domingo, setembro 24, 2006

A ver se eu vos explico…

Na sequência da polémica suscitada pelas suas declarações sobre o Islão, num discurso proferido a 12 de Setembro, o Papa, irá reunir-se com embaixadores de países muçulmanos junto da Santa Sé, no sentido de reiterar a sua vontade de diálogo e reforçar que não pretendeu ofender ninguém.

Recorde-se que, Bento XVI, no seu discurso em Ratisbona, disse por exemplo que defender a fé com violência é uma coisa “irracional” (mas que provocador!), falou na existência de “culturas profundamente religiosas” (francamente! Se isso é coisa que se diga…) e ainda teve o desplante de sugerir diálogo entre culturas e religiões para que se reencontre um equilíbrio entre a fé e a razão (diálogo? Isso não será muito radical???).

Agora, ao que parece, 20 embaixadores ou encarregados de negócios de países muçulmanos (incluindo a Turquia e o Irão), bem como representantes islamitas em Itália, aceitaram reunir-se com o Papa e esperemos que tudo fique esclarecido. É caso para dizer que podemos (apenas) ter fé que tal aconteça… tendo em conta a capacidade de encaixe normalmente mostrada nesta situações pelos muçulmanos e a sua frieza nas reacções.

É que não se prevê que venha a existir um tal de “pedido de desculpas” que alguns representantes islâmicos acharam que Bento XVI deveria ter proferido… tal como não poderão eles próprios pedir desculpa por grande parte das igrejas cristãs que foram incendiadas e destruídas na sequência das manifestações de protesto contra Bento XVI. É que a Santa Sé só representa a Igreja Católica e os nossos “irmãos” muçulmanos distraíram-se e desataram a incendiar templos ortodoxos, evangélicos, judeus…

11 comentários:

Inezinha disse...

Eu subscrevo e assino por baixo. Realmente, coitadinhos dos muçulmanos e ai queimámos fotografias do Papa, ai destruímos igrejas, ai matámos freiras. Puros actos de distração, temos que dar um certo desconto. Ha certas coisas que me fazem imensa confusao: os muçulamos exigem ao Papa um pedido de desculpas por lhes ter chamado 'violentos' (ainda estou para ver onde é que foram buscar esta ideia, que coisa tao descabida meu Deus) e depois respondem com actos que podemos classificar como... ora vamos la ver... ora falta-me a palavra.. ora violentos. Bem, coerência nao deve aparecer no dicionário daquelas bandas, digo eu na minha inocência...

adriana disse...

As divergências entre católicos e muçulmanos sao uma historia antiga e dificilmente tera um fim.
Em relação a esta ultima confusão a questão que me assola é sera que o papa foi mesmo inocente naquilo que disse como ele quer defender?Agora isso não é razao para os muçulmanos reagirem assim...

Paulo Colaço disse...

eu nao segui a polémica, porque estava na Madeira e em ... FÉRIASSSSSSSS.

Mas pelo que sei, quando se fala de coisas sensiveis, ha que ter sensibilidade!

O Rato Singer parece-me ter pouca. Posso estar a ser injusto, mas nunca vi o João Paulo II meter a pata na poça nestas coisas...

Bruno disse...

Caro Colaço, tu sabes, devido à tua experiência política que é muito dificil suceder a alguém carismático e Karol Wojtyla, aka João Paulo II, não será fácil de substituir.

Penso que, neste caso, aquilo que devemos defender é que, independentemente de se recomendar prudência na abordagem de certos assuntos, é fundamental - tal como defendemos neste blog - que não haja prejuízo da liberdade de expressão.

E para ser sincero, irrita-me a posição de: "ah e tal é melhor deixar os muçilmanos em paz porque eles são muito sensíveis e depois desatam para aí a queimar bandeiras e fotografias... e igrejas... e pessoas...". Acho que devemos todos estar sujeitos às mesmas regras, ou seja, respeitar mas sem deixar de dar opinião e criticar atitudes menos próprias. Utilizar a religião como arma de arremesso é uma atitude menos própria.

Paulo Colaço disse...

Bruno, de facto tens razão, a prudencia nao deve tolher a liberdade de expressão, porém há sempre que ter cuidado.

Eu nunca fui Papa, (embora de vez em quando me candidate a ser papá), mas se fosse Papa perceberia que uma palavra minha podia gerar ondas de choque complicadas de gerir.

O único Bento de que gostei na vida era um senhor cabeludo que defendia a baliza do Glorioso. Este tem de se portar melhor para eu lhe ter a mesma estima que tinha ao João Paulo

Bruno disse...

Concordo contigo Colaço e por isso deixo aqui duas notas:

- é, de facto, importante que determinadas pessoas tenham noção do alcance das suas palavras e por isso tenham especial atenção ao que dizem;
- é, de facto importante, que determinadas pessoas tenham noção do alcance dos seus actos e por isso, tenham especial atenção à proporcionalidade entre aquilo a que reagem e a própria da reacção.

Anónimo disse...

É assim: Acho que faltou ao Papa sentido de oportunidade e de conveniência. Ele tem que ser aconselhado que, como Papa, não pode dar aulas de teologia e se mesmo assim o quiser fazer deverá ser em privado. Não para intectuais, sejam eles quem forem e para os média.
No entanto, parace-me "violento" obrigar o Papa a pedir desculpa por uma coisa que ele não disse. Ele não exprimia o seu pensamento, logo não tem que se retratar por isso. Deverá, a meu ver, explicar muito bem o seu próprio pensamento sobre o assunto e o que pretendia explicar com a citação que fez.

antZ disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
antZ disse...

Nao acho justo só por causa do Papa ser Alemão o criticarem tanto 1ro porque ele não disse mentira nenhuma, 2do porque não foi ele o primeiro a proferir e 3ro ele não é nem nunca vai ser João Paulo II, por isso até é bom que ele meta a pata na poça umas tantas vezes para ele próprio se convencer disso!
Até lá os muçulmanos vão continuar a ser muçulmanos e a criar o caos por onde passam com ou sem ajudas/pretextos dados pelo Pápa...

José Pedro Salgado disse...

O k é mais curioso é pensar no seguinte:

-o Papa falou na universidade onde costumava dar aulas

- e falou sobre uma matéria que costumava ensinar

Ou seja, o mais provável é k já tenha dito a mesma coisa dezenas de vezes, exactamente no mesmo sítio.

Claro k na altura ñ era Papa, mas acho irónico.

Rita de Matos Oliveira disse...

Estou de acordo contigo, Bruno, quando dizes que as sensibilidades islâmicas não devem "tolher" a nossa liberdade de expressão. Mal do ocidente quando se calar com medo de ferir sensibilidades...

Não percebi um coisa num comentário anonymous: o Papa não pode dar aulas de teologia?!!!!!!!!!!!!!!!!