quarta-feira, janeiro 02, 2008

Decision '08

Cada um é como cada qual... e uma das minhas grandes pancadas é acompanhar bem de perto as primárias e os caucus que definem os candidatos dos partidos Democrata e Republicano ao cargo de Homem (ou Mulher - esperemos que não) mais Poderoso do Mundo.

Para além das ocasionais surpresas, há três grandes candidatos da área democrata e quatro da área Republicana. Segue-se uma pequena biografia de cada um.
Rudolph Giuliani - R
Idade 54 anos Cargo Mayor Nova Iorque 1994-2001 Ideologia Moderado
Bandeiras
Reduzir Impostos
Autonomia e Escolha nas Escolas (vouchers)
EUA no ataque no que toca ao terrorismo
Saúde – Seguros individuais
Segurança Fronteira

Mike Huckabee - R
Idade 53 anos Cargo Governador Arkansas 1996-2007 Ideologia Conservador
Bandeiras
Segurança (Homeland and Foreign)
Santidade da Vida
Educação – avaliação resultados \ Arte e Música obrigatórias
Saúde – contra SNS universal \ reforço prevenção
Valores Americanos

Mitt Romney - R
Idade 61 anos Cargo Governador Massachussets 2003-2007 Ideologia Conservador
Bandeiras
Segurança (Homeland and Foreign)
Cortar Despesa
Segurança Fronteiras
Valores Americanos (Casamento, Família)
Educação

John McCain - R
Idade 72 anos Cargo Senador Arizona 1987-presente Ideologia Moderado
Bandeiras
Redução Impostos
Controlar custos com saúde
Dignidade e Santidade Vida Humana
Reforma Lobbying
Segurança (Homeland, Foreign, Immigration)

Hillary Clinton - D
Idade 61 anos Cargo Senador Nova Iorque 2001-presente Ideologia Liberal
Bandeiras
Fortalecer Classe Média
Cuidados de Saúde sustentáveis
Acabar com a guerra no Iraque
Ajudar as crianças
Recuperar o lugar dos EUA no mundo

Barack Obama - D
Idade 47 anos Cargo Senador Illinois 2005 Ideologia Liberal
Bandeiras
Reforma Lobbying
Cumprir promessas outrora esquecidas: Empregos, saúde, pensões, redução fiscal para os contribuintes
Educação
Ambiente
Recuperar o lugar dos EUA no Mundo

John Edwards - D
Idade 55 anos Cargo Senador North Carolina 1999-2005 Ideologia Liberal
Bandeiras
Defender as Famílias comuns norte-americanas
SNS Universal e Federal
Recuperar o lugar dos EUA no Mundo
Investir no Futuro e no das Comunidades
Educação

Realce-se que os detentores do Big Mo' ou momento são Obama-D e Huckabee-R. Estes são os underdogs que poderão surpreender os favoritos Hillary-D e Giulliani-R.

É amanhã (3 de Janeiro), no Estado do Iowa, que se realiza o primeiro caucus e onde se disputa 7 votos eleitorais nas convenções a ter lugar em Setembro.

O dia forte deste processo será dia 5 de Fevereiro, a mítica Super-Tuesday, onde estará em disputa um total de 258 votos eleitorais em estados tão fulcrais e distintos como Califórnia e Nova Iorque.

44 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

hehehe.
Vai ser um ano em cheio, com as eleições norte-americanas aí à Porta.
Começa já na quinta feira.
Espero que seja um ano "cheiiiinho" de noticias Norte-americanas.
Cá estarei para comentar

jfd disse...

Realmente Né partilho contigo essa pancada.
Sou aficionado pela politica americana!
É deliciosa. E então quando há eleições, melhor ainda.
Tenho vindo a escrever o post aos poucos, mas olha, chegaste primeiro!

2008 é o ano em que acaba a era Bush! Graças a Deus termina a cruzada neo conservadora! Em 8 anos o mundo mudou, para pior, muito pior. Consequências de um neo imperialismo, de um neo conservadorismo , de um autismo vindo daquelas bandas.

Estamos finalmente em Janeiro! E digo finalmente porque estas são as eleições mais antecipadas de sempre nos EUA.
E os candidatos a candidatos andam nisto há bastante tempo. A garantir apoios, a garantir meios financeiros e a preparar toda a logística da loucura que é uma pré campanha seguindo-se-lhe uma campanha.

Mas porquê Janeiro? Porque em Janeiro em 4 primárias se definem os candidatos às eleições de 4 de Novembro de 2008.
Começa tudo nos caucus do estado do Iowa. E o que é um caucus? É uma referência à herança nativa dos EUA; é a reunião dos chefes de tribo em que são tomadas as decisões importantes. Nos tempos modernos traduzem-se em reuniões por todo o estado, em escolas, cafés, ginásios, etc. de grupos de pessoas que votam entre si quer em voto secreto ou de mão no ar no candidato do respectivo partido que desejam ver como nomeado a candidato. Seguem-se as outras primárias que culminam na Super Tuesday referida pelo Né em que se votam nos 22 estados restantes. De referir que só a questão de se escolherem as datas das primárias já encerra em si uma grande dose de estratégia e uma grande luta entre os representantes locais dos partidos.

Há algum misticismo a envolver a primeira primária que tanto pode dar um gigantesco impulso a um desconhecido como aconteceu com o Presidente Carter, ou pulverizar um preferido como aconteceu com Howard Dean.

Lá mais para o fim do ano acontecem então as convenções que são os nossos equivalentes aos congressos. Vai tudo combinado. São eventos organizados e orquestrados ao minuto para consagrar o nomeado que em principio já se saberá muito antes. A não ser que haja um movimento de ultima hora que traga alguma emoção há muito não vista por essas bandas. O objectivo é então a consagração e a passagem da imagem da unificação de um partido e dos candidatos que até algum tempo atrás se matavam publicamente, e agora dois deles são companheiros de corrida presidencial.

O resto já sabem ;) Começam os ataques cerrados. A lavagem de roupa suja. Etc e tal.

Sobre os candidatos o Né deixou aí o essencial, eu deixo o que mais me interessa a mim:

Hillary Clinton (d) -> Todos lhe reconhecem experiência e sentido de estado, ninguém confia nela. É tida como distante, calculista e até há quem aposte que não tem coração:)
É a primeira mulher a candidatar-se e a provável candidata do Partido Democrata. Está a desbravar terreno.

Barack Obama (d) -> Todos lhe reconhecem a simpatia e a capacidade de retórica mas não lhe vêm substância para lá do apelo, empatia e jovialidade. Tem captado muito do eleitorado jovem e a surpresa poderá vir dos votos dos crónicos abstencionistas. Se ganhar as primeiras duas primárias é um feito histórico. Não é o primeiro negro candidato a candidato, mas caso seja o nomeado, fará historia e se uma forma não fracturante o que será realmente o facto politico na América do sec. XXI.

John Edwards (d) -> O extremista do Partido Democrata, radicalizou o seu discurso, após a derrota como parceiro de Kerry nas últimas eleições. É tido pela direita como extremista levado ao colo por sites de extrema esquerda e sem hipóteses na nomeação. Tem como alvo principal a Senadora de Nova Iorque e como sonho esbater a diferença entre a América Rica e a América Pobre.

Do lado democrata ainda há o Joe Biden que não me aquece nem me arrefece, o Bill Richardson que me parece ser o mais experiente em politica e relações internacionais, o Chris Dodd, o Mike Gravel que estando em último tem obviamente o discurso mais coerente e mais correcto de todos mas ninguém liga e o fantástico Dennis Kucinich que de fantástico tem a sua incrivelmente bonita mulher que faz sucesso em todos os debates.

Do lado do Grand Old Party temos:

Rudy Giuliani (r) -> Desistiu em 2000 de concorrer ao Senado. Foi mayor de Nova Iorque por duas vezes. Foi-o durante o ataque de 11 de Setembro. Capitalizou politicamente em torno disso. É atacado pela base conservadora do seu partido pelas suas posições no que toca ao controlo de armas, aborto e casamento gay. É criticado pelas suas opções pessoais no que toca aos vários casamentos. É criticado pela forma como gastou dinheiros publícos com as suas conquistas. É criticados por bombeiros, que são apelidados por serem de esquerda, no que toca à forma como decorreram os trabalhos de salvação no pós 11 de Setembro. Mas é o candidato para qual os conservadores se viram para ter a sensação de segurança; que é a que mais prezam. Estou muito curioso para ver o que lhe vai acontecer. Estrategicamente ignorou o Iowa e deixou o Mike Huckabee ganhar terreno ao seu principal concorrente Mitt Romney.

Mike Huckabee (r) -> Foi pastor. De almas, não de ovelhas ;) Era tido como um dos candidatos que vêm no fim e ninguém liga. Sem muito dinheiro nem uma grande logística. Escalou até ao topo. Foi o primeiro a ter tomates de desejar um Feliz Natal numa América cada vez mais presa ao politicamente correcto. Tem um discurso simples, conservador e quer abolir o IRS e instituir o equivalente ao IVA. As suas gaffes no que toca à politica externa podem-lhe custar as hipóteses que teria. Tem os valores cristãos e não tem vergonha de os afirmar. Representa o eleitorado fundamentalista. Mas com um pequeno rasgo de novidade. É o alvo preferido de Mitt Romney.

Mitt Romney (r) -> É, como diria Herman José, Hélder (Mórmon) o que lhe tem causado alguns dissabores. A sua religião nunca interferiu com a sua gestão do estado de Massachusetts, mas isso não impede de os seus rivais mais directos lançarem a confusão para os media com frases do tipo “ Não são os Mormons que dizem que o Diabo é Irmão de Jesus?”(Frase de Mike Huckabee após um debate na CNN em entrevista a uma revista se não me engano). É de longe o que tem gasto mais dinheiro na aposta Iowa e o que mais tem deslizado. Nada é seguro só saberemos depois de amanha. Fez um discurso sobre a sua religião que foi muito aguardo. A lembrar o discurso de JFK quando era ele o primeiro católico a candidatar-se à casa Branca. Eu ouvi o discurso ao vivo. Não teve tomates para assumir a sua religião, e inseriu-a no Cristianismo, o que está em grande debate e grande luta na América nomeadamente entre os Mormons e os Evangélicos.

John McCain (r) -> Deveria ter sido ele há 8 anos atrás e não o Bush. O mundo teria sido diferente. Gastou o dinheiro todo no inicio da campanha. Sem resultados, despediu toda a gente. Neste último mês tem vindo a subir. Talvez pelos bons resultados que ele previu que iriam acontecer no Iraque e que estão a acontecer após o surge. Tem contra si a idade e algumas posições divergente do núcleo duro conservador do partido. Vamos ver o que lhe acontece na Quinta.

Fred Thompson (r) -> Este vai para a história como o candidato que antes de o ser já tinha montes de apoio e montes de hype em sua volta. Ex actor, já era tido como o novo Reagan. Quando entrou na campanha revelou-se um grande zero. A muito custo está a subir pé ante pé...

Ron Paul (r) -> O meu preferido! Preferido por gerar um fru fru em sua volta que é demais. A maior parte dos seus apoiantes gosta das suas posições sobre a constituição, impostos e sobre o estado em geral. Eu nunca entendi muito bem as suas posições. A maior parte dos programas políticos de rádio na América é dominada pela direita e eles não gostam nada deste senhor. E uma franja dos seus apoiantes irrompem por entre programas com slogans do tipo “9/11 was an inside Job!”. Encontrei isto ontem ;) http://portugal4ronpaul.blogspot.com/

Restam o Duncan Hunter e o Tom Tancredo. Sendo que este último já desistiu :)

Ufa que isto já vai longo. Mas deliro mesmo com isto :)

Adriana disse...

Bem se tivessemos alguns portugueses assim a delirar, como o Jorge com a politica americana,com a portuguesa talvez tivessemos uma politica diferente.

Quantos as eleiçoes americanas eu presumo que o grande debate seja entre Hilary Clinton e Barack Obama. Pelo seguinte, Hillary, apesar de ser mulher de um ex-presidente dos EUA, tem intelegencia, estrategia e tem as mulheres do lado dela. E Barack Obama tem outro peso da balança americana, que é a comunidade negra e até já o apoio da Oprah tem logo pudera influenciar muitos americanos.
Mas esperemos para ver!

Paulo Colaço disse...

Confesso que percebo pouco do sistema eleitoral norte-americano.
Sobretudo não estou por dentro do calão que o Né e o Jorge parecem dominar de largo.

Seria interessante prepararmos alguma psico-coisa em torno das eleições que mais apaixonam o mundo e com mais propensão para o mudar.

Relativamente aos candidatos, o ex-Mayor de NY é o que mais me agrada. Digo-o porque conheço menos os restantes, claro, mas acho que ele encontrou um bom equilíbrio entre a autoridade do Estado e o respeito pela liberdade e dignidade da pessoa.

Em democracias que se querem robustas é essencial esse equilíbrio.

Paulo Colaço disse...

Quanto aos restantes, ou me parecem exageradamente conservadores (por convicção ou eleitoralismo) ou demasiadamente cor-de-rosa e fala baratos.

Uma palavra para Hillary Clinton: enquanto lia o post e os comentários ocorreu-me que um seu acrónimo pode ser HCL.
Ora HCL é o símbolo do Ácido Clorídrico.

Se bem nos lembramos (cito a wikipédia), o HCL é uma solução aquosa, fortemente ácida e extremamente corrosiva, devendo ser manuseado apenas com as devidas precauções.

Encaixa na Hillary ou não?

jfd disse...

Encaixa sim senhor :)
É uma mulher de Ferro, não olhando a meios para atingir fins. Há até quem diga que é pena que sendo mulher, tenha chegado onde está com jeitos de homem...

Nélson Faria disse...

Boa malha Colaço.

Eu gostava de ver até onde chega Huckabee. Não o conhecia antes do debate entre os candidatos do GOP no YouTube e apreciei a prestação dele.

Aquela religiosidade toda é que me aborrece.

Quanto ao Obama e o voto negro não é bem assim. Apenas um em cada quatro eleitores de Obama são negros. Ele sempre teve tiques de político mainstream. O apoio da Oprah é fundamental por estar em causa a HCL.

Eu gostava de ver Giuliani\McCain ou Huckabee e Obama\Richardson.

António Pessoa disse...

Se pudesse votava na Mrs Clinton.

José Pedro Salgado disse...

Pessoalmente estou com o Rudy.

Em termos de diputas gostaria de ver Giuliani/Obama ou então McCain/Edwards.

No primeiro caso, se não ganhar Giuliani, a minha segunda escolha iria para Obama (por muitas dúvidas que me deixe as hipóteses de alguém de raça negra chamado Hussein ganhar as eleições).

No segundo caso, não achando que nenhum dos dois seja particularmente fantástico, deve dar uma disputa curiosa.

Francisco Castelo Branco disse...

Penso que Hilary vai ganhar
Pelo menos estou com ela!
Acho que vai dar seguimento á administração Bush. Embora de uma maneira diferente e não de forma radical.
E já sabemos.
Quando os EUA mudam, o mundo segue o seu rasto

jfd disse...

Pois Francisco é isso mesmo. Mais do mesmo, mas um pouquinho diferente :) É aí que reside muita da campanha dos seus companheiros de partido.

O Senador Obama é o centrão apela a todos. Até quase que se esqueçe que é negro, inexperiente e ainda não mostrou a substância que sustenta a eloquência e retórica.
A Senadora de NYC e o respectivo ex-Mayor sendo menos apelativos e menos apreciados serão a escolha obvia, pelo menos é o que acho neste momento. Mas tanto pode mudar até Fevereiro e mesmo depois disso :)
Venham elas cá esperamos!

A parte religiosa ó Né é a mais engraçada! Afinal esse debate foi de cagar a rir com não sei quantos homens a dizer que acreditavam literalmente na biblia e que eram criacionistas. LOL. Para quê que é preciso acabar com a greve dos guinistas se temos a campanha e os debates? LOLOL
Temos o extrema esquerda Edwards, o "arrasta-loucos" Ron Paul, o "are you talking to me" Romney... LINDO LOL ;)

Nélson Faria disse...

Estes americanos são loucos.

Quanto a putativos apoios,a fraca prestação de Giuliani nos debates pode levar-me a apoiar um democrata: o Obama. É o único liberal que resta.

Eu sou adepto do Partido Republicano, mas Romney é Mórmon, Huckabee é um reverendo e McCain não anda muito longe. Todos querem aprovar uma emenda constitucional que bane o casamento entre homossexuais, todos querem a revogação do Roe v. Wade (acórdão que permite o aborto), todos são defensores da 2ª Emenda com pouco controlo (right to bear arms). É tudo demasiado conservador para mim.

Nélson Faria disse...

E ainda dentro do tópico eleições, não nos devemos esquecer das gerais espanholas a decorrer em Março.

o EL Mundo publicou hoje uma sondagem que colocava os nossos companheiros do PP a apenas dois pontos percentuais (e dentro da margem de erro) do PSOE (39%-41%).

E se nós nos queixamos do peso no passado no nosso quotidiano parlamentar, saibam que a principal questão em Espanha ainda é o 11-Março\Aznar e Eta\Iraque. Parecem presos num ciclo sem fim.

jfd disse...

É verdade sim senhor.
Em Espanha terá de haver algo que marque a diferença nas próximas semanas por forma a fazer pender a opinião publica para um dos lados.

Pois é Né, sobra o Obama, mas a direita Americana quer pinta-lo como sendo mais à esquerda que a ex Primeira Dama. E como muitos dos eleitores ouvem essa opinião, vão emprenhar pelos ouvidos e ficar assustados. Vão logo pensar em homosexuais casados a festejar o fim imediato da guerra do Iraque com armas de brincar e drogas leves liberalizadas numa sociedade sem religião oficial cujo paradigma é o politicamente correcto e a segurança social é universal suportada por altos impostos ;)

jfd disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
jfd disse...

Recomento esta pequena noticia:

http://dn.sapo.pt/2008/01/03/tema/
iowa_e_primeira_data_corrida_a_casa_.html

Francisco Castelo Branco disse...

Começam hoje as Eleições mais interessantes do Planeta.....

big mamma disse...

Sempre tive esta dúvida: se nos EUA existe bi-partidarismo, como concorrem os candidatos indepemdentes?

Nélson Faria disse...

O bi-partidarismo nos EUA existe mais por conveniência que outra coisa. Arrisco-me a dizer que os Partidos Republicano e Democrata assemelham-se mais a federações de partidos que outra coisa; no mínimo são federações de sensibilidades políticas.

Para um independente se candidatar, grosso modo, tem como qualquer candidato de se inscrever junto da FEC (Federal Election Comission) e está lançado. Não consegue (ou até hoje nenhum conseguiu) é aproveitar a estrutura de um partido (que até num pequeno Estado como o nosso é vital) nem angariar tanto dinheiro como um candidato "a sério".

Obama ganhou o Iowa, Hillary ficou em terceiro. O dia corre bem.

Huckabee ganhou o Iowa, Giuliani ficou em sexto (?!). Esperemos que a estratégia de se concentrar apenas nos grandes estados acabe por funcionar.

jfd disse...

Realmente o dia corre bem 
Dá um gosto especial ver os big spenders a falhar na América dos pequeninos. Infelizmente em nada é representativa do resto da América ...
Ohio, Texas, Nova York, Califórnia e mais uns pouco estados grandes, esses sim, fazem a diferença.

O Giuliani esteve-se nas tintas literalmente para esta América. Segue-se outro pequeno Estado para a semana a ver se estes vencedores aguentam o elan. Espero que sim. Mas tudo se pode dissipar até 5 de Fevereiro.

Fiquei espantado com o empate de McCain e do actor... Esperava e desejava até que o McCain igualasse o Mitt Romney!
Adorei que o Mitt tenha ficado no lugar em que ficou, fartou-se de gastar dinheiro e de fazer campanha rasca. E o Huckabee tão doninha até teve graça! Tipo ele tinha um anúncio a arrasar o Mitt Romney. Então chamou centenas de jornalistas a uma conferência de imprensa, passou o anúncio difamador num plasma e depois disse “É este tipo de campanha que eu não vou fazer “ LOLOLOL Genial!!! Vigarista!!! O outro ficou possesso os jornalistas ficaram tão pasmados com o descaramento que até deram conversa... e pronto, pimba. Saíram os Religiosos todos à rua para combater o Mórmon e conseguiram. LINDO 

O tipo da mulher toda Linda de que vos falei, se não tivesse 15% de apoio em cada caucus decidiu-se por dar o apoio ao Obama, depois foi ver a Hillary a fazer olhinhos às campanhas de pessoas que a tinham atacado no próprio dia! É assim que se vêm os caracteres!

Os Senadores Dodd (d) e Biden (d) já eram, não sei se já apoiaram oficialmente algum dos “colegas”

Bem os dados estão lançados.
Embora haja muito hype, não podemos esquecer que é mesmo isso, hype! É para vender jornais, vender anúncios na TV, ganhar audiências, separar o trigo do joio e acima de tudo captar mais e mais apoios que se traduzam em dólares e em delegados aos respectivos congressos. Tudo pode acontecer e mudar a qualquer instante.
E o psico cá está, atendo a todos os desenvolvimentos!

Em directo de Picoas, NOT Iowa, JFD

polvo disse...

Boas pessoal! É um prazer encontrar apaixonados por esta temática como eu...

Continuo surpreendido com a viragem nos republicanos. Afinal de contas Huckabee é um candidato sem dinheiro que até agora assentou a sua campanha numas tiradas jocosas e na frontalidade com que aborda os temas. Nunca pensei que esta forma tão simples de fazer política frutificasse. Depois porque se trata de um candidato tão conservador que, em minha opinião, não tem chances de disputar a eleição com qualquer democrata. Nem os americanos são burros ao ponto de entregar o seu país a um indivíduo que não acredita na teoria evolucionista de Darwin. A ver vamos como mudam agora as coisas no fund-raising até porque Mitt Romney já gastou o que havia para gastar.

Entre os democratas a frase de John Edwards resumiu tudo. O status quo perdeu, a mudança ganhou. O modelo americano está em crise e a prova disso é a vitória do candidato que mais vai beber nas suas influências ao modelo social europeu. Também aqui me pergunto: será que os americanos querem uma inversão absoluta na sua forma de fazer política?

Quanto a candidatos a aposta do polvo vai para que a coisa termine com as seguintes duplas: Mitt Romney/Newt Gingrich pelos Republicanos, Barack Obama/John Edwards pelos Democratas e Michael Bloomberg/Ron Paul como candidatos independentes. Neste cenário os independentes com o actual mayor de Nova Iorque à cabeça poderiam fazer a diferença.

Até breve. Entretanto aceitem mais este jacto de tinta.

Nélson Faria disse...

Eu tenho sérias dúvidas quanto À viabilidade da candidatura de Mitt Romney. Hillary saiu chamuscada do processo mas todos os analistas (e com razão, penso) admitem que isto é mais um desafio: a mulher que começou a campanha como se já fosse a candidata democrata abraçada ao lema "Experiência", foi forçada a mudar para "Mudança" por força da candidatura de Obama. Para onde pode ela ir agora?

E Obama arrecadou mais de 50% das pessoas que votaram pela mundaça, foi quem acumulou mais voto feminino, mais voto democrata republicano e independente. Um verdadeiro grab all, num Estado em que 93% da população é caucasiana.

Quanto a Huckabee já o disse: não fosse tão conservador e apoiava-o já. Gosto da frontalidade dele na maneira como aborda os assuntos... o problema é quando se fala da emenda constitucinal sobre casamento, abolir o Roe v. Wade e o criacionismo nas escolas.

O seu óptimo resultado no Iowa também foi influenciado pelo facto de 60% da população ser christian evangelic ou born again christian (como Bush é), o que ajudou a passar a sua mensagem apesar de Romney ter gasto 16 vezes mais que ele (?!).

Quanto aos creacionistas fui confirmar e são três os republicanos: Huckabee, Tancredo e Brownback. Brownback não chegou a formalizar a candidatura e Tancredo desistiu em Dezembro. Os outros não rejeitam o evolucionismo.

Nélson Faria disse...

Obrigado Polvo quanto ao mais recente jacto de tinta (dúvida: com o novo acordo da CPLP ficará jacto ou jato?)

Para os menos batidos, o que os candidatos estão a fazer é a recolher votos para a Convenção deles em Setembro. A Convenção é o equivalente deles ao nosso congresso e, naturalmente, também tem inerências. Hillary, com os apoios dos chamados superdelegates (as inerências), já tem 169 delegados ao Congresso (sendo 154 deles superdelegates). Obama tem o apoio de 66 delegados, sendo que 50 são superdelegates. Edwards tem 47 delegados a contar com o apoio de 33 superdelegates.

Há 4049 delegados à Convenção Democrata, sendo 796 deles superdelegates. Para garantir a nomeação é necessário ter o apoio de 2026 delegados.

Nos Republicanos é mais fácil: 2380 é o total de delegados, sendo que 1917 deles estarão ligados a uma candidatura e 463 não. São necessários 1191 votos para garantir a nomeação. Huckabee tem 20 e Romney 18. Todos os outros andam entre o 3 (McCain) e o 1 (Giuliani).

Nélson Faria disse...

Recebi agora mesmo a informação (via Rodrigo Saraiva), que o Instituto Transatlântico Democrático (se não conheceram vão até www.itd-tdi.org e vejam como a FDL é mais uma vez carimbo de qualidade ;) criou um Observatório para as Presidenciais Norte-Americanas 2008.

Ainda não o explorei (remeto para a parte recebi agora mesmo a informação deste texto), mas vindo como sugestão do Saraiva e feito pelo ITD... parece-me que promete.

P.S. Já agora, vejam também o realclearpolitics.com e o cnnpolitics.com. Sites simpáticos, sendo que o da CNN é mais userfriendly.

Bruno disse...

Bolas! Se o Psico fizer alguma actividade sobre as Presidenciais Americanas acho que vai ter que ser um workshop de meia dúzia de dias... Que tamanha quantidade de informação!

Mas é realmente apaixonante a forma como este sistema funciona e é posto em prática. Eu gosto de muitas das suas características. Tem outras que me parecem algo ridículas como o candidato mais votado pode não ser o eleito mas isso também em Portugal pode acontecer...

Sobre os candidatos, como já disse noutros debates, muito ainda me falta saber mas este post e os comentários já deram uma grande ajuda. Sem preconceitos partidários acho que os meus preferidos são Rudy e Obama. Mas Rudy talvez seja demasiado equilibrado para ser genuíno...

Não gosto de Hillary. Não lhe vejo grandes capacidades que não sejam a estratégia e a manha de quem conhece a coisa como poucos. De resto parece-me falsa, com poucas convicções e demasiado fabricada pelos media... Obama também será um produto mediático mas tem chama, tem alma, tem garra. Não sei se terá causas mas dá toda a ideia.

Bruno disse...

Sobre a questão dos independentes deixem-me perguntar umas coisas:

- Aqui há uns anos houve um outsider que deu que falar. Era o Ross Perot certo? Era independente ou de algum partido?

- Quando se deu a confusão na eleição de Bush contra Gore lembro-me de terem sido mostrados muitos boletins de voto. Aquilo eram umas dezenas de candidatos. E estamos a falar da eleição final e não das primárias. Apesar da bi-partidariedade há uma série de candidatos, certo? Há assim tantos partidos insignificantes nos EUA?

Nélson Faria disse...

Chamaram-me a atenção para o facto de eu ter feito uma afirmação e não a ser consubstanciado: inviabilidade da candidatura de Mitt Romney. Mitt Romney ganhou 20x mais no Yowa que Huckabee e ficou a 10 pontos deste.

Mitt Romney é o candidato Republicano com mais dinheiro (62 milhões de dólares) e já gastou 53 milhões (?!). É verdade que o financiamento da campanha é algo fluido e poderá receber muito mais dinheiro em breve (além da sua própria fortuna pessoal, mas para essa há um limite de comparticipação e não sei se ele já a usou).

Huckabee é o segundo republicano com menos dinheiro, com apenas 2milhões e meio de dólares angariados, dos quais já gastou 1.7. Mas Huckabee ganhou - e bem -, tem o Big Mo' do lado dele (aquilo a que rafeiramente chamamos dinâmica de vitória e boa imprensa), pelo que o dinheiro deve começar a chover. Mitt precisa de um grande resultado em New Hampshire para se aguentar.

Nélson Faria disse...

Já que abrimos o baú dos dinheiros:

- o segundo republicano com mais dinheiro é Giuliani (47 milhões angariados, gastou 30) e o terceio é McCain (32 milhões angariados, gastou 28 milhões);

- nos democratas: Hillary angariou 90 milhões e gastou 40 milhões;
Obama angariou 80 milhões e gastou 44 milhões; Edwards angariou 30 milhões e gastou 17;

- nos próprios partidos, com esta campanha, o Democrata gastou 40,9 dos 40,5 milhões angariados (os esquerdóides são iguais em todo o lado: gastam sempre mais do que têm ;), enquanto o Republicano gastou 49,6 milhões dos 63 milhões angariados.

Não deixa de ser curioso que o Partido Republicano angaria muito mais dinheiro do que o seu principal candidato, ao contrário do Democrata que angaria sensivelmente metade do que as suas principais figuras... isto apesar dos Democratas terem a maioria na Casa dos Representantes.

Nélson Faria disse...

Bruno:

Perot ficou na história comoo independente com mais votos de sempre: 20% em 1992. Como? '92 foi quando Clinton foi eleito e Ross Perot capitalizou com o constante desgaste da Administração de Bush Sénior e com os escândalos sexuais de Clinton (sim, é verdade, foram vários e não somente o Prémio Secil na Sala Oval). Acho que depois tentou fundar um partido e a coisa não correu tão bem. Coisas de independentes.

Quanto aos vários boletins de voto: normalmente não há muitos candidatos, e se houvesse estariam no mesmo boletim. Os americanos é que são loucos e misturam tudo: referendos locais e estaduais, eleições para governador, mayor, xerife, Casa dos Representantes, Senado... uma verdadeira alegria.

Sempre que há eleições os estado-unidenses aproveitam para fazer um 8 em 1 ou 15 em 1. Quando Schwarznegger foi eleito Governador havia mais de 40 matérias diferentes a serem referendadas. Todas com um número e campanhas a dizer: "YES to 41" ou "Say NO! to 32". Uma algaraviada das antigas.

Bruno disse...

Pois, eu tinha essa noção de que os Americanos juntam todas as votações num pacote. Por um lado é uma boa forma de garantirem a maior participação possível nos referendos. Depois é preciso é que a comunicação social tenha a honestidade para não misturar as coisas.

Mas o que eu me referia era a dezenas de candidatos mesmo. Todos no mesmo boletim sim. Se calhar exagerei e não eram dezenas ;) Mas eram vários e os nomes até estavam um pouco "apertadinhos" no boletim. Tanto que houve pessoas a queixarem-se que votaram por erro noutro candidato quando queriam votar em Al Gore. Lembras-te? QIs de 2 dígitos com uma vírgula no meio são a regra nos States...

José Pedro Salgado disse...

Isso devia-se ao facto de no boletim de voto o nome do Bush e do Al Gore estarem em duas colunas lado a lado e ter havido malta que meteu a cruz na caixa do Bush por ser a que estava em frente ao nome do Al Gore.

Só mais um pormenor. Já vi uma vez um boletim de voto estadounidense: parece um poster em formato A1 e juro que não percebo como é que aquela gente se entende sem estar a votar às cegas.

Bruno disse...

Era qualquer coisa desse género Zé. Mas eles não votaram Bush. Votaram noutro candidato que me lembro que teve uma votação fantástica na Florida (onde houve problemas).

Mas é mais ou menos essa a noção que tenho dos boletins: um poster. Ou naquele caso como eram sob o comprido pareciam um lençol :P

José Pedro Salgado disse...

Era o Patrick Buchanan em Palm Beach na Florida.

I stand corrected.

Nélson Faria disse...

Deve ter passado ao lado de todos, mas Mitt Romney ganhou hoje o caucus do Wyoming. Não houve disputa democrata lá (será em Março), apenas republicana.

Isto porque o partido republicano estadual quis colocar o estado na linha da frente da disputa presidencial escolhendo esta data para o seu estado receber a atenção que o Iowa e New Hampshire recebem. Não funcionou.

Paulo Colaço disse...

E, deixa-me adivinhar: Giuliani tambem não concorreu, certo?

Nélson Faria disse...

Não Bruno, na Flórida ganhou Bush. Ninguém estava era à espera que Bush ganhasse a Flórida e, por isso, conseguir votos eleitorais suficientes para ganhar a Gore.

Gore teme a maioria dos votos expressos, mas não a maioria dos estados (só ganhou em 21 enquanto Bush ganhou 30).

Giuliani concorreu mas não arrecadou nenhum delegado. Foi o caucus do wyoming:

imaginem X pessoas numa sala;

cada um vai para o local onde as pessoas que apoiam determinado candidato estão;

o responsável pela sala conta as pessoas (votos) que apoiam cada candidato;

as candidaturas que não recolherem 15% dos votos presentes são consideradas inviáveis e retiradas do escrutínio;

procede-se a nova votação onde se pode mudar o voto; imagina que apoiei mitt porque sabia que o huckabee nunca passaria à fase seguinte, mas este acaba por passar - na segunda votação posso apoiá-lo, só não posso apoiar candidatos que saíram do escrutínio;

para quem viu o seu candidato ser afastado do escrutínio pode ir-se embora ou "negociar" o seu apoio, entenda-se ser persuadido a direccionar o seu esforço para uma alternativa viável.

Giuliani foi considerado inviável em todos os caucus: tiveram representantes Mitt Romney, Fred Thompson e Duncan Hunter.

Giuliani mantém a sua estratégia de só se dedicar aos grandes Estados. Acho que lhe vai sair furado.

Nélson Faria disse...

Eu espero que o Giuliani e a sua equipa perceba mesmo muito disto Sondagens para os eventos para vir:

New Hampshire: ganha McCain, Giuliani em 4º.

Michigan: ganha Romney, Giuliani em 4º

Nevada: empate entre Giuliani e Romney, Huckabee a 8 pontos

South Carolina: ganha Huckabee, Giuliani em 5º(!)

Florida: ganha Giuliani, mas com apenas 2% de vantagem sobre Huckabee.

De facto ganha os grandes que vão concorrer na Super-Tuesday: California, Pennsylvania, New Jersey, mas e se perde gás até lá?

Vamos ver se jogar só nas grandes casas compensa ;)

José Pedro Salgado disse...

Estou a ficar muito desiludido com Giuliani.

Uma coisa é ter azar, mas ao que parece os maus resultados (ou perspectivas de resultados) devem-se mesmo a falhas graves de estratégia (e há quem diga que à inexistência dela).

jfd disse...

Zé Pedro não fiques triste com o senhor, ele está-se ****do para estas primeiras primárias! É essa a estratégia.

João Marques disse...

Antes de mais cabe deixar aqui o desejo de mais um grande ano a todos os psicóticos, bem como aos para-psicóticos que, como eu, por cá vão passando, enriquecendo o fórum e a discussão.

Quanto ao tema em apreço, devo dizer que também eu sou um obcecado seguidor da política americana. Tudo começou no ano da graça de 2000....(esta história fica para outro dia).

Bom, quero apenas dizer que, discordando total e frontalmente do balanço que jfd faz de Bush e da sua governação (é verdade, ainda há quem o ache um mediano presidente), eu apoiaria uma Dupla Edwards/Obama ou Obama/Edwards no campo democrata, do lado Republicano claramente McCain/Colin Powell (eu sei que não faz parte dos candidatos).

Paulo Colaço disse...

Quem ganha eleições sem ter "ligado puto" aos Estado pequenos, pode considerar-se presidente de todos os americanos? (bem sei que esta é uma discussão Zé Pedro/Rodrigo Saraiva/Colaço do post sobre a monarquia)...

Caro João Marques,
nem penses que deixas para amanhã uma conversa que parece ser animadora. Conta lá o que teve de especial esse ano de 2000!!!

Bruno disse...

Bem visto, Colaço! Eu também ia dizer isso sobre Giulianni: ainda que a sua estratégia saia vencedora, para mim ele já perdeu. Uma coisa é concentrar esforços nos grandes estados. Outra, menos aceitável, é marimbar-se nos pequenos. Haverá para ele americanos de 1ª e de 2ª???

Sei que é possível que isto até seja aceitável para os americanos, caso já estejam habituados mas para mim não é. E eu que até me sentia próximo de Rudy já começo a marimbar-me para ele tanto quanto ele se marimba nos pequenos estados.

Em relação à situação da Florida na disputa Bush/Gore, eu sei, Né, que Bush ganhou aí quando não se estava à espera e foi isso que deu a volta ao texto porque a Florida vale muitos votos na contabilização final com os Grandes Eleitores (é uma coisa assim não é?). Mas sei que uma das polémicas que se levantaram aquando da recontagem que fizeram foi exactamente essa de haver malta que dizia ter votado erradamente num terceiro candidato (que não Bush nem Gore) quando queriam votar em Al Gore.

O que interessa é que Bush ganhou mesmo e se os americanos são burros e não sabem votar, aprendam! ;) E se o sistema é estranho por poder ganhar alguém que teve menos votos não deixa de ser - nesse aspecto - igual a muitos outros em vigência na Europa.

E mais uma perguntinha: essa tertúlia, sai ou não sai???

jfd disse...

João, seja bem vindo mais um maníaco e mais um ponto de vista. De dois em dois cêntimos daqui a pouco estamos todos ricos.

Na minha modesta opinião, acho que a escolha de não ligar ao pequenos estados no inicio desta longa caminhada refere-se ao facto de saberem que quem se interessa no inicio são activistas. Pessoas de extremos. Ou muito à esquerda ou muito à direita. Muita da opinião diz que a direita ganhou no Iowa pelos votos religiosos e a esquerda pelos activistas anti-guerra.

Nota interessante: ontem num debate não sei onde o John Edwards colou-se a Obama (espertinho ele!) e a Hillary passou-se! Aquele acusou aquela de ser contra aqueles, que são a favor da mudança. Tendo-se então defendido aquela de ser mudança e a demonstrar já há 35 anos. Ora digo eu; Se o Edwards é contra o status quo, e aquela se defende com a ideia de que há 35 é a mudança... O que está errado nesta defesa? LOLOL

João Marques disse...

Caro Colaço,
Cabem, antes de mais, as devidas desculpas pela história pendurada.
Ora respondendo (com mutio gosto) aos teus anseios e porque a história nem é assim tão interessante, nem longa (a preguiça ontem é que era mais do que muita), cá vai:

Corria o tenebroso ano da graça de 2000, todos tínhamos sobrevivido ao bug e Portugal esbracejava pra sair do pântano. Eis senão quando meu querido e único pai decide, magnanimamente, diga-se, custear a suas próprias expensas o serviço de Tv por cabo.
Resumindo a história, eu, que já era um ávido consumidor da cultura americana (até lia a Times em estrangeiro), assisti a um debate apaixonante na sociedade americana - via CNN. Depois de 8 anos de Clinton e de governação sobre e sob a mesa, a América tinha de decidir quem ia ser o seu presidente.

Foi aí que tomei contacto com a realidade das primárias. Uau, que modelo espectacular, seria possível conceber algo mais próximo do cidadão? Não seria este o modelo acertado, modelo em que o líder do partido trata do partido e quem quer ser presidente trata do seu mister com a ajuda daquele, assim seja o escolhido pelos seus pares (e ímpares já que os independentes e até militantes do adversário podem votar em algumas primárias)?!

Enfim, fiquei maravilhado com o sistema americano, até às eleições propriamente ditas, em que acabou por vencer não quem tinha mais votos, mas quem tinha vencido os Estados de 1.ª e não os de 2.ª (e isto nada tem que ver com Bush que, como disse, acabou por ser um mediano presidente, esta história sim, fica para outra altura). Ainda acho que é um sistema muito interessante, mas não será a resposta às preces de Churchill.

Tenho escrito.