domingo, dezembro 10, 2006

Atropelamento e fuga



Todos temos o direito à morte. Convém é deixar as dívidas pagas!

Imagina um senhor que te deve algo valioso. Tão valioso que uma parte significativa da tua vida está efectivamente encerrada na dívida por cobrar.
E imagina que a morte do senhor extingue toda a tua esperança de reaver o que é teu?
É esse o efeito da morte de Pinochet. Morre com uma dívida monstruosa: deve um pedido de desculpas aos órfãos que deixou, às viúvas que provocou, aos cadáveres enterrados em valas comuns.
Deve o cumprimento duma pena que nunca será executada.
Sobretudo, a sua morte não consola os que queriam Justiça para apaziguar a alma. A dos homens, não a de um Deus com mais que fazer.

Morreu um dos maiores devedores da historia, e os seus credores jamais serão ressarcidos.

Espero bem que, se luz ao fundo do túnel ele viu, que fosse a de um comboio em sentido inverso!

7 comentários:

antZ disse...

... hum ... Este é um daqueles posts que nos faz pensar duas vezes antes de atravessar a Rua... Nao vamos ficar nos a dever alguma coisa aqui ao Sr. Colaço... =X* Lol*

Paulo Colaço disse...

ehehehe

Rita Nave Pedro disse...

A justiça é um bem escasso na sociedade...

Acho que a lição que podemos retirar desta situação é que não devemos ficar à espera que as soluções para os grandes problemas se resolvam com o tempo, porque o tempo consome-nos a esperança e ainda nos deixa mais vazios.

Ousemos lutar por aquilo em que acreditamos e alcançar tudo aquilo que nos propusermos a conquistar!

Bruno disse...

A propósito de alguém morrer com uma dívida por vos pagar aconselho-vos a fazerem um seguro de vida à pessoa que vos deve sendo vós o beneficiário. Se precisarem de mediador, telefonem-me ;)

Mas falando mais a sério até porque há, efectivamente, dívidas que são impagáveis, tal como aquela que conseguiu contrair o sr. Pinochet durante os seus 90 e tal anos de vida.

Penso que mais revoltante do que o facto de ter morrido sem pagar pelo que fez é o facto de ter sequer conseguido viver... para fazer aquilo que fez. Leva-nos a pensar, não? Que raio de espécie esta, a humana... humana? que raio de nome irónico quando nos lembramos de alguns dos seus "espécimens", não?

Lisete Rodrigues disse...

De facto, o sentimento profundo de injustiça é revoltante e nem a lembrança de que poderá haver a justiça divina (para quem faz fé disto)o abranda.
No entanto, a explosão de alegria que se viu ontem nas ruas após a morte de Pinochet é revelador de que somente o desaparecimento daquele homem acalma a dor dos que por causa dele sofreram...

Nélson Faria disse...

Detesto unanimidades. Pinochet foi um animal, massacrou homens e mulheres, e amealhou pecados que não eram os dele. Seja!

Mas quando se falar no General, não se resumam ao que a esquerdalha nos vende: há dois grandes momentos em Pinochet, e não, um deles não é a sua morte.

O primeiro é o dia em que corre com Salvador Allende do governo do Chile. Este hipotético salvador não sabia se havia de governar o Chile ou deleitar-se com um qualquer sonho de sociedade perfeita.

O segundo é o dia em que é referendada a sua continuidade na liderança do Chile, e ao perder (tendo amealhado 46% dos votos expressos), aceitou democráticamente o resultado e afastou-se do Chile.

O que se passou entre estes dois momentos condena-o para sempre, mas eu nunca esquecerei de olhar para o Homem quando todos me tentam impingir a Besta.

Bruno disse...

Ora aí está o Né a proporcionar-nos uma outra forma de olhar para o assunto. Concordemos ou não com a posição, há factos que não devemos ignorar e é por isso que vale a pena frequentar o Psicolaranja: aqui as opiniões debatem-se, não se ractificam.