sexta-feira, outubro 19, 2007

O Esquerdismo de casa-de-banho


Primeiro que tudo: Esquerdismo não tem a ver com o ser de esquerda.


Esquerdismo refere-se a um modus operandi que implica a utilização de técnicas políticas geralmente associadas à esquerda.


Como tal: manif's, greves, etc., são medidas esquerdistas, mesmo que fossem feitas por pessoas de direita.


A minha dúvida, meus senhores, é o porquê?


O que leva as pessoas a caminharem por quilómetros para a frente dos órgãos de soberania a um fim-de-semana?


Por que gritam palavras de ordem para um escritório vazio?


Porque protestam contra medidas que visam, a longo-médio prazo, a vossa protecção?


Ouvi uma vez alguém dizer que era um escape. Que as massas (o sempre anónimo "povo") deixavam sair as suas frustrações nocivas a pouco e pouco, para evitar que a coisa rebentasse e ficasse tudo borrado.


Creio que não estará longe da verdade. Mas creio que o esquerdismo é mais um símbolo.


As pessoas acreditam que uma manif vai longe e isso é importante para elas. Enquanto membros de uma massa são mais fortes só por gritar.


E aos titulares do poder político interessa-lhes que assim seja.


Deus sabe o que poderia acontecer se aquelas pessoas todas começassem a querer melhorar o sistema por dentro...


A coisa ainda dava...asneira.

8 comentários:

Sujeito Poético disse...

Antes uma manif que uma revolução armada, não lhe parece?

José Pedro Salgado disse...

Mil vezes, sujeito poético, mil vezes.

Mas começo a ver que será esse mesmo o único efeito útil.

Nélson Faria disse...

Nunca percebi as manif's, nunca participei em nenhuma. Falta, na frase anterior, o "logo".

Gosto mais de acções de constestação simbólico-emblemáticas. As manif's devem ser guardadas para alturas graves, que simbolizem um grande desacerto com as entidades governativas.

Convocar manif's porque é 1 de Maio é das coisas que descredibiliza a classe sindical.

Bruno disse...

Ao contrário do Né, já participei numa: contra a PGA. Achei que era vergonhosa a prova a que sebmeteram os alunos num determinado ano e achava que um único exame não deveria ter tanto peso no acesso ao ensino superior.

Fui à manifestação e uns gritavam contra Cavaco, outros pediam a demissão do ministro sendo que a maioria não sabia bem ao que ali andava(o que isto é muito comum, infelizmente). No final o objectivo até foi conseguido mas, definitivamente, não pela manif!

Acho que em Portugal se banalizaram estas questões e como tal deixaram de ter grande efeito. Se bem que fazem as delícias de quem está na oposição ;)

Paulo Colaço disse...

Nunca participei numa manif.
Espero que o meu País não venha um dia a estar tão mal que eu ache valer a pena entrar numa coisa dessas.

De qualquer forma, aqueles que são para mim motivos para sair à rua não serão, para outros, mais que justificação para um bocejo.

De igual modo, as razões que levam outros a pegar em cartazes podem levar-me apenas a exclamar: "tss tss, que palhaços!".

isabel ferreira disse...

Também nunca participei em nenhuma manifestação.
E, como o Paulo Colaço "Espero que o meu País não venha um dia a estar tão mal que eu ache valer a pena entrar numa coisa dessas.".

São ideias e ideais.
São maneiras de estar e fazer a vida.Sei lá...não sou a favor nem sou contra...é coisa na qual eu nunca pensei...cada um é livre de fazer o que quer, no entanto, nada de extremismos! Em mtas dessas manifestações há ofensas, agressões, destruições, enfim... o sem número de coisas que não se devem fazer e que põem em causa o respeito pelo o outro.

Tânia Martins disse...

Uma manifestação pode ser interpretada de duas formas:

Pessoas que tentam defender e lutar pelos seus direitos, para deste modo poderem trabalhar com condições mais justas.

Ou então, são aquele “bando” de gente que não quer fazer nenhum e vê assim uma forma de não trabalhar num dia em que a manif seja feita num dia de semana e está feito!

Luís Sardinha disse...

Nunca participei numa manifestação, seja por não me sentir afectado seja por considerar que essa é provavelmente uma forma de luta que se tornou demasiado banal e por conseguinte ineficaz.

A nossa classe política está dentro de um "liga de bronze", poucos saem, poucos entram. As caras são sempre as mesmas. Esta falta de rotatividade na cena politica leva a que certos quadrantes da sociedade não se sintam representados originado assim descontentamento.

Como podemos fazer intervenção política?

Enviando uma carta para o Ministério da qual não vamos obter resposta?

Ou

Organizar uma manifestações, que quer queiramos ou não chega aos olhos de todos com a ajuda da Comunicação Social?

Julgo que a culpa não está em quem se manifesta. É fácil dizer que a esquerda apenas cria instabilidade, difícil é quebrarmos o muro que nos separa da política. E ai nós, os que nos sentamos à direita, temos uma especial responsabilidade como partido de poder.