de uma forma fundamentalista.
Vocês expressam a vossa, eu a minha. Debatemos. É simples. Sem stress.

Há aqui uma certa confusão sobre o que se é, o que se quer, e sobre quem se pensa ou quem se julga que se é ou se deve ser.
Quem sou eu para julgar alguém ou decidir o futuro de alguém?
O que é ser Católico? O que é ser Cristão? Quais os Dogmas? Sou de que ala do Catolicismo Português do sec XXI?

A Margarida começa por dizer que este tema é demasiado controverso e explosivo...
Eu discordo.
E digo de novo;
À volta deste tema há é demasiado ruído de quem nada tem que ver com o assunto.

A última pessoa que exprimiu opinião diz que não é a favor da legalização por uma questão de principio...
Vou ser claro, o que tem o principio dele, e de outros tantos, que ver com o assunto de quem se debate HOJE, NESTE MOMENTO, com o problema? Que arrogância é esta? Quem nos deu esta autoridade?

Nélson Faria disse...

Vou ser claro, o que tem o principio dele, e de outros tantos, que ver com o assunto de quem se debate HOJE, NESTE MOMENTO, com o problema? Que arrogância é esta? Quem nos deu esta autoridade?

Que arrogância é esta de questionar os princípios de terceiros jfd?

É o que pensam e justificam como querem e como podem. Sou a favor, mais uma vez na linha de raciocínio próxima do bmm (mas também do nina), mas tenho o maior respeito pelos que invocam a sua fé como base para recusarem a eutanásia.

Não concordo com a sua posição, não gosto de ver as "coisas" misturadas, mas penso que um crente, que alguém que realmente acredita que a vida humana é inviolável de alfa a ómega não poderia pensar de outra forma.

Nélson Faria disse...

Metam aí um smile no meu segundo parágrafo... o comment não é um ataque ou uma provocação ao jfd, é uma chamada de atenção ;)

Nélson Faria disse...

NOVA REDACÇÃO DO ÚLTIMO PARÁGRAFO

Não concordo com a sua posição, não gosto de ver as "coisas" misturadas, mas penso que um crente que acredita piamente que a vida humana é inviolável de alfa a ómega (haverá crentes que serão mais flexíveis, outra forma de encarar a sua fé perfeitamente legítima) não poderia pensar de outra forma.

P.S. Sorry, mas estou mesmo "à rasca" com "tipo cenas pa fazer" e a coisa nã sai à primeira.

jfd disse...

Que arrogância é esta de questionar os princípios de terceiros jfd?

;)
É a arrogância a combater a arrogância.
Sendo que a minha arrogância não implica os terceiros prejudicados, mas sim os que prejudicam.
E isso não me tira um segundo de sono.

Como disse anteriormente:
(...)temos que assumir o que dizemos.

Atenção com os fundamentalismos e as concordâncias de ocasião Nelson;
mas tenho o maior respeito pelos que invocam a sua fé como base para recusarem a eutanásia.

Há quem invoque a Fé para explodir inocentes, cortar cabeças, queimar alegadas bruxas, praticar exorcismos...
Não há, para mim, misticismos neste assunto.

E mais uma vez
(...)temos que assumir o que dizemos.
e acrescento: ser coerentes!!!

Nélson Faria disse...

E temos que saber ler o que os outros escrevem jorge. Já estou como o irmão da margot: no psico temos de escrever para a malta e depois fazer um comment só para o jorge.

o maior respeito pelos que invocam a sua fé como base para recusarem a eutanásia.

não é o mesmo que dizer que aceito a fé como resposta para tudo. É o campo valorativo de terceiros que respeito e em que não me intrometo. E não me parece que o Tiago e o Diogo estejam a ser fundamentalistas, para onde tu queres levar a discussão.

Discordo, mas respeito.

A picada da incoerência é para mim ou acrescentas por entender ser necessário para complementar a tua citação inicial?

jfd disse...

Bem, irritas-me profundamente com o que invocas neste teu comentário. Fala de ti, como eu falo de mim. Não invoco mais ninguém.

O nosso ruído neste assunto acaba aqui.

Nélson Faria disse...

Grande mal entendido: eu estava MESMO a perguntar se estavas a complementar uma ideia anterior ou se estavas a insinuar que eu era incoerente?

Se achas que estou a ser incoerente, importas-te (with sugar on top ;) de me dizer onde sff?

jfd disse...

Né as coisas não são para personalizar.
Não venho para aqui "atacar" A, B ou C. As opiniões expressas são incisivas mas abstractas, embora se encaixem nos comentários que estão antes, e que virão depois.
O Baia não comentou aqui. Usares comentários de outros posts não faz sentido. Não ajuda em nada à questão, que é séria. E isso, repito, irrita-me. Já passou, porque não vais repetir.

Nélson Faria disse...

E isto não é um ataque, mas por vezes parece complicado fazer-me entender nestes nossos confrontos. Vide "Babilónia quem te quer?".

Citei isso porque penso que a situação ficou resolvida e a bem. Pelos vistos não. Peço desculpa.

Continuamos?

jfd disse...

Claro que sim caro Amigo:)

José Baptista disse...

São estas divergências que fazem o Psico...

O Paulo, uma vez na vida, apetece-me abardinar este tópico, lolo.

Fora de brincadeiras, Eutanásia é algo muito mais sério que os crimes que tem sido feitos na área da justiça. Vamos lá com calma, a Vida Humana tem um alcance supremo, não é a Eutanásia que lhe tira esse cariz.
É a eutanásia a resolução certa para os males? Não creio, digo eu, de que...

Abraço

Margarida Balseiro Lopes disse...

Jorge,

Por vezes os radicalismos distanciam-nos da realidade dos factos. A eutanásia é um tema polémico, controverso. Não há dúvidas. Se assim não fosse, esta caixa de comentários não teria tão elevado número de pessoas a debater a questão, nem a mesma permaneceria em eterna discussão há tanto tempo. O que não significa que para ti e para mim tenhamos interiorizado o quão necessária (em nosso entender, repito) era que já fosse praticada.


Confesso que me faz alguma espécie o exacerbamento de um alegado “determinismo” católico, que atribui um papel periférico, nalguns casos marginal, ao Homem. Como humanista, este é para mim um valor supremo, e a sua dignidade é absolutamente inviolável. Por tudo isto, só posso defender a eutanásia, como esse garante da dignidade da pessoa humana.

Paulo Colaço disse...

Exacto, caro Jorge.
O facto de não haver qualquer sinal de consenso é mais que prova da controvérsia que habita nesta discussão.

jfd disse...

Têm os dois razão.
E a mim também me dou razão.
É assim a minha contradição.
Neste caso, a calma, que não é minha companheira, é boa conselheira, e vocês são bom exemplo disso :)

Bruno disse...

Postei sobre este assunto nos primórdios do Psico (http://psicolaranja.blogspot.com/2006/09/insensato-encarniamento.html). As questões que lá colocava, ainda as mantenho (Quando se justifica dar permissão para algo tão radical? Quem poderá decidir? Poderá o pedido ser feito por interposta pessoa?). Tal como mantenho a concordância com a frase que citei de Giorgio Napolitano ("Só o silêncio sobre este assunto será injustificável").

Posto isto, não restam grandes dúvidas de que concordo com o desafio do Colaço: Debate sobre eutanásia já! Eu diria mesmo que, tal como na questão da 3ª tranessia do Tejo, estamos p'raí uns 10 anos atrasados.

É facto que sou um defensor do direito à vida. Sempre! Mas não gosto - nunca! - de me deixar toldar pelas minhas convicções. Não me importo de as por em causa a toda a hora. Ou sairão reforçadas ou perceberei que estava errado o que em qualquer dos casos é positivo.

Neste caso a minha convicção em dizer "Eutanásia Sim" ou "Eutanásia Não" é muito pouca. Porque o assunto me melindra, porque me levanta dúvidas, porque envolve demasiadas variáveis.

No entanto, não deixo de ter a certeza do seguinte: existem circunstâncias em que se justifica que uma pessoa, no pleno uso da sua consciência, possa decidir que aquilo que lhe resta já não é vida e que por isso prefere morrer.

Nélson Faria disse...

Nesta discussão toda, em que defendi mais o direito dos crentes em usarem a sua fé como base para a sua decisão, penso que nã ficou explícita a minha posição: não concordo com eles ;)

Defendo que a eutanásia tenha um enquadramento legal que permita, a quem esteja na plena posse das suas capacidades mentais, e padecendo de uma doença em estado terminal e debilitante, que esta possa decidir-se por terminar a sua vida.

Há toda uma estrutura de cuidados paliativos a ser implementada para ajudar as pessoas nesta condição a manterem a sua vida o menos afectada possível pela doença, mas é em último lugar aos pacientes que cabe a decisão.
´
esta é a minha convicção nesta matéria.

Margarida Balseiro Lopes disse...

Esqueci-me, imperdoavelmente, de saudar o 1º comentário da nossa querida Mónica. Volta sempre! ;)

Mónica Rosa disse...

já voltei! =)

EM disse...

Então a malta já não pode ter as suas convicções sobre como a sociedade se deve reger ou organizar?

Quem não têm princípios, acha que pode fazer tudo na vida. Eu traço o limite dos meus actos. E neste caso devido aos meus princípios, eu nunca o faria, nem que me obrigassem, sobre mim nem sobre outra pessoa.

Passar para um regime de legalidade da eutanásia colide com o meu direito à vida e ao dever de sua protecção pelo Estado. A dignidade humana não se esgota quando viver se torna difícil de continuar.

Paulo Colaço disse...

Caro EM,
claro que todos podemos ter as nossas convicções sobre a forma de reger e organizar a sociedade.

Aliás, o vivacidade do Psico é feita dessa troca de pontos de vista.

A pergunta que eu coloco é: pode a visão pessoalíssima de uns tolher o rumo de outros relativamente a algo tão íntimo quanto o termo da própria vida?

Bruno disse...

Eh pá, faz-me confusão falar-se tanto em "direito à vida" nesta temática.

Uma coisa é a discussão do aborto em que estamos a falar de um ser a quem vão tirar a vida e que não se pode defender ou evitar esse acto.

Outra coisa é a discussão sobre, por exemplo, a pena de morte em que se passa o mesmo: tirar a vida a alguém que preferia mantê-la.

Agora, não me parece que isto seja comparável a uma situação em que há alguém que prefere por fim à própria vida. Alguém cujo sofrimento é - na sua opinião - pior do que o abdicar do direito à vida. Alguém que, em consciência, diz "Basta!" e que o faz em relação a algo que é só seu.

OK! Digam-me agora que a vida de cada um não é só sua. Isso será outra discussão e desconfio que também não me vão convencer. Mas cá estarei ;)

EM disse...

Numa situação em que o próprio doente se suicida, terminando a sua vida, a responsabilidade do acto é inteiramente dele. Eu preocupo-me com que o acto de tirar a vida a outrem se torne legal.

Imaginemos uma situação em que a eutanásia está legalizada. Isto implica que é legal uma pessoa auxiliar outra a morrer.

Mas e se houver uma situação em que uma pessoa mata outra sem ser essa a vontade dela e depois defende-se com o argumento de que "o outro queria morrer, e eu ajudei-o"? Como é que se prova que foi homicídio ou um acto simples de eutanásia? Uma declaração escrita (sob coacção ou não) vale de prova?

Esta situação é absurda, mas preocupa-me a possibilidade de haver situações de homicídio porque convém a terceiros, através do acto de eutanásia.

A legalização da eutanásia, do ponto de vista forense e criminal, pode acarretar maior insegurança e levar a situações onde se desvalorize a vida de doentes terminais.

Atenção que eu não estou a abordar esta questão que afecta terceiros, impondo a minha vontade ou os meus princípios, mas simplesmente a analisar e a expôr problemas na sua aplicação.

Nélson Faria disse...

Naturalmente que legalizar a eutanásia não é equivalente a que qualquer um a possa fazer: a eutanásia é um procedimento médico, essa pessoa que a requer terá de ser devidamente escrutinada, avaliada a sua situação física e psicológica.

Anónimo disse...
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José Pedro Salgado disse...

Já muito se disse neste post sobre o tema, e pouco há a acrescentar.

Devo dizer que concordo com a posição do Nélson, mas que gostava de acrescentar um pormenor no que toca a ter direito à vida: o direito à vida não é a estar vivo, é a ter uma vida digna e perante a qual existe contrôlo.

Não admito que o Estado me obrigue a passar a minha vida em sofrimento se eu não o desejar. Quem acreditar que é esse o caminho, boa sorte, mas pelo menos dêem-nos uma escolha.

Matéria para Direito de Resistência como não vejo melhor. Depois venham atrás de mim, que eu não vou a lado nenhum.

Inês Rocheta Cassiano disse...

Este é um tema que me diz muito.
Grande Diogo Agostinho, subescrevo-te na íntegra!
É uma questão polémica, de consciência de cada um. Sou contra a eutanásia. Sou a favor da vida. Com isto não quero dizer que quem a defende, seja necessariamente contra a vida (não me deturpem já).
Na Constituição está consagrado o direito à vida, e não o direito à morte. É verdade que em certos casos, a morte pode significar uma libertação (tanto para os que partem, como para os que ficam). Porém, para mim, ajudar alguém a morrer, precipitar o processo natural da vida, é aberrante e desumano.
Como alguns sabem, estive uns dias no Centro João Paulo II, em Fátima, a trabalhar com deficientes profundos, com pessoas que não falam, que não reagem, que não comunicam. A pior dúvida é não saber se nos sentem, se nos ouvem, se nos percebem, se estão lá. Mas o que é certo e que eu pude comprovar, por experiência própria, é que são seres humanos, com dignidade e com o direito a serem tratados como pessoas. Foi isso que eu estive a fazer e apesar de ter sido duro, saí de lá mais forte do que entrei.
Admito que esta experiência me fez pensar duas vezes sobre este tema e que me confrontei comigo própria. Porquê tanto sofrimento? Valerá a pena? Quando um deficiente me agarrou na mão e cantou uns versos de uma música do Rui Veloso, deu-me condições para dizer, aqui e agora, sim vale a pena!