quarta-feira, novembro 21, 2007

Estaremos seguros?

Hoje salta à vista de todos o resultado do estudo feito pelo Observatório de Segurança das Estradas, que nos dá conta das graves deficiências do último troço da CRIL. O Engenheiro Civil responsável diz mesmo que: "É muito fácil construir estradas com total violação dos critérios de segurança e depois limitar a velocidade para passar a responsabilidade dos acidentes para os condutores". E adianta também que só circulando a 60km/h estão garantidos os índices mínimos de segurança.

Numa altura em que tanto se fala de prevenção rodoviária, tanto se acusa os condutores e tanto se recomendam os cuidados na estrada, parece-me muito mal que situações destas continuem a acontecer.
Existem técnicas, estudos, fórmulas e métodos de cálculo capazes de prevenir e, acima de tudo, capazes de projectar toda e qualquer via respeitando os critérios de segurança. Porque é que, então, em pleno século XXI se dão coisas destas? De quem é a culpa? De quem faz? Ou de quem fiscaliza?

Mais, estamos hoje, também, cada vez mais habituados a ouvir nos blocos informativos problemas associados a estruturas de grande porte, problemas associados a pontes por onde circulam pessoas em ritmos elevados. A última foi em Constância, cujo tabuleiro ferroviário se deslocou 20 centímetros (!!!!!!!!) em direcção à margem Sul. Depois da tragédia de Entre-os-Rios muito se falou. Mas, será que se fez realmente tudo o que havia para fazer?

É certo que quem devia assumir responsabilidades não as assume, é certo que as estradas em Portugal também são culpadas por muitos acidentes, pois não estão em conformidade com os índices de segurança, em grande parte. Juntando a tudo isto temos o caso da Estradas de Portugal, agora S.A., e que não se mostra eficaz em nada que não seja o «desbundar» orçamental.

Urge, portanto, rigor na construção em Portugal. Urge que se respeitem os critérios de segurança. Urge que se responsabilize quem de direito.

10 comentários:

Paulo Colaço disse...

Há duas "irresponsabilidades" que nos chocam mas que aceitamos.
A dos juizes, que não sao responsabilizados pelas suas decisões; e dos políticos.
A corrupção e a falta de zelo estão, claro, fora deste contexto.

Mas pergunto: não haverá atitudes, sobretudo na política, que nos cheiram a conivência.

Obras Públicas e Ambiente serão as áreas onde tal mais aconteça. A falta de fiscalização será uma consequência de uma máquina pública com problemas ou consequência do "deixa andar"? ou de ambos?

Em qualquer dos casos há responsabilidade de quem diz "abra-se ao público", ou seja, o Estado.

É um tema interessante, Carlos, mas acho que nem os tribunais os sabem abordar na melhor forma.

jfd disse...

Falta fiscalização
Falta correcta afectação de fundos
Falta acabar com a confusão que é a adjudicação de obras de construção civil estatais
Temos nós culpa e tem quem manda agora.

Adriana disse...

O jorge resumiu tudo mt bem. Em muitas areas falta.... e este caso não é diferente a tantos outros que se veem por este pais.

big mamma disse...

Dizemos que a culpa morre solteira mas nao é verdade: ela casa-se com leis fracas, com políticos amigos de empresários, com fiscais que querem ter uma casa melhor, com burocratas desatentos, com uma máquina administrativa pesada, com juizes benévolos e com uma opinião pública que não vale nada.

Bruno disse...

Um dos casos que mais me chocou, pela irresponsabilidade política e técnica foi a queda da Ponte de Entre-os-Rios. Para além do drama humano que as pessoas viveram, chocou-me pela forma como, num país supostamente civilizado, se deixa cair uma ponte daquela forma.

É verdade que a culpa não é exclusivamente do Governo daquela altura nem de qualquer outro. Tal como não será excusivamente dos técnicos. Será de um sistema que está mal-habituado, é incoerente e onde a impunidade costuma ser o ponto final para a maioria dos casos.

O post do Carlos alerta para algo muito, muito importante. Devemos lembrar que os acidentes nas nossas estradas são uma das causas de morte mais significativas em Portugal. Não é só com campanhas de sensibilização e punições mais pesadas que lá vamos. Até porque importa que o Estado tenha moral para exigir cuidado às pessoas e para isso o melhor seria dar o exemplo, sendo minucioso na fiscalização e na concessão.

E agora o que fazer? Alertar para o assunto no Psico é um primeiro passo. Mas a verdade é que já se falou disto mais vezes e nem por isso os responsáveis parecem ter ganho "vergonha na cara"...

Nélson Faria disse...

É verdade que a culpa não é exclusivamente do Governo daquela altura nem de qualquer outro. Tal como não será excusivamente dos técnicos. Será de um sistema que está mal-habituado, é incoerente e onde a impunidade costuma ser o ponto final para a maioria dos casos.

Subscrevo. Nothing more to say.

Bruno disse...

Ora vêem? Eu e o Né afinal também sabemos concordar ;) e não é só neste caso! Felizmente...

Paulo Colaço disse...

Vocês concordam mais que discordam, mas quando discordam não ha santo que aguente!
:)

Bruno disse...

Por isso é que arranjámos um Deus Colaço ;)

Margarida Balseiro Lopes disse...

Este post tinha-me escapado.

A queda da Ponte de Entre-os-Rios é paradigmática. Daqui parece ressaltar a incompetência dos técnicos, a inoperância das autoridades, a impunidade dos culpados e a passividade dos juízes. A isto, reforço a tua pergunta Carlos, hoje em dia, estamos seguros?