quarta-feira, outubro 24, 2007

Who wants to live forever?


Já não é somente uma (grande) música dos Queen.

Biotecnologia, nanotecnlogia, criogenia, são conceitos que estamos acostumados a ver em filmes do estilo Blade Runer, mas que nos estão cada vez mais próximos.

O download de mentes humanas para computadores é uma hipótese académica a ser explorada, de forma a conservar as nossas consciências (almas?) muito para lá da nossa morte.

A substituição de tecidos vivos por componentes mecânicos (os tão fantásticos ciborgues) é uma realidade já muito antiga que cada vez está a ser mais aperfeiçoada.

A utilização de nanorobots para o tratamento de doenças de outra forma incuráveis, bem como para o aumento das capacidades humanas para o impensável está cada vez mais próximo.

A criogenia, a possibilidade de congelar o corpo de alguém tendo em vista descongelá-lo quando seja possível resolver certa maleita (desde doenças à mortalidade), já se pratica (lembram-se do Vanila Sky? pois é, já não é só um filme...).

E isto não é nem riscar a superfície das inúmeras possibilidades que a ciência hoje em dia augura para o futuro.

Não estamos livres de controvérsia:

É legítimo o ser humano utilizar estes meios para aliviar os seus problemas (doenças, fomes, pobreza, etc.)?

E para se melhorar? Terá o Homem legitimidade para se aperfeiçoar? Para se tornar mais forte, mais rápido, mais inteligente, mais bonito? Ou será isto fútil?

Por mim? Sim às duas.

E quem achar que isto não é natural, relembro-lhe que:

- desde há uns anos para cá que não vivemos nas àrvores;

- já há algum tempo desde que alguém da minha família teve de matar o almoço e/ou de o comer cru;

- numa constipação, não há melhor que uma aspirina.

10 comentários:

Goreti Martins disse...

A nossa espécie está cada vez mais fraca. Cada vez nascem mais bébés com problemas que há uns anos só existiam em adultos.

Só totalmente a favor de tudo o que sejam preservação da espécie humana, somos seres totalmente desenvolvidos e porque não utilizar aquilo que se aprende.

O ser humano é tão inteligente, com tantas capacidades de desenvolvimento, que seria uma estúpidez desaprender.

Tal como na questão do aborto e das céculas estaminais volto a afirmar-me como defensora da vida!

Kokas disse...

O fim é o fim. Não mais. Respeitemos isso.

Paulo Colaço disse...

Concordo com o Kokas: o fim é o fim.
No entanto, é uma daquelas matérias em que disparamos no vazio: quem pode ter a certeza que o fim é mesmo o fim?
Apenas o rejeito porque isso contraria a minha concepção de Mundo somente regido pela natureza, sem forças estranhas à mesma.
Mas quem sabe se a "vida eterna" não é, em si, altamente natural?

Não creio, no entanto, que seja este o tema central do post do Salgado.

Sobre as novas tecnologias da ciência, eu sou liberal (mas não liberal social, Mendonça).
Se for para melhorar e facilitar a vida, se for para potenciar a felicidade e a saúde, acho que o limite é apenas a consciência colectiva.

Ou seja: é a sociedade no seu todo que deve aceitar as novas ideias, sendo que (claro) o intérprete dessa "aceitação" é o legislador.

José Pedro Salgado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
José Pedro Salgado disse...

Kokas:

Respeito a tua opinião.

Mas o adiar do fim já acontece. Adiamo-lo com medicamentos e tratamentos, com rituais e cuidados.
Aliás, a nossa ideia hoje sobre o que pode levar ao fim está moldada por essas práticas. Já houve uma altura em que 35 anos era velho e que se morria de constipações.

E se na altura se pensasse assim?

Caro Colaço:

De facto o tema central não era directamente a vida eterna. Esse era meramente um exemplo de uma decorrência do chamado Transhumanismo (também representado por >H ou H+).

Estou em crer que nestas matérias ainda existe o muito comum estigma da modernidade e do desconhecido.

Obviamente que um progresso neste campo passa pelo questionamento de dogmas que nunca tiveram sequer necessidade de ser formulados, quanto mais questionados.

É necessário que olhemos para fantasias como questões sérias e para sonhos como problemas.

Afinal, viver para sempre é um sonho antigo.

É somente quando se começa a tornar uma hipótese que se transforma simultaneamente numa "questão"...

xana disse...

Eu pessoalmente acho que seria uma chatice essa coisa da eternidade.
O fim é o fim. Para uns chega mais cedo, para outros nunca mais chega.

Apesar das suas infindávies capacidades, o ser humano é, também, difícil de agradar. Isso da consciência colectiva tem muito que se lhe diga, e para existir um consenso não seria fácil.

Penso que tudo o que seja feito para melhorar a condição humana, física e anímica, é salutar. Já o afirmei relativamente à ciruria estética, e vou até ao limite aceitando também as possibilidade que o Zé Pedro aqui trouxe.

Tudo menos adiar a morte. Eu continuo a achar aquela do "death&taxes" extraordinária. E acredito mesmo.

Lemos disse...

Eu considero-me uma pessoa objectiva e acredito imenso no poder do ser humano e do seu conhecimento. No entanto, quando leio ou oiço falar nestes avanços tenho um sentimento agridoce.

Do ponto de vista tecnocrata fico fascinado com as portas que se abrem perante nós. Mas por outro lado, acho essa nossa perseguição desses ideais e ideias bastante contra-natura.

De facto, há décadas que muitas pessoas não precisam de matar um animal para sobreviver no quotidiano. Mas se analisarmos a história natural, é fácil perceber o desequilíbrio que uma espécie (nós..) conseguiu provocar em termos globais com o nosso progresso.

A população mundial não pára de crescer e de uma forma geral a tendência é para o aumento da longevidade. É insustentável este crescimento. Se os que cá andam não cedem lugar aos novos, num ciclo de vida relativamente equilibrado, a nossa espécie e resto do planeta serão afectados profundamente.

Por isso, sou a favor de tudo o que nos possa facilitar a vida, reduzir sofrimento, etc. Mas acho essencial que as mentalidades acompanhem esse desenvolvimento no sentido de o tornar sustentável.

Fico contente porque começo a ver os primeiros sinais de mudança nesse sentido.

Davide Ferreira disse...

Sinceramente acredito que a ciencia e a inovação é a unica esperança que temos para a sobrivivencia deste mundo tal como o conhecemos...

É uma corrida contra o aquecimento global, contra a extinção dos recursos naturais, contra o aumento exponencial da população.

Caso a humanidade não consiga vencer essa corrida...

Não acredito que se chegue alguma vez a imortalidade mas já era bom se se conseguisses chegar a um mundo melhor e não pior daqui a uns anos.

Tânia Martins disse...

"Não acredito que se chegue alguma vez a imortalidade mas já era bom se se conseguisses chegar a um mundo melhor e não pior daqui a uns anos."

Subscrevo!

Frederico Carvalho disse...

Ja tinha feito um primeiro ensaio a este texto, mas o pc desligou-se a meio do mesmo, e perdi-lhe a vontade :p

Agora, ao que interessa.

Na edição da semana passada o Jornal de Negócios apresentava a GOOGLE com um crescimento de 57% (lucro) e a MCDONALDS com 25%.

O google com um espaço físico e super baseado em tecnologia, já mexe mais dinheiro que um gigante de mercado.

Achei interessante a tua analise, com recurso a alguns filmes e momentos da vida em que utilizamos a tecnologia mesmo aqui ao lado.

Para quem ja se esquecem, os telemoveis têm 15 anos. Hoje, com GPS, GPRS, Wi-Fi, Bluetouth, Lan, Infravermelhos, TouchFloow, bla, bla, bla... nem nos damos conta, tal a naturalidade da evolução tecnologia.

Sou da opinião que o homem tem legitimidade para aperfeiçoar, e usar a tecnologia médica para melhorar o seu modo de vida. O problema é quando esse modo de vida afecta negativamente outros.
Ai calma!

Hoje em dia, o aperfeiçoamento da beleza, da inteligência, ja acontece com a maior naturalidade.
Não axo que venhamos a chegar à Matrix, em que o conhecimento apareça através de uma usb pela testa adentro.

Finalizo, alertando com ideia do inicio.
O caminho a seguir, tem que ter em atenção o bem comum.
O dinheirinho, acções especulativas, investidores mal intencionados e interesses por detrás de grandes negócios lucrativos, podem ferir o melhor interesse da melhoria e de aperfeiçoar a cultura e condição humana.
Se forem para o bem comum, optimo. Se meterem