segunda-feira, maio 12, 2008

Parabéns Inês, por João César das Neves


Cara Inês
Não tenho o prazer de a conhecer, mas o Paulo Colaço e os seus amigos do Psicolaranja (que por acaso também não conheço) convidaram-me a participar na celebração que farão dos seus 18 anos. Foi uma ideia muito “blogueira” esta de convidar um desconhecido para um aniversário, e agradou-me por isso. Mas, como ela chocou com a minha agenda impiedosa, pediram-me este texto, onde querem que eu fale (à moda de blogs) da sua maioridade. Eu acedi prontamente e aqui vai!
Ah! É verdade! MUITOS PARABÉNS!

João César das Neves, 8/Maio/2008



Sou maior. E agora?

Acabo de fazer 18 anos e dizem-me que sou maior. Eu sinto-me exactamente como ontem, mas toda a gente diz que já sou maior. Maior do que era. De facto, eu ontem já me sentia maior. Tinha opiniões bem claras, tinha certezas e sentia-me capaz de enfrentar o mundo. Era rebelde, audaz. Mas o mundo dizia que eu era menor. Hoje já sou maior e o mundo quer a minha opinião nas eleições, toma-me como igual e passa a considerar-me maior. Eu, realmente, estou igual a ontem.
Aliás, até me parece que com isto perdi alguma graça. Ontem era menor com opiniões, e eles achavam graça. Hoje sou maior como eles e já não há razão para me acharem graça. Se calhar ficar velho é isto. Não tarda os jovens vão começar a criticar-me, com as suas opiniões rebeldes e audazes. E até é capaz de acontecer que eu os venha a desprezar porque eles são... menores. Não! Isso nunca vai acontecer! E daí talvez...
Como será ser maior? Bem, essa é fácil. Conheço imenso maiores. Os meus pais, avós, tios, professores e amigos são maiores. Ser maior é ser como eles: aborrecidos, rotineiros, cansados. Por isso é que, mais do que perder a graça, me assusta perder as opiniões e certezas por agora ser maior.
O que é mais difícil é imaginar que eles alguma vez foram como eu. Como é possível que os meus pais alguma vez tenham sido rebeldes e audazes, como eu? Como podem eles ter tido as certezas e os atrevimentos, os sonhos e os desejos, mas também os medos e as dúvidas que eu tenho? Consigo lá imaginar os meus pais ou os meus professores a acabarem de ser maiores como eu.
E, no entanto, eram exactamente assim que eles eram. Precisamente como eu. Não tinham telemóveis nem blogs, mas usavam os telefones e os cafés. E discutiam, imaginavam, criticavam e garantiam exactamente como eu. Até aquela professora quadradona já foi jovem, rebelde e audaz, como eu. E hoje é assim!! Hoje são assim, aborrecidos, rotineiros, cansados.
São assim e, em boa medida, são assim por causa de mim. Fui eu e outros como eu, que fizemos os meus pais e professores ficarem maiores assim. Lembro-me bem quando tinha 3 ou 4 anos. Nessa altura eu não tinha opiniões nem certezas. Mas também não tinha medos nem dúvidas. Não os tinha porque os meus pais e professores eram como eram. Nessa altura eu não era rebelde nem audaz e gostava muito que os maiores fossem aborrecidos, rotineiros, cansados. Era isso que me dava a segurança. Hoje não lhe acho graça nenhuma.
Será que é isso que me espera? Será que é isso que eu serei daqui a uns anos, como os aborrecidos, rotineiros e cansados? Bem, há uma outra coisa que eu aprendi com os maiores. É que além de se passar a maior, há outra coisa que é mais importante: passar a melhor. Cada tempo tem as suas características, cada fase da vida as suas manias. Mas há algo que, ao longo do tempo, cresce ou não cresce connosco.
A vida é como o sumo de uva. Alguns amadurecem num vinho de belo sabor, enquanto outros azedam em vinagre. Quem recebe a luz do sol, os sucos da boa terra e o aconchego de um bom casco de carvalho, apura-se num néctar delicioso. Mas quem rejeita o mundo, repudia a sua origem e contesta o que o rodeia, virá a amargar para sempre.
Todos passam de menores a maiores. Mas nem todos passam a melhores.

domingo, maio 11, 2008

Os "ghettos" do Estado vão acabar!

Há em Portugal mais de 40 mil famílias com necessidade imediata de habitação.

Quem deve suprir esta falha? Tem de ser o Estado a intervir, mas será a forma como intervém que fará a diferença. Deverá simplesmente dar casas a quem precisa?

O Plano Estratégico da Habitação defende um Estado mais regulador e fiscalizador, defendendo que se deve criar uma bolsa de fogos para resolver as carências, mas com enfoque na dinamização do mercado de arrendamento. Isto é: não se dá, aluga-se.

É um bom sinal: rendas a custo controlado, fora da lógica "bairro social", com a Câmara e as parcerias público-privadas como principais agentes.

Deixemos de acumular os mais desfavorecidos em caixotes: ajudemos quem precisa, sem vergonhas nem pudores, sem ghettos. A vida já é difícil o suficiente sem a discriminação do Estado.

A referência da Referência


Pedro Rolo Duarte é uma referência do jornalismo português.
A sua opinião é escutada, citada, apoiada, reprovada.
No blog Janela Indiscreta PRD publica os textos da sua coluna homónima na Antena 1, um espaço de segunda a sexta, pelas 18.20h.

No passado dia 8 de Maio o Psicolaranja foi um dos blogues referidos por PRD, com destaque para um excerto de um parágrafo do Nélson Faria. Para quem não ouviu, aqui fica o link.

sábado, maio 10, 2008

O Mal Amado?

José Pacheco Pereira. Militante base do PSD. Amado e Odiado. Dificilmente ignorado. É crítico do PSD da JSD, pondo o dedo na ferida com uma eloquência por vezes, apenas ultrapassável pela persistência da sobreposição da sua voz e ideias. Nasceu há 58 anos no Porto, mora em Rio Maior rodeado por livros. Teve uma história no PSD. E fora do PSD, em outras latitudes exóticas ;) Há quem não lhe reconheça nenhuma legitimidade para ser o grilo falante do partido que se julga ser. Outros veneram a sua forma de estar e pensar. Com algumas excepções, a minha tendência é para o segundo grupo.
No contexto presente, foi um dos restritos impulsionadores do (finalmente!) aguardado avanço de Manuela Ferreira Leite para a corrida à presidência do PSD.
Em Grande Entrevista ao DE, que aconselho a leitura* (as minhas quotes são obviamente tendenciosas!), ficam pérolas de sabedoria do género:

Quando se analisa a crise do PSD, tem que se reconhecer que se iniciou no período de liderança de Cavaco. Uma coisa era a lógica do Governo, outra a do partido.(...)

[sobre PPC] "É um homem com 20 anos de história dentro do PSD. Geriu o seu tempo e o seu espaço. E beneficia de uma conjuntura favorável nestas eleições, que é receber apoios do aparelho político que estava com Menezes. Não tenho dúvida de que vai ter um bom resultado. Tem uma linguagem política que foi buscar aos blogues."

[sobre MFL] "(...)Opto por Ferreira Leite, porque acho que o partido está numa crise profunda, que põe em causa os seus fundamentos. O PSD é um partido popular, não é um partido populista. A deriva populista não tem nada a ver com o programa do PSD e a sua relação com o país deteriorou-se. É um partido que tem hoje pouca credibilidade, que os portugueses não ouvem. Ainda é forte a nível autárquico, mas a sua dimensão nacional está enfraquecida."

[sobre PSL] "(...)É um catálogo de promessas que só vale o papel em que está escrito."

[Sobre a Esquerda/Direita]"Não penso que a divisão esquerda/direita seja hoje instrumental, que ganhemos muito utilizando esse instrumento para perceber a política. O que não quer dizer que, particularmente do ponto de vista da tradição histórica das ideias, não haja essa divisão. Mas em muitas matérias tenho ideias típicas da esquerda e noutras posições típicas da direita. Por exemplo sobre a cultura tenho uma noção que pode ser tida como elitista, mas sobre a liberdade individual, questões de sexo, casamento, homossexualidade, as minhas posições são de esquerda."

E os caros leitores, que opinam sobre o grande(?!) José Pacheco Pereira?

*diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/destaque/pt/desarrollo/1121293.html

Para o fim de semana VII - Iá Nós Podemos

A sugestão dos Contemporâneos para a liderança do PSD: Buraka Obama.

Inspirados pelo vídeo Yes We Can, eis a sua proposta.

Pequeno excerto:

"Isto só lá vai com o hino em kizomba
O Parlamento no Mussulo
Ninguém dorme, tudo bomba!"

sexta-feira, maio 09, 2008

"Boa noite, eu sou a Manuela Boca Guedes e este é o Jornal Total"

Goste-se ou não do estilo de Manuela Moura Guedes, hoje em entrevista ao Público a Jornalista e ex-Deputada refere que o seu afastamento poderá ter tido influência política...
"Grupo Prisa, PSOE, Zapatero nuestro hermano de Sócrates..."
Até quando iremos assistir a esta ingerência?

Há males que vêm por bem?

Myanmar...
Nas nossas mentes há bem pouco tempo. A revolta dos monges. O esmagar militar. O País fechado de novo. Agora, vem a Natureza, e de forma avassaladora, mostra a sua força. Como sempre, e infelizmente, os números são assustadores. Números piores que os do Tsunami no Natal de 2004... 500.000 mortes... As estatísticas dizem que após uma catástrofe desta natureza, e sem auxílio humanitário, as mortes tendem a aumentar exponencialmente devido a causas sanitárias. O País está fechado. Não se quer abrir ao auxílio. Não quer dar a conhecer as condições em que vive, de facto, o seu povo. As fotos de satélite que ilustram este texto, mostram a área do Delta de Irrawaddy, no antes e no depois. A destruição para além de extensa, ficará para durar.
5 dias depois da tragédia a Junta Militar ainda negava Vistos de entrada a entidades de auxilio humanitário. Incompreensível. Há países que também têm esta posição volta e meia, como por exemplo a Índia. Mas neste caso é perfeitamente compreensível.
Quer a China quer a Rússia já tentaram aproximar-se da ONU para tornar o auxílio coercivo em casos de questões humanitárias... Poderá ser uma questão do calor do momento, mas eu não penso que faça qualquer sentido... Seria uma grave ingerência na soberania dos países. Mas e a questão humanitária? A França argumenta que a ONU já tem esse poder desde 2005. Em todo o caso, muita da imprensa mundial, como salientava o Sena Santos, está a olhar para esta tragédia como um mal terrível, mas que trará um enorme bem para o país... É este o preço a pagar pela liberdade?

O sumo da laranja


Ontem, em Setúbal, ouvi a Dra. Manuel Ferreira Leite.
Num curtíssimo resumo eis quatro dos tópicos que deixou:


A Pessoa Humana
A pessoa humana é a razão de ser de toda a actividade social, nomeadamente da acção política. O primado da pessoa humana não pode jamais ser posto em causa.

A Família
É a célula essencial da sociedade, o repositório dos seus valores e tradições e a primeira escola da solidariedade entre gerações.

A Sociedade Civil
O Estado não deve chamar a si aquilo que os indivíduos estão vocacionados para fazer. Deve dar espaço de liberdade à iniciativa e criatividade das organizações da sociedade civil.
Ao Estado compete a fixação das regras de funcionamento que enquadrem o mercado, garantam o desenvolvimento económico e assegurem a justiça e a solidariedade.

Partido Interclassista
O PSD representa todas as categorias da população portuguesa.
Falar em barões e militantes de base é uma linguagem que só nos divide e fragiliza.


Se lermos o nosso Programa, estas palavras e conceitos já constam!
A ideia é clara: para superar esta fase de menor crédito junto dos portugueses, não há nada de que o PSD precise que não seja já pertença do PSD.
Podemos apaixonar-nos por discursos mas, se apenas mudar a forma, prefiro o conteúdo de quem me dá mais garantias de credibilidade: MFL!

quinta-feira, maio 08, 2008

Jovens são os trapos



Diz Constança Cunha e Sá no Público de hoje "Pouco importa que os "jovens" sejam um segmento da população particularmente limitado pelo seu umbigo e pelo imediatismo dos seus interesses", para logo a seguir concluir "Numa sociedade infantilizada que estigmatiza a velhice e privilegia a novidade, a juventude adquiriu um valor irrefutável que ninguém se atreve a contrariar".

Termina assim "Se metade dos jovens inquiridos não sabe qual o número de Estados da União Europeia, desconhece quem foi o primeiro Presidente eleito após o 25 de Abril e não faz ideia se o PS tem maioria absoluta no Parlamento, o melhor que os políticos têm a fazer é pensar melhor no que se tem passado na Educação."

Discordo quase em absoluto do primeiro parágrafo, confundir a juventude com a infância é um erro grave e perigoso. Hoje em dia o paradigma social é diferente, os jovens são jovens até mais tarde, por um lado ainda bem, é sinal de que as condições de vida melhoraram e de que hoje podemos dar-nos ao luxo de vivermos a vida que queremos e não a que nos é imposta pelas condições sociais e isto sim é um excelente indicador de qualidade de vida e de democracia. Outra coisa bem diferente é dizer que "os jovens" (que bonito é utilizar umas aspas como figura de estilo), ou seja, a juventude é uma cambada de irresponsáveis "Morangos-com-açucar-ó-dependentes" (eu também sei usar aspas).

Como diria o Tiago Sousa Dias não confundamos a beira da estrada com a estrada da Beira, é que isto das sinédoques dá jeito na escrita, mas na vida real raramente se aplicam. E para comprovar isso mesmo convido as/os Constanças Cunhas e Sás deste mundo a visitar uma secção da JSD (sim uma das "Escolas do crime") para que possam comprovar que "a gente não somos parvos".

No entanto, no segundo parágrafo mora uma crítica certeira e com a qual concordo, se há problemas, e com certeza que os há, "o melhor que os políticos têm a fazer é pensar melhor no que se tem passado na Educação". Citando Eça "é a basezinha".

quarta-feira, maio 07, 2008

A Eslováquia e o Euro



I am living abroad and earn Euros, so from my personal point of view, the implementation of Euro currency in Slovakia will be very practical and easy! On the other hand, I am also aware that this introduction of the new currency will lead to the rise of prices, how we witnessed in many EU member countries before and I am afraid it will be difficult for many ordinary people.


Psico-Convidada:
Veronika Jankovicova
Assistente do Eurodeputado Eslovaco - Peter Stastny

O nomeado....?

Obama, embora cheio de pancada, está cada vez mais próximo. Ganhou a Carolina do Norte (por 15 pontos!). Encurtou e minimizou a vantagem de HRC no Indiana. Neste último estado, teve dois adversários (como tem tido ultimamente); HRC, e os republicanos, que just for the fun of it, têm ajudado a complicar cada vez mais a definição do lado democrata...

HRC entretanto (lembrem-se que agora é a noite de ontem nos EUA), cancelou a sua agenda da manha... Das duas uma, ou fará uma conferência de imprensa dramática, ou será apenas time off para reavaliar a sua estratégia.
A direita dos EUA insiste que os Elefantes estão cada vez mais elitistas, e isso se nota na demografia dos apoios quer a um, quer a outro candidato.

Em quem apostam os caros leitores?
Teremos nomeado?

terça-feira, maio 06, 2008

Montra de Líderes

Temos hoje três candidatos principais à liderança do PSD.

Manuela Ferreira Leite - candidata conhecida de todos. Traz com ela a imagem de seriedade, responsabilidade e credibilidade. Principal handicap: acusam-na por ter anos a mais ou por estar demasiado ligada aos anos de austeridade barrosista.

Pedro Santana Lopes - líder carismático, com um currículo vastíssimo, inclusive Primeiro-Ministro. Homem apaixonado e de grandes convicções, arrecada amores e ódios muito intensos. O principal handicap é a lembrança do seu tempo como Primeiro-Ministro.

Pedro Passos Coelho - o outsider que ganha muitos pontos pela novidade. Marca a diferença pela lufada de ar fresco que traz no seu estilo de discurso, tendo a vantagem de não estar ligado ao passado mais recente do PSD. O seu principal handicap está em não ser um rosto familiar nem ter créditos políticos firmados.

Que acham que vai acontecer? O que quererão os militantes do PSD?

Doutorlândia


Venham novas opurtunidades e coisas que tais.

O Expresso noticiou esta semana o pedido de rescisão do contrato de António Vitorino com a Faculdade de Direito de Lisboa.


Porquê? Porque sem um Doutoramento, o homem que já foi Juiz do Tribunal Constitucional e Comissário Europeu não tem, à luz da Lei portuguesa, possibilidades de ir além de assistente, a menos que seja convidado pela faculdade.


Mas este é só um exemplo. O quotidiano é fértil demais em exemplos da cultura do Dr. (desta vez refiro-me ao licenciado). Para tudo e mais alguma coisa se exige uma licenciatura ou um Mestrado, fazendo tábua raza de conhecimentos que foram adquiridos de outra forma (quem sabe até mais eficiente).


Quantas pessoas válidas não se perderão todos os anos pela exigência de uma licenciatura para certos cargos da função pública, por exemplo? Ou pela descriminação (salarial e não só) que a falta do título "Lic." origina?