terça-feira, março 11, 2008

Eyes Wide Shut



Ele há coisas que me tiram do sério.
Hoje de manhã, na viagem para o trabalho (onde me encontro, embora não pareça, isto da advocacia tem estas vantagens) ouço na rádio duas declarações de Octávio Teixeira, fiel e empedernido comunista. Dizia ele que via com bons olhos que o PCP se apresentasse sozinho nas próximas eleições. Ou seja, sem aquele pseudo-partido de seu nome PEV. Isto estaria muito bem, aliás, muitíssimo bem, porque, como se sabe, o PCP, por força dessa "coligação" usufrui de vantagens económicas (o PCP recebe verbas por via da votação ficcionada de x no PEV, embora se ficcione que elas vão parar ao PEV). Digo estaria, não por ver quaisquer desvantagens na cisão, mas porque não acredito que tal aconteça. Portanto, neste ponto, kudos para Octávio Ribeiro (nunca pensei dizer isto), era bom ver se os eleitores têm tanto medo de ver PCP no boletim de voto, como tem o próprio PCP.

A segunda declaração é que me chocou. Clamava Octávio Teixeira que a manifestação de Sábado tinha sido uma grande vitória do PCP, e de como ela significava que o partido tinha ainda espaço para crescer. Falava quase como se de um jogo de futebol se tratasse, "não há outro partido com a mesma capacidade de mobilização" (soou-me a "não há clube como o Benfica", o que neste caso é verdade).

Ora partidarizando a manif, Octávio mostrou quão curtas são as vistas de um comunista. Em tudo o que ultrapasse a sua "infinita realidade" o mundo é um embuste. Não lhe ocorreu pensar que a maioria das pessoas que se deslocaram a Lisboa nem se lembraram se era ou não o PCP que ali estava, não se lembrou que é preciso ter um certo pudor quando se afirma que a CGTP (via FENPROF) é o "braço armado" do PC (ainda que o seja, não fica bem escarrapachá-lo nas nossas caras), nem tão pouco se preocupou com o insulto que isso representa para os milhares de professores que se possam sentir manietados pelo seu (dele, não deles) partido.
Brincar com as legítimas espectativas de uma franja da população tão estimável como os professores, vai sair caro, não tenho dúvidas.

P.S.(D): Paulo, é melhor começar a pagar multa pela incontinência verbal.

24 comentários:

Margarida Balseiro Lopes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Margarida Balseiro Lopes disse...

Eu, que tive a minha mãe a participar na manifestação, sinto-me ultrajada com tais afirmações. Mas a FENPROF e afins, estou certa que virão pronunciar-se sobre a questão.

Com este insistente hábito do PCP se afirmar como legítimo e mais alto representante dos trabalhadores, não deixa de ser caricato analisar o seu lugar periférico no panorama político nacional.

Diogo Agostinho disse...

Para além da tua mãe, segundo consta também lá esteve a ilustre esposa do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e ex-Ministro deste Governo.

Curiosidades!

Diogo Agostinho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Margarida Balseiro Lopes disse...

Diogo, julgo que não estarás a falar desta situação... ;)

http://www.youtube.com/watch?v=By2Zogdwl6Y

jfd disse...

Meus caros, o Octávio Teixeira não é nenhum radical. Pelo menos no meu ponto de vista.
Gosto muito de o ouvir na Antena1 sempre que fala com a Eduarda Mayo. Podem-me irritar os assuntos, mas não a forma.
Terá razão o senhor. Pois a direita encosta-se, o governo é de “esquerda”, sobre o PCP. E o PCP já teria tido a vitória com as pequenas manifs anteriores. Não haja choque nisto. É verdade;) (Penso eu de que;)
Sem nenhum desrespeito para a Senhora Balseiro Lopes e todos os que não se enquadram no geral; estivemos perante uma manif organizada pela esquerda ortodoxa, extrema, passada, reaccionária, o que lhe quiserem chamar.
Trabalho no centro de Lisboa. Trabalhei sábado.
Desci para falar com as pessoas que faziam barulho, atravessavam a estrada, impediam o trânsito e faziam a delicia dos centros comerciais desde o antigo Monumental às Amoreiras de Taveira.
“Venho passear a Lisboa”
“Sou contra a avaliação”
“Não admito ser avaliado”
“Não gosto da Ministra”
“Votei neles fui enganada!”
- E os alunos perguntava eu???
“Isso não vem para o caso”
Enfim, injustamente pensava eu “Cambada de desocupados... Vão fazer barulho pra outro lado!”
Liga-se a RTPn a SIC Noticias... Ninguém coerente dá uma resposta aos jornalistas. Alguém terá ficado satisfeito com uma das respostas obtidas nos manifestantes? Eu não fiquei. Convido-os a deixarem o vosso relato.
De noite oiço a Ministra na SIC. O mau trabalho da razoavelmente boa jornalista. A Ministra serena, coerente, altiva. Sou um sucker por underdogs. Gosto dela. Grandes respostas. Ao mais alto nível. Do lado dos Professores só baixo nível. A ministra ao mais alto nível. Custa a crer que neste nosso país se vá levar uma coisa do início ao fim. Custa a crer que no nosso país haja uma classe que quer ter um tratamento diferente das outras, e as coisas estejam a ser manipuladas por forma a que haja simpática pública pelos mesmos. Exemplo? Pelos empregados do Metropolitano de Lisboa não há essa mesma simpatia. É tão legítima a sua luta como a dos professores?

O PCP reclama isso e sempre reclamará até que nós ocupemos esse nicho. Pois eles trabalham-no e ocupam-no. Mal ou bem, fazem por isso.
Onde estão os TSD? Como são representados ou defendidos trabalhadores com ideais sociais democratas? Ideais liberais?
Já repararam como “reclamar a nível laboral” é património da esquerda???????

Filipe de Arede Nunes disse...

Discordo profundamente do comentário do JFD!
A minha mãe também esteve presente na manifestação e nunca votou no PCP nem sequer é pertence a qualquer sindicato, tal como a esmagadora maioria das pessoas que lá estiveram.
Compreendo o protesto e genericamente até estou de acordo, em particular no que diz respeito à avaliação dos professores, não porque não concorde com a avaliação, mas porque não concordo com o método.
Relativamente aos outros assuntos, não posso falar. Não sou professor e não sinto na pele o Estatuto da Carreira Docente, o regime das aulas de substituição, etc.
Infelizmente, parece-me que existem muitas pessoas que falam do que não sabem. Acredito que é algo que, infelizmente, se tem vindo a generalizar.
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

jfd disse...

Obrigado por outro ponto de vista Filipe.

Eu faço então um pequeno disclaimer sobre a minha opinião:
Não tenho voto na matéria, nenhum conhecimento especial nem interesse pessoal. Não sei do assunto, para lá do que me é veiculado, nem tenho interesse em saber mais. Não quero moldar ninguém, apenas expor o que penso.
Acho que o PS está a fazer um grande trabalho para os futuros Governos do PSD poderem tirar os respectivos dividendos. E tenho para mim que todos os funcionários públicos deveriam ter a mesma bitola de avaliação e progressão, com as necessárias adaptações sectárias mínimas.

Paulo Colaço disse...

Ora cá está a minha oportunidade de dizer o seguinte: eu estive na Manif!

Pois foi!

Não levava qualquer bandeira na mão, levava a Guida. Sobretudo para não me perder dela. Eu explico: sábado foi dia de rally-paper da ELSA-FDL e nós participámos.

Uma das etapas passava pelo Terreiro do Paço. Foi quando me vi rodeado por gente de todas as idades, profissões e partidos. Tendo caminhado por ali (do Martinho da Arcada até à CML e percurso inverso), estou habilitado a dizer o seguinte:

- Muito possivelmente faço parte do número de manifestantes.
- Em cada 5 pessoas que eu via, apenas 3 seriam professores. Vi muita gente reformada, crianças de colo, filhas, filhos, netos e afins de manifestantes, mirones, turistas, etc.
- 3 em cada 5 pessoas dificilmente sabia explicar os motivos da sua presença ali.
- O PCP, BE e CGTP instrumentalizaram os professores para terem tempo de antena. Tiveram-no. Outros partidos, do arco governativo, ainda não perceberam que os portugueses mais facilmente confiam o voto naqueles que têm sentido de Estado que naqueles que se colam às modas.

Sobre as declarações de Octávio Teixeira, começo por dizes que o respeito muito mas não posso deixar de comparar o PCP à banda do Titanic.

Ambos tocam enquanto o navio afunda, ambos sabem que o navio está a afundar, ambos tocam afinados. A diferença? A banda do Titanic vai variando no repertório...

Tiago Sousa Dias disse...

JFD onde estão os TSD? Eu estou aqui mas há mais?!
Bom agora mais a sério. Já há muito tempo que não discordávamos pois cá vai.
Terás que saber distinguir a qualidade das pessoas que foram entrevistadas do conteúdo da Manif. A verdade é que 2/3 dos professores foram manifestar-se. Objectivamente deverá pensar-se que algo está mal quando 2/3 dos profissionais de uma classe vão para a Rua e quantos mais concordam com o teor da Manif mas não foram pelos mais variados motivos...

1 nota: ainda bem que foi num sábado, pois caso fosse durante a semana poderia pensar-se que era mais um dia "de folga". Mas não. Os professores poderiam ter ficado em casa a descansar ou passear mas vieram 2/3 para Lisboa mostrar o desagrado, o inconformismo.
Mas a verdade é que não obstante a participação dos sindicatos e mesmo de forças politicas, a verdade é que esta manifestação foi de base muito alargado e dispersa. O que significa que não há um representante; um porta voz escolhido entre a classe para representar e falar por todos. Nessa perspectiva e perante as entrevistas a cada um dos manifestantes in loco, é natural que uns falassem melhor e outro pior; que uns tivessem muitos motivos de protesto e outros só um motivo de protesto e no final a voz dos professores tenha saído mais dispersa, não una. Mas bottom line é que todos tinham algum motivo para lá estar. Os professores não estão satisfeitos e têm razão para isso.
Já quanto à Ministra não me digas que uma ministra que diz que os professores têm que se habituar à ideia de que quanto mais se manifestarem mais ela vai contra os seus intentos, sabe o que é o respeito democrático pela voz do povo. Aliás de democracia esta até sabe mesmo pouco ou não fora ela quem disse em tempos no inicio do mandato que os Açores não fazem parte da República Portuguesa apenas para justificar a aplicação de um acordão de Lisboa contrário a um dos Açores.
Mais, é sem dúvida uma resistente. Mas a resistência é uma caracteristica de dois tipos de pessoas: os casmurros e os seguros.
Segura de que estas medidas são as melhores ela não está, pois que ontem já se soube que a coisa é para fazer com tempo e não para este ano como estaria previsto. A mulher é casmurra e não consegue perceber que NÃO HÁ educação em Portugal com professores descontentes e desmotivados. Não é possível.

Paulo Colaço disse...

Tiago, é minha convicção (como digo no meu texto) que em cada 5 pessoas apenas 3 eram professores no activo.
Com estas contas, vejo muito dificil que tenham estado na manif 2/3 da sua classe profissional.

Mais: abstenho-me de cogitar sobre as motivações dessas 3 pessoas restante. Estou convencido que, pelo menos, uma em cada três não faz ideia dos motivos da manif.

Tiago Sousa Dias disse...

Nem eu nem ninguém saberá os números da manifestação. Quantos eram ou não professores... não sei. Mas quanto aos motivos da manif não. Havia uma pedra basilar a toda a Manif: a avaliação dos professores que nos moldes em que está não faz sentido.
Isso toda gente sabia. Terão depois havido milhões de motivos que cada um levava para adicionalmente protestar; outros motivo nenhum. Mas que naquele ponto em concreto a esmagadora maioria para não dizer a totalidade ou quase dos presentes sabia e protestou não tenho dúvidas

Paulo Colaço disse...

Tiago, uma parte substancial de entrevistados (e creio que de professores também) apenas critica o facto de não haver um período mais alargado de adapatção antes da aplicação da lei.

É um problema de timming, diziam...

Mais: se perguntares aos militantes do PSD que integraram a anterior comissão parlamentar de educação, nem todos te dirão mal da lei. Bem pelo contrário.

Não passei a ser amigo da Ministra mas há uma verdade para mim insofismável: a única "rua" que condiciona legitimamente o poder democrático é a "rua" que se manifesta nas urnas!

Os governos do PSD também tiveram graves gerais e manifestações mas não era isso que nos fazia mudar de Ministro.

Mais ainda: se o PM estiver convencido que a política educativa do seu governo está a ser seGuida à risca pela Ministra, a pior coisa que poderá fazer ao País é mudar de titular da pasta.

Morre o prémio para a perseverança, sai beliscada a prossecução de convicções. Quando tiramos um Ministro porque a "rua" no-lo ordena, não haveria nunca medidas de rigor.

jfd disse...

TSD;) mas a sério, que achas do sindicalismo na direita???

Tiago é um prazer discordar contigo!
Sabes comentar, dar espaço ao comentário e replicar. És uma mais valia neste espaço de diálogo que é o psicolaranja.

Ora bem, depois da graxa, a tempestade ;)

2/3 dos professores não faço ideia, nem quero saber! E espero que não seja, pois senão é uma muito má amostra.
Distinguir os entrevistados de quem dá a cara....
Ora quanto a isto tenho a dizer qd se aproxima um microfone dum grupo de pessoas que vieram organizadas de longe, e com um objectivo comum, é normal chegar-se à frente o mais articulado... Mas pronto, também tens a tua parte de razão.

Quanto ao que a Ministra diz Tiago, contextualiza o que ela diz.
Não te posso convencer da minha posição. Ela tem um trabalho ingrato que tem de ser feito.
E só iria ser feito depois de 2009 não era? Um CEO tem um trabalho ingrato, um CFO tb um Ministro também. Um PM que deixa “the heat” todo numa pasta, é genial!
Quando era puto fui-me manifestar contra a PGA e as propinas. Estúpido fui eu, que deixei-me deixar levar pela emoção. Fui carneiro nem sabia bem o que estava a reclamar. Mas no entanto caiu a Ministra. Bem me arrependo. Fui usado. Instrumentalização. Mas tive o prazer de ser dos últimos a fazer a PGA(!)


O meu ponto de vista é de baixo para cima... Não é a Ministra que tem de criar condições, mas sim os Professores e o infindável número de sindicados; estes é que têm de criar condições para que haja a tal educação em Portugal.
Sei que é muito fora de linha com o politicamente correcto dos dias que correm, mas que raio, quem é o patrão e quem é o empregado?
Que anarquia é esta? Que raio de apoios são estes que saem do meu partido a esta gente que só quer entropia no meu pais?

Mais claro não posso ser.
Esqueço o PS e o PSD e penso no mais importante Portugal. E o melhor neste momento, neste caso, é mão de ferro. Oxalá fosse nossa.

Paulo Colaço disse...

Na sequência do que acabei de escrever, relembre-se o meu segundo comentário neste post do Diogo: http://psicolaranja.blogspot.com/2008/02/o-poder-de-uma-sms.html

Dizia eu, nomeadamente:
« Com 4 canais generalistas, um canal de notícias 24 horas, tantos jornais, blogs, internet, e-mails que viajam à velocidade da luz, sms, tudo é conhecido, comentado e respondido num ápice.

Mas a minha contra-pergunta, Diogo, é esta: será correcto? Elegemos pessoas por quatro anos, não por dois ou três.
Será sério sujeitarmos ao stress da crítica (pessoal ou política) a meio de um trabalho? »

A qualidade da democracia também se mede pela serenidade. Se a classe política (oposição) promover estes actos de agitação para destronar Ministros está a dar as armas à sua futura oposição para fazer o mesmo.

Se eu começar a apelar à crítica gratuita a Menezes, dizendo que estou disponível para ir a votos contra ele, estarei a fazer o mesmo que ele fez mas estarei a ir contra aquilo que considero correcto. Sobretudo, estarei a justificar qualquer clima de guerrilha.

Uma nota final: costumo dizer que os principais interessados em acabar com a pena de morte e criar um ambiente "pró direito à vida", são os próprios ditadores. Se incutirem no povo a ideia da inviolabilidade da vida humana, mais facilmente escaoam à guilhotina se o regime virar...

Tiago Sousa Dias disse...

Ora bem... discordar do Colaço não é fácil; discordar do JFD também não... mas dos dois ao mesmo tempo a coisa complica um pouco... :)

Colaço disse:
Morre o prémio para a perseverança, sai beliscada a prossecução de convicções. Quando tiramos um Ministro porque a "rua" no-lo ordena, não haveria nunca medidas de rigor.

Concordo completamente com o que dizes que vem na sequência da ideia de que o voto se manifesta nas urnas. Ora, o que eu não concordo é com a ideia de que o voto nas urnas tudo legitima. Não é por este Governo ter sido eleito que tudo deverá ser pacificamente aceite. Errado.
Em primeiro lugar porque em Portugal os Governos ainda não são eleitos. São nomeados pelo Presidente da República. Os eleitores votam na composição da AR e a AR não tem programa. Depois quando o Governo apresenta o programa para o mandato, fá-lo à AR que o vota e nem aí indirectamente o voto do povo exprime a concordância com o programa por 2 motivos: 1- porque existe a disciplina partidária no voto parlamentar; 2- porque mesmo que o Programa de Governo fosse aprovado por voto popular a aprovação é global e não ponto a ponto. Ou seja, eu posso entender que o programa de Governo do PSD é o melhor e mesmo assim achar que numa determinada matéria relativa à educação o do PP é melhor.
A democracia deve ser entendida de uma forma dinâmica e quando se fala da necessidade de aproximar a politica aos cidadãos também devemos ver ao contrário; ou seja, os cidadãos devem esforçar-se por se aproximar da politica. A manifestação de sábado foi uma demonstração politica gigantesca e para o efeito não podemos exigir que todos os presentes sejam catedráticos em sistemas de ensino. O que se deve exigir é que mostrem o seu agrado e desagrado quando entenderem por força do seu papel de cidadania. Fizeram-no e muito bem.
Eu pessoalmente não concordo em absoluto com a medida porque não assegura condições objectivas de imparcialidade na avaliação dos professores. Percebe-se bem o que eu estou a dizer, julgo. Mas muitos dos presentes não saberão isso? Com certeza que não, saberão outras coisas que eu não sei. Muitos dos presentes votaram PS e portanto devem aceitar a Governação socialista? Sim, mas não se devem resignar quando não concordarem com a politica deste ou qualquer outro Governo.
O grande Presidente da JSD quanto a mim foi Pedro Passos Coelho que todos se lembram da coragem de enfrentar um Governo PSD com maioria absoluta porque pontualmente não concordou com o rumo politico do Governo. Fez muito bem. A democracia é assim, permite que toda gente vote sem que o voto seja o preço do silêncio.

JFD -
Sem dúvida que o trabalho da Ministra é ingrato e sem dúvida que lhe reconheço a força de o fazer; mas esse facto que respeita exclusivamente à personalidade dela e à sua capacidade de resistência, não se pode confundir com o mérito politico de fundo. A verdade é que também Manuela Ferreira Leite foi corajosa, talvez até mais que Maria de Lurdes Rodrigues, quando tomou uma medida ainda mais impopular. Na altura discordei do aumento de um imposto cuja taxa não é proporcional afectando mais quem, proporcionalmente, mais consome. Ou seja, tanto o Eng. Belmiro de Azevedo como o Tijaquim da Tasca, para viver precisa de comer e beber. Se ambos tiverem que gastar por mês nestes bens 500€ o valor do imposto aumentado (10€) tem muito mais impacto na economia de um do que do outro que além da parte disponível para consumo tem rendimentos disponíveis para aforro. Por isso entendo que a medida era errada e deveria ter, pelo contrário, libertar a parte do consumo para aumentar a possibilidade de aforro de quem tem menos e que se veio a verificar com Bagão Félix ao acabar com os beneficios fiscais.
Mas o facto de ter votado no PSD não me pode obrigar a ficar calado e manifestei a minha discordância... hoje de facto reconheço que eu estava errado e não fora a politica de Manuela Ferreira Leite estariamos bem pior, mas discordei e disse-o mesmo depois do meu voto.
Para resumir: devemos sempre tomar posição sobre o que sabemos ou pensamos saber independentemente da legitimidade democrática.
Desculpem mais uma vez a extensão do comentário.

Diogo Agostinho disse...

Colaço,

Percebo o teu ponto de vista, mas no que se refere a Menezes, ele capitalizou a derrota em Pombal! Ou seja, foi a votos e perdeu, mas nã perdeu por muitos. E de forma natural tornou-se o rosto da oposição. Hoje em dia, vivemos um tempo conturbado em que não há rosto, não existe de todo uma opção que se saiba, existem vozes discordantes e claro que não se apresentaram nunca a eleições.

Parece-me claro que quando se tem um projecto e vontade liderar o PPD-PSD deve-se sempre ir a jogo, e se perder não acabou tudo, basta esperar e criticar...todos os derrotados que se candidataram a Presidente do nosso partido chegaram lá! Todos!

Margarida Balseiro Lopes disse...

Como Paulo já referiu, eu estive na manifestação. Por motivos alheios à mesma, mas ainda que o não fosse muito possivelmente teria participado. Não faço parte da classe, mas conheço o suficiente dos diplomas e reformas em curso (muito por influências familiares, mas mais pelo interesse e paixão que o tema me merece) para me sentir legitimada para criticar e indignar-me com o embuste que é a nossa ministra da educação.

Na manifestação estiveram muitos milhares de professores. E, concordando com Maria de Lurdes Rodrigues, este é um sinal muito grave, independentemente da guerra dos números.

Instrumentalização dos professores pelo BE ou PCP? Por favor. Falassem com metade dos professores da manifestação e perceberiam o sentimento de revolta e de injustiça que esteve presente no Terreiro do Paço. Aliás, PSD colocou-se ao lado dos manifestantes, designadamente os TSD (tanto a organização como o próprio Tiago Sousa Dias :p). Não é com autismo, insensatez, cegueira, e autoritarismo que se fazem reformas, principalmente na Educação. O ME já está em negociações com a FENPROF para algumas alterações. Era inevitável. O próprio Conselho Nacional de Educação (recordam-se como são escolhidos os seus membros?) já se tinha manifestado pela impraticabilidade destas reformas nas escolas!

Qualificar os intervenientes educativos de patrão (ME) e empregado (professores) parece-me excessivamente maniqueísta. Cada vez mais nos esquecemos dos mais importantes: os alunos.

Tânia Martins disse...

Quanto ao vídeo que a Margarida aqui mencionou, achei engraçada a atitude da senhora que estava mais concentrada em mostrar a cor da sua bandeira do que lutar pela causa em questão. Teria sido mais relevante que mostrasse o cinzento que o simbolismo daquela bandeira tem vindo a deixar ao país!

Como diz a Margarida e bem, está a haver um esquecimento muito grande da principal causa de existir educação: os alunos! Gerou-se um conflito entre Ministra e professores e parece só existir isso à frente. Os professores vão dar aulas desanimados e sem vontade, quem arrecada com as consequências são os alunos. Estes, por sua vez, nem sequer compreendem exactamente o que se passa à sua volta.

Acho bem que façam negociações para chegar a um consenso. Li, de passagem num quiosque, salvo erro no Expresso, que este regulamento só será aplicado no próximo ano lectivo. Bem se assim for, parece-me uma decisão bastante consciente!

Nélson Faria disse...

Foi uma grande manifestação e é sempre bom ver as pessoas a mexerem-se em torno de algo que ultrapassa o interesse de "um". Nem todos estavam pelo mesmo e nem todos estavam completamente informados. É uma manif.

Muitos não querem ser avaliados como está previsto e saíram à rua. Foi um exercício saudável.

P.S. É sempre curioso ver pessoas defender algo a bem de Portugal mas não saberem o que estão a defender nem porque o defendem... tem piada.

João Marques disse...

É pá, desculpem lá mudar o tema mas tenho de dizer isto senão expludo. E como não quero monopolizar os posts, mas também não quero que digam que sou um papagaio do Pacheco Pereira (não vá ele lembrar-se de dizer isto) aqui vai.

Como é que alguém que parou por completo a revisão do programa do partido que, melhor ou pior, estava a ser feita, vem agora proclamar a fénix.
Mudar a imagem é bonito, faz um número mediático, do ponto de vista do marketing é capaz de funcionar, no entanto só demonstra a pobreza franciscana das ideia(i)s de Menezes e sua "entourage".

Quer mudar Portugal? Com quê, com powerpoints, novas cores e "catch phrases"? Isso já temos no poder obrigado.

Elevar à condição de essencial o acessório caracteriza as actuais "elites baronescas novas ricas" do PSD.

Lá diz a música "Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado".

Vermouth disse...

Movido pela curiosiedade, pela espectativa de ver 100 mil pessoas numa manif. e de máquina fotográfica na mão, para registar este momento da sociedade cívil, lá fui ver a dita "marcha da indignação". No entanto pergunto-me: porque é que esta esquerda marxista "democrática" quis tirar proveito, de uma reivindicação social de uma classe profissional multi-partidária? Porque é que houve este aproveitamento político? Simples. A esquerda portuguesa reivindica sempre para si, todo e qualquer tipo de manifestação pública ao bom estilo do PREC. Na "marcha da indignação" vi caras conhecidas. A Ana Avoila, o Miguel Portas, o Daniel Oliveira, a mulher do António Costa e até a trupe do PCP em frente ao centro vitória vangloriando-se de algo, que excedia notóriamente os meros propósitos partidários. Mas pergunto, porque é que a direita democrática em Portugal, se afasta destas acções supra-partidárias? Onde andarão os TSD... Espero em breve encontrar essa resposta.
.
Quanto ao que mencionas João no último comment, acho que a expressão "vazio de ideias", vai bem ao encontro do que disses-te...

Nélson Faria disse...

No seguimento da discussão aqui ocorrida sugiro que leiam a SÁBADO de hoje, que da página 70 à 76, tem Maria Filomena Mónica numa análise interessante e na primeira pessoa do protesto.

Em traços gerais desmente que fosse só esquerdalha, que muita gente "bem" andou por lá, que os professores querem ser avaliados mas não da forma que o Governo sugere.

Não sei qual é a questão com os TSD, eu acredito no papel que os sindicatos possam desempenhar, acho que não estão preparados para um convívio saudável. Mas temos de ser nós, quando sindicalizados, que temos de mudar as consciências. De dentro para fora.

jfd disse...

I told u so....
Gosto particularmente como acaba este artigo. LOL
Sindicalistas.... humpft....

http://dn.sapo.pt/2008/04/14/sociedade/professores_criticam_recuo_sindicato.html

Os professores estão divididos. As associações cívicas de docentes contactadas ontem pelo DN garantiram que o entendimento alcançado entre o Ministério da Educação e a plataforma sindical do sector representa uma "cedência preocupante" ao modelo de avaliação defendido pela tutela. Entre os professores já há quem fale em utilizar o Dia D, que se realiza manhã nas escolas, para pressionar os sindicatos a não assinar o acordo com o Governo, agendado para quinta-feira.

Numa altura em que a plataforma sindical ainda clama vitória nas negociações com o Ministério, o porta-voz da Associação de Professores em Defesa do Ensino adianta ao DN que os docentes têm poucas razões para festejar um acordo que é "conivente com a avaliação defendida pela ministra".

Para Mário Machaqueiro, os sindicatos não podem falar em vitória quando o Governo não tinha condições para avaliar todos os professores e seria sempre obrigado a avançar apenas com o regime simplificado este ano. "Com este memorando de entendimento, os sindicatos estão a colocar em causa as condições que existiam entre os professores para se lutar pela suspensão do processo este ano", lamenta Mário Machaqueiro, que em alternativa defende a negociação do sistema de avaliação durante todo o próximo ano lectivo.

Vitorino Guerra, do Movimento em Defesa da Escola Pública, é ainda mais crítico e defende que o acordo alcançado na madrugada de sábado não representa o mais pequeno sucesso para os sindicatos. Bem pelo contrário. "Os professores foram para a rua lutar contra o estatuto da carreira docente, o concurso para definição dos professores titulares, contra o novo modelo de gestão escolar e, claro, contra a avaliação. O que se percebe é que agora se chegou a um memorando de entendimento que não contempla nenhuma destas questões", constata Vitorino Guerra, que pertenece ao movimento que organizou as vária s manifestações espontâneas nas vésperas da Marcha da Indignação. Face a estes resultados, o professor de Leiria acredita que a única parte vitoriosa das negociações foi a do Ministério da Educação, que levou ao "recuo dos sindicatos".

Resolver a confusão

A todas as críticas, Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof e porta- -voz da plataforma sindical, responde com pragmatismo. "Limitámo-nos a perceber que havia uma aplicação descontrolada da avaliação nas escolas, em que já eram menos as que estavam paradas do que as que estavam a avançar a ritmos diferentes e que agora têm de parar. Desta forma, defendemos os professores e ainda contemplámos a hipótese de o modelo ser revisto em Junho do próximo ano, no final da primeira avaliação". O que para Vitorino Guerra representa o legitimar do modelo do Governo, "pois não se pode criticar a aplicação de algo que já foi posto em prática".

Em relação à criação de uma nova categoria salarial, Mário Nogueira assegura que ela visa penas equiparar o topo da carreira dos professores à dos técnicos da administração pública, embora Vitorino Guerra lembre que ela também tem como objectivo recompensar professores que exerciam cargos públicos, "nomeadamente sindicais". Afirmação que para Mário Nogueira é "reveladora de ignorância", já que a medida pretende apenas "salvaguardar direitos salariais previstos desde 1986 sem que aumente a duração das carreiras, pois o tempo nos escalões torna-se mais curto".

Mário Machaqueiro junta-se aos argumentos do Movimento em Defesa da Escola Pública e acrescenta que a plataforma sindical nunca deveria ter concordado com a recolha de todos os elementos constantes dos registos administrativos da escola. Segundo este docente "isto vai legitimar o início da avaliação em Setembro, no princípio do ano lectivo".

A divisão entre associações profissionais e os sindicatos surge na véspera do Dia D. Como Mário Nogueira explicou ao DN, a iniciativa vai servir para explicar os pontos do documento de entendimento a ser assinado com o Ministério da Educação e para traçar reivindicações em relação ao estatuto da carreira, modelo de gestão e regime do ensino especial. Já para o Movimento em Defesa da Escola Pública e o Movimento Escola Democrática, de Coimbra, vai ser usado para criticar o acordo e exigir à plataforma sindical que não assine o entendimento. A união entre os professores que levou cem mil pessoas às ruas de Lisboa na Marcha de Indignação, está posta em causa.