segunda-feira, novembro 19, 2007

Todos por um


Governo quer um pacto para a segurança interna

Rui Pereira, Ministro da Administração Interna, apelou recentemente para a necessidade de um entendimento de maior latitude em matérias de Segurança Interna.

Concordo plenamente.

Para além do argumento de autoridade de se tratar de alguém com um respeitável currículo na área (foi Director do SIS), mas que ainda assim poderia parecer falacioso, parece-me que este pacto eliminaria um dos grandes entraves ao avanço desta área em Portugal.

Para já esclareçamos que as maiores falhas nas nossas leis de segurança interna têm a ver com medo.

Medo porque um órgão que trabalhe em segurança interna (como a Polícia Judiciária, os Serviços de Informação e Segurança, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras ou, até certo ponto, o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa) para funcionar convenientemente necessita de um estatuto especial que se traduz numa diferente valoração "garantias/eficácia".

Não se trata de ressuscitar a PIDE-DGS, nem de passar uma carta branca para qualquer actuação. Trata-se de encarar as especificidades e a importância que aqueles órgãos apresentam.

O problema é que os estigmas acima mencionados ainda estão muito vivos na mente dos nossos governantes. Assim, o medo de que uns serviços de segurança interno sejam uma nova polícia política tem-nos colocado a fechar o cortejo no que toca à Segurança Interna europeia.

E para se resolver isto, concordo com o Ministro. É preciso seriedade de propósito e concordância inter partes.

Será isto possível?

O Aplauso, o Assobio e a Selecção


Não é uma questão de ser mais português que o outro, de ser mais patriota ou mais tudo: é uma questão de espectáculo!

Quando vamos a um estádio ver o nosso País a jogar é óbvio que queremos que ele ganhe. Quando vamos a um estádio ver o nosso País a jogar pagamos um bilhete. Quando vamos a um estádio ver o nosso País a jogar, mesmo que o bilhete tenha sido oferecido, vamos ver algumas estrelas de nível mundial a tocar num esférico. Quando vamos a um estádio ver o nosso País a jogar queremos que ele nos inflame a alma, nos encha de orgulho e que nos faça acreditar que realmente somos capazes.

Quando vamos a um estádio ver o nosso País jogar contra a Arménia queremos que ele cilindre! E não é uma questão de resultado, é uma questão de exibição. Os portugueses até aplaudiram no fim do jogo, numa onda "Porreiro, pá!", mas ficaram desiludidos com as estrelas. O pedacinho de céu que a distância objectiva de nível futebolístico das duas selecções prometia, não necessáriamente mais golos, mas muito mais espectáculo: fintas, trivelas, domínio absoluto do jogo. Eu queria ver o Meira e o Bruno Alves a trocar a bola no meio campo da Arménia, não a atrasar para o Ricardo; eu queria ver o Miguel Veloso a secar todos os arménios, e não a brincar com o cabelo; eu queria ver o Cristiano, o Quaresma e o Simão numa sucessão de tabelinhas desenfreadas a palmilhar terreno; eu queria ver futebol...

E não vi isso. Vi uma selecção que marcou sem saber porquê e se resignou, o que já nos valeu uns quantos dissabores nesta qualificação. E agora queriam aplausos! Honestamente: vamos atrás deles, pagamos bilhete, esperamos que entrem em campo, grita-se e canta-se, o espectáculo é mau e nem assobiar podemos?

Como disse outrora um deputado da Nação quando os colegas preferiram trocar opiniões do que ouvi-lo em palanque: "Vão bardamerda que eu vou para Viseu."

Filadélfia à portuguesa...


I- A Relação de Lisboa confirma uma decisão do Tribunal de Trabalho que considerou justificado o despedimento de um cozinheiro infectado com HIV. Dizem os juízes que HIV “existe no sangue, saliva, suor e lágrimas, podendo ser transmitido no caso de haver derrame de alguns destes fluidos sobre alimentos servidos ou consumidos por quem tenha na boca uma ferida”.

II- Os juízes tinham ao seu dispor dois pareceres científicos que desmentem alegados riscos de transmissão de um cozinheiro.

III- Diz um dos pareceres: «É do conhecimento científico que a transmissão do HIV só se efectua através de relações sexuais não protegidas, por via endovenosa, por via materno-fetal e nunca, até ao presente, por ‘manipulação de alimentos’».

Decisão injusta? Prevalência do bom-senso sobre as provas? Ou apenas significa que gritar “sida” numa cozinha é o mesmo que gritar “pedófilo” num infantário?

sábado, novembro 17, 2007

RTP ou EP?


Almerindo Marques sai da RTP para ir para a direcção das EP. É uma saida meticulosa e rigorosamente preparada pelo Governo mas antes Almerindo ainda tenta despedir por justa causa Jose Rodrigues dos Santos. Mas a EP tem outro problema: o facto de esta se ter tornado numa SA. Na minha opinião foi uma forma de o Governo discretamente retirar do Orçamento de Estado uma das empresas públicas que mais problemas económicos trazia.
E os psicoticos que acham da nova SA e do seu novo Presidente?

sexta-feira, novembro 16, 2007

V Psico-Debate


Durante este ano o Psicolaranja organizou 4 debates (Lisboa, Porto, Almada e Caldas da Rainha), uma tertúlia de aniversário, várias refeições plenárias e 1 Psico-Congresso. Com a expectativa de sempre, convidamos amigos e visitantes para o nosso último evento público de 2007.

Tema: “25 de Novembro: factos e protagonistas
Oradores: Deputada Zita Seabra (Vice-Presidente do PSD), Dr. José Luís Cardoso (Ex-Governador Civil de Évora) e Coronel Jaime Neves (Antigo Comandante do Regimento de Comandos)
Moderador: Dr. Sertório Barona (Advogado)
Data: 24 de Novembro (sábado)
Hora: 17 h
Local: Évora, Hotel da Cartuxa
Co-organização: Nuno Leão

25 de Novembro devia ser feriado? A quem se deve a democracia em Portugal? O PCP quis de facto democratizar o País? O que foi o PREC? Estas e outras questões terão resposta no dia 24.

quarta-feira, novembro 14, 2007

P+or+tu+ga+l

O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, no Congresso de Torres Vedras destacou no seu discurso o debate em torno da “descentralização administrativa”. Conhecido adepto da regionalização, Menezes defende a realização de um referendo em 2008.
Esta é uma questão que vai muito para além do referendo de 1998: o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento (IED) já em 1982 vaticinava a inevitabilidade da divisão administrativa.
Dois dos principais argumentos do Não são o receio da excessiva interferência do novo poder intermédio no poder local e a criação de mais um patamar de burocracia. A defender o Não temos, por exemplo, o poder local.
A sustentar a regionalização encontramos como argumentos, uma mais eficiente optimização dos recursos, uma imperativa simplificação de procedimentos administrativos e, naturalmente, uma aproximação dos cidadãos à administração. Um dos principais defensores da regionalização é a região do Algarve.

E nós, psicóticos e psico-amigos, em 2008, votaríamos sim ou não?

terça-feira, novembro 13, 2007

E viva a Cidadania...


“O Cartão de Eleitor vai acabar e os cidadãos maiores de 18 anos vão poder votar apenas com o Bilhete de Identidade (BI) ou Cartão de Cidadão na área onde residam, anunciou hoje o ministro da Administração Interna.”

O Governo conta apresentar no início de 2008 esta proposta de alteração de Lei na Assembleia da República, com a explicação que “não faz sentido que o recenseamento não seja automático, quando as pessoas completam 18 anos de idade. Poder votar decorrerá da "qualidade de cidadão", não dependendo de qualquer inscrição específica”.

O Ministro da Administração interna espera que nas próximas eleições em 2009 já se encontre este sistema em vigor.

Já tinha percebido que muitos jovens deixam o tempo passar e passar porque é “chato ter de ir fazer o cartão de eleitor”, mas afinal isso não é um dever dos cidadãos?

De facto é uma forma prática de recenseamento, mas a questão que coloco é: até que ponto este sistema irá beneficiar a iniciativa ao voto? Será que irá fazer com que muitos jovens comecem a ter iniciativa de ir às urnas, visto que já não têm de se preocupar com o recenseamento? Ou o problema de desmazelo na sociedade portuguesa para com a vida política já não tem cura?

Medo? Premonição? Estratégia?


Segundo a comunicação social, "Fidel Castro receia que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, seja assassinado à ordem do «império» norte-americano ou da «oligarquia», e apoiou o homólogo aliado na altercação que o opôs ao rei de Espanha em Santiago do Chile."

Já alguns psicoticos tocaram na "ferida" daquilo que se passou na Cimeira Ibero-Americana mas agora eu questiono: O que ganha um velho moribundo como o Fidel com este tipo de afirmações? Será que ele é que quer finalizar com o império Chavez? Será que o velho Fidel continuar a sonhar com os tempos de guerrilha e que dominará a america latina?




Democracia?



Pensemos no seguinte...Hoje em dia é eleito quem diz o que o povão quer ouvir. Isto é demagogia, isto é democracia. Tenho como adquirido que a maior parte do povão não sabe o que quer nem o que é melhor para o médio e longo prazo, sendo "escravos" do imediatismo (estarei correcto? Serei menos democrata?)... Ora, esse imediatismo é largamente explorado por candidatos menos sérios. Posto isto; não caminha a nossa democracia para algo que não será nada recomendável, tendo em conta que apenas serão eleitos os que não têm ideias e que se submetem às necessidades pouco iluminadas da maior parte do povão ? Não estará a democracia podre, a partir do momento em que, apenas tem como resultado uma alternância de poder bi-partidária e esvaziada de verdadeiros ideais caracterizadores e marcantes? Não estaremos num perigoso caminho quando a maior parte do povão nem se digna a exercer o seu direito (deveria ser uma obrigação!) de voto, sendo sempre "os mesmos" a votar?
Não estaremos a diluir as verdadeiras ideias e boas intenções numa mescla de "catch all parties" ?
Será a democracia apenas mais um sistema que será destronado por algo mais evoluído e totalmente diferente?
Serei eu um pessimista?
Serei um "neo-tirano"?
Aguardo comentários;)

o iluminista escocês (alcunha dada pelo meu carinhoso grupo amarelo UV 2005)

publicado por moi em Setembro 2005 em http://grupo-amarelo.blogspot.com, com alterações.
...
Queria escrever algo muito light sobre democracia, e lembrei-me que isto já estava escrito...
Ao reler este post, não deixo de concordar (LOL) com o que escrevi na altura. E não deixo de continuar preocupado com o futuro. Mas também me assusta um pouco esta linha de pensamento. Mas, apenas porque, não vejo qual poderia ser a alternativa!
Aquelas palavras encerram um pouco de ingenuidade e pessimismo, mas no entanto, pouco se tem feito pela formação (se não política ainda que;) cívica das pessoas que são eleitores activos.
Pouco tem alterado no que toca à percepção do que são os Partidos Políticos no que toca ao cidadão comum que activamente contribui para a economia nacional com os seus impostos, mas pouco dela retira (classe média), e que na altura de votar tanto se lhes dá cruz rosa ou cruz laranja.
Será esta observação verdadeira? Ou falta de fé nas pessoas do meio? Aquelas que não estão nos extremos?

Deveríamos ter formação cívica nas escolas? Deveríamos ser obrigados a exercer o direito de voto?
Que pensamentos vos sugere esta mescla de posta?
PS - achei interessante a imagem, não subscrevo o conteúdo que representa :)

segunda-feira, novembro 12, 2007

Praxe violenta

A praxe é tradicionalmente o meio, por excelência, de integração de novos alunos no meio e espirito académicos. Quando feita seguindo a boa tradição podem viver-se momentos inesqueciveis. Quando quem praxa não tem sentido de responsabilidade nem a consciência de que uma má conduta prejudica não só quem directamente teve lugar nestes actos mas a própria credibilidade da instituição "Praxe", deve ter a devida resposta.
6 jovens são agora acusados judicialmente por praxe violenta. Em que consistiu a praxe? Virar uma caloira de pernas para o ar e enfiar a cabeça num penico com excrementos de vaca (entre outros).
"Idiota" será suficiente para classificar esta conduta? Ainda há boa Praxe ou a Praxe nos dias de hoje só é motivo de noticia porque é má?




sábado, novembro 10, 2007

E para nós como é?

Esta Cimeira Ibero-Americana, realmente, está a dar que falar. Mas, e mais do que isso, está a dar que pensar. Tal como o Paulo Colaço, eu também esperava algo mais das declarações dos nosso governantes.

No entanto, o que realmente me levou a «ficar a pensar» e a vir aqui «postar» foi o facto do nosso Presidente da República, Cavaco Silva, ter dito que: "é, na América do Sul, diferente a ideia de democracia e liberdade". Bem, tendo em conta a actuação do nosso Governo em algumas questões e lembro-me, por exemplo, o caso do Professor Charrua, fico realmente intrigado sobre se será mesmo assim.

Apesar disso, decidi procurar no famoso Wikipédia e eis os resultados que obtive para 'democracia' e para 'liberdade':

"Democracia é um regime de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), directa ou indirectamente, por meio de eleitos representantes — forma mais usual.
Numa frase famosa, democracia é o "governo do povo, pelo povo e para o povo".
Democracia opõe-se à
ditadura e ao totalitarismo, onde o poder reside numa elite auto-eleita."

"A liberdade é uma noção que designa, de uma maneira negativa, a ausência de submissão, de servidão e de determinação, isto é, ela qualifica a independência do ser humano.
De maneira positiva, ela designa a
autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional. Isto é, ela qualifica e constitui a condição dos comportamentos humanos voluntários."

Segundo Cavaco, estes dois conceitos são diferentes na América do Sul. Mas, e entre nós? Não teremos nós um significado pessoal para cada um? Não pensamos nós de forma diversa em relação a cada um deles? Até porque estamos já numa geração que não viveu uma luta por liberdade, mas vive, sim, num caminho pela globalização...


Esperava mais!


Na Cimeira Ibero-Americana, Hugo Chavez chamou fascista a Aznar e magnata petroleiro a Lula, entre outros vitupérios.
Comentando, Sócrates disse: “Esta organização de cimeira entre chefes de Estado e de Governo é assumidamente plural e diversa. (…) Nós não queremos uniformidade política, temos interesses comuns, temos uma história comum, isso não significa que pensemos todos da mesma forma. Ouvimos os outros com respeito, tal como os outros nos ouvem com respeito”. Enquanto falava, tinha Cavaco Silva ao seu lado.

Que Sócrates tenha medo de criticar Chavez, percebe-se. Afinal, trata-se de José Sócrates.
Que Cavaco não tenha dito, pelo menos: “não gostei de ouvir Chavez falar daquela forma do Chefe de Estado de um país irmão e de ter chamado fascista a Aznar”, desilude-me. Esperava mais.

Às armas!


Forster (autor de, entre outros, Passagem para a Índia) disse uma vez "Se um dia tiver de escolher entre trair o meu amigo ou trair o meu país, espero ter tomates para trair o meu país." (a tradução é minha e vale o que vale).

O nosso hino canta "Pela pátria lutar!", mas até que ponto é este um valor hodierno?

Esta geração (na qual estou incluido) nunca teve um grande conflito (ainda, e ainda bem) que pusesse um preço na sua liberdade, mas será que ele, a surgir, faria que corrêssemos para as armas, para defender a pátria?

Hoje em dia, que tanto se fala de Europa, de globalização, de "escala global", qual é o espaço que reservamos para o amor ao nosso país?

Ainda existe patriotismo em Portugal?