sábado, janeiro 05, 2008

Um Sonho para os que ficam...

Em comunicado oficial, a ASO (entidade organizadora do rali Lisboa-Dacar) cancelou a prova deste ano, justificando-se com “as actuais situações de tensão politica, o assassinato de quatro turistas franceses, no passado dia 24 de Dezembro, atribuído a um ramo do Al-Qaida, no Magreb islâmico, e acima de tudo as ameaças, directas, lançadas contra a prova, por movimentos terroristas”.

A desilusão com a anulação foi geral. Os pilotos não esconderam a sua frustração, João Lagos (o responsável pela organização portuguesa) mostrou-se preocupado com a reacção dos parceiros e com o futuro, as autarquias envolvidas ponderam pedir indemnização pelos valores investidos.

Já o Ministro do Turismo da Mauritânia desconfia… Acha que as ameaças da Al-Qaida são pouco credíveis, garante a segurança, fala de dois mil militares e dois mil civis disponíveis para garantir a segurança da prova no território. Mas a declaração que mais me chamou a atenção foi esta: “A melhor forma de combater o terrorismo é enfrentá-lo”. Diz ainda o senhor Samb Ba Madine que “o Rali é um símbolo e os símbolos devem ser consagrados. E a melhor forma de o fazer é enfrentar quem os desafia”.

Não sou fundamentalista da guerra contra o terrorismo. Mas sinto que se o Dacar fraquejou este ano, depois de ter uma história de enfrentar perigos, instabilidade política em território africano, assaltos, raptos, entre outros, a verdade é que – em coerência – muito dificilmente voltará a realizar a prova nos próximos anos. Não se antevê uma mudança milagrosa no espectro político dos países africanos por onde a caravana passa nem um abrandar da actividade terrorista. Que eu saiba…

E os psicóticos e psico-amigos, adiavam?

“Um desafio para os que vão; um sonho para os que ficam”
Thierry Sabine, inventor do Rali Dacar

52 comentários:

Bruno disse...

Só uma picardia: terão os franceses ficado ciumentos pela perda de protagonismo dos últimos anos (principalmente com os grandes elogios à organização portuguesa desde que a partida se faz em Lisboa) e aproveitado esta questão para pressionar a organização a cancelar a prova? É só má língua mas...

Vermouth disse...

Acho que fizeram bem em cancelar a prova em virtude da hipotética ameaça terrorista da Al-Qaeda. Claro que tanto os serviços do MNE, como as seguradoras francesas, tiveram um peso determinante nesta decisão. Mas mais vale prevenir, do que remediar depois. Assim apesar dos custos económicos, é preferivel garantir a segurança das pessoas envolvidas na prova.

Nélson Faria disse...

As pessoas são maiores e vacinadas e eles, melhor do que ninguém, sabem perfeitamente os riscos que correm.

O nosso Marquês de Pombal ensinou a melhor maneira de ligar com tragédias consumadas: o mítico "Enterrar os mortos e cuidar dos vivos".

Este ano o Rally poderia ser uma tragédia. Só temos de fazer uma coisa: cuidar dos vivos.

A nossa vida tem de continuar o mais próximo possível com o que era antes desta fobia terrorista. Mesmo no 11 de Março, apesar de manifestamente ter prejudicado o PP, sempre fui a favor de que as eleições gerais em Espanha não serem adiadas.

É quando mudamos e perdemos as nossas referências que o terrorismo vence. O terrorismo foi delineado para semear a instabilidade e afectar-nos profundamente, escolhendo alvos civis para nos impressionar. Nós só temos que os combater fervorosamente: rodeamos a caravana de exército.

jfd disse...

Discordo.
Para quê tentar o destino?
Ter o peso de tantas vidas nas costas de uma organização?
Que empresa iria Segurar o evento?
Como iria ser a logistica?
As coisas não se fazem com paixão mas sim com a razão. E esta última, Graças a Deus, imperou!

Daniel Geraldes disse...

Parabens á Al Qaeda conseguiu cancelar a nossa liberdade, ainda por cima num país como a Mauritania que pouco ou nada tem a ver geograficamente e se quisermos religiosamente e ainda miliciamente com o barril de polvora que é o médio oriente, sem duvida o maior problema e atentado ao paradigma ocidental.

Por isso acho que o vencedor deste ano é mesmo a AL Qaeda.

Bruno disse...

Aquilo que dizem o Daniel (gostamos de te ver por cá!) e o Né, é sintomático do que senti ao escrever este post: assim estamos a deixá-los levarem o que querem. E nunca devemos deixar um terrorista levar o que quer senão estamos a admitir a derrota da civilização, da democracia e do respeito pelos outros.

É verdade que a razão mandava parar. Mas... e quando matarem a vossa Mãe, namorada, irmã, filha num atentado? Vão continuar a assobiar para o lado? O exemplo que devemos seguir é o dos ingleses que tendo sito atingidos por um atentado mostraram que apesar de terem falhado na prevenção estavam preparados para a reacção. Limparam a sujidade e - como diz o Né - cuidaram dos vivos, restabelecendo a normalidade o mais rápido possível.

É preciso prevenirmo-nos contra este tipo de perigo que o terrorismo vem espalhando um pouco por todo o Mundo. Essa é a grande arma. Mas prevenir não significa fugir. Prevenir não significa alterar os nossos hábitos de forma profunda. Significa melhorar procedimentos, incrementar a atenção e cuidados.

O que assistimos ontem, com o cancelamento da prova foi a um atentado terrorista que atingiu os seus objectivos sem precisar de fazer explodir sequer um estalinho de Carnaval...

jfd disse...

Não percebo esse argumentário.
Senão me engano em Bruxelas na Gran Place, cancelaram os festejos de Ano Novo devido a uma forte ameaça Terrorista. Deveriam ter feito de outra forma?
Temos de nos render ao Mundo em que vivemos.
Assobiar para o lado, a meu ver atenção, seria continuar como se tudo tivesse normal, quando não está!

Ataquemos os problemas com racionalidade e não por carolice e porque tem de ser como queremos. A nossa arrogância é que nos coloca muitas vezes nas posições em que estamos.
Temos huevos quando não são necessários e quando é preciso, chapéu!

Tiago Mendonça disse...

Caro Bruno,

Concordo consigo, como até ja escrevi no meu blogue, no sentido de, por uma ordem lógica e coerente todas as próximas edições estarem ameaçadas. Cedemos ao terrorismo, sem margem para dúvida. Agora " eles " só têm de aplicar a mesma receita todos os anos e o Dakar nunca mais se realiza. E depois do Dakar pode ser o Europeu e depois do Europeu uma Expo e depois de uma Expo todo e qualquer evento. O mundo ocidental vassilou pela primeira vez.

Por outro lado, também tenho que atribuír alguma razão ao JFD. É que se daqui a 15 dias morressem dezenas ou centenas de pessoas e os tabloides ou canais portugueses acabados em I e começados em T abrissem os seus blocos noticiosos dizendo que essas mortes se deram em consequência de um ataque terrorista que a organização tinha conhecimento, acho que haveria quase unanimidade entre nós, mesmo que não o admitemos agora, num plano meramente teorico, de que a prova deveria ter sido cancelada.

Sou contra, por norma, a ofensivas unilaterais de um estado, qualquer que ele seja, que se ache o justiçeiro do mundo. Mas sou a favor de que se querermos ganhar esta guerra temos de jogar pela antecipação, porque se não for assim, teremos outros 11 de Setembro, 11 de Março ou agora o muito menos grave cancelamente do Dakar, mas que pesa sobretudo pelo simbolismo.

Mas se sou contra essas ofensivas, sou ainda mais contra a que certos líderes partidários nas suas festinhas de fim de verão, numa Quinta ali para os lados do Seixal, recebam as ditas das organizações terroristas. Depois vem dizer mal dos Estados Unidos e do capitalismo. A mesma cassete de sempre.

Enfim...já escrevi muito, mas realmente este assunto, se analisado em toda a sua amplitude, tem muito que se lhe diga.

Votos de Bom 2008 e continuação de bons post's.

Bruno disse...

Pois, eu também acho que tem muito que se lhe diga e de início nem estava a ver a gravidade da questão, até que o Colaço insistiu comigo para escrever mesmo o post.

A racionalidade de que falam o Jorge e o Tiago (podes tratar-me por ti, já agora) é algo que partilho e concordo. Acho é que devemos preocupar-nos em combater (não ler "fazer guerra") e não em fugir.

Vou tentar explicar-me:

Não sei se em Bruxelas fizeram bem em cancelar. Teriam feito bem isso sim se estivessem preparados e prevenidos de forma a terem desmantelado o tal ataque e não apenas a fugirem da ameaça.

Isto é arrogância? Não! É exigência. E acho que é a única forma de começarmos a combater o terrorismo e não os deixar ir ganhando batalhas como esta.

No caso do Dacar, a organização deveria ter procurado alternativas mas nunca cancelar a prova. Aumentar a segurança (toda a gente se ofereceu para isso) mas nunca cancelar a prova. Avisat todos os participantes mas nunca obrigá-los a voltar para casa. No fundo seria dizer: estamos aqui! não nos rendemos. E acho que aí estaria respeitada a diferença entre coragem e estupidez.

Agradeço ao Tiago ter levado a questão para um caminho que era um dos objectivos do post: Agora " eles " só têm de aplicar a mesma receita todos os anos e o Dakar nunca mais se realiza. E depois do Dakar pode ser o Europeu e depois do Europeu uma Expo e depois de uma Expo todo e qualquer evento

Bruno disse...

Sabem quantas ameaças terroristas houve antes da realização do Mundial 2002? E do Euro 2004? E todos os dias, pela Europa fora, sem que haja qualquer grande evento que o justifique? Lembram-se da entrevista de António Vitorino quando era comissãrio europeu?

Eu não sei os números certos mas lembro-me que quando Vitorino falou me arrepiei. Todos os dias há organizações terroristas a trabalhar. E todos os dias há forças de segurança a tentarem contrariá-las. Para que não tenhamos que deixar de ir ao supermemercado, aos arranha-céus, de metro, de comboio, de avião...

José Pedro Salgado disse...

O Dakar realizava-se e, num período de descanso na Mauritânia, alguém fazia saltar umas tendas com explosivos.

A e B, respectivamente responsáveis da parte francesa e da portuguesa da organização, tinham recebido um aviso quanto à possibilidade deste ataque mas decidiram mostrar que os homens do Dakar tinham tomates e não cancelaram o rali.

Agora, com centenas de mortos e outros tantos feridos em pleno deserto, A e B sentem os seus tomates lentamente a transformarem-se em cerejas conforme lhes são pedidas satisfações por terem permitido a realização da prova sem condições de segurança.

Quid iuris?

Sub-hipótese:

Imagine que o rali decorria sem problemas e A e B eram considerados heróis por não recuarem perante as adversidades.

Considera que vale a pena arriscar tanto só para poder meter a língua de fora à Al-Qaeda e dizer que eles não nos assustam (quando eles sabem bem que é mentira)?

Tânia Martins disse...

Zé na minha opinião não vale a pena arriscar tantas vidas dessa forma, a Al-Qaeda mete medo ao mundo sim, até a suposta maior potência do mundo têm medo deles, os EUA.

Desta forma acho muito bem que se tenha cancelado o Dakar, não haveria justificação para um episódio catastrófico que poderia surgir caso a ameaça tomasse a parte prática. Sempre ouvi dizer que mais vale prevenir do que remediar, então assim seja.

P.S(D)- Malta desculpem a ausência :p

Francisco Castelo Branco disse...

A primeira etapa do Dakar deste ano foi vencida pelo terrorismo.
Já o disse no meu blogue e reafirmo aqui.

Acho que estamos a recuar perante a ameaça terrorista.
Os pilotos, verdadeiros protagonistas da prova; deveriam ter sido ouvidos. Por eles a prova seguia em frente.
Como foi dito, no fim deste artigo, o dakar é uma aventura e um risco.
Não é a primeira vez que se fazem ameaças a eventos desportivos.
Imaginem que em Junho a Al-Qaeda decidia fazer uma ameaça ao EUro? Iria anular-se a prova? Claro que não. E estariam em risco de vida, muitas pessoas.
É pena que o recuo tenha vindo de França (Governo e Organização). Mais uma vez este país recua no combate ao terrorismo (em 2003 foi a mesma situação).
Com a anulação do Dakar, o terrorismo deu um passo em frente em relação á liberdade.
Perdeu-se a liberdade de todos aqueles que queriam participar nesta aventura que é o Lisboa-Dakar.
Até eu que tinha tudo programado, tive de cancelar tudo á ultima hora.
Até eu perdi dinheiro com esta decisão........

Tânia Martins disse...

Compreendo a tua posição Francisco e em certa parte até concordo, mas acho que não se deveria correr o risco na mesma. Cada vez mais o mundo vive ameaçado por estas questões e cada vez mais se cede à pressão terrorista em que se vive.

O que me dá pena é que cada vez mais a nossa liberdade fica condicionada por estes factores e qualquer dia esta palavra não fará sentido, e quem fala em terrorismo fala também na insegurança social.

Nélson Faria disse...

Primeiro: também te posso tratar por "ti"? Se deixas o Tiago tratar-te por ti eu também quero; normalmente chamo-te Bruno, ou Ribeiro, ou às vezes trato-te por "tu". "Ti" seria uma honra ;)

Não segui a história de Bruxelas, mas digamos que foi uma ameaça de última hora, num ambiente que dificilmente se controla, e em que havendo um controlo apertado se estraga a própria festa.

Olhemos para o Dakar: trajectos monitorizados, pontos de encontro, organizado. Pode-se enviar batedores, reduzir nas comitivas, não admitir estreantes ou amadores (não domino a gíria, mas refiro-me aqueles que vão por conta própria, para participar e não para competir). E até o nome de uma empresa que o faria: a Blackwater, que trata da segurança dos diplomatas no Iraque.

A questão imprensa: a organização avisava a comunicação social (como fez), anunciava as restrições que iriam fazer (que já beliscava a alma do Dakar) mas faria uma declaração de vontade. E quem continuasse estaria por sua conta e risco. Havendo um ataque, seriam os terroristas as vítimas das garras da comunicação social.

Os EUA não têm medo da Al-Qaeda, têm um receio justificado. Mas ninguém duvide que estamos a ganhar a guerra ao terrorismo. A questão é que para eles se declararem derrotados temos de os eliminar a todos, e para eles sobreviverem só precisam de ameaçar o nosso quotidiano uma vez por ano. Esse é o problema da guerra contra o terrorismo ou contra uma guerrilha: é impossível obrigá-los a renderem-se.

Mas é possível derrotá-los: não os deixando alterar o nosso modo de vida. Não devemos ser loucos e continuar BAU (business as usual), mas tomando as devidas salvaguardas impedir que eles nos afectem.

Neste tipo de guerra são os actos, mais que as palavras, que ditam os resultados.

Inês Rocheta Cassiano disse...

Sempre ouvi dizer que mais vale prevenir que remediar.
Claro que me entristece não se realizar o Lisboa-Dakar, é uma maneira de promover o país e é uma excelente competição.
Sinceramente, para mim tomou-se a decisão acertada. Se há ameaças a todos os locais da prova e se as vidas das pessoas envolvidas estavam comprometidas, o adiamento ou cancelamento da prova foi muito mais prudente. Para mim, não se trata de cair perante a Al-Qaeda. Se são uma ameaça, um risco, prefiro não corrê-lo e impedir que os concorrentes, equipas técnicas e os restantes envolvidos sejam alvo de algum atentado, ou qualquer acto terrorista.
A segurança é um bem máximo e jamais se pode abdicar dele.

PS(D): tal como a Tânia, desculpem a ausência mas foram tempos stressantes!

Inês Rocheta Cassiano disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruno disse...

Né, depois de definires tão bem aquilo que penso até me podes tratar por "ti", hehe ;)

Eu percebo os argumentos pró-cancelamento mas há uma coisa que pensei que tivesse clarificado: não sou a favor de que se escondesse a existência de ameaças terroristas!

Se estivesse a debater com o Zé Pedro numa Assembleia aproveitava para lhe chamar uma daquelas coisas de politiquês tipo "intelectualmente desonesto". Mete-se um advérbiozito antes para amansar a coisa ;)

Mas como não estou e percebo que ele está só a defender a sua opinião, relembro só que o que eu disse foi: avisar todos os participantes mas nunca obrigá-los a voltar para casa. E com isso quero dizer, como o Né também disse, que só quem quisesse é que iria. E é óbvio que a maioria só iria se verificasse que havia condições mínimas de segurança.

José Pedro Salgado disse...

Francisco:

Claro que houve inconvenientes, daí ser tão debatido o cancelamento. É uma questão de pesar as coisas. Eu acho que se salvaguardou o mais importante.

Nélson:

É claro que a melhor maneira de se fazer face ao terrorismo é mostrar que não nos causa mossa de grande monta.

Mas se politicamente é exigível que se proceda nesse sentido, a verdade é que ninguém pode exigir (eu diria que nem pedir) a privados que o façam.
A organização do Dakar não tem a responsabilidade política de arriscar vidas pelo bem da Humanidade, por muito mal que isto fique de se dizer.

Não consigo conceber que alguma daquelas pessoas diga sinceramente que preferia arriscar a sua vida pela erradicação do terrorismo mundial a voltar a casa para os seus filhos.
Imagens como as que eu vi hoje no Expresso em que o condutor de uma moto mandava o terrorismo ir fazer a chamada Fornication Under Consent of the King serão mais produtos do calor do momento e da revolta que causa a anulação de algo para que se passou meses a preparar.
Dificilmente será uma decisão ponderada.

Eu pessoalmente acho que os Estados-Unidos só não têm medo por esquecimento e habituação: habituaram-se a viver com a ameaça terrorista a pairar sobre as suas cabeças e já se vão esquecendo em que é que se consubstancia.
Dizer que eles não têm medo do terrorismo é como dizer que não tinham (têm?) medo do bloco de leste durante a Guerra Fria.

Bruno:

Desonesto por desonesto, ao menos que seja intelectualmente. É mais fino...

Agora a sério.

Eu creio que verificar que não haviam condições de segurança foi o que fizeram.

De qualquer maneira, essa solução continua a parecer mais um sacudir água do capote que não só não seria legítimo (pois não estou em crer que a organização se poderia, mesmo em teoria, se desresponsabilizar do que ocorresse na prova) como não resultaria porque se houvesse bronca os organizadores seriam sempre apontados como os principais responsáveis por não terem evitado a tragédia: foram avisados e nada fizeram que evitasse.

Paulo Colaço disse...

Ehehehehe: a piada do "ti", embora expectável, foi "dubest"!

Salgado: mais uma vez te subscrevo na ínTIgra.

As sub-hipóteses que lançaste são bem reais.

Em todo o caso, a prova que era, em si, um exemplo de coragem, tenacidade, o passeio dos bravos para gaudio do Mundo, pode ter morrido.

Quando se cancela por causa do medo, valerá a pena preparar a do ano que vem?

Paulo Colaço disse...

Nota: esqueci-me de dizer - o cancelamento foi a melhor escolha de entre as piores possíveis.

Nélson Faria disse...

Mais vale prevenir que remediar. Concordo. O problema é que não se preveniu... fugiu!

Ninguém pediu a privados para tomar a nossa bandeira: eles decidiram de acordo com o que acham melhor. Eu penso que é decidiram mal. Já enunciei o que poderia ser feito (no mínimo) para que o Dakar funcionasse. Já para não dizer que poderíamos encurtar. Não podiam era render-se (que foi o que fizeram).

Medo é para os desocupados. É o que existe quando se deixa espaço para ele. Receio sim, devemos ter, medo não.

Não há um conflito aberto sério ou diferente de provas anteriores naquelas terras. Há ameaças. Eu também sempre ouvi dizer que cão que ladra não morde...

Os terroristas ou derrotam-se ou dá-se-lhes razão. Acho que é melhor derrubá-los.

José Maria Aznar, nas audições parlamentares do 11 de Março

Francisco Castelo Branco disse...

Concordo com a maior do que o Né diz.
Nesta parte, acho que se fugiu a um problema. Mais uma vez..........
E não há pior do que fugir do terrorista. Pois ele virá mais cedo ou mais tarde.

Paulo acho que não!
Então aí e que se estaria a deixar o terrorismo vencer.
Lembro que em edições anteriores, por exemplo no Mali e no Niger, aconteceram situações semelhantes. E a prova deixou de se realizar.
Agora, é impossivel, chegar a Dakar sem passar pela Mauritânia.....
A solução seria fazer um Rali até Marrocos. Com muitas provas em Espanha.
Agora adiar tudo outra vez não.
Porque , daqui a um ano estamos perante uma nova ameaça.
Em Janeiro de 2009 os terroristas irão fazer a mesma. Aí veremos se a liberdade cede perante o terrorismo (novamente)

Tânia

A palavra liberdade está a ficar condicionada. Dizes tu. E que cada vez é mais dificil falar deste significado.
Pois é! Mas isso é culpa nossa.
Acho que não devemos temer "eventuais" ataques terroristas.
Não podemos pensar nestas coisas.
Como disse uma vez um italiano ao ser executado no Iraque "Vou-te mostrar como morre um Italiano".
Gostei desta atitude.
Só revela o confronto perante a morte.
Quando tive em Londres, após os atentados de Julho 07, notei um fantástica resistência por parte dos ingleses.
Cada vez que havia uma ameaça de bomba no metro, eles reagiam como se nada fosse e continuavam a sua caminhada na maior.
Psicologicamente isto revela uma maior maturidade.
Não começam aos gritos, empurrões e histéricos.
Também é uma forma de combater o terrorismo e de salvaguardar a nossa liberdade e dignidade.

Neste caso particular, mexeu-se com a liberdade de muitas pessoas.
E ficou no ar a ideia de que estes actos vão voltar a ser repetidos

Só espero uma coisa: Que o Lisboa-Dakar não tenha morrido ontem, pois espero para o próximo ano estar com uma cervejinha na mão, na comporta a ver os carros,motos e camiões a passar hehhehe.
Nem que seja só uma prova de duas etapas em Portugal!

Nélson Faria disse...

Temos sempre os dois marretas portugueses que seguiram viagem até ao Norte de África ;)

jfd disse...

A parte de terem sido mortos 4 Franceses no dia 24 de Dezembro como se equaciona nas vossas soluções / constatações?

Paulo Colaço disse...

Esperei até ser meia-noite para, sendo já 6 de Janeiro, citar (muito a propósito) o senhor Benjamim Franklin:

"Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança"

Nélson Faria disse...

Populismo 1/2
Choque: 4 franceses foram mortos (e um foi ferido) num assalto à mão armada a 150km da capital. Pararam na berma da estrada para fazer um piquenique. Esta Al-Qaeda não pára de nos surpreender: então agora assaltam turistas a fazer piqueniques na berma da estrada no meio de nenhures? Não há respeito por ninguém!

Com todo o respeito pelas vítimas, o que raio lhes passou na cabeça para parar na berma da estrada a fazer um piquenique num país daqueles? De facto suspeita-se que tenham estado envolvidos com a Al-Qaeda, tendo um recebido treino militar na Argélia. Mas também não é preciso muito para perceber que foram uns idiotas que assaltaram uma família a fazer um piquenique na berma de uma estrada na Mauritânia.

Importante é o putativo ataque a uma base militar 3 dias depois, que fatalmente atingiu 3 militares franceses. O Governo françês, naturalmente, comunica aos cidadãos que é melhor evitar a Mauritânia. O que é responsável.

Nélson Faria disse...

Populismo 2/2
No Dakar já morreram 48 participantes. Todos os participantes sabem de cor as histórias que se repetem todos os anos: zonas em que se abre fogo sobre os participantes; emboscadas; armadilhas na estrada.

A organização recusa-se a dar os nomes ou os números dos autóctones mortos em acidentes. O Dakar não é uma brincadeira, nem é um passeio de amigos. O aviso foi feito: a Mauritânia está instável. Obrigado. The show must go on. Já deu para ver que é mais esquizofrenia que outra coisa.

Querem falar de terrorismo? Vejam:

11 de Março de 2004
191 pessoas foram mortas na capital de Espanha. Dia 14 houve eleições em Espanha: 30 milhões de espanhóis foram às urnas.

27 Setembro de 2004
8 milhões de iraquianos participaram nas primeiras eleições livres em 50 anos. Terroristas ameaçaram que iam lavar as ruas com sangue... morreram, lamentavelmente 44 pessoas. Num país em guerra, foram ameaçados de morte por votarem: mais de 60% foram às urnas.

Dakar 2008: turistas franceses são mortos num assalto idiota. Um atentado a uma base militar que provoca três mortos. A França avisa os franceses para evitarem a Mauritânia. O Dakar é cancelado!

Rever a rota? Encurtar o percurso? Reforçar a segurança? Não. Vamos cancelar!

Nélson Faria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nélson Faria disse...

Comunicado sobre o título dos comentários:

O título é para o JFD: outrora chamou-me populista e outras coisas feias por causa de um título que dei a um post.

Hoje é a vez dele levar com o epíteto: numa troca de argumentos atirou com a carta das vítimas para tentar passar um evento trágico por um evento político. Populismo JFD, populismo... ;)

Continuando no argumentário sério:

Quando analisamos uma situação devemos ver quando guiamos e quando seguimos com a manada. E se seguimos com a manada o porquê. A manada nem sempre se engana, mas devíamos parar 2 minutos para pensar o porquê de se enfatizar o ataque gratuito e idiota a uma família (que toma a decisão pouco avisada de fazer um piquenique na berma de uma estrada na Mauritânia-não me canso desta) como um ataque terrorista (quando ouvi a notícia pensava que tinha sido uma bomba) e se minore um ataque a um quartel na Mauritânia.

Mais, força-se um nexo causal como se fosse uma onda de violência sem precedentes.

O que terá aquele quartel para ter sido atacado e quase não ter cobertura mediática?

Bruno disse...

Isto quando eu e o Né estamos de acordo é uma chatice... Eu não quero "bater" mais no JFD mas também acho que esse argumento foi algo populista. Os franceses sobrevalorizaram as ameaças terroristas da Al-Qaeda por causa do mediatismo da morte dos 4 terroristas.

Mas será isso razão para extrapolar para o raciocínio que fizeste, Jorge? Então respondo-te assim: há uns anos 6 portugueses foram mortos à pancada e
enterrados (alguns ainda vivos) debaixo de uma placa de cimento. A FIFA resolveu atribuir a organização do Mundial 2010 ao Brasil. Vergonha! Cancele-se! Ou pelo menos que Potugal não participe.

Estou a ser demagógico não estou? Pois... porque estou a usar um exemplo e a extrapolar sem sentido. Mas por acaso o Brasil até tem umas quantas cidades na lista das mais perigosas do Mundo. Não costuma é ser por ataques terroristas.

Nélson Faria disse...

Emendar apenas os "terroristas" no final do primeiro parágrafo do Bruno por "turistas".

Não queremos com isto dizer que devíamos andar para a frente BAS (business as usual). Mas tomando precauções evitávamos a brincadeira.

Grande frase Colaço. Uma das minhas preferidas. A despropósito do tema mas em conformidade com a citação do Colaço:

"Julgo que apreciaria a liberdade em todos os tempos, mas, na época em que vivemos, estou disposto a venerá-la".
Tocqueville

Não me digas que agora só te manifestas em Dia de Reis? ;)

Nélson Faria disse...

Agora a propósito do tema:

You face bullies and tyrants and terrorists with strenght, not weakness.

Giuliani

jfd disse...

Boa Né ;)
Eu sou apologista do Cá se fazem cá se pagam, e eu mereci :)
MAS! populismo com compaixão ;)

E Bruno crime banal # terrorismo.

Mas atenção, isto não é uma daquelas "discussões" que se ganham. O objectivo era apenas expor todos os prismas! Ninguém aqui está errado. Hoje ouvia o Sena Santos de ontem e a sua passagem pelas gordas do mundo inteiro sobre o assunto denotava o que aqui se passa, ninguém dizia categóricamente fizeram mal, ou fizeram bem... É um assunto lixado.

O Bruno tem 1000% de razão quando fala em prevenir.
Mas como se deve prevenir o que não tem razão? o que não tem lógica? o que não se pode computar?
Utilizar a força também é viável. Mas contra quem? Onde estão? Quem são? Com que proporção?
Muito complicado...
É o dilema do prisioneiro?
Eu sei lá!
Os terroristas ganharam? Sim.
Nós ganhámos? Sim, mas também perdemos.
Olha já nem sei que escrever...

Adriana disse...

Eu adiava mesmo tendo noção que isso poe em causa os proximos dakars.

Eu sou uma aficcionada dos dakars e este ano é com muita pena que não ver os resumos porque o sonho mesmo era participar num.(www.mundoutopicodadri.blogspot.com)

Paulo Colaço disse...

Usando um trocadilho da Margot, deixo esta nota:
"A competição deste ano foi adiada por dakar aquela palha"

Bruno disse...

Obrigado pela correcção Né. Tás a ser um "ponto" fiel ;) É que a emoção da discussão faz com que a escrita saia prejudicada.

Acho que o último comentário do Jorge denota duas coisas:

1ª: realmente continuamos a ter boas discussões aqui no Psico, com trocas de argumentos válidos e bem sustentados!

2ª: o Jorge é um porreiraço e por isso é que eu gosto dele! É uma pessoa justa e que sabe debater, respeitando!

Há ainda uma outra coisa no teu comentário, Jorge, que é inegável. Qualquer decisão era passível de crítica e por isso é que estamos aqui com toda esta troca de galhardetes.

O que a mim me preocupa, mais do que o simples adiamento deste ano, é mesmo o sinal de fraqueza que damos. Fortalecermo-nos não será fácil. A prevenção é dificil de fazer, como dizes, mas é possível. Temos que pensar em mil e uma possibilidades e estar sempre à frente daquelas mentes canalhas. Mas havemos de conseguir. Sim, digo havemos porque nesta guerra eu não tenho dúvidas do lado em que estou!

jfd disse...

Bem Bruno até corei! Quem me conhece que imagine a cena. LOL :)

Voltanto ao teu comentário: Oxalá!

Nélson Faria disse...

Muito bem maltinha!

O JFD não queria dizer "Voltanto", mas "voltando"! (normalmente ignoro os erros provocados pelas pressas, mas agora deu-me para isto. Aliás, normalmente leio tão rápido que nem vejo os erros)

E para adoçar a boca, excerto de notícia do DN:

O cenário de transferir o Dakar para outro continente, com o sul-americano à cabeça das preferências, está a ganhar a força dentro da organização da mais importante prova mundial de ralis. E a concretizar-se o cenário da deslocação do Dakar, que assim perderia esta denominação, Portugal deixaria definitivamente de estar na rota da competição, de nada valendo o contrato que atribuiu à João Lagos Sports a organização da partida e das primeiras etapas da prova de 2009. Brasil, Argentina e Uruguai são alguns dos países que poderão beneficiar com o possível fim do Dakar e o nascimento de outra grande prova de ralis.

Estima-se que o adiamento tenha dado 50 milhões de prejuízo só à organização, que o Algarve é o grande derrotado português e que os únicos que ganharam foi Lisboa: reteve os "turistas" na cidade mais uns dias. Ainda dizem que a Portela funciona mal ;)

jfd disse...

Isso mesmo Né Estrela !
(perceberam????)
LOLLLLLLLLLLLLLLLLLlll :)

Bruno disse...

Eu não percebi, mas é natural porque já estou velho e tenho andado com muitas dificuldades para acompanhar a velocidade do Psico, até mesmo nos Psico-Mails...

A confirmar-se uma mudança tão radical no Rali Dacar isso só mostra que as supostas (sim, a partir de agora vou começar a chamar-lhes "supostas") ameaças terroristas podem não ter sido mais do que uma desculpa para servir outros interesses.

Em relação ao nome, não precisam de o mudar porque a prova já teve percursos que não passaram nem terminaram em Dacar mas continuou sempre a chamar-se assim. Mas se mudarem para a América do Sul (ou seja para onde for) chamem-lhe o que quiserem mas o Dacar morreu!

Quanto ao suposto erro ortográfico do Jorge eu acho que ele queria era dizer "Voltando, entretanto..." e abreviou para poupar tempo e espaço ;)

Elsa disse...

Depois do Né e JFD terem "zerado" as contas no que respeita a picardias;)com a saudavel troca de argumentos que aqui alimentaram.
Limito-me a responder á pergunta deixada pelo Bruno no post.

Não, não cancelava. Também partilho da opinião que "vergar" ao terrorismo, abriu um precedente sem paralelo no que toca á organização de grandes eventos internacionais(desportivos, musicais, ...)

Não sou, de todo, expert em máteria de conflitos em África. Mas esta zona já era muito instável antes do 11 de Setembro, talvez o que mudado é a nossa atenção/preocupação para o problema. Daí a importância da prevenção.

Também não sou "fã" do Dakar. A imagem que retenho desta mítica prova está marcada por mortes, tentativas de ataques, cancelamento de provas ou desvios por razões de segurança. (nem mesmo a morte do fundador desta aventura ditou o seu cancelamento) Mas também admiração pela coragem e resistência dos que nela participam.

Já que neste post não há links do youtube (ainda :P) mas a corrente de citações é fértil:

Perante o terrorismo, ou qualquer outra ameaça de bomba na vida:

“Receio sim, devemos ter, medo não.”

Elsa disse...

Ao acabar de postar, reparo na observação do Bruno no post a cima sobre “supostas” ameaças.
Depois de ler alguma coisa do que se escreveu no jornal desportivo “L’equipe” (detido pela ASO). Dou por mim a pensar se não existirá uma pseudo-independência dos privados na organização do Dakar.
Eis o que me leva a pensar tal coisa (quiçá disparate!):

- A ASO é uma empresa privada que organiza eventos desportivos, a Lagos Sport também.

- Ambas deveriam estar imunes a pressões públicas. Mas estarão de facto? É aqui que reside a minha dúvida, quando olho para os principais patrocinadores de uma e outra (corrijam-me se estiver errada).

- O principal patrocinador e fornecedor de combustível do evento é a TOTAL (que depende do Estado francês). Por cá tínhamos como principais patrocinadores: Santa Casa, CGD e TMN que também tem em comum com a TOTAL o factor Estado.

Na página da TOTAL referente ao Dakar pode ler-se que a ASO decidui-se pelo cancelamento depois das recomendações por parte do Governo Francês.
Num artigo do “L’equipe” lê-se entre outras declarações: “La Raison d'Etat ça ne s'explique pas et ça ne se commente pas. » Etinne Lavigne

(http://www.lequipe.fr/Formule1/breves2008/20080104_140409Dev.html)

Posto isto, interrogo-me se o terrorismo per si terá sido, de facto, a razão do cancelamento deste Dakar. É uma mera interrogação não pretendo “picar” ninguém. Mas se por um lado não podemos, nem devemos subestimar a questão do terrorismo. Usá-la como disfarce de outros interesse não me parece correcto!

Bruno disse...

Olha que bem observado Elsa ;) A história cheira mal e cheira mesmo!

Paulo Colaço disse...

A Elsa Picão dizer que não pretende picar ninguém é uma negação à sua essência :D

Elsa disse...

Caro Paulo Colaço, (que se registe)já esperava a piadinha;)

Mas depois do "dakar aquela palha..." achei que antes uma piadinha que uma picadela a sério, incluindo numa só frase liberalismo económico, miragens no deserto e quiçá uma bela cáfila!

Paulo Colaço disse...

:))))))))))

Bruno disse...

Controladores aéreos portugueses interceptaram comunicações sobre um ataque terrorista à Torre Eiffel. Seguindo a lógica de precaução francesa acho que o melhor é fecharem aquilo para garantir a segurança dos turistas.

E já agora demolirem o monte de ferros para garantir que os terroristas não conseguem mesmo os seus objectivos. Força franceses, não esmoreçam!

jfd disse...

Ehhhhhhhhhhhhhhhh
Exagero!
Tive ontem uma aula com uma professora de Economia Portuguesa e Europeia profundamente ambientalista e ela contou que ficou contente por ter sido cancelado o Dakar.
Juro que pensei "se o Ribeiro tivesse aqui dizia-te das boas..."
LOL

Bruno disse...

Mas ela ficou contente por questões ambientais? É que esse é um plano que não discutimos mas que pode levar a um outro olhar sobre a prova. Sobre a prova, não sobre o cancelamento deste ano...

Nélson Faria disse...

Foi ventilado pelo Professor Marcelo nas suas conversas dominicais que a Mauritânia cedeu os direitos de exploração petrolífera à China em detrimento da França. A pressão francesa estará intimamente ligada a este precalço.

Não consegui confirmar a notícia, mas dando-a como boa só vos digo: há coincidências demasiado coincidentes para serem meras coincidências.

Bruno disse...

Ou eu muito me engano, ou algumas pessoas ainda se vão sentir enganadas pela boa vontade que demonstraram para com a organização...

Espero que se confirme que houve algo mais por detrás do cancelamento porque isso poderá significar uma mensagem para os terroristas de que não mandam assim tanto.