terça-feira, outubro 02, 2007

O Rei Salomão

"Os dias que antecederam as eleições no PSD fizeram-me lembrar uma história do Antigo Testamento: a sentença do Rei Salomão.
Duas mulheres apresentaram-se perante o Rei dizendo-se ambas mães de um bebé e reclamando a sua posse.Salomão ouviu uma, ouviu outra – e, como não tivesse certezas sobre qual delas falava verdade, pediu uma espada e sentenciou:
– Corta-se o bebé ao meio e cada uma fica com a sua metade.
Uma das mulheres aceitou, satisfeita com a sentença do Rei. Mas a outra ajoelhou-se aos pés dele e suplicou:
– Não façais isso! Prefiro que entregueis a criança àquela mulher.
Nessa altura, o Rei Salomão ficou a saber qual delas era a verdadeira mãe do bebé e entregou-lhe o filho.

Que tem isto a ver com o PSD?", in Sol.

A casa arruma-se e limpa-se dentro das quatro paredes e não à vista de todos. A campanha eleitoral para a liderança do partido foi um lavar de roupa suja. O partido não saiu prestigiado, reforçado ou engrandecido. Espero que o PSD venha a ter a capacidade de se regenerar e de conseguir assumir a sua posição como O maior partido da posição e de futuro Governo.

Cada um com a sua metade...

8 comentários:

Direct Current disse...

Não é bem metade...

140 mil é o total de militantes.
63 mil tinham as quotas em dia.
27 mil abstiveram-se.
20 mil votaram em Menezes.
16 mil votaram em Mendes.

Estive quase a não ir votar, mas entreguei o meu voto de confiança em Marques Mendes. Hoje mesmo, ele renunciou ao seu mandato de deputado. Congratulo-o pelo trabalho e dedicação que teve nos últimos anos à frente do partido mais português de sempre.

Pensei em breves momentos em entregar o cartão de militante, mas decidi ficar. Fico, não pelo que Menezes ou os seus mais próximos apoiantes são, mas devido a uma pessoa, que, com a sua postura, honestidade, firmeza e dedicação, é um exemplo de militância: Manuela Ferreira Leite. Fez-me voltar a ter orgulho em ser militante social-democrata. Obrigado!

Margarida Balseiro Lopes disse...

Pela metade não. Antes pelo contrário, há que lutar por um todo, uno e indivisível, o PSD.

No dia 28 de Setembro tinha completado 18 anos há apenas 4 dias, pelo que não constava no caderno eleitoral. Se pudesse teria dado o meu voto de confiança a Marques Mendes. Confesso que fiquei triste com o resultado.

Mas, por uma questão de coerência e de princípios, respeitarei o presidente legitimamente eleito. Contribuirei no que puder para ajudar a fortalecer o meu PSD. Mais do que nunca é preciso acreditar. Com um governo socialista com tiques salaristas que tem sistematicamente desrespeitado o compromisso que assumiu com os portugueses a 20 de Fevereiro de 2005 não podemos baixar os braços!

Uma última nota: saúdo a postura de Marques Mendes. Sai com dignidade, a minha admiração e respeito.

Davide Ferreira disse...

O partido não ficou dividido ao meio pela disputa destes dois senhores...

Afinal de contas continuo a acreditar que muitos dos que votaram num ou noutro candidato gostariam de ter tido uma 3ª possibilidade no boletim de voto... E se houvesse essa 3ª hipotese ninguem viria dizer que o partido tinha ficado dividido em 3...e por ai adiante.

Em qualquer eleição uns ganham outros perdem, os que ganham não ganham apenas o direito e o dever de liderar os "seus" mas o todo.´
Aos outros cabe respeitar essa decisão apesar de poderem não gostar dela.

É verdade... é aquilo que chamamos de democracia.

Até acredito que acha muito boa gente que pensava que ia para deputado/acessor/isto/e/aquilo e que viu as contas furadas... mas paciencia, só quem está na politica a pouco tempo é que acredita que existem victorias ou derrotas antes da votação propriamente dita.

Mas isso sincermente não interessa para nada. O que importa é o seguinte.

O PSD não é uma laranja que se possa dividir em pedaços cada qual para o seu dono, é uno e indivisivel e pertence a todos nós.

Quem acredita nos ideais do PSD, quem acha que podemos fazer melhor que aqueles senhores que estão no governo então independentemente do líder propriamente dito vai tentar fazer o seu melhor.

Os lideres vão e vêm, o PSD fica.

Não estou a dizer que não se possa criticar o líder, longe disso. Mas qual treinador de futebol acabado de chegar merece aquilo que se chama o "periodo de graça".

Portanto deixa-lo trabalhar, até porque têm muito trabalho pela frente.

Bruno disse...

A eleição para Presidente do PSD (ou para Presidente de qualquer outra coisa) reveste-se de uma característica própria que penso que devemos assinalar. Estamos a eleger a pessoa que nos vai representar junto daqueles que queremos motivar, que vai executar a estratégia do Partido, que vai dar a cara, que vai exercer - assim esperamos - a liderança sobre todos nós.

Posto isto, quem realmente gostar do PSD, quem sentir o partido como parte de si próprio, não vai permitir que este seja dividido em 2, em 3 ou seja lá em quantas partes for.

A partir de agora deveremos todos deixar de ser Mendistas, Menezistas, Barrosistas, Santanistas, seja-lá-o-que-foristas para passarmos apenas a ser do PSD! O Partido precisa de todos.

Espero que tenhamos aprendido uma lição com o que começou em 2005: os barões do partido não gostavam de Santana e tentaram isolá-lo. Diziam que o partido tinha que bater no fundo para aprendermos como eram as coisas. Afastaram-se alguns da campanha, não deram a cara, não deram apoio. Outros criticaram, deitaram abaixo. Outros ainda correram sozinhos, como se houvesse uma candidatura do PSD e uma candidatura de Santana Lopes que fossem diferentes.

Qual foi o resultado, lembram-se? Perdemos! Pois foi. E o PS teve a sua primeira maioria absoluta. Sim, é verdade. E o PSD (ou Santana, como preferirem, teve um resultado igual a muitos outros em outras eleições. Igual aquele que, por exemplo, deu a primeira vitória a Cavaco em 85. E o PSD mudou de vida. Apostou em Marques Mendes. Seguiu um caminho claramente diferente. Até que os militantes foram de novo chamados a pronunciar-se. Desta vez todos e, pela primeira vez, com a liberdade de escolherem sem filtros.

Escolheram...

Respeite-se!

Retirem-se conclusões mas, aceite-se!

Paulo Colaço disse...

Não sou hipócrita: acho que ganhou a pior pessoa e digo-o abertamente.

O meu partido tem o presidente de que mais me envergonho. Depois de um Santana, não pensei que podia haver líder mais embaraçoso.

No entanto, há que perceber que a sua vitória foi uma escolha clara da minoria que votou! Acho que não escolheram bem, mas escolheram como lhes apeteceu.

Sabemos todos de situações "complicadas" do ponto de vista regulamentar: gente a comprar votos, a pagar quotas alheia, a pressionar outros tantos, etc. No entanto, creio que em ambiente "puro" o resultado não seria diferente.

Aceito a derrota (não me distancio do candidato que apoiei, de quem gosto e que muito estimo) e tentarei viver com o resultado.

Ajudarei o partido em tudo! Aliás, como sempre! Em mais de 15 anos de militância laranja, nunca me recusei a colaborar com quem me derrotou nas urnas quando era a nossa bandeira que estava em causa.

Quanto à análise das eleições, segundo diversas conversas, nomeadamente com o Tiago Dias, apercebo-me que em inúmeras secções de maioria Menezes, as listas de delegados vencedoras foram as de Mendes.

Isso leva-me a pensar no seguinte: as pessoas querem uma liderança mais acutilante (Menezes já provou ser bom na oposição interna, veremos se será bom a malhar no Governo) mas não confiam nos homens de Menezes.

Veremos como corre o Congresso e se Menezes consegue maioria para as suas listas.

Veremos igualmente que listas serão essas... Creio que o principal problema de Menezes é ultrapassar a ideia de que as pessoas correctas, trabalhadoras e capazes estavam com Mendes (não estou a falar de elites mas sim de bons quadros) e que os arruaceiros estavam com Menezes. Isto apesar de haver gente competente com ele (Telmo Faria ou Ribau Esteves).
O pior são pessoas como Helena Lopes da Costa, Marco António Costa, Luís Cirilo, que poderão ser a ruína de uma liderança.

Estaremos cá para apreciar as opções do líder. Estou curioso: o que será que vai pesar nas suas escolhas: o controlo da estrutura ou a credibilidade?

Acho que os maiores dilemas do novo líder são: que equipa criar? como agradar apoiantes menos escrupulosos e de imagem desastrosa? como atrair gente capaz de fora do seu círculo? como dinamizar uma equipa que junta os capazes com os apenas caciqueiros?

Não é um problema inédito: todos acabam por ter de ceder a apoiantes imprestáveis. Mendes também os tinha. E alguns bem intoleráveis.

Confesso que estou curioso.

Nada farei para ajudar a prejudicar a nova liderança, mas volto a dizer: não sou hipócrita: desejo que a passagem de Menezes pela São Caetano seja rápida.

Mas já vos aviso: não esperem facilidades e normalidade nas próximas directas... Há uns tempos chamei "Lapa" a Putin por se agarrar ao Poder. Na altura (também) não me enganei.

xana disse...

Sendo a sede na Lapa pode sempre dizer que é a zona que o inspira...

Bruno disse...

Colaço, se o Pacheco Pereira conseguisse aprender um bocadinho contigo até era capaz de evoluir para um ponto em que eu visse vantagem na militância dele no PSD.

Parabéns Amigo! Continuas a mostrar a tua grande qualidade*. És dedicado, empenhado, apaixonado mas frontal. Contigo as pessoas sabem aquilo com que podem contar.

*apesar de enumerar depois uma série de qualidades, esta frase não devia estar no plural porque a qualidade a que me refiro é enquanto adjectivo e não substantivo

Paulo Colaço disse...

Bruno, só agora li as tuas palavras.

Acho, verdadeiramente, que a frontalidade é essencial em política (aliás, em tudo). Dizer o que se pensa a cada altura em que isso é pertinente.

Neste combate eu não era imparcial. Compreendo quem o foi e agora não está nem triste nem contente com o resultado. Mas não percebo quem foi "imparcial" (votou em branco) e hoje lamenta-se.

Nunca fui do branco (nem nos vinhos), nem nunca fui ambíguo a analisar resultado. Ou ganho ou perco.

O pior é que desta vez não fui só eu a perder. Foi o Partido e o País.

Até porque, com esta liderança, perder ou ganhar em 2009 será sensivelmente o mesmo.