sexta-feira, outubro 19, 2007

Pódios que valem a pena!


«Portugal é o segundo pais de uma lista de 28 (25 estados-membros da UE, Canadá, Noruega e Suíça) com melhores politicas de integração de migrantes, especialmente no acesso ao mercado de trabalho, reagrupamento de famílias e políticas contra a discriminação, segundo o estudo Index de Politicas de Integração de Migrantes 2006.» (in Lusa, 15/10/2007)

Quantas vezes não nos lamentamos ou envergonhamos das posições obtidas noutros rankings? Ora por estarmos no pódio dos últimos ora porque as razões que nos fazem estar na dianteira não constituem motivo de orgulho. Aí está um 2º lugar, numa matéria tão sensível quanto importante, de que me orgulho!

Os psicóticos e psico-amigos o que tem a dizer?


Elsa Picão

13 comentários:

Paulo Colaço disse...

O texto é da Elsa, o título e a imagem são da minha responsabilidade.

Desde que criámos a figura do psico-convidado que alguns amigos do Psico têm escrito textos (um por cada) sobre temas solicitados. O Psico passou a contar com o empenho de alguns psico-amigos, sem problemas em dar a cara.

Foi o caso da Elsa, aluna da UV 2007, a quem agradeço o excelente mote para um tema que, desde cedo, me apaixona.

A postura face ao acolhimento de cidadãos estrangeiros é uma matéria que, não raro, divide direita e esquerda, embora eu ache muito fraco o argumento ideológico para justificar o fecho de portas, por exemplo.

Como complemento do texto da Elsa, lanço mais uma acha para a fogueira: um país como Portugal, que deu novos mundos aos Mundo, que é o responsável por alguma balbúrdia em certas partes da terra, que inundou o planeta de sangue lusitano (que é uma mistura de terra, ar e água de todas as partes do globo) deve ter uma política-cadeado de imigração?

Quanto às leis de imigração, muitas delas devem-se ao PSD, que teve uma postura muito humanista na matéria nos governos Durão/Santana.

Bruno disse...

É natural o orgulho ao ver o nosso país no pódio de uma classificação que reflecte capacidade de integração e convivência, tolerância e multi-culturalidade.

No entanto, não devemos olhar para esta tabela isoladamente e este prémio só será justificado se consegurmos também ter bons índices de qualidade de vida, oferta de 1º emprego, facilidade no acesso à habitação, motivação e orgulho em ser Português.

É sabido que muitos dos países onde é difícl enquadrar emirantes têm desigualdades e problemas sociais pelo que penso que uma coisa não está dissociada da outra.

Parabéns Portugal! mas que esta classificação não seja um fim e sim um passo para o equilíbrio que se deseja.

Daniel Geraldes disse...

Fico bastante contente com este reconhecimento e dado o nosso passado historico acho que tambem não podia ser de outra maneira, mas concordo que devia haver quotas de imigração para essa qualidade de vida se manter.

Lisete disse...

Cá na Madeira, e por sermos uma Região distante das outras do País, pelo isolamento geográfico, pois claro ;), a realidade da imigração é muito sentida por cada madeirense e portossantense.

Só para podermos ter uma ideia de quão diversificada pode ser o proveniência dos imigrantes, as escolas da Madeira contam com alunos de 61 nacionalidades diferentes. E se as políticas de integração ao nível da Educação, por exemplo, são traçadas e desenvolvidas com vista à integração destes, deparamo-nos com situações sociais degradantes, discriminatórias, ilegais e, por tudo isso, deveras preocupantes.

Acho que Portugal tem de decidir de uma vez por todas que política de imigração adoptar. Algumas medidas avulso não chegam. A questão é de facto complexa.

Aqui, na Madeira, vivemos diariamente com os relatos dos imigrantes que tentam chegar às vizinhas ilhas Canárias, uns já mortos, outros confinados a um espaço, enquanto a vizinha Espanha também não decide como lidar com o problema.

Hoje, e a propósito do que o Colaço lançou, o mundo é, de facto global. E se há muitos anos foram os portugueses a procurar o mundo fora por melhores condições, será justo Portugal não acolher os que vindos de fora procuram agora fazer o mesmo?

Esta questão é complexa, como já referi, também pelos factores político-económicos que se impõem nesta era global.

Tenho algumas reservas se Portugal, país pouco competitivo, com índices de inovação, crescimento muito lentos,etc., pode ou está preparado para abrir as suas 'portas'. Importa, por um lado, saber se internamente temos condições para os receber e integrar dignamente, depois, por outro lado, saber se possuimos os os mecanismos de usar esse mesmo factor como oportunidade e força de nós próprios acompanharmos - de forma incluída, não ao longe - o mundo globalizado.

big mamma disse...

A minha opinião:
nao podemos ficar a lamentar os erros do passado nas antigas colonias nem permitir que uns abusem dos nossos erros.

Sim às quotas para imigração (sobretudo familia de imigrantes já legalizados) mas o sentido deve ser mão de obra qualificada.
Licenciados e técnicos em áreas que o país precise.

Bruno disse...

Deixem-me acrescentar que não concordo com o argumento da História e dos Descobrimentos não colhe. São épocas diferentes, situações diferentes e por isso não penso que seja justificação para acolhermos "sem rei nem roque"...

José Pedro Salgado disse...

Tenho a dizer que, tendo em conta o tema, a imagem vem carregada com uma grande dose de ironia.

Por outro lado, historicamente, somos dos povos que mais soube absorver de outras culturas.

Grande parte do nosso progresso nos Descobrimentos deveu-se a isso.

Sempre conseguimos dar por bem empregue as dicotomias que separam os povos, unindo-os.

Convido, aliás, a fazerem um exercício: retirem mentalmente os emigrantes das posições (estereotipadas, é certo) da vossa mente, e digam se não acham que eles próprios fazem parte da nossa cultura.

António Pessoa disse...

Sempre me considerei muito cauteloso em relação à questão da imigração. Talvez por de forma errada se associar os cidadãos estrangeiros que escolhem o nosso simpático país como casa, à marginalidade e à delinquência.
Mas cada vez mais vou abandonando esta ideia, muito por causa do que o Sr. Paulo Colaço referiu: os governos de Durão/Santana demonstraram uma visão muito humanista nesta matéria. é necessário que se continue a promover a integração efectiva destes corajosos que saem dos seus países à procura de melhores condições de vida.

xana disse...

E quantos desses corajosos vêem para efectivamente trabalhar?

Atentemos, por exemplo, ao crime organizado em Portugal, cresecnte como sabemos apesar das palavras do MAI, em que são protagonistas muitos imigrantes?

Temos de ser cautelosos, e exigentes, concordo com o estabelecimento de quotas e com maior exigência na qualificação.

E mais, temos que ser consequentes: para quê abrir as portas se depois não somos capazes de dar resposta?

Nélson Faria disse...

1 - Muito nos orgulha a classificação, mas infelizmente ela reflecte mais a lei do que a prática. Temos um bom regime, o que não significa que a integração seja fácil.

2 - Quotas. Não percebo de onde veio a obsessão de todos os comentadores com quotas. Nós temos quotas em PT, é a política da UE. Eu não concordo com quotas porque é uma medida para inglês ver: qual é o Estado que consegue definir quem faz falta e quem é inútil, e a quantidade em que precisa deles? Deve existir um escrutínio sério, não numerologia.

3 - Trabalho qualificado. Ora aí está o que não precisamos. Precisamos de qualificar melhor as nossas mentes, mas se há mercado saturado é o de nível superior. Precisamos de obreiros e de técnicos, daqueles que fazem o trabalho que nós, erradamente, entendemos não serem dignos.

4 - Crime organizado. Até parece que não havia criminalidade antes. É um reflexo normal de comunidades muito fechadas. A nossa diáspora nunca teve esse efeito nas sociedades de integração porque não somos organizados nem muito fechados. Todos os países receptores passaram por isso... a resposta está na integração.

A política de imigração por excelência é definida por uma frase de Paulo Portas: Rigor na entrada, humanismo na integração.

isabel ferreira disse...

Às vezes somos mesmos bons!
Mas nunca sabemos contar aquilo em q somos bons...só sabemos contar as desgraças, os dramas,etc...

Elsa disse...

Depois de ter sugerido o tema e o Paulo me ter concedido a Honra de postar no Psico, não podia não deixar a minha opinião, embora semelhante a outras já expressas.

Partilho em grande parte das posições do Paulo e do Nélson.
O contacto com imigrantes e mais recentemente com Comunidades de Portugueses em igual situação sedimentaram a minha certeza de que a capacidade dos países receptores em integrar é fulcral para o sucesso das politicas de migração. O que como já foi dito, passa por aceitar com critério e acompanhar aqueles que acolhemos.

Por último, sim é um facto que o país tem, em algumas áreas, necessidade de mais licenciados e técnicos qualificados. MAs não é menos verdae que tem excesso noutras. Não me parece que esta questão se resolva (desculpem o termo) "importando" licenciados ou técnicos, mas repensando a politica de educação e ensino superior em função das nossas necessidades reais.
Aqui concordo com o Nélson: "Precisamos de qualificar melhor as nossas mentes."

Tenho esperança que alguém consiga descontruir a triste constatação a que cheguei: ao perguntar a uma familia portuguesa as razões que os tinham feito imigrar e o que faziam, percebi que as suas respostas não diferiam muito daquelas que qualquer imigrante em Portugal aponta. Conversando com uma familia luxemburguesa a propósito destas questões o seu comentário foi muito semelhante a este: precisamos de obreiros e de técnicos, daqueles que façam o trabalho que nós não estamos dispostos a fazer.

É muito bom sermos 2º, mas ainda podemos ser 1º. Num caso como noutro, é preciso continuar a trabalhar!

joana disse...

sim ,é verdade! realmente o povo português não tem muitas razões de se orgulhar da maioria dos rankings, mas aqui está um a demonstrar que aquela ideia de que o que é estrangeiro é que é bom, está errada! se virmos bem, teremos de rocurar muitas respostas dentro de cada um de nós e talvez iremos ver que nem tudo é assim tão mau! custa perceber que por vezes para podermos adquirir valor temos de lutar por ele, porqque só assim poderemos aparecer no pódio não por coisas negativas, mas por coisas positivas!