terça-feira, novembro 20, 2007

Bloco de Interesses

O Bloco de Esquerda ameaça romper coligação com PS na Câmara de Lisboa, caso não haja renovação dos contratos a termo de trabalhadores precários.
Na reunião camarária ficou já decidido dispensar 120 trabalhadores com vínculo precário, o que motivou esta onda de protestos do BE, protagonizada pelo deputado municipal Heitor de Sousa.
Rescindir avenças, que constituem “contratos de trabalho encapotados” é, de facto, uma decisão que viola o acordo celebrado entre bloquistas e socialistas.
Já Sá Fernandes, que deverá achar que a transparência e idoneidade de honrar compromissos não fazem assim tanta falta à política, catalogou a posição do BE de irresponsável.

Mais uma vez, o "Zé" mostrou ser defensor de outro tipo de bloco.

22 comentários:

jfd disse...

Não percebi o point...

Margarida Balseiro Lopes disse...

Jorge:

A Câmara de Lisboa aprovou em reunião o despedimento de 120 trabalhadores, com contratos precários. Esta é uma decisão que viola o acordo pós-eleitoral PS/BE e que leva o BE (através do seu deputado municial Heitor de Sousa) a ponderar a rescisão do acordo. Face a tudo isto, Sá Fernandes considera as declarações bloquistas irresponsáveis e precipitadas.

É caso para citar: o Zé faz falta mas agora calado!

Paulo Colaço disse...

Já aqui tenho falado nos manos Sá Fernandes.
Tenho no meu dicionário muitas palavras para os qualificar (nenhuma delas do agrado nos manos).
Junto uma outra palavra às que já associo ao mano José: dispensável.

De facto, um tipo que nega um pacto que assinou para nao perder o assento, dele podemos dizer tudo excepto que faça falta...

jfd disse...

Hummmm....
Duas questões vos coloco

Esses 120 trabalhadores são necessários?

Onde se enquadram as declarações de Sá Fernandes em respostas às declarações do Be?

Enquadro uma terceira questão; não nos percepitamos a apontar dedos assim aos nossos opositores sempre que dão um espiro? Não lhes damos esse poder?

Paulo Colaço disse...

Acho muito importante falar deste tema!
Quando Sócrates começou a agir "a contrario" do que anunciara, voltou a discussão da legitimidade de um eleito que mentiu em campanha.

Com Sá Fernandes se passa o mesmo. Toda a campanha girou em torno da ideia do irritante que punha em causa a mínima decisão camarária. O imponderado que fazia a autarquia perder horrores de dinheiro com embargos. O tipo que não se calava.

Sá Fernandes quis ser eleito sob o signo do eleito que faz falta porque aponta o dedo.

E foi eleito pelos votantes que gostam de frontalidade (ainda que seja a capa de alguém obcecado pelo seu ego), que gostam do espírito de contradição (ainda que imponderado, algumas vezes), que gostam que o Poder tenha sempre um "polícia" (ainda que a sua seriedade seja sinónimo de "opulência", a julgar pelo número de assessores).

Esses votantes deparam-se agora com o inverso da sua imagem de opositor. SF já se cala, vende os anteriores ideais. Qual é a sua legitimidade? É um debate interessante.

Tal como o Jorge, compreendo e concordo com a medida de gestão da CML. Não há dinheiro, não há excessos. Mas não se trata aqui da minha concordância: Sá Fernandes achava que não havia excesso e agora mudou de opinião!

Obrigou o PS a assinar um acordo, e agora manda calar um seu correligionário que, apenas, pretende que o acordo seja cumprido…

Margarida Balseiro Lopes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Margarida Balseiro Lopes disse...

Jorge,

O "point" não é a utilidade dos despedimentos. Não se trata de criticar vilmente os nossos adversários, apenas porque sim. Não pretendi nem pretendo ajuizar os excessos de avençados da Câmara da capital. O cerne do meu artigo é o oportunismo gritante de Sá Fernandes.

O Paulo refere, e muito bem, a imagem de marca que Sá Fernades fez passar na campanha e que conduziu à sua reeleição: aquele que denuncia, que defende os munícipes contra os interesses instalados dentro da autarquia. O túnel do Marquês é paradigmático.

Mas o "Zé" que entretanto se coligou com o PS, em nome de interesses mais elevados (que a imagem do "post" ilustra bem), mudou radicalmente a sua conduta. Em questões que era frontalmente contra não se manifesta ou desdiz o BE.

Há menos de uma semana, trouxeste para discussão psicótica algumas das imperfeições da Democracia. Este caso é para mim uma delas: desrespeitar os compromissos que fazemos com os eleitores.

jfd disse...

Meus caros
Não levem a mal a minha postura (blazé?) mas o que nos interessa fazer este tipo de guerrilha marginal?... É uma franja de eleitorado.

Politicamente o que nos interessam as falhas no que toca a promessas eleitorais do BE?
Sempre me disseram que os mais fortes não "implicam" com os mais fracos... Sob pena de lhes darem o palco.
E este assunto não é de todo, importante.

E sim trouxe esse ( vide Democracia? ) assunto à discussão, mas não é por um Sá Fernandes e um BE que a Democracia vai perder ou ganhar, não lhes dou essa importacia nem quero que tal aconteça! Este é o meu "point" :)
Got it? :))))

António Pessoa disse...

Esta situação é grave, mas infelizmente não é nova. JSF é assim: inconstante, oportunista e é fascinado pelo mediatismo. Só é pena que passe incólume nestas situações, por causa de uma comunicação social totalemente controlada pela máquina socialista.

Anónimo disse...

Eu percebo o point do JFD...

Tolos são aqueles que continuam a dar atenção ao BE e ao Sa Fernandes...

O Louça ficou todo contente com os cartazes da JSD... Ridiculo no minimo...

O nosso adversário é o António Costa e o PS...

Enquanto o PSD e a JSD não tiverem uma estratégia não vão a lado nenhum...

jfd disse...

O meu point não tem a ver com os cartazes nem com a estratégia do jota nem do partido, tem a ver com o que escrevi no âmbito da posta da minha querida MBL.

Mas estou a estranhar a ausência de psico interesse...

big mamma disse...

Se este é um assunto que o PSD não deva abordar nao sei. Ha muitos assuntos que os partidos abordam e não têm qualquer interesse e há outros, que pesam sobre a sociedade e os partidos nem dao conta.

Acho que os partidos devem falar de tudo, mas acho que nem todos dentro dos partidos devem falar de tudo.

Por exemplo: um lider do PS ou PSD deve falar do governo, mas se calhar não deve ser ele a falar dos "Verdes". Um Secretário-Geral já pode falar dos Verdes, do PP, ou do PCP. Ou do BE.

Não há temas tabu para os partidos. Pode haver, sim, hierarquia dentro dos partidos para certos temas.

Num blog, aí é que nao deve haver restrição. A não ser que seja o blog do lider de um partido.

Nélson Faria disse...

Escreverei dois comentários para evitar algum contágio entre temas:

Eu estou na política para falar de tudo e de todos. Não só daquilo que dá jeito e daquilo que dá votos. E sempre que vir uma acção com que concorde elogiarei, bem como quando vejo alguém violar compromissos eleitorais irei apontar.

E actualmente ando particularmente preocupado com estes segundos. Detesto ter de me defender de pessoas que, não me conhecendo, me criticam só por saberem que sou militante numa juventude partídária. E tal deve-se muito a esta postura de que os compromissos eleitorais não são para cumprir e que a política não tem memória. Não vale tudo na política para ganhar eleições.

Devemos ter tácticas eleitorais e sermos eleitoralmente conscientes, mas não devemos assobiar para o lado quando forças partidárias cuja força reside no discurso dos "intelectual e moralmente superiores" são desleais para com os seus compromissos.

Nélson Faria disse...

Quanto aos outdoors, e pedindo antecipadamente desculpa à Margarida por desvirtuar o tema avançado:

Quem pensa que a JSD tem mais protagonismo que o BE deve viver no país errado. Não foi a JSD que lhes deu palco, fomos nós que nos aproveitámos de um momento de fragilidade do Bloco. Tivemos duas a três semanas de Louçã a ter de se defender de ataques externos e internos, com um fortalecimento da exposição da ala radical do BE.

Se há força partidária que rivaliza com a JSD no que toca à captação de eleitorado jovem é o BE. E isso é indiscutível. Dos primeiros a dizê-lo foi o meu amigo Rodrigo Saraiva. Na altura não lhe deram a devida atenção; durante o mandato Fangueiro tornou-se lugar comum nas discussões em Conselho Nacional da JSD.

Os outdoors visavam o governo PS e uma estrutura partidária que se afirma como o paladino da moralidade. Aproveitou-se para salientar a veia autoritária do PS, a falsidade moral do BE enquanto força partidária e mimetizando outdoors do BE para superior impacto.

Vejam a revista de imprensa de então e avaliem o impacto da medida.

P.S. Foi da Secção à qual presido que partiu a iniciativa dos outdoors.

Paulo Colaço disse...

Essa do Louçã ter ficado contente com o cartaz da JSD é de gargalhada.

Um cartaz que o acusa (com provas) de conivência com o Poder faz Louçã tudo menos rir.

Essa posta parece vir do "gabinete de gestão de danos" do BE ou de alguém que ficou enervadinho com a iniciativa do cartaz!

jfd disse...

Né é verdade sim senhor o meu prez já o diz há vários anos. Mas fiquei mais esclarecido dessa necessidade de estar sempre a atacar esse chato do Sá Fernandes...

Eu fico na minha em relaçã ao sentido dos meus comentários iniciais.

No que toca à captação de eleitorado jovem penso que é um novo assunto, merece nova posta não achas né?

Bruno disse...

jfd disse...
Mas estou a estranhar a ausência de psico interesse...

A minha ausência desta discussão não significou falta de interesse mas sim de tempo ;)

Tentando "apanhar o fio à meada", deixem-me dizer que:

- Acho que neste blogue devemos sempre estar atentos ao BE porque somos defensores de uma forma de fazer política que é tudo que esses senhores não praticam porque são demagógicos, falsos moralistas e incoerentes;

- Percebo o ponto de vista do Grande Jorge mas nesse aspecto concordo com a Big Mamma;

- Concordo também com o Né (agora tamos nesta fase, hehe) quando diz que a JSD deve fazer "marcação" ao BE porque este vem ocupar um espaço que é dela: o do eleitorado jovem. Basta estar atento aos resultados por mesas de voto em eleições e referendos para perceber o peso que eles têm nas mesas de malta nova;

- Sobre o tema em análise, penso que estou como a maioria: se calhar até concordo com a dispensa dos funcionários (teria que analisar a sua especificidade mas é provável que a CML tenha funcionários a mais...) mas não me parece que a atitude de Sá Fernandes seja digna de um Bloquista. Acredito que o homem esteja mesmo a agarrar-se ao poder. Não era nada que eu não esperasse...

jfd disse...

Fiquei a pensar no que disse o Né e no que pensa o RS. Então o jovem não vem pré formatado... É moldado pla juventude partidária ou partido que o "caça?"

jfd disse...

?

Nélson Faria disse...

Pedir desculpa pela delonga na resposta.

Na militância há, como em tudo, uma adaptação de parte a parte (com ascendente da estrutura, claro). Não acredito que um partido - ou uma "jota" - formate um indivíduo que vive e gosta de política e da causa pública; mas não nego que haja uma adequação.

O que se passa é que na captação de eleitorado jovem são aqueles que parecem mais próximos da forma de estar e de ser desse próprio eleitorado que os conquista. E quando falamos da idade jovem penso nos que estão agora a formar sua primeira impressão do mundo e da sociedade. E nesta fase, as portas de entrada facilmente se transformam em prisões.

jfd disse...

Também as nossas são prisões?

Nélson Faria disse...

Quais "nossas"?