quinta-feira, março 06, 2008

Para onde foi a nossa segurança?

Liga-se a televisão e o que se vê? Homicídio em Lisboa, homicídio no Porto, homicídio em Oeiras, homicídios em todo o lado. Assaltos, violações, burlas! Enfim, tudo o que se possa imaginar.

A população começa a viver com medo, revolta-se com a insegurança, questiona as nossas autoridades. Onde nos irá levar isso? Isto é consequência de falta de medidas de segurança em Portugal?

O que se passa na sociedade em geral? Droga? Mesquinhez social? Falta de formação? Afinal de contas voltámos para a selva? Ou pior, nunca saímos dela?

11 comentários:

Inês Rocheta Cassiano disse...

Grande tema Tânia!

Neste assunto não posso deixar de realçar a distinção feita pelo Né: medo e receio. É impossível alhear-nos do que se passa à nossa volta. A onda de criminalidade que se tem vivido nos últimos dias é um sinal claro para pararmos e pensarmos. Não aceito que digam que se tratam de casos pontuais e por isso não há razão para alarme (e com isto também não quero dizer que é melhor ficarmos todos em casa, sem sair à rua) mas estamos a falar de pessoas que perderam a vida e não de meros números e estatísticas.

É caso então para reflectirmos: estará a nossa segurança a ser salvaguardada? Teremos ainda confiança nas autoridades, cuja obrigação é zelar pela segurança pública? Sentimo-nos seguros, sem ter que olhar por cima do ombro?
(Mais uma vez realço, não quero parecer radical, mas temos que ter estas questões em consideração).

Relacionado com a criminalidade e com a lei, deixo apenas uma pergunta, que espero que o lobby de Direito me saiba esclarecer. Quando uma acção, que consumada seria crime, não é concretizada, por qualquer razão, não deveria ser este sinal um claro indício para um processo judicial e de prevenção? Não deveriam existir consequências? Como conseguem ficar impunes?

EM disse...

A tentativa é punível. Podem ficar impunes se o processo prescrever. Não é do interesse do arguido/acusado que o processo ande normalmente (incidentes de recusa, etc).

Penso que temos um psicopata à solta na zona de Lisboa. A palavra devia ser agora de cautela em vez de andar a ver quem é que é culpado ou pôr em causa as forças de segurança da sociedade. Isso é a última coisa que um político faz, porque a partir daí a sua carreira pública terminou.

José Pedro Salgado disse...

O que se passa é o lado negativo da globalização.

A globalização é um fenómeno natural-social, porque não acontece porque queremos. A abertura de mercados e fronteiras não é globalização, mas o que resulta dessas aberturas já é. E se muitos efeitos positivos dela resultam, de modo a que é claramente favorável ao mundo que ela ocorra, não podemos ignorar que dela também advêem desvantagens.

Um dos pontos dessas desvantagens que se pode acentuar mais é a falta de controlo que existe relativamente a elementos perigosos, desde pessoas a mercadorias, desde criminosos, terroristas e escravos, a armas, droga e poluição.

Por termos ignorado que também o nosso país de brandos costumes está sujeito a estes acontecimentos é que tanto nos choca quando nos apercebemos que isto está a virar o Texas, e que vêmos coisas que só davam nos filmes de série B.

E a solução passa por onde? Por um voltar atrás e cortar o mal pêla raiz?

Nunca. A pior coisa que podíamos fazer era dizer "já experimentei este mundo e é mais difícil, dêem-me o meu Portugal rural.

Já abrimos a caixa de Pandôra e esta é das poucas alturas em que se deve lutar fogo com fogo. Se estes males são problemas globais com reflexos locais, é assim que devem ser abordados. A nossa cooperação a nível internacional é vergonhosa porque cada Estado não trabalha para os outros para fazer um mundo mais seguro, esperando beneficiar com isso. O que cada um faz é tentar garantir a sua segurança, colaborando na medida do estritamente necessário para que não se queimem pontes que ainda vão dando jeito.

E isto nem é o pior. O pior é que o mesmo se passa a nível interno entre as diversas autoridades que deviam atacar o problema.

Querem soluções, ofereço três: cooperação, cooperação, cooperação.

Nélson Faria disse...

Há um frenesim mediático superior à gravidade dos casos, mas não podia deixar de lamentar as mortes provocadas por esta violência urbana desmedida.

Deixar também uma palavra especial para o nosso companheiro Diogo, militante em Oeiras, vítima no Oeiras Parque.

Dia 14 de Março, sexta-feira pelas 21.00H no largo 5 de Outubro em frente à Igreja Matriz de Oeiras, na Vila, irá ser feita uma vigília em memória/Homenagem ao Diogo e também como forma de protesto contra o clima de insegurança que se vive actualmente no país.

Fica o convite.

Temos de confiar nas nossas forças de segurança e de vez definir um modelo: já chegava as bulhas entre diferentes forças policiais, agora até dentro das corporações existem.

Já noutro post o disse: reforçar o poder de investigação da PJ; tirar agentes da PSP das secretárias e colocá-los na rua, ocupando os excedentários os cargos burocráticos; transformar GNR na "Guarda Pretoriana" da República, com quartel no Palácio de Belém.

Luciana Antunes disse...

Casos de violência em Portugal sempre foi uma constante. Existem largas diferenças entre o nosso "Portugal Rural" e o actual. Estes casos de violência estão a aumentar devido à própria instabilidade do país nas mais diversas áreas económico-político-sociais.
Quando me deparei com uma manifestação das entidades policiais contra as políticas do governo, previ que num futuro muito próximo a criminalidade iria aumentar, e mais agressiva. E eis os factos!
Mas se desenganei todos aqueles que só nos grandes espaços urbanos acontecem estes incidentes. A criminalidade está um pouco por todo o lado, e cada vez menos vigilância policial. E porquê? Cortes na despesa pública, encerramento de posto de GNR rurais (maior carga de trabalho para quem já estava sobrecarregado); menos incentivos salariais (um polícia paga o próprio fardamento!!!),..., etc.
Estamos a falar daqueles que devem garantir a nossa segurança arriscando a sua própria vida.
Estamos a chegar a um ponto em que não é suficiente reflectir, é tempo de agir questionando a quem de direito para poder compreender a real fonte do problema.

EM disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
EM disse...

A operacionalidade das forças de segurança públicas têm aumentado, cada vez têm mais meios, o número de agentes na rua têm aumentado. Eu confio nas autoridades. Nunca as questionaria por faltarem ao dever na generalidade.

Acho um erro tentar arranjar um bode expiatório para este tipo de problemas. Isso não resolve a situação. Um bom político convence as pessoas pelas boas ideias que apresenta para resolver os problemas da sociedade.

Este aumento da criminalidade explica-se pelo aumento de desigualdades, tensões raciais, dificuldades económicas, falha na inclusão social de grupos marginais ou delinquentes. Acontece em todo o mundo, não é por causa da globalização, mas devido ao aumento da população e sua concentração. Sempre houve imigração "ilegal", não apareceu do nada com a "globalização".

A solução de cooperação resulta numa sociedade habituada a chegar a consensos, o que não é o nosso caso. A nossa sociedade está dividida em corporações. É difícil haver uma real competitividade. Os media também não ajudam.

Por exemplo, houve uma campanha mediática contra os novos helicópteros para a Protecção Civil porque eram russos, logo eram maus, e porque eram propriedade do Estado, logo era mau - para os privados, que assim viam o seu negócio de 75 milhões de euros por ano ameaçado. €€€, ok? E mais, os próprios agentes da Protecção Civil questionaram o modelo - propriedade e operação atribuída a uma empresa pública. Embora fossem todos do Estado. É difícil haver coordenação ou cooperação com este tipo de mentalidades. Têm que ser "ou vai ou racha".

E o mais grave ainda é vir a saber que o maior partido da oposição anda a preparar-se para montar mecanismos do século passado para se auto-financiar, abrindo a porta a situações de lavagem de dinheiro. Triste, não é?

Paulo Colaço disse...

Crime organizado é uma expressão técnica. Não se trata apenas de duas pessoas que, antes de assaltarem uma bomba de gasolina, já sabem onde está a caixa registadora e a localização do carro de fuga.

Em Lisboa talvez estejamos a ver a árvore e a tomá-la por floresta. No Porto, creio que existe uma floresta a sério.

Poucos, em meu entender, terão entendido a nomeação de alguém de fora para mandar na investigação do Porto...

Nélson Faria disse...

Sóbria exposição EM.

E notável contributo luciana.

José Pedro Salgado disse...

Quando falei do lado mau da globalização, não quis de forma nenhuma dizer que é ela a única e exclusiva culpada. Jamais.

Mas é um facto que deu dois grandes contributos:

1º Dificultou a fiscalização do trânsito de pessoas e mercadorias.

2º Acentuou certas assimetrias permitindo um mais fácil acesso de um mundo ao outro.

Cleopatra disse...

A operacionalidade das forças de segurança públicas têm aumentado, cada vez têm mais meios, o número de agentes na rua têm aumentado. Eu confio nas autoridades. Nunca as questionaria por faltarem ao dever na generalidade.



O problema é que nâo tem sido assim.É que não tem sido mesmo.


E a resposta para tudo isto talvez esteja na situação económica que o nosso país está a viver.