terça-feira, novembro 13, 2007

Democracia?



Pensemos no seguinte...Hoje em dia é eleito quem diz o que o povão quer ouvir. Isto é demagogia, isto é democracia. Tenho como adquirido que a maior parte do povão não sabe o que quer nem o que é melhor para o médio e longo prazo, sendo "escravos" do imediatismo (estarei correcto? Serei menos democrata?)... Ora, esse imediatismo é largamente explorado por candidatos menos sérios. Posto isto; não caminha a nossa democracia para algo que não será nada recomendável, tendo em conta que apenas serão eleitos os que não têm ideias e que se submetem às necessidades pouco iluminadas da maior parte do povão ? Não estará a democracia podre, a partir do momento em que, apenas tem como resultado uma alternância de poder bi-partidária e esvaziada de verdadeiros ideais caracterizadores e marcantes? Não estaremos num perigoso caminho quando a maior parte do povão nem se digna a exercer o seu direito (deveria ser uma obrigação!) de voto, sendo sempre "os mesmos" a votar?
Não estaremos a diluir as verdadeiras ideias e boas intenções numa mescla de "catch all parties" ?
Será a democracia apenas mais um sistema que será destronado por algo mais evoluído e totalmente diferente?
Serei eu um pessimista?
Serei um "neo-tirano"?
Aguardo comentários;)

o iluminista escocês (alcunha dada pelo meu carinhoso grupo amarelo UV 2005)

publicado por moi em Setembro 2005 em http://grupo-amarelo.blogspot.com, com alterações.
...
Queria escrever algo muito light sobre democracia, e lembrei-me que isto já estava escrito...
Ao reler este post, não deixo de concordar (LOL) com o que escrevi na altura. E não deixo de continuar preocupado com o futuro. Mas também me assusta um pouco esta linha de pensamento. Mas, apenas porque, não vejo qual poderia ser a alternativa!
Aquelas palavras encerram um pouco de ingenuidade e pessimismo, mas no entanto, pouco se tem feito pela formação (se não política ainda que;) cívica das pessoas que são eleitores activos.
Pouco tem alterado no que toca à percepção do que são os Partidos Políticos no que toca ao cidadão comum que activamente contribui para a economia nacional com os seus impostos, mas pouco dela retira (classe média), e que na altura de votar tanto se lhes dá cruz rosa ou cruz laranja.
Será esta observação verdadeira? Ou falta de fé nas pessoas do meio? Aquelas que não estão nos extremos?

Deveríamos ter formação cívica nas escolas? Deveríamos ser obrigados a exercer o direito de voto?
Que pensamentos vos sugere esta mescla de posta?
PS - achei interessante a imagem, não subscrevo o conteúdo que representa :)

11 comentários:

Paulo Colaço disse...

Em primeiro lugar, um abraço para o blog do grupo amarelo de 2005: muitos grupos da UV criaram blogs, creio que estão todos (ou quase todos) inactivos, mas foram iniciativas que prolongaram o espirito de discussão nascido na UV.

Não sei que UV teremos no futuro, mas se mantiver:
1- uma selecção independente, justa e equilibrada de alunos
2- verdadeiros formadores e organização cuidada
3- espirito de trabalho, rigor, companheirismo e diversão

então não foi em vão todo o trabalho feito até aqui.

Vamos ao comentário:
não vou citar Churchill sobre a democracia, mas cito Ibn von Faize:
"Isto andava a correr muito bem até considerarem a insanidade uma doença..."
Eu reformulo: Isto andava a correr muito bem até considerarem a democracia o ponto de chegada".

Ok, eu cito Churchill: «A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos».

Mas cito também Paul Bourget: "O sufrágio universal, a mais monstruosa e a mais iníqua das tiranias, pois a força do número é a mais brutal das forças, não tendo ao seu lado nem a audácia, nem o talento"

Acho que precisamos mesmo de um debate sobre a IV República...

(Jorge, é muito dificil comentar este teu post. Sobretudo ser objectivo!)

jfd disse...

PC Como te percebo!!!
Até eu me "contradigo" no próprio :)
E ao ler o teu comentário sorri com a primeira quote, e ainda mais com a segunda. Quão dividos poderemos estar?
Haverá mesmo um estado de não-opinião???
SOCORRROOOOOOOOO ;)

**
Quanto à UV Claro que não foi em vão! Jamais! Graças a Deus, bem haja a todos os que por lá passaram. Sem falhas!!!

Tiago Sousa Dias disse...

Sim
Também
Sim
Sim
Não

Deixa-me só explicar o não. Existem 3 tipos de voto:
1- Voto num partido
2- Voto em branco
3- Abstenção
Sendo que o voto em branco significa a descrença nas soluções politicas do momento (naquele momento quem votou em branco não acredita que os candidatos sejam capazes ou os programas não lhe satisfazem etc...) e o voto "abstenção" significa a descrença no sistema eleitoral, no caso a democracia. Por isso me faz confusão que partidos como o PPM sejam constitucionalmente obrigados a ir a eleições sob pena de extinção. Quem não acredita na democracia ou nas instituições actuais tal como estão organizadas deve abster-se. Até pode parecer polémico eu estar a dizer isto, mas é a realidade.
Também por isso deveria a abstenção contar como voto contra em votações absolutas (de sim ou não - maxime referendos).
Mas olha vou dizer uma coisa que, para quem perder a paciência de ler o meu comment até ao fim, ficará com uma impressão muito má sobre mim. Há pontos da soberania onde a democracia não deve chegar. Não devemos aceitar a democracia para tudo. EXEMPLO: os Tribunais. Os Tribunais (orgão de soberania) não são (em Portugal e na maioria dos países ocidentais) abrangidos pela democracia. Nos EUA, apesar de tudo, reside excepção onde os juízes são eleitos pelo Povo, o que leva a que as decisões dos Tribunais sejam politizadas sobretudo quando se aproximam os fins de mandato e é preciso decidir sobre questões polémicas, caso em que se decide segundo o que a maioria do eleitorado pretende...
A democracia, até prova em contrário, é o melhor sistema politico, sem dúvida quanto a isso. Mas há que impedir os excessos que ela pode criar e, acima de tudo, impedir que quem sob a sua égide actua, abuse dela...

Tiago Sousa Dias disse...

reformulando para concordar com o Colaço,perdão o Ibn Von Faise, quer dizer o Chuchqualquercoisa: a democracia é de facto o sistema politico que menos males tem trazido ao mundo.

Adriana Neves disse...

Continuando a ondas citações sobre a democracia:

- Goethe: "Nada é mais repugnante do que a maioria, pois ela compõe-se de uns poucos antecessores enérgicos; velhacos que se acomodam; de fracos, que se assimilam, e da massa que vai atrás de rastros, sem nem de longe saber o que quer."

- Aristoteles: " A democracia surgiu quando, devido ao fato de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si."

Paulo Colaço disse...

Sobre o quote, quero ver se em breve reactivo o http://purononsense.blogspot.com - que gozo me deu alimentar esse espaço de loucura.

Pois é, Jorge, não é fácil comentar-te aqui neste post, como bem confessas. Digo-te que é uma reflexão que devemos fazer aliquandus, mas apenas por uns minutos, e voltar a acordar para o buliço. Nada de cair em sonos letargicos...

Tiago: falhou-te um voto - o do tipo que vai votar apenas para fazer um rabisco, uma cruz por cima, escrever um palavrão, etc.
Estou há anos em mesas de voto e já vi de tudo.

O que é que, em tua opinião, leva um tipo sair de casa para inutilizar um voto? É apenas descrença?

Elsa disse...

Jorge é um bom post, mas estou com o Paulo é, de facto, dificil comentá-lo em meia dúzia de linhas.

Talvez, entre outras razões, por orgulhosamente ter tido a oportunidade de ser UV e ter percebido a importância e responsabilidade disso mesmo.

No final da UV07 concluia que a UV serve para alertar consciências, não apenas para o trabalho partidário, mas para vestirmos a camisola da nossa sociedade. Reafirmo hoje e sempre!

Eu visto a camisola diariamente e esforço-me por dar o meu melhor.
Sei que tal não basta, não é o suficiente. Mas continuo a acreditar que se nos empenhar-mos neste exercicio de cidadania, ainda que lentamente, se pode inverter a tendência para o se deixar levar pelo imediatismo, fomentando um espirito critico.

Cruz laranja, rosa, outras, é segundo plano. O relevante, pelo menos para mim, é a consciência da importância da cruz.

Tiago Sousa Dias disse...

Colaço: isso só pode ser explicado pela pessoa que acompanha alguém que tem intenção de votar e já que lá está faz qualquer coisa...
Mas o único significado politico que se pode tirar é de quem não concorda com o método eleitoral naquele específico acto eleitoral. No entanto, admito que possa haver quem vote "riscos" porque pensa que assim demonstra que não acredita no sistema politico (voto "abstenção") ou porque quer demonstrar que não acredita em nenhum dos candidatos ou programas (voto em "branco").
É possível que esta interpretação não esteja correcta mas nesse caso teremos que perguntar ao Dr. Oliveira Costa da Eurosondagem o que acha porque a minha imaginação não vai mais além hehe

José Pedro Salgado disse...

Voto como um dever, sem dúvida. E com multas pesadas.

Não concordo com a ideia que cada país tem os políticos que merece, mas lá que no futuro os portugueses não terão legitimidade moral para criticar muita coisa, não terão.

Como cantava José Mário Branco, está na altura de desvirginar-mos a nossa democracia que já tem idade. Vamos fazer dela uma mulher séria, tratá-la como ela merece.

Senão não tarda nada ela dá-nos com os pés e ninguém pode dizer que não tenhamos merecido.

E sabe-se lá o que nos calhará na rifa a seguir?..

Inês Rocheta Cassiano disse...

Querido Jorge,
sei que a corrupção política existe, sei que muitas vezes os interesses pessoais (leia-se ambição desmesurada) se sobrepõem aos interesses colectivos, sei que a classe política se encontra descrebilizada, sei que a política em si mesma deixou de interessar aos portugueses, sei que continua a haver injustiças sociais, desemprego, pobreza. Sei isto tudo.
No entanto, continuo a acreditar que está na nossa mão, enquanto jovens militantes, inverter esta tendência. Poderão dizer que é a minha inexperiência que me faz ver a vida de um modo idílico. Mas se o futuro não estiver em nós e não formos nós a construí-lo, de uma forma honesta e transparente, quem o fará?
A sociedade actual encontra-se mergulhada num pessimismo conformado. Descarregam a responsabilidade no Governo e nos políticos em geral, esquecendo que muitas vezes também são responsáveis pela sua inércia ou passividade. Apesar dos seus vícios, a democracia é o menos mau dos sistemas políticos. Se cada um exercer activamente e de uma forma positiva os seus direitos e deveres de cidadania talvez nos possamos aproximar de uma sociedade mais justa.
Só mais uma coisa, o dever/direito de voto deve ser tendencialmente obrigatório. Quero com isto dizer, que ninguém se deve demitir das suas responsabilidades no resultado eleitoral que determina a constituição do Governo. No fundo, quem decide sempre as eleições, não são os eleitores fiéis quer laranjas, quer rosas. É aquela franja de indecisos, mais ou menos desinformados, e que mudam a sua orientação de voto consoante o circunstancialismo.
Poderá ser utópico, mas é a forma como eu vejo a sociedade e o actual sistema político.

jfd disse...

Minha querida Inês :)
Sabes porque acho que peca a Democracia? Porque, ela torna-se escrava daquela franja que tão bem referes... Escrava dos seus votos. Pois são os "swingers" que acabam por decidir, então é para eles que se fazem as campanhas, é para eles que se dirigem as comunicações é com eles que se testam os temas. Não tem virtude nenhuma, porque acabam por ser "usados" pois ela acabará por não os servir, mas servir-se a si própria!
É um ciclo vicioso.
Tu vês esperança no meio disto tudo, e isso é muito bom!!!
Eu também vejo, mas alguns momentos de pessimismo também ajudam a por alguns cenários em perspectiva.