quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Muita parra e pouca uva…



Dois anos passados, sobre a data da tomada de posse e Sócrates continua na crista da onda em termos de sondagens e isto, apesar de até agora ter dado aos portugueses uma mão cheia de nada e outra cheia de coisa nenhuma…
Razão para estarmos atentos mas não demasiado preocupados já que como é habitual quanto maior a subida, sobretudo se não for sustentada, maior o trambolhão…

Acredito no povo português e tenho a certeza que esta popularidade não significa que os eleitores estejam satisfeitos, estão apenas e inteligentemente a dar a Sócrates e ao seu governo todo o beneficio da duvida para que depois não existam desculpas.

Dificilmente haverá perdão para quem, como Sócrates, prometeu com pompa e circunstancia e a sobranceria que lhe é tão peculiar a criação de 250 000 empregos durante a legislatura, promessa que continua a afirmar que vai cumprir apesar de já terem passado dois anos e de os dados recentemente vindos a publico desmentirem essa possibilidade já que apontam para um aumento do desemprego de 8,2%, o maior da duas ultimas décadas.
Mas, se duvidas houvesse quanto ao desempenho de Sócrates e do seu governo o numero apenas sofrível de crescimento económico registado falaria por si, apenas 1,2%, menos de metade da média da união europeia
Acresce a isto, o aumento do imposto sobre os combustíveis, o aumento do preço dos medicamentos, o encerramento mal explicado de centros de saúde e escolas, etc, etc…mais a afronta sistemática a pensionistas, médicos, policias, professores…

A justiça tarda mas não falha, veremos o resultado de tanta propaganda e, em suma, de tanta parra e tão pouca uva…

7 comentários:

Nélson Faria disse...

Óptimo exemplo de como se pode pegar em Sócrates sem nos dizerem que ele faz as coisas que "nós" não tivemos coragem de fazer.

Acrescente-se a Educação (fechar escolas não é reforma educativa, ainda que eu apoie o encerramento delas), Justiça é mais que celebrar pactos, decisão sobre as polícias é algo que não se vê, ministério da economia é uma sombra que vive do trabalho da API (que nós criámos).

E quero ver o impacto no mercado do aumento do SMN em 2011 para €500. Por este andar é só descapitalizar o país... e o PRACE? e os resultados do PRIME, quando são apresentados? São chegadas as horas das contas.

Nélson Faria disse...

Antes que se levante a questão quanto aos polícias: António Costa ficou de apresentar um relatório que terminaria definitivamente com o conflito de funções entre PSP e GNR - o que são estas forças, para que servem, existe hoje diferenças que exijam a manutenção das duas?

João Gomes da Silva disse...

Como não há duas sem três, cá vai o meu terceiro comentário durante esta madrugada.

Duma forma rápida e concisa (hoje tenho de acordar bastante cedo) a minha opinião é negativa em relação ao governo do Engenheiro Sócrates e ao seu trabalho.

Contudo existe um pequeno ponto que não foi referido nem no post nem nos comentários do Nélson, a opinião do partido socialista e do governo sobre o combate à corrupção.

Todos sabem o que se passou no caso Cravinho recentemente, eu inclusive estava na plateia num dos últimos “ Prós e Contras “ da RTP, em que o Comandante Azevedo Soares confrontou o ministro Augusto Santos Silva sobre o tema, e talvez a sorte dele e de todo o governo foi o programa estar a terminar, pois a falta de resposta da parte do ministro em relação ao tema era óbvia.

Esta é uma das muitas questões abafadas pela máquina de propaganda socialista, ou melhor falando socrática. E com isto termino recordando uma frase de um grande jornalista português, a célebre expressão “E esta, hein?”.

Bruno disse...

Em 1º lugar gostaria só de fazer uma pequena correcção ao texto da Z porque penso que Sócrates prometeu 150.000 e não 250.000 novos empregos. De qualquer forma, está ainda muito longe de cumprir a promessa.

Em 2º lugar, e não entrando em exemplos específicos que já foram apontados quer no post, quer nos comentários anteriores, concordo que este Governo está - para já - aquém das expectativas que Sócrates criou.

Finalmente, uma nota: a diferença entre o estado de graça que este Governo ainda goza, apesar das atitudes impopulares que já teve, e o que se passou com o Governo de Durão Barroso e depois com o de Santana Lopes. É obviamente a máquina de propagada socialista a funcionar... Só não percebo é a incapacidade contínua do PSD para fazer face aos problemas de comunicação que tem tido ao longo dos anos.

Já disse várias vezes em conversas que o grande problema do PSD é esse mesmo. É, para mim, o melhor partido em termos de quadros, de militantes, posicionamento ideológico e coerência. Tem uma grande heterogeneidade o que lhe permite estar em constante evolução e adaptação, ouvindo as pessoas e conhecendo os seus problemas. Tem tido coragem e frontalidade quando está no poder. Simplemente, não sabe comunicar, falha numa regra básica: "faz o bem e divulga-o".

Mendonça disse...

Confesso que a certa altura parei para confirmar. Pensei que o texto em causa tinha sido escrito por Miguel Macedo, tal é a colagem ao balanço que o secretário-geral do PSD fez aos dois anos de Governo.

Além disso, não posso deixar de registar - com mágoa - que não tenha perdido dois minutos a reflectir sobre um facto político muito relevante nestes dois últimos anos: o PS reforça a maioria enquanto o PSD de Marques Mendes já vale menos 2% do que o PSD de Santana Lopes. Será só coincidência?

Nélson Faria disse...

As sondagens valem o que valem amigo Mendonça. E não é por todos estarem felizes com a marcha que eu aplaudo a banda.

O que está em causa não é a avaliação do trabalho de Marques Mendes (sofrível, sem combatividade no que toca à oposição ao governo; positivo no que toca à re-estruturação do partido), mas sim a do governo Sócrates.

Uma de várias máximas de quem faz estatística é esta: devemos usar a estatística como o bêbado usa o poste... mais pelo apoio do que pela luz ;)

Bruno disse...

Caro Né,

Também me parece que o nosso amigo Mendonça se preocupou mais em atacar o PSD do que em analisar o Governo que é o tema central do post. Mas isso é capaz de ser defeito de profissão. Será que não há jornalista que não vire à esquerda? (brincadeira provocatória, amigo Mendonça).

No entanto, penso que a análise de um não se pode dissociar de outro porque o PS e o PSD são partidos alternantes no poder e como tal é muito difícil que um cresça sem o outro cair...