segunda-feira, fevereiro 12, 2007

E Responsabilidade Cívica, não?




Não há liberdade sem responsabilidade.

Preocupa-me que pela terceira vez o instituto do referendo tenha sido encarado pelos eleitores com displicência. O referendo trata-se de uma ferramenta muito útil para o sistema democrático e uma das últimas manifestações de democracia directa a nível nacional.

Preocupa-me que apesar dos esforços envolvidos de parte a parte na campanha, não se tenha conseguido pelo menos 50%, um mínimo de participação que receio que só seja de almejar por alusão ao facto de nunca ter ocorrido.

Preocupa-me que nem uma questão que, por motivos diferentes, nos revolve a consciência e joga com sentimentos muito fortes seja capaz de mobilizar um país.

Preocupa-me que se possa apontar a chuva como um motivo para não se ir votar. Certamente será para alguns cidadãos, a quem por falta de transporte, idade, doença ou outros factores muito específicos não pode ser razoavelmente exigido a viagem à urna.

Ainda assim, espero que o que deu na televisão tenha sido interessante, que tenham gostado do que viram nas montras.

Devo no entanto dizer que não me evoca raiva assistir a esta falta de interesse pelos destinos da nação.

A falta de visão (para não dizer algo pior) que acompanha estas omissões da responsabilidade cívica de cada um, e que vão a pouco e pouco ferindo a nossa democracia, só me causa pena. Como um cão que, indo para o veterinário ser abatido, abana a cauda o caminho todo.

20 comentários:

Margarida B. Lopes disse...

Concordo inteiramente contigo Zé. Não será razoável justificar este absurdo alheamento dos portugueses em relação a esta matéria tão sensível com o estado do tempo: em 1998 estávamos no Verão, a culpa foi do sol, em 2007 estamos no Inverno e a culpa é da chuva.
Os portugueses mostram com esta elevada taxa de abstenção que preferem que os 'outros' decidam por eles. O que é lamentável num povo que já conquistou o mundo!

Marta disse...

A abstenção para mim deve-se um factor essencial: os portugueses não têm opinião. E a falta de opinião não resulta da falta de debate, mas eventualmente do excesso de consciência. Independentemente de qualquer posição, a pergunta referendada, as posturas e declarações do Primeiro Ministro e do Ministro da Saúde e os argumentos maus de ambas as partes constituiram para a maioria votante do povo português um insulto à sua inteligência.

No final, o que prevaleceu, não terá sido tanto a preguiça, mas a responsabilidade que acarreta a cruz num dos quadrados. Em ambos os casos, estar-se-ia a desvalorizar a vida e a tolerar a morte. E o que importa a democracia, quando à noite não nos sentimos em paz connosco próprios?

RICARDO PITA disse...

penso que o referendo morreu hoje!!!tanta abstenção só revela a falta de interesse pela questão em discussão.mas mais do que falta de interesse, constrange-me a falta de noção do q está em questão q muitas pessoas ainda relevam, mesmo após tanto demorado e produtivo(ou pelos vistos não) debate.

Marta disse...

Não me interpretem mal, para mim votar não é apenas um direito, mas um dever, uma responsabilidade cívica. Simplesmente respeito aqueles que optaram por tornar este referendo não vinculativo.

ritacipriano disse...

Concordo completamente com a Marta, " votar não é apenas um direito, mas um dever, uma responsabilidade cívica". Não sei como funcionam as aulas de Educação Cívica e cidadania nas escolas, mas espero que nelas seja abordado o tema "voto" para que as gerações vindouras venham a aderir ao voto.
Realamente é de lamentar a elevada abstenção. Não me conformo :-( estou desiludida com abstenção . Às vezes,diz-se "As pessoas só vivem em função do seu umbigo" mas neste caso é caso para dizer que desta mts portugueses nem p umbigo deles olharam.
Os antepassados portugueses , os conquistadores, os aventureiros, os grandes portugueses, se cá voltassem ............ morriam de susto.

"Simplesmente respeito aqueles que optaram por tornar este referendo não vinculativo. "

Bem, como diz o povo " Quem cala consente". Uma das hipóteses, para explicar a elevada obstenção que tem como consequência a não vinculação do referendo, poderá ser que os portugueses achassem que actual lei estava bem e nem se deram a trabalho de ir lá marca X.

Um abraço a todos

Tânia Martins disse...

Bem no que aponta este facto, fiquei muito desiludida. É uma vergonha para Portugal ter tido uma abstenção tão alta como esta. Concordo com a Marta que é falta de opinião, mas para mim perdoem-me é muito mais que isso, é preguiça, falta de capacidade de avaliar situações, enfim só transmite ao estrangeiro que o português é burro (desculpem o termo) e na realidade não o é.

E com tudo isto fiquei envergonhada de chegar aos jornais estrangeiros os valores da nossa abstenção.

Afinal para quê uma democracia em Portugal se ninguém quer saber dela para nada? Ou só se lembram que ela existe quando querem…

Uma questão como esta não deveria ter sido resolvida só por cerca de quatro milhões de portugueses, mas enfim escolheram assim e assim foi…

xana disse...

A mim custa-me viver num país de gente atrasada mental que reclama de tudo, participa naqueles programas tipo opinião publica cheios de afinco, porque o português acha sempre que percebe um bocadinho de tudo, e depois quando é chamado a votar... nao vai!

Imagino... domingo dia de feijoada ao almoço aquilo depois dá uma soneira tremenda e está tudo tramado!

santa ignorância é o que vos digo.

E ainda há aqueles que nem vão votar para eleições mas depois vêm reclamar do Presidente da Junta, do Presidente da Câmara, do PM e do PR!!

xana disse...

E dando uma achega ao comentario da Tania... Dizes "é uma vergonha para Portugal", eu digo PORTUGAL é uma vergonha!

Nélson Faria disse...

Tanta gente revoltada com a abstenção...
1. A abstenção foi inferior às europeias de 2004 (mais de 60%), o que para mim é bem mais preocupante do que um referendo cuja discussão pública terminou numa gritaria ensurdecedora.
2. Os grandes do passado, os conquistadores, os que conquistaram o mundo em tempos - recomendo a leitura do ensaio "As Mágoas do Império" do Coronel David Martelo - ficariam deveras assustado com o que se passa em Portugal... há eleições em Portugal?! Para eles seria este o factor negativo. Portugal é um país com tradição democrática muito mitigada.
3. Não será, de certeza, com educação cívica que as pessoas se interesserão pela política de causas. Porquê? Porque a política falhou os portugueses! Instalou-se em Portugal, como em todos os países ocidentais, a ideia comum que votar em dificilmente fará a diferença. As pessoas voltarão à política quando houver efectiva liderança, e não enquanto persistirmos em candidaturas préviamente ensaiadas em laboratório.

Nélson Faria disse...

Tendo desabafado: educação cívica é fundamental, mas mais importante é fazer com que as pessoas voltem a acreditar na classe dirigente. Pedir que as pessoas confiem nos políticos é pedir de mais, pois não houve um momento na história em que as pessoas tivessem uma boa imagem dos políticos.

Anónimo disse...

www.nao-obrigado.org


OBRIGADO
Obrigado a todos. Foram dias bonitos de empenho por um ideal. Ajudámo-nos e animámo-nos uns aos outros num combate entre David e Golias em defesa do valor sagrado da vida.



Para agradecer a generosidade e capacidade daqueles “profissionais” que fizeram uma campanha fantástica pelo não ao aborto um amigo nosso tomou a iniciativa de organizar um jantar na 5ª feira dia 15 às 20.30 na Associação Comercial de Lisboa na Rua das Portas de Santo Antão. (O preço mínimo é de 25 € mas quem puder dar mais ajuda a pagar as dividas da campanha). Confirmações ate 5ª feira para o 96 2959793.

Anónimo disse...

Nélson,
Quando se diz : " os grandes portugueses se cá voltassem morreriam de susto..." não queremos dizer que não ficassem assustados por haver eleições, pois até ficariam! No entanto, há centenas e centenas de anos atrás, os grandes portugueses descobriram terras nunca antes conhecidas, foram pioneiros e vanguardistas. E, hoje em dia, Portugal anda na cauda disto, daquilo e não sei do que mais.

Enquanto as pessoas voltam e não voltam a acreditar nas classes dirigentes deve-se apostar na Educação Cívica para que as novas gerações tenham atitudes mais cívicas. Pois, não sei se é nos próximos anos que as pessoas vão acreditar em classes dirigentes.

Um abraço,
Rita C

Anónimo disse...

"num país de gente atrasada mental" são termos mto fortes , não exagere,nada de extremismos, nem de generalizações!!!

Isabel_Ferreira

Margarida Lopes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Margarida Lopes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Margarida Lopes disse...

Pois bem, a dita Educação Cívica já foi materializada na disciplina de Formação Cívica.

Tem um nome pomposo e esperava-se que dela resultasse uma efectiva formação para a cidadania. Mas não! Eu tive (in)felizmente Formação Cívica, num dos primeiros anos em que foi leccionada, e é mais uma forma de aumentar a já excessiva carga horária com jogos e demais coisas inúteis.

A reflexão sobre disciplinas como esta e Estudo Acompanhado terá que ser feita entretanto. A solução possível: ou se extinguem ou são reformuladas.

Paulo Colaço disse...

Este nosso blog tá um fenómeno...

Ainda nao tinha dito nada sobre isto da abstenção.

Tenho muitas dúvidas que ela seja má.

Tenho mais medo da má escolha que da não escolha, embora seja useiro em citar Dante: o lugar mais quente do inferno está reservado aos que permanecem neutros em alturas de crise.

Eu não votei no anterior referendo do aborto: estava em Lisboa e era dia de actuação da tuna. Preferi subir a palco com a minha gente que ir a Rio Maior votar.

Não é exemplo, pois não, mas sei hoje que, só por grande dificuldade é que farei o mesmo. Arrependi-me, em suma.

Em breve postarei sobre o tema.

Marta disse...

Este nosso blog É um fenómeno! ;)

Nélson Faria disse...

Não havendo respeito pela classe política, não é com a educação cívica que mudam mentalidades. Não sou contra, mas percam a ilusão que uma disciplina mudará a sociedade. Sendo um pouco optimista, essa cadeira poderá tocar uma pessoa e, essa pessoa, irá mudar a forma de fazer política (ao racionalizarem, passem para o plural a questão da pessoa: não acredito no homem providencial, nada tenho de sebastianista).

Quando ao termos estado na vanguarda, é verdade que temos muito mérito. Demos um enorme contributo, mas os Descobrimentos é um mito que convinha destruir. Talvez mereça um post... escreverei sobre isso em breve!

ritacipriano disse...

Nélson,
Evidentemente que não é uma disciplina que vai mudar as mentalidades a 100%, mas pode contribuir para mudar alguma coisa.
Essa cadeira pode tocar algumas pessoas e estas podem transmitir a outras. Pode-se ir formando uma "bola de neve". Será um objectivo a médio/longo prazo.
Eu nunca tive nem nunca leccionei Formação Cívica. Ontem em conversa com uma colega que lecciona Formação Cívica disse-me que não existe programa como nas outras disciplinas. O que existe são umas orientações do ME e que a escola tem autonomia para decidir os conteúdos a abordar nesta disciplina. No entanto, ao longo do 2º e 3º ciclos este tema, acaba por ser abordado.
Concordo com a Margarida " a reflexão sobre a disciplinas como Estudo Acompanhado e Educação Cívica terá que ser feita." Reformuladas! Penso que uma reformulação seria bom!

Fomos um país de vanguarda e não concordo consigo quando diz "Descobrimentos é um mito que convinha destruir".
É para lembrar, recordar e não esquecer! Faz parte da nossa história e não a podemos apagar, mesmo q se queira! O passado nunca se consegue apagar, nunca se consegue destruir!

Que venha esse post! Já estou curiosa!
Bom Carnaval!Mta folia!
<:o)

Um abraço,