sexta-feira, março 21, 2008

Para onde vamos?

O eco que este assunto tem tido merece reflexão. Já ouvi dizer que "a dada altura os adolescentes podem assumir o telemóvel como uma parte do seu corpo".



Com o vídeo são precisas poucas palavras. Mas ficam umas notas: a turma ria-se; alguém filmava calmamente.

Os professores e os alunos têm vindo a lamentar-se do estado da educação, mas estou em querer que o civismo também está ameaçado.

Para onde vamos?

37 comentários:

EM disse...

Se não fosse um aluno andar a filmar - com um telemóvel, ressalvo - e para gozo de muitos nós - já tenho um toque com a voz da miúda a dizer "dá cá o telemóvel, já!" - era mais um momento quotidiano na vida das escolas. O telemóvel é uma coisa muito pessoal, ela deveria ter lá o diário e os sms do namorado. Tás a imaginar a cena, o telemóvel ficar nas mãos de outra pessoa? A cena mete-me um terrível gozo, a miúda já reconheceu que fez um disparate. Não vejo nenhuma ameaça à civilização por causa disso.

É a exposição mediática disto - jornais, tv, internet - que faz com que pareça uma coisa grave. Não é. Para mim repugna-me mais ouvir jornalistas a falar em expulsão da miúda da escola, como se isso resolvesse o problema de insegurança nas escolas. Mania dos tugas acharem que se arranjarem um culpado, desaparecem os problemas. Tsk, Tsk.

Experimenta ir dar uma voltinha a pé à noite na linha de Sintra, e depois quero ver-te preocupado com o civismo ameaçado por esta miúda ter feito frente a uma professora.

José Pedro Salgado disse...

Eu tenho uma pergunta a fazer:

Alguém sabe o que é que motivou a professora a tirar o telemóvel? É que eu ainda não ouvi nada nesse sentido.

Não estou a defender ninguém, mas já agora gostava de ter a história toda. É que se vamos julgar a aluna pêla reacção, é só porque partimos do princípio que a acção da professora era justificada. E se calhar é defeito de formação, mas não gosto de julgar sem os dados todos.

Anónimo disse...

Em,
lamento o seu infeliz comentário, sua ironia e a sua defesa em torno da rapariga.
Aquela é só uma mal-educada de muitos e muitas jovens portugueses. Se começar a filmar e a trazer para praça pública e a punir, as coisas vão a brandar.Não melhor juiz que a praça pública. Este foi um caso que mostrou o que se passa diariamente na escolas portuguesas... que a maioria dos tugas são uns vandalos e que outros que não são directamente são indirectamento, isto é, dão apoio aos outros p o serem.
Uma sociedade sem valores, sem educação, sem respeito, sem regras, um país de selvagens... canibais, outros vegatarianos mas todos (quase todos, algumas excepções) selvagens... em que se resolve os problemas com estaladas, murros, pontapé,,, vêem em casa, trazem para a escola e são mau exemplo p aqueles q em casa ainda têm educação.

Anónimo disse...

Em,
esqueci-me de lhe dizer: Tadinha, a menina não pode ficar sem tlm... ah! pois... senão fica traumatizada e os paizinhos tadinhos têm que levar a menina ao psicologo. pois... o psicologo sai caro, então, e depois não há dinheiro p carregar tlm e a menina ainda fica mais traumatizada pk não pode telefonar p namorado,,,então é mais fácil agredir a professora... ah pois é!!!

xana disse...

Aqui está!

O primeiro comentario explica a causa destes comportamentos. Quem não tem noção do que possa ser um comportamento civilizado e respeitoso, certamente não terá essa postura na escola não é?

Basta lembrar os vários casos de filhos que desrespeitam os professores e depois chegam lá os pais e ainda fazem pior!

A figura do professor está mesmo pelas ruas da amargura. Já não há respeito. E em casa também não se ensina isso. Não é um mal de geração. Será um mal de comodismo de cada vez mais pessoas.
Eu sou muito nova mas ensino esse respeito na escola perante colegas, funcionarios e professores. E nunca me meto, nem dou razão, tenha opinião ou não sobre isso. Não nos devemos imiscuir na autoridade que é exercida dentro da escola porque estmaos a fazer um mal enorme aos nossos educandos e a uma geração de miúdos que não sabe o que é o respeito pelos outros e muito menos tolera qualquer tipo de autoridade.

Para onde caminhamos?

Tiago Sousa Dias disse...

Bom eu como sou professor estou a vontade para dizer algo na sequência do que disse o Zé:

Porque é que a professora tira o telemóvel?

Seja o que for que a aluna estivesse a fazer com o telemóvel não justifica subtrair algo que é nosso e tão nosso.

Mas passando isso À frente. De facto "trata-se dos riscos da exposição mediática". Quando ouvi as noticias fiquei com a ideia que se tratava de uma cena de pancadaria com a professora. Nada disso. A mesma figura triste fez a aluna e a professora.
Cenas graves? Sim no contexto da disciplina da escola.
Cenas que justificam a cobertura mediática nacional e que digam algo sobre o sistema de ensino? Muito longe disso.
Tratou-se de um episódio triste entre duas pessoas que não souberam, cada uma no seu patamar, ser civilizadas.
Nada mais.

joana simões disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
joana simões disse...

bem, Carlos, Acho que não há muito para dizer acerca disto! A única coisa que tenho a dizer é que a falta de educação e há uma diminuição da autoridade dos professores! Assim sendo, os "senhores" alunos pensam que podem fazer tudo o que lhes apetece, pois as regras estão a seu favor! Mas há uma coisa que as pessoas devem ter em conta, o professor deve ser uma pessoa muito respeitada e admirada, pois transmite e deve estimular a sabedoria e o desenvolvimento como pessoa!! A falta de educação e a arrogância devem ser punidas severamente, até porque estão numa idade crítica e têm de aprender a viver em comunidade! Assim sendo, não há justificação possível para a atitude da aluna em causa e de outros casos assim, mais ou menos graves! Até as pessoas que incitam a tais comportamentos e que os gravam devem ser igualmente punidas!

jfd disse...

Dizia a Xana que a figura do Professor anda pelas ruas da amargura...

Ora e eu pergunto, provocando, e que parte da culpa tem o Professor?

Eu jamais faria algo parecido à Professora Júlia da primária, nem à Professora Conceição Ruas minha grande Professora de química, nem tantos outros que não me recordo o nome mas que me moldaram como pessoa! Mas assim como tive essa mão cheia de influências positivas, tive duas mãos cheias de professorzinhos que desprezei, que iam picar o ponto. Que faltavam, que brincavam com o meu futuro e com o meu tempo.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

EM disse...

ò Anónimo... eu NÃO LAMENTO o seu comentário, nem de outras pessoas. Têm TOTAL direito de divergir da minha opinião. Nem lamento o facto de comentar de modo anónimo. Eu é que não gosto de me armar em Juiz. Acho piada à situação que se passou. Não a dramatizo e está a anos-luz de situações em que os putos esfaqueiam os colegas, funcionários e professores nas escolas da Amadora. Isso sim é que é grave.

Cidália disse...

Não sendo um caso de facadas em colegas ou em funcionários, não deixa porém de ser um caso muito grave.
O episódio é sintomático de uma sociedade com crise de valores.
Ainda há muito pouco tempo, aqui no blog, defendi que os professores deveriam ser investidos de autoridade. Autoridade para poderem transmitir o "saber" em boas condições: respeito, tranquilidade, concentração e atenção são ingredientes absolutamente necessários para esta actividade.É sabido que os alunos não podem levar telemóveis para dentro da sala de aulas. A aluna não desafiou esta regra? Mais, estava a ouvir música, baixinho segundo ela, mas estava a ouvir música, não desafiou a autoridade do professora com este comportamento? Envolver-se numa luta de poder pela força, é normal entre aluna e professora?
A professora pode não ter respeitado o regulamento, segundo creio, ela deveria ter pedido o telemóvel À aluna e em caso de recusa deveria pôr a aluna na rua e, ainda em caso de recusa chamar um funcionário para exigir a saída da aula. Como digo, a professora pode não ter respeitado o regulamento, mas a aluna, comportou-se de uma forma que a todos nos deve entristecer, envergonhar e preocupar.
Que pais somos, que filhos teremos?

Nota:
Declaração de interesses: Não sou professora.

José Pedro Salgado disse...

No Correio da Manhã de hoje:

"A professora de Francês, Adozinda Cruz, que ontem viu divulgado um vídeo na internet em que uma aluna luta com ela pela posse de um telemóvel, tem estado em casa recolhida e sem querer falar sobre o assunto, já tendo recebido a solidariedade de outros docentes. Face à repetição constante das imagens na abertura dos telejornais, a professora da escola Carolina Michaelis, Porto, disse a colegas que "não está habituada a andar na ribalta e que já está enojada de ver o vídeo". Apesar das tentativas do CM, Adozinda Cruz não quis prestar mais declarações"

É ela e eu...

http://www.correiomanha.pt/Noticia.aspx?channelid=00000009-0000-0000-0000-000000000009&contentid=61E34704-CD32-4111-AE7C-795E5269FE0B

EM disse...

Eu acho que a cidália não têm bem a noção do que é irresponsável e típico de uma jovem de 15 anos e um crime grave como é o de tentativa de homicídio.

A punição de um caso destes é muito diferente. É claro que defendo que um aluno que esfaqueia um outro seja expulso da escola além de ir parar a um reformatório. É um caso de segurança pública na escola.

Eu considero este caso como excessivamente mediático e considero que a rapariga está a ser usada como bode expiatório para tudo e mais alguma coisa. Isso é na minha opinião deplorável e mostra a falta de maturidade dessas pessoas - aí sim, um caso flagrante de falta de civismo.

civismo: s. m., dedicação pelo interesse público, pela pátria; patriotismo.

Quiçá uma "birra" de uma miúda por querer recuperar o que é seu, e dito por si mesma que lhe foi retirado pela professora, por ter sido filmada e posta a correr no youtube, na tv, isto tudo é falta de patriotismo, um ataque ao interesse público?

E se lhe acontecesse o mesmo desta rapariga a uma sua irmã ou irmão, qual seria a sua opinião? Também devia ser expulsa ou expulso da escola? Vamos lá a ter calma...

Um professor é um professor, não é um "deus" nem o último guardião dos bons valores e dos costumes. O seu papel é ensinar o melhor que puder. E eu sei do que digo, por ter sido monitor na universidade e ter tido o privilégio de ensinar. É muito difícil, mas também não é para todos. E eu nunca iria surripiar um telemóvel a um aluno meu.

Abraços a todos, que eu tenho que ir ver a bola (Vitóóórria!)

Nélson Faria disse...

Parabéns EM... o Vitória ganhou!

Estou a gostar do rumo que a discussão está tomar: o que levou à reacção da professora e da aluna. "Picanços" à parte é uma abordagem mais sensata que a que está a ser feita, em geral, pela comunicação social.

A Cidália falou de uma coisa importantíssima: falta de autoridade dos professores. Mas permitam-me acrescentar uma ideia: as leis não dão autoridade a um professor, as leis dão poder (quanto muito).

Para se ter autoridade é necessário, antes de mais, ser respeitado. E para se ser respeitado é imprescindível dar-nos ao respeito.

Na mesma linha do Jorge, no meu percurso escolar encontrei imensas referências essenciais à constituição de carácter, mas há muito boa gente que eu não contratava para me cortar as unhas dos pés (sem ofensa para as pedicures, uma arte tantas vezes subestimada ;)

Cidália disse...

Em,
Juízos de valor são sempre muito feios e, porque na maior parte das vezes são errados, devemos sempre evitá-los.
Veja:
1 - quando diz que não tenho a noção do que é a irresponsabilidade de ter 15 anos, engana-se duplamente, não só já passei por lá como já acompanhei um filho que já passou por essa idade;
Os jovens reclamam direitos e querem ver reconhecidas as suas capacidades, pois muito bem, habilitemo-los, reconheçamos as suas competÊncias mas terão que responder pelos seus actos.
- a comparação entre este caso e um homicido não é minha é sua.
Também aqui se engana. Não imagina, e, eu também não lhe vou dizer aqui como e com que entrega defendo o bem "vida".
- não tente colocar-me no centro do problema desafiando-me a reflectir sobre se isto acontecesse a uma irmã minha ou irmão. Claro que eu não gostaria que uma expulsão acontecesse nem a eles nem a ninguém mas o eu não gostar não quer dizer que não o mereçam e que não tenham que sofrer essa penalização.

Saudações desportivas!

Anónimo disse...

Tiago Sousa Dias disse... "Bom eu como sou professor estou a vontade para dizer algo na sequência do que disse o Zé:"

Pergunto-lhe:
- É professor deste nível de ensino??? Caso responda NÃO, gostava de saber de qual é Professor?

jfd disse...

Ora aqui está!!!

Mas permitam-me acrescentar uma ideia: as leis não dão autoridade a um professor, as leis dão poder (quanto muito).

Sempre fui daqueles que pensavam, mas quem é o Professor para pensar que pode fazer aquilo?

O Em tem um fundo de razão naquilo que diz, este acontecimento está-se a tornar expiação de muitos males.

A aluna queria a sua propriedade de volta. Não é? Desafiou a autoridade de um Professor. Ponto.
Não estamos no país da liberdade para tudo e mais alguma coisa? Live with it.

A Cidália toca num ponto muito importante! Consequencias! Onde estão? Mas para ambas as partes, acrescento eu! Nem a aluna tem de medir forças com a Professora (ainda por cime de francês LOL), nem a Professora tem de fazer birra, perdem-do o seu poder de controlar a sua sala de aula, e nunca AUTORIDADE.

Estarei certo?

Tiago Sousa Dias disse...

Ensino superior universitário onde a necessidade de manter ordem é por vezes bem mais importante do que para evitar que um aluno ouça música numa aula.
Não é preciso chegar a este ponto; só lá chega quem não tem arte.

Paulo Colaço disse...

Subscrevo a Cidália: "Não sendo um caso de facadas em colegas ou em funcionários, não deixa porém de ser um caso muito grave."

Negá-lo é o mesmo que dizer "temos casos mais graves que esse: volta daqui a uma semana" a um tipo com unha encravada que está à porta do hospital.

Ou: "tenho coisas mais importantes na minha secretária do que ocupar-me do seu carro roubado"

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Na quinta soube-se da sentança atribuída a uma mae que bateu numa professora: 5 anos de pena efectiva.

Será coisa para 5 anos? Não sei. Será bode expiatório? Não sei.

O que sei é que nem sempre as penas são atribuídas aos casos concretos: elas são um aviso para toda a sociedade. Bem ou mal, os 5 anos de prisão à mae "jagunça" foi, sobretudo, um aviso que o juiz quis dar via comunicação social. Disse ele: bater num professor dá nisto!

Expulsar a miuda? Por irregular que tenha sido o acto da professora, não justifica a reação da aluna.

Se a Justiça é dar a cada pessoa o que cada pessoa merece, o que se deve dar a esta aluna?

Margarida Balseiro Lopes disse...

Admiro a sensatez com que o Zé e o Tiago advertem para a existência de outra versão dos factos, a da rapariga. É absolutamente verdade. Daí que me tenha insurgido contra o Novo Estatuto do Aluno, que entre várias “pérolas” que já aqui foram amplamente mencionadas, agiliza vertiginosa e “simplexmente” os meios para punir os alunos, esquecendo-se na maioria dos casos do princípio do contraditório.

Mas, quanto à situação em causa:
A aluna reage violentamente para com a professora. É inegável que há uma agressão. Independentemente dos motivos que levaram ao comportamento lamentável da aluna. Também entendo que a reacção da professora não foi muito feliz.
Mas será esta uma situação isolada ou estaremos perante um fenómeno de indisciplina sala de aula e, nalguns casos, de bullying? Onde estará a autoridade do professor, que outrora constituía verdadeiras referências para muitos de nós? Como dizia o poeta, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. E, perdoem-me a insistência, esta ministra da Educação veio acentuar a descredibilização da classe docente. Relembro-me destas declarações:
“Partindo de uma comparação entre escolas e hospitais, a ministra afirmou que, ao contrário dos médicos, a cultura profissional dos professores "não está orientada para os resultados de todos" mas "apenas de alguns", vigorando nos estabelecimentos de ensino uma espécie de "aristocracia" em que os alunos mais difíceis ficam com os professores menos experientes.
Além disso, muitos procedimentos escolares têm uma lógica mais burocrática do que voltada para os objectivos reais do ensino, afirmou Maria de Lurdes Rodrigues.”

Para mim, uma coisa é certa. Os professores têm de ser investidos de mais autoridade. Enquanto isso não acontecer, muitas mais “Adozindas” serão notícia.

jfd disse...

Eu devo ter um filtro que me molda os pensamentos em direcções opostas da maioria...

Eu penso que a autoridade dos Professores foi, pelos mesmos, perdida.

Culpar ministros, culpar Governos, é fácil. Mas interessante é verificar se a maior parte dos sindicalistas, dos verdadeiros manipuladores dos destinos da classe, são os mesmos...

Boys will be boys, girls will be girls.
Cada vez mais os jovens adolescentes e até mesmo as crianças têm a mania que podem fazer o que querem.
Há que saber o que se pode fazer, e até onde se pode ir. Ter tudo bem enquadrado. Sem problemas, demagogias, eufemismos ou impunidades. Aplicar e pronto. A criança não é imputável? Que seja o seu responsável legal. O Professor não agiu bem? Que tenha consequências severas.

Acabaram os brandos costumes, que acabe a porcaria do politicamente correcto. Que se tomem medidas com tomates, pelo bem do nosso futuro.

Nélson Faria disse...

Sabes Jorge, a grande vantagem de se estar em minoria é que ajuda muito ter razão ;)

Não te subscrevo na parte mais exaltada do teu excurso mas volto a reiterar que não é por decreto que os professores recuperam a sua autoridade.

O Governo pode aprovar mil decretos-leis e a AR um milhão de leis de base a proclamar o professor Senhor do Mundo e Supremo Chanceler da Lua e Mundos Vizinhos... nada disso terá efeito senão se derem ao respeito.

P.S. O esforço é bilateral, entenda-se.

Paulo Colaço disse...

"Eu devo ter um filtro que me molda os pensamentos em direcções opostas da maioria..."

Caro Jorge, deixa que, com amizade, te diga isto: estar isolado, em minoria ou com as minorias nao equivale necessariamente a sermos como Galileu.

Nem sempre as maiorias são estúpidas e nem sempre a "luz" se manifesta apenas a eremitas.

EM disse...

Eu não olho só para a professora e para a aluna, a questão é muito mais abrangente que essa. É preciso haver órgãos que FUNCIONEM e implementem as medidas necessárias para aumentar a disciplina dentro da escola. De que serve haver as leis se não há quem queira aplicá-las?

Utilizam-se professores para desempenhar funções executivas. Não são eficazes porque não são gestores profissionais nem têm uma equipa técnica que os auxilie para tal.

As câmaras municipais já perceberam isso e querem retirar capacidade executiva à direcção da escola pública. Acredito que com isto a escola pode tornar-se num espaço mais seguro e adaptado às necessidades da sua comunidade, e não mais adaptado às necessidades dos professores. Eles estão lá para servir a comunidade. Estes têm as suas funções pedagógicas, não são eles O PROBLEMA (nem são tão pouco os alunos). São é PARTE da SOLUÇÃO.

Não considero o que se passou uma "agressão". O que houve fui uma discussão acalorada e traumatizante para a professora aliado ao facto de o filme ter sido tornado público. Só depois disso é que a docente apresentou queixa, 1 semana depois! O que se passou depois é na minha opinião para esquecer.

A aula devia ter ser supervisionada ou assistida por mais outro docente em turmas problemáticas. Isso não aconteceu neste caso. Considero ter havido negligência da escola e do corpo docente por não ter resolvido a questão logo naquela altura, e por terem esperado uma semana para "acordarem" com o vídeo no YouTube.

E continuo a achar que expulsar a aluna da escola é demasiado punitivo. Suspensão ou transferência, mais um pedido de desculpas, sim. Não considero este incidente muito grave ou mesmo grave.

Há alunos que são assaltados ou violentados nas escolas! Eu não confundo a gravidade dessas situações com o que se passou neste caso, que é ridículo! Não é a dar mais autoridade aos professores na sala de aula que a situação melhora . Isso é um "one-way ticket". É no binómio escola-comunidade que se deve apostar.

Porque é que a JSD não apresenta propostas para a utilização de segurança privada especializada em escolas problemáticas, pagas pelo Ministério da Educação?

Isto sim, é que me REVOLTA, e não a perda de face e de autoridade que a professora teve neste caso.

Nélson Faria disse...

Ainda que vá no sentido contrário do que eu disse:

grande comment Colaço!

Do teu teclado para o meu livro de apontamentos lol

jfd disse...

Well não sou nem um génio nem um solitário iluminado, nem pretensões de o ser. A maioria não é estúpida, nem a minoria tem razão.
Eu acho é aquilo ;) E recentemente, o que eu acho, parece aos olhos de muitos, desfasado deles mesmos!

but this is not about me

EM concordo contigo até à segurança especializada. Aí discordo. Polícia! PSP, GNR seja quem for. Não gostaria de privatizar esse pouco tão especial da nossa segurança...

Cidália disse...

Peço desculpa por não dar este assunto por encerrado, mas têm escrito coisas importantes que merecem ser corroboradas.

Margarida, a gravidade deste episódio está, como bem refere, na agressividade com que se desenrola. Pergunta: "onde está a autoridade dos professores outrora referência para todos nós?"
Eu não sei responder. Alguém sabe? Os professores não precisam de autoridade, não considero como resposta.
Porquê? Porque num grupo existe sempre autoridade.
Ela (autoridade)aparece, naturalmente porque alguém se destaca e aceita-se sem questões ou é impositiva por necessidade de fazer funcionar a máquina.
Nelson, a autoridade de um professor, como refere, não se decreta, ela deveria ser reconhecida pelo simples facto de estarmos perante um professor.
PoquÊ, porque o professor é um Deus, como já alguém questionou aqui? Claro que não.
Simplesmente porque no grupo alunos/professor este último é o que está mais habilitado a orientar e a transmitir conhecimentos, fim último pelo qual os alunos vão à escola.
EM, concordo consigo, é de facto necessário que todos os órgãos funcionem no sentido de impor disciplina nas escolas, já colocar isso a nivel de GNR e PSP me parece exagerado, passa muito pela educação que se tem, ou não tem em casa. Os pais, despejam literalmente os filhos nas escolas, nos infantários e demitem-se do seu papel de principais educadores. O comportamento dos pais é a primeira referÊncia comportamental das crianças. Que referÊncia tem aquela aluna ou aluno do caso que o Paulo Colaço refere?
O preocupante é que o episódio do Carolina Michaelis não é um caso isolado.
Felizmente, a miúda já se mostrou contrita com o que aconteceu, sinal de que percebeu a gravidade da situação.

Fora de tema.

Não tendo outra forma mas não querendo deixar de o fazer, agradeço do coração a todos os que tÊm estado por perto e ajudado o meu filho:
Dalmata és muito querida;
Paulo Colaço, Né, obrigado pela vossa amizade;
Margarida havemos de trocar umas receitas de compotas;
Bruno a tua ajuda foi importantissima;
José Pedro o último hospedeiro e a todos os outros, muito obrigado.

Francisca Soromenho disse...

Independentemente da história que antecede esta cena simplesmente triste, o que está em evidência é a falta de liberdade fundada na responsabilidade.

Só porque o meu corpo me dá essa liberdade e porque me dá ganas, posso armar uma cena destas com uma professora? O que aconteceu ao respeito, aos limites?

Tudo posso, mas nem tudo devo. Quando é que se interioriza esta frase?

A.Costa disse...

Olá!
Tenho estado um pouco ocupado e não tem sido possível ser tão assíduo como gostaria.
Este assunto é demasiado importante para que não emita um comentário.
- Hoje, 25 de Março, o PGR declarou que estes fenómenos de violência escolar podem ser embriões de outros fenómenos mais graves de violência (gangs e outros). Pergunta: Não são declarações importantes? "Podemos" continuar a branquear este assunto?
- De facto, a impunidade associada a estes actos vai "fazendo escola" e, provavelmente, muitos dos jovens vão fazendo autênticos MBA's em Crime que depois podem aperfeiçoar no mundo real.
- Estas situações acontecem na escola mas o seu foco encontra-se na sociedade materialista e com valores dos quais se destaca o individualismo. A liberdade deve ser um polvo com muitos braços e não apenas com uma cabeça. Quer isto dizer que não podemos esperar que a solução para estes problemas que são extremamente difusos venha apenas no Diário da República - deve ter mão do Ministério do Cidadãos e Cidadania na restauração do respeito pelo próximo, seja ele o aluno, o professor, o empregado, o patrão, o político, o eleitor,...
As famílias, tomem elas que forma tomarem, devem ser veículos de civilidade e não apenas de mimo ou desresponsabilização.
Há valores que não são de Direita ou de Esquerda e o compromisso com o respeito pelo próximo deve preocupar todos os sectores da República porque é Ela que está em causa!
Cumprimentos.

jfd disse...

Cidália! O assunto só se encerra, quando nada mais houver para se dizer, esteja à vontade :)

Quando era mais novo era reguila! Levava reguadas. Hoje em dia impensável!
No secundário, nas aulas de desenho, toca de deitar tinta da china para o chão! De tarde a turma toda a limpar o chão! Respeito à Directora de Turma.
Hoje em dia isso onde está? Como se conquista? Como se mantém?
Os meus professores estavam num patamar da sociedade diferente do de hoje.
Eram uma classe de respeito e que se davam ao respeito.

Hoje em dia são aos milhares. Têm mil sindicatos. São ridicularizados, e ridicularizam-se. Dão-se pouco ao respeito. Pouco falam dos alunos, ou pouco oiço falar. Sou injusto? Concerteza que sou. Mas também, poucos advogam com clareza este ponto de vista ingrato (eu tento, mas não consigo!)
Os jovens já não vêm a nobreza na profissão professor.

O Né diz que o esforço é bilateral. Ora, maior esforço terá o professor. Pois é ele a autoridade moral. É dele que se espera mais. Só assim Cidália, lhe poderei reconhecer o facto de estar perante um Professor.

Hoje em dia só consigo pensar nos problemas graves que tenho na Universidade, e que posso dizer quem os originou. Em progressões automáticas. Em delegados sindicais. Em reivindicações. Não oiço discutir a Escola. Não sei opiniões sobre o acordo ortográfico. Não sei opiniões sobre pedagogia. Não sei nada do que me interessa no ensino. Deveria procurar? Ou deveria saber como a mesma facilidade com que sei todos os outros problemas e as eternas questões com TODOS os governos e TODOS os ministros?

Quando é que os alunos se manifestam e dizem um valente basta, a esta classe maioritária de professores manipuladores e manipulados?

Cidália, no que toca à PSP e GNR, sejamos realistas, a inocência há muito que foi perdida. Desde que há agressões, assaltos, vandalismo e muitas das vezes como represálias às boas atitudes dos professores, o Estado tem de proteger a ordem! E isso nada tem que ver com a educação que se tem ou se deixa de ter em casa. Como dizia o Professor Marcelo no Domingo, a escola é transversal, representativa da nossa sociedade. Brancos com pretos, pobres com ricos. E como acontece no mundo dos grandes, cada vez mais, os pequenos nos imitam...


Aproveitando o fora de tema da Cidália:
Boa viagem João e Tiago! Que seja uma valente e construtiva aventura ao centro da Europa ;)

Paulo Colaço disse...

Cara Cidália, ser ama do Tiago por terras mouras foi um gosto!
Mas essas coisas não se agradecem: são letras que constam do contrato de amizade que firmámos há uns anos atrás.
Estão escritas a tinta permanente!

Nota: está desde já convidada para a viagem a Bruxelas que faremos (decerto) em visita ao seu rapaz!

Cidália disse...

Que boa ideia, essa da excursão a Bruxelas. Avisem com antecedência para fazer os croquetes para a merendinha. Alguém que trate do garrafão....estou nessa (desde que os ranhosos no Banco colaborem).
Abreijos

EM disse...

Discurso de António Marinho Pinto na Sic Notícias está demais.

"Cheiro a cadáver, virgens ofendidas, maçaricos na polícia, traficantes à solta, Montesquieu, alterar as leis ao ritmo dos acontecimentos é puro oportunismo político, tenho o meu estilo, o presidente da república têm o dele, eu estou a suscitar o debate, eu quero ver quem são os clientes dos advogados que são deputados..."

Lindo. É o máximo.

Quanto ao corpo de segurança especializado:
Site do Público

EM disse...

E agora está no Portucale... tá a arrebentar!!!

jfd disse...

Bem, fiquei a falar sozinho :P
humpft!

Paulo Colaço disse...

Nao ficaste a falar sozinho: ficaste foi sem resposta :)

Concordo com 90% das coisas que dizes. Só não concordo com 100% porque os alunos ainda encontram nobreza na profissão de professor. Porquê? Porque ainda há grandes docentes. E são aos milhares.
E sentem-se ofendidos com uma ministra que os apouca, com uma sociedade que só descortinou "comunite aguda" na sua manifestação.

Contra mim falo porque, aqui no blog, manifestei a opinião que leste. Mas isso não invalida o que acho quanto a isto: ainda há grande professores e esses, com ou sem desalento, continuam a inspirar milhares de alunos por essas salas de aula.

Para bem da nossa sociedade.

jfd disse...

Olha Paulo! Obrigado!
Inspirado fiquei eu :)
Pois nem tanto ao mar nem tanto à terra, realmente. E é verdade que esses valentes Senhores e Senhoras Professores, se desmarcam destes arruaceiros, e fazem da sua profissão, arte!
Que sejam muitos, como julgamos ser :)