quinta-feira, janeiro 10, 2008

Estranho crivo...


No site do Público cada notícia dispõe de um espaço para comentários dos leitores. Não é costume consultá-lo mas, há cerca de duas semanas, bati lá com os olhos e fiquei perplexo. Vão contra a civilidade, correcção linguística e relevância. E vão contra as regras do Público de aceitação desses mesmos comentários. Diz o Público que não aceita:

1- Comentários incompreensíveis
2- Comentários de conteúdo ambíguo ou irrelevante
3- Comentários contendo acusações de ordem criminal a terceiros
4- Comentários contendo linguagem grosseira
5- Comentários escritos em maiúsculas
6- Comentários mal estruturados, com má pontuação e erros ortográficos, cuja publicação obrigaria a uma reescrita total.
7- Endereços de mail não válidos
8- Localidades inexistentes

Mais, o Público diz que “esta funcionalidade não foi criada com o objectivo de fomentar a discussão entre os leitores”, e que os “os comentários apenas são publicados após uma aprovação da equipa editorial” do jornal. O Público reserva para si o direito de “publicar ou não os comentários recebidos seleccionando-os segundo os seus critérios de importância, actualidade/oportunidade, interesse e qualidade”.

Agora vejam as pérolas (pequenos excertos TEXTUAIS) a que a distinta equipa editorial reconhece actualidade/oportunidade, interesse e qualidade:

TEMA 1:
Anónimo
Se este parvo estivesse de acordo com o governo era para admirar [sobre Alberto João Jardim]

Gil, Porto
Mais uma vez parabéns e bem haja, nunca se cale contra o xuxalismo e sua política. [sobre Alberto João Jardim]

Carlos GT, Aveiro
Como diz o povo "cu que has-de beijar não há que recear" [sobre Sócrates]

TEMA 2:
O Patego, Rebordosa
Pois... é o moleiro que não confia no burro, não vá este dar-lhe um coice, é o burro que não é de confiar ou o moleiro que não é confiável, deculpem baralhei-me todo. [sobre alguém]

ROLF
Porque será que NUNCA se pediu um Referendo para a Constituição de 1976 que esta sim dizia respeito MAIS DIRECTAMENTE à vida dos Portugueses? Porque nos impingiram uma Cosntituição dita Progressista SEM ME PEDIREM OPINIÃO? Basta de oportunismos politicos, vindos sempre dos mesmos! Para o ABORTO o PCP NÃO QUERIA REFERENDO! A RESPOSTA DO POVO JÁ NÃO INTERESSAVA!!!Agora já lhe convinha um Referendo ? Mais provas de oportunismo politico? [sobre o PCP]

Os Psicóticos e Psico-amigos validariam estes comentários?

21 comentários:

Paulo Colaço disse...

Notas:
- já queria ter escrito este post mas só agora tive a presença de espírito para o fazer.
- quem for ler os comentários aos artigos do Público encontrará pérolas destas com uma desmedida frequência.

Não acham grave? E coisas muito mais graves deixei eu de fora...

Nélson Faria disse...

Devem ter uma óptima equipa a fazer a triagem.

É típico: proclamar rigor e deixar o laximo instalar-se. Não está à altura do melhor diário generalista português.

(toda a gente sabe que o melhor diário português, desde a fundação, é 'A Bola) :)

jfd disse...

Típico da falta de seriedade das empresas ao encarar o Online em Portugal.
Falta de investimento e aposta em efectivos, produtivos e eficazes meios humanos.
Acho que é só isso.

Maria Pereira de Almeida disse...

É "comovente" a falta de brio com que os comentários apresentados foram escritos. No entanto, nao me parece que deva existir qualquer tipo de censura a este respeito. As pessoas devem poder dizer o que bem lhes apetece... Respondam-me que a consequencia disso e a creaçao de muito "lixo" e eu contra-argumento que hoje em dia uma das grandes virtudes é saber reter o importante dos bombardeamentos informativos que recebemos constantemente.

Vermouth disse...

A boa educação e a clareza de principios acima de tudo. Por isso, obviamente que não aceitaria tais comentários.

RICARDO PITA disse...

no correio da manhã os comentários são piores!!!!

Tiago Sousa Dias disse...

a- Serviço PÚBLICO
b- Crime PÚBLICO
c- Sanitário PÚBLICO
d- Comentário PÚBLICO

Peço ajuda do Público.

a- 15%
b- 5%
c- 20%
d- 60%

Tiago Sousa Dias disse...

Conclusão:

Resposta D - Conclusão - O Público tem a maioria absoluta...

Tiago Sousa Dias disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
xana disse...

O problema dos jornais diários que estão a apostar (mal) na vertente online é que não têm pessoas para fazer um bom trabalho nessa mesma vertente.

O stress de uma redacção num diário, com a quantidade monstruosa de trabalho, os típicos deadlines e o ritmo avassalador que acarretam, aliados à crise que o jornalismo está a atravessar, quer na parte de investimento, quer na tão famigerada credibilidade, torna tudo num caos.

Os gratuitos estão a arrasar a publicidade para os lados dos "grandes", que assim não podem manter os activos que poderiam caso tivessem mais capital.

No meio disto tudo, como querem ter pessoas para darem conta do recado online?

Nélson Faria disse...

A imprensa tradicional passa por uma crise não só conjuntural como estrutural. A crise já existia antes dos gratuitos e estes só pioraram.

E o pior não nem o Metro nem o Destak. O Meia Hora, por exemplo, é um óptimo jornal, à borla, e que vem ter comigo. Como negar as evidências?

A resposta dos tradicionais passa pelo jornalismo de investigação, pela análise profunda dos temas e equacionamento de sub-hipóteses e por uma aposta nas colunas de opinião; o relato de notícias está em todo o lado. Só mesmo aquela pitada extra poderá garantir a rentabilidade.

jfd disse...

www.sapo.pt
Excelente site online

Adriana disse...

Eu entendo que se deve fazer uma triagem porque quando alguem comenta deve ter em conta que, apesar de vivermos em liberdade de expressao, há valores e principios a respeitar.

big mamma disse...

Atentem nos critérios de não publicação (são 8):
quantos destes comentários publicados passariam nesses critérios?

Creio que seriam todos chumbados. Não é a liberdade de expressão que está em causa mas sim o não cumprimento do regulamento pelo próprio regulador.

Tiago Sousa Dias disse...

Os gratuitos são um vírus a da imprensa portuguesa desculpem lá. Já jornais como o Oje que têm noticias de há 3 ou 4 dias. Ninguém acredita. Pior. Quantas vezes se vê um destes jornais a citar o JN ou o DN ou Público etc em noticias de conhecimento comum fazendo resumos dos textos naqueles jornais... aqueles que se pagam saem hoje e os gratuitos dão a info amanhã mas de borla. Por isso os jornais tradicionais não acabarão por causa dos gratuitos, porque se acabarem todos de uma vez, os gratuitos vão ter que investir nas suas equipas de redacção e despedir os jornalistas/resumidores e este investimento não é comportado pela publicidade.
Para os comentadores que forem de jornalismo se disse alguma bacurada desculpem-me, mas é a minha visão de cidadão comum.

Paulo Colaço disse...

Subscrevo na íntegra a Big Mamma.
Não se trata de limitação da liberdade de expressão, trata-se de requisitos.

Mais, o Público refere que não quer ter um "chat" entre leitores, mas transformou aqueles espaços em quase blogs. O pior é que são quase-blogs anáquicos: cada diz o que lhe apetece, com a violência e peçonha que entende, violando as normas exigidas pelo Público, e a "equipa editorial" aplaude com a validação daqueles "textículos".

Fico possuído.

Quanto ao tema jornais diários, duas notas:
a) Cumprem o fabuloso papel de porém os portugueses a ler.

b) Não sei se tiram espaço aos de formato papel, mas quero aqui dizer que eu já não compro jornais em papel. Tenho na net tudo o que preciso para estar informado.

Tenho igualmente o Psico que, modéstia à parte, me fornece, por vezes, informações tecnicamente mais credíveis que alguns takes de jornal. E, aqui, tenho o contraditório.

A título de exemplo, a conversa Diaz-Bérrio/JFD/Elsa foi-me mais útil que um semestre inteiro de Economia Política II...

Quanto à disponibilidade dos jornais em afectarem alguém para a net, é ilusão achar que não há gente (em número e competência) para a tarefa.

Margarida Balseiro Lopes disse...

"Muitos socialistas presentes na sala também se voltarem contra o autor dos protestos."

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1316334

Nem a eles próprios se regulam...

Paulo Colaço disse...

Não sou nada destas coisas, mas acabo de enviar um e-mail ao Director do Público, alusivo a esta matéria.
O texto foi motivado por mais um conjunto de caixas lamentáveis.

«
Exmo. Dr. José Manuel Fernandes,

como leitor do Público e fã do respectivo site (quanto a mim o melhor dos sites noticiosos em Portugal), venho reclamar e solicitar a sua intervenção na área de comentários aos artigos do Publico Online.

A caixa de comentários de leitores é uma ideia interessante, que podia servir para leitores com informações adicionais (técnicas, teóricas ou vindas da experiência) poderem dar o seu contributo à discussão e esclarecimento.

Porém, a boa ideia está transformada num albergue para acusações brejeiras, trocas de insultos entre leitores, vilipêndios contra figuras públicas. Neste momento, as caixas de comentários às notícias do Público Online são autênticos blogues paralelos, trazendo o pior da cobardia (o insulto com anonimato), o embaraçoso uso do português de carroceiro, não acrescentando nada à discussão.

E tudo ao arrepio das normas que o Público impõe para os comentários.

É a primeira vez que lhe dirijo uma carta. Espero que nunca se venha a justificar uma segunda.

Respeitosamente,
Paulo Colaço
»

Nélson Faria disse...

Quando se chega a velho começa a mandar-se este tipo de cartas :)

O José Manuel Fernandes deve estar a pensar: porra, é que há mesmo gente que não tem mais nada que fazer!

Alvíssaras Colaço, alvíssaras... faltam mais como tu.

Paulo Colaço disse...

Ehehehe.
És capaz de ter razão: é precisamente a primeira vez que redijo uma carta destas. Deve ser da idade.

José Pedro Salgado disse...

"Artigo 3º
Linha editorial
1-(...)
2 – Os artigos publicados pelos Psicóticos podem ser livremente
comentados, mas não serão tolerados:
a)(...)
b)(...)
c) Comentários contendo linguagem grosseira"

Por respeito aos nossos estatutos, limito-me a denominar estas pérolas de sabedoria de "inqualificáveis".

Mas lá que dá vontade, dá...