terça-feira, outubro 30, 2007

O Homem do momento ou o momento do homem?



Fernando Ulrich é, quanto a mim, uma figura incontornável do cenário económico português dos últimos 3 anos. O BPI, que bem vistas as coisas ainda não é um dos "3 grandes" do campeonato bancário nacional, está sempre na linha da frente nos processos decisores de grandes planos estratégicos e a verdade é que o faz sem nunca se pôr em bicos de pés.

Mas se Fernando Ulrich tem sido repetidamente o Homem do momento, a verdade é que este momento actual vivido pelo Millennium BCP de alta fragilidade e volatilidade nas cotações em bolsa das suas acções, permitia, ía comentando a imprensa, que um qualquer Banco estrangeiro rápidamente "sugasse" o banco "de Jardim Gonçalves". Falava-se do La Caja. Ora não foi um estrangeiro, foi um português. Oportuno o BPI, astuto Fernando Ulrich ao aproveitar o momento que o pode lançar para a liderança do 4 maior Banco da Peninsula Ibérica: Banco Millennium BPI.

A questão que vos coloco é se acham que foi este Homem que fez o momento; ou se foi o momento (ou momentos) que fizeram (ou foram fazendo) este homem.

Quanto a mim sou conspirativo e acho que não é nada disto e que existe um gentleman´s agreement (muito agradável já agora) desde a famosa AG do Millennium entre Jardim Gonçalves e Fernando Ulrich.

Não acham...

16 comentários:

Paulo Colaço disse...

Eu, com franqueza, não acho nada.
Sou um leigo nestas coisas mas há uma coisa que julgo saber: os portugueses andam deliciados com estas danças e contradanças.

Vivemos as guerras do BCP e etcs como se de novelas se tratasse.

Esta novela, do namoro BPI/BCP, é bem mais construtiva para Portugal que a anterior: esta pode levar à criação do tal 4º maior banco peninsular.

Desejo a Fernando Ulrich a melhor sorte nesta caminhada.

Frederico Carvalho disse...

O Banco Millennium BPI é já uma realidade.

Depois da fracassada OPA nos ideais de Paulo Teixeira Pinto, o BPI fez uma jogada de mestre.
Mantêm o pessoal administrativo, multiplica por muitos a valorização do banco e apanha o BCP numa faseem que o desmembramento interno de criticas à gestão, a prepotência de
Jardim Gonçalves e o disparate que envolveu o filho do dono do banco, não deixam grandes margens para salvaguardar um escudo na bolsa e na sociedade.

Alias, o futuro do seu banco ja Jardim Gonçalves definiu. Aprovou a fusão.

Posto isto, quais as principais razões para ser o BPI a avançar com uma fusão incorporada:
1) O BPI avançou nesta altura com uma proposta de fusão sobre o BCP porque receava uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) por parte de outras entidades sobre o banco fundado por Jardim Gonçalves. Mas atenção, porque a qualquer altura pode surgir uma OPA, não é pela proposta do BPI que os flancos deixam de ficar abertos.
2) Os termos de troca propostos apontam para que a cada uma acção do BPI corresponda duas do BCP pelo que o capital do BPI será aumentado dos actuais 760 milhões de euros para 2,5 mil milhões de euros.
3) Na bolsa o BPI ja atingiu o máximo histórico com a sua acção muito bem cotada e o BCP subiu já mais de 10% e
4) O novo banco proposto será o 3ºmaior na Península Ibérica e terá poder para conseguir melhores condições financeiras ao mercado português e claro, expandir-se para o estrangeiro alargando a sua influência
5) Será maior nos recursos financeiros e na maioria dos serviços à Caixa Geral de Depósitos.

Problemas:
1) O valor oferecido e a distribuição de poderes no futuro Millennium BPI são os pontos mais contestados entre administradores e accionistas do BCP. Uma estratégia de resistência começa a ser montada, apesar dos esforços de Jardim Gonçalves para convencer os accionistas do seu banco.
2) Na proposta de fusão do BPI com o BCP o número de membros do Conselho de Administração será de 31, cabendo ao BCP a indicação do presidente e ao BPI a de vice-presidente. Vê-se logo que queiram pôr tudo no mesmo saco. Tanta gente dá confusão
3) Despedimento de mais de 3.000 trabalhadores e provavelmente fecho de balcões por ordem da CMVM

O BPI, apanhou um grande momento na estratégia bancária. O BES não o podia fazer, a Caixa Geral também não, e a união ou a compra é a ultima reduta para estes dois bancos.
Fernando Ulrich, sugere a fusão no momento adequado. Se ele ajudou a que isto acontece-se. Claro que sim.

Gostava imenso de ouvir a opinião do Paulo Teixeira Pinto, que deve axar incrivel o que se está agora a passar.

Uma ultima nota:
Ontem estava a conversar com dois amigos na Net, enquanto ouvia a primeira parte do Prós e Contras na net, e referia a importância da malta estar atenta a este acontecimento na vida economica-social que este acordo vai gerar.
Parece-me que há muita gente que não se apercebe da dimensão de ter um banco maior que a Caixa-Geral de Depósitos. Dos milhões de euros que vão circular nos próximos tempos.
A mim falta-me dinheiro para la estar a comprar acções ao disparate para depois vender a quadriplicar depois dos bancos se fundirem 

Ulrich afirmou ontem no Prós e Contras que este é o momento de se iniciarem as negociações entre os conselhos de administração das duas instituições, depois de o BPI ter feita uma primeira proposta.

«A haver negociação, começa agora»,

Tiago Sousa Dias disse...

Duas notas mais:

1- Acho que duvidosa a exequibilidade de um Conselho de Administração de 31 pessoas. É mais uma Assembleia Geral que um Conselho de Administração.
2- Mais 3000 despedimentos. O BCP já tinha despedido cerca de 2500 funcionários acreditando que a OPA seria exequível. Mais 3000... O ambiente dentro do BCP foi podre durante dois anos com a instabilidade interna constante pois alvo de despedimentos foram todos. Dos contratados a termo aos quadros mais elevados. Este capitulo será triste.

big mamma disse...

Não sou daquelas pessoas que vê nos bancos o mal do mundo. Porém, conheci há pouco tempo (motivos familiares) a realidade do BCP: se alguém não mudar radicalmente a filosofia desse banco, (isso pode acontecer com a junção ao BPI) brevemente haverá uma causa de divórcio que será maior que todas as outras: "trabalhar no BCP".

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Bem, tecnicamente seria o quinto maior banco na Peninsula Ibérica (só seria o 3º se descontarmos as caixas de aforro espanholas, uma delas accionista do BPI), mas seria maior que a CGD, o que sinceramente não me preocupa muito.

Quanto ao "A mim falta-me dinheiro para la estar a comprar acções ao disparate para depois vender a quadriplicar depois dos bancos se fundirem ", caro Frederico discordo. Os dois bancos já viram preçados nas suas acções os efeitos de uma fusão, só que na altura dava pelo nome de OPA hostil e corria ao contrário. Dúvido muito que as acções subam por outra razão que não especulação pura.

Quanto aos objectivos de Fernando Ulrich: sou um cinico. E como tal não acredito muito nesta oferta. O preço está baixo. Quando se oferece algo a um grupo de accionistas oferece-se também um "prémio de controlo" sobre o preço das acções. Não vejo o "prémio" nesta oferta. Relembro que esta oferta é semelhante à oferta do Barclays sobre o ABN Amro - feita tendo por base troca de acções. O problema é que os accionistas em geral tendem a preferir dinheiro, por razões óbvios. Continuando com o cínismo e teorias afins, também é possível que Ulrich só tenha um objectivo - semear mais confusão junto de um grupo de accionistas já confusos para começar. Serve - alias tem servido - os interesses do BPI... mas isso sou eu que sou cínico :P

Adriana Neves disse...

Tal como o Paulo Colaço sou uma leiga neste assunto mas esta novela parece ser mais produtiva que a anterior.

Nota: Viram ontem o Berardo a oferecer no programa Pros e Contras duas garrafas de champanhe a Fernando Ulrich? Ha provocações e provocações...

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Ora ai está um "senhor" que eu não suporto no panorama bolsista português (se é que podemos chamar ao PSI-20 bolsa mas adiante). E sinceramente achei triste o espetáculo do debate de ontem - mais parecia um circo!

E esse "senhor" não faz outra coisa senão tentar manipular preços de acções com notícias e provocações. É nestas alturas em que pergunta onde anda o Carlos Tavares e restante CMVM...

Elsa disse...

Começando pela questão lançada pelo Tiago. Os dois. Isto é, acho que Fernando Ulrich trabalhou nos últimos anos para o momento, mas que de certo modo, vê "premiado" o seu trabalho pelo sucessivo desenrolar de acontecimentos e a declarada fragilidade do BCP.

Não consegui acompanhar como gostaria, o último episódio desta novela. No entanto, parece-me haver algumas alterações. Se serão produtivas ou não, veremos. Mas quanto antes o BCP ultrapassar o débil momento que atravessar melhor.

"O Banco Millennium BPI é já uma realidade." Pelo menos para já não me parece.
Porque, e questões técnicas á parte, como explicitou o Guilherme, também acho que o preço das acções está baixo, que estamos perante uma "sub-oferta" que terá dificuldade em convencer os investidores.

O outro apontamento que deixo prende-se com o facto de se estar a considerar a fusão de dois bancos e não, uma OPA de um banco sobre outro. O que, também, do ponto de vista da organização institucional tem diferentes desafios e consequências. A mais visivel e imediata será o fecho de balcões e consequente despedimentos dos seus funcionários.

Guilherme Diaz-Bérrio disse...

Cara Elsa,
Apenas discordo contigo no último ponto. A distinção entre fusão e OPA é mais legal que económica. Alias, caso a proposta seja aceite o BPI vai oferecer meia acção do BPI por cada acção que alguém detenha do BCP, i.e. uma Oferta Pública de Aquisição. Do ponto de vista de balanço também é uma operação igual, em que se consolidam os balanços e fluxos de caixa das duas instiuições.

Quanto aos despedimentos, também já estavam contemplados na anterior OPA. Em Finanças raramente o todo é igual à soma das partes, e há sempre departamentos em duplicado. É uma visão fria mas é a realidade das empresas. A única diferença entre este episódio, em relação ao anterior capitulo "Teixeira Pinto vs. Ulrich" é que a oferta é amigável, sujeita à aprovação do BCP e não um oferta ao mercado em geral contra uma administração em particular.

Lisete disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lisete disse...

o BCP acaba de recusar o casamento...curioso o anúncio categórico, quando ao longo dos últimos dias ele mesmo foi lançando sinais de que poderia estar interessado neste casamento...

Frederico Carvalho disse...

Antes do casamento vem sempre o namoro.
Agora ainda tão a trocar olhares, depois começam a tocar-se, uns bjinhos aqui e uns bjinhos ali e no final de Novembro aposto que o casamento está consumado.

Quer queiramos quer não, os negocios bancários nunca vão passar pelo BES (que pertence a uma familia que nunca vai vender a sua parte) e pela Caixa Geral de Depositos (que tem acompanhamento do estado).

Portanto esta historia do BPI e do BCP é só uma questão de tempo

Tiago Sousa Dias disse...

À boa maneira da UV...

Achei curioso:

- Filipe Pinhal questionado sobre o facto de Jardim Gonçalves concordar com a operação e o Conselho de Administração ter dito não respondeu:
"O Eng. Jardim Gonçalves é favorável ao principio desta operação, não à op...ele nunca disse que era a favor desta operação em concreto."
Quando ía dizer que Jardim Gonçalves era contra a operação alterou a frase e disse que Jardim Gonçalves nunca se pronunciou favorávelmente. Eu acrescento: nem a favor nem contra, não se pronunciou, mas dizer-se que é contra ou que não se pronunciou é bem diferente não é...?

Margarida Balseiro Lopes disse...

Esta não é a minha área, mas estou a dar os primeiro passos teóricos porque tenho este ano a cadeira de Economia Política.
Não posso comentar com propriedade a grande maioria das ideias aqui lançadas mas posso dar a minha opinião sobre o senhor Berardo.

"Entrou" em Portugal com a categoria de comendador: longo vão os tempos em que as comendas eram mais bem entregues...

Agora dá-se ao luxo de, tendo tempo de sobra para isso, brincar aos mediatismos, chantagear o Estado, amesquinhar figuras nacionais de reconhecida credibilidade.

Ganhar uns cobres pode ser o objectivo de muita gente, e nem critico os seus objectivos de fazer mais e mais dinheiro. É com ele. Escolheu esse caminho, dentro da liberdade que lhe compete. Mas cabe-nos escolher os exemplos que queremos para nós.
Eu não escolho o dele.

Nélson Faria disse...

Acho que hoje em dia já ninguém duvida que um dos principais aliados de Ulrich na fase OPA foi Jardim Gonçalves.

Este exemplo dos nossos principais bancos é estratégia de poder pura: destabilizar, agitar águas, estabelecer pontes e avançar com a pacificação.

Valeria mesmo a pena desperdiçar tanto capital só para jardim gonçalves voltar a mandar no banco e correr com teixeira pinto?

Quanto ao Millenium BPI, parece-me uma boa ideia: criaremos um "campeão nacional" sem ter de recorrer ao Estado, como se faz na França ou em Espanha.

A pergunta que sobeja: para que precisamos de uma Caixa Geral de Depósitos como pertença do Estado?

José Pedro Salgado disse...

Várias coincidências interessantes povoam este processo, isso não deixa de ser verdade.
Um exemplo é o facto de a OPA e da contra-OPA (se é que isso existe) terem sido lançadas quase ao mesmo tempo, sendo que uma OPA não se lança propriamente com a simplicidade de um calhau.

No entanto, estou em crer que será sempre mais vantajosa a situação desta forma que da anterior.
Com o devido respeito a Paulo Teixeira Pinto, prefiro que seja o BPI que OPA o BCP do que vice-versa.