quarta-feira, janeiro 03, 2007

Será o terrorismo negociável?


Negociar com terroristas, uma ideia absurda mas, pelos vistos, levada a sério pelo responsável político, nosso vizinho, Zapatero.
Ora, o desfecho era previsível. No fundo, nunca conseguirei perceber como se aceita negociar com terroristas. Pessoas capazes de cometer atrocidades em nome de desígnios que levam a uma cegueira que custa vidas, serão capazes de ter palavra? Serão capazes de cumprir compromissos?
O mais hilariante é que Zapatero ganhou o poder por causa do terrorismo, todos se lembram do 11 de Março que arrasou Aznar. Seria engraçado se também o perdesse por lidar mal com esse problema grave que é o terrorismo em Espanha.
Existem informações de que o governo espanhol se preparava para fazer uma cedência à ETA há muito reivindicada: transferir os presos etarras para prisões geograficamente mais próximas do país basco. A resposta da ETA foi o retomar da violência.
Em suma, Zapatero, tal como o PP (partido de oposição) exige, só pode declarar publicamente que as negociações acabaram e que o combate ao terrorismo será uma prioridade sua. Este erro de Zapatero é no mínimo clamoroso. Perder tempo a negociar o inegociável…

6 comentários:

Marta disse...

Devia ser engraçado assistir a essas negociações. Por um lado, imagino os terroristas a quererem fazer um atentado e matar 300 pessoas e ferir umas, vá lá, 450. Por outro, Zapatero a permitir 70 mortos (da oposição) e 120 feridos (da abstenção)...

Naturalmente que negociar o terror, não traz vantagens a nenhuma das partes e negociar com vândalos e assassinos também não me parece que seja eficaz.

Paulo Colaço disse...

Lembram-se de Soares dizer que se devia negociar com os terroristas?

Só me espante Zapatero ser tão novo e já ter a mesma doença que a idade trouxe a Soares...

Marta disse...

Nem de propósito Xana!

"A polícia basca descobriu um recipiente com 100 quilos de explosivos nas proximidades de um automóvel, em Atxondo, na província basca da Biscaia." in Público 4 de Janeiro de 2007

vasco neves disse...

O terrorismo, de facto assume-se nos dias actuais como um tema, uma preocupação constante para qualquer cidadão do mundo. É incrível a quantidade de vezes que ouvimos e lemos no nosso dia-a-dia a palavra terrorismo, terrorista, terror..... mas quantos de nós sabemos o verdadeiro significado da palavra terrorismo. Na minha opinião primeiro que tudo é necessário definir o que é o terrorismo. De certeza que não é a arma de propaganda que actualmente é. Palavra usada e abusada para impor agendas políticas, tanto em paises chamados “ocidentais” como nos “não alinhados”.
Será que não podemos chamar igualmente terrorismo ao financiamento de milícias ou de governos? Financiamentos que mudam de lado da trincheira ao sabor das agendas e estratégias politicas internacionais? Ou a catástrofe humanitária no sudão, e a completa ineficiencia da UN, devido à sua burocracia, em levar auxilio as refugiados? Não será também terrorismo? Eu pessoalmente ainda não consegui encontrar uma definição ideal para terrorismo. Espero ainda por esse iluminado que me ensine o que é verdadeiramente o terrorismo.

Pergunto eu... Será que a única solução perante o terrorismo será o uso da força? Olhemos para a Libia... antes da intervenção militar israelita, a milícia xiita Hezbollah disponha unicamente de um pequeno apoio junto da população libanesa, especialmente junto às fronteiras da Síria. Apos a destruição causada pelo conflito, o Hezbollah viu aumentar exponencialmente as suas bases de apoio junto da população. Em que é que contribuiu o chamado “Hard Power”? os Libaneses de certeza que não estavam a pragar contra o Hezbollah enquanto a aviação Israelita lhes destruía o lar...

A luta contra o terrorismo não se faz oprimindo e ameaçando povos, pois facilmente o populismo cria verdadeiros mártires. Luta-se sim, através do combate ao financiamento de milícias e grupos armados, na luta contra senhores da guerra e o seu trafico de droga, de diamantes. Na luta contra a exploração do ser humano, na criação de oportunidades de desenvolvimento.

Mas virar as costas à negociação será um erro crasso. Seria virar as costas à diferença. É muito mais fácil virar as costas, pois se tenho certeza de algo, é que todos nos olhamos de modo diferente, julgamos de modo diferente, tendo mesmo receio de tudo o que foge aos nossos padrões de naturalidade.
Um passo enorme será aceitar que de facto não somos iguais. Que não podemos impor a terceiros o nosso modo de ver um mundo. Ouvi um dia dizer que não podemos vender ideologia, muito menos impor ideologia. O caminho correcto será sempre mostrar a terceiros que o nosso modo de pensar, é que se calhar é um pouco melhor do que o deles.

Pessoalmente orgulho-me de acreditar no “Soft Power”, defendido pela UE. E levanto a minha voz contra os críticos que acusam a posição branda da UE, que afirmam que a europa jamais se afirmará enquanto manter a posição branda em matérias de política e estratégia internacional.

Bruno disse...

A interessante análise do Vasco peca por se desviar um pouco do tema do post (o que não é grave pois o debate pode sempre ser alargado). Mas o problema é que não devemos perder a oportunidade de, em casos como este, criticar veementemente toda e qualquer forma de terrorismo.

E no caso de Governos que optem por seguir o caminho que o espanhol escolheu, penso que ainda merecem mais a nossa condenação!

Sobre Zapatero digo apenas que me faz lembrar Guterres mas ainda um pouco pior. penso que todos percebem o que quero dizer...

Rita Nave Pedro disse...

Não me espanta a atitude de Zapatero... A agenda política "obriga" a certas medidas "loucas" para tentar gerir o ingerível!

O terrorismo é um fenómeno antigo de dimensões modernas e que os Governos fomentam ao permitir a desordem e o caos nas suas comunidades.

Será que devemos esperar grandes feitos de uma camada da população que vive de misérias, opressões e intolerâncias?

Parece-me que espanto era nascerem flores dos canos das armas onde investimos os milhões que os poucos que escapam ao lado negro da vida teimam em produzir...