segunda-feira, dezembro 03, 2007

Socialismo do Sec XXI? Não Obrigado!

Para todos vocês que têm o fetiche Hugo Chavez fica aqui a frase que ouvi hoje de manhã na rádio.
"O povo da Venezuela escreveu hoje páginas da história" Silva Peneda @ TSF 7 e picos

25 comentários:

jfd disse...

Venezuela
Chávez admite derrota no referendo e felicita partidários do «sim»
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, admitiu hoje a sua derrota no referendo de domingo de que saiu vencedor o «não» à reforma socialista da Constituição, felicitando os seus opositores pela vitória
@ sol.pt

jfd disse...

E diziam vocês que o senhor não era um democrata :)

Tiago R Cardoso disse...

fiquei satisfeito com a noticia, mas cuidado com as frases que ele deixou no ar.

jfd disse...

Caracas, 03 Dez (Lusa) - Milhares de venezuelanos saíram hoje às ruas do leste de Caracas para celebrar a vitória do "não" no referendo de domingo sobre a reforma constitucional proposta pelo presidente Hugo Chávez.

Cerca das 04:00 horas locais (8:00 horas em Lisboa), quase três horas depois de o Conselho Nacional Eleitoral ter divulgado os resultados, formaram-se cortejos automóveis, com buzinas, foguetes e tambores, pelas avenidas de Las Mercedes e Chacao.

Em Altamira (Chacao) os opositores à reforma constitucional ocuparam a Praça de França, local emblemático para a oposição, pois foi ali que em 2002 dezenas de militares se declararam em desobediência ao regime do presidente Hugo Chávez.

Os manifestantes cantarolavam canções em apoio à RCTV, o mais antigo canal de televisão do país, forçado a deixar de transmitir em finais de Maio último porque o presidente venezuelano decidiu não renovar a licença, argumentando que era "golpista".

Também canções alusivas ao futuro, com expressões como "eu fico na Venezuela porque sou optimista" e "não há mal que dure 100 anos", se ouviam pelas ruas do leste da capital.

Em contraste com o que acontecia naquela zona da capital e em diversos Estados venezuelanos, as ruas do centro de Caracas, onde tradicionalmente se concentram os simpatizantes do presidente venezuelano, permaneciam vazias, contando-se pelos dedos os escassos veículos que passavam.

FPG

Lusa/Fim

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/DH2A%2FLaSP7t1cbWon6v0cw.html

Paulo Colaço disse...

Hurra!
Das várias frases que li sobre o assunto, umas mais jocosas que outras, uma há que quero partilhar:
"O PCP já mandou colocar a bandeira a meia haste pelo desaire do amigo Chavez".

E vivá democracia...

jfd disse...

LOL PC :)
Tem dias, tem dias;)

Paulo Colaço disse...

Sim, terá dias, caro jfd, mas será que tem Sousa Dias?
(sorry, não resisti a esta private)

Francisco Castelo Branco disse...

É bom acordar e ouvir noticias destas!
Espero que agora seja o principio do fim do chavismo....
Ou do socialismo do século XXI
Vêm aí certamente tempos de mudança

quintarantino disse...

Chávez perdeu um referendo e muito bem, na minha modesta opinião.
Agora, pergunto-me eu: Silva Peneda estava lá como observador ou membro de algum partido da Oposiçao?
Se estava como observador não é suposto manter-se neutral?
Este post teria ficado bem se acompanhado de uma breve referência que fosse a outro tiranete: Putin.

jfd disse...

Caro Quintarantino

Certamente outro psicótico se pronunciará sobre Putin.
Mas atenção a meu ver não se trata de nenhum tiranete.
Trata-se de algo muito preocupante, grave e deveras assustador!!!

polvo disse...

O mesmo Silva Peneda que à chegada à Venezuela recebeu um cartão como observador pelo "Não" ao referendo. Nisso o Chavez teve muito humor.

Fiquei muito satisfeito com os resultados. A via socialista perdeu pela primeira vez em longos anos uma batalha na América Latina e isso é um regozijo para todos os que acreditam na economia de mercado, na livre iniciativa e numa democracia plural e participada.

O saldo do fim de semana é só um: a democracia musculada Russa é muito mais eficaz que a Venezuelana. LOLOL

joana simões disse...

bem, os meus parabéns ao povo venezuelano!!!
sim, efectivament deve ter sido um duro golpe para o Presidente Chávez. considero que ele é um ditador, senão por que haveria ele de pensar que pode censurar os meios de comunicação e governar a Venezuela até 2050 (mesmo que fosse a votos)?

Tiago Sousa Dias disse...

Tem Sousa Dias tem.
Acho o Homem um ditador que não quereria ter à frente do meu condomínio sequer.
Mas uma coisa é certa, o que ele faz é errado, mas a forma parece-me razoável. Ainda não se ouviu uma palavra de guerra de Chávez. Que hajam psicoses ditaturiais como as deste senhor ainda no séc. XXI, compreendo muito mal; que hajam obcecados pelo medo de ser afastado mudando as regras do jogo à medida dos acontecimentos compreendo melhor, ou não fora o exemplo mais timido do nosso actual Governo. Agora em toda a minha incompreensão e profunda discordância com o fundo deste tipo de pensamento, ao menos valha-nos o facto de não ser um ditador de guerrilha.

Tânia Martins disse...

Tendo em conta que não tenho nenhum fetiche por Chávez não comento a frase :p, não é por isso mas pelo simples facto de o problema ser o facto do povo da Venezuela estar sempre a fazer e a entrar na História, pena é que seja sempre em situações menos positivas!

Duarte Serrano disse...

Após a queda da URSS longe estavam os analistas políticos que anteviam o fim da história de acreditar que neste mundo enquanto há vida há política há conflituosidade. Em política a máxima de que um espaço de poder vazio é logo preenchido por outro actor deve ser tomado em linha de conta. Em suma não existem espaços de poder por ocupar. Porém a conflituosidade dos nossos dias nem sempre nos dá a possibilidade de interpretar as ameaças no Sistemas Internacional (S.I), a URSS deixou de existir mas dos seus despojos brotaram novas ameaças e desafios tais como: a ameaça nuclear por parte de grupos não estaduais; o que será a Rússia no Século XXI; ou mesmo a função dos EUA depois de um mau planeamento e gestão na guerra do Iraque. Isto tem muito que ver com o (in)constante fenómeno Chávez.

A Rússia nunca viveu um período de uma democracia liberal como esta é entendida no Ocidente, talvez seja uma premissa errada a de levar aos povos “bárbaros o fogo” quando estes se adoptam ao frio. O período de 1991 a 2000 marca a subida ao poder de Vladimir Putin e a transformou da Rússia numa economia feudal de oligarcas. A corrupção a nível institucional é um dos focos de cristal da Rússia actual, com mais de 600mil novos funcionários públicos na era Putin o gigante Estado não para de crescer. Desde o tempo dos czares que a Rússia é uma oligarquia o próprio comunismo com o Politburo era uma oligarquia, ainda que diferente da realidade chinesa, mas com total domínio sobre a Rússia. Não foi Putin que criou o regime de oligarcas mas Yelstin, ainda que não fosse tão conservador como Putin foi este que o nomeou seu sucessor.

Uma esmagadora maioria por parte do partido de Putin revela que a Rússia não é nem quer ou pode ser uma democracia liberal. Portugal só atingiu esse patamar a partir da primeira revisão constitucional de 1982, de S. Bento ao Kremlin vão anos de história nos quais em Portugal como em todos os Estados da Europa Ocidental nunca houve escravatura de nacionais.

O futuro a Deus pertence porém ainda iremos ouvir falar muito no senhor Putin, agora que o pano cai e a plateia aplaude Putin vai dar as indicações aos seus figurantes. A Rússia do século XXI vive num limbo entre os anos de hegemonia internacional e o pós comunismo. Na sua procura de dominação regional que não será simples de refrear, num mundo multipolar este actor não pode nem deve ser subestimado.

Mas não é só na Rússia que podemos notar inquietações, na Venezuela está longe de ter saído de cena Hugo Chávez. A sua política externa entra em choque com aquilo que sempre foi a “doutrina monroe”. Os seus ataques aos EUA como um “império do mal”, nem da parte dos americanos inédito no seu “axis of evil”, agora achar que na América latina os EUA deixaram de exercer a sua influência é puro idealismo. Mesmo que a intervenção a nível internacional dos EUA seja diminuída pelo logro da guerra no Iraque, mesmo que o isolacionismo defendido por algumas elites americanas vença, o que não vai ser em catadupa ou mesmo nos próximos anos, caso os EUA queira manter a sua hegemonia cada vez mais contestada e atacada. Chávez ficou com 49% dos votos a favor e 51% contra. Perdeu a batalha mas não a guerra. No seu comunicado deixou bem claro que não votaram três milhões de pessoas que, segundo ele, iriam certamente votar a favor da referenda constitucional caso o tivessem feito. Até 2013 tem tempo para se adaptar e alterar este desaire, e será isso que vai fazer…

Um novo socialismo não me parece o melhor termo, porque esses países como a Venezuela usam o nacionalismo económico, pelo facto de possuir altas reservas de petróleo. O socialismo por definição é uma passagem para o comunismo e não tem nacionalismo mas uma ideologia de partido de vanguarda que aspira a revolução mundial contra o capitalismo. Chávez é regional, o seu projecto é para a América do sul. Na Rússia também podemos ver o nacionalismo económica a funcionar ainda que sem uma carga ideológica mas com uma ambição regional e de longo prazo de recuperar o lugar perdido.

Em suma a questão nuclear na Rússia e a falta de fiscalização deve ser um assunto mais premente. A Organização para a Segurança e Cooperação Europeia (OSCE) determinou que eleição foi ilegal sofrendo para o efeito manipulações. No mais vasto país do mundo é complicado levar a cabo tais medidas como Ocidente e mesmo levar os russos e telas em linha de conta. Com isto podemos considerar que longe estão os dias que em os analistas políticos e o público em geral não tenha de se preocupar com o que se passa do outro lado do mundo, a isto chama-se o fenómeno da globalização.

jfd disse...

Caro Serrano
Clareza cristalina

Mais acrescento, se me permite; ainda mais importante que a questão do nuclear é a questão da energia. O abrir e fechar da torneira a seu bel prazer... Isso sim!

Paulo Colaço disse...

Viva Duarte!
Sê bem-vindo a este teu espaço.
Que venham mais comentários (creio que este foi o maior que o Psico alguma vez teve). Se não forem mais concisos, que sejam, pelo menos, tao genuinos e ricos em conteúdo quanto este.

Anónimo disse...

A estratégia supostamente democrárica de Chavés encaixa perfeitamente numa tentativa de trasmitir uma boa imagem do seu governo... Cai muito bem, depois da triste figura que fez na XVII Cumbre Iberoamericana e das criticas internacionais ao seu regime, sofrer uma pequena e insignificante derrota num referendo. Nao sou entusiasta convicta de teorias da conspiraçao. No entanto, o mais provável, é que todas as noticias a respeito desta personagem, a eliminar do contexto político internacional, sao manipuladas por "Sua Excelencia". Penso que há pouco conhecimento do que realmente se passa na Venezuela e seria benéfico percebe-lo de modo a denunciar concretamente todas as práticas anti-democraticas a que este país está submetido.
Maria Pereira de Almeida

Paulo Colaço disse...

Bem-vinda, novamente, cara Maria.
A ti e ao Duarte recomendo que criem perfis de blogger para poderem comentar usando identidade não "clonável".

Subscrevo o que dizes: nao sou adepto da teoria da conspiração, mas parece que os dois passos que Chavez deu atras foram apenas uma tomada de balanço...

Paulo Colaço disse...

Há pouco não disse, mais eis a frase que é importante lembrar: o Povo nem sempre sabe o que quer mas sabe quase sempre o que não quer.

Tomás AR disse...

Caros amigos,
finalmente tenho a honra e o prazer de me juntar à vossa reflexão neste já (re)conhecido blog psicolaranja.
Sobre Chávez acrescentaria só uma ou duas notas sobre a sua linha política e o seu posicionamento ideológico.
O nosso querido Estadista venezuelano diz-se socialista,mas do século XXI. Mas que diferenças encontramos, pelo menos verdadeiramnte decisivas, entre ele e os seus antecessores (esses primitivos do século XX ainda fascinados com a invenção da roda)? Bom, a palavra petróleo é uma palavra moderna e para Chávez o seu instrumento de coesão social. Chavez acredita numa admnsitração pública que obedeça ao modelo prestador de serviços; Chávez acredita numa legislação laboral rígida nada atractivo para investimento estrangeiro; Chávez é contra a globalização mas usa-a e alimenta-a todos os dias com o sua incontinência verbal propagandística e boçal; Chávez gosta de impostos altos e despreza o discurso de teor meritocrata e de inspiração liberal: desiste da luta pela igualdade de oportunidades e menospreza a queda de bem estar-social resultante do seu discurso legimitador da incompetência e falta de ambição; e claro, Chávez vê a constituição como um instrumento nominal e não normativo: não restringe o poder político, antes legitima-o nas duas diferentes metamorfoses.
Chamam Chávez de tonto, de cretino, de oligofrénico...o que dizer então dos nossos queridos socialistas que querem tudo isto sem petróleo? È que Chávez já percebeu que é preciso subsidiar( e logo que palavra escolhi!) este disparate com o ouro negro. E nós que não o temos? Quem o paga?
Aos que apelidam Chávez de tonto, a esses respondo: tragam lá o petróleo e vejam oue acontece por cá...
Tomás Almeida Ribeiro

Paulo Colaço disse...

Caro Tomás, sê (finalmente) bem-vindo ao mundo psicótico.

Trazes uma perspectiva importante: Chavez não nasceu tonto - os meios é que o tornaram assim.

Que meios? Um povo habituado a sofrer (os sul-americanos saltitam de jugo autocrático em jugo autocrático) e o petróleo, que tudo permite e a tudo incentiva.

No entanto, caro Tomás, tenho dúvidas que o petróleo deslumbre tudo e todos. Quero acreditar que nem todos se deixam levar.

Tiago Sousa Dias disse...

Bem... o Hugo Chávez deve ter lido o meu comment neste post. Vai daí diz uma bacurada e logo de seguida toma uma postura dignissima de cidadão democrata (. Transcrevo:

1- Fiquem lá com esta vitória de merda!

2- O canal CNN colocou a minha cara ao lado de Bin Laden. Terá que responder no local próprio: O Tribunal!

Paulo Colaço disse...

Tiago, não deixa de ser um democrata porque ao reconhecer que os opositores tiveram uma vitória (ainda que de merda) fez mais que o PCP, que em tantos anos de história nunca reconheceu aos adversários qualquer triunfo (de merda ou de outro jaez). :)

Nélson Faria disse...

Bom, a palavra petróleo é uma palavra moderna e para Chávez o seu instrumento de coesão social.

Genial Tomás!