terça-feira, outubro 09, 2007

A Hora do Camaleão



Resolvi durante os últimos meses fazer uma retirada estratégica, primeiro para preparar os exames nacionais, minha primeira prioridade, mas depois porque o rumo que as coisas levavam, o que fui vendo, lendo e ouvindo, sobretudo a militantes do PSD me deixou profundamente triste e descrente na politica.

Essa foi aliás a razão porque decidi não consumar a minha inscrição como militante da JSD e manter-me independente.
Apoiei convictamente a recandidatura do Dr. Marques Mendes a líder do PSD e nem por isso ninguém me ouviu dizer ou escrever o que quer que fosse contra o Dr. Luís Filipe Menezes.

Sei, porque é fatal como o destino, que daqui até ao próximo fim de semana, à medida que se for aproximando a data do congresso, é chegada a hora do camaleão. Muitos dos principais críticos do actual líder vão passar a idolatra-lo com total e completo despudor…

Não é essa a minha forma de estar na vida o que não significa que não deseje que tudo corra o melhor possível ao PSD, para bem de Portugal que precisa de um PSD forte e credível.

Se acredito? Não, mas como sou democrata dou, naturalmente, o beneficio da duvida a quem ganhou.

Não vou andar por aí, fazendo obstrução sistemática como alguns num passado recente, mas estarei atenta e voltarei um dia quando e se entender que vota a valer a pena.

Viva a UV, os amigos que lá fiz e o magnifico reitor com quem tanto aprendi.

Até sempre.

21 comentários:

Goreti Martins disse...

Estou para ver as mudanças de cor desses camaleões, as novas posições, os diz que não disse e sempre disse aquilo e aqueloutro.

Vai ser só viragens... mais viragens do que estas só quando começa a noite na zona do conde redondo :)

Tânia Martins disse...

Eu vou esperar para ver...

Espero que Menezes me consiga surpreende, ainda não tenho grandes esperanças mas também vou dar o benefício da duvida...afinal toda gente o merece.

Filipe de Arede Nunes disse...

Ora, há que dar o beneficio da dúvida a essa malta que anda por aí. A taxa de desemprego aumenta mês após mês, e o pessoal tem de alimentar a familia!
Pelo que tenho visto do blog, acho que todos os psicoticos têm obrigação de pelo menos andar por aí! Um grande bem haja pela frontalidade da posição e da honestidade na hora do até já.
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Anónimo disse...

"Essa foi aliás a razão porque decidi não consumar a minha inscrição como militante da JSD e manter-me independente."


Inês, essa não é razão para não te teres tornado militante da jsd. Não é pelas pessoas que lá estão que deves deixar de fazer parte deste partido. O que realmente interssa é se te identificas ou não com os seus idiais.

"As pessoas passam mas o partido (a grande família laranja) fica para sempre."

Um beijinho laranja para a bejamim da uv 2006
;-)

Nélson Faria disse...

Um dos maiores entraves à entrada num partido é a descrença na mudança que UM pode fazer.

Eu entrei assim no associativismo e, reconhecendo que todos mudamos ao entrarmos em contacto com a aziaga realidade, mantenho a esperança em conseguir mudar... ainda que seja um pouco.

Já cedi algumas vezes, mas acredito que consigo marcar a diferença em cada passo que dou.

Continuamos à tua espera! ;)

Nélson Faria disse...

Um dos maiores entraves à entrada num partido é a descrença na mudança que UM pode fazer.

Eu entrei assim no associativismo e, reconhecendo que todos mudamos ao entrarmos em contacto com a aziaga realidade, mantenho a esperança em conseguir mudar... ainda que seja um pouco.

Já cedi algumas vezes, mas acredito que consigo marcar a diferença em cada passo que dou.

Continuamos à tua espera! ;)

joana simões disse...

muito boa tarde!
gostei da expressividade do teu texto, está singular e mt simples! mas acima de td expressa aquilo que sentes!
nao, nao fui grande apoiante do Dr. Marques Mendes, mas tb não sei o que nos trará de bom o Dr. Luís Filipe Menezes. sei, no entanto, que estou triste por td o que tem acontecido dentro do partido, que deveria ser forte e unido, para conseguir combater todos os que se unem contra nós, porque na liberdade temos de assegurar o nosso lugar, as nossas ideias e td em que acreditamos, neste momento não está a ser possível, mas ao contrario de si, eu filiei-me e espero que em breve possa contribuir com o meu esforço para a união e para o combate do nosso partido! porque só unidos iremos vencer, desagregados continuaremos a cair como estamos neste momento.


lamento não ter vindo cá ultimamente, mas a universidade está a ocupar-me imenso tempo!

beijo laranja*

Elsa disse...

Inês,

Revi-me no teu post mas permite-me não concordar com o desfecho sem, todavia, pretender fazer qualquer julgamento.
Percebo a tua tristeza são, de facto, lamentáveis algumas situações do passado recente. Mas estou certa que os militantes que encaram a política de forma séria também não se orgulham delas.

Segui atentamente a campanha para as directas, e como espectadora desejei e acreditei na reeleição do Dr. Marques Mendes. Hoje, o líder do PSD é o Dr. Luís Filipe Menezes. Em democracia é preciso saber aceitar e respeitar todos os resultados, mesmo os que não nos agradam tanto. Penso que antes de se começar a criticar por criticar visando uns “minutos de antena”, importa sim dar o benefício da dúvida ao novo líder. Depois, se as criticas forem merecidas, fazê-las e se as acções louváveis, apoiá-las.

Durante muito tempo refugiei-me na pele de independente porque a minha forma de estar na vida não se coadunava com algumas formas de estar na política. Porque me entristecia que o partido que corporiza a matriz de princípios, valores e ideais em que acredito nem sempre soubesse marcar a diferença.

Em Setembro à saída da UV, pródiga em encontros com gente empenhada em marcar a diferença, afirmava que aquela experiência deveria servir para despertar as consciências para a participação cívica. Hoje, vou mais longe e acrescento, … e partidária. Quando muitos outros, e alguns amigos, dão a cara por uma matriz de valores e ideias que também á a nossa, o sofá passa a ser um lugar, muito, desconfortável. Por isso, decidi filiar-me. Por isso, esta é a minha “hora do camaleão”

A questão levantada pelo Nelson, com a qual muitos já se confrontaram várias vezes ou em diversas situações, não deixa de ser bastante pertinente. De momento só me ocorre "Muitas Formigas juntas conseguem mover um elefante"

Bruno disse...

Em primeiro lugar, saudamos o teu regresso Inês. Enquanto não pudermos festejar o teu ingresso, espero que te mantenhas activa, aqui pelo blog porque fazer política é muito mais do que assinar um papel.

Em relação ao que dizes, mostras mais uma vez o porquê de ter saudado o teu regresso ao Psico. Concordo em absoluto contigo! E, infelizmente, esta situação não é novidade para ninguém.

E mais triste ainda é que, daqui a dois ou quatro anos, virá um novo candidato, provavelmente ganhará e esses camaleões voltarão a adaptar a sua cor. Mais triste ainda será se adaptarem a sua cor a alguém que nesta altura difícil preferiu ficar na zona... cinzenta.

Filipe de Arede Nunes disse...

Não sei Bruno se vês a zona cinzenta como todos aqueles que não escolheram um candidato nestas eleições! Esclarece-me e esclarece-nos, por favor.
Cumprimentos,
FIlipe de Arede Nunes

Paulo Colaço disse...

Dentro de 2 meses chegarei aos 32 anos e metade da vida passada na politica.

Neste tempo todo tenho o orgulho de nunca ter sido chamado de camaleão, mas benho assistindo às mudanças de pele de muitos "companheiros"...

Entendo o que dizes, e também entendo a mágoa que expressas, Z. Esta seria, talvez, a melhor altura para te decidires filiar (como fez a Elsa, a quem saúdo), mas não te condeno.

É que também temos direito a amuar. Eu, por exemplo, não irei ao Congresso. É a minha forma de protestar.

Se, e quando, quiseres proceder à filiação, tens aqui um largo conjunto de psicóticos desejosos de serem teus proponentes. Todos! Numa folha anexa à ficha!

xana disse...

Também te percebo muito bem Inês. Mas já agora deixo o meu testemunho pessoal: fui militante da jota muito novinha, mas também cedo me desfiliei. Desde o primeiro ano da faculdade que muitos me aliciavam a voltar a juntar-me à jota e ao PSD, por já ser maior. Nunca quis.

Em 2004 para 2005 sucederam muitas coisas más: Durão abandonou o PSD e o país, Santana é o novo 1º ministro e novo líder do PSD num processo que não foi muito agradável de assistir, Sampaio dissolve a assembleia e o PSD perde de forma humilhante as legislativas. Sabes o que fiz? Filiei-me.

Podes não te juntar à estrutura, mas estando no psico sabes bem que estás entre os melhores!

Bruno disse...

Filipe,
Esclareço-te com todo o gosto! Aqueles de que falo são aqueles que mais critiquei aqui no Psico, nos posts referentes a este processo: os militantes do PSD que podiam e deveriam ter sido candidatos e não o foram, não apresentando uma justificação credível.

Acho que o partido e o país não mereciam tamanha cobardia. Sim, porque a conclusão a que chego é que se deixaram ficar à sombra, aguradando por uma altura em que seja mais "fácil".

Caro Colaço,
Ainda vamos começar a ver nas fichas de inscrição o seguinte escrito no campo do proponente: P'lo Psicolaranja, fulano de tal...

Paulo Colaço disse...

eheheehheheheheh!

Anónimo disse...

Só não concordo com essa parte dos ideais do partido... quer dizer...
Se marques mendes decidi-se dirigir outro partido, eu seguiria-o, porque são os dirigentes e os militantes que fazem o partido não é o partido que faz os dirigentes e os militantes...
Ou seja, se Durão Barroso ou Marques Mendes se fizessem dirigentes do PP ou do PS... eu filiaria-me nesses partidos...
Acredito que um partido por muito bons ideais que tenha sem um bom lider não vai longe uma vez que o lider pode ou não seguir esses mesmo ideais...
Acredito nas pessoas e no que elas defendem!

Assinado: antZ

Anónimo disse...

Inês, assim nunca te chegarás a filiar num partido...porque os seus dirigentes estão sempre a mudar, ora hoje temos um bom, amanhã temos um mau...agora as bases...os idiais...continuaram sempre. Enquanto, houver caminho...caminharam todos juntos formando uma enorme corrente laranja. Há pessoas que são psd desde 74. Ao longo destes 33 anos já tiveram como dirigentes bons ,menos bons, maus,péssimos, mas esses militantes são militantes há 33 anos...vão ser por mais 33...vão sê-lo por 100 anos...vão sê-lo p sempre...mesmo dentro do caixão serão PPD-PSD...

jfd disse...

Inês, uma grande beijoka;)

Colaço era bom que fizesse o mesmo que a Elsa (sim essa grande surpresa!!!), mas a seu tempo :)

!

Nélson Faria disse...

Eu não concordo com o seguidismo de pessoas. Posso dar o meu voto, posso dar o meu apoio e até fazer campanha por pessoas que respeite e com as quais não partilhe ideologia.

Mas seria-me impensável filiar-me ao sabor do vento,das tendências. Eu preciso de estar constantemente a construir, e não só a opinar; a trabalhar e não só a apoiar; a comprometer-me e não só envolver-me.

xana disse...

Exacto. Eu pessoalmente, naquele momento tão frágil, quis juntar-me ao PSD. Só ao PSD, não a ninguém especificamente.

Inezinha disse...

Tal como a Inês, também já alimentei estas dúvidas, as quais não estão totalmente resolvidas. Embora respeite completamente a sua opção, não sei se mal se bem, acabei por me envolver na JSD porque acredito que posso contribuir, ainda que muito modestamente, para que a J consiga fazer a diferença.
O caminho faz-se caminhando e não ficando parado.
Inês, todos são importantes e tenho a certeza que todos precisamos de ti.

Bruno disse...

Acho que aquilo que a "Z" disse, mostra bem o porquê de não ser filiada. E, provavelmente, enquanto pensar assim, não se filiará mesmo em partido nenhum. Manterá a sua independência para que possa, a qualquer momento, sem quaisquer constrangimentos, apoiar quem bem lhe apeteça.

São opções... é óbvio que todos os psicóticos gostavam de a ver como militante do PSD (talvez para o Sardinha isso seja mais indiferente). Mas não será por isso que deixaremos de a respeitar, muito pelo contrário!

Aquilo que gostava de te dizer cara Inês, é que penses bem, se essa é mesmo a forma de seres mais independente. Tu téns certamente ideias próprias, uma personalidade. Essa tua maneira de ser, de estar e de pensar deverá aproximar-se de uma determinada ideologia e de um posicionamento político. Juntares-te a um partido significa lutares pelas tuas ideias e causas, que serão também as desse partido. Seguires sempre o líder A ou B significa ficares muitas vezes orfã a meio do caminho...