quinta-feira, janeiro 10, 2008

Parabéns Marques Mendes - o aeroporto vai ser no Deserto!


Valeu a pena a Tourada! Ainda que tenha sido um mordaz crítico da liderança de Marques Mendes, há que reconhecer um trabalho bem feito: a Ota era assunto fechado quando Marques Mendes pegou nessa bandeira e se insurgiu.

É possível fazer boa oposição. Uma vitória para o Partido, uma boa prenda para Marques Mendes, mas, principalmente, boa gestão que só favorece o País.

39 comentários:

Tiago Sousa Dias disse...

Boa análise.
Na altura era "chato", não sabia falar de outra coisa, não tinha qualquer eficácia, mas lá aconteceu.
Há que reconhecer que o mérito é todo seu.

Vermouth disse...

A confirmar-se esta decisão, deveriamos ter duas consequências imediatas:

1- A demissão do Ministro Mário Lino.

2- Um pedido de desculpas público, por parte do Dr. Almeida Santos, face à ideia peregrina, de "dinamitarem" as pontes.

De resto não é só M.Mendes e o próprio PSD que estão de parabéns, ao apelarem à alternativa face à OTA. Acho que nesta matéria, a JSD esteve muitissimo bem, ao capitalizar as palavras bacocas de Mário Lino, com aquela campanha na margem Sul, consciencializando as populações de que o distrito de Setubal era tudo menos "um deserto", e que por consequência, fazia todo o sentido o Aeroporto ser construido na Margem Sul do Tejo.

xana disse...

A verdade não prescreve.

Nada mais certo.

Parabéns a Marques Mendes e à anterior direcção do PSD, mas também à CIP e a todos os movimentos de cidadãos que tornaram possível acabar com a teimosia do Governo, mais em concreto, do ministro Mário Lino, numa demonstração de cidadania notável.

Nélson Faria disse...

Ponderei enunciar todos os que tomaram partido por Alcochete, ou no mínimo levantaram dúvidas e salientaram a importância de se debater a localização do novo aeroporto.

Mas lembrei-me que houve uma pessoa que realmente lançou o tema, cuja intervenção abalou o stablishment: e esse foi Marques Mendes. Critiquei-o muitas vezes, mas há que ser justo nestas alturas.

Se Marques Mendes tivesse ficado calado dificilmente estaríamos aqui.

P.S. Quero fazer a população da Ota a processar o Estado pelas restrições a que esteve sujeita durante os últimos anos. O Otagate vai continuar.

jfd disse...

Gostei da conferência de imprensa.
Politica àparte é uma decisão importante para o país, vi História a acontecer. E como spotter, entusiasta em aviação e se Deus quiser futuro especialista em Gestão do Transporte Aéreo/Aviação Civil, foi um anúncio emocionante. Pena que em 2014 terei 37 anos!
Credo!

Adriana disse...

Eu já ando enjoada com a historia do aeroporto e nao irei acrescentar nada de novo aos vossos comentários mas não resisto a fazer um elogio. Xana adorei a frase: " a verdade
nao prescreve"

Mendonça disse...

É verdade. A vitória hoje é de Luís Marques Mendes e da CIP.

Direct Current disse...

Sempre fui apologista da Ota porque pensei (e continuo a pensar) que Alcochete levaria a gravíssimos impactes ambientais, ou seja, a contaminação do aquífero que abastece de água potável, 800 mil pessoas a Sul. Mas se o LNEC diz que é evitável... ok.

"For the record", Marques Mendes defendeu Poceirão. Depois, não sei se foi, também Alcochete. A vitória é da Sociedade Civil e da CIP.

Direct Current disse...

O link para o relatório LNEC é este.

Tiago Mendonça disse...

Caros Companheiros,

Já tentei postar depois de almoço, mas esta ligação wireless de um computador para outro tem dado que falar :)

Ora bem, pasmem-se, mas para mim o grande vencedor é claramente José Sócrates. Um mestre no politiquês. Mexe-se nos meandros da política como ninguém.

Começava-se a agitar alguma contestação por via do falhanço, ou não, da sua promessa eleitoral de referendar o tratado e eis que um dia depois dá a cara dizendo que o novo aeroporto será em Alcochete. Agrada a todos.

Em 3 dias, não referenda o tratado europeu, agradando aos partidos, decide o aeroporto em alcochete agradando aos partidos e às pessoas, volta atrás com a decisão do pagamento das pensões e agrada às pessoas, aos partidos e até ao Paulo Portas.

Este homem não pára! E ainda o mês passado lhe tinha corrido tão correiramente! Isto para não falar da lei no tabaco, que colocou mais pessoas à procura de medicamentos para acabar com o vício e da diminuição da procura das discotecas no Porto. Sempre a abrir!

Ainda bem que ao menos já tem uma oposição credível e capaz, em especial no parlamento. Os parabéns, portanto, quanto a mim não são endereçados ao Dr.Marques Mendes que durante dois anos nada fez para combater este domínio e ainda fez asneira no que concerne ao dossier Lisboa.

Espero nunca ter que utilizar tal palavra para definir a possibilidade de vencer Sócrates : Jamais.

Tiago Sousa Dias disse...

1- Sou contra qualquer Aeroporto situado a 40 kms da cidade que se pretende abastecer, por isso fico contente.
2- Apesar de tudo acho estranha esta decisão prévia e tenho aqui que referir o que Henrique Neto disse ontem na SIC Noticias de forma irónica e acusatória (eu só a trnascrevo com ironia porque não tenho conhecimento para acusar)

ESTA NÃO É UMA DECISÃO PRÉVIA DO GOVERNO PORQUE NÃO HÁ DECISÕES PRÉVIAS. AS DECISÕES SÃO POSTERIORES; SE FOREM PRÉVIAS...NÃO SÃO DECISÕES

Anónimo disse...

Alcochete, José Socrates, Ota, Freeport, Soares, Freeport, Ambiente, Ministro, Licença, Freeport, Alcochete, José Socrates, Ota, Freeport, Alcochete, Ota, Soares, Ministro, Ambiente, Licença, Alcochete, Freeport, Aeroporto...

Paulo Colaço disse...

Dias frenéticos - pouco tempo para comentar.

Ora cá vai: se há mendistas no Psico, eu sou um deles.
Por tudo. Porque o respeito, porque o estimo, porque trabalhei com ele, porque temos grandes amigos comuns. Porém, quanto a dar-lhe os parabéns, já hesito.

Porque tenho grandes dúvidas quanto à sua "paternidade" da solução Alcochete.

Tiago Sousa Dias disse...

Alto e pára o baile hehe

Falhei no meu comment porque não queria 1- afirmar que alcochete é a melhor opção e 2- que Marques Mendes tem a paternidade de Alcochete. Quanto muito seria por perfilhação, que pode ser ilidida.

Não tenho competência técnica na área porque não sou Engenheiro; tenho tanta quanto o primeiro ministro... Mas ao que sei não existe nenhum estudo que demonstre a necessidade de existir novo aeroporto.
Isso mesmo foi reiterado ontem por João Soares que, de resto diga-se, me surpreendeu ontem com a elevadissima qualidade da posição e justificação da mesma.
O que se passa na portela, acreditando nas suas palavras e no que já anteriormente corria (pouca mas alguma) tinta, é que a portela tem dificuldades de funcionamento ao nível da aerogare, não ao nível das pistas e não quanto ao volume de tráfego. Ora, isso poderia ser colmatado perfeitamente com a remodelação 1- dos serviços 2- das infraestruturas (o que implicaria, salvo erro, a necessidade de transferência do serviço lateral às pistas para um outro aerodromo - p.ex. manutenções). Aqui seria necessário apenas a deslocalização destes serviços, falava-se para Beja mas afinal, pelos vistos, pode ser para Alverca também,com a manutenção dos vôos na Portela. Porquê mudar se isto é possível?
Nota: sou um leigo nesta matéria mas como cidadão atento e percebendo de forma prática que esta possibilidade existe, custa-me a perceber a insistência em mais uma obra pública milionária.

Pontes
Estádios
Expos
Hospitais

Descubram qual destas obras públicas se desenquadra...

Direct Current disse...

Tiago Sousa Dias:
Não ouvi o João Soares (PS Sintra?) mas de uma certeza tenho eu: a Portela funciona mal em períodos de elevada procura e as remodelações na aerogare atenuam mas não resolvem o problema em picos de tráfego, o que inibe o aumento continuado da sua procura.

Estratégicamente, para um aeroporto internacional crescer, as aeronaves que transportam os passsageiros têm que ter Slots (períodos de tempo) disponíveis para poder aterrar, descolar, além de espaço para estacionar na placa do aeroporto. 2 dos 3 itens referidos anteriormente não podem ser alterados sem construir uma nova pista e é daí que vêem a necessidade de se construir um novo aeroporto.

Isto têm a haver com planeamento a longo prazo, e os estudos estratégicos têm como objectivo tornar o NAL num ponto central de rotas para a América Central e do Sul e África, além de servir a Europa. E isto é que torna o investimento extremamente atractivo.

O grande problema de investimentos estratégicos públicos é que normalmente levam 20 a 30 anos para se começar a perceber a utilidade do investimento - vejam a refinaria de Sines e só agora é que se começa a perceber a importância deste investimento com a alta do petróleo.

Isto da estratégia é complicado, talvez se eu fazer um "downgrade" táctico, percebes melhor. Imagina um jogo de futebol onde uma equipa passa a bola não à posição actual do jogador mas no sítio onde ele vai estar passado algum tempo, versus outra equipa que quando quer passar a bola, páram todos, olham uns para os outros e passam a bola para o jogador, mantendo-se ele nessa posição até a bola chegar. Qual destas equipas é que achas que "joga melhor"?

DC

jfd disse...

Meus caros,

Recomendo um site do qual sou entusiasta
www.linhadafrente.net
aí podem ver como encara o assunto o pessoal da aviação e os treinadores de bancada como jo ;)

Tiago Sousa Dias disse...

Direct Current:

Obrigado pelas explicações, nota-se que saberás melhor que eu esta matéria com toda a certeza.

João Soares deu várias explicações mas os dois argumentos que mais me convenceram foram:

1- Nunca houve estudo nenhum a dizer que a Portela deixará de servir; apenas se diz há já 40 anos que... daqui a 10 anos a Portela não serve. E isto é verdade.

2- Relativamente à capacidade, técnicamente não sei, mas o grande argumento dele é verdade: vais à Bélgica, Paris, Milão, Frankfurt e tens que andar às voltas no ar por causa do excesso de tráfego. Chegas à Portela e aterras. Onde a Portela falha é depois no serviço em Terra que apenas necessitaria A- de remodelação da estrutura funcional e B- de ampliar as infraestruturas sem mais pistas (Holanda, Bélgica, Áustria entre outros só têm uma pista e a Portela tem 2) de modo a passar serviços acessórios para Alverca (ou outro sítio qualquer aí já não me pronuncio).

Concordas com isto?

Aparentemente eu concordo. Mas se me deres argumentos talvez discorde e olha que não será dificil fazeres-me discordar de João Soares hehe

Inês Rocheta Cassiano disse...

Parece-me apenas que se estão a esquecer de uma pessoa, além de Marques Mendes e da CIP: o Presidente da República, Cavaco Silva. Se bem me lembro, quando o Governo dava a Ota como certa, o nosso PR interveio e pôs alguma água na fervura.

Direct Current disse...

tiago:

1 - Tenho a mesma opinião da APPLA (associação de pilotos portugueses de linha aérea) que têm alertado para o problema de saturação da Portela. O problema foi estudado e é necessário haver duas pistas paralelas e independentes para ser possível comportar o aumento de tráfego, o que não é o caso da Portela onde as pistas são cruzadas e normalmente só se utiliza uma delas. Acho que os pilotos sabem melhor do assunto que o João Soares.

2 - As aeronaves comerciais só descolam da Europa e fazem o trajecto todo até Lisboa - e o contrário também - se o sistema CFMU da Eurocontrol o permitir, isto é, capacidade de aterragens/descolagens, ou seja movimentos por hora, estabelecidos pelas condições de operação e principalmente, pelo número de pistas independentes. Como há maior concentração de chegadas/partidas intercontinentais (América, Ásia) no meio da Europa, é mais usual haver "filas de espera " nesses aeroportos porque são vôos com maior probabilidade de chegarem fora do Slot. Em Portugal, é menos comum haver tanto tráfego intercontinental que aterra/descola.

Quanto a soluções Portela+1, adianto que os estudos globais apontam para a convergência de aeroportos num só - e há casos semelhantes pela Europa fora, por exemplo em Berlim o fecho de Tegel e Tempelhof, convergindo todo o tráfego para Schoenefeld
para melhorar a eficiência do tráfego aeroportuário. Manter a Portela é uma estratégia errada na minha opinião, a longo prazo.

Grande parte dos aeroportos internacionais que mencionas não têm 1 pista mas 2, 4 ou mais como o da Holanda, em Amsterdam, com 6 actuais e em expansão para 7 pistas. O João Soares enganou-se.

Esta explicação que eu te dei são muito técnicas e acredito que só um profissional da aviação poderia perceber a profundidade do meu raciocínio. É por isso que acredito que o público em geral não consegue perceber o porquê da tomada de decisão em abandonar a Portela e fazer um mega-aeroporto em Alcochete, preferindo que haja em cada terreola (sintra, alverca, montijo) um aeroporto.

JBaptista disse...

Não nos esqueçamos, foi Miguel Relvas, até há bem pouco tempo Presidente da Comissão de Transportes e Obras Publicas da AR que começou em Março de 2005 a talhar este campo!

Parabéns Miguel, reconhecemos o mérito a quem se sujeito a ouvir o que não merecia do seu Distrito para prosseguir com o rumo do Partido!

Honra lhe seja feita!

Anónimo disse...

Tiago Sousa Dias disse: Não tenho competência técnica na área porque não sou Engenheiro; tenho tanta quanto o primeiro ministro...
Tinha de estar presente a piada fácil... Saliente-se que desse assunto o PM já se desenvencilhou com mestria assim como se vem desenvencilhando de forma habilidosa das mais variadas polémicas que têm vindo a terreiro e de todos os que têm conluiado contra a sua pessoa.
Uma palavra de apreço para o mini mendes.
Finalmente, houve aqui um comentador anonimo tal como eu que disse isto :" Alcochete, José Socrates, Ota, Freeport, Soares, Freeport, Ambiente, Ministro, Licença, Freeport."
Bom ponto de vista.

Francisco Castelo Branco disse...

Parabens a Mendes e á CIP
São os dois grandes vencedores
Mendes por "pegou" no dossier e voltou a trazê-lo para a praça publica. Muitos militantes do PSD devem estar neste momento arrependidos
Quanto á CIP mostrou que se pode contribuir para a sociedade civil sem ser atraves de partidos

Derrotados.... Mario Lino e Menezes

jfd disse...

O Aeroporto de Amesterdam, Schiphol é uma maravilha humana. É lindo ;)

Nélson Faria disse...

Análise interessante companheiro Tiago:

-aeroporto em alcochete: porque quer ou porque perdeu toda a margem de manobra para recusar? Não se esqueçam das mensagens de Belém quando o Governo defendia a Ota empedernidamente - perdeu;

-referendo: perde uma vitória eleitoral em princípio fácil. Tratado de Lisboa, consenso nos dois grandes partidos (inclusive obriga o maior partido da oposição a fazer campanha com ele, todos os dias a dizer que o governo fez um bom trabalho com o tratado), perde a distracção mediática de um referendo para esperar pela retoma; porque o fez: Belém e líderes europeus - perdeu;

-pagamento da pensão às pessoas: bom, o ministério meteu a pata na poça e teve de levar na cabeça na AR; voltou atrás porque alguém reparou que tinha feito asneira - não perde (acabou por fazer o correcto), mas está longe de ser uma vitória.

Saudações também ao amigo anónimo pelo jogo de palavras "interessante".

P.S. Estou a ver que muitos agora são os Pais de Alcochete (PR, Miguel Relvas, CIP...) Reconheço CIP e PR, Miguel Relvas (respeito ao grande senhor do Ribatejo) mas desconheço a sua obra. Mas quem coloca a discussão na ordem do dia quanto à localização é o M&M's.

Paulo Colaço disse...

Ora cá está: Sócrates perde a hipótese de ganhar o referendo (o "centrão - PS e PSD - ia apelar ao SIM), com claros ganhos de popularidade.
Mas isso é matéria de comentário no post do Zé Pedro.

Anónimo disse...

Olá Paulo,

Como o Riodaponte tem estado estagnado,resolvi passar por aqui para interagir contigo.

E agora Paulo, que esta questão do aeroporto está decidida,e que era a luz ao fundo do tunel e esperança de tantos Riomaiorenses, que será de nós?
Estamos condenados a perdermo-nos no tempo como se de um concelho do interior se trata-se?
Estamos destinados a viver e comer do Desporto?

Triste sina esta, a deste povo.

Saudações democraticas Riomaiorenses

Bruno disse...

Bom, se a ideia é arranjar pessoas para parabenizar por esta decisão então eu mando os meus parabéns ao Luís Rodrigues que - esse sim - deve ter sido quem mais influenciou Marques Mendes a seguir pelo caminho que seguiu.

Acho que quem perde mesmo é Mário Lino porque foi o único que deu a cara e a voz (provavelmente, com bafo a álcool e tudo...) contra a Margem Sul, mais até do que a favor da Ota.

A mim parece-me uma boa decisão. Melhor possibilidade de controlar custos, através da construção modular combinada com a utilização da Portela por algum tempo. Maior proximidade e facilidade de acessos (já existentes e a construir) ao centro da cidade. Menor espaço para a especulação imobiliária.

Como não embarco em regionalismos no que toca a questões nacionais não considero este um argumento que deva ter pesado muito para o Governo mas a Margem Sul e o Distrito de Setúbal bem precisam do balanço e incentivo que esta contrução e suas consequências podem proporcionar ao nível de emprego, dinâmica e desenvolvimento turístico.

Sócrates não perdeu. Como já foi dito, desviou as atenções de outros dossiers, evitou chatices com Belém e ainda evita ser questionado durante montes de anos como seria se tivesse avançado para a Ota. E já repararam que se a coisa se vier a mostrar errada ele poderá sempre dizer que foi pressionado e que até preferia a Ota. Se correr bem, poderá dizer que obrigou Lino a corrigir a mão a tempo e horas.

Ou é da droga ou o gajo é mesmo bom...

EM disse...

Eu acho que Sócrates é um político que se destaca dos outros a milhas. Têm o seu carisma cristalizado pelo exercício do poder.

Não penso que um Aeroporto há-de resolver os problemas do Distrito de Setúbal. Até acho que piora a nível ambiental e de ordenamento do território. Este não pode vir a ser um ponto de passagem, servindo um "hub" aeroportuário, como eu acho que provavelmente vai acontecer. Penso que é perigoso deixarem-se ficar pela "presunção relativa" de que o Aeroporto irá desenvolver a região de Setúbal.

Setúbal têm excelentes recursos naturais mas faltam hotéis. Há demasiada especulação imobiliária e poucas empresas "criativas". Não faltam é projectos de moradias e condomínios privados para classe alta. E o Povo? Já se esqueceram do Povo? Onde é que andam projectos de geminação urbana com custos controlados ou de baixo a médio custo?

Falta reavivar a cintura Almada-Seixal-Barreiro-Moita-Montijo, criando um litoral atractivo. Onde andam os parques públicos e urbanos? Passeios, marinas, vias cicláveis, etc?

Faltam infraestruturas hospitalares de cuidados de saúde mas não faltam campos de futebol. Continuam a haver descargas ilegais de lixo nesta zona mas já há piscinas municipais e poli-desportivos quanto baste.

Todas as câmaras são de esquerda o que explica o atraso da zona :-) É necessário atrair os investimentos de indústrias globais e não cada vez mais pessoas que fazem da península de Setúbal um local de veraneio ou de residência para irem trabalhar para Lisboa.

Não há modelos de desenvolvimento sustentável a nível local e integrados com os PDMs. Nenhum político em Setúbal deve saber o que é Agenda 21 Local, nem sonham o que quer dizer a palavra sustentabilidade. Um exemplo, obras de 1.5 milhões de euros só para fazer um arco no meio da praça em Setúbal? E o contribuinte paga. É o Triunfo dos Porcos.

Porque não projectos para fábricas de construção de tecnologias renováveis? Vento, Sol, Marés? Reciclar a Lisnave ou parte dela para projectos na área da metalomecânica?

Porque não hospitais topo-da-gama que fazem investigação biomédica? Anda tudo a ver aviões? E a saúde?

Por onde anda a rede de infraestruturas preparada para a liberalização do sector energético e telecomunicações? Não é só produzir mas saber distribuí-la eficientemente.

Onde é que andam os projectos de requalificação urbana entre Fonte-da-Telha e Caparica? E a ameaça da erosão costeira, com o aquecimento global, e o impacto deste nas actividades primárias (agricultura, pescas, silvicultura) com cada vez mais ocorrência de incêndios, inundações, diminuição do pescado)? Ninguém se interessa ou eles só servem para aproveitarem mais tarde os lamentos de que "a vida tá difícil e o governo não nos ajuda"?

Porquê manter a exploração de pedreiras em Sesimbra e a cimenteira na Arrábida? E a co-incineração? Quais os ganhos económicos dessa actividade e os custos ambientais? Como é possível o PSD estar contra a co-incineração mas têm uma posição dúbia e vaga no tempo em relação ao fecho da cimenteira, que causa mais poluição que as dioxinas?

Há aqui muitos itens que a JSD ou o PSD do Distrito de Setúbal podem aproveitar para começarem a fazer política.

jfd disse...

Aproveitando este último comentário fica aqui esta notícia relevante:

Lisboa, 16 Jan (Lusa) - O Supremo Tribunal Administrativo deu luz verde à co-incineração na cimenteira da Secil na Arrábida, afirmou hoje à agência Lusa fonte do Ministério do Ambiente.

Esta decisão, conhecida pela cimenteira e pelo Ministério do Ambiente na passada segunda-feira, contraria as decisões tomadas por dois tribunais de instância que tinham suspendido a queima de resíduos perigoso na cimenteira do Outão.

A decisão do Supremo surge em resposta ao recurso da Secil e do Ministério do Ambiente da decisão do Tribunal Administrativo do Sul que confirmou a sentença do Tribunal Fiscal e Administrativo de Almada no sentido de suspender a co-incineração.

Esta autorização para co-incinerar já tinha sido dada, em Novembro do ano passado, pelo Supremo à cimenteira de Souselas, em Coimbra, contrariando também duas decisões de tribunais de instância inferior.

As Câmaras Municipais de Palmela, Sesimbra e Setúbal - que entregaram a providência cautelar ao tribunal para travar a co-incineração na Arrábida - não podem mais recorrer desta decisão judicial, uma vez que a decisão do Supremo não admite recurso.

Se não for intentada uma nova acção com novo argumento para travar a co-incineração, a cimenteira pode agora retomar a queima de resíduos perigosos, desta vez já com um estudo de impacte ambiental cuja inexistência foi usada como o principal argumento para a providência cautelar das três câmaras municipais.

Nessa acção judicial, as autarquias contestaram a decisão do Ministério do Ambiente que dispensou a Secil da realização de um novo estudo de impacte ambiental, alegando que o único estudo existente tinha mais de oito anos, e pediram a suspensão de todos os testes e demais operações de co-incineração.

Ao mesmo tempo que apresentou ao Supremo Tribunal recurso da decisão judicial de suspender a co-incineração, a Secil avançou com um novo Estudo de Impacto Ambiental, que acaba de ser concluído.

Os tribunais de instância inferior tinham decidido suspender a eficácia do despacho do ministério do Ambiente que dispensou a cimenteira da realização deste estudo de impacte ambiental.

A queima de resíduos perigosos em cimenteiras, que foi bandeira da campanha eleitoral do primeiro-ministro José Sócrates, tem sido contestada pelos autarcas das áreas onde estão instaladas as cimenteiras: Coimbra (Cimpor) e Setúbal, Palmela e Sesimbra (Secil).

Na proposta de Orçamento de Estado para 2008 o Ministério do Ambiente inscreveu verbas para "normalizar" a co-incineração, mesmo antes de conhecida a decisão do Supremo Tribunal, o que gerou contestação das vozes contra a co-incineração.

VP.

Lusa/fim

jfd disse...

E não estivessemos nós neste cantinho de Brandos Custumes à Beira Mar Plantado (LOL):

Co-Incineração: Advogado estranha que o relator do acórdão sobre Outão seja o mesmo de Souselas

Lisboa, 16 Jan (Lusa) - O advogado que representa as populações de Setúbal, Palmela e Sesimbra estranhou hoje a coincidência de o relator do acórdão do Supremo Tribunal de Administrativo a favor da co-incineração na Arrábida ser o mesmo do acórdão de Souselas.

O Supremo Tribunal Administrativo (STA) deu luz verde à co-incineração na cimenteira da Secil na Arrábida, contrariando as decisões tomadas por dois tribunais de instância que tinham suspendido a queima de resíduos perigosos na cimenteira do Outão.

Idêntica decisão tinha sido tomada pelo STA em Novembro do ano passado relativamente à co-incineração na cimenteira de Souselas.

"Estranha coincidência" disse à agência Lusa o advogado Castanheira Barros, referindo-se ao facto do relator deste acórdão ser o mesmo da decisão que viabilizou a co-incineração em Souselas.

O advogado salientou também que o acórdão é "muito confuso e procura explicar o inexplicável", adiantando ainda que o texto defende teses "perfeitamente inaceitáveis.

Castanheira Barros adiantou que após esta decisão do STA transitar em julgado há duas vias possíveis para recorrer da decisão.

A primeira via para por interpor uma nova acção cautelar com vista à suspensão dos licenciamentos - ambiental, instalação e exploração - concedidos à Secil.

A outra hipótese será apresentar um "recurso por oposição de acórdãos", disse o advogado, adiantando que lhe parece existir contradição entre os dois acórdãos - Outão e Souselas.

Ainda sobre a decisão do STA em relação a Souselas, Castanheiro Barros disse estar à espera que seja dada a licença de exploração à cimenteira para interpor duas acções, de que é co-autor.

SB/VP

Lusa/Fim

* desculpem o +/- off topic :)

Nélson Faria disse...

Comentário interessantíssimo do em. E começa em grande falando do carisma cristalizado pelo poder. Muito bem.

Deixem-me dizer que eu sou um grande inimigo do litoral sul do Tejo: há muito que defendo que os cais que entristecem a frente ribeirinha da minha cidade (Lisboa) deviam ir para a margem sul.

Assim como assim, eles não fazem nada com o lado deles do rio. E principalmente porque a extrema esquerda é avessa à inovação. E não só: o reaccionarismo dos nossos autarcas é algo que espansta.

Já apresentei algumas ideias a autarcas e quase todos vivem resignados com a fórmula mágica que lhes permite reger poder. Sangue novo é preciso.

Nélson Faria disse...

Boa dica a do amigo Bruno: o companheiro Luis Rodrigues há-de ter tido alguma influência.

É assim: quando as coisas correm bem, todos colaboraram. Se MM não abrisse a boca ou o PR não lhe desse cobertura, era mais uma derrota política do M&M's.

P.S. E mais uma vez recordo que sempre fui grande crítico do mandato de Marques Mendes. E gostei do resultado das directas.

jfd disse...

Administração do Porto de Lisboa meu caro Né, esse grande Bastião do poder!

Bruno disse...

Também gostei do EM. Mas ele confundiu um pouco os políticos de Setúbal com o titulares de cargos políticos no Distrito e Câmaras Municipais… Faltam hotéis, faltam infra-estruturas, faltam empresas criativas (Y Dreams é um exemplo isolado, infelizmente), falta sem dúvida um modelo de desenvolvimento sustentável.

Mas tem havido quem reme contra a maré. Tem havido quem pense, escreva e lute por uma política diferente. Não tem é sido dada a essas pessoas a possibilidade de poderem executar aquilo a que se propõem. Câmaras comunistas e socialistas têm gerido os destinos do Distrito, revelando pouca capacidade para convencer sucessivos Governos mas com grande capacidade de convencer os seus eleitores.

O Programa Polis da Costa da Caparica, com os seus constantes atrasos e recuos, tem revelado a falta de respeito pelas populações da Margem Sul. Muito antes de Mário Lino nos ter chamado camelos já outros governos mostravam pouco interesse em, por exemplo, qualificar a Costa da Caparica. Isaltino Morais chegou a falar em fazê-lo. Tinha um projecto que chamou de Arco Ribeirinho, envolvendo os concelhos a Norte e a Sul do Tejo. Mas infelizmente tinha umas contas na Suíça que o obrigaram a sair do Ministérios das Cidades…

Perante tudo isto, a JSD e o PSD do Distrito têm feito o possível, têm estudado os problemas, falado com as populações, proposto soluções. Será difícil fazer mais enquanto as pessoas continuarem a dar-nos 3 deputados na AR, 2 vereadores aqui, um ali…

Bruno disse...

Em relação à co-incineração, sinceramente não me convencem! E só espero que as formas de luta que as populações, executivos camarários e advogados venham a encontrar, se revelem as melhores para impedir que Sócrates e os seus amigos levem a melhor.

Bruno disse...

Sem querer contribuir para que o post bata recordes, digo mais isto que me esqueci de dizer no primeiro comentário desta leva: concordo com o Né quando diz "Assim como assim, eles não fazem nada com o lado deles do rio".

Mas não creio que seja por isso que se deva fazer a transferência que ele propõe para uma zona urbana, que deverá ser requalificada de modo a permitir um casamento entre o rio e as pessoas, contribuindo para uma melhoria da qualidade de vida, da atracção turística, do bem-estar de crianças e idosos...

Uma dica sobre a Visão que poderíamos ter e não temos: qualificar os concelhos à volta de Lisboa, conjugando as atracções naturais e património histórico com espaços verdes e de recreio permitiria, pro exemplo, que quando os turistas visitassem Lisboa tivessem mais para ver. Isso faria com que não conseguissem ver tudo e mais facilmente voltassem.

Isto tem pouco a ver com Marques Mendes mas muito com o facto de o aeroporto ir para Alcochete. Permite repensar a ligação entre Lisboa e a Margem Sul que há muito devia ter sido uma aposta.

Manuel_Nina disse...

Aqueles que me conhecem mais pessoalmente (lá pros lados da B), poderão recordar-se duma afirmação minha: "Se o Aeroporto vai pra Ota, eu emigro até ao regresso do PSD ao Governo".

Longe de ter pronunciado estas palavras de animo leve, era - e continua a ser - para mim clarissimo que a escolha da Ota como local de construção do novo aeroporto se devia totalmente a interesses politicos duma ala conotada com o PS e alguns grupos de investimento e banca associados.

Para o anónimo que escreveu algures para trás "Alcochete-freeport-...", eu digo mais! "Ota-golf-hoteis-soares-tgv"; e mais recentemente as camaras municipais, que tinham sido todas paparicadas com promessas e garantias, vêm desvanecer-se os seus planos megalómanos de urbanizações de luxo e clubs de campo, com hoteis e salas de conferencia para milhentas pessoas.

Quando o IV Plano de Fomento foi aprovado em 1973, Marcelo Caetano esperava que no ano 2000 o novo aeroporto de RIO FRIO tivesse capacidade efectiva de transporte de 50 milhões de passageiros por ano, e se observarem os vários projectos - incluindo os de Caciano Branco - para a Costa de Caparica, veriam uma excelente estância balnear, com hoteis e centros de congresso.

Ora hoje, o que é a Portela? 13 milhões de passageiros ao monte, infraestruturas modernas de aspecto - de cara lavada, com o seu Terminal II - e depois podres por dentro. Recentemente tive uma cadeira de 5º ano em que elaborei um estudo ambiental e tecnologico sobre a Portela e, meus caros, quem falou por aqui - ingénuamente decerto - que "porque não melhorar a Portela?", não tem de facto a noção do que implica alterar um aeroporto para os paradigmas mais modernos, bem como a necessidade de espaço que nenhum Portela+1 alguma vez resolverá.

Por isso vos digo, aeroporto em Alcochete, e eu fico por cá enquanto os salários nao forem demasiado baixos!

E os meus parabens aos ilustres conhecidos e desconhecidos do PSD e independentes por terem conseguido lançar o debate, e aos meus futuros colegas do LNEC, que mais uma vez provaram que a politica nada pode contra os factos e os números de um bom estudo técnico.

Paulo Colaço disse...

Já não vinha aqui há algum tempo, por isso só agora respondo ao amigo anónimo de Rio Maior.

De facto, o Rio da Ponte estagnou, mas os seus bons velhos tempos regressarão em breve...
E com a mesma garra de sempre. A garra de quem dá a cara, quer no blog quer noutros locais onde o combate de ideias é mais desgastante e requer mais têmpera.

Quanto ao nosso concelho, já na Assembleia Municipal o referi: sempre tive dúvidas. Dúvidas face à saída do aeroporto da capital e dúvidas quanto à melhor localização. E quando falo em melhor localização faço do custos, das características técnicas e do benefício para o país.

Sendo de Rio Maior, gostaria de um aeroporto que potenciasse a região, mas apenas se fosse a melhor opção para Portugal. É que não tenho visão "umbiguista" das decisões em política.

Como fica Rio Maior?
Nestes últimos 2 ou 3 mandatos, o PS/RM mais não faz que (com mais ou menos preguiça) gerir os lucros dos seus dois primeiros mandatos.

Silvino Sequeira trabalho bem e agora comporta-se como as equipas de futebol que, tendo marcado 4 golos na primeira parte, reentram em campo unicamente para gerir o resultado. Vão comentendo alguns erros, mas beneficiam da pouca sorte/incapacidade do adversário.

Nos últimos anos, Silvino Sequeira jogou somente em duas frentes: preparar o caminho para o filho e estender a passadeira vermelha para o aeroporto da Ota.
Teve azar: o potencial do filho em Rio Maior é cada vez mais inodoro; o aeroporto da Ota morreu na praia.

Duas apostas mal-sucedidas. E foram as suas únicas em seis anos.

Como vejo o futuro para Rio Maior? Negro, caso o PSD não agarre a confiança dos riomaiorenses no próximo acto eleitoral.

José Pedro Salgado disse...

Lá vem Alcochete Jamé para a rua...