terça-feira, dezembro 11, 2007

Exactamente o que eu defendo

Mais uma vez, o nosso PM, num hábil contra-ataque aos avanços da oposição, fintou o PSD. Refiro-me à proposta apresentada no debate parlamentar sobre a autonomia, gestão e administração escolar.

O que há de novo?
O director executivo de cada escola passa a ser escolhido por concurso pelo Conselho-geral (uma espécie de Conselho Municipal da Educação), tendo que ser obrigatoriamente um professor qualificado para o efeito. O director será assessorado por vários adjuntos, sendo clara a perda de importância dos carcomidos corporativismos que teimavam em subsistir nas nossas escolas.

O projecto de Lei apresentado pelo PSD defende que a escolha do novo director executivo escolar deverá passar por concurso público, proposta que foi já catalogada de “absurda” pelo líder do partido.

Incoerências à parte, saúdo a boa medida tomada por este governo que põe fim a um dos óbices da nossa Educação.

32 comentários:

Goreti Martins disse...

"3 objectivos principais: abrir a escola, reforçando a participação das famílias e comunidades na sua direcção estratégica; favorecer a constituição de lideranças fortes nas escolas; e reforçar a autonomia das escolas."

É caso para dizer: "Porreiro pá!"

Speeder_76 disse...

Vamos ser honestos: com esta manobra, o PM anda a neutralizar as iniciativas da oposição. A lei em si é boa, pois está englobada na autonomia das escolas.

Nâo estou a assistir ao debate, mas provavelmente a oposição quer mas é ouvi-lo a falar sobre os assassinatos na noite do Porto... que imediatismo! Que ânsia securitária!

Tiago Sousa Dias disse...

Porá Maggie? Não acredito. Acredito muito mais na capacidade do vício em se moldar a novas realidades...

Paulo Colaço disse...

Era já uma matéria defendida pela JSD: a profissionalização da gestão escolar.
Dizia a JSD: "o professor fez-se para ensinar; para mandar em dinheiros criou-se o gestor."

As escolas são realidades demasiado complexas para serem geridas apenas por uma das partes (professores). Havia um corporativismo que até aqui amedrontava. Será este o início do seu fim?

Não estou a seguir o debate parlamentar. Haverá alguém em frente de um televisor?
Gostava de saber como se está a sair o nosso líder de bancada. É desta que justifica o lugar?

Margarida Balseiro Lopes disse...

Tiggy,

com mais dificuldade, certamente. O que se vivia até aqui catalogo de escandaloso. Presidentes do Conselho Executivo, professores eleitos por professores, sem qualificação em administração escolar. Que isto indicie um novo paradigma!

Margarida Balseiro Lopes disse...

Bem-vindo a este teu espaço speeder (ou Paulo para os amigos!). Deixa-me dizer-te que acertaste no alvo: as nossas primeiras considerações foram para a Cimeira e para a questão da insegurança. Quanto à "neutralização" que referes: em cheio!

Tânia Martins disse...

Concordo que tenha de haver uma formação para quem dirija uma escola, no entanto haver uma espécie de órgão deliberativo na decisão do director da escola já não me parece bem, penso que deve continuar como tem vindo a ser, os próprios docentes dessa escola a votarem!

Quanto à proposta do PSD de ser em concurso público não qualquer tipo de lógica!

Margarida Balseiro Lopes disse...

Quanto ao balanço das sucessivas medidas tomadas pelo ME:

As actividades extra-curriculares implementadas como o inglês e a música e a duplicação do número de cursos profissionais, sem dúvida, que são um passo significativo para nos aproximarmos dos níveis de exigência e de qualidade dos sistemas de ensino dos restantes estados-membros;

As aulas de substituição continuam a ser aulas recreativas, pelo que não se traduzem numa efectiva melhoria do nosso sistema de ensino;

No que concerne aos docentes e à sua carreira, julgo residir aqui o erro mais grave deste ME: instaurou um clima beligerante entre os professores, com frenéticas corridas ao título de “professor titular”;

Quanto à redução da taxa de insucesso escolar, propagandeada por Sócrates, é uma hábil manobra de cosmética: reduzem-se os exames, flexibiliza-se o regime de faltas e “voilà”: menos alunos retidos!

Francisco Castelo Branco disse...

Gostei do debate ao qual assisti ao vivo.
Na minha primeira vez os principais protagonistas estavam em posições diferentes.
Acho que mais uma vez, o lider parlamentar laranja divergiu da posição do lider do PSD.
Quanto á questão da Educação não consegui apanhar muito bem, para mim não faço qualquer comentário sem ter informação privilegiada.

Só posso assegurar-vos que o PM continua a ganhar os debates parlamentares..............
Penso que não era so Mendes

António Pessoa disse...

Nao vi o debate, mas fico à partida apreensivo por não se ter debatido a sério o tema da insegurança. A educação é muito importante, mas com a violência que tem havido é preciso reflectir e tomar medidas.

Bruno disse...

A proposta de Lei parece-me positiva, na sua essência. Falta saber o que quer dizer "qualificado para o efeito"...

Quanto ao debate mensal:

- Santana parece um principiante. Não se reconhece. Incrível!
- Portas esteve bem. Apesar da demagogia continua a ter uma forma de intervir clara e perceptível para a maioria das pessoas e a sua convicção marca pontos;
- Sócrates deixou-se enervar um pouco, como de costume, mas acabou por sair muito por cima. Como de costume. A mim, continua a fazer-me confusão o facto de ele não responder à esmagadora maioria das questões e ninguém falar disso...

Margarida Balseiro Lopes disse...

Tio Bruno,

"Qualificado para o efeito" é, a título de exemplo, com um curso de administração escolar, participante assíduo em acções de formação, etc.

Francisco Castelo Branco disse...

Pois é Bruno.
Concordo contigo em tudo.
O novo regulamento da AR, permite ao PM gastar o tempo nas questões.
A partir dai se alguém faz uma questão, ele NAO pode responder....

Não é que não queira, mas NAO pode.......

Bruno disse...

Pois é Francisco, e ele bem que faz questão de o gastar sem responder a nada para depois ter a desculpa de... voltar a não responder.

Obrigado sobrinhada Margot! Assim acho bem. Temia que a qualificação fosse algo mais "vago".

Fernando Lopes disse...

Concordo com a proposta do PM. O actual modelo está esgotado - só é eleito quem não for exigente e a regra é a de "deixar-andar" ou, em alternativa, abusar-se do poder, aleatoriamente e sem consequências. Tem de haver responsabilização na gestão escolar.
Quanto à posição do líder do PSD, contraria a posição do líder da bancada, que já assumiu que votaria a favor da proposta do PM. Incoerências da bicefalia partidária...

Paulo Colaço disse...

Ena ena: acho que é o primeiro psico-pai a comentar neste nosso espaço.
Seja bem-vindo ao Psicolaranja, estimado sogro!

Estou demasiado cansado para acompanhar qualquer raciocinio lógico, mas pela manhã (munido das notas de imprensa) tentarei falar um pouco do frente-a-frente Santana Vs Sócrates.

Nélson Faria disse...

Pena que o governo insista que tenha de ser um professor a ocupar o cargo.

Quanto ao debate (sem ter visto):

Para a oposição o ganhar os avaliadores terão sempre de ser muito generosos. O debate institucional favorece sempre o poder.

Goreti Martins disse...

Eu vi partes do debate e achei o Santana de facto fraco. Até o Socrates mandou a boca de ele ter ficado em segundo lugar.

Agora concordo totalmente com o Bruno, Socrates continua a conseguir, com sucesso, fugir às questões que lhe são apresentadas. A oposição não sei porque parece fechar os olhos.

Não gostei de ver a nossa bancada...

Nélson Faria disse...

Deturpando em absoluto o post da Margot, na imprensa o PSD não fica mal. Quer RTP ontem à noite (fui agora ver à net ;), quer Público e DE.

Margarida Balseiro Lopes disse...

Né, então discordo das análises feitas pelas 2 estações de televisão, tal como diz o Bruno, Santana surpreendentemente parecia um principiante em todo o debate. Quanto às respostas que Sócrates teima em não dar: inacreditável!

Vermouth disse...

Quem esteve este ano na UV.2007, acho que teve a oportunidade de ver uma boa proposta neste dominio. ;) Na minha opinião, melhor do que a do presente Executivo...

Nélson Faria disse...

Eu só estive lá nos últimos dias (6a em diante) :(

O que defendia a proposta?

jfd disse...

Uma ida à piscina?

Paulo Colaço disse...

Volto a este tema para dizer que estou com o Né: prefiro não professores à frente das escolas.

Margarida Balseiro Lopes disse...

Eu continuo a preferir docentes qualificados: quem melhor que estes para percepcionar os problemas e soluções de um estabelecimento de ensino com todas as suas especificidades?

Paulo Colaço disse...

Ter um professor a mandar na escola é como estar um delegado sindical a gerir a empresa.

Nélson Faria disse...

Um gestor não é alguém que toma decisões: é o indivíduo que, perante objectivos, apresenta os cenários mais eficientes de forma a atingir os objectivos da instituição.

Não devemos ter medo da profissionalização da gestão: é a especialização que dá cartas no século XXI.

Os professores são demasiado corporativistas para terem a "larger view" do futuro de uma escola.

jfd disse...

"Um gestor não é alguém que toma decisões"... :P

Margarida Balseiro Lopes disse...

Pelo facto de haver um corporativismo assustador entre o pessoal docente é que surgem este tipo de órgãos que fiscalizam o seu trabalho directivo.

Isso não invalida que estes mesmos professores desenvolvam um trabalho verdadeiramente notável à frente de milhares de estabelecimentos de ensino, na escolha dos projectos educativos mais adequados para os seus alunos.

Acredito convictamente que a especificidade de uma boa gestão escolar caberá necessariamente a um professor qualificado, que a comunidade educativa e local entender ser a pessoa certa para dirigir os destinos das nossas escolas.

Nélson Faria disse...

Acredito convictamente que a especificidade de uma boa gestão escolar caberá necessariamente a UM QUALQUER CIDADÃO qualificado, que a comunidade educativa e local entender ser a pessoa certa para dirigir os destinos das nossas escolas.

Não vejo a mais valia em ser um professor. Só vejo desvantagens. Quero alguém qualificado para gerir as nossas escolas, que é o que não se passa. Esses milhares de estabelecimentos bem geridos devem ser noutro país. Há boas gestões, a maior parte delas é sofrível.

Elsa disse...

Muito já aqui foi dito.
Não vou repetir argumentos. .
Defendo a profissionalização da gestão das escolas. Quem diz das escolas diz de hospitais e por ai fora. As instituições precisam de uma gestão saudável e eficiente. Não significa que não hajam professores qualificados.Existem algumas boas gestões que confirmam a regra

Paulo Colaço disse...

Usando uma expressão que adoro: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!

Professores nos conselhos pedagógicos: sim, claro, evidente!

Professores nos conselhos executivos: porquê?

A mais-valia de um professor é na parte pedagógica, não na parte executiva.